Perceberam que há algum tempo, tanto no Brasileirão quanto nos diversos campeonatos estaduais, os árbitros (que deveriam ser profissionais e funcionários da CBF e/ou Federações regionais, mas são somente “prestadores autônomos de serviços aos clubes de futebol”) estão sendo patrocinados por diversas empresas?
E como isso funciona?
Em tese, os árbitros deveriam repartir o direito de imagem / publicidade / valor do patrocínio. Mas a maior parte nada recebe. Aliás, com quem fica o valor considerável para se tornarem outdoors? Com a própria entidade organizadora do torneio.
Já tivemos problemas com o conflito de interesses de patrocínios no Brasil. A FIFA proíbe patrocínios de arbitragem que gerem desconfiança entre os torcedores e/ou outros inconvenientes. Recentemente a CREFISA havia feito um contrato com a FPF para patrocinar a arbitragem (sendo que ela era a patrocinadora master do Palmeiras). A Federação fez discursos mirabolantes e desconexos da realidade na época (ou por mentira, ou por ignorar as normas da própria FIFA). Recorde as bobagens ditas e feitas em: https://wp.me/p4RTuC-cpr.
O certo é que a FIFA, mediante a insistência da publicidade, proibiu o patrocínio da CREFISA na camisa dos árbitros. Relembre, abaixo, extraído do Estadão:
(Em: https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,fifa-acaba-com-patrocinio-aos-juizes-de-parceira-do-palmeiras-imp-,1669229)
Durou apenas cinco dias o polêmico patrocínio de duas empresas parceiras do Palmeiras à arbitragem do futebol paulista. O acordo foi rompido ontem, depois de determinação da Fifa, que o considerou ilegal por haver conflito de interesses. A Federação Paulista teve de acatar e anunciou o cancelamento do contrato logo após divulgar horários e locais das semifinais do Estadual, que serão no domingo. Corinthians e Palmeiras jogam às 16h no Itaquerão e Santos e São Paulo se enfrentam às 18h30, na Vila Belmiro.
A Fifa acionou a FPF por meio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e evocou o artigo 15 de seu Regulamento de Organização de Arbitragem. O patrocínio a juízes e auxiliares é permitido, desde que não haja ligação alguma com clubes participantes de competições.
De acordo com o texto, “anúncios de patrocinadores nas camisas de árbitros serão permitidos somente se não criarem conflitos de interesses com nenhum dos times participantes. Caso isso aconteça, o árbitro não deve utilizar nenhum tipo de patrocínio na camisa”.
Tenho certeza que muitos árbitros ficaram constrangidos com tal situação na época, e os lógicos e inevitáveis questionamentos de torcedores exaltados e que se sentiram incomodados ocorreram (mesmo sem vingar a ideia, para se ter ideia do potencial do estrago).
Agora, leio que a chinesa AOC (de equipamentos eletrônicos) quer patrocinar o São Paulo FC. Ora, a AOC é patrocinadora dos árbitros e fornecerá os equipamentos do VAR no Paulistão (sua concorrente, a TCL, fará o mesmo papel de “empresa oficial do árbitro de vídeo” no Campeonato Brasileiro).
De quem a AOC abrirá mão?
Eu imagino que do SPFC, pois deve ter contrato assinado anteriormente com a FPF e sua saída agora geraria imensos transtornos para o torneio.
Fica a dica às empresas: cuidado com os parceiros que possam gerar conflito de interesses em outras parcerias.
