– Que coisa, Editora Abril!

Uma notícia que deixa todo o leitor apaixonado pelos Quadrinhos Disney entristecido: o fim das publicações da Editora Abril!

Que coisa… sabidamente a empresa está em crise, tanto que abriu mão de Placar e de tantos outros títulos. O que está acontecendo de fato? Creditar o desinteresse à leitura e culpar o acesso digital não me parece o mais lógico.

Sou do tempo em que a Abril publicava tudo: dos gibis da Turma da Mônica, passando pelas HQ da Disney até os da Luluzinha. Sempre foi uma potência!

A propósito, eu comprei edições que hoje são raridades: tenho a Revista na qual se fazia o concurso para decidir as cores do Biquinho (o sobrinho do Peninha), os almanaques do Superpateta, as histórias incríveis de edições limitadas (como o dia em que o Zé Carioca resolveu trabalhar ou quando a Madame Min enfim casa com o Mancha Negra). As edições dos anos 80 do pessoal de Patópolis sempre foram as melhores!

Uma pena. Minha paixão pelos quadrinhos começou a diminuir quando mudaram demais o personagem Zé Carioca e seus amigos, descaracterizando-o com a desculpa que o modernizavam. Aí veio a majoração dos preços da Abril. E tudo ficou sem graça…

Será que a Disney vai ser publicada por alguma outra editora?

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– Como é o filme Vingadores 3 (Guerra Infinita)?

O “arrasa-quarteirão” Vingadores, Guerra Infinita Parte 1 (que na verdade se chama Guerra Infinita apenas) é um sucesso dito por toda a crítica especializada.

Para quem gosta de heróis como eu, fica a dica: o filme é realmente espetacular e surpreendente!

Thanos rouba a cena, e se você quiser saber o que acontece no filme, para não dizer que não avisei a existência de Spoilers, saiba: a história toda está aqui, nesse link: https://becoliterario.com/spoilers-vingadores-guerra-infinita/

Só avisando: para as quase 3 horas de filme, vale a Pipoca com Manteiga no Combo Gigante, ok?

Ah, o final também é surpreendente!

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– 80 anos do Superman!

Ontem, 18/04/18, o Superman completou 80 anos de vida!

Nesta data da comemoração da sua 1a aparição, Henry Cavill, o atual Homem de Aço no cinema, produziu essa mensagem bem legal no Instagram (no link abaixo):

Em: instagram.com/p/BhuwrgEld7p/

Eu também ganhei algo bacana: uma produção da minha filhota Marininha comigo de Super-Homem via Snapchat:

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Muito legal, afinal, os meus músculos “são parecidos” com os dele, assim como meu cabelo! E para quem curte heróis como eu, aqui vai um resuminho via Omelete (o site especializado desse assunto): 

– Confirmada a Vilã de “Mulher-Maravilha 2” e as fotos de Shazam!

Para cinéfilos e apaixonados por HQ, uma boa notícia: a diretora Patty Jenkins confirmou que para o 2o filme solo da Mulher Maravilha nas telonas, teremos como adversária Cheeta, ou melhor, Bárbara Minerva, a Mulher-Leopardo (que será vivida pela atriz Kristen Wiig)!

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E a notícia boa não veio desacompanhada: vazaram por paparazzis a foto do ator Zachary Levy vestido de… SHAZAM!

Voltei à minha infância. Êba! Olha aí o uniforme dele (e o filme promete ter uma participação especial do Superman).

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– Zé Carioca é o cara (ou não)?

Sou fã do papagaio dos gibis Disney, Zé Carioca. Criado pela política da boa vizinhança americana, o malandro (que não gosta de trabalhar e vive dando golpes nas pessoas, apesar do bom coração) foi uma homenagem ao Brasil.

Mas há certas coisas que incomodam: há uma edição especial de 70 anos dele, e nas primeiras histórias, o papagaio fumava charuto.

Claro, era outra época, outra cultura, outras preocupações… O politicamente correto quase não existia, mas… em quase todas as histórias, há personagens fumando cigarros, cigarrilhas e charuto, como sinônimo de sucesso!

Não gosto disso. Prefiro o Zé dos anos 70/80, de calça azul e camisa branca ao invés do terno e do guarda-chuva, do morro da Vila Xurupita, vivendo aventuras com o Pedrão Feijoada, Nestor, Rosinha, e claro, fugindo da Anacozeca (Associação Nacional dos Cobradores do Zé Carioca).

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– Saudade da antiga Bandeirantes…

Lembro-me do Luciano do Valle e o jargão: Bandeirantes, o Canal do Esporte”!

Canal do Vôlei, do Boxe, da Fórmula Indy. Povoou as tardes de domingo dos meus anos 80 com o “Show do Esporte”, a melhor alternativa para quem não queria ficar no Programa Sílvio Santos.

Depois que a Bandeirantes mudou o seu logo das cores da bandeira paulista para demagógica verde-amarela, e se renomeou como Band… parece que até mesmo os ares mudaram!

Hoje está impossível assistir. Não só pelos freios nos investimentos em esporte, mas pelo seu castingNeto no comentário em jogos de futebol? Esqueça! Cheguei a apitar jogos dele no final de carreira, aqui em Jundiaí no Paulista FC (em jogos-treinos) e no profissional do Araçatuba. Um dos maiores batedores de falta que vi (mesmo estando fora de forma). Em 1990, deveria ter ido até à Copa da Itália, e não foi por teimosia do Lazzaroni.

Mas quando o Neto comenta futebol… não dá. Tenho que mudar de canal. Parece “TV Corinthians”! Pitacos que parecem direcionados, brigando com a imagem sem lucidez. Ou melhor: fora da realidade. Nada contra o Neto no campo pessoal (pois dizem que intimamente é um sujeito do bem), mas no campo profissional… Aff!

Como é que a Band não se preocupa com a qualidade de suas transmissões?
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Rebloguei do meu próprio blog, escrito há exatamente 1 ano, mas bem atualizado.

– Dia Nacional dos Quadrinhos e o Mito Maurício de Sousa

Há personalidades difíceis de serem acessíveis. Outras, que se destacam pela simpatia.

Pois bem, esse dia 30 de janeiro é marcado pelas comemorações do “Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos”! Aqui em casa, adoramos nos divertir com as leituras de gibis. Minha filha Marina até já “mergulhou” em um monte de revistinhas. Veja:

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Mas o que quero dizer é: coincidentemente, neste mesmo “Dia dos Quadrinhos” (mas em 2017), estávamos saindo do Hospital Albert Einstein e passamos comprar algumas novas revistas para nossa coleção (Chico Bento e Almanaque do Louco). Eis que, quando a Marina me mostrava que na historinha do Louco o Mauricio de Sousa (que ela já sabia que era o “pai da Turma da Mônica) tinha desenhado ele próprio numa das aventuras, estaciona (justo nesse dia dedicado às HQ), o próprio Maurício!!!

A minha pequenina parecia não acreditar (e nem eu, foi muita coincidência)! Abordei ele, que foi extremamente sorridente e simpático, brincou com a Marina (a personagem Marina da Turminha é inspirado na filha criativa dele), pacientemente e sem se mostrar apressado, ouviu a “minha Marina” falar da “Marina dele”, falaram dos personagens e gentilmente pediu um beijo da filhota. Claro, deixou um carinhoso autógrafo!

Naquele dia, a Marina da minha vida não dormiu! kkk

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Aliás, tão importante, famoso e ocupado, e ao mesmo tempo humilde e solícito. Eu, que já era fã do Maurício, fiquei ainda mais feliz com ele.

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Dá-lhe Turma da Mônica!

– 47 anos de Spectreman!

Estamos envelhecendo mesmo! Não é que há exatos 47 anos começava a produção do seriado Spectreman?

Hoje, quem assistir, achará bizarro. Mas para as crianças daquela época como eu… era sensacional!

Extraído do HistoryChannel Brasil:

47 ANOS DE SPECTREMAN

No dia 2 de janeiro de 1971 teve início a produção original do seriado Spectreman, uma série de televisão japonesa de ficção-científica. Sua produção seguiu até 25 de março de 1972, totalizando 63 episódios. No Brasil, a produção foi ao ar entre os anos de 1981 a 1982 pela Rede Record. Entre 1983 e 1990, a série foi transmitida pelo SBT.
A trama do seriado é em torno da luta do androide Spectreman contra o cientista Gori e seu auxiliar, Karas — ambos homens-macaco. Fora as batalhas do bem contra o mal, Spectreman também abordava questões relacionadas aos problemas causados pela poluição.

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– Minhas adoráveis mini-férias!

Amigos, neste dia 26  não estou disposto a temas polêmicos. Refresquei a cabeça por dois dias no Litoral com a esposa e as filhas e, confesso, como fez bem tal descanso.

Como fotografia tem sido um hobby agradável, aqui vão 5 temas de 4 fotos cada, sobre nossas ‘mini-férias’:

1 – Dias gostosos com a família na praia! Maria Estela foi ao mar pela 1a vez e Marina com sua prancha pegando onda:

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2- Curtindo o Aquário de Santos – a arraia risonha, a tartaruga fotogênica e a estrela do mar!

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3- No Orquidário, Mini-Zôo e Viveiro de Santos:

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4- As belas paisagens do Guarujá e de Santos. Como ver o mar faz bem…

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5- Enfim, o “último lote de fotos”: a família se amando, rezando e se divertindo no Natal! Felicidades a todos.

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Como é bom, mesmo sendo pouco tempo, esquecer dos problemas mundanos, não?

– E o juiz Margarida? Na verdade, não confunda o carioca com o catarinense!

Nessa época de jogos festivos de futebol, muita gente vê o árbitro Margarida apitando as peladas de final de ano e me perguntam: mas essa cara não tinha morrido?

Calma, esse é o “Margarida 2”, um catarinense chamado Clésio Moreira dos Santos (eu me lembro dele quando apitava a série C pela CBF, em Araras), e que faz jogos de maneira artística se passando por gay (ele é heterossexual, casado e com filhos; mas se fosse homossexual, o problema seria só dele).

O Margarida Original era o folclórico Jorge José Emiliano dos Santos, um ícone da arbitragem carioca nos anos 80 e gay assumido. Me recordo que após se aposentar, a Globo fez uma matéria com ele e o Renato Gaúcho (que era jovem, estava no auge e era paparicado pelas mulheres). Na oportunidade, Renato quis polemizar deixando no ar que “pegou” até o Margarida. Mas quando ele morreu de AIDS nos anos 90, a brincadeira foi desfeita…

Relembre essa matéria HIPER BACANA de um jogo do Jorge Emiliano na Gávea, Flamengo x Volta Redonda – com Zico, Nunes e o próprio Renato, onde Margarida foi entrevistado pelo jovem Marcos Uchôa. Narração de Januário de Oliveira (apenas 3 minutos, vale a pena)! Assista em: https://globoplay.globo.com/v/4027003/

Que o carioca descanse em paz. E que o catarinense continue seu trabalho, que é honesto e só diverte.

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– A Disney compra a Fox por 52 bilhões!

A Disney tem surpreendido. Após adquirir a poderosa Marvel e torná-la ainda mais rentável, a gigante do entretenimento comprou a Fox do magnata australiano Rupert Murdoch, levando assim a 21th Century Fox, o FX, a National Geografic e, na área de animação, os Simpsons!

O valor da aquisição totalizou US$ 52 bi da empresa mais uma dívida de US$ 13 bi. Para a News Corp (a antiga controladora do conglomerado) ficarão a Fox News e os canais Fox Sports.

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– Liga da Justiça versus Vingadores

Eu sou daqueles cinéfilos assumidos e que leva a filhota, a afilhada e arrasta a esposa para assistir bons filmes juntos. Todos nós curtimos a combinação “cinema e pipoca”.

Na minha infância, lia gibis e assistia os desenhos animados de heróis. É por isso que tenho algumas restrições às mudanças de características dos personagens históricos.

Dos heróis da Marvel, assistimos praticamente todos os filmes. Cada vez mais o bom humor está presente nas produções. Já os da DC, começaram ruins mas estão melhorando.

A refilmagem de Superman foi fraquinha, apesar da história da invasão de Zod ser interessante. O Batman x Superman já foi mais interessante. A inserção do Esquadrão Suicida ainda continha muitas imagens sombrias no filme, embora fosse mais “coloridinho”. Entretanto, particularmente, gostei bastante do ‘Liga da Justiça”! Me surpreendi ao saírem do óbvio e colocarem como vilão o Lobo da Estepe, pois realmente foi algo inesperado e bem feito. E o destaque positivo foi o bom humor com Flash e outras sacadas “tipicamente da Marvel”, só que pela DC.

Provavelmente, a sequência da Liga da Justiça, pelas cenas pós-crédito, será o surgimento da Legião do Mal. Mas será que haverá surpresas nos nomes dos vilões ou teremos Lex Luthor, Coringa, Charada, Homem-Brinquedo, Super Bizarro e outros conhecidos? Acho, como fã, cedo para incorporar tanta gente no filme.

E qual dos grupos de heróis é melhor hoje?

Por ter se antecipado à tendência, logicamente a Marvel está na frente. Mas acho que a DC igualará a concorrente. Lembre-se que o Homem de Ferro, Pantera Negra, Thor e Homem Formiga, por exemplo, não eram mais populares do que Batman, Super Homem, Mulher Maravilha e seus demais “superamigos” – e ainda assim o sucesso foi estrondoso (tanto nos filmes “solo” quanto naqueles que estão reunidos).

Por fim: aqui em casa nos preparamos e tchan-tchan-tchan… não esperamos o dia raiar, fomos na sessão da 00h01 do dia 15 (no mundo, a estreia seria no dia 17, mas aqui, devido ao feriado, foi antecipada) e assistimos a Liga da Justiça. As crianças e a patroa adoraram! Uma loucura bem bacana (principalmente porque eu tinha que trabalhar no dia seguinte…).

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– A Marvel de antigamente e os Desenhos mais Toscos

Olha que curioso: o UOL Cinema trouxe uma matéria muito bacana dos desenhos mais “antigos e supostamente fracassados” da Marvel!

Quem gosta de desenhos dos anos 60 e 70, vai se deliciar!

Clique em: https://cinema.uol.com.br/listas/flintstones-e-a-coisa-os-desenhos-toscos-da-marvel-nos-anos-60-e-70.htm

Aqui uma pérola (as demais no link acima): CLUBE MARVEL, que hoje conhecemos como Vingadores, em: https://www.youtube.com/watch?v=3peTODrEpws

– 75 anos de Zé Carioca! O que ele tem a ver com Jundiaí?

Meu personagem favorito do mundo de Walt Disney não é nenhum americano como o Mickey ou o Tio Patinhas. Mas é alguém brasileiro da gema: o mais carioca dos Josés: o Zé Carioca, que fez aniversário na última semana!

Curiosidades:

-o papagaio só surgiu pois o irmão de Walt Disney, Roy Disney, queria que o irmão criasse um personagem latino para a política da boa vizinhança.

-quer mais incorreto do que não trabalhar, fazer dívidas e não pagar, dar golpes e fumar charuto? A patrulha do politicamente correto conseguiu que o papagaio não fumasse mais (o que concordo), mas ainda bem que o malandro ainda não despertou a vontade de trabalhar (para isso existe o Zé Paulista, seu primo de SP workaholic), nem pagou a Anacozeca (Associação Nacional dos Cobradores do Zé Carioca), tampouco cortou a Feijoada e a Jaca (coitado do Pedrão…) e muito menos deixou de manipular resultados do Vila Xurupita FC (abra o olho, juizada)! Se tirassem esses defeitos do Zé, perderia a graça… ah, esqueci: ainda bem que continua enrolando a periquita Rosinha e enganando o sogro Rocha Vaz!

-por fim: na sua estréia no cinema com o Pato Donald e a Carmem Miranda, conhecemos a voz do papagaio, que foi emprestada do jundiaiense José do Patrocínio!

Qual figurino do Zé você prefere: o antigo, de gravata e guarda-chuva, o do final dos anos 80, com camiseta branca e calça azul, ou o mais novo, de boné e bermuda?

Extraído do Estadão (quando dos aniversário de 70 anos): http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,setentao-louro-e-carioca,955398,0.htm

SETENTÃO LOURO E CARIOCA

Edição especial comemora sete décadas de malandragem e polêmicas do Zé Carioca

por Jotabê Medeiros

Papagaio! A exemplo de Gilberto Gil, Milton Nascimento, Caetano Veloso, o Zé Carioca tá fazendo 70 anos!

Trata-se de uma data importante para o “carioca way of life“. O personagem Zé Carioca, criado por Walt Disney em 1942, morava na favela. Vivia de pequenos expedientes, golpes em restaurantes de hotéis, diversão de penetra em clubes grã-finos. A periquita Rosinha, sua namorada eternamente enrolada, surgiu nos quadrinhos como uma das mais sexy pin-ups da era pré-Jessica Rabitt.

Zé Carioca não cumprimentava friamente, como os americanos, mas dava abraços “quebra-costelas” nos chegados, como no turista gringo Pato Donald. Nas primeiras tiras, ele era identificado como José (Joe) Carioca. Agora, para celebrar a data, sua história é tema de um especial da Editora Abril, que reedita todas as tiras iniciais produzidas entre 1942 e 1944, além de uma seleção especial de histórias até 1962 recoloridas digitalmente.

Por causa de sua faceta de malandro e inimigo do trabalho, Zé Carioca já foi alvo de campanhas politicamente corretas. “O Zé Carioca é um personagem antiético terrível, com todos os clichês negativos”, disse, em 1999, a autora Denise Gimenez Ramos, professora titular da PUC e coautora da tese Os Animais e a Psique (Palas Athenas, 284 págs.), na qual buscava restabelecer conexões simbólicas entre as pessoas e os bichos – incluindo suas representações ficcionais. “O personagem de Disney nunca trabalha, fica em geral deitado numa rede sonhando em ganhar na loteria – é um arquétipo falso, que perpetua o Macunaíma”, afirmou.

O pioneirismo de Disney com o Zé Carioca sempre foi questionado. Já havia precedentes simultâneos e até anteriores. O cearense Luiz Sá (1907-1980) criou, nos anos 40, um papagaio vestido de gente chamado Faísca, que apareceu muitos anos antes do Zé Carioca. E há a eterna desconfiança que a inspiração de Disney tenha partido de um trabalho do cartunista brasileiro J. Carlos.

Em agosto de 1941, Walt Disney visitou o Brasil (além de alguns outros países da América do Sul), estimulado pelo irmão Roy, como parte do esforço da Política de Boa Vizinhança do governo Franklin Roosevelt, que visava a estreitar as relações dos Estados Unidos com os países latinos.

Para o pesquisador Celbi Vagner Pegoraro, jornalista, pós-graduado em Relações Internacionais e doutorando em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, há muitas inspirações que resultaram no papagaio folgazão de Walt Disney, e não só os desenhos de J. Carlos. “Mas é fato que Walt Disney ficou encantado com a obra do brasileiro”, afirma.

Pegoraro lembra que a saison brasileira de Disney o mostrou menos interessado em eventos diplomáticos e mais em atividades artísticas (foi ao lançamento do filme Fantasia no Rio e em São Paulo), e seu primeiro encontro com J. Carlos ocorreu numa exposição na Associação Brasileira de Imprensa. Na mostra havia obras de diversos brasileiros, mas os desenhos de J. Carlos retratavam a fauna brasileira, incluindo aí o papagaio. Seus traços chamaram tanta atenção que dois fotógrafos da equipe de Disney gastaram muito tempo registrando os quadros. Durante um almoço promovido pelo chanceler Oswaldo Aranha no Palácio do Itamaraty, Disney fez pessoalmente um convite para que J. Carlos trabalhasse em seu estúdio, mas o brasileiro recusou. Foi então que o artista presenteou Disney com um desenho de papagaio.

Após 70 anos, Zé Carioca permanece sendo publicado pela Editora Abril. As revistas aproveitaram o sucesso do personagem nos filmes dos anos 1940 e 1950. Em 1944, ele estrelou o filme Você Já Foi à Bahia?, da Disney (nos quais sua voz não era de um carioca da gema, mas do paulista de Jundiaí José do Patrocínio Oliveira, indicado por Carmen Miranda).

A partir daí, o gibi do Zé Carioca inicialmente alternou números com o Pato Donald até ganhar a própria publicação em janeiro de 1961, época em que cartunistas brasileiros começaram a ter sua chance. “Porém, seu auge ocorreu mesmo nos anos 1970, pelas mãos do gaúcho Renato Canini, que aproximou de forma mais latente o Zé Carioca da realidade brasileira, consolidando sua identidade de malandro”, conta Pegoraro.

Suas aventuras ocorrem na Vila Xurupita, um bairro fictício nos morros do Rio, e o personagem ganha uma série de amigos e parentes, caso do Zé Paulista, um primo louco por trabalho. Desde então, outros artistas brasileiros prosseguiram com o personagem e há um desafio da nova geração, como a do quadrinista Fernando Ventura, de desenvolver o Zé Carioca para uma nova geração. Especialmente agora que o volume 2 terá duas histórias inéditas feitas por brasileiros.

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