– Quando a justificativa se torna ridícula

Wellington de Oliveira é vereador em Campo Grande. Ele defende o fim do resguardo e citou dois exemplos para justificar a sua opinião: os Salões de Beleza e as Igrejas.

Até aí, sem problemas. O grandes erro foi: a forma como ele os usou!

Leia abaixo e veja só: dá para levar a sério?

Extraído de: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/04/08/vereador-defende-saloes-de-beleza-abertos-nao-tem-marido-que-va-aguentar.htm

VEREADOR DO MS PEDE SALÕES DE BELEZA ABERTOS: “NÃO TEM MARIDO QUE AGUENTE”

A Câmara de Vereadores de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, discutiu na terça-feira (7) a possibilidade de reabertura do comércio da cidade em meio a pandemia de covid-19.

Para justificar seu ponto de que todos os serviços são essenciais, o vereador Wellington de Oliveira (PSDB) deu o exemplo dos salões de beleza, que deveriam ficar abertos para que as mulheres pudessem usar seus serviços. De outra maneira, “não tem marido nesse mundo que vai aguentar”, disse.

“Salão é importante. Imagina a mulher sem fazer sobrancelha, cabelo, unha, não tem marido nesse mundo que vai aguentar, tem que tratar da autoestima”, disse o vereador. Na sequência, afirmou ainda que igrejas deveriam abrir suas portas e, desta vez, usou a violência doméstica como argumento.

“Porque se a pessoa quisesse matar a mulher e os filhos, ele vai e bate na igreja, está fechada. Daí ele fala: ‘É um aviso de Deus para eu voltar lá e matar’. Então igreja é essencial, tem que criar mecanismos novos para que a igreja funcione”, afirmou durante sessão em plenário.

Cala Boca Tadeu Schimidt chega ao topo dos Trending Topics no Twitter

– Martin Luther King Jr: 52 anos da sua morte!

Hoje se recorda 52 anos do assassinato do pacifista e defensor do direito dos negros, Martin Luther King Jr.

Que seu legado não tenha sido em vão!

Sobre ele, um material muito bom quando ocorrido os 50 anos do seu falecimento,  disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/04/legado-de-martin-luther-king-resiste-mas-nao-dissipa-racismo.shtml

LEGADO DE MARTIN LUTHER KING RESISTE, MAS NÃO DISSIPA RACISMO

Movimentos como Black Lives Matter carregam bandeira de líder civil assassinado há 50 anos

por Silas Martí, de Atlanta

No jardim do museu dedicado à memória de Martin Luther King, alto-falantes tocam sem parar a gravação do último discurso do líder negro. “Eu vi a terra prometida. Talvez não chegue até lá com vocês, mas quero que saibam que nós, como um povo, chegaremos à terra prometida.”

King disse essas palavras um dia antes de seu assassinato. Em 4 de abril de 1968, ele foi baleado na sacada de um hotel em Memphis, uma das muitas cidades então segregadas no sul dos EUA.

Um único disparo calou para sempre o líder do levante dos negros contra o ódio racial num pedaço do país que relutava —e, muitos dizem, ainda reluta— em superar suas raízes escravocratas.

Mas suas palavras ainda ecoam meio fantasmagóricas por seu mausoléu em Atlanta, no estado sulista da Geórgia, onde nasceu, e na igreja onde ele pregava bem ao lado, que recebem hordas de visitantes com o áudio pedregoso de seus velhos sermões.

“Quando ouvimos a voz dele, alguma coisa acontece”, dizia Jared Sawyer, um jovem pastor que trabalha no museu de King, ao entrar na antiga igreja. “Toda vez que ponho os pés nesse santuário, sinto a aura de King. O espírito dele continua vivo aqui.”

Mas o que ele chama de aura não envelheceu bem. Enquanto turistas fazem selfies diante de estátuas de líderes do movimento pelos direitos civis, ativistas mais velhos e jovens que se juntaram à luta se queixam de que a situação dos negros só se deteriorou.

“O que havia na época era a segregação legalizada. Hoje, vivemos a segregação dissimulada”, diz Gerald Durley, um pastor aposentado que ainda ostenta no peito a medalha dourada dos que marcharam com o líder. “Vivemos num momento assustador.”

Ele se lembra do dia em que viu pela TV a notícia da morte de King e conta que outros líderes do movimento na época ficaram sem rumo, como os apóstolos sem Cristo.

Mas o erro na luta pelos direitos civis, na visão dele, foi ter posto King num pedestal e ter perdido o fôlego depois das primeiras conquistas, como a garantia do direito ao voto para cidadãos negros e o fim da segregação racial nos lugares públicos.

“Ficamos acomodados, satisfeitos com os louros de vitórias passadas”, concorda Charles Steele, o atual presidente da Conferência de Lideranças Cristãs do Sul, grupo ativista fundado por King.

“Nada avançou em 50 anos, é uma vergonha. E o que mudou foi só cosmético. Diria que estamos até numa situação pior agora do que no dia do assassinato do doutor King. Estamos regredindo.”

Em seu escritório no centro de Atlanta, a quadras da igreja de King, Steele listou ainda uma série de indicadores sociais de negros em relação a brancos, tentando provar que muito pouco mudou.

“Tudo mudou para ficar igual”, diz Vicki Crawford, uma estudiosa de Martin Luther King que dá aulas na Morehouse, universidade onde ele estudou. “Os paralelos entre agora e a época dele são assustadores. São assuntos não resolvidos desde então.”

Essa situação, segundo Crawford e outros analistas, foi se agravando desde a eleição de Barack Obama, há dez anos. A ascensão do primeiro presidente negro à Casa Branca teria detonado uma onda de ódio racial que se acirrou com Donald Trump.

NEGROS MORTOS

O recrudescimento desse levante racista se tornou inquestionável diante do assassinato de uma série de jovens negros alvejados por policiais brancos nos últimos anos —o último deles foi Stephon Clark, morto com oito tiros, a maioria nas costas, há duas semanas na Califórnia.

“Matar rapazes e homens negros, na cabeça dos supremacistas, é como atirar em Obama”, compara Anthony Motley, ativista em Atlanta. “É a reação ao surgimento de uma América marrom.”

E esse país cada vez menos branco —e mais violento— parece estar se tornando indigesto para uma parcela da população que se esforça em manter seus privilégios ainda associados à cor da pele.

“O que está em jogo é o privilégio branco. É uma espécie de tribalismo nativista, que Trump observou e usou para chegar à Casa Branca”, diz Raphael Warnock, pastor hoje no comando da Ebenezer, a igreja de King. “Brancos sozinhos já não conseguem eleger um presidente.”

Esse dado demográfico turbina esforços atuais para registrar eleitores negros antes das eleições parlamentares de novembro deste ano. Warnock, por exemplo, liderou um esforço na igreja para cadastrar 250 mil eleitores.

Nada longe dali, em Sweet Auburn, o histórico bairro negro de Atlanta, um encontro organizado por outras congregações tentava motivar essa parcela do eleitorado, que muitos dizem sofrer de um desencanto com a política.

Diante da sala lotada, Cassandra Kirk, a primeira juíza negra apontada para a magistratura na Geórgia, explicava a importância do voto. “Essas são coisas que mexem com a vida de vocês”, dizia ela. “Quem ocupar o meu cargo daqui em diante vai indicar mais 30 juízes no estado.”

O esforço para garantir a voz negra nas urnas —59,6% dos negros contra 65,3% dos brancos votaram para presidente há dois anos— também reflete a sensação de perseguição que muitos dizem sentir na relação com o governo.

Numa associação de combate à discriminação racial no mesmo bairro, os telefones não param de tocar com pedidos de ajuda. Uma secretária atende um atrás do outro no viva-voz: uma mulher se diz perseguida por carros da polícia, um homem negro relata ameaças por se envolver com uma mulher branca.

Em frente à sede do governo em Atlanta, onde participava de uma manifestação para barrar a aprovação de uma lei que daria ainda mais poder à polícia durante revistas, um dos líderes do Black Lives Matter tentou resumir a nova atitude das autoridades.

“A nova Ku Klux Klan veste farda azul”, comparava Dre Propst. “Estão nos matando no meio da rua. Tenho medo sempre que eu saio de casa.”

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– Executivas que Sofrem Pela sua Vaidade

Há alguns percalços interessantes na carreira de Administrador. Para as mulheres, alguns outros limites e paradigmas a serem quebrados.

Costumeiramente, elas se questionavam: Carreira ou Família?

Hoje, segundo a historiadora Mary Del Priore, as mulheres fracassam no mundo da administração por um outro motivo: a Vaidade!

Certamente, se fosse uma declaração dada por homem, seria rotulada de machista. Mas uma própria mulher falando sobre a preocupação das executivas em relação a beleza, é algo a se levar em conta.

Ela ainda diz que:

“As brasileiras são apáticas, machistas e escravas da ditadura da beleza“.

Eu discordo. E você?

Extraído de: ISTO É (clique acima para citação)

O ESPELHO É A NOVA SUBMISSÃO FEMININA

por Cláudia Jordão

(…) uma grande parcela da população feminina foi absorvida pelo mercado de trabalho, conquistou liberdade sexual e hoje, cada vez mais, se destaca na iniciativa privada, na política e nas artes – mesmo que a total igualdade de direitos entre os sexos ainda seja um sonho distante. Mas, para a historiadora Mary Del Priore, uma das maiores especialistas em questões femininas, apesar de todas as inegáveis conquistas, as mulheres não se saíram vitoriosas. Autora de 25 livros, inclusive “História das Mulheres no Brasil”. Mary, 57 anos, diz que a revolução feminista do século XX também trouxe armadilhas.

Istoé – Neste 8 de março, há motivos para festejar?

Mary Del Priore – Não tenho nenhuma vontade. O diagnóstico das revoluções femininas do século XX é ambíguo. Ele aponta para conquistas, mas também para armadilhas. No campo da aparência, da sexualidade, do trabalho e da família houve benefícios, mas também frustrações. A tirania da perfeição física empurrou a mulher não para a busca de uma identidade, mas de uma identificação. Ela precisa se identificar com o que vê na mídia. A revolução sexual eclipsou-se diante dos riscos da Aids. A profissionalização, se trouxe independência, também acarretou stress, fadiga e exaustão. A desestruturação familiar onerou os dependentes mais indefesos, os filhos.

Istoé- Por que é tão difícil sobreviver a essas conquistas?

Mary Del Priore – Ocupando cada vez mais postos de trabalho, a mulher se vê na obrigação de buscar o equilíbrio entre o público e o privado. A tarefa não é fácil. O modelo que lhe foi oferecido era o masculino. Mas a executiva de saias não deu certo. São inúmeros os sacrifícios e as dificuldades da mulher quando ela concilia seus papéis familiares e profissionais. Ela é obrigada a utilizar estratégias complicadas para dar conta do que os sociólogos chamam de “dobradinha infernal”. A carga mental, o trabalho doméstico e a educação dos filhos são mais pesados para ela do que para ele. Ao investir na carreira, ela hipoteca sua vida familiar ou sacrifica seu tempo livre para o prazer. Depressão e isolamento se combinam num coquetel regado a botox.

Istoé – A mulher também gasta muita energia em cuidados com a aparência. Por que tanta neurose?Mary Del Priore – No decorrer deste século, a brasileira se despiu. O nu, na tevê, nas revistas e nas praias incentivou o corpo a se desvelar em público. A solução foi cobri-lo de creme, colágeno e silicone. O corpo se tornou fonte inesgotável de ansiedade e frustração. Diferentemente de nossas avós, não nos preocupamos mais em salvar nossas almas, mas em salvar nossos corpos da rejeição social. Nosso tormento não é o fogo do inferno, mas a balança e o espelho. É uma nova forma de submissão feminina. Não em relação aos pais, irmãos, maridos ou chefes, mas à mídia. Não vemos mulheres liberadas se submeterem a regimes drásticos para caber no tamanho 38? Não as vemos se desfigurar com as sucessivas cirurgias plásticas, se negando a envelhecer com serenidade? Se as mulheres orientais ficam trancadas em haréns, as ocidentais têm outra prisão: a imagem.
Istoé – Na Inglaterra, mulheres se engajam em movimentos que condenam a ditadura do rosa em roupas e brinquedos de meninas. Por que isso não ocorre aqui?Mary Del Priore – Sem dúvida, elas estão à frente de nós. Esse tipo de preocupação está enraizado na cultura inglesa. Mas aproveito o mote para falar mal da Barbie. Trata-se de impor um estilo de vida cor-de-rosa a uma geração de meninas. Seus saltos altos martelam a necessidade de opulência, de despesas desnecessárias, sugerindo a exclusão feminina do trabalho produtivo e a dependência financeira do homem. Falo mal da Barbie para lembrar mães, educadoras e psicólogas que somos responsáveis pela construção da subjetividade de nossas meninas.
Istoé – O que a sra. pensa das brasileiras na política?Mary Del Priore – Elas roubam igual, gastam cartão corporativo igual, mentem igual, fingem igual. Enfim, são tão cínicas quanto nossos políticos. Mensalões, mensalinhos, dossiês de todo tipo, falcatruas de todos os tamanhos, elas estão em todos!
Istoé – Temos duas candidatas à Presidência. A sra. acredita que, se eleitas, ajudarão na melhoria das questões relativas à mulher no Brasil?Mary Del Priore – Pois é, este ano teremos Marina Silva e Dilma Rousseff. Seria a realização do sonho das feministas dos anos 70 e 80. Porém, passados 30 anos, Brasília se transformou num imenso esgoto. Por isso, se uma delas for eleita, saberemos menos sobre “o que é ter uma mulher na Presidência” e mais sobre “como se fazem presidentes”: com aparelhamento e uso da máquina do Estado, acordos e propinas.
Istoé – Pesquisa Datafolha divulgada no dia 28 de fevereiro apontou que a ministra Dilma é mais aceita pelos homens (32%) do que pelas mulheres (24%). Qual sua avaliação?Mary Del Priore – Estamos vivendo um ciclo virtuoso para a economia brasileira. Milhares saíram da pobreza, a classe média se robusteceu, o comércio está aquecido e o consumo de bens e serviços cresce. Sabe-se que esse processo teve início no governo FHC. Para desespero dos radicais, o governo Lula persistiu numa agenda liberal de sucesso. Os eleitores do sexo masculino não estarão votando numa mulher, numa feminista ou numa plataforma em que os valores femininos estejam em alta, mas na permanência de um programa econômico. Neste jogo, ser ou não ser Dilma dá no mesmo. No Brasil, o voto não tem razões ideológicas, mas práticas.
Istoé – Ou seja, o sexo do candidato não faz a menor diferença?Mary Del Priore – O governo criou um ministério das mulheres (a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) que não disse a que veio. A primeira-dama (Marisa Letícia), hábil em fazer malas e sorrir para o marido e para as câmaras, se limita a guardar as portas do escritório do presidente, sem estimular nenhum exemplo. O papel de primeira-dama é mais importante do que parece. É bom lembrar que, embora elas não tenham status particular, representam um país. Daí poderem desenvolver um papel à altura de seus projetos pessoais e sua personalidade. A francesa Danielle Mitterrand, que apoiou movimentos de esquerda em todo o mundo e nunca escondeu suas opiniões políticas, ou Hillary Clinton, pioneira em ter uma sala na Casa Branca, comportando-se como embaixatriz dos EUA, são exemplos de mulheres que foram além da “cara de paisagem”.
Istoé – Por que as políticas brasileiras não têm agenda voltada para as mulheres?Mary Del Priore – Acho que tem a ver com a falta de educação da mulher brasileira de gerações atrás e isso se reflete até hoje. Tem um pouco a ver com o fato de o feminismo também não ter pego no Brasil.
Istoé – Por que o feminismo não pegou no Brasil?Mary Del Priore – Apesar das conquistas na vida pública e privada, as mulheres continuam marcadas por formas arcaicas de pensar. E é em casa que elas alimentam o machismo, quando as mães protegem os filhos que agridem mulheres e não os deixam lavar a louça ou arrumar o quarto. Há mulheres, ainda, que cultivam o mito da virilidade. Gostam de se mostrar frágeis e serem chamadas de chuchuzinho ou gostosona, tudo o que seja convite a comer. Há uma desvalorização grosseira das conquistas das mulheres, por elas mesmas. Esse comportamento contribui para um grande fosso entre os sexos, mostrando que o machismo está enraizado. E que é provavelmente em casa que jovens como os alunos da Uniban aprenderam a “jogar a primeira pedra” (na aluna Geisy Arruda).
Istoé – O que nos torna tão desconectadas?Mary Del Priore – As mulheres brasileiras estão adormecidas. Falta-lhes uma agenda que as arranque da apatia. O problema é que a vida está cada vez mais difícil. Trabalha-se muito, ganha-se pouco, peleja-se contra os cabelos brancos e as rugas, enfrentam-se problemas com filhos ou com netos. Esgrima-se contra a solidão, a depressão, as dores físicas e espirituais. A guerreira de outrora hoje vive uma luta miúda e cansativa: a da sobrevivência. Vai longe o tempo em que as mulheres desciam às ruas. Hoje, chega a doer imaginar que a maior parte de nós passa o tempo lutando contra a balança, nas academias.
Istoé – Há saída para a condição da mulher de hoje?
Mary Del Priore – Em países onde tais questões foram discutidas, a resposta veio como proposta para o século XXI: uma nova ética para a mulher, baseada em valores absolutamente femininos. De Mary Wollstonecraft, no século XVIII, a Simone de Beau­voir, nos anos 50, o objetivo do feminismo foi provar que as mulheres são como homens e devem se beneficiar de direitos iguais. Todavia, no final deste milênio, inúmeras vozes se levantaram para denunciar o conteúdo abstrato e falso dessas ideias, que nunca levaram em conta as diferenças concretas entre os sexos. Para lutar contra a subordinação feminina, essa nova ética considera que não se devem adotar os valores masculinos para se parecer com os homens. Mas que, ao contrário, deve-se repensar e valorizar os interesses e as virtudes feminina s. Equilibrar o público e o privado, a liberdade individual, controlar o hedonismo e os desejos, contornar o vazio da pós-modernidade, evitar o cinismo e a ironia diante da vida política. Enfim, as mulheres têm uma agenda complexa. Mas, se não for cumprida, seguiremos apenas modernas. Sem, de fato, entrar na modernidade.
Istoé – O que as mulheres do século XXI devem almejar?

Mary Del Priore – O de sempre: a felicidade. Só com educação e consciência seremos capazes de nos compreender e de definir nossa identidade.

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MULHERES NA POLÍTICA
“Elas roubam igual, mentem igual, fingem igual. São tão cínicas quanto nossos políticos”, diz

– Um Mundo Indesejado

Há anos, ocorreu o forte terromoto que vitimou milhares de pessoas no paupérrimo Haiti. A notícia é vencida. O povo já sofrido ainda luta para sobreviver. Mas o modo de vida da população é algo que assusta tanto quanto a tragédia. Leio no portal Terra a entrevista do enviado especial do site, Francisco de Assis, com a embaixatriz do Brasil no Haiti. É triste, assustadora, e desanimadora.

Como imaginar a vida das mulheres, num país em que elas engravidam sistematicamente, pois é o único período em que não apanham do marido? Como viver num local onde a mortalidade infantil beira 50%? A chance de uma criança nascer viva (isso não quer dizer saudável) é a mesma dela nascer morta.

Compartilho, extraído de: Terra (clique no link para citação)

HAITIANAS ENGRAVIDAM PARA PARAR DE APANHAR

Diante do caos que marca a rotina de Porto Príncipe, a embaixatriz do Brasil no Haiti conta detalhes dos bastidores do país após o terremoto do último dia 12. Em entrevista ao Terra, Roseana Teresa Aben-Athar Kipman relatou o alto índice de mortalidade infantil, a violência contra a mulher e comentou sobre o espírito de luta do povo haitiano, que, mesmo em plena catástrofe, ainda permanece de cabeça erguida.

O desastre
“O que posso dizer é que nos bairros onde os danos pessoais foram menores, menor foi o desastre. Justamente porque quando cai uma placa de zinco na cabeça, o ferimento é muito mais leve do que se cai uma laje de concreto. Então, você cai, faz um galo, levanta e vai embora. Quando uma casa de concreto cai em cima de você, há soterramento.”

Mortalidade Infantil
“A mortalidade infantil no Haiti é de cerca de 45%. As mães são subnutridas. As avós também. Não têm nem leite no peito. Tenho crianças que sequer se sentam. É preciso fazer um trabalho de recuperação de todas elas. Um trabalho a longo prazo.”

Violência contra mulheres
“Os homens engravidam várias mulheres ao mesmo tempo. As mulheres gostam da gravidez porque esse é o único momento em que elas não apanham. Elas vivem apanhando dos maridos, mas quando estão grávidas ficam nove meses sem apanhar. Por isso, quando falamos para as mulheres que elas precisam evitar a gravidez, elas retrucam que é o único momento em que não apanham. É impossível fazer um controle de natalidade no Haiti.”

O abuso contra as crianças
“Não são apenas as mulheres que apanham dos homens. As crianças também sofrem muito com esse tipo de violência. Há uma imposição grande por parte do sexo masculino e isso se reflete em violência. A situação das crianças aqui é sempre ruim. Foi sempre assim. Os pais não tem o mínimo de cuidado com os filhos. Essas crianças que perderam os pais no terremoto vão ter duas alternativas. Ir para orfanatos ou ficar nas ruas e se transformarem em bandidos.

Projetos Sociais
“Nenhuma atividade foi parada. Estamos trabalhando junto com o exército. A diferença é que a gente agora está recolhendo os mortos. Nunca havia recolhido nenhum morto. É o que acontece aqui. Nosso trabalho é excelente. Isso não é o trabalho de um, mas, sim, o trabalho de todos. Ninguém faz um trabalho sozinho.”

Voluntariado
“Eu sou voluntária. Todos são voluntários. Estou aqui porque quero. Se não quisesse estaria em outro lugar, mas cheguei aqui para trabalhar no Haiti e é isso que estou fazendo. Eu trabalho em vários lugares, com vários grupos religiosos. Se não há brasileiro em determinado país, eu não trabalho. Sou embaixatriz do Brasil para cuidar dos brasileiros.”

Segurança
“Ando com dois soldados disfarçados para me dar segurança. Eles ficam à paisana, sem mostrar as armas, mas por baixo das roupas, tenha certeza que estão com um armamento pesado. São os melhores fuzileiros da marinha brasileira. Tenho que andar de carro blindado. As coisas aqui são complicadas. Não é fácil entrar na periferia como as pessoas podem pensar. “

O trabalho na Embaixada
“A Embaixada do Brasil ficará inteira aqui. Mas qualquer um que quiser ir embora poderá. Nós decidimos que vamos ficar. Não vamos tirar os pés do Haiti. Viemos aqui para trabalhar e não vai ser agora, que o Haiti mais precisa da gente, que vamos embora.”

A reconstrução
“Já tem gente tirando pedras entre os escombros para reconstruir as casas. Tivemos um terremoto de 5.3 graus e mesmo assim eles estão trabalhando. Se você parar para pensar, ainda estão acontecendo terremotos aqui. As casas abaladas estão caindo. Mas mesmo assim você vê as praças cobertas por lonas de forma organizada. Foram eles que se organizaram. Eles que estão se arrumando”.

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– Rodrigo Bocardi e o caso de Racismo. Ou de equívoco?

Em tempos nos quais ser politicamente correto se faz necessário, há situações difíceis de se explicar.

O apresentador Rodrigo Bocardi, durante o Bom Dia São Paulo da Rede Globo, entrevistou ao vivo um rapaz com a camisa do Clube Pinheiros. Ao ver a roupa dele, perguntou se era catador de bolinha do clube (por praticar tênis lá e ver tal uniforme). Não era. Era um atleta do Polo Aquático que usava a mesma camisa, levando-o ao engano.

Não deu outra: Bocardi foi acusado de Racismo. Mas será que ele realmente não foi induzido ao erro pela roupa do rapaz, e não pela cor da pele?

Difícil opinar. O apresentador divulgou uma nota falando sobre não ser racista e explicando a confusão ocorrida. Não fugiu do tema. Leia abaixo o texto dele,

Extraído de: https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2020/02/07/bdsp-web-ve-preconceito-em-fala-de-bocardi-e-apresentador-rebate.htm

BDSP: BOCARDI CONFUNDE ATLETA COM GANDULA, É CRITICADO E REBATE

Uma fala do apresentador do Bom Dia São Paulo, Rodrigo Bocardi, repercutiu negativamente hoje nas redes sociais. Internautas encararam a interação dele com um rapaz negro como racista e preconceituosa.

O repórter Tiago Scheuer acompanhava o movimento na linha 3-vermelha do metrô de São Paulo na estação Pedro 2º e entrevistou um rapaz chamado Leonel, que esperava por um trem mais vazio para poder embarcar.

Ao ver que o jovem usava uma camiseta do Clube Pinheiros, um dos mais tradicionais da capital paulista, Bocardi pediu que o repórter perguntasse a ele se ia “pegar bolinha lá”.

“Scheuer, o Leonel vai pegar bolinha de tênis lá no Pinheiros?”, questionou o apresentador. O rapaz respondeu que era atleta do clube e jogava polo aquático. “Aí sim, eu estava achando que era um dos meus parceiros ali que me ajudam nas partidas. Manda os parabéns para ele”, disse Bocardi.

Nas redes sociais, muitos internautas apontaram que o apresentador da TV Globo foi preconceituoso e racista em sua fala. Após o telejornal sair do ar, o jornalista divulgou uma nota explicando que havia se confundido por causa da camiseta que o rapaz usava.

“Eu pratico tênis no Clube Pinheiros. Os jogadores de tênis não usam uniformes, mas os pegadores/rebatedores, sim: uma camiseta igual a do Leonel, com quem tive o prazer de conversar hoje. […] Não frequento outras áreas do clube onde outros esportes são praticados. E não sabia que a camiseta era parecida (…) Nunca escondi minha origem humilde. Comecei a vida como garoto pobre, contínuo, andando mais de duas horas de ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho e escola. Alguém como eu não pode ter preconceito. Eu não tenho, nunca tive, nunca terei. E condeno atitude assim todos os dias. Mas se ofendi pessoas que não conhecem esses meus argumentos e a minha história, peço desculpas.”

Bocardi ainda postou um vídeo em que mostra uma matéria de fevereiro do ano passado com pegadores de bola do Pinheiros usando uma camiseta igual a de Leonel.

Nas redes, o impacto foi imediato e o apresentador foi criticado.

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– A Lei que socorre as Mulheres em dias de Menstruação!

Coisas de um mundo moderno e contraditoriamente primitivo: no Nepal, as mulheres costumam ser colocadas em cabanas isoladas de suas famílias nos períodos de menstruação. O costume local diz que é sinal de desgraça e azar para os maridos e seus lares quando o sangramento ocorre.

Preocupado com certos abusos, as autoridades de lá promulgaram uma lei que proíbe tal prática, revoltando nepalêses mais retirados. Uma das justificativas de quem defende a solitária, abaixo:

Se uma mulher menstruada entra na casa, 3 coisas acontecem: um tigre aparece, a casa pega fogo e o chefe da família fica doente

A frase acima é de Funcho, morador do Nepal e reproduzida na Edição da Revista Veja de dias atrás (extraída do original no NYT), explicando os motivos do isolamento de mulheres menstruadas em seu lugarejo.

É esse o mundo do século XXI?

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– Lorenna Vieira e o suposto erro DO Itaú. Na verdade, era golpe NO Itaú?

Puxa, ontem vi repercutir bastante o caso de uma moça morena (Lorenna Vieira, casada com o músico Rennan da Penha) que se disse humilhada pelo atendente do Banco Itaú, quando foi retirar dinheiro, por desconfiar que era uma golpista. Entretanto, após gravar um vídeo dizendo que foi discriminada por ser negra, não é que ela estava portanto documentos falsos?

Xi… o que pensar?

Extraído de: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2020/01/31/empresaria-diz-que-sofreu-preconceito-em-agencia-bancaria-banco-nega.ghtml

EMPRESÁRIA DIZ QUE SOFREU PRECONCEITO EM AGÊNCIA BANCÁRIA; BANCO NEGA

Lorenna Vieira afirmou em rede social que foi sacar R$ 1.500, mas funcionários desconfiaram e chamaram a polícia. Já a polícia diz que ela usou documento falso.

A empresária e blogueira Lorenna Vieira se disse vítima de preconceito numa agência do banco Itaú, no Rio. O banco negou. Declarou que funcionários verificaram os documentos de Lorenna, o que é obrigatório, e se desculpou com ela. Na noite desta sexta-feira (31), a polícia informou que identidade da empresária era falsa. Lorenna disse rasgou a identidade assim que saiu da delegacia.

Lorenna Vieira disse, numa rede social, que foi na quinta-feira (30) a uma agência do Itaú desbloquear um cartão e sacar R$ 1.500. Mas, segundo ela, funcionários desconfiaram da movimentação na conta e chamaram a polícia.

“A gente é preto, a gente é super humilde, mas a gente é empresário sim, a gente é empreendedor também, tá? E pra piorar não deixaram eu tirar dinheiro”.

Os policiais levaram Lorenna Vieira para a delegacia. Ela passou cerca de 20 minutos conversando com os investigadores, depois, foi liberada. Lorenna disse que se sentiu ofendida, e que foi tratada de forma preconceituosa.

“Toda hora me perguntando se eu não tinha feito, se eu não tinha passagem pela polícia, se eu não tinha, se eu não era criminosa”.

Lorenna é mulher do DJ Renann da Penha, criador do Baile da Gaiola, um dos maiores bailes funks do Rio.

Nesta sexta-feira (30), Lorenna voltou à delegacia para registrar um boletim de ocorrência. Chegou acompanhada do marido e do advogado.

No fim da manhã, a Polícia Civil do Rio tinha divulgado uma nota afirmando que o documento apresentado por Lorenna no banco era verdadeiro. Mas, durante a tarde, a Polícia Civil do Rio afirmou ter recebido novas informações do Detran e do Instituto de Identificação Félix Pacheco sobre a carteira de identidade de Lorenna Vieira.

O delegado Fabrício Oliveira disse que o Detran confirmou que o documento apresentado por ela no banco era falso, que nenhuma carteira de identidade em nome dela foi emitida no dia 7 de maio de 2018, como constava no documento. Ainda segundo a polícia, a foto da carteira não existe no banco de dados do Detran e, de acordo com os investigadores, o Instituto Félix Pacheco atestou que a digital do documento não pertence a Lorenna.

Lorenna está sendo investigada por uso de documento falso. Segundo a polícia, as suspeitas começaram quando ela rasgou e queimou a identidade logo após ter saído da delegacia.

Na quinta-feira ela contou ao G1 por que rasgou o documento.

“Me deixou mal mesmo que eu até rasguei a minha identidade, né, porque o policial falou que era quase impossível ver que era eu, porque o meu cabelo estava liso, e que era para eu jogar essa identidade fora e fazer outra com o meu cabelo natural”.

Na noite desta sexta, numa troca de mensagens com a produção do JN, Lorenna Vieira disse:

“Se o erro foi no Detran, eles que resolvam. Agora isso é terrível”.

Em seguida, apagou as mensagens que havia encaminhado e escreveu: “Estou devastada e não quero falar com ninguém”.

Antes de a polícia descobrir que o documento era falso, o Itaú Unibanco divulgou uma nota em que lamentou profundamente os transtornos causados a Lorenna Vieira.

O banco informou que a verificação de documentos é obrigatória em casos em que o cliente não tenha em mãos o cartão do banco ou não faça uso da biometria para fazer saques. O objetivo, segundo o banco, é garantir a segurança dos próprios clientes e não tem qualquer relação com questões de raça ou gênero.

O banco afirmou também que, “infelizmente, pessoas mal-intencionadas tentam aplicar diariamente golpes usando documentos falsos em agências de banco e, em razão desse procedimento, o Itaú Unibanco conseguiu evitar inúmeras fraudes contra os clientes”.

O banco pediu de desculpas a Lorenna pelo incômodo que a abordagem causou e segue à disposição para mais esclarecimento.

Na noite desta sexta, o Itaú Unibanco divulgou uma nova nota em que mantém o posicionamento anterior de que a verificação de documentos é obrigatória quando o cliente não tem em mãos o cartão do banco ou não faz uso de biometria nos saques. O banco reafirmou que o objetivo é garantir a segurança dos clientes, e que não tem qualquer relação com questões de raça ou gênero. O banco reforçou que, a despeito de a Polícia Civil ter declarado que o documento apresentado por Lorenna Vieira é falso, já havia se desculpado com ela pelo incômodo que a abordagem possa ter causado. E concluiu dizendo que se mantém à disposição para esclarecimentos.

Resultado de imagem para Lorenna Vieira

– Guy Acolatse e o pioneirismo na Alemanha!

Menos de 10 anos do fim da 2a Guerra Mundial e um negro é contratado para jogar na Alemanha pós-nazista, lado Ocidental!

Curioso para saber como foi esse fato inédito (um africano jogando profissionalmente em um país onde Hittler disseminou a história da superioridade da raça ariana)?

Leia o depoimento do próprio protagonista do fato, o ex-jogador Guy Acolatse, de Togo,

Extraído de: https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-alemao/noticia/todos-queriam-me-ver-conheca-o-primeiro-negro-a-jogar-na-alemanha.ghtml

O PRIMEIRO NEGRO A JOGAR NA ALEMANHA

Nascido no Togo, Guy Acolatse hoje vive em Paris. Africano lembra reação dos alemães ao chegar ao St. Pauli: “Todos olhavam e diziam ‘é um negro, é negro'”

Vocês jornalistas têm muito problema com atraso. Dez da manhã é dez da manhã. Sou estilo alemão”, advertiu ao telefone quando a entrevista foi combinada. Pouco antes das dez e com um grande sorriso, Guy Acolatse abriu as portas de sua casa no norte de Paris para contar sua trajetória, que começou bem longe dali, em sua terra natal: o Togo. Bem-humorado, o senhor de 75 anos mostra fotos e jornais que relembram o motivo de ter entrado para história: ter sido o primeiro atleta negro a jogar profissionalmente no futebol alemão. Aventura que começou em 14 de julho de 1963, quando ele chegou na cidade de Hamburgo para defender o FC St. Pauli.

– Como teve muita propaganda antes de eu chegar, toda a cidade estava com cartazes “Guy Acolatse – o novo jogador de FC St Pauli” e, também por ser negro, todos queriam me ver. No hotel onde eu estava, no momento que eu ia entrar, todos olhavam e diziam “é um negro, é negro…”. As pessoas tentavam me ver. Mas gosto de brincar e sou “showman”. Sou educado, respeito e brinco junto da situação. Nos primeiros anos, havia pessoas que nunca tinham ido a um jogo e íam ao estádio para ver o jogador negro. Muitos não tinham ideia do que era o Togo ou uma pessoa negra – lembrou.

Otto Westphal foi treinador da seleção de Togo em 1962 e conheceu o futebol de Acolatse. No ano seguinte, de volta ao futebol alemão, convidou o jogador para vestir a camisa do St. Pauli. O jovem talentoso – então com 21 anos – já chamava atenção de equipes na Bélgica e na França, mas resolveu aceitar o convite de Westphal, que disse para ele que precisava de um camisa 10 com as suas características. Na visão de Acolatse, a curiosidade movia as pessoas durante os primeiros anos dele na Alemanha.

Em relação ao racismo, Acolatse optou por encarar a questão como uma provocação, e não como uma ofensa, e preferia reagir com humor:

– Me olhavam. Algumas vezes quando jogava as pessoas gritavam: “Macaco, macaco”. Mas eu tenho em mente que sou um cara bem humorado. Eu virava a cabeça, olhava e dava susto neles.

Fã declarado de Pelé, Acolatse jogou uma partida oficial também histórica contra o jovem Franz Beckenbauer, em 1964. O FC Pauli disputou contra o Bayern uma vaga na primeira divisão da recém-criada Bundesliga. A equipe de Hamburgo perdeu por 6 a 1 e 4 a 0, mas o jovem togolês teve a oportunidade de marcar contra o lendário goleiro Sepp Maier e viu, de dentro do campo, o Kaiser fazer seu primeiro gol com a camisa do Bayern de Munique.

– Durante minha carreira, eu joguei com grandes jogadores. Joguei com Uwe Seeler, que foi capitão da seleção alemã e um dos atacantes mais fortes que já vi. Joguei com Beckenbauer e fiz um jogo-treino com Puskàs. Pelé é um jogador de classe. É por isso que gosto muito dele. E até hoje, de todos jogadores que vi, o que acho que pode chegar a jogar como Pelé é o Mbappé.

Acolatse não poupa elogios ao companheiro de Neymar no Paris Saint-Germain, de apenas 19 anos. E também deixa a humildade de lado ao se comparar com Mbappé.

– Ele já tem experiência, ele pensa, ele sabe como se movimentar e driblar. Ele sabe o momento de driblar ou não. Ele não faz como os outros que pegam a bola e saem tentando. Ele tem um grande futuro. E acho que ele joga como eu jogava na minha época, mas acho que eu era mais rápido.

Acolatse jogou no St. Pauli até 1966 e depois seguiu em times de menor expressão da região de Hamburgo até encerrar a carreira na equipe amadora de St. Pauli. No início dos anos 80 mudou-se para Paris para trabalhar como técnico. Atualmente, ajuda crianças do bairro onde mora com aulas de alemão e atividades esportivas. Chamado de “monsieur Guy” nas ruas de Saint-Dennis, Acolatse não admira apenas o futebol brasileiro.

– Se eu for ao Brasil, eu quero dançar e cantar. Eu não sou de festa, mas se escuto música brasileira, eu já pego uma taça de vinho. Eu adoro, desde quando estava no Togo.

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– Homofobia na Copinha, Ironia do Cartola do Timão e a discussão dos Gays na arbitragem.

O título da postagem mostra que as “pautas respeitosas quanto ao gênero” começaram com tudo neste começo de ano no futebol, não? Especialmente em São Paulo. Vamos a elas?

Fica o alerta para todos os torcedores: conforme alertamos anteriormente, a FPF fará em seus torneios com que os árbitros tenham rigor contra práticas discriminatórias, como manifestações políticas, gritos racistas, ofensas sexistas ou cânticos homofóbicos (seguindo a determinação da FIFA). E isso aconteceu nesta semana na prática.

Na partida entre Audax-SP vs Sport-PE pela Copa São Paulo de Futebol Jr, o goleiro do time pernambucano se distanciava para cobrar o tiro de meta e os torcedores começaram a gritar aquele manjado “biiiiiiicha”, imitando os mexicanos que inventaram essa prática com o “puuuuuto”. O árbitro Thiago Scarascati cumpriu a recomendação e praticou o que manda o Protocolo FIFA contra discriminação no seu 1o ato. (vide-o aqui: https://wp.me/p55Mu0-2hK). Ainda assim, posteriormente, houve novos gritos, e o 2o ato do Protocolo foi praticado.

Nesta mesma semana, ocorreu a polêmica de Duílio Monteiro Alves, diretor do Corinthians, que na apresentação do jogador Victor Cantillo deu a camisa 8 do time para o atleta, negando a 24 (número que ele gostava de utilizar no Junior Barranquilla) justificando em tom de brincadeira que “24 aqui não” (fazendo alusão do número, na cultura do Brasil, ser ligado a gays). Teve que se desculpar em público posteriormente. Afinal, se a maior torcida do Brasil é do Flamengo e a segunda do Corinthians, de maneira lógica e proporcional esses clubes possuem as maiores torcidas entre os homens, mulheres e homossexuais.

Por fim, vale lembrar o que a nova comandante dos árbitros da Federação Paulista de Futebol, Ana Paula de Oliveira, disse em entrevista ao Estadão: a ex-bandeirinha declarou que em sua gestão “aumentará para 20% a participação das mulheres nas escalas de jogos”  (se isso acontecer, em cada 5 jogos realizados, 1 será arbitrado por quarteto feminino) e de que, em outras palavras “dará tranquilidade para que não exista assédio aos árbitros gays e árbitras lésbicas do quadro” (vide a matéria completa clicando AQUI).

Dessa forma, respeitemos a diversidade. Isso não quer dizer que devamos fazer apologia, pois se beira na preocupação em aceitar o homossexual, quase uma louvação! Não é isso: não se pode praticar homofobia, mas não se deve também criar uma heterofobia (como que “ser hetero declarado” nos dias de hoje seja algo ruim).

O politicamente correto está (seja em excesso ou não) em pauta nas diversas áreas, inclusive no futebol, e não se pode negar.

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– Eugenia, a Ciência do Preconceito

Após ler a reportagem de Karina Ninni, da Revista Superinteressante (pg 78-81, edição Março), fiquei impressionado com o tema tratado: a EUGENIA.

A Eugenia é a ciência do preconceito, ou seja, da purificação das raças. E para quem pensava que isso fosse idéia de Nazistas que defendessem a purificação ariana, engana-se. No Brasil, durante o século XX, muitos cientistas eugênicos velada ou abertamente defenderam um Brasil livre de outras raças diferentes à branca.

Em 1911, durante um Congresso realizado em Londres, o antropólogo brasileiro João Antonio Batista proclamou radiante que em 2010 não haveria mais negros ou índios no país!

Um dos maiores defensores da Eugenia foi Francis Galton (primo de Charles Darwin, da teoria da Evolução), que defendia a crença que a evolução humana dependeria da seleção genética e controle das raças.

No Brasil, os eugenistas verde-amarelos não conseguiram ir adiante, mas chegaram a sonhar com programas similares ao da Alemanha de Hitler: esterilização de “raças inferiores” e sacrifícios de deficientes e inválidos. Na política, infiltrados, tentaram até colocar artigos na Constituição que defendesse a raça branca.

Notadamente, foram pessoas de expressão na sociedade, destacando-se Vital Brazil (fundador do instituto Butantan), Arnaldo Vieira de Carvalho (diretor da Faculdade Paulista de Medicina, hoje da USP), o sanitarista Belisário Penna, o médico Olegário de Moura (que dizia: sanear é eugenizar – imagine essa frase dita hoje!) e o fundador da Sociedade Eugênica Brasileira, o limeirense Renato Kehl, que escreveu mais de 30 livros defendendo a raça branca brasileira.

Felizmente, todas essas ações frustaram-se ao longo do século passado, mas um legado triste pode ser observado: a ainda defesa da discriminação racial por parte de muitos brasileiros.

Algumas frases eugências destacadas da matéria citada:

“O Brasil vem sofrendo, desde a colonização, as consequências da mestiçagem” Renato Kehl

“Os índios, em geral, são muito sôfregos e pouco amigos da disciplina” Oliveira Vianna

“Está provado que casamentos entre raças dão origem a tipos inferiores física, psíquica e moralmente”Nina Rodrigues

“O negro, raça inferior, apresenta uma indiscutível e franca animalidade”Luiz Silva

“Os mulatos são, na maioria, elementos feios e fracos. Apresentam instabilidade de caráter e perturbam o progresso nacional” Renato Kehl

“Deus perdoe esses idiotas racistas”Eu mesmo.

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– Racismo contra Taison: ofender a dignidade humana está valendo a pena para o agressor. E custando caro para o ofendido…

Dias atrás rodou o mundo a triste manifestação racista da torcida do Dínamo de Kiev contra Dentinho e Taison. Dentinho saiu chorando e Taison, revoltado, mostrou o dedo do meio após ser chamado de várias ofensas raciais, inclusive de macaco.

E não é que, para a vergonha do esporte, a Associação Ucraniana de Futebol puniu o atleta por 1 jogo de suspensão e a agremiação por 500 mil Grívnia (R$ 87.160,38)!

Ofender a dignidade humana está valendo a pena para o agressor. E custando caro para o ofendido

Taison reage após ser vitima de racismo na Ucrânia — Foto: Reprodução arquivo social

– Precisamos de um dia da Consciência Negra?

Sou contra certas datas festivas: Todo dia é dia das mães; dos pais; das mulheres; dos homens ou dos negros.

Muitas vezes, temos datas comerciais: o dia dos namorados, por exemplo. Ou outras demagógicas: não seria a de hoje um exemplo disso?

Detesto rotulações: raça branca, negra, amarela… Ora, somos todos uma única raça, a RAÇA HUMANA! Não importa a cor da pele, a preferência sexual ou a religião: todos somos iguais em direitos e deveres.

Perceberam que o “dia de reflexão” virou descanso para uns e aproveitamento político para outros? Pior: o fato das cidades determinarem feriado municipal ou não acaba desacreditando no dia como feriado em si. Ou é para todos os municípios, nacionalizando a data, ou não.

Mais grave do que isso é tratar o dia como se fossem os negros gente inferior que precisassem de piedade. Nada disso. A história de cotas ou privilégios não pode ser uma caridade de gente subestimada, pois para ser inteligente ou competente não há cor (diferente das cotas sociais – por pobreza – as quais defendo).

Que o Dia da Consciência Negra sirva para refletir a igualdade, não aumentar discussões discriminatórias ou comparações de raças; coisas que são bobagens abomináveis nos dias atuais.

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– Tolerância no Esporte, enfim!

Na final envolvendo Corinthians x São Paulo no futebol feminino, um exemplo a ser seguido: Cristiane, do Tricolor, tirando selfies com torcedores do Timão!

Não seria legal que isso fosse comum também no masculino, entre outros clubes e esportes?

Um exemplo de Tolerância, abaixo:

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– Paulista e Rúcula: Discordar não é Desrespeitar. Respeitar não é fazer Apologia!

E tornou-se uso politiqueiro e demagogo a história da cessão do Estádio Jayme Cintra para um evento cultural. Uma pena que o debate saiu da razão e partiu para a emoção, novamente dividindo parcelas da população interessadas. Alguns obrigando a outros aceitarem o que não se quer, e outros atacando os que pensam diferente.

Sem delongas, vale refletir:

  1. O Paulista FC é um clube associativo. Consultado pelos organizadores do evento Rúcula, resolveu ceder generosa e gratuitamente o estádio para a realização da ação cultural na qual se realizariam 30 shows diversos. Creio que, durante a negociação, o pessoal interessado mais os envolvidos do clube tinham (ou deveriam ter) ciência do que ocorreria durante sua realização. Condições são estabelecidas e acordadas; portanto, devem ser cumpridas.
  2. Alguns clubes de futebol tomam para si o protagonismo de ações sociais de algumas causas. Em troca de divulgação, ganham respeito social e usam tais motes como marketing. Um dos exemplos é o Bahia, que movimentou uma campanha contra a transfobia, defendeu a presença maior de mulheres na arquibancada e protestou contra o vazamento de óleo na costa nordestina. Isso não quer dizer que seja obrigação de um clube ter tais atitudes. Ceder um espaço para manifestação cultural pode ser uma das ações simpáticas, sem levantar bandeiras mais difíceis de se tratar, que um clube pode fazer. Mas se quiser defender, tudo ok (desde que seja de interesse da associação, agradando a parcela social que é atingida).
  3. Se houve acordo do que poderia ou não realizar no encontro, e uma das partes não cumpriu (não estou afirmando se o Paulista ou o Rúcula são os culpados), não há o que reclamar! O que está combinado, deve ser cumprido.
  4. Sobre o motivo mais polêmico, a questão de existir um show de temática LGBTQ+ dentro do evento: se os organizadores omitiram a informação, há quebra de acordo. Se o Paulista resolveu cancelar a posterior por preconceito, aí errou o Galo.

É importante deixar claro que ninguém é obrigado a fazer apologia de alguma causa, nem desrespeitá-la. Erram aqueles que pejorativamente dizem que no estádio não entram “bixas” e que evento de “viado” não pode acontecer (isso é homofobia, além dos termos grosseiros e que têm sido redigidos por aí), mas erram também os defensores da causa gay que entendem a todo custo que o clube deve ceder sua praça esportiva, mesmo a contragosto.

Se o Paulista (ou qualquer outra entidade) não deseja estar atrelado a uma bandeira (mesmo que o Rúcula não seja um evento de homossexuais, mas que contém em um 1 dos 30 shows tal tema), é direito dele! Qual a imposição que existe? Evidentemente, que a recusa seja respeitosa não por repulsa ao homossexualismo dos seus membros, mas pela não intenção de uma ação política.

O duro é ver a coisa sendo politizada! Tome para si o seguinte exemplo: um cristão que vá a Missa / Culto (que pratique sua fé) deve conviver harmoniosamente com judeus, muçulmanos, xintoístas, umbandistas ou ateus. É da cidadania isso! Não quer dizer que ele deva fazer apologia à Maomé, Buda, Ogum ou a qualquer outro ente de uma religião. Também não pode desdenhar daqueles que crêem diferente.

De tal forma, os organizadores e defensores do Rúcula devem entender que discordar de algo que não se queira estar associado não é necessariamente desrespeitar; e que o Paulista e os torcedores entendam que respeitar uma causa não é fundamentalmente promovê-la.

Enfim: independente de cor, gênero, idade ou crença, todos somos iguais! Na democracia não se pode obrigar ninguém a fazer apologia do que não se quer, nem desrespeitar o que os outros querem.

A tolerância e o não uso político é tudo nos dias de hoje, pois as pessoas estão pilhadas e fanatizadas demais em grupos “prós e contra” qualquer coisa. Mais razão e menos emoção, respeitando a todos, pois confundem informação com opinião; opção com louvação; manifestação com obrigação. Respeitemo-nos mutuamente, pois hoje ataca-se qualquer pessoa que pensa diferente. Matéria jornalística isenta vira ataque a jornalista (ops: não sou jornalista), pensamento alternativo vira inimigo da causa e, um “A” ou “B” redigido que não contente que lê, torna-se uma grita muito grande.

Uma sociedade dividida, intolerante ou que obrigue a se defender o que não se quer, sempre é mais fraca.

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– Racismo DE NOVO na Itália?

Mário Balotelli foi vítima de racismo durante a partida de futebol entre Verona x Brescia. Mais um dos muitos casos que ocorrem na Europa, especialmente na Itália. O Protocolo FIFA contra a discriminação foi acionado, mas… não cansa ler que o time vai ser punido e blablablá, e os atos racistas continuam?

Que raio de civilização estamos vivendo, onde idiotas julgam que a cor da pele distingue pessoas em dignidade?

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