– Como algumas escolas estão conseguindo vencer o bullying entre os alunos?

Sabemos que o bullying é uma triste realidade nas instituições de ensino do Brasil (e logicamente, em todos os setores da sociedade). E o que fazer para eliminá-lo definitivamente, a fim de que não cause efeitos tão nocivos como estão causando?

Extraído de: https://istoe.com.br/as-escolas-que-venceram-o-bullying/

AS ESCOLAS QUE VENCERAM O BULLYING

Na contramão da maior parte das instituições de ensino do País, que ainda não possuem práticas para coibir a discriminação, alguns colégios já adotam modelos bem-sucedidos para assegurar a boa convivência entre os alunos

Por Fabíola Perez

A imagem de um jovem cabisbaixo, isolado em um dos cantos do pátio, ou de uma criança acuada após ter sido vítima de provocações começa a se tornar rara em algumas escolas do País. Apesar de  numericamente ainda serem poucas, instituições de ensino têm desenvolvido metodologias específicas para combater a intimidação e se transformado em exemplos na batalha contra a discriminação e a propagação do ódio no ambiente escolar. O caminho não é simples, mas os resultados das iniciativas mostram que é possível coibir a prática.

“Os programas anti-bullying vão desde grupos
de jovens que aprendem a auxiliar as vítimas até
palestras para capacitar pais e professores”

Um desses colégios é o Bandeirantes, um dos mais tradicionais de São Paulo. Lá, as estudantes Mariana Avelar, 14 anos, e Isabela Cristante, de 12, fazem parte dos grupos de ajuda do Programa de Combate ao Bullying. Elas foram escolhidas pelos demais alunos para participar de dois dias de capacitação com uma equipe de professores universitários e psicólogos.

Por meio de situações hipotéticas, o treinamento deixou claro o que é bullying e como elas deveriam agir em diferentes casos. “As pessoas mais isoladas são aquelas com gostos diferentes da maioria. Tentamos nos aproximar até que o colega se sinta confiante para conversar”, diz Mariana, estudante do 9º ano. “Aprendemos que, às vezes, o problema é maior do que parece, e precisamos levá-lo aos orientadores”, conta Isabela, da 6ª série. Os estudantes também conversam com quem presencia ou pratica o bullying. “O agressor se conscientiza mais rapidamente” , afirma Isabela.

Com pulseiras para identificação, os participantes percorrem a escola auxiliando nos casos em que percebem o isolamento. A estratégia está funcionando. “Observamos a redução de casos”, afirma Marina Schwarz, orientadora da escola. “Hoje temos mais acesso aos episódios de provocação, que normalmente ocorrem por trás das autoridades.”

Outro colégio que adotou medidas para coibir o bullying é o Soka, também de São Paulo. Há dois anos, a escola organiza palestras com advogados e psicólogos. “Conversamos com os pais sobre a responsabilidade deles em verificar os celulares dos filhos. É preciso identificar se há indícios de bullying nas conversas em grupos de redes sociais”, afirma o diretor James Jun Yamauti.

A instituição também capacitou orientadores para dar assistência a alunos que chegam de outras escolas. “Trabalhamos com jovens que tiveram dificuldade de adaptação para que tenham um entrosamento melhor”, afirma Edna Zeferino Menezes, assistente de orientação educacional. Na sexta-feira 27, a escola deu início à semana do “Preconceito Não”, com palestras sobre direitos da população negra, questões de gênero e indígenas e a trajetória da população LGBT. “A ideia é que os alunos reflitam sobre questões que interferem diretamente no bullying e identifiquem se já vivenciaram situações semelhantes”, explica Yamauti. “Os constrangimentos diminuíram bastante. Se uma brincadeira passa dos limites, deixa de ser brincadeira”, afirma Igor Seiji Ando Bomfim, 15 anos, que relata ter ajudado colegas que sofreram discriminação.

DESCONTROLE

Em um momento no qual o tema vem à tona mais uma vez após o bullying ter sido apontado pela polícia como um dos fatores que levaram um adolescente de 14 anos a atirar contra colegas em uma escola de Goiânia na sexta-feira 20, é fundamental que iniciativas como essas deixem de ser fatos isolados.

Os colégios devem começar a colocar em prática ações determinadas pela lei contra os atos de perseguição, em vigor desde abril do ano passado. Uma delas é a produção de relatórios bimestrais com eventuais casos. “O bullying não é controlado pelas autoridades pela falta de dados, o que dificulta o diagnóstico da extensão do problema”, afirma advogada Ana Paula Siqueira Lazzareschi, especialista em direito digital. Outro aspecto importante é que, além do suporte à vítima, as instituições devem oferecer assistência ao agressor.

A ocorrência ainda diária das intimidações mostra, no entanto, um descompasso muito grande entre o que faz a maioria das escolas e o que manda a legislação. Casos extremos, como o de Goiânia, evidenciam, porém, a urgência na adoção de medidas efetivas. “O bullying não pode ter sua gravidade subestimada e ser tratado como uma brincadeira de criança”, diz a advogada Ana Paula. “A cultura da vingança ainda é muito presente  na sociedade e é esse desejo que está por trás do comportamento do agressor”, diz.

Terminando em tragédias ou não, casos de bullying têm efeitos indeléveis para a vítima, o agressor e toda a escola. “Ocasionam rachas nas salas de aula, colocam metade dos alunos contra o agressor e a outra parte a favor da vítima”, diz Ana Paula. Por isso, os programas de combate a práticas tão cruéis são fundamentais para reverter o aumento da intolerância em ambientes de aprendizado. Não de destruição.

DISPOSIÇÃO PARA AJUDAR

Satisfação em ver os colegas enturmados é o que move as alunas Mariana Avelar e Isabela Cristante, do 9º e do 6º ano, respectivamente, do Bandeirantes, em São Paulo. Há um ano, elas foram escolhidas para fazer um treinamento de capacitação e saber como atuar em casos de bullying. Desde então, as estudantes percorrem os espaços da escola e sempre que percebem situações de isolamento ou provocação se aproximam da vítima ou dos que testemunharam a ação. “Saber que consegui ajudar é muito bom”, diz Isabela.

Imagem extraída de: https://educacao.estadao.com.br/blogs/escola-vilaplay/bullying-existe-na-educacao-infantil/

– Repost: Homofobia na Copinha, Ironia do Cartola do Timão e a discussão dos Gays na arbitragem.

Há 2 anos, um tema atual:

O título da postagem mostra que as “pautas respeitosas quanto ao gênero” começaram com tudo neste começo de ano no futebol, não? Especialmente em São Paulo. Vamos a elas?

Fica o alerta para todos os torcedores: conforme alertamos anteriormente, a FPF fará em seus torneios com que os árbitros tenham rigor contra práticas discriminatórias, como manifestações políticas, gritos racistas, ofensas sexistas ou cânticos homofóbicos (seguindo a determinação da FIFA). E isso aconteceu nesta semana na prática.

Na partida entre Audax-SP vs Sport-PE pela Copa São Paulo de Futebol Jr, o goleiro do time pernambucano se distanciava para cobrar o tiro de meta e os torcedores começaram a gritar aquele manjado “biiiiiiicha”, imitando os mexicanos que inventaram essa prática com o “puuuuuto”. O árbitro Thiago Scarascati cumpriu a recomendação e praticou o que manda o Protocolo FIFA contra discriminação no seu 1o ato. (vide-o aqui: https://wp.me/p55Mu0-2hK). Ainda assim, posteriormente, houve novos gritos, e o 2o ato do Protocolo foi praticado.

Nesta mesma semana, ocorreu a polêmica de Duílio Monteiro Alves, diretor do Corinthians, que na apresentação do jogador Victor Cantillo deu a camisa 8 do time para o atleta, negando a 24 (número que ele gostava de utilizar no Junior Barranquilla) justificando em tom de brincadeira que “24 aqui não” (fazendo alusão do número, na cultura do Brasil, ser ligado a gays). Teve que se desculpar em público posteriormente. Afinal, se a maior torcida do Brasil é do Flamengo e a segunda do Corinthians, de maneira lógica e proporcional esses clubes possuem as maiores torcidas entre os homens, mulheres e homossexuais.

Por fim, vale lembrar o que a nova comandante dos árbitros da Federação Paulista de Futebol, Ana Paula de Oliveira, disse em entrevista ao Estadão: a ex-bandeirinha declarou que em sua gestão “aumentará para 20% a participação das mulheres nas escalas de jogos”  (se isso acontecer, em cada 5 jogos realizados, 1 será arbitrado por quarteto feminino) e de que, em outras palavras “dará tranquilidade para que não exista assédio aos árbitros gays e árbitras lésbicas do quadro” (vide a matéria completa clicando AQUI).

Dessa forma, respeitemos a diversidade. Isso não quer dizer que devamos fazer apologia, pois se beira na preocupação em aceitar o homossexual, quase uma louvação! Não é isso: não se pode praticar homofobia, mas não se deve também criar uma heterofobia (como que “ser hetero declarado” nos dias de hoje seja algo ruim).

O politicamente correto está (seja em excesso ou não) em pauta nas diversas áreas, inclusive no futebol, e não se pode negar.

Resultado de imagem para homofobia no futebol

Ilustração: Verena Antunes (Vice), extraído de: https://www.vice.com/pt/article/53m433/homofobia-no-futebol

– Eugenia, a Ciência do Preconceito

Após ler a reportagem de Karina Ninni, da Revista Superinteressante (pg 78-81, edição Março), fiquei impressionado com o tema tratado: a EUGENIA.

A Eugenia é a ciência do preconceito, ou seja, da purificação das raças. E para quem pensava que isso fosse idéia de Nazistas que defendessem a purificação ariana, engana-se. No Brasil, durante o século XX, muitos cientistas eugênicos velada ou abertamente defenderam um Brasil livre de outras raças diferentes à branca.

Em 1911, durante um Congresso realizado em Londres, o antropólogo brasileiro João Antonio Batista proclamou radiante que em 2010 não haveria mais negros ou índios no país!

Um dos maiores defensores da Eugenia foi Francis Galton (primo de Charles Darwin, da teoria da Evolução), que defendia a crença que a evolução humana dependeria da seleção genética e controle das raças.

No Brasil, os eugenistas verde-amarelos não conseguiram ir adiante, mas chegaram a sonhar com programas similares ao da Alemanha de Hitler: esterilização de “raças inferiores” e sacrifícios de deficientes e inválidos. Na política, infiltrados, tentaram até colocar artigos na Constituição que defendesse a raça branca.

Notadamente, foram pessoas de expressão na sociedade, destacando-se Vital Brazil (fundador do instituto Butantan), Arnaldo Vieira de Carvalho (diretor da Faculdade Paulista de Medicina, hoje da USP), o sanitarista Belisário Penna, o médico Olegário de Moura (que dizia: sanear é eugenizar – imagine essa frase dita hoje!) e o fundador da Sociedade Eugênica Brasileira, o limeirense Renato Kehl, que escreveu mais de 30 livros defendendo a raça branca brasileira.

Felizmente, todas essas ações frustaram-se ao longo do século passado, mas um legado triste pode ser observado: a ainda defesa da discriminação racial por parte de muitos brasileiros.

Algumas frases eugências destacadas da matéria citada:

“O Brasil vem sofrendo, desde a colonização, as consequências da mestiçagem” Renato Kehl

“Os índios, em geral, são muito sôfregos e pouco amigos da disciplina” Oliveira Vianna

“Está provado que casamentos entre raças dão origem a tipos inferiores física, psíquica e moralmente”Nina Rodrigues

“O negro, raça inferior, apresenta uma indiscutível e franca animalidade”Luiz Silva

“Os mulatos são, na maioria, elementos feios e fracos. Apresentam instabilidade de caráter e perturbam o progresso nacional” Renato Kehl

“Deus perdoe esses idiotas racistas”Eu mesmo.

Imagem extraída de: https://www.saopauloinfoco.com.br/sociedade-eugenica-sao-paulo/

– Dia da Consciência Negra.

Sou contra certas datas festivas: Todo dia é dia das mães; dos pais; das mulheres; dos homens ou dos negros.

Muitas vezes, temos datas comerciais: o dia dos namorados, por exemplo. Ou outras demagógicas: não seria a de hoje um exemplo disso?

Detesto rotulações: raça branca, negra, amarela… Ora, somos todos uma única raça, a RAÇA HUMANA! Não importa a cor da pele, a preferência sexual ou a religião: todos somos iguais em direitos e deveres.

Perceberam que o “dia de reflexão” virou descanso para uns e aproveitamento político para outros? Pior: o fato das cidades determinarem feriado municipal ou não acaba desacreditando no dia como feriado em si. Ou é para todos os municípios, nacionalizando a data, ou não.

Mais grave do que isso é tratar o dia como se fossem os negros gente inferior que precisassem de piedade. Nada disso. A história de cotas ou privilégios não pode ser uma caridade de gente subestimada, pois para ser inteligente ou competente não há cor (diferente das cotas sociais – por pobreza – as quais defendo).

Que o Dia da Consciência Negra sirva para refletir a igualdade, não aumentar discussões discriminatórias ou comparações de raças; coisas que são bobagens abomináveis nos dias atuais.

Resultado de imagem para Dia da Consciência negra

Imagem extraída de: https://camararedencao.ce.gov.br/portal/noticia/dia-nacional-da-consciencia-negra/

– Novembro Azul.

Depois da oportuna campanha Outubro Rosa, em busca da conscientização da Prevenção do Câncer de Mama, vem aí outra importante e necessária campanha: a do Novembro Azul, para o combate ao Câncer de Próstata.

É sabido que esse mal pode ser prevenido com o exame preventivo, pois quanto mais cedo detectar, mais fácil a cura. O grande problema continua sendo: o preconceito!

AMM reforça importância da campanha “Novembro azul” de combate ao câncer de  próstata – Portal AMM

– Deus nos fez todos valorosos e iguais. Por quê agir diferente com o outro?

Pratique sempre o bem.

Nunca faça mal ao seu próximo.

Seja solidário.

Defenda a paz e o perdão.

Ajude o mundo a ser um lugar melhor para se viver.

Demonstre mansidão.

  • Todos somos iguais perante Deus, perante a sociedade e perante nossa consciência.

Não existe alguém “melhor ou pior que outrem”. Assim, seu irmão é negro, branco, gay, hetero, baixo, alto, magro, gordo, estrangeiro, vizinho e…. acima de tudo, uma pessoa tão abençoada como você.

#Respeito, #Harmônia e #Convivência. Serve para todas as crenças e descrença. 🙏🏻

Imagem extraída de: https://querobolsa.com.br/revista/solidariedade-na-pandemia-universidades-promovem-campanhas-de-doacao-no-combate-ao-coronavirus

– E por onde anda o Árbitro Laleska?

Há 10 anos, reproduzíamos uma matéria da Folha de São Paulo sobre o dia-a-dia do travesti Laleska, que era árbitro de futebol e estava fazendo certo barulho no Ceará.

Eu pensei que ganharia notoriedade nacional em jogos de eventos, mas nunca mais ouvi falar sobre ela. Alguém sabe se continuou a carreira?

Reproduzindo o texto da época, abaixo:

PRECONCEITO & FUTEBOL: ÁRBITRO TRAVESTI É SUCESSO NO CEARÁ

O homossexualismo no futebol é um grande tabu. E, talvez, por muito tempo ainda será. Mas uma matéria da Folha de São Paulo do último sábado (FSP, 22/01/2011, pg D6, por Adriano Fernandes) me chamou a atenção: um árbitro de futebol do Ceará, Valério Gama, além de exercer o ofício do apito, se transforma á noite como travesti Laleska. E faz sucesso dentro e fora de campo!

O árbitro-travesti, assumido e bem resolvido, diz que nunca sofreu preconceito (curioso, já que o nosso país – e o futebol em particular – é taxado de machista e preconceituoso). Antigamente, tínhamos o assumido Jorge Emiliano (imortalizado como Margarida) e seus trejeitos (aliás, recentemente apareceu um Margarida 2, catarinense, que é casado e pai de 3 filhos). Hoje, fico curioso o que aconteceria se na FPF ou CBF um árbitro de ponta se declarasse homossexual.

E você, o que pensa sobre o assunto: quanto a homossexualidade no futebol – existe ou não preconceito? Deixe seu comentário.

Abaixo, a história do árbitro Valério Gama, ou, se preferir, da travesti Laleska:

AUTORIDADE – árbitro cearense que se traveste à noite já apitou mais de cem partidas

Por Adriano Fernandes

Eu descobri que era gay aos dez anos. Fui percebendo que não gostava de mulher. Brincava com meninos e sentia interesse por eles. Nunca contei para a minha família. Minha mãe já percebeu, meu pai até hoje é contra.

Comecei a me interessar por futebol assistindo aos jogos da Copa de 1994, nos EUA. Eu tinha 15 anos. Entrei no futebol pra ser goleiro. Eu era o terceiro goleiro de um time aqui da minha cidade.

Na época, faltou juiz e o meu treinador pediu pra eu apitar. Eu apitei e gostei. Não sabia as regras, aprendi dentro do futebol, na marra. Não sou formado [em arbitragem], mas já marquei o curso com o Dacildo Mourão, um juiz daqui. Ele me chamou.

Já apitei mais de cem jogos: campeonatos e amistosos entre times locais. Mas não estou no quadro de árbitros da federação cearense.

SEM PRECONCEITO

Toda a equipe de árbitro só tem homem, e eu sou o único homossexual. Nunca me envolvi com eles, eles nunca me cantaram, me respeitam como se eu fosse uma mulher mesmo. Porque o que eles sabem fazer eu também sei.

Eu bandeiro e tudo. Gosto mais de apitar, mas eu bandeiro quando é feito sorteio.
No futebol, eu não sofro preconceito, nunca sofri.

Quando eu chego ao campo, as pessoas acham que eu sou mulher. Vêm conversar comigo e perguntam: “E aí, mulher?”. Eu digo: “Gente, eu não sou o que vocês estão pensando. Eu ainda não sou mulher. Sou homem”.

Aí, quando descobrem, ficam passados, caem pra trás, se assustam. Mas nunca fizeram nada que me ofendesse. Pelo contrário, sou um dos mais chamados para apitar os jogos, todo sábado e domingo eu apito uma partida.

Eles chamam os héteros de veado, de baitola, mas a mim só chamam de ladrão, dizem que estou roubando. De veado ninguém chama porque todos já me conhecem.

O time do Ferroviário [clube cearense] me reconheceu uma vez. Eu fui pra praça de vestido, de salto, de bolsa.

Eles me olharam e falaram: “Olha a juíza!”. Só que eles não sabiam que eu era homem. Uma amiga deles conversou [com eles] e contou. Aí eles me chamaram e disseram: “Você me desculpa por eu chamar você de moça no campo”.

No campo, achavam que eu era mulher. Quando eu falava [durante o jogo], eles estranhavam por causa da voz, mas não descobriram. Se os jogadores acham que sou mulher, são mais educados.

Nós conversamos. Eles disseram que me viram de biquíni na praia, mas não acreditavam que eu era homem.

Eu falei que me transformava à noite em mulher. Eles gostaram, disseram que era muita coragem minha apitar um jogo profissional. Me deram parabéns. Fiquei feliz.

Vou te contar uma coisa que vai te deixar de queixo caído. Você está sentado?
Na minha casa somos oito irmãos e quatro homossexuais, dois em forma de homem e dois travestis.

Meus amigos travestis dizem que eu quero ser homem por gostar de futebol. Eles me chamam de “bicha-homem”. Dizem: “Olha essa bicha que quer ser homem”, “Essa bicha fala de futebol como se fosse homem”. Eles não entendem nada de futebol. Eu sou totalmente diferente deles. Eles ficam passados.

Tem muito homossexual no futebol, mas são incubados, não se assumem. Eu não. Eu rasguei logo. De que adianta eu viver a vida dos outros? Tenho que viver a minha, não vou mostrar para as pessoas uma coisa que não sou. Se perguntam, assumo.

“O” ERRO, “O” JOGO

O maior erro da minha carreira foi uma falta fora da área que eu marquei pênalti.
Logo depois, eu percebi que tinha sido fora, mas não dava para voltar atrás. Os jogadores puxaram meu cabelo. Já levei tapas, empurrão.

Meu jogo mais importante foi Ferroviário contra a seleção de Beberibe [no último dia 8]. O Ferroviário joga a primeira divisão daqui. Me chamaram e fiquei empolgado. Encarei da forma que encaro qualquer briga na vida.

Quando entrei no jogo, parece que incorporou um espírito na minha pessoa, um espírito de homem. Eu não tenho aqueles trejeitos do [ex-árbitro] Margarida, por exemplo. Faço os gestos todos direitinho, mas, depois que eu saio de campo, ninguém mais me segura.

RESUMO
Valério Fernandes Gama tem 32 anos e é juiz de futebol desde os 23.

Homossexual, à noite vira Laleska. Como travesti, sai para as boates de Beberibe, sua cidade natal, no interior do Ceará. Nunca sofreu preconceito nos gramados. Seus amigos travestis estranham seu interesse por futebol. Dizem que Valério é um gay “que quer ser homem”. 

– Oksana Masters: o Exemplo de Paraatleta

As fotos abaixo não são de galanteio barato ou de índole machista. Ao contrário: mostram que a superação ajuda em todos os sentidos.

Oksana é medalhista olímpica e paraatleta do remo. Suas deficiências, como podem ser observadas, não a impediram de mostrar sua força física e beleza.

Sabem o que aconteceu com ela? Foi uma das crianças vítimas de Chernobyl! Quando ocorreu o acidente nuclear, na década de 80, sua mãe estava grávida e ela nasceu assim.

Muitas vezes, lamentamo-nos com coisas tão bobas... taí um exemplo de superação.

– Grêmio e Brusque: apenas dois punidos em racismo no Brasil, ao longo de 4 anos?

Em 2017, o Grêmio foi excluído da Copa do Brasil pelas ofensas racistas contra o goleiro Aranha, do Santos FC.

Em 2021, o Brusque perdeu 3 pontos (mais uma multa) por conta das ofensas contra Celsinho, do Londrina-PR.

Não é muito pouco em 4 anos, num país tão racista como o Brasil, sendo que observamos inúmeros casos país afora?

– A era da contraditória esquizofrenia social.

Recebi esse texto, cujo autor (Almir Favarin) por ignorância eu não conheço, mas que é sensacional ao explicar com perfeição esses tempos de intolerância a certas coisas e, contraditoriamente, tolerância irrestrita a outras.

Compartilho:

ESQUIZOFRENIA SOCIAL

Por Almir Favarin, Teólogo e Psicanalista

Vivemos numa época onde querem que os padres se casem e que os casados se divorciem.

Querem que os héteros tenham relacionamentos líquidos sem compromisso, mas que os gays se casem na Igreja.

Que as mulheres tenham corpos masculinizados e se vistam como homens e assumam papéis masculinos. Querem  que os homens se tornem “frágeis” e delicados e com trejeitos, como se fossem mulheres. Uma criança com apenas cinco ou  seis anos de vida já tem o direito de decidir se será homem ou mulher pelo resto da vida, mas um menor de dezoito anos, não pode responder pelos seus crimes.

Não há vagas para os doentes nos hospitais, mas há o incentivo e o patrocínio do SUS para quem quer fazer mudança de sexo.

Há acompanhamento psicológico gratuito para quem deseja deixar a heterossexualidade e viver a homossexualidade, mas não existe nenhum apoio deste mesmo SUS para quem deseja sair da homossexualidade e viver a sua heterossexualidade e se o tentarem fazer, é crime.

Ser à favor da família e religião é ditadura, mas urinar em cima dos crucifixos é liberdade de expressão.

Se isso não for o Fim dos Tempos, deve ser o ensaio…

– Inadmissível nos dias atuais.

Homem bater (literalmente) em mulher?

Crime, cadeia e o alerta da falta de vergonha na cara!

Neste tempo do anúncio da foto (abaixo), não tinha Lei Maria da Penha! Como deveria ser difícil para as pobres senhoras mais indefesas…

Cada coisa que a humanidade já viu, não? Ao ler essa propaganda, me traz uma pontinha de curiosidade: o que as pessoas justificavam quando questionadas se “bater em mulher” era algo comum (e até aceito!)?

– Repost: Por homofobia, pela 1a vez partida é interrompida na França pelo Protocolo FIFA.

Há 2 anos, pela primeira vez uma partida de futebol era interrompida por homofobia! Relembrando abaixo:

Lembram quando postamos sobre o Protocolo FIFA que deveria ser executado em caso de discriminação (das diversas naturezas) quando ocorresse?

(Para recordar, clique aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2019/07/26/os-3-passos-para-o-protocolo-fifa-contra-a-discriminacao/)

Pois bem: ocorreu o 1o caso, e foi na França.

Extraído de: https://jamilchade.blogosfera.uol.com.br/2019/08/17/na-franca-arbitro-interrompe-jogo-diante-de-cantos-homofobicos/

NA FRANÇA, ÁRBITRO INTERROMPE JOGO DIANTE DE CANTOS HOMOFÓBICOS

Por Jamil Chade

O jogo da segunda divisão do campeonato francês, entre os modestos Nancy e Le Mans, entrou na sexta-feira para a história do futebol do atual campeão do mundo. Trata-se da primeira vez que, por conta de um comportamento homofóbico por parte da torcida, um árbitro decide suspender o jogo, ainda que por apenas alguns minuto. Os torcedores do Nancy devem ser punidos e o clube pagará uma multa. Mas foi o gesto do árbitro Mehdi Mokhtari que se transformou numa referência e abriu um amplo debate. A ministra dos Esportes, Roxana Maracineanu, foi a primeira a comemorar a decisão, tomada depois de uma pressão de governos para que a Uefa modificasse suas leis para permitir que uma partida pudesse ser alvo de uma interrupção, em caso de incitação ao ódio ou homofobia.

Em abril, o jogo entre Dijon e Amiens já havia sido suspenso por alguns minutos, desta vez por conta de ataques racistas. A decisão, naquele momento, foi dos jogadores. Agora, aos 27 minutos, foi a vez do árbitro assumir a decisão.

Jean-Michel Roussier, o presidente do Nancy, admitiu que a regra deve ser aplicada e afirmou ter ido encontrar, ainda durante a partida, com os representantes das torcida organizadas para alertar sobre a situação. Na França, a lei permite que um clube proíba a entrada de um torcedor que tenha sido identificado como autor de uma provocação homofóbica, racista ou que promova o ódio e violência.

Se na França a nova lei começa a ser aplicada, na Fifa o assunto já foi alvo de um acalorado debate. Com as seleções sul-americanas acumulando multas milionárias aplicadas pela Fifa, em diversos jogos das Eliminatórias, a Conmebol tentou explicar à entidade máxima do futebol que os cantos homofóbicos eram “culturais”. A Fifa se recusou a aceitar a explicação e continuou a multar as federações.

– Respeite o Diferente.

Todos nós temos virtudes e fraquezas.

Todos nós somos iguais em respeito, mas diferentes quanto a opiniões.

Todos nós temos (ou não) um partido, uma religião, um time de futebol, uma preferência ou gosto diferente.

E principalmente, todos nós vivemos e dependemos de um mesmo planeta.

Por quê não respeitar a diferença do próximo?

Há aqueles que não conseguem viver ao lado do seu semelhante justamente por ter uma opinião política ou um comportamento diferente. Pra quê?

Somos todos humanos. Iguais e diferentes ao mesmo tempo. Assim, reflitamos tal verdade!

– Brasil x Canadá no futebol feminino olímpico? Republico:

Jogos Olímpicos e Futebol – Dias atrás, fizemos algumas considerações sobre a Seleção das Meninas e o Futebol Feminino em geral, abordando o caso da atleta canadense Quinn (na oportunidade, houve a questão polêmica do pronome neutro). Hoje, teremos Brasil x Canadá. Sendo assim, compartilho o repost: https://professorrafaelporcari.com/2021/07/26/o-futebol-feminino-olimpico-e-suas-diversas-nuances/

O FUTEBOL FEMININO E SUAS NUANCES

Sou torcedor das jogadoras da Seleção Feminina de Futebol! Moças esforçadas, onde algumas venceram as dificuldades da vida (e outras ainda lutam contra os percalços). Inclua-se discriminação pelo sexismo e outros preconceitos.

Porém…

É um outro “tipo” de futebol. Se aceite como ele é. Não pode-se comparar com o masculino em vários aspectos: o condicionamento físico, por exemplo, que é uma situação fisiológica (homens e mulheres são iguais em dignidade, mas diferentes obviamente na fisiologia). A questão das goleiras, outro caso latente (pelos mesmos motivos). E, evidentemente, das condições técnicas (inclua-se a arbitragem, pois existe a necessidade de desenvolvimento).

Aliás, viram (ou tentaram ver) o pênalti contra a Holanda? Difícil dizer que após o salto da atacante brasileira (que tentou cavar uma falta fora da área), o toque da mão da zagueira holandesa sobre ela (dentro da área) foi ou não infracional. Até pela péssima geração de imagens da empresa contratada para a transmissão de TV.

Dito tudo isso, insisto: torçamos para as meninas, mas não a cobremos mais do que se deve.

Em tempo: fui instigado sobre a canadense Quinn, e gostaria de respeitosamente opinar. Houve a polêmica durante a partida da sua equipe pois ela era um homem que fez a transição de gênero, portanto, é uma mulher trans. Porém, ela própria se intitulou uma pessoa não-binária (que não se reconhece nem como homem ou mulher – por isso o uso do discutido pronome neutro). Mas se é não-binária (pela Quinn mesma), como a encaixar no futebol feminino ou masculino?

Não estou preconceituando, apenas levando a discussão sensata, pois outros casos surgirão: de homens e mulheres héteros, homos e trans, além dos “não se encaixam nem em um ou outro” (por iniciativa própria).

Quinn (à esquerda, com a camisa nº 5) se autodeclara transexual “não-binária”, isto é, não se reconhece nem como homem nem como mulher| Foto: Canadian Soccer Association

– O futebol feminino olímpico e suas diversas nuances.

Sou torcedor das jogadoras da Seleção Feminina de Futebol! Moças esforçadas, onde algumas venceram as dificuldades da vida (e outras ainda lutam contra os percalços). Inclua-se discriminação pelo sexismo e outros preconceitos.

Porém…

É um outro “tipo” de futebol. Se aceite como ele é. Não pode-se comparar com o masculino em vários aspectos: o condicionamento físico, por exemplo, que é uma situação fisiológica (homens e mulheres são iguais em dignidade, mas diferentes obviamente na fisiologia). A questão das goleiras, outro caso latente (pelos mesmos motivos). E, evidentemente, das condições técnicas (inclua-se a arbitragem, pois existe a necessidade de desenvolvimento).

Aliás, viram (ou tentaram ver) o pênalti contra a Holanda? Difícil dizer que após o salto da atacante brasileira (que tentou cavar uma falta fora da área), o toque da mão da zagueira holandesa sobre ela (dentro da área) foi ou não infracional. Até pela péssima geração de imagens da empresa contratada para a transmissão de TV.

Dito tudo isso, insisto: torçamos para as meninas, mas não a cobremos mais do que se deve.

Em tempo: fui instigado sobre a canadense Quinn, e gostaria de respeitosamente opinar. Houve a polêmica durante a partida da sua equipe pois ela era um homem que fez a transição de gênero, portanto, é uma mulher trans. Porém, ela própria se intitulou uma pessoa não-binária (que não se reconhece nem como homem ou mulher – por isso o uso do discutido pronome neutro). Mas se é não-binária (pela Quinn mesma), como a encaixar no futebol feminino ou masculino?

Não estou preconceituando, apenas levando a discussão sensata, pois outros casos surgirão: de homens e mulheres héteros, homos e trans, além dos “não se encaixam nem em um ou outro” (por iniciativa própria).

Quinn (à esquerda, com a camisa nº 5) se autodeclara transexual “não-binária”, isto é, não se reconhece nem como homem nem como mulher| Foto: Canadian Soccer Association

– O governador assumiu que é gay. E daí?

O governador Eduardo Leite (PSDB/RS) revelou durante entrevista ao Programa do Pedro Bial que é homossexual.

Em um país preconceituoso, tal fato é um ato de coragem – especialmente para um político. Palmas a ele. Mas lembremo-nos: Eduardo é um dos pré-candidatos à Presidência da República, e o cuidado para que se não faça confusão é: “ser gay” é diferencial positivo? No que implica a opção sexual de cada pessoa na presidência do país?

É lógico que isso será usado pela Situação e pela Oposição em campanha (positiva ou negativamente). E ficará a questão: não se ache que uma pessoa é melhor ou pior do que outra por ser gay ou não.

– A polêmica do 24 nas camisas de futebol: do discurso à prática, o caminho é longo…

Já repararam que nos clubes de futebol no Brasil, a camisa número 24 é deixada, na maior parte das vezes, de lado? Inclusive, na própria Seleção Brasileira, onde a Justiça está questionando a ausência da numeração.

O UOL resumiu bem a pendenga recentemente em um artigo:

“O número 24 está historicamente relacionado ao homem gay no Brasil por causa do Jogo do Bicho, que associa a numeração ao veado — animal é usado de forma homofóbica como ofensa à população LGBT+. Por conta disso, o futebolbrasileiro já viveu diversos episódios de homofobia. O mais recente deles ocorreu na chegada de Cantillo no Corinthians, quando o então diretor de futebol e hoje presidente, Duílio Monteiro Alves, disse “24 aqui não” no meio da apresentação. Ele usava o número no Júnior Barranquilla. Duilio classificou a própria fala como “brincadeira infeliz”. Menos de um mês depois de ser apresentado, Cantillo foi a campo com o 24 nas costas.”

Aqui, temos três situações gerais para entidades e jogadores “não usarem a camisa 24”. Duas aceitáveis e uma não:

  • No mundo comercial, existem atletas que têm em seus números a identificação: R9, CR7, R10, KK22… e por aí vai. Ter algo assim é instrumento de marketing, simplesmente. Seja pela posição de campo ou de mercado, ou ainda por superstição, jogadores escolhem o que melhor convier.
  • A outra é a preocupação em não querer estar com um número do qual seja “chacota”: um heterossexual convicto pode não gostar de estar com o 24 pelas brincadeiras que outros o importunarão. Uma clara comodidade que não precisa ser contestada. A pessoa não é homofóbica, apenas quer evitar situações indevidas ou desconfortáveis a ele.
  • Por fim, a óbvia e a mais comum (lamentavelmente): a do não desejar por homofobia, que, lembremos, é crime.

Nos últimos dias, as agremiações fizeram manifestações de apoio à causa LGBTQIA+, e pintaram seus escudos com as cores do arco-íris, além de outras ações. Inclusive, falamos da necessidade de não dizer que é “cidadania de uma causa exclusiva no discurso” e praticar outras ações erradas (vide em: https://wp.me/p4RTuC-vM4).

Muitos clubes, sejamos sinceros, estão se promovendo com as causas e não trabalhando por ela. Entrem nas Redes Sociais deles e vejam os comentários dos torcedores sobre o “pintar o escudo” do time. Existirão barbaridades impressionantes… que não foram contestadas pelos administradores das páginas.

Lembrando sempre: respeitar o direito do próximo não é fazer apologiae é aí que reside o problema do ignorante. Defender alguém pelo direito de se expressar não significa que você concorde com ele, apenas está lhe dando o sagrado direito democrático de fala e de respeito.

Que os clubes que se manifestaram Brasil afora pratiquem o que pregam. Ou será que os gritos homofóbicos das arquibancadas voltarão quando os torcedores retornarem, com a desculpa de que “faz parte da cultura do futebol”?

Imagem extraída da Internet (Montagem).

– Gérman Cano, bandeira LGBTQIA+ e Vasco da Gama: o ato cidadão (mas que não pode ficar na demagogia).

Ontem, o atacante Cano comemorou seu gol ostentando a bandeira de escanteio, que estava pintada nas cores do arco-íris para lembrar a luta contra a homofobia (neste dia 28, é dia do Orgulho Gay, e vários clubes promoveram ações para lembrar a data).

O Vasco da Gama foi marcante na história por ser o primeiro grande clube de futebol a incluir os negros oficialmente em sua equipe no Rio de Janeiro (o racismo da época promovia até episódios patéticos, como o de passar pó-de-arroz no rosto para clarear a pele dos negros). O Estádio Sao Januário, ao longo do século XX, foi palco de manifestações públicas em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores. Agora, na questão da inclusão de gênero e seus direitos, novo fato relevante para a sua grandiosa história.

Porém…

Sem desabonar o que foi feito, é necessário que ações sociais não sejam apenas jogadas promocionais e de marketing. Que a causa defendida seja trabalhada internamente também – não apenas para o mundo ver e aplaudir. E, o ponto mais delicado: não só a defesa de uma causa para mostrar cidadania, mas: pagar seus funcionários em dia, recolher os impostos sociais, estar em ordem perante os colaboradores é também ato cidadão.

Louvemos as boas iniciativas, mas que elas não sejam causas demagogas encobrindo ações ruins e que vão ao contrário do que uma empresa cidadã deve fazer.

Ops: a Regra do Jogo diz que, neste caso, por ter tirado o mastro, o jogador deve repô-lo e receber o cartão Amarelo (mesmo com a causa defendida sendo nobre). As leis, sabidamente, são frias e podem ser antipáticas…

– A confusão criada pela UEFA e por Orbán na Eurocopa (Alemanha x Hungria).

A Allianz Arena, em Munich, receberá Alemanha x Hungria pela Eurocopa. E como estão ocorrendo eventos do Orgulho Gay nesses dias, a direção do estádio resolveu iluminar a arena com as cores do arco-íris, símbolo do movimento LGBTQIA+.

Entretanto, a UEFA proibiu tal coloração alegando “manifestação política”. Por trás da decisão, está o primeiro-ministro ultraconservador Viktor Orbán, que mantém ótima relação com a entidade (Orbán promoveu a chamada “lei anti-gay”, que retirou alguns direitos / manifestações de seu país).

IMPORTANTE – A própria UEFA colocava mensagens de apoio aos homossexuais, frases de efeito sobre o orgulho dessa comunidade e tuitava que seria a “Eurocopa da inclusão / diversidade“.

Aqui, que se deixe bem claro: respeitar a opção sexual de cada um não é fazer apologia ou publicidade dela. Simplesmente: ter respeito ao próximo, que não significa concordância ou não.

Os clubes da Alemanha prometeram que, na hora do jogo, farão manifestações coloridas como represália à UEFA.

Já pensaram na repercussão que teremos (e a óbvia discussão polêmica) quando um craque do futebol se declarar homossexual?

Aguardemos.

– Imitem as meninas do Brasil, rapazes!

Ontem falamos sobre a coragem das jogadoras da Seleção Brasileira de futebol feminino, que protestaram contra o assédio sexual – em clara resposta ao chefe delas na CBF, Rogério Caboclo.

As meninas divulgaram um manifesto (vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-vpX) e entraram em campo com uma faixa (abaixo).

Será que neste domingo, na abertura da Copa América 2021 (que deverá ter bastante audiência) os jogadores da Seleção de futebol masculino, que tanto agitaram na semana mas se omitiram quanto a isso, se pronunciarão também?

Seria digno imitarem o gesto das suas colegas e fazerem o mesmo. Mais ainda: se fizerem tal ato por altruísmo / cidadania, não por demagogia / marketing!

– Que pisada na bola, Alberto Fernández!

O presidente argentino Alberto Fernández cometeu uma tremenda gafe hoje, não?

Em encontro com o primeiro ministro espanhol Pedro Sanchez, quis se gabar das raizes argentinas e disse:

“Os mexicanos vieram dos indígenas; os brasileiros, da selva; e nós, chegamos em barcos. E eram barcos que vinham da Europa”.

Depois ele pediu desculpas. Mas o vacilo mostra como está enraizada a questão do racismo e do orgulho da origem europeia dentro do povo argentino. E olha que ele é da patota da Esquerda mais inclusiva do país vizinho…

Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/06/fernandez-diz-que-brasileiros-vieram-da-selva-e-argentinos-chegaram-de-barcos-da-europa.shtml

FERNÁNDEZ DIZ QUE BRASILEIROS VIERAM DA SELVA E ARGENTINOS CHEGARAM DE BARCO DA EUROPA

Presidente da Argentina deu declaração racista durante visita de Pedro Sánchez, premiê da Espanha, a Buenos Aires

Em encontro na manhã desta quarta (9) com o premiê da Espanha, em Buenos Aires, o presidente argentino, Alberto Fernández, disse que “os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros, da selva, e nós, chegamos em barcos”. “Eram barcos que vinham da Europa”, afirmou, apontando para Pedro Sánchez. Depois, referendou: “O meu [sobrenome] Fernández é uma prova disso”.

O líder argentino acreditava fazer menção a uma frase incorretamente atribuída ao escritor mexicano Octavio Paz (1914-1998), Nobel de literatura em 1990, em que ele teria discorrido sobre a raiz asteca dos mexicanos e a origem inca dos peruanos. Fernández, porém, confundiu-se, e a frase é na verdade parte de uma canção do compositor Litto Nebbia.

Após a repercussão da declaração, o presidente argentino publicou uma mensagem no Twitter na qual diz que “nossa diversidade é um orgulho”. “Mais de uma vez foi dito que ‘os argentinos descendemos dos barcos’. Na primeira metade do século 20 recebemos mais de 5 milhões de imigrantes que conviveram com os nossos povos originários. Nossa diversidade é um orgulho.” Na sequência, acrescentou que “não quis ofender ninguém” e pediu desculpas “a quem tenha se sentido ofendido ou invisibilizado”.

A oposição também reagiu por meio de redes sociais. O deputado Facundo Suárez Lastra, da União Cívica Radical, afirmou que “sempre há um nível mais baixo para que o presidente desça na escada do ridículo e da vergonha”. “Ofende países irmãos e aparece como um ignorante. Nem professor nem acadêmico.”

Também da UCR, partido que fazia parte da base de apoio do ex-presidente Mauricio Macri, Karina Banfi pediu que Fernández se desculpasse por sua ignorância e discriminação com os povos originários, com os países da região e com todos os argentinos e argentinas”.

Figuras públicas argentinas com frequência cometem o que a imprensa local costuma chamar de “gafe”. A frase racista, no entanto, revela um traço cultural profundo que minimiza ou mesmo nega a raiz mestiça da população, pensamento presente desde o século 19 entre intelectuais e governantes importantes. Obviamente não se trata de uma postura de toda a sociedade, mas muito marcada na elite.

O ex-presidente Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888), autor de “Conflicto y Armonías de las Razas en América” (conflito e harmonia das raças na América), por exemplo, falava da necessidade de “embranquecer a Argentina” para o desenvolvimento do país. Em seu mandato, estimulou a imigração de europeus com essa finalidade.

A teoria de Sarmiento influenciou seu sucessor na Presidência, Julio Argentino Roca (1843-1914), responsável por iniciar a Campanha do Deserto, em que, sob a justificativa de “levar civilização aos rincões do país”, o Exército argentino assassinou comunidades inteiras de índios ranqueles e araucanos, entre outros. Não há consenso quanto ao número de mortes provocadas pela campanha, mas historiadores renomados falam em genocídio ou em “impulso genocida”.

Essas etnias, porém, não foram totalmente exterminadas, tanto que a população do interior da Argentina guarda traços desses povos, e há pequenos grupos que mantêm os idiomas originários.

O maior fluxo de imigrantes europeus na Argentina ocorreu entre 1850 e 1950, quando cerca de 7 milhões entraram no país. Já os africanos vieram em maior escala entre os séculos 16 e 19, como escravos.

Embora a população de negros tenha diminuído no país, ela permanece grande. Em 1778, africanos e afro-descendentes eram 37% dos habitantes do país, de acordo com documentos oficiais espanhóis.

Em Buenos Aires, nas primeiras décadas após a independência (1810), eles representavam 30% da população. Hoje, segundo o censo mais recente, 9% são afro-argentinos em todo o território. A Argentina tinha, de acordo com o Banco Mundial, 44,94 milhões de habitantes em 2019.

Declarações do tipo também já foram feitas por membros de diferentes partidos e classes sociais do país. O escritor argentino Jorge Luis Borges, por exemplo, dizia que “os argentinos são europeus nascidos no exterior”. No futebol, algumas demonstrações racistas marcam o passado da relação entre Brasil e Argentina. Na primeira metade do século passado, torcedores argentinos imitavam macacos nas arquibancadas, o que chegou a provocar a saída dos jogadores brasileiros do gramado.

Em 1996, quando soube-se que a seleção argentina enfrentaria Brasil ou Nigéria na Olimpíada de Atlanta, o diário esportivo Olé estampou a manchete “Que venham os macacos”. Depois, a publicação se retratou.

No campo político, o ex-presidente Macri afirmou, na abertura de seu discurso no Fórum Econômico de Davos, em 2018, como forma de cumprimentar a plateia, que “somos todos descendentes da Europa”.

Em 9 de julho de 2016, data em que a independência argentina é celebrada, Macri disse que os “independentistas argentinos devem ter sentido uma grande angústia por terem de se separar da Espanha”. A declaração foi dada na presença do hoje rei emérito Juan Carlos, chamado na ocasião de “querido rei” pelo ex-presidente argentino.

Já o peronista Carlos Menem, também ex-presidente, negou em um discurso na Universidade de Maastricht, na Holanda, em 1993, que o país tivesse negros. No mesmo evento, ao ser questionado sobre a escravidão na Argentina, disse que, em 1813, ano da abolição, os poucos negros já haviam morrido, e que, então, aquilo era “um problema brasileiro”.

Agora foi a vez de Fernández, que se apresenta como um nome de centro-esquerda e tem vínculos com organizações que defendem as minorias e os indígenas.

Alberto Fernández completa um ano na presidência da | Internacional

– Quando o homem é vítima de machismo.

Um texto para o “homem moderno”. Na verdade, para uma sociedade justa, não preconceituosa, respeitosa, digna e de equidade aos homens e mulheres:

“O machismo convence o mundo de que um homem deve sentir-se vexado por ganhar menos que a mulher. Convence o mundo de que um homem que abra mão da carreira para cuidar dos filhos é um fracassado disfarçando sua incompetência profissional. Convence-nos de que o homem, sexualmente, deve funcionar como uma máquina que nunca poderá ter falha alguma, seja no porte, na performance ou na vida útil. Que o homem precisa dirigir bem, manobrar com facilidade, saber trocar pneu, desentupir ralo e trocar resistência de chuveiro. Que o homem não deve usar antirrugas, nem corretivo para acne e olheiras, nem filtro solar. Que o homem não deve ter medo de barata, de escuro, de altura, de ficar solteiro, de não poder ter filhos, de se aposentar e sentir-se inútil.”

Na íntegra, abaixo, extraído de: https://emais.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/o-quanto-o-machismo-tambem-reprime-os-homens/

O QUANTO O MACHISMO TAMBÉM REPRIME O HOMEM

por Ruth Manus

Como todos sabemos o comportamento machista não é exclusividade masculina. Há homens machistas, mulheres machistas, músicas machistas, livros machistas, doutrinas machistas. Da mesma forma, o feminismo não é uma luta apenas das mulheres. O feminismo, como já mencionamos aqui no blog, não é o contrário de machismo, mas é a luta por igualdade entre homens e mulheres. E isso interessa todos nós.

A mentalidade machista mata, fere, humilha e reprime mulheres todos os dias, em todos os cantos do mundo. E nós precisamos lutar diariamente contra esse tipo de comportamento, mesmo quando ele se apresenta de forma sutil, disfarçado de piada, de pequena censura.

Mas não são só as mulheres que são vítimas do machismo. Obviamente não estamos comparando dores, nem nivelando os potenciais das agressões. As maiores vítimas do machismo sempre serão as mulheres. Mas talvez esteja na hora de entendermos que a vida de todo mundo seria melhor sem ele.

Começa muito cedo. O antiquado “menino não chora” ainda circula por aí. Por vezes ele se traveste de “vai ficar chorando que nem uma menina?”. O machismo tenta enfiar as lágrimas de volta nos olhos dos meninos, que já crescem com duas ideias erradas: a de que eles não podem ter fragilidades e a de que toda menina é frágil por natureza.

Depois os meninos são tolhidos nos brinquedos. Uma menina jogando bola ou brincando de carrinho pode até ser aceita (embora o mundo prefira vê-la com uma cozinha de plástico cor de rosa). Mas um menino com uma Barbie jamais passará ileso. Um menino que queira brincar de ser pai de uma boneca será motivo de preocupação. Um menino com um bambolê. Um menino que se divirta penteando cabelos.

Mais tarde são os cursos universitários: Nutrição? Enfermagem? Psicologia? Pedagogia? Design de interiores? Gastronomia? O machismo está pronto para mandá-los para a engenharia, para o direito e para administração de empresas. Nas profissões não é diferente. Um amigo que estuda em Barcelona é excelente com crianças, pensou em se oferecer para cuidar de algumas. Mas quem aceitará “um” baby-sitter? Será um pedófilo? Um pervertido? Além disso, misturam-se conceitos, associando profissões a orientação sexual e, de repente, o simples fato de um homem gostar de cortar cabelos ou desenhar roupas já torna-o gay aos olhos dos machismo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas o machismo é muito burro.

O machismo convence o mundo de que um homem deve sentir-se vexado por ganhar menos que a mulher. Convence o mundo de que um homem que abra mão da carreira para cuidar dos filhos é um fracassado disfarçando sua incompetência profissional. Convence-nos de que o homem, sexualmente, deve funcionar como uma máquina que nunca poderá ter falha alguma, seja no porte, na performance ou na vida útil. Que o homem precisa dirigir bem, manobrar com facilidade, saber trocar pneu, desentupir ralo e trocar resistência de chuveiro. Que o homem não deve usar antirrugas, nem corretivo para acne e olheiras, nem filtro solar. Que o homem não deve ter medo de barata, de escuro, de altura, de ficar solteiro, de não poder ter filhos, de se aposentar e sentir-se inútil.

O machismo não costuma matar homens. (a não ser que esse homem beije outro homem no meio da Avenida Paulista). O machismo prefere matar mulheres. O machismo odeia todas as mulheres que não se encaixam em seu asqueroso e pobre padrão. Mas também odeia os homens que não correspondem às suas tristes expectativas. E reprime-os. Julga-os. Condena-os. Não os mata com armas de fogo, não os espanca no chão da cozinha, não os violenta nos becos escuros. Mas mata, sim, a cada dia, um pouco das sua liberdade, da sua paz, dos seus sonhos.

Morte grande e sangrenta ou morte pequena e sutil, somos todos vítimas do mesmo machismo. E a luta contra ele é uma só: uma luta sem gênero, protagonizada por todos os que sabem que não queremos seguir caminhando por caminhos trilhados por uma mentalidade tão pobre, tão atrasada e tão carregada de ódio.

esteriotipos-11475133-2510-thumb-570

– Abolição da Escravatura: E aí?

Hoje se recorda a Abolição da Escravatura do Brasil. Mas muitas teorias absurdas de pseudo-intelectuais ainda ganhavam coro na Europa, como a do iluminista escocês David Hume, que no longíquo 1770 dizia:

Que negros sejam naturalmente inferiores aos brancos”.

Idiotice da época. A cor da pele nada faz para que se mude a dignidade das pessoas. Mundo afora tivemos racismos históricos. A escravidão no Brasil é exemplo clássico.

Porém, em 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel aboliu a escravatura. Foi a salvação para os negros?

Nada disso. Foi uma demagoga lei. No dia 12, eles dormiam em Senzalas e se alimentavam muito mal. No dia 13, foram livres e ficaram sem casa e sem comida.

Claro, o acerto foi a proibição da exploração. O grande erro foi a falta de assistencialismo da Lei, que deixou os pobres escravos ao Deus-dará.

Fica a histórica indagação: a Princesa Isabel bobeou e não pensou no futuro dos ex-escravos, ou simplesmente fez politicagem para ganhar os louros da fama?

algemas-negros-libertacao-escravos

– Que infeliz fala, Chú! Ainda bem que se desculpou…

O futebol feminino é um meio que sofre com o preconceito: lesbianismo, pobreza, crenças diversas e outras nuances nas quais as atletas envolvidas não conseguem ter paz.

E não é que uma jogadora do Palmeiras deu uma declaração infeliz e precisou se desculpar?

Conheça “o rolo que se meteu” Chú Santos, extraído de: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/danilo-lavieri/2021/05/10/fala-preconceituosa-de-atleta-do-palmeiras-irrita-time-diretor-e-parceiros.htm

FALA PRECONCEITUOSA DE ATLETA DO PALMEIRAS IRRITA TIME, CÚPULA E PARCEIROS.

Chú Santos, atleta do time feminino do Palmeiras e da seleção brasileira, incomodou a todos com a sua fala preconceituosa sobre o ator Paulo Gustavo, que morreu na semana passada vítima do covid-19.

De acordo com apuração do blog, a diretoria recebeu reclamações de outras jogadoras do elenco e até de pessoas ligadas a parceiros como a Puma. A cúpula do departamento também se irritou com a situação e aplicou multa no salário dela.

Apesar disso, ela foi escalada no fim de semana para enfrentar o Corinthianspelo Brasileirão feminino, no dérbi em que as corintianas fizeram manifestação a favor do amor, como forma de resposta ao ato de Chú.

A reação pública já havia sido amplamente negativa para a atacante e para o clube, que soltou nota repudiando a atitude, mas disse que tomaria medidas apenas internamente. Durante o fim de semana, jogadoras de todos os times e até as palmeirenses usaram suas redes sociais para rebater Chú.

Dentro do vestiário, a jogadora recebeu duras críticas de suas companheiras, especialmente pelo futebol feminino lutar diariamente contra preconceitos em geral da sociedade e até mesmo de pessoas do esporte. O trabalho é para que ela volte a ter ambiente para continuar defendendo o Alviverde. Ela, inclusive, se desculpou perante a todos.

Já a Puma também tem trabalhado em suas campanhas o fim das desigualdades e do preconceito de forma geral e tem tomado medidas para incentivar também o futebol feminino, como colocar na renovação de contrato premiação por títulos para as mulheres.

O comentário foi feito em uma publicação de outra pessoa, que falava sobre as diferenças entre o vereador evangélico Irmão Lazaro (PL) e Paulo Gustavo, homossexual e umbandista. Ambos foram vítimas da covid-19.

“Morreram pelo mesmo vírus, a diferença é que Lazaro foi para o céu, e Paulo Gustavo, para o inferno”, disse a palmeirense. Após toda a repercussão, ela usou as redes sociais para pedir desculpas.

Como já mostrou o UOL Esporte, intolerância religiosa é crime e prevê reclusão de dois a cinco anos a quem cometer “crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Chú Santos, jogadora do Palmeiras e da seleção brasileira, em campo pelo Brasileirão Feminino - Rebeca Reis/AGIF

Imagem: Rebeca Reis/AGIF

– Existe ciúme entre Árbitro e Árbitra na carreira e nas escalas no futebol?

Ontem, participei como ouvinte do “Seleção JP”, no pré-jogo de Corinthians x São Paulo, com o Wanderley Nogueira na Rádio Jovem Pan (ops: acertei o palpite do Majestoso: empate, justificado pelo estilo de arbitragem). Na oportunidade, falando sobre o caso Edina, Leandro e Ana Paula (sobre a expulsão do 4o árbitro da bolha sanitária, vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-uCc). Após pergunta do jornalista Bruno Prado, o Wanderley interpelou com uma EXCELENTE questão: “Nos bastidores, existe ciúme entre ‘os moços, os árbitros’, com ‘as moças, as árbitras'”?

E a resposta não poderia ser outra: sim! E expliquei alguns tipos de “queixas” que os árbitros, na surdina, faziam e fazem. Compartilho, desenvolvendo melhor o pensamento:

Desde os tempos de Léa Campos (a pioneira mulher a apitar jogos importantes no Brasil e no Mundo e impedida pela Ditadura Militar de arbitrar jogos “por ser mulher”) existe preconceito. A novidade, nos dias atuais, é o ciúme, que deu o seu braço de inveja para o preconceito e caminham de mãos dadas.

Na virada dos anos 90/2000, Eduardo José Farah resolveu dar oportunidades às mulheres na arbitragem e no futebol feminino em geral. Criou o “Paulistana” com a TV Bandeirantes e deu muitas chances aos talentos femininos (Farah teve inúmeros e condenáveis pecados, mas uma justiça deve ser feita: com ele, surgiram mais árbitros negros e árbitras no futebol paulista – e que abraçaram o sucesso ou não dependendo das suas atuações, sempre muito bem avaliadas pelo Prof Gustavo Caetano Rogério, que tinha um incrível olho clínico para revelar talentos no apito).

A isso se dá o nome de “equidade” (diferente de “igualdade”), ou seja, chances para quem estava esquecido ou era mal visto (mulheres, como Sílvia Regina e outras; negros, como João Paulo Araújo, Paulo César de Oliveira, entre outros). Aliás, quantos árbitros negros e árbitras tivemos antes desse período? E treinadores negros, hoje?

No período citado, ao ver Sílvia Regina apitando e moças bem jovens bandeirando (Ana Paula Oliveira, Aline Lambert e Maria Elisa Correa Barbosa), a queixa dos árbitros enciumados era: “só apita porquê é mulher”, ou: “reparou que não tem bandeirinha feia”? E por aí vai. Aqui, minha consideração: Sílvia era uma árbitra comum – nenhum talento acima da média como Paulo César de Oliveira no auge de sua carreira, tampouco uma tragédia dentro das 4 linhas. Sua qualidade era aceitável, e os erros, normais a todos os outros árbitros. Já as bandeiras eram realmente muito boas: as 3 que citei, e que trabalhei em várias oportunidades, sempre tiveram qualidade acima de muitos homens. Talvez, justamente por serem mulheres e conseguirem maior concentração, focavam muito bem nos impedimentos.

Naquele período “o que pegou” foi: “Teste físico”. Um árbitro precisava correr 2700m em 12 minutos para apitar um jogo profissional da A1. Uma árbitra, 2400m no mesmo tempo. Assim, o homem não poderia apitar se corresse 2699m, mas a mulher que corresse 2401m, sim. E aqui Tite foi incompreendido certa vez, quando disse num Corinthians x São Paulo que a Sílvia Regina apitou mal pois ficou longe dos lances no final da partida, pois não tinha condição física igual a dos homens (o treinador foi criticado por isso na época e chamado de “machista”).

Mais tarde, surgiu um segundo novo momento da arbitragem feminina: a da exigência de tempos iguais para árbitros e árbitras para apitarem os jogos. E aqui destacaram-se pelo bom condicionamento físico algumas bandeiras (Renata Ruel, hoje comentarista na ESPN; Tatiane Sacilotto, na CEAF-SP) e a árbitra Regildênia de Holanda, cotada para entrar na vaga de Nadine Bastos na Globo – fez um teste piloto, segundo o UOL – e que vive uma situação complicada no Sindicato dos Árbitros, pois é vice-presidente lá mas trabalha como observadora na FPF, o que tem sido criticado por colegas.

Essas árbitras e assistentes não ficavam devendo em desempenho quanto aos homens. As bandeiras, foram igualmente competentes acima da média quanto as citadas anteriormente. Regildênia, absurdamente veloz nos testes físicos (ela voava nas pistas de atletismo!), com o mesmo desempenho técnico de Sílvia – ou seja, normal (isso não é demérito, que não se interprete errado). Aqui, do preconceito passou para o ciúme, com queixas do tipo: “tem que escalar por que é mulher”; ou: “estão tirando escala dos homens competentes somente para fazer média com as mulheres”. Havia também o fato de Marco Polo Del Nero estar no cargo e criar cursos exclusivos para árbitras, levando a outras interpretações muito contestadas por aí (que não valem a pena ser discutidas, pela figura nefasta que ele foi para o futebol paulista).

Por fim: chegamos ao advento “Edina Alves”, uma árbitra FIFA de melhor qualidade do que as árbitras centrais citadas (não sendo um fenômeno, mas sim, repito, de qualidade muito boa). Edina provoca ciúmes reais nos seus companheiros: ela vai às Olimpíadas de Tóquio, foi pioneira como mulher no Mundo Árabe no Mundial de Clubes da FIFA e passou a ser uma “ameaça” à vaga como representante da Copa de 2022 a Raphael Claus e Wilton Sampaio (ops: não se entenda que eles sejam os ciumentos ou torçam contra). Acrescento também o nome da árbitra assistente Neuza Back, de qualidades idênticas em sua função.

Como Edina está em vários jogos e aparecendo mais, os erros dela serão logicamente mais notados. E os árbitros que a criticam, criticam “com a boca cheia” quando os vêem. Pessoas que não são adeptas de mulheres no futebol feminino, deleitam-se nesses equívocos. A desculpa aqui é: “vivemos na era da diversidade, do politicamente correto, só por isso ela está escalada”.

Enfim: respeito todas as opiniões contrárias, mas hoje, deixo claro, defendo a meritocracia, a equitativa oportunidade e a igualdade de deveres e direitos independente do gênero. Aliás, falando em gênero, se com a Edina temos preconceito, imagine se tivéssemos um transsexual na elite, como o caso que aqui falamos em Israel, dias atrás? Vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-uwy.

Feliz dia das Mulheres – Árbitras no Futebol | Refnews - Arbitragem de futebol em foco
Foto: Refnews.