– Compactua com a declaração de Abel, diretoria do Palmeiras? Ou teremos uma “DR”?

Abel Ferreira, após Independiente Del Valle 0x1 Palmeiras, disse em entrevista coletiva:

“Espero que a diretoria do Palmeiras não venda o Rony. Já que ninguém entra, espero que ninguém saia também”.

Será que a diretoria do clube tem recebido tais declarações com tranquilidade? Se eu sou o empregador, e meu empregado me cobra publicamente, isso pode ter implicações na relação de trabalho.

  1. Eu sei que para muitos o futebol é um “mundo a parte”e às vezes é mesmo.
  2. É sabido que Abel quer reforços, e se eles não chegarem, não quer perder nenhum jogador.
  3. Por fim, sabemos também que o Palmeiras vai vender algum atleta jovem para fazer caixa – isso é público, o orçamento tem que fechar.

A pergunta é: Presidente do Clube, Diretor de Futebol e Treinador conversarão reservadamente sobre tal episódio ou nada disso? Haverá uma “DR” (discussão do relacionamento)?

Independiente del Valle x Palmeiras: como assistir ao jogo da Libertadores

– Os 7 mitos futebolísticos do Brasil, segundo a France Football

Há 1 mês, a Revista France Football divulgou em seu site uma matéria sobre “7 falsas idéias sobre o futebol brasileiro”, querendo desvendar os mitos que os apaixonados pelo esporte acreditam.

São eles (extraídos de: http://is.gd/sAOvNe):

1 – O FUTEBOL BRASILEIRO É ESPETACULAR

A Seleção Brasileira, há muito, perdeu o seu encanto, seu toque de loucura que a diferenciava de todas as outras. Foi-se o tempo do futebol bonito, agora, é eficência em primeiro lugar.

2 – TODOS OS BRASILEIROS TÊM TÉCNICA


No imaginário ocidental, o jovem brasileiro aperfeiçoa suas técnicas com os pés enfiados nas areias de Copacabana debaixo do sol e nas quadras de futsal. Mas o futebol de alguns brasileiros, e não apenas daqueles que jogam no Campeonato Francês, entretanto, faz questionar se eles acharam a porta do ginásio ou se não se confundiram com uma sala de musculação hiperequipada’.

3 – LATERAIS COMO ZAGUEIROS


Djalma Santos, Carlos Alberto Torres, Cafu, Roberto Carlos… Toda seleção brasileira campeã do mundo teve laterais muito ofensivos, até chegar a Copa de 2014 e a dupla Marcelo-Daniel Alves ser atacada por todos os lados [a revista não cita, mas vale lembrar que no 7 a 1 para a Alemanha foi Maicon quem jogou]. A aposta de Dunga é em Danilo e Filipe Luis, menos ofensivos e mais robustos. 

4 – OS GOLEIROS SÃO RUINS


Quem se atreve a dizer que o Brasil não tem grandes goleiros? Gilmar [dos Santos Neves, arqueiro do bi em 1958 e 1962], Taffarel, Dida, Júlio César… E o país ainda tem o artilheiro dos goleiros, Rogério Ceni.

5 – SEMPRE HÁ FESTA NAS ARQUIBANCADAS [ESTÁDIOS CHEIOS]


Imaginar que o público que se viu na Copa do Mundo é o de sempre no Brasil é uma miragem. A média dos dois últimos Brasileiros não passou de 16 mil espectadores [na edição 2013, a média foi de 14.951, e na de 2014, de 16.555]. 

6 – O NÍVEL DO CAMPEONATO [BRASILEIRO] É BAIXO

É sempre a mesma coisa: os ex-jogadores do país, após pararem, dizem que o campeonato do país era melhor antes. A Federação Internacional de Futebol, História e Estatística (IFFHS) põe o Brasileiro como o quarto melhor do mundo, só atrás de Inglês, Espanhol e Italiano.

7 – OS JOGADORES SÃO MUITO RELIGIOSOS


Sim, é verdade! É difícil escapar de Deus quando há um jogo do Brasil. Edmilson, Kaká, Thiago Silva e os dedos de Neymar apontados para o céu… Os jogadores rezam juntos e fazem sinais ao céus no limite do proselitismo.

E o que você pensa sobre os “supostos mitos”? Os franceses estão ou não com a razão?

Deixe sua opinião:

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– O que acontecerá com o Clube São João?

Que tristeza… Li no Blog do jornalista amigo Rivelino Teixeira: o tradicionalíssimo Clube São João, no bairro da Ponte São João em Jundiaí (quem não o conhece na região?) pode fechar!

Extraído de: https://www.facebook.com/rivelino.teixeira.94/posts/1634832503374889

CLUBE SÃO JOÃO

Plantão do Lance Livre – Informa:

MAIS UM GIGANTE DE JUNDIAÍ ESTÁ MORRENDO!
Com 108 de existência (Fundado em 14 de abril de 1913), o Clube São João de Jundiaí pode fechar as portas.
O Conselho Deliberativo do clube publicou o edital de convocação para seus sócios onde irá apresentar de maneira oficial os números, a condição financeira e a possível dissolução do clube.
No edital, a reunião está marcada para o dia 30 de maio, o principal assunto é apresentar a realidade atual da entidade, e que segundo informações tem uma dívida que ultrapassa os 6 milhões de reais.
Uma grande história do esporte que pode estar terminando.
O Clube São João, está seguindo o mesmo caminho de gigantes do esporte, cultura e lazer de Jundiaí, assim como foi com a Esportiva, Nacional, Floresta, Jaú e Ipiranga.
A dura realidade do país, atinge a sociedade e clube associativo é um reflexo da condição financeira do Brasil.
Triste e lamentável!
O ÚLTIMO QUE SAIR, APAGUE A LUZ.

– A análise das escalas de árbitros das 4as de final do Paulistão.

Para os jogos na fase “mata” do Paulistão (não são partidas de ida e volta, ou seja, mata-mata”) foram divulgados os árbitros para as importantes partidas:

    – Corinthians x Internacional: Douglas Marques das Flores.
Assisti vários jogos do Douglas presencialmente. Outras gestões da CEAF-SP tentaram “forçar” suas escalas em sequências de jogos, nas quais ele ainda estava muito despreparado. Da 4a divisão de SP, pulou para a A2 e A1 no mesmo ano, não se sustentando. Com inúmeras oportunidades, foi ganhando espaço e chegou a ser escalado (surpreendentemente e sem rodagem) para jogos da série A do Brasileirão. Nestas partidas, mostrou-se inseguro, sendo seu grande defeito a questão técnica e o excessivo auxílio do VAR.
É lógico que com muitos jogos, tende a corrigir os erros e evoluir. Em tese, dará conta tranquilamente em um jogo envolvendo time grande contra pequeno.
Sobre alguns jogos nos quais ele atuou, aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2019/07/16/o-gol-anulado-do-vozao-em-fluminense-1×1-ceara/

    – Mirassol x Guarani: Thiago Luís Scarascati.
Thiago apitou final de Copa SP Jr, fez vários jogos entre times grandes e pequenos, e ainda busca sua oportunidade em um clássico. Talvez não tenha tido as melhores oportunidades que merecia, mas sempre se mostrou regular. Não deve ter problemas neste jogo.

    – São Paulo x Ferroviária: Salim Fende Chavez.
Salim foi um dos árbitros que mais andou evoluindo nos últimos anos (embora, precisa evoluir ainda mais). Nas séries inferiores, sempre esteve muito “verde” dentro de campo, foi ganhando experiência e “aprendendo a apitar” em meio às escalas de jogos profissionais. Hoje, é um árbitro seguramente muito melhor do que há 3 anos – mas tomara que não tenha chegado ao seu limite técnico.

    – Red Bull Bragantino x Palmeiras: Raphael Claus (com Edina Alves Batista como 4ª árbitra).
Nem em Campeonato Brasileiro temos visto Árbitro e seu Reserva pertencendo ao quadro da FIFA, mas veremos em Bragança Paulista. E isso aqui nos dá muitas observações (já que os dois escalados são concorrentes à uma vaga na Copa do Mundo do Catar).
1- O jogo ganhou status de “clássico”, já que é a arbitragem mais qualificada da rodada.
2- Edina volta a ser escalada após um tempo “descansando”, depois da situação complicada em que se envolveu em Internacional 0x2 Red Bull Bragantino (vide aqui: https://professorrafaelporcari.com/2021/05/02/a-confusao-entre-os-arbitros-paulista-apos-o-episodio-de-vaidade-na-bolha-sanitaria/).
3- Abel Ferreira, que tem reclamado bastante dos árbitros, não poderá nem pensar em questionar os critérios da escala, já que todos são da elite neste jogo (aliás, perceberam que depois que o treinador do Palmeiras reclamou da tabela do Paulistão, somente árbitros FIFA foram escalados?).

Desejo bons jogos e grande arbitragem a todos.

Como ficaram as quartas de final do Paulistão 2021 – Arquibancada Tricolor

– Que infeliz fala, Chú! Ainda bem que se desculpou…

O futebol feminino é um meio que sofre com o preconceito: lesbianismo, pobreza, crenças diversas e outras nuances nas quais as atletas envolvidas não conseguem ter paz.

E não é que uma jogadora do Palmeiras deu uma declaração infeliz e precisou se desculpar?

Conheça “o rolo que se meteu” Chú Santos, extraído de: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/danilo-lavieri/2021/05/10/fala-preconceituosa-de-atleta-do-palmeiras-irrita-time-diretor-e-parceiros.htm

FALA PRECONCEITUOSA DE ATLETA DO PALMEIRAS IRRITA TIME, CÚPULA E PARCEIROS.

Chú Santos, atleta do time feminino do Palmeiras e da seleção brasileira, incomodou a todos com a sua fala preconceituosa sobre o ator Paulo Gustavo, que morreu na semana passada vítima do covid-19.

De acordo com apuração do blog, a diretoria recebeu reclamações de outras jogadoras do elenco e até de pessoas ligadas a parceiros como a Puma. A cúpula do departamento também se irritou com a situação e aplicou multa no salário dela.

Apesar disso, ela foi escalada no fim de semana para enfrentar o Corinthianspelo Brasileirão feminino, no dérbi em que as corintianas fizeram manifestação a favor do amor, como forma de resposta ao ato de Chú.

A reação pública já havia sido amplamente negativa para a atacante e para o clube, que soltou nota repudiando a atitude, mas disse que tomaria medidas apenas internamente. Durante o fim de semana, jogadoras de todos os times e até as palmeirenses usaram suas redes sociais para rebater Chú.

Dentro do vestiário, a jogadora recebeu duras críticas de suas companheiras, especialmente pelo futebol feminino lutar diariamente contra preconceitos em geral da sociedade e até mesmo de pessoas do esporte. O trabalho é para que ela volte a ter ambiente para continuar defendendo o Alviverde. Ela, inclusive, se desculpou perante a todos.

Já a Puma também tem trabalhado em suas campanhas o fim das desigualdades e do preconceito de forma geral e tem tomado medidas para incentivar também o futebol feminino, como colocar na renovação de contrato premiação por títulos para as mulheres.

O comentário foi feito em uma publicação de outra pessoa, que falava sobre as diferenças entre o vereador evangélico Irmão Lazaro (PL) e Paulo Gustavo, homossexual e umbandista. Ambos foram vítimas da covid-19.

“Morreram pelo mesmo vírus, a diferença é que Lazaro foi para o céu, e Paulo Gustavo, para o inferno”, disse a palmeirense. Após toda a repercussão, ela usou as redes sociais para pedir desculpas.

Como já mostrou o UOL Esporte, intolerância religiosa é crime e prevê reclusão de dois a cinco anos a quem cometer “crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Chú Santos, jogadora do Palmeiras e da seleção brasileira, em campo pelo Brasileirão Feminino - Rebeca Reis/AGIF

Imagem: Rebeca Reis/AGIF

– Novas Invenções de Jogadas Ensaiadas no Futebol

Há 4 anos…

Cobrar tiro livre com 6 batedores pode?

O Kyoto Sanga (conhecido como “The Purple”), time da 2a divisão japonesa, mostrou que no futebol ainda há espaço para invenções.

Em um jogo da J-League 2 a equipe faz um golaço numa cobrança de falta. O detalhe: havia 6 batedores!

Parece hilário, mas resultou em gol e foi válido.

Importante- ao ver o curioso lance, já saiba de antemão: a artimanha pode ser feita em uma cobrança de falta, mas não pode em um pênalti, já que no tiro penal o jogador deve ser devidamente identificado.

No link: http://is.gd/T3B6H9

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– Saudade dos gramados!

Que saudade de uma tarde de futebol no Estádio Jayme Cintra…

Tomara que voltemos à normalidade logo.

Essa foto, há 4 anos, num sábado (preciso achar quem era o adversário do Paulista FC), da cabine do Time Forte do Esporte de Adilson Freddo, na Rádio Difusora.

📸 🌈 ⚽️ #FOTOGRAFIAéNOSSOhobby
#soccer #futebol #rainbow #arcoíris #Jundiaí #rádio

– Os Áudios da Corrupção no Futebol

Há 3 anos… para que não se esqueça:

Se esses senhores citados nesta matéria fazem isso sem escrúpulos nas negociações, é de se duvidar que façam em outras áreas do futebol (como arbitragem, administração, pessoal, marketing e publicidade)?

Sobre a vergonhosa gravação de J Hawilla, envolvendo Kleber Leite, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero (surgida hoje), abaixo,

Extraído de: http://interativos.globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/especial/grampos-revelam-como-funcionava-distribuicao-de-propina-no-caso-fifa

ÁUDIOS DA PROPINA

Grampos revelam como funcionava distribuição de propina no “Caso Fifa”. Áudios e documentos mostram que empresários subornaram dirigentes para obter contratos

10/05/2018 15h00 – Reportagem por Martín Fernandez,Desenvolvimento por Carlos Lemos

Na manhã de 9 de maio de 2013, o empresário brasileiro J. Hawilla acordou com o toque do telefone em sua suíte no hotel Mandarin, em Miami. No lobby do cinco estrelas, agentes do FBI, a polícia federal americana, o esperavam para prendê-lo por obstrução de justiça. No dia seguinte – exatamente cinco anos atrás – o dono da Traffic, então uma das maiores agências de marketing esportivo do mundo, começou a colaborar com as autoridades americanas nas investigações do “Caso Fifa”.

José Hawilla

Empresário, dono da Traffic. Foi preso pelo FBI em 2013, confessou vários crimes e virou um dos principais colaboradores da justiça nos EUA no “Caso Fifa”

Em troca de não ser processado por alguns crimes, Hawilla passou a gravar telefonemas e reuniões pessoais com dirigentes de futebol, funcionários de suas empresas, sócios e concorrentes. O empresário também forneceu documentos, contratos e relatou encontros dos quais participou. Sua colaboração foi decisiva para as investigações, em curso até hoje, que resultaram no indiciamento de dezenas de cartolas, entre eles os três últimos presidentes da CBF e os três últimos presidentes da Conmebol.

Os grampos de J. Hawilla e centenas de documentos relativos ao caso mostram o dono da Traffic e seus interlocutores discutindo abertamente o pagamento de propina para cartolas em troca dos direitos comerciais da Copa do Brasil e da Copa América, entre outras competições. O “Caso Fifa” atingiu diretamente os dois últimos presidentes da CBF: Marco Polo Del Nero foi banido de todas as atividades relacionadas a futebol e José Maria Marin foi preso. Parte das gravações feitas por Hawilla foi divulgada pela TV Record em dezembro de 2017.

O esquema funcionava assim, segundo a investigação: as agências subornavam os dirigentes para conseguir a preço baixo os contratos de campeonatos da CBF e da Conmebol. Os direitos comerciais das competições eram cedidos a esses intermediários sem que houvesse nenhum tipo de concorrência. Os direitos depois eram revendidos para emissoras de TV e patrocinadores por valores muito mais altos. Com parte do lucro da operação, as agências pagavam os subornos aos cartolas. O caso corre nos EUA porque os esquemas de corrupção usavam bancos e empresas americanas para movimentar dinheiro.

O GloboEsporte.com procurou todas as pessoas citadas nesta reportagem. Hawilla, que é acionista da TV Tem, afiliada da Rede Globo, não comentou. A defesa de Marco Polo Del Nero afirmou que não há provas de que o cartola tenha recebido suborno. Por meio de seu advogado, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira afirmou que as gravações de Hawilla “não têm legitimidade nem verossimilhança” e por isso vai processar o empresário. Os advogados de José Maria Marin não quiseram comentar o caso. O empresário Kléber Leite, que foi grampeado por Hawilla, afirmou que não reconhece as gravações como idôneas. Sua nota completa está publicada ao fim deste texto.

– Há flagrante manipulação nos diálogos. Uma total desconexão entre o que se pergunta e o que se responde. Jamais nos diálogos reais, verdadeiros, mantidos por mim, com o delator e réu confesso José Hawilla, houve menção a nomes de pessoas, ao contrário do que ocorre nas gravações, quando os nomes são citados, exclusivamente, por ele.

Copa do Brasil: propina milionária

O diálogo reproduzido a seguir se deu no dia 2 de abril de 2014 entre os empresários José Hawilla e Kléber Leite, respectivamente donos das agências de marketing esportivo Traffic e Klefer, empresas que até hoje são donas de parte dos direitos da Copa do Brasil. Durante décadas, os dois empresários foram amigos e sócios. Romperam depois que o escândalo de corrupção se tornou público e ficou claro que Hawilla havia grampeado Leite.

J. HAWILLA — O Marin e o Marco Polo sabem que você está pagando mais para o Ricardo?

KLÉBER LEITE — Claro que sabem.

J. HAWILLA — Que você paga mais?

KLÉBER LEITE — Não. Não pago mais, Hawilla. É um e um.

J. HAWILLA — Mas esse um do Marin ele divide com o Marco Polo, não divide?

KLÉBER LEITE — Divide. Como eles fazem, não tenho a menor ideia.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, os direitos da Copa do Brasil foram obtidos graças ao pagamento de propinas milionárias para os três últimos presidentes da CBF: Ricardo Teixeira (1989-2012), José Maria Marin (2012-2015) e Marco Polo Del Nero (2015-2018).

O “um” citado no diálogo é o valor do suborno. R$ 1 milhão por ano para Ricardo Teixeira e mais R$ 1 milhão por ano para ser dividido entre Marin e Del Nero. A conversa por telefone foi gravada por J. Hawilla, que atuava orientado por promotores de Nova York e agentes do FBI.

Marin foi condenado pela Justiça dos EUA e está preso enquanto aguarda a divulgação de sua sentença. Teixeira e Del Nero não ocupam mais cargos no futebol. Os dois estão no Brasil, país que não extradita seus cidadãos. Sempre que se pronunciaram sobre o assunto, Del Nero e Teixeira afirmaram ser inocentes.

Em entrevista à TV Globo no dia 27 de maio de 2015, Kléber Leite afirmou que nunca pagou propina a nenhum dirigente. De fato, não há nenhuma acusação contra o empresário, nem no Brasil nem nos EUA.

— Jamais usamos deste expediente para obtenção de qualquer contrato ao longo dos 32 anos de vida da Klefer.

Em dezembro de 2011, três meses antes de deixar a presidência da CBF, Ricardo Teixeira vendeu os direitos das edições de 2015 a 2022 da Copa do Brasil para a Klefer, empresa de Kléber Leite. Por que 2015? Porque os direitos do torneio até 2014 já estavam vendidos para a Traffic, de J. Hawilla.

Valor do contrato com a Klefer: R$ 1.319.000,00 por ano em troca de todos os direitos da Copa do Brasil com “exceção de internet e transmissão por TV dos jogos da categoria masculina para território brasileiro e transmissões estrangeiras em língua portuguesa, cujos direitos a CBF cedeu à Rede Globo”.

Contrato de dezembro de 2011 em que a CBF vende os direitos da Copa do Brasil para a Klefer

Numa das conversas gravadas por Hawilla, em 26 de março de 2014, Kléber Leite dá a entender que, por este acordo entre 2015 e 2022, a Klefer pagava uma propina anual de R$ 2 milhões para Teixeira, Marin e Del Nero.

KLÉBER LEITE — Hawilla, eu tenho impressão, eu tenho impressão, que antes era um e meio. Eu tenho impressão que antes era um e meio. Esse um e meio reduziu para um, para ter mais um para os outros caras.

Os “outros caras” são José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Em 12 de março de 2012, acossado por denúncias de corrupção dentro e fora do Brasil, Ricardo Teixeira renunciou à presidência da CBF e aos cargos que ocupava na Fifa e na Conmebol.

Na CBF, Teixeira foi sucedido por Marin, na época o vice-presidente mais velho da entidade. Os postos nos Comitês Executivos da Conmebol e da Fifa foram ocupados por Del Nero. A dupla passou a mandar no futebol brasileiro. Del Nero e Marin, segundo a investigação americana, herdaram mais do que os cargos.

Em agosto de 2012, cinco meses depois da renúncia de Teixeira, Klefer e Traffic assinaram um acordo sobre a Copa do Brasil. Em vez de uma agência (Traffic) explorar comercialmente o torneio em 2013 e 2014 e a outra (Klefer) de 2015 até 2022, elas trabalhariam juntas por todo o período. Como a Klefer detinha originalmente um contrato mais longo, a Traffic concordou em pagar R$ 12 milhões como compensação.

Klefer e Traffic entram em acordo para explorar em conjunto a Copa do Brasil até 2022

Segundo os grampos e os documentos, o acordo também previa uma nova divisão do pagamento de propina. Teixeira, que recebia R$ 1,5 milhão sozinho, teve sua “cota” anual rebaixada para R$ 1 milhão. Marin e Del Nero, que acabavam de chegar ao comando da CBF, também recebiam R$ 1 milhão – valor que deveria ser dividido entre eles. Os detalhes foram discutidos numa conversa entre J. Hawilla e Kleber Leite gravada no dia 2 de maio de 2014.

KLÉBER LEITE —

Foi uma maneira que nós encontramos

de dar uma equilibrada. Porque você tem que atender um lado. Você… e ainda diminuímos o outro. Quer dizer…. Coloquei para um:

“Olha, tem que dar uma diminuída, porque não tem alternativa. Você vai ceder um lado e nós vamos acrescentar outros. Aí emparelha”. Aí tiramos 500 de cá e colocamos mais 500. Ficou um e um. Foi exatamente isso.

J. HAWILLA — Sim, mas o outro um tem que dividir por dois. É isso que estou te falando, pô. Tem que dividir por dois.

KLÉBER LEITE — Mas Hawilla, isso é problema deles, é um problema de ordem interna lá. Eu não tenho que me imiscuir nisso. É problema deles.

J. HAWILLA — Então não é um e um. É 500, 500 e um. Você entendeu?

KLÉBER LEITE — Hawilla, como eles fazem, eu não tenho a menor ideia. Eu não tenho a menor ideia. Para mim é passado e presente. Você tem que respeitar o passado que é lá que foi resolvido. Já foi acordado, o passado resolveu ceder. Cedeu. E a gente acertou aqui o presente e o futuro. Agora, o que que eles fazem, quando dividem, de que forma, não é problema meu. Não tenho nada a ver com isso, pô. Isso é problema deles.

Os mesmos números constam de emails trocados entre funcionários das duas empresas, e em documentos apreendidos por autoridades brasileiras (e enviados aos EUA) na sede da Kléfer, no Rio de Janeiro. O termo “passado” é usado para identificar Ricardo Teixeira, que à época já estava fora da CBF havia quase dois anos. Os termos “presente” e “futuro“ servem para designar a dupla formada por José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

E-mail de funcionário da Kléfer para funcionário da Traffic no qual estão detalhadas as propinas referentes ao contrato da Copa do Brasil

Os codinomes foram repetidos num SMS enviado por Kléber Leite para J. Hawilla no dia 31 de março de 2014.

SMS de Kleber Leite para J. Hawilla no qual estão detalhados os pagamentos para “passado” (Ricardo Teixeira) e para “presente e futuro” (José Maria Marin e Marco Polo Del Nero

Os valores e a forma de pagamento dos subornos foram discutidas várias vezes. Num telefonema gravado no dia 24 de março, o dono da Traffic se referiu às propinas como “o PF dos caras”. O dono da Klefer tentou alertar sobre o perigo de falar sobre o assunto ao telefone.

KLÉBER LEITE — [inaudível] Mas agora não sei se o pagamento… tenho impressão, talvez, que eles tenham feito o pagamento fora. Talvez por aí. Mas pessoalmente a gente conversa sobre isso.

J. HAWILLA – Sei. Mas já pagou uma parcela?

KLÉBER LEITE — Já pagamos. Com absoluta certeza.

J. HAWILLA – Pagou para o Ricardo, o Marco Polo e o Marin?

KLÉBER LEITE — Não… não sei. Hawilla, não vamos falar essas coisas por telefone, não, porque é muito perigoso, bicho. Já basta aquela última lá sobre aquele negócio daquele cara. Falar por essa porra aí é complicado. Pessoalmente a gente fala sobre isso. Eu não estou no Brasil, mas telefone é foda, telefone é uma merda.

J. Hawilla não gravou apenas conversas por telefone. No fim da tarde de 30 de abril de 2014, o empresário se reuniu pessoalmente com José Maria Marin, na época presidente da CBF, no hotel Aqualina, outro cinco estrelas de Miami. O dono da Traffic carregava um gravador escondido e provocou o cartola ao mencionar o pagamento anual de R$ 1 milhão para Ricardo Teixeira, que àquela altura já não era presidente da CBF havia dois anos.

J. HAWILLA —

Agora a Copa do Brasil…

Tem que dar R$ 1 milhão pro Ricardo? Fala para mim.

JOSÉ MARIA MARIN — Eu acho, presta bem atenção, presta bem atenção que, puxa, o que nós já fizemos e estamos fazendo… já era hora de chegar no nosso lado. Não é verdade?

J. HAWILLA — Lógico, lógico. O dinheiro tem que ir para vocês.

JOSÉ MARIA MARIN — É isso.

J. HAWILLA — Não é pra ele.

Em 27 de maio de 2015 Marin foi preso em Zurique. Uma tradução ao inglês desta conversa com J. Hawilla estava no indiciamento tornado público naquele dia pelo Departamento de Justiça dos EUA. O cartola foi extraditado para os EUA seis meses depois e cumpriu prisão domiciliar em seu apartamento na Trump Tower, em Manhattan, até finalmente ser julgado e condenado em dezembro de 2017.

Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira seriam citados num segundo indiciamento, de dezembro de 2015, acusados dos mesmos crimes pelos quais Marin foi condenado. Os dois estavam (e continuam) no Brasil, país que não extradita seus cidadãos, motivo pelo qual nunca foram (nem serão) julgados nos EUA.

Teixeira não exerce desde 2012 nenhum cargo relacionado a futebol. O período de Marco Polo Del Nero como presidente da CBF terminou em 27 de abril de 2018, quando o Comitê de Ética da Fifa o baniu para sempre de todas as atividades relacionadas a futebol. O cartola vai recorrer da decisão da entidade que manda no futebol mundial.

Procurada, a CBF enviou uma nota na qual afirma que fará concorrências para definir os donos dos direitos de suas competições:

– Não existe nenhum contrato ou relação comercial entre a CBF e a empresa Traffic. Com relação à Klefer, existe um contrato firmado em 2011 e com vigência até 2022. A CBF tem buscado sempre que necessário propor renegociações que atendam aos interesses da entidade e dos clubes participantes. Quanto ao futuro, o compromisso da CBF é pela realização de concorrência para definição de detentores de direitos relativos a competições e Seleção Brasileira.

O empresário Kléber Leite enviou a seguinte nota à reportagem:

As gravações que já foram divulgadas há bastante tempo pela TV Record, não reconheço como idôneas. Há flagrante manipulação nos diálogos. Uma total desconexão entre o que se pergunta e o que se responde. Jamais, nos diálogos reais, verdadeiros, mantidos por mim, com o delator e réu confesso, José Hawilla, houve menção a nomes de pessoas, ao contrário do que ocorre nas gravações, quando os nomes são citados, exclusivamente, por ele.

Aliás, há um quadro no programa do Washington Rodrigues, na Rádio Tupi, que é exatamente o que aqui relato, quando o diálogo que vai ao ar sofre manipulação exatamente na fala de quem entrevista.

Diálogo original: “Ô fulano, você gosta de usar a camisa do Flamengo?” Resposta: “Adoro. Simplesmente me realizo. É o meu momento de glória.”

Diálogo que vai ao ar: “Ô fulano, você gosta de se vestir de baiana?” Resposta: “Adoro. Simplesmente me realizo. É o meu momento de glória.”

Nas gravações exibidas pela TV Record que, imagino serem as mesmas mencionadas por você, os meus advogados tentaram realizar perícia, porém, pela qualidade, os peritos contatados afirmaram ser impossível uma avaliação 100% precisa.

Enfim, respeito, mas lamento que este tema, já amplamente divulgado, retorne ao noticiário, como se já não tivesse causado enorme estrago na vida das pessoas.

Copa América: “Vamos todos presos”

Em 1991 começou a funcionar na América do Sul um esquema de corrupção no futebol que só seria interrompido mais de 20 anos depois pelo FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Naquele ano, sem fazer nenhum tipo de concorrência, a Conmebol vendeu para a Traffic os direitos comerciais de três edições da Copa América, a serem disputadas em 1993, 1995 e 1997.

A agência de J. Hawilla pagou US$ 6,6 milhões pelo contrato – US$ 2,2 milhões para cada edição do torneio. O então presidente da Conmebol, Nicolas Leoz, impôs uma condição: só assinaria aquele contrato se recebesse um suborno. J. Hawilla topou pagar.

– Eu não lembro precisamente, mas foi algo como US$ 500 mil. Paguei porque precisava do contrato – confessou o empresário brasileiro durante seu depoimento no julgamento do “Caso Fifa” no Tribunal Federal do Brooklyn em dezembro de 2017.

A Traffic conseguiu os contratos de todas as oito edições da Copa América disputadas até 2011 com o mesmo expediente, pagando propina a quem tomava as decisões na Conmebol. Além de Leoz, J. Hawilla declarou (sob julgamento) ter subornado por vários anos os ex-presidentes da CBF, Ricardo Teixeira, e da AFA (Associação de Futebol Argentino), Julio Grondona, morto em 2014.

Trechos do depoimento de Hawilla à Justiça dos EUA, no qual ele afirma ter subornado Leoz, Teixeira e Grondona

De acordo com várias testemunhas do “Caso Fifa”, o trio mandou no futebol sul-americano sem ser incomodado até 2010. Foi quando a cúpula da Conmebol teve que lidar com o que J. Hawilla chamou de “golpe de estado” dentro da confederação. Os presidentes das federações de Equador, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru e Paraguai criaram um grupo político para reclamar do excesso de poder concentrado em Leoz, Teixeira e Grondona.

O “Grupo dos 6” – que logo passaria a ter a presença do Chile e viraria “dos 7” – exigia o fim dos contratos com a Traffic. Eles queriam que os direitos da Copa América fossem vendidos para a empresa argentina Full Play, dos empresários Hugo Jinkis e Mariano Jinkis, pai e filho.

Também por meio do pagamento de subornos, os Jinkis já haviam estabelecido relações com dirigentes desses países. A pressão deu certo. No dia 8 de junho de 2010, uma reunião em Johanesburgo decretou a derrota da Traffic e a vitória da Full Play. A Conmebol assinou um contrato que dava à empresa argentina todos os direitos da Copa América a partir de 2015.

Problema: a Conmebol já havia vendido os mesmos direitos para a Traffic, como prova um documento assinado por Nicolas Leoz, então presidente da entidade, em fevereiro de 2004.

Contratos assinados pela Conmebol vendendo os mesmos direitos da Copa América de 2015 para duas empresas

J. Hawilla não aceitou apanhar calado. Em novembro de 2011, a Traffic foi para a guerra: entrou com uma ação na Justiça da Flórida, nos EUA, contra a Conmebol, seu presidente Nicolas Leoz, todas as dez federações de futebol da América do Sul e mais a Full Play.

O contra-ataque de Hawilla funcionou. O processo se arrastou por um ano e drenou centenas de milhares de dólares dos cartolas para o pagamento de advogados americanos. Os Jinkis e a Conmebol propuseram a Hawilla uma trégua, um acordo. E ele aceitou.

O dono da Traffic topou encerrar a ação na Justiça dos EUA. Em troca, sua agência de marketing esportivo foi incluída num consórcio, formado por três empresas, que compraria da Conmebol todos os direitos da Copa América dali por diante.

No dia 21 de maio de 2013 formalizou-se a criação da Datisa, uma fusão da brasileira Traffic com as argentinas Full Play, de Hugo e Mariano Jinkis, e Torneos (que neste caso usava o nome “Productora”), controlada pelo empresário Alejandro Burzaco, também já com anos de experiência no pagamento de propina para dirigentes da América do Sul.

No dia 25 de maio, só quatro dias depois de criada, a Datisa comprou da Conmebol as quatro edições seguintes da Copa América: 2015, 2016, 2019 e 2023. De novo, não houve nenhum tipo de concorrência pelos direitos. Só pela assinatura deste contrato, a Datisa distribuiria US$ 20 milhões em subornos para 11 dirigentes da Conmebol.

Esse contrato já previa os valores pelos quais a Datisa compraria cada edição da Copa América: US$ 75 milhões por 2015, US$ 80 milhões por 2019 e US$ 85 milhões por 2023. A edição de 2016, que incluía a participação de times da Concacaf, seria discutida à parte.

O que não estava escrito, mas era sabido por todos os que faziam parte desse acordo: a cada nova edição do torneio, a empresa voltaria a distribuir dezenas de milhões de dólares em propina para os dirigentes do continente.

A criação da Datisa foi formalizada no dia 21 de maio de 2013; quatro dias depois, a empresa já comprava os direitos comerciais da Copa América

Os novos sócios de J. Hawilla não sabiam que ele havia sido preso pelo FBI e estava colaborando com as autoridades americanas que investigavam um grande esquema de corrupção no futebol mundial. Orientado por promotores americanos, o brasileiro gravou reuniões com Burzaco e os Jinkis no hotel Aqualina, em Miami, no dia 30 de abril de 2014. Provocados por Hawilla, os três empresários falam abertamente sobre o pagamento de propina para dirigentes da Conmebol. Quem detalha a divisão do dinheiro é Alejandro Burzaco.

ALEJANDRO BURZACO —

Jota, nossa conta é muito fácil.

Nós damos três ao Brasil, três para a Argentina e três para o presidente. Três ao presidente. E mais: ele substituiu a Nicolas [Leoz] e já nos fez saber no primeiro dia.

Ele, no caso, é Eugenio Figueredo, que sucedeu Nicolas Leoz na presidência da Conmebol em 2013. Figueredo, que confessou ter cometido crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, está em prisão domiciliar no Uruguai. Ele seria substituído em 2014 no cargo pelo paraguaio Juan Angel Napout, que a exemplo de José Maria Marin foi condenado e está preso nos EUA. Na continuação da conversa gravada por Hawilla, Burzaco explica quanto pagava de propina para cada dirigente.

ALEJANDRO BURZACO — ao secretário-geral. E um milhão e meio para sete presidentes.

J. HAWILLA — Para os sete?

ALEJANDRO BURZACO — Sete presidentes, um milhão e meio [de dólares]. Porque há um país a quem não temos que dar nada

J. HAWILLA — Por que?

ALEJANDRO BURZACO — Porque é honesto. E agora acabam de expulsá-lo.

MARIANO JINKIS — Acabam de expulsá-lo porque é o único…

ALEJANDRO BURZACO — Então nunca demos nada a ele. E economizamos esse dinheiro.

O “honesto” citado por Burzaco é Sebastian Bauzá, ex-presidente da Associação Uruguaia de Futebol (AUF), que se recusou a assinar o contrato com a Datisa. Procurado pelo GloboEsporte.com, Bauzá afirmou que não dá entrevistas para veículos de outros países.

Os contratos e os grampos mostram que o esquema de corrupção se tornou mais abrangente ao longo do tempo. Os presidentes da Conmebol e das federações de Brasil e Argentina ainda eram os mais caros na prateleira dos cartolas, mas os outros também tinham que ser comprados.

Numa conversa gravada por J. Hawilla, o argentino Mariano Jinkis, dono da Full Play e 31 anos mais jovem que seu interlocutor, explica ao empresário brasileiro que houve uma mudança geracional na cartolagem e que por isso seria preciso pagar mais dinheiro a eles.

MARIANO JINKIS —

Jota. Hoje os presidentes

sabem que vamos ganhar US$ 100 milhões [de lucro]. Os presidentes têm internet. Não são Nicolas Leoz. Têm internet. Eles se falam por Facebook. Falam com os clientes em cada país.

Em outra gravação do dia 30 de abril de 2014, em Miami, os empresários contam detalhes do pagamento de propina para dirigentes da Conmebol e da Concacaf em troca desses contratos. Instigados por Hawilla, que atuava como um agente dos investigadores americanos, Burzaco e Hugo Jinkis comentam as possíveis consequências de seus atos.

J. HAWILLA —

Quem pode ser prejudicado

com esta coisa?

ALEJANDRO BURZACO — O que você quer dizer? Com este contrato? Com este assunto? Todos. Se vem a…

J. HAWILLA — Prejudicado. Quem pode ser prejudicado com isso? Alguém? Conmebol pode sofrer algum prejuízo com isso?

ALEJANDRO BURZACO — Todos podemos sair prejudicados com isso. Todos. Amanhã vem a agência de lavagem de dinheiro de Buenos Aires, para citar uma. Ou a do Brasil, ou o DEA, ou qualquer uma. E dizem: “O que são todos esses pagamentos? Isso não tem consistência”. E começam a rastrear. […] Vamos todos presos. Todos, todos, ele, você…

HUGO JINKIS — É o risco do nosso negócio.

Burzaco estava quase certo. Todos os participantes desta reunião tiveram algum tipo de problema com a Justiça, mas em graus bem diferentes. J. Hawilla, que havia sido preso um ano antes, continua até hoje colaborando com as autoridades americanas. Ele está no Brasil, com autorização do Departamento de Justiça dos EUA, e tem que voltar a Nova York para ouvir sua sentença, prevista para ser divulgada em outubro de 2018.

Os outros três empresários foram indiciados pelo Departamento de Justiça dos EUA em 27 de maio de 2015, mas tomaram atitudes diferentes: Burzaco se entregou dias depois na Itália, foi extraditado para os EUA e virou um dos maiores delatores do “Caso Fifa”. Procurado, seu advogado não quis comentar as gravações feitas por J. Hawilla.

Hugo e Mariano Jinkis chegaram a ser detidos na Argentina, mas o país se recusou a extraditá-los para os EUA. Os dois hoje estão em liberdade. O advogado que os defende na Argentina afirmou ao GloboEsporte.com que eles não falam com a imprensa sobre o caso.

A Conmebol implodiu depois que o “Caso Fifa” se tornou público. Seus três últimos presidentes – Nicolas Leoz, Eugenio Figueredo e Juan Angel Napout – são acusados de corrupção. Vários ex-integrantes do Comitê Executivo confessaram ter recebido subornos e se tornaram colaboradores da Justiça dos EUA.

A atual direção da entidade contratou uma auditoria externa, que fez uma devassa nas contas e constatou um rombo de US$ 129 milhões. O resultado da auditoria foi entregue ao Ministério Público do Paraguai, que abriu uma investigação contra os três ex-presidentes.

O resultado dessa auditoria e outras provas colhidas pelas autoridades americanas no Paraguai foram encaminhadas ao Ministério Público Federal no Brasil. A procuradoria afirma estar investigando as conexões brasileiras do escândalo, mas não dá informações porque o caso está sob sigilo.

O contrato entre Conmebol e Datisa continua válido.

– O Regulamento do Paulistão, de novo, causando injustiças.

Os clubes não podem reclamar, pois concordaram com o regulamento do Campeonato Paulista 2021, mas vejam a campanha do eliminado Novorizontino, 6o colocado do Paulistão, com 19 pontos e saldo de 5 gols, com a do Guarani, classificado, com 14 pontos e saldo de -5!

São muitos pontos de diferença e 10 gols a mais para o time de Novo Horizonte. Como pode?

Todo ano vemos isso acontecendo, e ninguém toma providências… cansa tais coisas!

– E o Santos FC não caiu!

O Peixe venceu o São Bento por 2×0 e não passou pelo vexame de ter sido rebaixado para a A2 do Estadual. Pudera, o adversário estava mal das pernas e acabou ele fazendo jus pela queda.

Vejamos se a atual diretoria consegue corrigir os erros da anterior e os seus próprios equívocos da nova gestão.

– Ideias para Profissionalizar a Arbitragem!

(Esse texto tem 6 anos. Mas é tão atual… Compartilho, extraído de: https://professorrafaelporcari.com/2015/05/15/as-boas-ideias-propostas-por-salvio-spinola-e-carlos-simon/)

AS BOAS IDEIAS DE SÁLVIO E SIMON

Sempre aprendi: pior que não ler um jornal, é ler apenas um único! Assim, gosto de ouvir sempre várias opiniões sobre os assuntos que me interesso, filtrando o joio do trigo e com os bons conhecimentos solidificar uma opinião.

Para tanto, ouço e leio das coisas boas às ruins, sempre tomando o cuidado de não me empolgar com aqueles que sou fã e admiro e, ao contrário, respeitando até mesmo àqueles que sei que escrevem com desprezo ou chapa-branquismo.

Pois bem: Sálvio Spinola escreveu (como sempre faz em seus bons textos na ESPN.com) algumas medidas para a melhora do futebol. Paralelamente, vejo algumas boas idéias semelhantes às que Carlos Eugênio Simon também escreveu em seu blog do canal concorrente, no FOXSports.com.

Vi nas páginas virtuais desses dois comentaristas de arbitragem que existem críticas sobre a posição deles, como as de Marco Antonio Martins (presidente da ANAF) e a de Marcelo Marçal (editor do ApitoNacional.com.br, em seu próprio site) que, em suma, discordam de que a CBF seja a responsável pelo patronato dos árbitros e tecem tênues críticas aos mesmos por terem sido, no caso de Simon, influente membro da vida sindical gaúcha, e no caso de Sálvio, ex-cartola da Conmebol.

Eu, na minha humilde opinião, SOU TOTALMENTE FAVORÁVEL ao conjunto de idéias desses dois ex-árbitros da FIFA.

Em especial, defendo incontestavelmente quanto a urgente profissionalização da arbitragem, que deveria ser assumida pela milionária CBF, pagando FGTS, 13o, INSS e assinando um contrato de médio prazo com os chamados “árbitros de elite”. E na mesma importância, sou crítico ao modelo adotado de mistura entre dirigentes sindicais e cartolas das comissões de arbitragens / vedores / observadores ou seja lá como for. Afinal, como o cara pode ser defensor do árbitro presidindo o Sindicato e ao mesmo tempo trabalhando para o patrão (CBF / Federações Estaduais)? E junte-se a eles a opinião do ex-árbitro Alfredo dos Santos Loebeling, que em recente entrevista à Rádio Jovem Pan criticou o fato de que gente incapacitada há muito comanda a arbitragem, citando, em especial o Coronel Marcos Marinho. Euclydes Zamperetti Fiori, ex-árbitro, escreve toda semana essa realidade no Blog do Paulinho.

O que mais me deixa indignado é que a cartolagem do apito, ao invés de receber humildemente as críticas, solta as mais manjadas pérolas e desculpas para a fuga do mea culpa, como: “quando estava lá não dizia isso”; “este que critica nunca fez nada”; “reclama mas é frustrado por não estar / ter chegado lá”, e outros subterfúgios de arrogância.

O certo é: há 15 anos são as mesmas pessoas que comandam a arbitragem paulista e ela perdeu em dignidade, sem revelar ninguém! E no cenário nacional, o mesmo grupo vive e sobrevive há perder de anos, nada fazendo de diferente ou revolucionário!

Para quem gosta do assunto, compartilho os dois textos que, confesso, gostaria de tê-los escrito tamanha a precisão nas feridas tocadas!

Abaixo, compartilho:

            A) Carlos Eugênio Simon

O APITO NO BRASILEIRÃO 2015

Extraído de: http://www.foxsports.com.br/blogs/view/199912-o-apito-no-brasileirao-2015

A bola começou a rolar nos gramados brasileiros no final de semana em mais uma edição do Campeonato Nacional, o Brasileirão. É certo que juntamente com a competição também retornarão as críticas e as polêmicas em relação ao trabalho de árbitros e assistentes, que este ano não mais poderão contar com a presença dos  árbitros assistentes adicionais, aqueles que ficavam atrás da meta, do gol.

É natural que ocorram reclamações contra a atuação dos homens e das mulheres do apito e das bandeiras, visto que o futebol é um esporte que envolve paixões intensas. Porém, é possível adotar algumas providências capazes de diminuir a ocorrência de erros e, também, preservar a autoridade e a integridade moral do árbitro. 

Em primeiro lugar, não pode ocorrer o que aconteceu no ano passado, quando a confusa orientação de bola na mão ou mão na bola acarretou várias penalidades marcadas equivocadamente. Também é imprescindível que a Comissão Nacional de Arbitragem da CBF dê respaldo total aos árbitros, posicionando-se a favor do profissional sempre que o mesmo for alvo de agressões e avaliações que vilipendiem a sua honra. Num mundo ideal, o árbitro deveria se preocupar apenas em apitar o jogo, e para que isto ocorra é preciso ter tranquilidade, apitar com alegria e gostar do que se está fazendo, (depois de 5 anos longe dos gramados, as vezes me imagino correndo na diagonal…). Assim sendo, é também no sentido de garantir minimamente esta tranquilidade que a Comissão de Arbitragem deve atuar. E não apenas ela. Igualmente a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) tem por obrigação ser mais atuante, presente e incisiva na defesa dos interesses da categoria. Entendo que sendo membro, diretor, secretário ou presidente da Anaf os mesmos não deveriam ter nenhum tipo de vínculo, como por exemplo delegado, observador, etc… da CBF – assim sendo teriam mais independência para encaminhar as reivindicações dos seus associados.

Buenas, amigos, apesar da fragilidade das condições favoráveis para que a arbitragem exerça o seu ofício com serenidade, torço para que os árbitros e assistentes realizem um bom trabalho no Brasileirão. A bola está rolando, boa sorte aos que estão no campo de jogo.

            B) Sálvio Spinola Fagundes Filho

17 MEDIDAS SIMPLES QUE A CBF PODE ADOTAR PARA MELHORAR A ARBITRAGEM BRASILEIRA

Extraído de: http://espn.uol.com.br/post/507343_17-medidas-simples-que-a-cbf-pode-adotar-para-melhorar-a-arbitragem-brasileira

São 17 as regras do futebol, e, por analogia, elenquei 17 ações de simples aplicabilidade que a CBF pode adotar para melhorar a arbitragem brasileira.

Dizer que está tudo bem na arbitragem é fugir do problema, é se esconder ou viver em outro mundo. Usar de dados estatísticos para mostrar eficiência na arbitragem é enganar a si mesmo.

A arbitragem precisa melhorar, se fortalecer e ganhar credibilidade do mundo do futebol.Erros acontecerão em qualquer lugar que tenha jogo de futebol, aliás, eu cometi muitos, não falo do árbitro e sim da instituição arbitragem.

Durante mais de 20 anos estive nos campos apitando jogos e hoje convivo com jornalistas, jogadores, treinadores e dirigentes, e, em todos os segmentos tem unanimidade: A arbitragem não está bem.

O futebol mudou, está mais veloz. A tecnologia evoluiu com muito mais câmeras e melhor resolução, e a arbitragem ficou estagnada.

Sim, ficou estagnada, nada foi feito nos últimos 20 anos, apenas mais cobrança aos árbitros, rigor no teste físico, alguns cursinhos, mas na estrutura nada foi feito.

Vamos às propostas, lembrando que sempre que uso o termo árbitro, serve para os assistentes e para as mulheres:

1) EXCLUIR DA RESPONSABILIDADE DO ÁRBITRO AS ROTINAS ADMINISTRATIVAS

A CBF tem que atribuir ao Delegado do Jogo as responsabilidades administrativas do evento, deixando o árbitro com a única função (que já é muita) de cumprir as regras, apitar o jogo. Funções administrativas com gandulas, mascotes, imprensa, câmeras, hino, minuto de silêncio, horário de entrada das equipes, faixas de protesto e muito mais, tem que ser da entidade e não do árbitro, como fez a FIFA na Copa do Mundo.

2) ARBITRAGEM COMANDADA POR PROFISSIONAIS COM CAPACITAÇÃO EM GESTÃO DE PESSOAS

A arbitragem brasileira deve ser comandada por profissionais com dedicação exclusiva, profissionais estes com capacitação em gestão e principalmente na gestão de pessoas, não priorizando as técnicas militares, como se usa hoje. Atualmente a arbitragem brasileira é comandada por 2 ou 3 pessoas com dedicação exclusiva para gerenciar mais de 500 árbitros. Algumas federações estaduais tem a estrutura organizacional da arbitragem muito superior a da CBF.

3) CONTRATAR UM INSTRUTOR TÉCNICO POR UNIDADE DA FEDERAÇÃO PARA QUALIFICAÇÃO E CORREÇÕES TÉCNICAS

São tantos Instrutores técnicos no Brasil e nenhum com definição oficial para instruir e fazer correções diretamente com o árbitro. Com a definição do instrutor técnico chancelado pela CBF o árbitro vai ficar mais confortável para receber a informação e se empenhar para corrigir.

4) CONTRATAR UM PREPARADOR FÍSICO POR UNIDADE DA FEDERAÇÃO PARA MONITORAMENTO DA CAPACITAÇÃO FÍSICA DO ÁRBITRO

Cada vez mais o árbitro precisa ser atleta, estando com o preparo físico em dia. Com o monitoramento pela CBF, ela terá informações diárias das atividades realizadas por cada árbitro e a Comissão de Arbitragem terá subsídios para escalar o árbitro. O modelo atual de apenas fazer testes físico já está ultrapassado, a entidade tem que estar presente no dia a dia do árbitro e parar de pensar que o árbitro tem que ser auto didático, na sua cidade, no seu estado se preparando, isso não acontece.

5) A CBF ASSUMIR A RESPONSABILIDADE PELO ÁRBITRO

É a principal mudança e mais urgente. Desde 2003 o calendário do futebol brasileiro mudou drasticamente com o Estatuto do Torcedor. A CBF passou a ter campeonatos de abril a dezembro, e nada mudou na arbitragem brasileira, os árbitros continuam sendo formados pelas Federações e são “emprestados” para a CBF, para atuarem em jogos organizados pela entidade nacional. Passou da hora de inverter isso, os árbitros tem que ser da CBF e quando as Federações precisarem pede “emprestado”. A CBF precisa ter seus árbitros de janeiro a dezembro e passar a formar árbitro, não apenas qualificar.

6) DEFINIÇÃO NOMINAL DOS ÁRBITROS QUE ATUARÃO POR SÉRIE

O árbitro não sabe que campeonato vai apitar e o mundo do futebol não sabe quais árbitros vão atuar no campeonato. No ano passado, em 38 rodadas, na série A, 15 árbitros apitaram 1 jogo e, na série B, 23 apitaram somente 1. Por quê? Não tiveram boa atuação? Ninguém sabe. E pior, o árbitro que foi bem fica mais revoltado, porque fica esperando nova escala e ela não vem.

A CBF pode definir 50 árbitros e 100 Assistentes para Séries A e B. Utiliza-se 2/5 por rodada, sendo possível fazer rodízio e não repetir árbitros nas equipes.

Define-se outro grupo para séries C e D, e outro grupo para jogos Amadores.

7) MERITOCRACIA

É o melhor modelo, escala e acesso de divisão por mérito, capacidade, bom desempenho. Estando os árbitros sobre a responsabilidade da CBF, a entidade deixa de cumprir pedidos das federações para escalar seus árbitros e premia somente os melhores, com critério técnico, sem divisões por estados.

8) RODÍZIO NA ESCALA DOS ÁRBITROS

Definir o critério de escalas com ampla divulgação, onde o árbitro não pode atuar em jogos da mesma equipe, no máximo dois jogos na casa da equipe e outros dois fora.

9) FEEDBACK PÓS-RODADA COM TODOS OS ÁRBITROS USANDO SISTEMA DE CONFERÊNCIA

O modelo é adotado no México, país também com grande extensão territorial. Não adianta enviar e-mail exclusivo para o árbitro do jogo ou no grupo de watsapp, todos os árbitros precisam saber o que pensa a comissão e os instrutores.

10) TECNOLOGIA DA LINHA DO GOL

Já comprovado sua eficiência. São 20 estádios para Série A e a tecnologia não será utilizada. A justificativa para não implantar é o custo. Conversei com alguns profissionais de publicidade e todos falaram que várias empresas de tecnologia tem interesse em patrocinar este projeto, é apenas uma questão de querer, e colocar o departamento de marketing para trabalhar. Em conversa com o assistente da Copa Marcelo Van Gasse, primeiro árbitro assistente a ter gol validado com uso da tecnologia, no jogo França x Honduras, ele deu uma declaração muito importante: “A tecnologia não ajuda somente para validar ou não o gol, ajuda muito no impedimento e nas demais atribuições, porque tiramos das nossas costas a responsabilidade de ver se a bola entra ou não, ficamos mais leve e isso ajuda a acertar.” Por que não implantar?

11) ALTERAR A FORMA DE REMUNERAÇÃO DOS ÁRBITROS

O Brasil é o país que mais paga para um árbitro por jogo, mas é o que menos paga por ano. Para se ter uma ideia, um árbitro FIFA na série A ganha por jogo R$ 3.800,00, e este mesmo árbitro para apitar a Copa Libertadores ganha US$ 800,00, aproximadamente R$ 2.400,00. O árbitro precisa de segurança financeira para se organizar na vida. No mundo tem vários modelos de remuneração muito melhor que o adotado no Brasil. A CBF pode copiar, por exemplo, a AFA. Lá, os árbitros argentinos tem uma remuneração mensal e mais uma pequena taxa por jogo. Esse modelo dá mais tranquilidade aos homens do apito e da bandeira e permite a CBF adotar mais cobranças, mais eficiência, mais dedicação.

Pode-se também implantar remuneração indireta, como: pacote de tv por assinatura, academia de ginástica, suplemente alimentar, e outros. A vantagem desta remuneração é o retorno para o próprio futebol, porque qualifica o árbitro e melhora as atuações. Na dificuldade financeira o árbitro não assiste seu jogo porque não tem dinheiro para pagar tv por assinatura, não treina porque não paga academia, economiza onde pode. Este tipo de remuneração pode gerar economia de impostos, onde toda taxa do árbitro é tributada.

12) PRONUNCIAMENTO DA COMISSÃO DE ARBITRAGEM NO PÓS-RODADA


Um dos principais problemas da arbitragem brasileira é a credibilidade, todos desconfiam. A arbitragem brasileira é composta de pessoas honestas e a forma de mostrar esta credibilidade é acabar com a “caixa-preta”. A Comissão de Arbitragem deve se pronunciar oficialmente ou com habitualidade ou nos momentos críticos, nos grandes erros, nas grandes polêmicas. A FIFA utilizou deste expediente na Copa do Mundo, o Presidente da Comissão de Arbitragem deu pronunciamentos e respondeu perguntas dos jornalistas. Esta é a única forma de falar com o torcedor e conquistar a credibilidade e não atendendo a um veículo ou outro.

13) BUSCA DE TALENTOS

Sendo a CBF responsável por formar e capacitar, a entidade tem que ter “experts” em arbitragem para identificar talentos e desenvolver estes árbitros. Ninguém chega a ser árbitro de alto nível só por querer, depende da sequência nas escalas e crescimento na carreira. Não é aceitável que a CBF emita circular dizendo que não aceitará árbitros “fracos”, o árbitro não é um prestador de serviço que está na sociedade à disposição da entidade, o árbitro tem apenas um empregador: a CBF. E é a entidade que dá as oportunidades para o desenvolvimento do árbitro, se tem árbitro “fraco” é porque a escola, o instrutor e a comissão erraram.

14) DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA GERENCIAMENTO DE ESCALAS

Dizem que tem. Nunca vi. E, se tem, está parametrizado com erros. Como pode o árbitro mineiro Claysson Veloso apitar a final do Campeonato Mineiro (jogo tenso) no dia 26 de abril, dois dias depois estava em Juiz de Fora como quarto árbitro no jogo Tupi x Atlético PR e dois dias depois no interior da Bahia apitando Jacupiense x Náutico (3 jogos em 5 dias), ou o caso do também mineiro Igor Benevenuto que apitou no dia 14 de abril, em Florianópolis Avaí x Operário MT e no dia seguinte estava em São José dos Campos, interior paulista, apitando Santos x Londrina, e o paulista Vinicius Furlan que no domingo apitou a final do Campeonato Paulista Palmeiras x Santos, com muitos questionamentos, e na quarta feira estava em Capivari, interior paulista, como quarto árbitro no jogo Capivariano x Botafogo (escala desproporcional, depois de apitar a final foi escalado como quarto árbitro em momento inoportuno). São muitos os exemplos que um software resolveria, fica a impressão que o controle é feito em um papel ou em um caderno, vai ter erro.

15) RESGATAR A ALEGRIA DE APITAR UM JOGO DE FUTEBOL

Cada vez mais o árbitro está tenso, apreensivo e com medo, e isso é o preâmbulo para o erro. Como sempre dizia o sábio Armando Marques: “o árbitro precisa gostar de ser árbitro” ou “apitar um jogo de futebol é desfrutar do que você gosta de fazer”. Para resgatar a alegria de apitar um jogo de futebol é necessário o fortalecimento dos árbitros, com apoio e não com temor ou ameaças, onde alguns instrutores se colocam mais importantes que os árbitros, causando medo antes dos jogos.

16) DEPARTAMENTO DE ARBITRAGEM COM INDEPENDÊNCIA E ISENÇÃO

A escala do árbitro tem que ser técnica, por mérito e a comissão de arbitragem não pode atender a favores ou pedidos de nomes para apitar jogos de determinadas equipes. Atuar com isenção, sem favores políticos.

17) TRANSPARÊNCIA NOS CONTRATOS DE PUBLICIDADE QUE ENVOLVA OS ÁRBITROS

Sim, a CBF é uma entidade privada, mas negociar o “corpo”, a “imagem” do árbitro e não trazer o árbitro para participar destas negociações ou deixa-los cientes dos valores pactuados é no mínimo exploração. O árbitro não fala nada porque teme retaliações, e as entidades representativas dos árbitros são fracas e comprometidas com a CBF, mas é um item de total desmotivação que cria uma relação de antipatia do árbitro com a CBF.

TREINADOR vai receber cartão… | Wanderley Nogueira

– Se a Pfizer doar vacinas para os Jogos Olímpicos, será ético?

O marketing é algo impressionante, fazendo com que as corporações, em alguns casos, se preocupem com o interesse econômico acima do ético.

Digo isso pois critiquei a Sinovac pela doação de vacinas anunciada à Conmebol. Confira aqui: https://professorrafaelporcari.com/2021/04/14/a-possivel-doacao-de-vacinas-da-sinovac-para-a-conmebol/.

Agora, a Pfizer quer doar suas vacinas para a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. É algo válido?

Penso: se o COI “desejasse comprar para vacinar”, seria uma situação diferente. Mas o caminho da iniciativa do laboratório, nada mais é, do que divulgar sua marca e sua imagem. E a questão é bem clara: quantas nações não conseguem comprar vacinas por falta de dinheiro? E quantas não encontram vacinas disponíveis, por que são prioritárias a nações mais desenvolvidas?

Se sobram vacinas para a doação, prioritariamente o façam para necessitados da África Negra, por exemplo. Da forma como relatada, parece oportunismo.

Olympic Games Tokyo 2020: The Official Video Game será lançado em 24 de  Julho no Japão - PSX Brasil

– O Santos FC cairá para a 2a divisão? E o São Paulo, realmente caiu?

O Santos Futebol Clube, atual vice-campeão da Libertadores da América, pode cair para a 2a divisão estadual. É mole?

Em tão pouco tempo da decisão contra o Palmeiras no Maracanã, o desempenho despencou dentro de campo. Pior: jogou as duas últimas partidas com a equipe titular, e nas duas próximas (contra o São Bento, valendo a permanência na A1; e contra o Boca Jrs, valendo a sobrevivência na Libertadores) deverá jogar com os principais também. E tudo isso em 9 dias! Culpa do regulamento, assinado pelos presidentes…

Mas a questão é: de novo, vem a lembrança de que nenhum grande jamais caiu para a Segundona Estadual (verdade ou não?) e a imediata pergunta: o São Paulo, em 1990, foi rebaixado?

Abaixo, um texto de 2015, onde abordei a criação da A2 e da A3, desmembrando a antiga “Especial”, falando sobre o São Paulo que JOGOU a série A2 de 1991.

Fica o entendimento: hoje, estar na A2 é estar na 2a divisão. Naquela época, a A2 era um módulo da 1a divisão. E isso significa que… o São Paulo caiu ou não?

A única certeza é: se o Santos FC for para a A2, terá caído. No caso do SPFC, poder-se-á entender que houve virada de mesa, e para muitos, que não (apesar de ter jogado a A2).

Abaixo, extraído de: https://professorrafaelporcari.com/2015/01/26/relembrando-quando-um-grande-que-caiu-para-a-2a-divisao-estadual-ou-nao/

RELEMBRANDO QUANDO UM GRANDE QUE CAIU PARA A SEGUNDA DIVISÃO ESTADUAL! OU NÃO?

Quando se senta em “mesa de bar”, torcedores adoram sacanear uns aos outros. “Cornetar o adversário” é algo divertido para muitos! E com o advento da Internet, ficou mais fácil ampliar o número de debatedores e/ou gozadores. Claro: pela quantidade, cai a qualidade e surgem os “trolls” – os chatos que tumultuam uma boa discussão.

Escrevo isso às vésperas do início da série A2 do Campeonato Paulista, competição que o meu querido time do coração, o Paulista FC da minha Jundiaí, disputará a fim de retornar à elite paulista.

E qual o motivo desse texto?

É que me recordo que, certa feita, quando o Paulista esteve na divisão que antecedia a principal divisão estadual de São Paulo (foi em 1990), Eduardo José Farah remodelou os torneios a fim de modificar as divisões do Futebol Paulista visando a temporada de 1991 (o Galo parou na A3, a duas divisões da elite).

Na época, previa-se que a inchada Primeira Divisão de 90 (com 24 clubes) fosse fundida com a Divisão Especial (que era a de acesso). Assim, DAS DUAS DIVISÕES SURGIRIAM OUTRAS 3 MAIS ENXUTAS PARA 1991: A1, A2 e A3. No discurso, não existiria rebaixamento naquele ano, mas “readequação”, já que até hoje os torneios são chamados de “1a divisão módulo A1, 1a divisão módulo A2 e 1a divisão módulo A3; a série B é chamada de 2a divisão módulo único. Entretanto, na prática, são 4 divisões atualmente.

O São Paulo FC ficou de fora dos 14 melhores colocados que formariam a A1 de 1991 e jogou na A2 (o Paulista de Jundiaí, a uma divisão da elite, foi “reclassificado para a 1a divisão, módulo A3”) mas um adendo ao confuso regulamento previa que, no mesmo ano de 1991, os 5 melhores da A1 e os 3 melhores da A2 se cruzariam e disputariam o título – conquistado pelo próprio São Paulo.

Naquela época, muitos noticiaram que o São Paulo caiu em 1990 para a segunda divisão do estadual. O próprio Telê Santana, em entrevista ao Roda Viva, conta que ”apesar de ter jogado a 2a divisão em 1991 conseguiu ser campeão e reerguer o time” (veja em: http://is.gd/nx5aub). Jornais daquele ano noticiaram o fato (abaixo).

Aí ficaremos com a eterna discussão: o São Paulo caiu para a segunda divisão?

Alguns dirão que SIM, já que disputou a A2 e foi campeão paulista no mesmo ano por um regulamento esdrúxulo. Outros dirão que NÃO caiu pois não havia rebaixamento oficial e a fórmula previa tudo isso.

E você, o que acha? Caiu ou não caiu?

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– Jogar bonito como deseja Piqué ou ganhar sempre como defende Ibra?

Repost de 2 anos, mas extremamente atual: jogar bem e perder ou jogar mal e ganhar? Abaixo:

Em 2016, após o Barcelona perder 4 partidas seguidas (sim, isso já aconteceu), o jogador Piqué, ao ser questionado, sem nenhuma enrolação disse (link em: https://wp.me/p4RTuC-eJF) :

Prefiro perder jogando bem do que vencer jogando mal”.

Pois bem: eis que Ibrahimovich, que um dia também jogou no Barça e hoje está no Los Angeles Galaxy na MLS, em entrevista ao jornal italiano Corriere Dello Sport, demonstrou pensar bem diferente, dizendo que:

“O futebol é apenas uma questão de vitórias. Se você joga bem e não vence, nada conta. Se alguém joga bem e perde, todos massacram o time. Mas no final pensamos da mesma maneira: o belo futebol não te leva a nada. Ganhar, apenas isso, não importa como”.

A frase foi dita quando questionado sobre o modo do Ajax jogar, valorizando o futebol espetáculo e coletivo. Mas, depois dessas duas afirmações, o que você prefere: jogar bonito, independente se vai ganhar ou não (como Piqué) ou ganhar sempre, independente de como se joga (como Ibra)?

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