– Analfabetismo Funcional: Sério Problema do Brasil

Se você também se revolta com dados sobre analfabetismo no Brasil, que não leva em conta os analfabetos funcionais, o artigo abaixo é de muita valia.

Vivemos numa sociedade onde, infelizmente, credita-se o valor de alfabetizado àquele que sabe assinar o próprio nome. Mas não temos um sem-número de pessoas que não conseguem interpretar textos?

PARA ROMPER COM O ANALFABETISMO FUNCIONAL

por Priscila Cruz* (Estadão, 25/06/2017, pg 2)

A recente divulgação dos dados da oitava edição do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa, com apoio do Ibope, oferece um painel extenso e consistente dos níveis de alfabetismo de jovens e adultos brasileiros nos últimos dez anos.
Diferentemente das estatísticas fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que se baseiam em dados autodeclarados, o Inaf é realizado por meio de uma entrevista e um teste, avaliando efetivamente as habilidades de leitura, escrita e Matemática de brasileiros entre 15 e 64 anos de idade, classificando-os em quatro níveis de alfabetização: analfabetos, alfabetizados em nível rudimentar – estes dois considerados como analfabetos funcionais -, alfabetizados em nível básico e alfabetizados em nível pleno – considerados juntos como alfabetizados funcionalmente. É este último nível, o pleno, que precisamos universalizar, pois é a condição necessária para a inserção digna e autônoma na atual sociedade, crescentemente complexa.
Os dados revelam que o Brasil parece ainda não se ter dado conta da urgência e da gravidade dos problemas que enfrenta no campo da educação.
Ainda que se tenha reduzido a proporção de analfabetos funcionais e aumentado os que estão no nível básico, é preciso mais, bem mais. Nossas atenções devem estar voltadas para o nível pleno de alfabetismo – e aqui houve retrocessos preocupantes. Entre 2001 e 2011, o domínio pleno da leitura caiu de 22% para 15% entre os que concluíram o Ensino Fundamental II, e de 49% para 35% entre os que fizeram o ensino médio. Com ensino superior, 38% não chegam ao nível pleno.
Como referência, no nível pleno estão as pessoas que conseguem ler e compreender um artigo de jornal, comparar suas informações com as de outros textos e fazer uma síntese dele. Em Matemática, as que resolvem problemas envolvendo porcentuais e proporção, além de fazerem a interpretação de tabelas e gráficos simples.
Não conseguimos avançar do básico para o pleno, nível estagnado há dez anos. Mesmo que o Inaf não seja um indicador escolar, pesquisando até mesmo pessoas que nunca tiveram acesso à escola, podemos atribuir parte desses resultados, justamente, à falta de acesso e à insuficiente aprendizagem dos alunos ao longo da educação básica. Ainda hoje não conseguimos garantir que todas as crianças e todos os jovens estejam na escola e adquiram as habilidades esperadas em cada série em disciplinas básicas como Português e Matemática.
Tal situação evidencia a urgência de um investimento eficiente, consistente e focado nos anos iniciais. É neles que todo o problema começa, mas também é neles que a solução deve nascer.
Portanto, como sociedade, precisamos exigir que todas as crianças estejam plenamente alfabetizadas até os 8 anos de idade. Sem se perder em discussões ideológicas estéreis, sem concessões de espécie alguma. É um direito de nossas crianças, que precisa ser assegurado.
Esse é o primeiro passo, e ainda estamos muito longe de considerá-lo um patamar vencido. A Prova ABC – a primeira avaliação externa da alfabetização das crianças de 8 anos realizada em 2011 pelo movimento Todos Pela Educação, pelo Instituto Paulo Montenegro/Ibope, pela Fundação Cesgranrio e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – mostrou que pouco mais de metade das crianças avaliadas apresentara aprendizado adequado em leitura e escrita no final do terceiro ano do ensino fundamental, e essa proporção cai para pouco mais de 40% em Matemática. As que não conseguem alfabetizar-se nessa etapa passam a acumular lacunas cada vez maiores, o que dificulta ou até mesmo impossibilita a sua aprendizagem nas etapas posteriores.
Dessa maneira, os dados revelados pelo Inaf 2012, somados aos indicadores produzidos pela Prova ABC, expõem o grande desafio educacional deste início do século 21: garantir a todos a alfabetização plena, pré-requisito para a garantia do aprendizado ao longo de toda a vida escolar de crianças e jovens.
Para mudar esse cenário é fundamental avançarmos rapidamente na agenda que deveria ter sido cumprida no século passado e romper com o descaso histórico com a qualidade da educação, direcionando muito mais esforços para assegurar que todos os alunos atinjam a competência em leitura, escrita e Matemática. E para isso é necessário começar pela base, desde a Educação Infantil.
O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) – a avaliação bianual realizada pelo Inep para monitorar a aprendizagem no final de cada ciclo – comprova essa tese. A pontuação média em Língua Portuguesa dos alunos do terceiro ano do ensino fundamental que não cursaram a Educação Infantil é de 169, enquanto a dos que a cursaram é de 187. Se a Educação Infantil tivesse uma qualidade muito boa no Brasil, esse impacto seria ainda maior.
Todas as evidências científicas apontam para a qualidade dos professores como fator determinante. Um bom professor é um ótimo começo. Assim, é preciso atrair os melhores professores para essa etapa do ensino, os mais experientes e mais bem preparados para trabalhar com as crianças que cursam os anos iniciais. As faculdades de Educação precisam ser reformuladas, colocando o foco na aprendizagem dos futuros alunos de seus alunos.
É vergonhoso que o país que tem o sexto produto interno bruto (PIB) do mundo esteja entre os piores em educação. Não obstante o Brasil conseguir acumular riquezas, não consegue distribuí-las de forma justa, e a má distribuição de renda é reflexo da educação de baixa qualidade.
Mais do que garantir escola para todos, é preciso universalizar a aprendizagem.
* DIRETORA EXECUTIVA DO MOVIMENTO TODOS PELA EDUCAÇÃO

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– Índia: e o absurdo Machismo

Esse texto, abaixo, tem 9 anos. Mas não tem como não se impressionar…

Sobre as mulheres na Índia, compartilho:

MACHISMO INDIANO

Muito me assustou uma matéria publicada pela Revista Superinteressante deste mês de Junho/2009. Nela, há uma reportagem a respeito das Castas Indianas (tema que ficou na moda devido a novela da Globo). Mas o que impressiona são os números e hábitos das mulheres locais!

Na Índia, é um fardo para as famílias criar uma menina. Muitos abortos são cometidos, pois ter uma filha é um custo alto: a maioria das mulheres não trabalha, e ao crescer, ela é entregue a um novo e o pai dela deve dar presentes à família do noivo, o que inclui desde pedras preciosas até veículos!

Naquele país, apenas 48% das mulheres são alfabetizadas (e entenda alfabetizada na Índia o fato de apenas escrever o próprio nome.

Lá, abortar uma menina não é um pecado, mas uma “providência” (que absurdo!). Tanto que o governo proibiu que os médicos divulguem o sexo do bebê nas ultrassonografias, a fim de evitar o aborto. Muitos aceitam sacrificar sua filha, para que o primeiro filho seja homem e o pai possa “reencarnar” nele.

Devido a isso, hoje há 9 homens para cada mulher. Casar tem sido difícil, o que faz com que exista  o comércio cada vez maior de “compra de esposas”. Nas vilas pobres, troca-se mulher por búfalos. Amor no casamento? Lá não é assim… Amor se constrói aos poucos, depois de casado.

Quando a mulher fica viúva, ou o seu cunhado a toma por esposa, ou ela faz voto perpétuo de castidade. Ou seja, casamento de mulheres viúvas, não existe!

Em caso de divórcio, a mulher só tem direito as jóias que ganhou. Nada do marido deve pertencer a ela. E, como é perceptível até na novela, a esposa é proibida de citar o nome do esposo. Apenas deve chamá-lo de “Marido”. Em alguns vilarejos, ela só pode fazer as refeições depois do marido, pois é sinal de submissão a ele.

Modos e hábitos diferentes dos nossos. O que mais impressiona é que, para eles, nós somos os diferentes…

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– Festa Junina sem Santos? Uma novidade…

Parece exagero, mas não é. São João e outros santos católicos das festas além das joaninas – sejam em épocas juninas ou julinas – são retirados das menções por conta de coerência religiosa a quem não confessa a mesma fé.

Diferente! Extraído de:

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/06/23/festa-sem-joao-evangelica-adapta-a-junina-com-musica-gospel-e-crentao-sem-alcool.htm

FESTA “SEM JOÃO” EVANGÉLICA ADAPTA A JUNINA COM MÚSICA GOSPEL E “CRENTÃO” SEM ÁLCOOL

Santo Antonio, São João e São Pedro. As festas juninas estão entre as celebrações mais populares do país, mas contêm o elemento religioso, do catolicismo, que costumava afastar evangélicos das comemorações.

Há ainda elementos de festa pagã –os cultos solares, que já aconteciam na Antiguidade nos dias de solstício de verão no hemisfério Norte– e sincretismos religiosos –é o início do ano agrícola para os indígenas brasileiros, que cultivavam o milho, um dos principais integrantes da mesa junina– abominados pelas igrejas evangélicas.

O fim dessa resistência, no entanto, foi ensaiado e já é praticado em comunidades evangélicas do Nordeste ao Sul, sem no entanto elementos que remetam ao que os adeptos desaprovam.

As fogueiras, por exemplo, nem sempre são acesas. Os santos não existem (a Festa de São João virou a de “Sem João, com Cristo”) e as bebidas não incluem álcool. O quentão (cachaça fervida com gengibre) virou o “crentão” (algum suco fervido com gengibre). Há até o vinho crente, feito com suco de uva.

“O crentão é um quentão sem álcool. Não tem mastro, não tem fogueira. Alguns pastores, que são muito radicais, acham que tudo o que não é evangélico é errado. Mas aproveitamos uma festa boa e tiramos aquilo que pode ter erro e fazemos a festa apenas para a congregação”, afirma o pastor Cristiano Mendes, 34, da Congregação Luterana São Paulo, de Curitiba.

Segundo o pastor, a ideia é apenas ter a caracterização caipira e as comidas. Foi criada a pedido do movimento jovem da igreja para arrecadar fundos para os departamentos de jovens, atrair vizinhos e ter o seu lucro.

“A festa junina é uma tradição brasileira. Não é só da Igreja Católica. É feito na igreja, mas sem conotação cristã. Acontece o culto jovem e depois é a confraternização. A gente ia mudar o nome para festa caipira. É uma oportunidade de confraternização, sem estar ligado aos santos. Falam em festa de são João, mas não são para o santo em si”, afirma o pastor Cristiano. “Acredito que possa ter [algo pagão], mas nunca fui em uma que tenha tido. É só uma cópia do que acontece no Nordeste.”

Alguns pastores, que são muito radicais, acham que tudo o que não é evangélico é errado. Mas aproveitamos uma festa boa e tiramos aquilo que pode ter erro

Cristiano Mendes, pastor da Congregação Luterana São Paulo, de Curitiba

Em São Bernardo do Campo (SP), a Bola de Neve Church fará no sábado (24) a Festa do Crentão. No ano passado, o evento reuniu 1.400 pessoas, segundo a organização. O tema de 2017 é bem distante do universo junino: Bollywood, o polo cinematográfico indiano, inspirado na Hollywood norte-americana.

“Amendoim, no máximo”

Em Itamotinga, no interior da Bahia, a festa do Sem João surgiu como alternativa aos retiros realizados nesta época do ano. “A maioria das igrejas saem em retiro espiritual, mas a nossa nunca saiu”, afirma Andressa Caldas, 23, líder do grupo de louvor da Igreja Batista da cidade. “É um encontro com jovens. Ninguém leva roupa caipira; é uma reunião, um encontro. A gente faz oficina para meninos e meninas, as dinâmicas, um período de louvor, tem outros jovens. A comida típica que a gente come é amendoim, no máximo. Tomamos apenas refrigerante”, diz.

Ela cita uma passagem da “Bíblia” para expor sua contrariedade às festas tradicionais de São João. “Em uma passagem, a filha de Herodes [Salomé] pede a cabeça de João Batista. E muitos gritam [quando veem a cabeça decapitada]: ‘Viva são João’. João é um grande homem de Deus, e a gente não comemora. Por isso tiram a cabeça dele e falam isso”, diz. Os três livros bíblicos que citam a decapitação de João (de Mateus, Marcos e Lucas), no entanto, não têm essa menção.

Diácono da Igreja Presbiteriana do Brasil em Funcionário IV, em João Pessoa (PB), Diego Monteiro Pacheco é um dos organizadores do “Sem João, Com Cristo” da igreja, que será realizado no dia 1º de julho. “Não comemoramos, só aproveitamos a data para ficarmos em comunhão, palavra e oração. A nossa maior preocupação é quanto a nossos jovens não se sentirem atraídos pelos festejos pagãos e acabarem indo para outra comemoração além da igreja. Por isso alugamos um local, onde possamos ficar um pouco distante dos festejos, e lá glorificar a Deus”, diz.

Na igreja na capital paraibana, Monteiro diz que há alguns limites, relacionados a alguns hábitos da festa tradicional. “Não vemos mal algum em comer comida de milho e usar camisa quadriculada. Isso é de cada pessoa. Mas não fazemos nada que engrandeça outros significados. A quadrilha, ela tem um significado pagão forte, e nossa intenção não é trazer isso à tona, e sim glorificar a Deus.”

Na Bola de Neve Church da capital paranaense, a festa ainda não aderiu ao nome “Sem João, com Cristo”. “Rola músicas cristãs no ritmo de festa junina, oração… Enfim, é uma comunhão só que a caráter. Sempre convidamos pessoas que não são pessoas evangélicas. Às vezes, tem quadrilha. E tem o nosso crentão, com suco. É bom, sim”, diz Ana Paula de Oliveira, 33.

Tem quadrilha? Às vezes…

As danças de quadrilha, quando existem, são com o forró da banda gospel Shallom. “Festa de crente oferece comida, festa do mundo oferece cachaça; festa de crente termina com alegria, festa do mundo quando acaba é sem graça; festa de crente tem hora pra terminar, festa do mundo só termina quando há faca”, diz a letra de “Incompatibilidade”, sucesso nos arraiais adaptados “É uma música polêmica, porque trata de forma descontraída [das diferenças entre as festas]. A gente costuma abrir alguns eventos [com ela]. É um tanto diferente, a gente trata o assunto que, para nós, é uma verdade: o cara toma bebida alcoólica, e aí acontece um acidente”, afirma o proprietário da banda, Sandro Sacramento.

Segundo o músico, os convites para as festas de Sem João, com Cristo vêm acontecendo com frequência de cinco anos para cá. “É mais como uma estratégia no segmento evangélico”, diz. “Neste mês de junho, muitos jovens não têm outra atividade e se desviaram da religião nesse período: se sentiram tentados por uma festa junina, tomaram um gole de cerveja e foram atraídos pelo ritmo. E a gente quer mostrar que o forró não está restrito ao segmento secular, que a palavra de Deus pode estar inserida. É se reunir, ouvir um pé de serra com a família, botar os brinquedos com as crianças.”

Festa de crente oferece comida, festa do mundo oferece cachaça; festa de crente termina com alegria, festa do mundo quando acaba é sem graça; festa de crente tem hora pra terminar, festa do mundo só termina quando há faca [continua no link acima].

 

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– “O que faz sucesso hoje é música sem futuro”, diz Fagner

O cantor cearense Fágner deu uma interessante declaração sobre as músicas sem futuro. Disse que:

Eu e os da minha geração continuamos cultuados pela qualidade do que a gente fez e faz. Mas a inutilidade das novas canções de sucesso me preocupa. É uma música que não tem futuro. O que essa moçada vai ouvir daqui a alguns anos, para lembrar de passagens de suas vidas? É tudo descartável, não vai ficar.”

De fato, há muitos cantores com sucesso de uma canção só. E que depois de alguns anos nem mais são lembrados.

A boa música, sem dúvida, ultrapassa gerações.

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– Guri no Botânico

Já comentamos algumas vezes do sensacional Projeto Guri. E hoje, em Jundiaí, tivemos uma maravilhosa apresentação dos garotos e garotas no Jardim Botânico.

Veja só quanta gente faz parte dessa incrível iniciativa:

Minha filha Marina faz parte da Banda Guri, e faz bonito com seu clarinete. Acho que os sorrisos das vovós dizem tudo… Abaixo:

Enfim: uma palhinha de “Asa Branca”: https://youtu.be/x4DVKJGay9s

Por mais projetos como esses para nossas crianças!

– Responsabilidade Social: o Circo Tihany no Grendacc

Só podemos aplaudir e desejar que outros artistas de todas as áreas façam o mesmo: visitar crianças enfermas (mas idosos e desenganados também)!

Que maravilha essa foto (extraída do Tribuna de Jundiaí): o circo Tihany, que está em nossa cidade, foi fazer a alegria das crianças atendidas pelo Grendacc (para quem não o conhece, é o Hospital Oncológico Infantil referência em Jundiaí, sustentado por voluntários e pessoas de boa vontade).

Possam muitos outros o imitar!

Aqui:

– Projeto Guri de Jundiaí: que maravilha!

Escrevemos dias atrás que o Projeto Guri, uma iniciativa social de desenvolver a cidadania através da música, é um projeto que merece todos os aplausos.

Relembre em: https://wp.me/p4RTuC-nkn

Nesta quarta-feira, os alunos fizeram sua apresentação de fechamento de semestre na Pinacoteca Municipal Diógenes Duarte Paes, e farão outra no Jardim Botânico de Jundiaí (às 10h30).

Algumas canções com o pessoal do clarinete:

Caminho de Luz, em: https://youtu.be/bncUT9I206k

Choral 42, em: https://youtu.be/5-V4gNC2c1Q

Pomp and Circunstanc, em: https://youtu.be/1pPWkzwiToQ

Gravit Falls, em: https://youtu.be/A5IhPV-cXHI

Estão todos de parabéns! Vale a pena investir em Cultura! Olhe aí 

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– Hoje é dia de Portugal. Viva Camões!

Celebra-se hoje o dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Motivo? São dois:

1) É o dia de falecimento do poeta Luís de Camões, que propagou mundo afora a língua que falamos.

2) Também é dia do Santo Anjo da Guarda de Portugal, protetor da nação lusitana.

Sendo assim, dia 10 de Junho é feriado na nossa Pátria-Mãe. E o mais curioso é: quando Portugal viveu a ditadura, era o Feriado do “Dia da Raça”. Em tempos politicamente corretos, tal título não seria adequado…

Ainda: com tantos assassinatos à língua portuguesa, como a criação de demagogos verbetes e termos (“Presidenta” me dói…), vale um dos poemas de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Qualidade indiscutível!

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– Projeto Guri na Rede Globo!

Música e Educação para todos. Viva a Cultura!

Essa introdução é para perguntar: viram a reportagem do Projeto Guri na TV, no Programa “Como Será?“, da Globo?

Compartilho no link em: globoplay.globo.com/v/7657629/

(Entre o minuto 4’22” e 05’08”, está o dueto Marina e Melissa, duas amiguinhas na vida e na música!)

Orgulho de um pai ao ver a filha tocando e escrevendo uma canção

Será compositora?

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– Quanto custou a Virada Cultural?

Pensando cá com meus botões: promover a Cultura sempre é importante, isso é indiscutível. Mas realizar shows musicais em palcos ao ar livre, com shows noturnos e na madrugada, estando frio e chovendo (como foi a Virada Cultural em São Paulo), seria a forma mais adequada?

Será que os munícipes paulistanos (que são os responsáveis pelos impostos que se tornam verba para isso), se pudessem escolher algumas das prioridades, como Educação, Segurança, Saúde e Cultura (outros eventos culturais sem ser música da forma como foi), escolheriam o quê?

Aliás, uma única perturbação: deve ter custado “os olhos da cara” contratar Anitta, Pablo Vittar, Caetano Veloso e outros nomes que fazem shows caríssimos para tal iniciativa. Valeu a pena, ao final das contas?

Da lista oferecida, pensei: o ótimo Palavra Cantada fazendo show infantil às 21h na gelada Capital é meio contra a lógica, não? As mamães devem ter ficado chateadas…

O que mais dói quando vou a São Paulo (e isso acontece em todos os lugares) é ver gente dormindo embaixo dos viadutos. Como entristece tal cena! Talvez esses recursos fossem melhor utilizados se investidos na recuperação social dessas pessoas…

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– Como surgiram as Notas Musicais

Na minha casa, todos tem noções musicais. Só eu que de música, nada sei. Porém, aprendi sobre como surgiu o tão famoso Do-Ré-Mi-Fá-Sol-La-Si e quero compartilhar, de tão interessante que achei!

As notas musicais surgiram do monge beneditino Guido d’Arezzo, no século XI. Ele se inspirou em um Hino a São João Batista, que houvera sido composto no século VIII.

Originalmente, ele observou a sonoridade da canção, e resolveu a partir das iniciais, adaptar no que chamamos de “notas”.

O primeiro esboço era: Ut-Ré-Mi-Fá-Sol-La-S

O Hino a São João:

Ut queant laxis…

Ressonare fibris…

Mira gestorum…

Famuli tuorum…

Solve polluti…

Labii reatum…

Santi Iohannes.

Perceba que a primeira e a última nota foram trocadas. Mas isso aconteceu no século XVI, pois o músico Giovanni Bononcini não gostava da sonoridade. No lugar do Ut entrou Do (inicial de Dominus) e ao invés de S, Si (iniciais de Santi Iohannes).

(Extraído de Revista Superinteressante, ed  Jan/2013, pg 30).

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– Senna, em homenagem na patinação do gelo!

Sensacional!

Viram esse patinador japonês mostrando sua habilidade ao som do “Tema da Vitória”, usando uma roupa que lembra o macacão de Ayrton Senna da Silva?

A homenagem ao piloto brasileiro foi incrível. Vale assistir com áudio ligado.

Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=kiYHFp_J0HI&feature=youtu.be

– A cronologia para assistir Vingadores Ultimato e críticas.

A BBC divulgou a exata cronologia dos 20 filmes de heróis da Marvel para os fãs da “Casa de Ideias” assistirem, antes de irem ao cinema para o aguardado novo Vingadores, que encerra a “Saga do Infinito” (abaixo, uma ilustração precisa).

Os críticos do mundo inteiro estão elogiando a produção. O G1, por exemplo, trouxe uma relação de comentários (aqui em: https://g1.globo.com/google/amp/pop-arte/cinema/noticia/2019/04/23/vingadores-ultimato-primeiras-impressoes-dos-criticos-falam-em-final-epico-da-saga.ghtml). Porém, a única critica mundial veio da… Folha de São Paulo! Para ela, Vingadores Ultimato é o filme mais chato de 2019! 

Não acreditou? Pois olhe só o que o avaliador disse em sua avaliação: 

“[Embora tenha ótima trilha sonora], não é o suficiente para considerar o filme apenas ruim. Ele é péssimo mesmo.”

Extraído de : https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrada/2019/04/vingadores-ultimato-e-o-filme-mais-chato-de-2019.shtml

VINGADORES ULTIMATO É O FILME MAIS CHATO DE 2019 (Cuidado: contém Spoillers!)

Lento e piegas, longa que vem acumulando superlativos não se compara aos três primeiros e desperdiça grandes atores

Por Ivan Finatti 

A segunda parte da história iniciada no ano passado, com “Vingadores: Guerra Infinita”, concorre a vários superlativos. Maior filme do ano. Mais salas no Brasil. Maior número de super-heróis já reunidos. Filme mais chato de 2019.

Isso mesmo. “Vingadores: Ultimato”, que estreia nesta quinta (25), é uma bomba mais poderosa que a manopla que Thanos usou para matar metade da população do universo na primeira parte da história. É piegas. É lento. É escuro. É barulhento.

É preciso dizer que o problema aqui não são os longas da Marvel. Os dois primeiros filmes dos Vingadores, de 2012 e 2015, tinham encanto. Mesmo “Guerra Infinita” (2018), apesar de sofrer um pouco com diversas histórias correndo em paralelo, apresentava um vilão extremamente carismático, angustiado e atormentado, em busca de um genocídio cósmico para satisfazer sua estranha ideologia.

Além disso, “Guerra Infinita” conseguiu impressionar no final, quando morreram Homem-Aranha, Doutor Estranho, Pantera Negra e uma série de outros personagens, deixando os espectadores reféns dessa continuação.

Nada dessa sutileza ou carga dramática está presente em “Ultimato”. Logo no começo de suas três horas de filme, já sabemos como vai se dar a revanche. Se você não quiser spoiler, pule o próximo parágrafo.

Estamos falando de viagem no tempo. Para ressuscitar meio mundo, é preciso que os heróis façam algo antes que os eventos mostrados em “Guerra Infinita” aconteçam.

O blá-blá-blá científico que resulta dessas discussões é risível, no mau sentido. Importante sublinhar isso porque o riso é tema caro na maioria dos filmes da Marvel.

Neste, descamba para o exagero. Após duas horas de um roteiro praticamente sem ação ou lutas, percebemos que estamos diante de uma comédia. Praticamente todos os diálogos querem arrancar gargalhadas do público. Muitos funcionam, outros não.

O público, aliás, é outro personagem de “Ultimato”. Quando Capitão América dá uns tabefes em Thanos, já na terceira e mais movimentada hora, a plateia aplaude e urra. Depois dessa, a cada pequena vitória de nossos heróis será saudada com gemidos de felicidade e bateção de palmas.

Tem gente que acha isso parte da experiência do cinema, uma vivência coletiva. Para outros, é um incômodo.

No caso da exibição para a imprensa nesta terça (23), lotada, foi constrangedor ver e ouvir colegas jornalistas e críticos se darem assim, como se fossem fãs. Talvez porque blogueiros e influenciadores digitais estejam tomando conta da situação —e das sessões de imprensa. Sentado atrás de mim tinha um cara com a manopla de Thanos (de plástico), pelo amor de Deus!

Parece que os diretores Anthony e Joe Russo, além dos roteiristas produtores, consideraram que os Vingadores já eram aposta ganha e pouco se esforçaram neste último título da franquia. Chris Evans (Capitão América) e Robert Downey Jr. (Homem de Ferro) já vinham reclamando há tempos que estavam cheios dos personagens.

Além deles, o que aparece de grande ator em “Ultimato” não está escrito. Scarlett Johansson, Brie Larson, Evangeline Lilly, Bradley Copper (voz do guaxinim), Mark Ruffalo, Jeremy Renner e Gwyneth Paltrow são alguns dos heróis. É um desperdício.

As participações especiais impressionam ainda mais: Robert Redford, Michelle Pfeiffer, Michael Douglas, Tilda Swinton, Natalie Portman, William Hurt, talentos de primeiríssima grandeza. O problema é que a maioria só aparece mesmo, não interpreta nada nessa história de trovões, clarões e explosões sem fim.

Para não dizer que tudo em “Ultimato” é de má qualidade, salvam-se as canções da trilha sonora: “Dear Mr. Fantasy”, do Traffic, abre o filme com categoria. Depois temos The Kinks com “Supersonic Rocket Ship” e Rolling Stones com “Doom and Gloom”. “Hey Lawdy Mama”, do Steppenwolf, fecha o quarteto de boas canções.

Não é o suficiente para considerar o filme apenas ruim. Ele é péssimo mesmo.

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– Manchester City 4×3 Tottenham e Grêmio 0x0 Internacional: sobre os VARs e a nova Regra aos Treinadores!

Quem disse que o VAR iria acabar com a discussão no futebol, hein?

Ele mudou o assunto do simples debate “foi ou não foi” para outros: foi o momento ideal do VAR intervir? / o VAR corrigiu ou errou a marcação? / a demora foi demais na decisão? E outros tantos questionamentos….

Mas, cá entre nós: o árbitro de vídeo torna muitos placares justos. Vide nas semifinais dos Estaduais Brasileiros, quanta coisa foi corrigida. Quero usar dois exemplos antagônicos:

1- Em Manchester, os Citizens venceram os Spurs. O jogo acabou com a vitória do time da casa, mas a classificação para as semifinais da Liga dos Campeões da Europa foi dos visitantes. Seria diferente, se o VAR não entrasse em ação e anulasse o gol de Aguero, que daria o acesso à outra fase da competição; só que somente o olho eletrônico observou o toque de Bernardo Silva, tornado o lance irregular por impedimento. Tivemos lamentos pela eliminação do time de Manchester, mas não reclamação contra a arbitragem. Aliás, que jogaço foi esse na Inglaterra!

2- No Sul do Brasil, ao contrário, Tricolores e Colorados protagonizaram uma versão esportiva da Guerra da Farroupilha. Teve de tudo, menos futebol jogado. Numa reclamação de pênalti marcado pelo VAR, um verdadeiro circo foi armado (eu até acho que o lance foi mal interpretado pelo árbitro de vídeo Thiago Duarte Peixoto – que esteve em jogos polêmicos apitando e trabalhando na função de VAR na FPF, e que será o VAR da final entre Corinthians x São Paulo – onde eu não marcaria o tiro penal). E nessa confusão, a expulsão de Odair Hellman, treinador do Colorado. Com a Regra Nova a ser utilizada a partir do Brasileirão, tal situação protagonizada pelo técnico encerraria a partida se Odair procedesse da mesma forma. Explico:

Com a novidade de Cartões Amarelos e Vermelhos para treinadores, valerá (no meu entendimento, pois não achei tal questão explícita na Regra do Jogo) o mesmo procedimento que acontece aos jogadores: caso uma decisão do árbitro não seja aceita, espera-se 5 minutos e encerra-se o jogo caso não seja cumprida, relatando em súmula o ocorrido. Odair Hellman discordou da sua expulsão e saiu somente com a Polícia tirando-o de campo. Em breve, se isso acontecer, ele receberá o Vermelho e o árbitro esperará o tempo determinado para a sua saída “numa boa”. Igual o que prevê a Regra ao jogador: “se eu expulsei o atleta e ele se recusa a sair, espero 5 minutos e encerro a partida”.

Portanto: aqui no Brasil o VAR sofre com o seu mau uso e sua cultura por parte dos torcedores e jogadores. Lá no Exterior, a coisa está funcionando.

Depois de tudo isso escrito, acrescento: gostei muito do texto de André Kfouri onde compara os equipamentos médicos para uma endoscopia e os instrumentos esportivos usados com tecnologia. Abaixo:

Extraído de: https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/o-var-e-o-lance-interpretativo/

O VAR E O LANCE INTERPRETATIVO

No consultório de um gastroenterologista, o paciente fala sobre a dor que o incomoda:

– Bom dia, doutor. É por aqui (leva a mão ao lado direito do abdome), e começou ontem. Uma dor bem forte. Estou preocupado porque pode ser algo sério, por isso marquei a consulta o quanto antes.

– Claro, claro. Mas não fique ansioso, vamos descobrir o que é. Eu vou te fazer algumas perguntas para avaliar seu estado de saúde, vou te examinar aqui no consultório e provavelmente também vou fazer um pedido de exame.

– Que exame, doutor?

– Uma endoscopia, um exame de imagem. Esse é o protocolo: o exame clínico e o exame de imagem. Assim temos maiores possibilidades de fazer um diagnóstico preciso e indicar um tratamento, se for necessário.
– Mas é necessário mesmo, doutor? Não podemos resolver logo aqui?

– Veja, o exame clínico nos dá algumas respostas. Mas a endoscopia, que é a introdução de um equipamento com uma microcâmera no seu tubo digestivo, nos permite ver tudo o que é necessário para montar um diagnóstico acertado. A combinação dos dois exames é ideal para saber que curso seguir.

– Mas doutor… eu sou um pouco tradicionalista nesse aspecto. Posso ou não posso confiar na sua capacidade de determinar o que tenho? Porque, ao longo dos tempos, as pessoas sempre tiveram esses problemas e não podiam contar com esses exames de imagem. É para isso que médicos servem, o senhor não acha?

– Médicos servem para tratar de pessoas com todos os recursos que estão disponíveis. Quando exames de imagem não existiam, não podíamos ir além do exame clínico, e problemas graves não eram detectados até que fosse tarde demais. A evolução da tecnologia colabora para a nossa atividade, com mecanismos que nos dão mais informações e nos ajudam a tomar decisões. Eu seria um péssimo médico se te mandasse para casa depois de te examinar, sem investigar essa dor de todas as formas que hoje nos auxiliam. Não posso ignorar essa possibilidade.

– Mas isso vai atrapalhar a dinâmica da minha vida. Vou ter de marcar o exame, gastar algumas horas, e esperar dias para ter o resultado… Eu prefiro que o senhor faça o seu melhor aqui no consultório, e aí sigo minha vida.

– O resultado sai no mesmo dia, e existem diversos locais onde o senhor pode realizar o exame. Se for uma úlcera, ou até um tumor, nós só poderemos saber com certeza com a imagem. Eu recomendo insistentemente que você faça o exame.

– Mas quem me garante que o exame vai salvar minha vida, doutor? Se for algo grave, e o senhor não detectar aqui, talvez não haja mais nada a fazer, certo?

– Não é isso. O propósito do exame não é salvar sua vida, mas oferecer a maior quantidade de elementos sobre a sua condição, para aumentar as possibilidades de um diagnóstico correto. É uma questão de informação.

– E os falsos positivos? Não existem? Minha sogra teve um problemão por causa disso, doutor. Fez um monte de outros exames, tomou remédios errados por dois meses, porque um médico avaliou mal uma ressonância magnética. Valeu a pena? Claro que não! Por isso digo que precisamos ter bons médicos, que saibam fazer bem seu trabalho. Os exames não vão resolver todos os problemas.

– Desculpe, o senhor está um pouco confuso. Que situação te deixaria mais confortável em relação a essa dor na barriga: apenas um exame clínico e a receita de uma medicação para dor, ou, além disso, um exame de imagem que mostra tudo o que é necessário saber para determinar o seu quadro?

– Mas o senhor garante que o exame vai solucionar o problema? Não, certo? Eu posso sair daqui, agendar o exame, perder metade do dia, e mesmo assim continuar sentindo dores e precisar ser operado…

– É exatamente por isso. Só com o exame eu poderei te dizer qual é a origem dessa dor.

– E tem outra coisa: em várias regiões do Brasil e do mundo as pessoas não têm acesso a endoscopias, e continuam vivendo do mesmo jeito. Esse é o valor da medicina; poder tratar a todos com a experiência dos profissionais de saúde, que, esses sim, estão em todos os lugares.

– Esse raciocínio não faz sentido. O que temos de fazer é trabalhar para que esses avanços cheguem a cada vez mais pessoas, ao invés de ignorá-los. Não é uma conduta inteligente deixar de utilizar recursos tecnológicos disponíveis, e confiáveis, só porque eles não estão ao alcance de todos…

– Espera aí, o senhor está dizendo que não sou inteligente? O que é isso? Acho melhor eu ir embora… médicos que se prezam não usam exames como muleta. Se o senhor fosse bom, mesmo, saberia me diagnosticar agora. Se for para fazer exames a toda hora, não precisamos mais de médicos. O exame diz o que está acontecendo e pronto. Assim é fácil.

– Não, exames não são feitos a toda hora. Mas em todos os casos em que colaboram de maneira determinante para esclarecer quadros. E exames não dizem “o que está acontecendo”. Quem diz isso é o médico, com base em todas as informações que tem. É assim que se faz um diagnóstico.

– Desculpe doutor, não me convence. Eu sou da época em que o médico dizia o que estava acontecendo e a gente confiava. Se estivesse errado, paciência. Obrigado.

– Lamento. Passar bem.

*Publicado originalmente no blog do jornalista, no “Lance!”

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– O encontro dos homens brancos com uma tribo indígena isolada!

Dá para acreditar que ainda existem tribos indígenas isoladas no Brasil?

Elas existem, e nos últimos dias uma expedição de 30 pessoas (com um preparo especial) conseguiu com sucesso um contato pacífico com eles. Vale a pena ler como foi!

Extraído do Blog de Matheus Leitão, em: https://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao/post/2019/04/05/expedicao-a-indios-isolados-teve-contato-pacifico-e-emocao-no-reencontro-de-parentes-diz-funai.ghtml

A EXPEDIÇÃO QUE FOI AO ENCONTRO AOS ÍNDIOS ISOLADOS

Expedição a índios isolados teve ‘contato pacífico e emoção no reencontro de parentes’, diz Funai

A maior expedição da Fundação Nacional do Indio (Funai) dos últimos 20 anos para fazer contato com índios isolados resultou, até o momento, em um encontro pacífico e acabou marcada pelo reencontro de parentes indígenas que estavam afastados. Também houve diálogos para evitar conflitos por terras.

Como o blog informou no início de março, a Funai preparou a maior expedição das últimas décadas para entrar em contato com um grupo de índios Korubo, na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas, que permanecia totalmente isolado.

A expedição, que começou a ser organizada no governo anterior, tinha dois objetivos principais: reaproximar parentes que se afastaram em 2015 e, também, evitar novos conflitos entre eles e os Matis, outra etnia indígena da região, pelas terras próximas ao Rio Coari.

Havia o risco de extinção física de uma das etnias, segundo a Funai, no caso de um contato inadvertido, porque existem muitas desavenças entre os dois grupos. Daí, a necessidade da expedição que fez a fundação abrir mão da política de “zero contato” com índios isolados, que vinha sendo adotada desde 1987.

Atualmente, a Funai evita ao máximo o contato com grupos indígenas para preservar a decisão dos índios de se isolar. Depois de aproximadamente 32 dias, o chefe da expedição e coordenador-geral de índios isolados e recém contatados da Funai, Bruno Pereira, conversou com o blog sobre os resultados da missão que, segundo ele, foi um sucesso.

Bruno Pereira lembra que a equipe da expedição era composta por 30 pessoas, entre profissionais de saúde, servidores da Funai, da Secretaria de Saúde Índigena (Sesai) e índios já contatados da região. Além da equipe que trabalhou efetivamente nas matas, a expedição teve o apoio da Polícia Militar, do Exército Brasileiro e da Polícia Federal.

Inicialmente, a equipe de trabalho passou por uma quarentena de 11 dias para se livrar de gripes e evitar a contaminação dos índios com doenças. Depois do período em quarentena, a equipe permaneceu oito dias na mata em busca dos Korubo isolados.

Bruno relata que a equipe usou como intérpretes índios Korubo já contatados, parentes que tinham se perdido do grupo dos Korubo isolados em 2015. Ao chegar nas roças mapeadas pela Funai, a equipe não encontrou imediatamente os índios isolados, que tinham saído em busca de alimento. Ao procurar pelos caminhos abertos pelos indígenas, a equipe conseguiu realizar o encontro.

Segundo a Funai, na manhã do dia 19 de março a equipe encontrou com dois indígenas isolados que caçavam. “Foi um encontro bastante emocionante, pois logo descobrimos que um dos dois Korubo que vieram em nossa direção era irmão consanguíneo de um Korubo que compunha a expedição. Eles não se viam desde 2015. Foi uma situação de bastante emoção e choro entre eles, que acreditavam que seu parente estava morto” conta o coordenador de Índios Isolados.

“Num primeiro momento, eles não estavam com suas armas, suas bordunas, e a gente também não. Nossos intérpretes Korubo são familiares que foram separados, então houve bastante emoção nesse momento, foi um contato bem pacífico e ele foi sendo construído”, explica Bruno Pereira.

De acordo com ele, no dia seguinte chegaram outros 22 indígenas que estavam nas proximidades. Duas famílias, compostas por 10 indígenas, se aproximaram nos três dias seguintes. Ao todo foram contabilizados 34 Korubos. Quatorze deles com idade aproximada entre 20 e 48 anos, sendo oito homens e seis mulheres, duas delas grávidas. O grupo conta, ainda, com 21 crianças e jovens de até 16 anos, sendo nove meninos e 12 meninas. Dessas, três bebês de menos de um ano de idade.

O chefe da expedição relata que não há registros de doenças que tenham sido passadas da equipe para os índios até o momento. Bruno explica que os Korubo estavam com uma malária “suave”, mas que não foi adquirida pelo contato com a equipe. Segundo ele, os índios “podem ter adquirido [a doença] nas visitas aos Matis ou pelos próprios caçadores ilegais que andam próximo ao Rio Coari”.

Questionado sobre o diálogo para evitar confrontos entre os Korubo do Coari e os Matis, Bruno Pereira revela que os índios entenderam que não devem se aproximar da região onde estão os Matis. No entanto, segundo o chefe da expedição, o contato ainda é muito inicial e precisa ser monitorado.

“Houve um entendimento, a gente conseguiu dialogar nesse sentido com eles. Disseram que não iam mais andar para lá e é fundamental entender que os intérpretes nossos são parentes deles, então a coisa pôde fluir um pouco mais. Mas está muito inicial, o processo é estável. São as primeiras informações de campo e a gente ainda tem que monitorar”, explica Bruno.

Bruno Pereira ressalta que a expedição não terminou. A ação vai diminuindo gradualmente até que a situação seja considerada segura e o contato esteja consolidado com os índios. Segundo ele, é preciso estar “alerta” por causa do histórico de conflitos na região.

“Agora ela [a missão] vai reduzindo um pouco conforme vamos ganhando segurança e estabilidade nessa relação. Leva um tempo. Não é algo feito em 10 dias, 15 dias. A gente não vira as costas e vai embora. Voltamos a repetir um monte de informações para eles com o intuito de que a gente não tenha dissabores após o contato”, explica.

Reencontro de parentes Korubo foi celebrado entre os índios — Foto: Bernardo Silva/Funai

Reencontro de parentes Korubo foi celebrado entre os índios — Foto: Bernardo Silva/Funai