– Como algumas escolas estão conseguindo vencer o bullying entre os alunos?

Sabemos que o bullying é uma triste realidade nas instituições de ensino do Brasil (e logicamente, em todos os setores da sociedade). E o que fazer para eliminá-lo definitivamente, a fim de que não cause efeitos tão nocivos como estão causando?

Extraído de: https://istoe.com.br/as-escolas-que-venceram-o-bullying/

AS ESCOLAS QUE VENCERAM O BULLYING

Na contramão da maior parte das instituições de ensino do País, que ainda não possuem práticas para coibir a discriminação, alguns colégios já adotam modelos bem-sucedidos para assegurar a boa convivência entre os alunos

Por Fabíola Perez

A imagem de um jovem cabisbaixo, isolado em um dos cantos do pátio, ou de uma criança acuada após ter sido vítima de provocações começa a se tornar rara em algumas escolas do País. Apesar de  numericamente ainda serem poucas, instituições de ensino têm desenvolvido metodologias específicas para combater a intimidação e se transformado em exemplos na batalha contra a discriminação e a propagação do ódio no ambiente escolar. O caminho não é simples, mas os resultados das iniciativas mostram que é possível coibir a prática.

“Os programas anti-bullying vão desde grupos
de jovens que aprendem a auxiliar as vítimas até
palestras para capacitar pais e professores”

Um desses colégios é o Bandeirantes, um dos mais tradicionais de São Paulo. Lá, as estudantes Mariana Avelar, 14 anos, e Isabela Cristante, de 12, fazem parte dos grupos de ajuda do Programa de Combate ao Bullying. Elas foram escolhidas pelos demais alunos para participar de dois dias de capacitação com uma equipe de professores universitários e psicólogos.

Por meio de situações hipotéticas, o treinamento deixou claro o que é bullying e como elas deveriam agir em diferentes casos. “As pessoas mais isoladas são aquelas com gostos diferentes da maioria. Tentamos nos aproximar até que o colega se sinta confiante para conversar”, diz Mariana, estudante do 9º ano. “Aprendemos que, às vezes, o problema é maior do que parece, e precisamos levá-lo aos orientadores”, conta Isabela, da 6ª série. Os estudantes também conversam com quem presencia ou pratica o bullying. “O agressor se conscientiza mais rapidamente” , afirma Isabela.

Com pulseiras para identificação, os participantes percorrem a escola auxiliando nos casos em que percebem o isolamento. A estratégia está funcionando. “Observamos a redução de casos”, afirma Marina Schwarz, orientadora da escola. “Hoje temos mais acesso aos episódios de provocação, que normalmente ocorrem por trás das autoridades.”

Outro colégio que adotou medidas para coibir o bullying é o Soka, também de São Paulo. Há dois anos, a escola organiza palestras com advogados e psicólogos. “Conversamos com os pais sobre a responsabilidade deles em verificar os celulares dos filhos. É preciso identificar se há indícios de bullying nas conversas em grupos de redes sociais”, afirma o diretor James Jun Yamauti.

A instituição também capacitou orientadores para dar assistência a alunos que chegam de outras escolas. “Trabalhamos com jovens que tiveram dificuldade de adaptação para que tenham um entrosamento melhor”, afirma Edna Zeferino Menezes, assistente de orientação educacional. Na sexta-feira 27, a escola deu início à semana do “Preconceito Não”, com palestras sobre direitos da população negra, questões de gênero e indígenas e a trajetória da população LGBT. “A ideia é que os alunos reflitam sobre questões que interferem diretamente no bullying e identifiquem se já vivenciaram situações semelhantes”, explica Yamauti. “Os constrangimentos diminuíram bastante. Se uma brincadeira passa dos limites, deixa de ser brincadeira”, afirma Igor Seiji Ando Bomfim, 15 anos, que relata ter ajudado colegas que sofreram discriminação.

DESCONTROLE

Em um momento no qual o tema vem à tona mais uma vez após o bullying ter sido apontado pela polícia como um dos fatores que levaram um adolescente de 14 anos a atirar contra colegas em uma escola de Goiânia na sexta-feira 20, é fundamental que iniciativas como essas deixem de ser fatos isolados.

Os colégios devem começar a colocar em prática ações determinadas pela lei contra os atos de perseguição, em vigor desde abril do ano passado. Uma delas é a produção de relatórios bimestrais com eventuais casos. “O bullying não é controlado pelas autoridades pela falta de dados, o que dificulta o diagnóstico da extensão do problema”, afirma advogada Ana Paula Siqueira Lazzareschi, especialista em direito digital. Outro aspecto importante é que, além do suporte à vítima, as instituições devem oferecer assistência ao agressor.

A ocorrência ainda diária das intimidações mostra, no entanto, um descompasso muito grande entre o que faz a maioria das escolas e o que manda a legislação. Casos extremos, como o de Goiânia, evidenciam, porém, a urgência na adoção de medidas efetivas. “O bullying não pode ter sua gravidade subestimada e ser tratado como uma brincadeira de criança”, diz a advogada Ana Paula. “A cultura da vingança ainda é muito presente  na sociedade e é esse desejo que está por trás do comportamento do agressor”, diz.

Terminando em tragédias ou não, casos de bullying têm efeitos indeléveis para a vítima, o agressor e toda a escola. “Ocasionam rachas nas salas de aula, colocam metade dos alunos contra o agressor e a outra parte a favor da vítima”, diz Ana Paula. Por isso, os programas de combate a práticas tão cruéis são fundamentais para reverter o aumento da intolerância em ambientes de aprendizado. Não de destruição.

DISPOSIÇÃO PARA AJUDAR

Satisfação em ver os colegas enturmados é o que move as alunas Mariana Avelar e Isabela Cristante, do 9º e do 6º ano, respectivamente, do Bandeirantes, em São Paulo. Há um ano, elas foram escolhidas para fazer um treinamento de capacitação e saber como atuar em casos de bullying. Desde então, as estudantes percorrem os espaços da escola e sempre que percebem situações de isolamento ou provocação se aproximam da vítima ou dos que testemunharam a ação. “Saber que consegui ajudar é muito bom”, diz Isabela.

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– Respeitar a opinião alheia, só se for igual a sua?

Eu me impressiono com pessoas fanáticas e mal-educadas. Digo isso pois, ontem, escrevi sobre o começo da vacinação contra o Covid e citei o Governador Dória (não sou eleitor dele, nem de Bolsonaro ou do PT – não me rotulo Esquerda ou Direita, pois sou apartidário).

No meu texto, falei sobre a felicidade de, enfim, ter início a um momento de acabar com a Pandemia. Aqui: https://professorrafaelporcari.com/2021/01/17/monica-calazans-o-simbolismo-da-vacinacao-e-a-invertida-de-doria-em-bolsonaro/

E não é que aparece gente que não lê texto (ou se lê, não entende) e mete o “seu governdorzinho” e te xinga com palavrões?

Os xingamentos eu exclui da imagem abaixo, não são delicados para a leitura. Mas os momentos de intolerância, aqui:

Pobre Brasil… Tanta gente boa, e intolerantes ditando o rumo da nação… Me assusta uma pessoa dizer que não vai tomar a vacina pois Deus o protege (sem entender que Deus é quem dá a iluminação para termos inteligência e produzirmos uma vacina). E no perfil desse senhor, se diz Cristão!

Nunca vi cristão de verdade ofender o próximo e desrespeitar quem pensa diferente, seja na política, no futebol e na religião.

– CSA 1×1 Avaí e os protocolos da discórdia. Como pode, Brasil?

Somos um país para levar a sério?

Como o futebol é um micro-cosmo da sociedade, veja o que aconteceu: jogavam CSA x Avaí pelo Brasileirão da Série B. Eis que o clube catarinense estava com todos os exames negativados para o jogo contra o alagoano, feito 72 horas antes. Este prazo, estipulado pelo protocolo da CBF, pode ser discutido. É um tempo razoável ou não?

Pois bem: o Avaí jogará 3a feira contra o Juventude, e fez, no dia da partida contra o CSA, os exames para o jogo contra o time gaúcho. No intervalo do jogo de ontem, recebeu-se a notícia que Valdívia estava com Covid-19. O atleta foi sacado da partida, depois de atuar o primeiro tempo inteiro.

Aí surgem questionamentos:

  • O protocolo funciona mesmo? O prazo não deveria ser menor?
  • Quais deveriam ser procedimentos mais seguros?
  • O laboratório que fez os exames entrou em contato com o representante da CBF. Isto é correto?
  • A queixa dos catarinenses é que Valdívia era o melhor da partida e o laboratório responsável é de cartola do CSA. Tudo bem ou não?

O Avaí anunciou que pedirá a anulação da partida. Abaixo: https://globoesporte.globo.com/sc/futebol/times/avai/noticia/presidente-do-avai-diz-que-pedira-a-anulacao-do-jogo-contra-o-csa.ghtml

Avaí x CSA: Veja como assistir a este jogo AO VIVO online

– Trate educadamente as pessoas, para que você seja sempre “bem marcado”.

Taí uma grande verdade nessa imagem: não só no mundo corporativo, mas na vida pessoal, muitas vezes somos rotulados por algumas características marcantes. Uma delas, que muita gente não se preza a evitar, quando tem poder em excesso, é a da arrogância!

Existem chefes supra-suficientes, outros soberbos, outros ainda frios. Mas há os empáticos, os humanistas e os colaborativos. Na condição de cargo superior, você se porta como?

Independente se você é um líder ou um subordinado, há de convir: quando lembra das pessoas, você, provavelmente, se recorda de como elas se comportavam…

Portanto, rotule-se positivamente! E lembre-se dessa mensagem abaixo:

– A solução para a crise é o número menor de prisões?

Ouviram essa?

Para resolver o problema dos presídios é só prender menos, para que se tenha mais dignidade e espaço suficiente!”.

A frase foi dita por uma defensora pública (ouvi na rádio, só peguei o primeiro nome: Vivian), e se refere à situação caótica dos presídios brasileiros.

A solução da crise carcerária, então, é “prender menos”??????

Não seria melhor educar o povo, coibir a bandidagem, fazer campanhas anti-drogas, desestimular a corrupção e a desonestidade…?

A ideia é de, em prendendo menos, dar mais conforto aos presos. Respeito que exista direitos humanos, mas não se pode confundir quem está pagando o preço da criminalidade com um hóspede mimado. Aí não dá.

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– Ser Católico no Iraque

Sabem como é difícil praticar a fé em um lugar intolerante religiosamente?

Compartilho os detalhes de como é viver o Cristianismo em locais dominados pelo Estado Islâmico. Há importantes e impressionantes relatos de Padres e Diáconos que lá vivem e/ou sobrevivem (a matéria tem 4 anos, mas é extremamente atual).

Abaixo, extraído de Revista Época, ed 09/01/2017

O NOVO MARTÍRIO DOS CRISTÃOS

Por Yan Boachat

As grandes marcas vermelhas na parede sem reboco mostram que aqui o sangue jorrou sob pressão. Há uma trilha de gotas que vão do piso ao teto. Sobre a mesa da antessala, uma mancha escura, quase negra, indica onde as degolas eram realizadas. Espalhadas pelo chão estão latas de feijão, embalagens de biscoitos e caixas de chá que os militantes do Estado Islâmico (EI) consumiam nesta casa em construção até há pouco mais de dois meses. Num canto, um rolo de barbante indica como as vítimas eram imobilizadas. “Aqui perto encontraram várias cabeças, mas os corpos nunca foram achados, devem estar enterrados no deserto”, diz Arkan Adnan Matti, um comerciante de 39 anos, ao observar mais uma vez o centro de execuções que o Estado Islâmico montou na casa que ele construía com um tio, bem ao lado do sobrado em que vivia com a mulher e três filhos, na cidade Qaraqosh, a 20 quilômetros de Mossul. As duas construções estão interligadas por buracos nas paredes feitos pelos extremistas.

A cozinha de Adnan foi transformada em uma espécie de restaurante de campanha para os soldados do EI. Sobre o fogão, os militantes escreveram um menu nos azulejos. “Temos kebab, frango com arroz e falafel.” O preço de cada prato está cotado em balas do rifle AK-47. Quase todos custam dez projéteis. Na sala principal da espaçosa casa construí­da pelo bisavô de Adnan ainda na década de 1940, uma seta desenhada mostra a direção de Meca e números revelam a frequência de rádio usada pelos combatentes. Sobre a parede branca, ameaças escritas com uma caneta preta: “Vocês ainda não viram do que somos capazes, vocês todos morrerão no inferno”, diz uma frase. Outra, avisa: “Nós vamos persegui-los e vamos matá-los, com a permissão de Deus. Nós vamos matá-los em qualquer lugar do mundo, porque Deus está conosco”. Adnan já leu essas frases várias vezes. Sempre que entra em sua casa, ele faz questão de lê-las. E toda vez chora. É um choro contido, de raiva. “Nunca mais será o mesmo, nunca mais nós vamos viver com eles”, diz.

Adnan faz parte da comunidade cristã que foi duramente perseguida pelo Estado Islâmico no norte do Iraque. Após séculos de convivência nem sempre pacífica, a relação de confiança, frágil, rompeu-se de vez. “Muitos dos que destruíram minha casa, minha cidade, minha vida moravam aqui ou nas vilas próximas”, conta. “Eram nossos amigos e vizinhos por décadas. Quando o Estado Islâmico chegou, tudo isso não importava mais. Eu só quero ir embora do Iraque e, se possível, nunca mais precisar falar com um muçulmano, eles são o câncer que tudo destrói”, diz ele.

Em 2003 estima-se que havia por volta de 1,5 milhão a 2 milhões de cristãos no iraque. Hoje eles não passariam de 200 mil

Foi na noite do dia 6 de agosto de 2014 que tudo mudou. Com os militantes do Estado Islâmico a poucos quilômetros da entrada de Qaraqosh, Adnan, como milhares de outros cristãos, teve apenas tempo para pegar os três filhos, a mulher e alguns pertences pessoais. “Saímos com os morteiros caindo. Largamos tudo para trás e fomos embora. Passamos quase uma semana morando na rua em Erbil”, conta, se referindo à capital da Região Autônoma do Curdistão, distante 50 quilômetros. Sua casa, como quase tudo em Qaraqosh, está parcialmente destruída. “Os americanos a bombardea­ram porque sabiam que eles estavam aqui”, conta, ao lado de um enorme buraco na laje, resultado de um ataque aéreo de precisão.

Hoje ele vive com a família em um contêiner em um campo de refugiados em Erbil. Voltou a Qaraqosh no final de dezembro para ver como as coisas estavam após dois anos e meio afastado. Diante da destruição, fez questão de reforçar sua decisão. “Acabou, não quero mais viver aqui, não há mais futuro para os cristãos no Iraque. Chegou a hora de partirmos para sempre.”

Enfraquecida após quase década e meia de perseguições e pouco lembrada no Ocidente, a comunidade cristã do Iraque é uma das mais antigas do mundo. Seu início remonta às viagens evangelizadoras de São Tomé, ainda no século I d.C., quando o apóstolo conseguiu converter parte dos assírios. Até hoje ser cristão no Iraque não se trata apenas de uma questão religiosa, mas sim, e principalmente, de uma identificação étnica. Os assírios, em sua maioria, não se converteram ao islã e permanecem um grupo minoritário no norte do Iraque, distintos tanto dos curdos quanto dos árabes, majoritários nessa região de fronteira com a Síria, a Turquia e o Irã. Até hoje é crime no Iraque tentar converter um muçulmano árabe ao cristianismo.

O enclave cristão iraquiano nasceu e se expandiu em torno de Mossul, a antiga capital do Império Assírio e hoje a maior cidade do autoproclamado califado do Estado Islâmico. Conhecida na antiguidade como Níneve, Mossul é uma cidade citada diversas vezes na Bíblia e palco de eventos importantes tanto para o cristianismo como para o judaísmo. Crê-se que o corpo do profeta Jonas, aquele que, segundo a Bíblia, passou três dias dentro da barriga de uma baleia, esteja enterrado nas ruínas da cidade antiga. Há relatos sobre Mossul nos livros de Gênesis, Isaías, Jonas, Reis, entre outros.

Mulheres cristãs eram vendidas como escravas sexuais pelo Estado Islâmico. O valor variava de US$ 35 para uma mulher adulta até US$ 120 para adolescentes

Tanto por questões sectárias quanto pela avassaladora chegada do islamismo à região que hoje é conhecida como Iraque, no século VII d.C., o cristianismo nunca conseguiu se expandir por aqui. Nos últimos anos, no entanto, as comunidades cristãs têm diminuído de forma acelerada e há o risco concreto de que desapareçam a médio prazo. Até a década de 1950 estimava-se que havia cerca de 4,5 milhões de cristãos no Iraque. Sucessivas guerras e golpes de estado foram reduzindo a população. Mas a diáspora cristã iraquiana se acentuou após a queda de Saddam Hussein, que, de certa forma, mantinha um governo secular e protegia as minorias religiosas que não ameaçavam seu poder. Em 2003, estima-­se que existia algo entre 1,5 milhão e 2 milhões de cristãos no Iraque. Cerca de dez anos depois, esse número já havia caí­do para menos de 500 mil pessoas. Após dois anos e meio de perseguição brutal do Estado Islâmico, os números mais otimistas falam em 350 mil cristãos no país. Estimativas mais pessimistas dão conta de que não existem mais que 200 mil cristãos vivendo no Iraque hoje.

Salwen Salim, um motorista de 40 anos que faz as vezes de taxista pirata nas congestionadas ruas de Erbil, também quer partir. Ele, como a vasta maioria dos cristãos que mora nos campos de refugiados na capital do Curdistão, não acredita mais ser possível viver no Iraque. “Não há futuro aqui para nós. Tenho três filhos e não quero que eles passem o que nós estamos passando”, conta ele, na sala enfeitada com pôsteres baratos de Papai Noel e uma pequena árvore de Natal. “Isso já aconteceu antes, sempre fomos perseguidos, e vai acontecer de novo.”

Salim foi um dos últimos cristãos a abandonar Mossul no verão de 2014. As pressões sobre a comunidade estiveram crescendo desde a queda de Saddam Hussein. Elas se acentuaram com a chegada da al-Qaeda e depois haviam melhorado com o enfraquecimento do grupo terrorista, no início da década. “Mas com o surgimento do Estado Islâmico as coisas voltaram a piorar. Passamos a ser ameaçados cada vez mais. As ameaças vinham por telefone, bilhetes, diziam que Mossul não era para nós”, conta ele, ao lado dos três filhos e da mulher. “E então começaram a nos cobrar para ficarmos lá, porque éramos cristãos. Por muito tempo eu paguei, não havia escolha.”

Nos meses que antecederam a tomada da cidade pelo Estado Islâmico, conta Salim, a situação passou a ficar insustentável. O número de assassinatos contra cristãos e outras minorias crescia e as ameaças deixaram de ser veladas. Salim diz que os rumores de que militantes do Estado Islâmico estavam entrando em Mossul pelo oeste criou um frenesi na cidade. As forças iraquianas, compostas basicamente de soldados xiitas, abandonaram a cidade e as pessoas tomaram as ruas comemorando a chegada dos combatentes sunitas. Para muitos moradores de Mossul, o Estado Islâmico era uma força libertadora dos abusos cometidos pelos soldados do Exército iraquiano.

“Decidi ir embora quando um de nossos vizinhos, nosso amigo de infância, matou meu primo e levou sua nora para ser vendida como escrava sexual”, conta Salim. “Naquela noite ele foi até a casa do meu primo e disse a ele que queria sua nora. Meu primo contestou, disse que aquilo era um absurdo, que eram amigos de infância, que seus pais eram amigos, que seus avós eram amigos”, afirma Salim. “Nosso vizinho apenas respondeu: ‘Me desculpe, mas essa é a nossa noite’”, conta o taxista. O primo, diz ele, recusou a exigência. O homem voltou menos de uma hora depois, armado com uma pistola e na companhia de homens com AKs-47. “Ele o matou ali, na porta de casa, e levou embora sua nora. Nunca mais a vimos.” Naquela noite Salim deixou Mossul para, espera ele, nunca mais voltar.

Em março de 2016, a ordem católica Cavaleiro de Colombo enviou à ONU um relatório listando mais de 1.000 cristãos mortos por sua fé entre 2003 e 2014

Relações tensas entre cristãos e muçulmanos são profundas, antigas e complexas nesta parte do mundo. “O cristianismo sempre foi perseguido aqui, o que vemos agora não é uma novidade”, diz Bashar Warda, o arcebispo da Igreja Católica Caldeia de Erbil, umas das diversas denominações cristãs que permaneceram ligadas ao Vaticano após o Grande Cisma de 1054, quando as igrejas do Ocidente e do Oriente se separaram em definitivo. “Essa também é nossa terra e os cristãos não vão desaparecer do Iraque”, diz ele, que afirma entender a raiva, a frustração e o desejo de partir de boa parte de sua comunidade. “É compreensível, mas conheço minha gente, nós somos cristãos, somos capazes de perdoar e esquecer.”

Apesar de serem considerados “povos do livro”, o que teoricamente lhes garantiria alguns benefícios, os cristãos foram duramente perseguidos pelo Estado Islâmico, em especial nas áreas onde muçulmanos sunitas e cristãos assírios conviviam havia muitos anos. Em regiões onde o cristianismo não tinha comunidades bem estabelecidas, o EI permitia que os seguidores de Cristo se convertessem ou pagassem taxas extras para continuar vivendo nas áreas ocupadas, ao contrário do que aconteceu com outra minoria religiosa da região, os yazidis. Mas no enclave cristão iraquiano foi diferente. “Aqui houve a tentativa de genocídio, essa é a palavra”, diz Salim Kako, ex-deputado do Parlamento do Curdistão, que defende ativamente a criação de províncias autônomas para os cristãos. “Eles tentaram nos exterminar, e não estou apenas falando do Daesh (acrônimo árabe derrogativo para Estado Islâmico), estou falando dos muçulmanos como um todo, em especial os sunitas.

A ordem católica Cavaleiros de Colombo tenta provar que houve um genocídio cristão no Iraque. Em um relatório enviado em março de 2016 ao então secretário de Estado americano, John Kerry, e para a ONU, a ordem listava em mais de 1.000 o número de cristãos mortos no Iraque deliberadamente por causa de sua fé, entre 2003 e 2014. De acordo com o mesmo documento, apenas na tomada de Mossul e das vilas em seu entorno, ao menos outros 500 teriam sido assassinados. Todas as igrejas da região foram destruídas ou queimadas. As peças religiosas vandalizadas. Praticamente todas as figuras de santos católicos tiveram suas cabeças destruídas.

Além disso, mulheres cristãs sequestradas estavam sendo vendidas nos mercados de escravas sexuais mantidos pelo Estado Islâmico por todo o califado. As cristãs eram comercializadas pelo mesmo preço das mulheres yazidis. O valor variava de US$ 35 para uma mulher com idade entre 40 e 50 anos até US$ 120 para meninas entre 10 e 20 anos. “É fácil para os políticos ou os líderes religiosos dizerem que a reconciliação é possível, mas para a maior parte dessas pessoas, tanto os cristãos como os yazidis, um laço de confiança foi quebrado de forma muito profunda com os muçulmanos e serão preciso gerações para que as coisas voltem a ser como antes”, diz Soran Qurbani, um pesquisador curdo, de origem sunita, que estuda os impactos da violência sofrida pelos grupos religiosos minoritários nestes últimos anos. “Nesse momento, não há espaço para reconciliação.”

O diácono Basim al Wakil, de 52 anos, dedicou sua vida à igreja e aos ensinamentos cristãos. Sua família era a responsável por administrar uma das mais importantes igrejas de Bartella, uma importante cidade cristã a 14 quilômetros de Mossul, há um século e meio. Ele nasceu e viveu até a noite de 6 de agosto de 2014 na casa contígua à Igreja de São Jorge. “Saí de lá às 3 da manhã, quando os soldados curdos começaram a recuar. As batalhas já estavam ocorrendo na cidade e percebi que, se eu ficasse, morreria.” Al Wakil fez uma mochila com uma calça, duas camisas, dois pares de meia e duas cuecas, além de algo para comer. Desistiu de levar a Bíblia quando se lembrou que um fiel havia instalado o livro sagrado dos cristãos em seu celular recém-adquirido. “Eu trouxe apenas o terço.” Caminhou por horas, até conseguir uma carona. Quando voltou à igreja, em dezembro, teve um acesso de choro. “Eu apenas me pergunto a razão disso, o que os motivou a destruir nossas igrejas, eu não entendo”, diz ele, hoje vivendo em um shopping center abandonado de Erbil que serve como lar para 400 famílias de cristãos que, como ele, fugiram do Estado Islâmico.

Al Wakil é um exemplo concreto da fissura que se estabeleceu entre a comunidade cristã e os muçulmanos sunitas, mesmo aqueles que não tiveram relação alguma com o Estado Islâmico e o combateram, como a maior parte dos curdos, por exemplo. Al Wakil diz não querer a reconciliação, não ser mais capaz de viver em paz com os islâmicos. “O som que sai das mesquitas chamando para as rezas é como o latido de um cão de rua. Eu não consigo perdoá-los, Deus sabe que não tenho forças para isso.”

É o que diz também o padre George Jahula, de 51 anos, que tem se dedicado a mapear a destruição de Qaraqosh. “Eu sei que nós, homens de Deus, deveríamos perdoar e lutar para que haja integração e não separação”, diz ele. “Mas eu não consigo, o perdão a essas pessoas precisará vir de Deus, não de nós”, conta ele. As afirmações do diácono Al Wakil e do padre Jahula são duras, mas não encontram respaldo entre a elite da comunidade cristã no Iraque. Younadem Kana, membro da minoria cristã no Parlamento iraquiano, diz que o momento é de união e não há razão para mais tensão com os muçulmanos. “Nós somos todos iraquianos, devemos exigir proteção a todos, independentemente da religião. O Estado Islâmico não é o islã, e o islã não tem nada a ver com o Estado Islâmico”, diz ele, um forte opositor da ideia de criação de uma província autônoma para os cristãos iraquianos.

Febronia Stalen, uma senhora de 76 anos, que nasceu e viveu toda a sua vida em Qaraqosh, é uma das poucas moradoras do campo de refugiados cristão de Erbil que pretendem retornar à cidade quando ela for reconstruída. Seus motivos, no entanto, estão mais ligados ao passado que ao futuro. Febronia quer morrer e ser enterrada na cidade em que sua família está desde sempre, segundo ela. “Durante todo esse tempo em que estamos aqui no campo, esse era meu maior medo, não poder ser enterrada junto a meus familiares, na Igreja da Imaculada Conceição.” Ela vive com duas filhas e duas netas em um contêiner e as vê se preparar para deixar o Iraque em breve. Um de seus filhos já vive na Austrália e prepara os trâmites para o resto da família seguir o mesmo caminho. Febronia, no entanto, diz que não sairá. “Eles têm um longo futuro pela frente, mas eu não. Minha vida está em Qaraqosh. Comecei lá, terminarei lá.”

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O padre George Jahula visita uma igreja atacada em Qaraqosh. Ele documenta a destruição na região (Foto: João Castellano)

Assista a esse vídeo em: https://youtu.be/Hbfwcxx9cUM

– Islândia e as leis trabalhistas igualando salários de homens e mulheres.

Que sirva de exemplo: a pequena Islândia é um dos poucos países onde a lei igualitária salarial para homens e mulheres funciona. Mais do que isso: os islandeses podem se gabar do reconhecimento de que lá é o melhor lugar do mundo para o sexo feminino viver.

O Brasil?

Na lista de 144 países de respeito às mulheres, é apenas o 90o.

Abaixo, extraído de: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/01/03/Como-a-Islândia-tornou-se-o-primeiro-pa%C3%ADs-a-proibir-salários-menores-para-mulheres

COMO A ISLÂNDIA TORNOU-SE O PRIMEIRO PAÍS A PROIBIR SALÁRIOS MENORES PARA MULHERES

A Islândia se tornou o primeiro país do mundo a tornar ilegal e punir com multas quem paga um salário maior para um homem, em relação a uma mulher, quando eles ocupam o mesmo cargo. A lei contra a discriminação salarial entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2018.

A nova legislação exige que empresas e agências do governo com mais de 25 empregados obtenham um certificado garantindo que adotam políticas de igualdade salarial. Aquelas que não conseguirem demonstrar isso serão multadas. O valor da multa será definido caso a caso, mas pode chegar a 50 mil coroas islandesas (cerca de R$ 1.500) por dia de descumprimento.

“Direitos iguais são direitos humanos. Precisamos garantir que homens e mulheres tenham oportunidades iguais no local de trabalho. É nossa responsabilidade tomar as medidas necessárias para garantir isso”, disse o ministro da Igualdade e Assuntos Sociais da Islândia, Thorsteinn Viglundsson, quando a lei foi anunciada, no início de 2017.

A Islândia, país europeu com população de cerca de 320 mil pessoas, é considerada o melhor país do mundo para mulheres devido à adoção de políticas de igualdade de gênero. Mesmo assim, as estimativas do governo indicavam que, em 2015, na média, mulheres ainda recebiam 30% a menos que homens.

É possível explicar essa diferença salarial entre homens e mulheres por fatores não relacionados a gênero: desempenhando a mesma função, pessoas com idades diferentes, diferentes níveis de escolaridade, anos de carreira ou atribuições podem apresentar diferenças salariais significativas.

Quando levados em conta todos esses fatores – ou seja, quando a comparação se dá entre homens e mulheres de perfil muito semelhante -, ainda assim as mulheres ganhavam 5,7% a menos que homens. Esse é o percentual de diferença salarial real em 2013, na Islândia, de acordo com relatório da Comissão Europeia. Essa diferença só pode ser explicada por discriminação de gênero.

COMO FUNCIONA A NOVA LEI

A Islândia já tem leis que visam garantir igualdade salarial entre homens e mulheres. A primeira legislação nesse sentido foi aprovada em 1961, de acordo com a Associação de Direitos das Mulheres da Islândia. À época, esperava-se que salários iguais fossem atingidos em apenas seis anos, já em 1967. Como isso não ocorreu, uma nova regra com o mesmo intuito foi aprovada em 1976. Em 2008, o Parlamento islandês aprovou novamente uma regra semelhante.

O que a nova legislação faz, então, não é exatamente exigir que os salários sejam os mesmos, mas que as empresas provem que os salários são os mesmos. A nova regra foi aprovada em 1º de junho de 2017 e passou a valer em 2018, com prazos diferentes para cumprimento, dependendo do tamanho da empresa. Companhias com mais de 250 funcionários, por exemplo, precisam se adequar até o final de 2018. Já firmas com menos de 90 funcionários têm até 2021 para se adaptar.

O MELHOR PAÍS PARA SER MULHER

A nova regra reforça a posição da Islândia como o “melhor país do mundo para ser mulher”. Desde o ano 2000, o país ocupa o topo do ranking de igualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial, que considera economia, educação, saúde e empoderamento político. Em 2017, o Brasil estava na 90ª posição (dos 144 países na lista).

A luta pela igualdade na Islândia foi marcada por uma greve geral de mulheres realizada em 24 de outubro de 1975, quando 90% delas paralisaram todas as suas atividades, de empregos formais a atividades não remuneradas como tarefas domésticas, cuidados com crianças e até cozinhar. Depois disso, as mulheres da Islândia voltaram a paralisar suas atividades em protesto outras quatro vezes. Normalmente, elas deixam o trabalho à tarde, marcando a hora em que, devido à diferença salarial, as mulheres passam a trabalhar de “graça” no país.

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– FIFA escolhe árbitras do Brasil para o Mundial de Clubes 2020!

Divulgado nesta 2a feira, dia 04, no site da FIFA: o Brasil já está no Mundial de Clubes da FIFA!

Edna Alves como árbitra central, Neuza Back como árbitra assistente 1 e a argentina Mariana de Almeida como árbitra assistente 2: este deve ser o histórico e pioneiro trio feminino no Mundial de Clubes MASCULINO 2020 (FIFA Club World Cup Qatar 2020), que será realizado no Catar entre 01 e 11 de fevereiro de 2021.

É uma grande novidade para mim, afinal, Raphael Claus e Wilton Sampaio estavam cotados e sendo trabalhados para a Copa do Mundo de Seleções em 2022 no Catar desde 2018 (uma vaga como árbitro central e outra para VAR). Normalmente, a Copa do Mundo de Clubes é usada como preparação para os árbitros que irão ao Mundial de Seleções.

Diante disso, se a apresentação das brasileiras e da colega argentina for convincente, ficaria difícil a FIFA não pensar seriamente em quebrar paradigmas e levá-las em 2022. Afinal, estariam mais experientes, já teriam conhecimento e ambientação do próprio país do Oriente, e, claro, um fator importante: seria um “golaço” da FIFA em dar oportunidade às mulheres num país fechado, antidemocrático e machista como o Catar!

Vou torcer para elas. Edna tem sido a mais regular dos árbitros do Brasileirão 2020 e é competente (assim como Neuza). Confesso desconhecer o trabalho de Marina de Almeida, mas deve ter suas qualidades também.

A única preocupação é fisiológica: o desempenho físico delas (são bem condicionadas, é sabido) frente ao calor do país desértico terá relevância? Se não conseguirem acompanhar os lances de perto, haveria contestação?

Lembrando: no Brasil, na final do Brasileirão Feminino A1 entre Kindermann-SC x Corinthians-SP, apitaram Rodolpho Toski e Wilton Sampaio… Nem nas semi-finais a CBF teve coragem de escalar Edna Alves, colocando Paulo Roberto Alves Jr e Vinícius Furlan. Portanto, o mérito é exclusivamente da moça por tal indicação!

Neste exato momento, acreditem: alguns árbitros do quadro masculino estão com um enooooorme nariz torcido…

Confira a lista completa dos selecionados em: https://img.fifa.com/image/upload/ccvozk06oenutj7pafjr.pdf

– CovidFest mostra que o povo paga pelos seus próprios pecados!

Muitos se questionam sobre ações preventivas públicas, vacinas e remédios nesta pandemia. Mas e se as pessoas não fazem a sua parte?

Extraído de: https://jornaldebrasilia.com.br/brasil/covidfest-lota-ipanema-e-nao-esvazia-nem-com-chegada-da-pm/

COVIDFEST LOTA IPANEMA

Essa foi apenas uma das festas ilegais que tomaram a orla da cidade, bloqueada para o Réveillon como forma de mitigar aglomerações

por Anna Virginia Balloussier e Cristina Camargo

Cenas na areia de Ipanema abarrotada de jovens, numa festa que começou na tarde de quarta-feira (30) e varou a madrugada, fizeram da praia carioca o novo símbolo do descaso com a segunda onda de Covid-19 num Brasil que beira as 200 mil mortes pelo vírus.

Os vídeos espraiados por redes socias foram capturados na altura da rua Farme de Amoedo, point LGBTI do Rio de Janeiro. “Olha como está a praia. Simplesmente lotado uma hora dessa. Não tem mais festa, mas elas não deitam”, diz um rapaz numa gravação que mostra centenas de homens, a maioria só de sunga, no lusco-fusco. Não há ninguém com máscara.

Em outro vídeo, com o sol ainda a pino, há um ou outro com algum tipo de cobertura na cabeça: bonés e chapéus de palha. De novo, zero máscara.

Essa foi apenas uma das festas ilegais que tomaram a orla da cidade, bloqueada para o Réveillon como forma de mitigar aglomerações. Nas redes, celebrações ganharam o irônico título de CovidFest.

“Somos uma tragédia ambulante”, escreveu um internauta ao comentar as imagens que viralizaram de pessoas dançando e bebendo em Ipanema.

“Juro que quando vi os vídeos que estão circulando enxerguei um cemitério com vários túmulos amontoados”, disse outro rapaz.

A Polícia Militar diz estar “desempenhando esforços para atuar nesse complexo momento e conscientizar a população sobre as regras previstas nos decretos da pandemia”. Não sabe quantificar quantos eventos do tipo foram desbaratados pelos policiais.

A PM atuou em Ipanema, mas, mesmo após interromper a festança, muitos homens continuaram na areia e no calçadão.

A Prefeitura do Rio diz que intensificou a fiscalização para a manhã desta quinta-feira (31) e a noite da virada.

O município chegou nesta quarta a 14.743 mortos por Covid-19. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a taxa de ocupação na UTI do SUS para pacientes com o vírus (que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais) é de 92%.

As informações são da Folhapress

CovidFest' lota Ipanema e não esvazia nem com chegada da PM - Folha PE

– Inclusão Digital URGENTE!

Dr José Renato Nalini abordou um tema deveras importante: a necessidade de promover a inclusão digital como Política de Estado, devido às várias urgências!

Confira que visão importante, extraída de: https://renatonalini.wordpress.com/2020/12/28/era-da-inclusao-digital/

ERA DA INCLUSÃO DIGITAL

O mundo pós-pandemia será cada vez mais digital. A luta contra o coronavírus obrigou à tomada de providências drásticas, dentre as quais o confinamento da maioria das pessoas. Verdadeiro pânico se estabeleceu e nos primeiros meses observou-se o distanciamento social e um severo capítulo de medidas de higiene.
Aos poucos, o Brasil vai se acostumando com as seiscentas mortes diárias e mais de vinte mil novas contaminações. Isso significa que a epidemia continua e que teremos de conviver com ela nos próximos anos. Sem prejuízo da vinda de outras novas, associadas ao maltrato da natureza e à extinção da biodiversidade em todo o planeta.
Tal cenário impõe a absorção plena da cultura digital. Ela mostrou-se capaz de minorar os males decorrentes da peste. As aulas continuaram e a transmissão de conteúdo mostrou-se a tábua de salvação para milhões de estudantes. O contato virtual com familiares foi uma constante. As lives mostraram-se instrumento eficiente e idôneo de comunicação grupal. Ouvi de amigos conferencistas que nunca tiveram tanto auditório como nesses tempos.
Bancas para a arguição de dissertações e teses puderam funcionar. As compras online já eram exitosas e mostraram-se cada vez mais eficazes, assim como a movimentação financeira pelos bancos e demais instituições.
Isso evidencia a urgência de políticas sérias de inclusão digital de todos os brasileiros. Os millenials já dominam com desenvoltura as modernas tecnologias e descobrem funcionalidades de forma espontânea, desnecessária qualquer formação técnica específica. Eles podem ser de imensa serventia para treinar os adultos e aqueles da geração analógica, às vezes perdidos na parafernália dos mobiles.
Levar a inclusão digital a sério, como política de Estado, mas não condicionada a iniciativas de governo, é missão que se atribui a todo brasileiro lúcido e capaz de enxergar com acuidade a situação em que a Terra se encontra.
Todas as maiores empresas globais integram esse universo das tecnologias da comunicação e informação. O capital intangível da informação mostrou-se hábil a satisfazer a ânsia capitalista por amealhar fortunas e por dominar uma sociedade mundial cosmopolita, que aspira ter acesso ao que é mais atual e mais contemporâneo em termos de mercado.
Uma nação com desenvolvimento assimétrico, na verdade periférica em grande parte e emergente – talvez a mais atrasada dentre as BRICs – precisa imergir nessa cruzada de treinamento da cidadania, com empenho, garra e audácia.
A Quarta Revolução Industrial mudou profundamente a sociedade e os países que ficarem na rabeira dificilmente alcançarão aquelas que tomaram a dianteira. Não há progresso per saltum, o que significa a necessidade de percorrer todas as etapas do processo, mas em ritmo bastante acelerado.
Os municípios, entidades da Federação brasileira, precisam ser inteligentes e tentar suprir a ausência de planejamento que caracterizou o desordenado crescimento e a insensata conurbação que caracteriza grande parte do território brasileiro. As escolas não podem se resignar a transmitir conhecimento convencional, mas têm de entrar para valer no mundo digital. Ensinar os alunos a extrair consequências úteis para o uso híbrido de múltiplas tecnologias. Aprender programação. Criar aplicativos para a resolução de problemas aparentemente insolúveis.
Com a desenvoltura que os millenials têm, eles poderão se converter em tutores dos adultos. Nunca mais se poderá dispensar esse uso benéfico da internet, que multiplicou a produtividade de um setor emperrado e constantemente acusado de lentidão, que é o Judiciário. Os bancos e instituições financeiras já não dependem de comparecimento de seus clientes a sedes que serão drasticamente reduzidas e o PIX está aí, para facilitar ainda mais as coisas.
Tudo pode ser feito pelas redes sociais, que precisam ser instrumentos civilizatórios e abandonar esse desvio nefasto da produção de fake News e de disseminação de discórdia, ira, ódio e violência verbal.
Não se espere que governo seja o condutor de um processo que deve inspirar empresários e empresas, ONGs, Universidade, educadores e escolas, organizações, clubes, associações, entidades e pessoas físicas providas de empenho em transformar – para melhor – este sofrido Brasil.
Talvez chegue um dia em que até a vetusta Justiça venha a se comover e promova eleições pela internet, poupando recursos escassos, tempo e a obrigação de trabalho escravo requisitado à cidadania, assim como o uso de dependências privadas, numa grande e perigosa aglomeração de pessoas em plena crise da Covid19.
Já possuímos toda a estrutura para colher a manifestação da cidadania pelos seus mobiles. Com grande ganho em eficiência e rapidez, sem a invocação falaciosa de que uma eleição digital é mais perigosa do que a eleição convencional.
Inclusão digital movimenta a economia e habilita as pessoas ao exercício pleno de uma cidadania que foi prometida, mas que não virá como dádiva estatal, senão como conquista de quem quer participar dos destinos de sua Pátria e não ser massa de manobra para interesses nem sempre claros, nem sempre os mais legítimos.

_ José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2020-2021.

– O Famigerado Assédio Moral

Amigos, compartilho um interessante artigo do Prof José Renato Santiago, a respeito da definição e das conseqüências de algo, infelizmente, corriqueiro em algumas organizações: o assédio moral!

Extraído de: http://www.jrsantiago.com.br/edit.html

O FAMIGERADO ASSÉDIO MORAL

Algo que nos envolve, que nos pressiona, que nos sufoca…

A verdade é que muitas vezes o assédio moral, por ser formado por uma série de pequenas ações, torna-se algo difícil de explicar.

No entanto, a maneira como ele nos atinge é algo claramente notado.

De repente pequenos pedidos e solicitações começam a nos aborrecer.

Não sabendo ao certo o motivo de se haver a necessidade de desenvolver algumas atividades, passamos a questioná-las.

Primeiro internamente, sendo que logo a seguir, aparecerem outras demandas que não possuem qualquer relação com as anteriores.

A confusão começa a fazer parte de nossa mente, e passamos a duvidar cada vez mais de nossa capacidade de entendimento.

Nossa capacidade de discernimento do ponto de vista profissional começa a fraquejar.

Quando enfim decidimos expor as razões de nossas dúvidas junto aqueles que, a princípio, são nossos líderes, nada mais é acrescentado.

Neste momento é quando mais notamos uma certa carência, e o pior, nos culpamos por isso.

E o fluxo parece sempre ser o mesmo, não há diretrizes, tão pouco objetivos claros a serem atendidos, apenas a manutenção de uma falida relação de chefia / subordinado.

Como se o subordinado não tivesse qualquer espaço para desenvolver seu raciocínio e utilizar de suas competências da forma mais adequada.

Aí vem o desanimo, a falta de vontade que é um trampolim para o comodismo.

Muitas vezes, infelizmente, muito embora estejamos dentro de um lema corporativo de defender e valorizar as pessoas, com certa frequência muitos profissionais adotam atitudes que, de firme mesmo, tem apenas o interesse de usar as competências de seus colaboradores de maneira míope sem qualquer preocupação em valorizá-los.

“Pode deixar que penso por você…” ou “Sei bem o que estou fazendo”….passam a ser mais do que simplesmente frases, mas sim diretrizes que limitam a usar de forma pejorativa o que existe de melhor das pessoas.

Cabe a cada um de nós, funcionários, colegas de trabalho e até mesmo “chefes” nos atermos a forma pelo qual estamos construindo nossas relações junto as atividades que desenvolvemos.

Somos pessoas que possuímos nossos valores, temos nossas competências e sendo assim, temos que ser incluídos, ou ao menos informados, das decisões sobre as quais estamos envolvidos de alguma forma… ainda mais que as relações atuais de trabalho não podem se limitar a serem uma evolução das antigas relações existentes ente os senhores e seus escravos.

Assédio Moral no Trabalho! Como e por que acontece?

– PSG x Istambul Basaksehir: um marco na luta contra o Racismo! E a vergonhosa atitude do árbitro…

O árbitro de futebol é a figura de respeito que deve ZELAR pelo cumprimento das Regras do Jogo. Ele precisa inspirar atitudes corretas e exemplares, de honestidade e imparcialidade. E ao ver o quarto-árbitro Sebastian Colţescu, na partida entre o Paris Saint-Germain x Istambul, tratar com prepotência o camaronês Webó, fico envergonhado!

A forma como ele trata (não a palavra “negro” ou “preto” em si), é arrogante. Não identifica-o com respeito, mas fala com teor de menosprezo, conforme as imagens mostraram. Lamentável. E sabemos que há muito racismo na Europa.

A atitude dos jogadores se recusando a jogar, destacando a liderança de Neymar, foi positiva. E por ser um jogo da Champions League, tomara que seja um marco no futebol tal ocorrência.

Chega de Racismo. Cansou!

Acréscimo: achei sensacional essa afirmação:

“Todas as vidas importam, mas as vidas que foram segregadas e maltradas há séculos, importam mais.”

Mauro Beting, no Esporte Interativo.