– Os Textos Nunca escritos por Veríssimo

Ora, ora… Luís Fernando Veríssimo, conceituadíssimo escritor, em entrevista a Isto É (Ed 2277, pg 10), declarou que os textos que vê na Internet atribuídos a ele (que não participa das Redes Sociais), o fazem rir! Muitos artigos são achados no Facebook como de sua autoria, que nunca os escreveu. Disse ainda:

Nenhum incomoda, porque não há o que fazer para impedi-los. Alguns são bons, e eu aceito os elogios para não desiludir a pessoa que vem dar parabéns. Teve um, o ‘Quase’, que correu o mundo e foi publicado em um livro em francês. Nunca escrevi ele.”

KKK… coisas da Internet. Abaixo, o “Quase”:

QUASE

Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distancia e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à duvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

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– Vale a pena nunca julgar! Quem levou o preconceito humano como ao limão?

A Flor do Limoeiro serve para fazer esta perfeita analogia: até os (as) mais azedos (as) têm sua beleza…

O limão não é doce, seu suco pode manchar a pele e o preço não vale quase nada. Entretanto, as limonadas são gostosas e o que aparenta ser desagradável, vez ou outra floresce singela e delicadamente. Vide o clique do limoeiro da minha casa (abaixo).

Quantas pessoas amarguradas que conhecemos são azedas na simpatia, enrugadas no relacionamento e amargas no comportamento. Mas como podemos julgar o íntimo delas?

Dessas, vale esperar um florescer eventual, uma demonstração de boa vontade ou, se nada disso existir, o respeito às causas internas dela ter se tornado uma pessoa murcha ou infrutífera.

O que não se pode nunca é: julgar! Nem taxar, rotular ou discriminar. A beleza pode ser imperceptível por razões nas quais nem imaginamos…

Ops: mas que papo é esse que usou o limão para questionar? Poderia ser o jiló, o coentro e outras tantos exemplos duvidosos da Mãe-Terra! rsrs

Brincadeiras à parte, fica a reflexão: olhemos com mais doçura para as pessoas, procurando minorar o azedume existente.

– Bom dia, Sábado!

👊🏻 Bom dia!
Apesar do #frio, vale a pena correr para se sentir bem.
Vam’bora suar?
🏃🏻👟 #Fui #RunningForHealth #run #cooper #training #corrida #sport #esporte #running #adidas
Clique 1:

🙏🏻  Correndo e Meditando:
Ó #Maria sem pecado concebida, rogai por nós que recorremos a vós. #Amém.
⛪😇  #Fé #Santidade #Catolicismo #Jesus #Cristo #MãeDeDeus #VirgemMaria #NossaSenhora #PorUmMundoDePaz #Peace #Tolerância #Fraternidade
Clique 2:

🌺  Fim de #cooper!
Suado, cansado e feliz, alongando e curtindo a beleza da #natureza. Hoje, com nossa #roseira.
🏁 🙆‍♂️  #corrida #treino #flor #flower #flowers #pétalas #pétala #jardim #jardinagem #flores #garden #flora #run #running #esporte #alongamento #nofilter
Clique 3:

🌅  Desperte, #Jundiaí.
Que o #sábado possa valer a pena!
🍃🙌🏻  #sol #sun #sky #céu #photo #nature #morning #alvorada #natureza #horizonte #fotografia #pictureoftheday #paisagem #inspiração #amanhecer #mobgraphy #mobgrafia
Clique 4:

Ótima jornada para todos!

#FOTOGRAFIAéNOSSOhobby

– Capacitação Profissional

CARREIRA E TRABALHO – A necessidade de sempre estarmos buscando aprimoramento profissional é indiscutível. Mas será que aquele fornecido pelas empresas já é suficiente e vai de encontro às nossas carências?

Um bom artigo para discutir, em: https://youtu.be/44Oq-Fn7zug

 

– Churrasco, churrasqueira e tradição gaúcha!

Este vídeo está sendo publicado especialmente para o meu pai e o meu tio Nelson, que gostam da cultura do Rio Grande do Sul (e eu também).

A cada churrasco, uma churrasqueira maior e uma engenhoca diferente (mas ouçam com o som, pois a música é boa).

E, logicamente, palmas para os gaúchos…

Em: https://youtu.be/771Aekw_0N8

– Jundiaí voltando à Fase Vermelha na Pandemia

Lamentável. Pessoas imprudentes, não se prevenindo; autoridades fazendo vista grossa, não agindo como deveria; e, por fim, a falta de empatia e descrença no perigo do Covid-19.

Jundiaí vai fechar tudo de novo. Aqueles que fizeram sua parte, desgostem-se de quem não fez.

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– Ser improdutivo, de vez em quando, não é tão ruim…

Muitas vezes as pessoas se esgotam na rotina do trabalho e prejudicam o próprio serviço. Afinal, é muito difícil render o máximo a todo instante. Um pouco de improdutividade (ou se preferir: descanso), de vez em quando, não faz mal!

Quem nunca surtou ou chegou “à beira de” por conta do engajamento profissional sem perceber que é um ser humano normal?

Um pouco mais, extraído de: https://www.linkedin.com/feed/news/cuidado-com-o-esgotamento-4698300/

CUIDADO COM O ESGOTAMENTO

É humanamente impossível manter um alto nível de performance no trabalho o tempo inteiro. Devemos aceitar nossos limites e nos permitir um certo grau de improdutividade durante a jornada de trabalho. Se não fizermos isso, o risco de esgotamento ou “burnout” é enorme, alerta Alberto Roitman, diretor na Nexialistas Consultores e professor da FIA Business School: “não se disputa uma Olimpíada e uma Copa do Mundo no mesmo ano. Nenhum ser humano consegue estar o tempo todo com 100% da sua capacidade de alta performance. No mercado corporativo não é diferente”.

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– É birra contra a máscara, Bolsonaro?

Que coisa! Leio que o presidente Bolsonaro sancionou a Lei que regula o uso de máscaras e desobrigou o uso no Comércio e em outros lugares.

Segundo o UOL:

“Os trechos vetados pelo presidente estão a obrigatoriedade do uso de máscara em estabelecimentos comerciais, industriais e de ensino, templos religiosos e demais locais fechados em que haja reunião de pessoas. Esses estabelecimentos também ficam dispensados de fornecerem máscara para seus funcionários.”

Para tentar reabrir as coisas com segurança, é indispensável o uso da máscara. Não custa nada! Parece que o presidente faz isso de birra. Inexplicável.

Presidente Jair Bolsonaro coloca máscara de proteção em Brasília - Adriano Machado/Reuters

– E se Messi sair do Barcelona em 2021

Surgem especulações de que Lionel Messi poderá respirar novos ares em 2021. O motivo é o de que diretores do Barcelona reclamam de que ele não é o líder em campo que desejam (com a bola que ele joga… aff). Tal queixa “mais ou menos” é a mesma que ele teve que aguentar na Seleção Argentina.

Cá entre nós: o que Messi já fez para o Barça (e ele é o único que tem jogado uma bola redonda ultimamente) é covardia.

Mas e se ele sair? 

Eu duvido que ele vá para uma equipe concorrente aos catalães. Nada de rival ou de quem disputa competições paralelas. Penso eu que, por qualidade de vida, menos pressão e mais dinheiro, poderá ir aos EUA.

E se você fosse Messi?

Rádio espanhola diz que Messi desistiu de renovar com o Barcelona

– Crença e Idade não definem caráter!

Um assunto espinhoso, mas real: pessoas que se escondem através da fé e da velhice para se colocarem acima do bem e do mal.

Digo isso pois me surpreendi com a leitura de um caso complicado. Vamos lá: um senhor “vulgo fictício nome José” (que frequentemente discorda de todos e já me ofendeu pelas Redes Sociais) é categórico na sua ideologia política. Quem pensa diferente dele, é xingado. O seu vocabulário sujo e desrespeitoso já atacou gays, pessoas que torcem para time de futebol diferente, eleitores, religiosos, jornalistas ou outras coisas as quais não comunga.

Não escreverei os termos chulos que ele usa com frequência, pois o leitor não deve ser constrangido com palavrões e palavras odiosas. Mas veja que curioso: num dos inúmeros casos onde ele não está nem aí para a educação, esbravejou e xingou uma determinada situação promovida por uma pessoa que ele desconhecia. Ao conhecer o autor daquilo que o desagradava, mudou de opinião alegando, por outras palavras, que o cidadão “era um Servo de Deus como ele” e então confiava nele.

Peraí: os cabelos brancos do xarope, que deveriam demonstrar experiência de vida e não ódio do mundo, não o ensinaram que a fé de alguém não determina o caráter?

Perceberam que ao descobrir que era alguém da mesma igreja que ele frequenta, a opinião mudou? Se fosse outra pessoa de outra igreja, a opinião mudaria também (como demonstrou até saber quem era)?

Desde quando você frequentar a igreja X o faz melhor do que a igreja Y? É salvaguarda para fazer o que quiser?

Me chamou mais a atenção que um sujeito que xinga, destila ódio, é intolerante e usa palavras tão horríveis, se auto-intitular Servo de Deus!

Há católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos, budistas, hindus e ateus bons; e, claro, há os mesmos fieis dessas crenças sendo pessoas ruins. Crer sem praticar o que a religião prega é algo vazio, pois, independente de Deus (ou do deus) que a pessoa acredita, a primeira mensagem de todas elas é do amor!

Paciência. O mundo está cada vez mais intolerante, e usa indevidamente o nome de Deus para se justificar em atos errados.

Conceito de acordo de hipócrita | Vetor Premium

– Sobra algum honesto? Operação Revoada denuncia José Serra.

Lembram da lista do Departamento “de Propina” da Construtora Odebrecht? Havia políticos de praticamente todas as siglas, apelidados e sempre como um motivo bem “marcante” para a escolha dos nomes.

Lula e seus amigos do PT, além dos partidos que o apoiavam, estavam nela. Idem a Geraldo Alckmin e parceiros do PSDB, além dos aliados. O problema é que: o dinheiro era muito bem transacionado por diversos países e contas, numa engenharia financeira extremamente bem feita, a fim de dificultar as investigações.

Nesta sexta-feira, a Polícia Federal agiu conforme denúncia oferecida ao Senador José Serra e sua filha Verônica, por lavagem de dinheiro no Rodoanel, proveniente da mesma construtora.

O Bhrama, a Avião, o M&M, a Barbie, o Italiano, o Baiano… todos farinhas do mesmo saco!

Se você não sabe a quem se refere esses codinomes acima, procure aqui: https://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/apelidos-de-politicos-na-odebrecht-quem-e-quem.ghtml

Ops: como provavelmente haverá o comentário de que “pelo menos Bolsonaro não é corrupto”, já aviso: eu não ponho a mão no fogo por gente como ele. Não é, Flávio e Queiroz?

Lava-Jato denuncia Serra e sua filha por lavagem de dinheiro ...

 

– Escolas para Todas as Inteligências

Ótima matéria sobre como educadores podem desenvolver as virtudes dos alunos com métodos alternativos de ensino. Importante para todos nós que militamos nessa área:

Extraído de: Portal da Educação

ESCOLAS PARA TODAS AS INTELIGÊNCIAS

por Ana Aranha

Do Japão à Argentina, alguns colégios ensinam criatividade, autoconhecimento e outras habilidades que não estão no livro didático de seu filho

“Eu tinha um jardim de 8 metros quadrados, mas regava apenas 2 metros quadrados dele.” Assim um professor na Turquia definiu a mudança no modo de trabalhar depois que sua escola adotou a teoria das inteligências múltiplas. Criada na década de 80 pelo psicólogo americano Howard Gardner, professor da Universidade Harvard, a teoria propõe a existência de pelo menos oito tipos de inteligência. Segundo Gardner, as habilidades tradicionalmente reconhecidas e ensinadas nas escolas – o raciocínio lógico e a capacidade de aprender e usar a língua – são apenas parte das potencialidades do cérebro. As outras inteligências seriam: a musical, a de visualizar espaços, a de controlar movimentos do corpo, a de lidar com elementos da natureza, a de relacionar-se com os outros e a de conhecer os próprios limites e expectativas.

Desde que Gardner lançou a teoria, educadores em todo o mundo experimentam modelos alternativos para estimular as oito inteligências na escola. O primeiro resultado dessas experiências costuma ser uma mudança no olhar do professor, como aconteceu com o professor turco citado no começo desta reportagem. “Antes, para mim, os alunos que se destacavam em outras áreas que não matemática e língua eram menos inteligentes. Lamento por tê-los discriminado.” O relato é um dos muitos reunidos no livro Inteligências múltiplas ao redor do mundo, organizado por Gardner e que será lançado nesta semana no Brasil pela Editora Artmed. No livro, educadores de 15 países da Europa, da Ásia e das Américas contam como aplicaram a teoria em escolas públicas e privadas. Não há relatos sobre o Brasil.

Gardner, como psicólogo, nunca passou instruções aos educadores. Por isso, as experiências são bem diversas. Mas há dois princípios que marcam as adaptações de sua teoria às escolas. O primeiro é a tentativa de dar atendimento individual aos alunos – um meio de identificar em qual inteligência o aluno tem facilidade ou dificuldade. Na americana Key School, a primeira a colocar a teoria em prática, cada aluno tem semanalmente um momento livre em que recebe a atenção exclusiva do professor. Ele desenvolve a tarefa de seu interesse enquanto o professor o observa. Pode ser a pesquisa de um motor, a construção de uma maquete ou a redação de um poema. O aluno propõe a tarefa e se dedica a ela por quantas horas quiser. Ao final, o professor discute quais foram os pontos fortes e fracos da atividade, e o aluno escreve um relato. O objetivo é ensiná-lo a conhecer seus próprios interesses, facilidades e limites. A avaliação feita pela escola também é diferente. O boletim acompanha o estágio de motivação do aluno em cada inteligência. Em vez de dar notas por disciplina, o professor avalia se o aluno apresenta motivação interna, externa, passiva ou dispersão.

O segundo princípio dos educadores que trabalham com a teoria de Gardner é o esforço para variar linguagens. Em vez de ensinar uma lição só com a leitura de um texto, o professor também propõe uma atividade motora. Foi o que rendeu ao professor Naohiko Furuichi o prêmio do Programa para Educação Científica da Fundação para a Educação da Sony no Japão. Para ensinar as fases da Lua, Furuichi montou uma maquete da órbita da Terra com diversas luas, cada uma pintada de acordo com a iluminação que recebe naquela posição. No meio da maquete, no lugar da Terra, ele fez um buraco onde os alunos colocam a cabeça (foto na próxima. pág.). “Olhando as miniaturas do centro eles entendem por que a Lua parece diferente para nós”, afirma Furuichi. Além da maquete, Furuichi apresenta um poema sobre a relação entre uma flor oriental e a posição da Lua. Com esse tipo de atividade, ele procura estimular os alunos em pelo menos duas inteligências: línguas e visualização de espaços.

Embora ocorram em vários continentes, as experiências inspiradas em Gardner geram controvérsias nas escolas. Para abrir espaço para atividades tão diferentes, é preciso reduzir a quantidade de conteúdo. E, como o professor respeita o ritmo de cada aluno, não é possível submetê-los a avaliações em larga escala – principal instrumento para os governos manterem o controle da qualidade do ensino. Um dos maiores críticos da difusão das ideias de Gardner nas escolas é o educador americano Eric Donald Hirsch Junior. Hoje aposentado, ele foi o principal defensor da importância dos testes nacionais nos Estados Unidos. Para Hirsch, um currículo extenso enriquece o vocabulário e fixa o domínio da escrita e do raciocínio lógico-matemático, ferramentas importantes no mercado de trabalho. Tirando o foco dessas inteligências, a escola perderia sua melhor ferramenta para promover a igualdade social.

A resposta de Gardner a essa crítica é que o mundo de trabalho atual também exige criatividade, habilidade pouco trabalhada pelo ensino tradicional de conteúdos. Ele diz ainda que as outras inteligências são importantes para a vida fora do trabalho. “Se você é bom de língua e lógica, vai se achar muito inteligente na escola”, disse, em entrevista a ÉPOCA. “Mas, no dia em que se vir na Floresta Amazônica ou no trânsito caótico de São Paulo, vai descobrir que não sabe tanto assim.”

Polêmicos, os questionamentos de Gardner, além de oferecerem uma alternativa para pais e educadores que procuram uma formação diferente para seus filhos e alunos, servem também para chacoalhar a escola – uma das instituições mais resistentes a mudanças. Na Coreia do Sul, onde há muita cobrança por resultados nas avaliações nacionais, o Ministério da Educação incluiu uma adaptação da teoria de Gardner no currículo e na formação dos professores da pré-escola. Foi uma tentativa de reduzir a pressão pelo desempenho acadêmico entre os alunos mais novos. Mas os professores não se adaptaram. Primeiramente, reclamaram da falta de tempo para realizar as novas atividades e trabalhar o currículo tradicional – que não deixou de ser cobrado. Depois, não se conformaram com a nova forma de avaliação, que não os permitia assinalar respostas como “certas” e “erradas”. Na maioria das experiências de adaptações da teoria de Gardner, o objetivo da avaliação deve ser ajudar o aluno a se desenvolver, e não classificar seu desempenho.

Gardner é contra as políticas que tentam aplicar a teoria “de cima para baixo”. “Nunca penso na mudança pelo sistema”, afirma. “Ela só acontece se os professores entenderem as inteligências e souberem adaptá-las a cada aluno.” Para ajudar os professores, um grupo de educadores da Argentina criou uma rede de formação nacional. Para cada profissional interessado, o grupo articula a criação de um “trio pedagógico”. Ele é formado por um professor de escola, um responsável pela formação de professores e um pesquisador universitário. Cada trio pensa, em conjunto, as atividades de aula e avalia o desenvolvimento de cada aluno. A Argentina não adota, oficialmente, a teoria das inteligências múltiplas. Mas, desde que não fujam das regras nacionais, algumas escolas permitem que seus professores trabalhem com ela.

O maior obstáculo para a teoria de Gardner são as avaliações em larga escala. Elas têm ganhado força em diversos países, como o Brasil, como política de cobrança por resultados. Gardner compara esse sistema à Bolsa de Valores. “As empresas que constroem um nome que dura não estão presas às oscilações da Bolsa”, afirma. “Infelizmente, o propósito da educação virou ir bem nos rankings. Não importa se o ensino está contribuindo para a sociedade que se almeja.”

As escolas da Noruega vivem esse dilema. Na década de 90, os diretores e os professores tinham autonomia para montar o currículo e avaliar os alunos. Muitos seguiam Gardner. Mas, em 2000, o país foi mal avaliado na primeira edição do Pisa, prova internacional de leitura, matemática e ciências da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ficou na 33a posição, entre 57 países. Para tentar mudar o quadro, o governo criou uma prova nacional e fixou um currículo para cada série. Mas a Noruega continua entre os últimos. Em 2007, perdeu para a Letônia e para a Lituânia.

Alguns educadores noruegueses questionam a padronização com foco no Pisa. Argumentam que, pelo terceiro ano consecutivo, o país foi o primeiro colocado no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede alfabetização, saúde e renda da população. A discrepância entre os índices na Noruega vale como um alerta. Ele levanta a dúvida se o problema está nas escolas do país com melhor padrão de vida do mundo ou no modelo de educação em expansão no resto do mundo.