– Reação adversa no teste da Vacina de Oxford traz medo quanto às russa e chinesa

A AstraZeneca e a Universidade de Oxford, que tem como parceira a Unifesp, suspenderam os testes para a Vacina contra o Covid_19 por conta do “adoecimento sem explicação de paciente”.

Mediante a reação adversa do voluntário, faz-se necessário ter calma para a continuidade dos trabalhos (é esse o procedimento de instituições sérias e responsáveis). E diante disso, lembro que abordamos em outra oportunidade: a vacina mais rápida da história da humanidade foi a da Caxumba, que levou 4 anos para ser desenvolvida (afinal, há a necessidade de ver os efeitos a longo prazo para saber se ela é segura ou não). Por conta deste fato, fico pensando: as vacinas russa e chinesa, tão “ligeiras”, poderão realmente ser tomadas com tranquilidade?

Hum… eu sou medroso. E você?

AstraZeneca Pauses Covid-19 Vaccine Trial After Illness in a U.K. Subject -  WSJ

– Quem disse que o cão não entende o homem?

Quando contestarem que os cachorros não compreendem o que seu dono diz, alto lá! Isso não é verdade. Pesquisa comprova que eles entendem algumas palavras.

Extraído da Folha de São Paulo, ed 30/08/2016, Caderno Ciência, pg B7

CÃES CONSEGUEM ENTENDER A ENTONAÇÃO E AS PALAVRAS HUMANAS

Bichos usam regiões cerebrais semelhantes às usadas por humanos para captar a entonação da fala de seus donos.

Por Ricardo Bonalume Neto

“Lana, vamos passear?”

Os donos dessa cocker spaniel inglês, Anita e este repórter que vos escreve, acham que ela entende a frase, mas presumem que a entonação com que ela é dita surte mais efeito. No entanto, quando a palavra “passear” foi dita de modo neutro, a cachorrinha começou a saltitar em torno da gaveta onde fica sua guia.

É mais ou menos esse o teste que cientistas húngaros fizeram com 13 cães. A conclusão é que os pets entendem tanto o vocabulário quanto o tom da voz de humanos.

A pesquisa feita pela equipe de Attila Andics, da Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste, Hungria, mostrou ainda que cães têm a capacidade de distinguir palavras de um vocabulário e captar a entonação da fala dos seus donos usando regiões cerebrais semelhantes àquelas usadas por seres humanos.

O estudo sairá na edição da próxima sexta na revista americana “Science”.

Para Andics, a aprendizagem do vocabulário “não parece ser uma capacidade exclusivamente humana que se segue a partir do surgimento da linguagem, mas sim uma função mais antiga que liga sequências sonoras arbitrárias a significados”.

Para chegar à conclusão do estudo, os pesquisadores mediram a atividade do cérebro dos cães, mas antes foi preciso treinar os cães para ficarem quietos dentro dos aparelhos de ressonância magnética. Eles ouviam então gravações de vozes de seus donos ou treinadores usando várias combinações de vocabulário e entonação, ou elogiando ou de modo neutro.

“A imagem por ressonância magnética funcional fornece um método não invasivo e inofensivo de medição de que os cães gostam”, diz Marta Gácsi, etóloga e coautora do estudo.

Independentemente da entonação, cães reconheceram cada palavra como algo distinto e o fizeram de uma forma similar aos seres humanos, usando o hemisfério esquerdo do cérebro.

Também como acontece com humanos, os pesquisadores descobriram que os cães processam a entonação separadamente do vocabulário, nas regiões auditivas no hemisfério direito do cérebro.

Andics e colegas observaram que o elogio ativa o “centro de recompensa” do cérebro dos cães –a região que responde a estímulos de prazer, como comida, sexo, ser acariciado. Mas o centro de recompensa só era ativado quando o cão ouvia tanto palavras de louvor e com entonação adequada.

Isso mostra que, para os cães, um elogio pode funcionar muito bem como recompensa, mas funciona melhor ainda se as palavras e a entonação baterem. Ou seja: os bichos não só separam o que dizemos e como dizemos, mas também podem combinar os dois para uma melhor interpretação do que aquelas palavras realmente querem dizer –de novo, algo bem similar ao que nós fazemos.

Foram estudados apenas 13 cães, por isso os resultados não indicam diferenças significativas entre raças. Foram usados seis border collies, cinco golden retrievers, um pastor alemão e um cão de crista chinês. “O único critério é que o cão tem de ser capaz de ficar imóvel para ser digitalizado”, disse Andics à Folha. “Mais tarde, poderemos comparar os padrões cerebrais através dos grupos.”

“Estou certo de que existem diferenças individuais, mas também acho que todas as raças têm essa capacidade”, conclui o pesquisador.

Os resultados indicam que os mecanismos neurais para processar palavras evoluíram bem antes do que se imaginava. Os autores afirmam que é possível que forças seletivas durante a domesticação do lobo possam ter ajudado a criar a estrutura cerebral subjacente a esta capacidade nos cachorros.

“O que torna itens léxicos [palavras] singularmente humanos não é a capacidade neural para processá-los”, dizem os autores. Seres humanos são únicos na sua capacidade de inventar palavras.

Para os amantes de gatos, Andics adianta: “Escolhemos cães para os nossos estudos, porque eles podem fazer isso… Mas assim que um gato for treinado e ficar imóvel, poderemos digitalizá-lo também”, brinca Andics.

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– O maior Chefe de Estado brasileiro foi…

Sem dúvida, Dom Pedro II, nosso último imperador. Mas sabe por quê?

Dom Pedro foi o governante que sonhava em tornar o Brasil um país avançado na Educação e nas Ciências. Construiu escolas, laboratórios, museus e bibliotecas. Ao morrer, doou seu amplo acervo ao Museu Nacional. Como havia muita coisa, o Museu Nacional virou a sua casa, o Paço de São Cristóvão (pois era uma quantidade incrível de artefatos e documentos para levar)!

Dom Pedro II era apaixonado por fotografia e por astronomia (foi ele quem bancou as pesquisas que descobriram a origem do meteorito de Bendegó na Bahia; até então, achavam que era uma mineral gigante desconhecido e que nada caía do espaço).

O imperador falava: inglês, espanhol, alemão, francês, italiano e latim. Estudou e tinha noções de tupi-guarani, hebraico, grego e árabe. Ficou amigo de Graham Bell, e foi ele quem testou o telefone quando exposto publicamente numa feira de invenções nos EUA. Visitou a casa de Darwim em suas andanças e financiou todos os estudos de Louis Pasteur, criando a fundação do mesmo nome.

O primeiro projeto público de financiamento de cientistas foi criado por ordem de Dom Pedro II: o “Ciência sem Fronteiras” de 1885. Foi declarado antiescravagista e tinha vergonha, segundo os relatos, da resistência dos anti-abolicionistas. Por fim: sempre foi tido por um intelectual que não gostava de formalidades quando se encontrava com autoridades estrangeiras.

Dito tudo isso, fico pensando: e a gente vê tanto fanático brigando por Lula ou Bolsonaro? Tenha santa paciência…

Em tempo: A Proclamação da República, em 1889, sabidamente foi o acúmulo de uma série de fatores que se transformou em uma medida drástica na Convenção de Itu. O certo é: não se tinha um herdeiro à altura para Dom Pedro II, devido seus ideais. (Os marechais Deodoro e Floriano Peixoto, lembremo-nos, unicamente asseguraram a nova forma de Governo e a unidade do país, cessando os investimentos da Coroa na Educação e Ciência).

Dom Pedro II amava os banquetes

– Pessoas Eletrossensíveis e o Mundo da Tecnologia

Muito se tem falado e questionado sobre consequências ruins de ondas de celular ou equipamentos eletrônicos na saúde dos usuários. Mas sabia que se os estudos não comprovam ou desaprovam os resultados, há os que comprovadamente mostram pessoas eletrossensíveis?

Extraído de: http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/coluna/380180_OS+ELETROSSENSIVEIS

OS ELETROSSENSÍVEIS

Por Mônica Tarantino

As informacões que você lerá a seguir foram extraídas da matéria que eu escrevi para a edição de ISTO__É que circula esta semana. Mas fiquei tão impressionada com a condição dessas pessoas eletrossensíveis (EHS é a sigla em inglês para designá-los) aos efeitos das ondas eletromagnéticas emitidas por torres de transmissão elétrica, antenas de televisão, celulares e Wi-Fi que decidi retomar o assunto aqui no blog. Há diversas organizações voltadas para o reconhecimento dessa condição como uma doença e para garantir a criação de locais limpos de ondas eletromagnéticas, as chamadas zonas brancas, para abrigar quem se descobre atingido pela EHS. 

Em geral, as pessoas afetadas precisam deixar suas casas e recolher-se por um algum tempo em áreas preservadas de ondas eletromagnéticas para se “desintoxicarem” dos efeitos da exposição. Você pode imaginar professores de tecnologia da informação, neurologistas, sociólogos e crianças deixando as cidades para viver em cavernas ou em vilas e abrigos projetados para bloquear ondas eletromagnéticas? Pois eles são cada vez mais numerosos. Quando expostos a campos de radiação eletromagnética, apresentam sintomas como dores de cabeça e no corpo, fadiga, estresse, distúrbios do sono. Seja qual for a sua causa, os sintomas de EHS são reais e, por vezes, incapacitantes. 

No mundo, portadores de EHS se mobilizam para que a condição seja declarada uma doença. Na semana passada, muitos se reuniram em uma zona criada para  eles na região de Saint-Julien-En-Beuchene, nos Alpes franceses. É uma área livre de antenas de telefonia e distante de linhas de transmissão de energia elétrica. Até aparelhos eletrodomésticos são evitados e as pessoas deixam o celular na entrada. 

Sob um toldo protetor, membros dessa comunidade e líderes como Phillipe Tribaudeau, da ONG Une Terre pour Les EHS, fizeram um balanço das conquistas e desafios. Há 15 dias, a Comissão de Deficientes de Essonne, na França, concedeu, pela primeira vez, ajuda financeira permanente a um indivíduo com diagnóstico de eletro-hipersensibilidade. Antes, outros haviam obtido auxílio para comprar equipamentos de proteção, como medidores de ondas eletromagnéticas. Na prática, a vulnerabilidade de cada indivíduo com EHS é variável. Vai desde quem é gravemente afetado pela exposição, como Triauadou, que precisou se mudar para uma caverna, até uma alergia por causa da proximidade com computadores ou linhas de energia. 

A medicina considera o tema controverso. Há quem julgue o conjunto de dados suficiente para caracterizar a doença, enquanto outros especialistas acreditam que os sintomas se misturam aos de outras patologias, como a intoxicação por metais pesados. Entre os estudos em andamento, um deles está sendo realizado pelas autoridades de saúde francesas e tem resultados previstos para 2015. Mas há países que já tomaram medidas com base nas evidências científicas disponíveis. Na Suécia, a hipersensibilidade elétrica é reconhecida como um comprometimento funcional. “Existem cerca de 250 mil suecos com essa deficiência”, disse à ISTOÉ o cientista Olle Johansson, do Instituto Karolinska, em Estocolmo. “Essas pessoas merecem respeito e tratamento. Jamais discriminação”, diz. Lá, a associação para hipersensíveis recebe subsídio governamental. Na Espanha, Alemanha e EUA o problema é classificado como deficiência. No Brasil, pesquisas são feitas na Universidade Federal de Minas Gerais.

Na América Latina, um caso grave é o do psiquiatra e neurologista colombiano Carlos Sosa. “Fui diagnosticado em 2006 e precisei mudar radicalmente de vida”, disse à ISTOÉ. Aos 47 anos, vive sozinho nos arredores de Medellín em uma casa na qual possui algo que chama de gaiola de Faraday, para se proteger das ondas eletromagnéticas. Sosa suporta cerca de 20 minutos de conversa pelo telefone ou computador até que apareçam sintomas como dores de cabeça e náusea. Em 2006, saiu de sua casa porque percebeu que a origem do mal-estar intenso que sentia havia três anos era a proximidade com uma antena de micro-ondas/Internet e Wi-Fi (sem fios). “Precisei me mudar quando a cidade em que vivia foi inundada por cerca de quatro mil antenas”, contou.O agravamento dos sintomas o levou a parar de trabalhar, lançando-o em uma vida de dificuldades financeiras. Ele não tem ajuda alguma.“Mas os estudos provarão que essas ondas são tão perigosas para a saúde como o tabaco e o amianto”, acredita. Para o cientista sueco Johansson, as ondas eletromagnéticas não são inócuas como muitos defendem. “Precisamos investigar em profundidade os efeitos desse novo fenômeno que se expande tão rapidamente pelo mundo por meio de dispositivos móveis.”

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– Um Selo que indica Amadurecimento das Frutas!

A tecnologia, se usada para o bem, é algo fantástico. Leio que a Embrapa está desenvolvendo um “sensor em formato de selo” que indica se a fruta está madura!

Já imaginaram a diminuição das perdas de produtividade com isso, bem como da melhor qualidade de produtos em nossa mesa?

Abaixo, extraído de: https://revistapesquisa.fapesp.br/2020/04/07/fruta-no-ponto-certo/

FRUTA NO PONTO CERTO

Por Gabrielle Araújo / Embrapa

Uma parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com a Siena Company resultou no desenvolvimento de um sensor para monitorar o amadurecimento de frutos. Trata-se de um selo contendo nanopartículas de um composto à base de sílica que pode ser colado à embalagem ou à superfície do fruto. À medida que amadurecem, alguns frutos liberam o gás etileno, que reage com o sensor e o faz mudar de cor. Um aplicativo para celular que lê um código de barras e a cor do selo permite conhecer o estágio de maturação do fruto e as informações sobre sua origem. Batizado de Yva (fruto, em tupi-guarani), o sensor foi testado em manga e mamão. “Até onde sabemos, não existe no mercado um produto desse tipo”, diz Marcos Ferreira, pesquisador da Embrapa e um dos idealizadores do sensor, que pode ajudar a reduzir as perdas na cadeia produtiva.

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– Papos sobre LSD

Impressionante a história do cientista Timothy Leary, professor de Harvard e ativista do uso de LSD para fins medicinais e recreativos. Na década de 60, ele foi chamado por Richard Nixxon deo homem mais perigoso da América”, por suas pesquisas e carisma (influência).

Seus trabalhos se resumiam em explorar o potencial do LSD 25 (25ª variação do dietilamida do ácido lisérgico). Lembrando que o LSD é uma droga sintética, criada pelo cientista Albert Hoffman, em 1938.

Para aumentar o leque dos pesquisadores da droga, o laboratório Sandoz, portador da patente, distribuiu amostras mundo afora. A pesquisa, inicialmente para o tratamento de esquizofrenia, mostrou que existiam vários outros efeitos pelo uso indiscriminado: usuários normalmente relatavam a visão de turbilhões de cores, caleidoscópios de arco-íris e outras visões coloridas. Devido ao uso como entorpecente, surgiram viciados, pessoas que pulavam de prédios, desenvolviam psicose e ficavam alienadas por completo.

O certo é que hoje, uma nova frente em busca científica faz barulho: há cientistas que ainda desejam investir em pesquisas com o LSDa fim de tratar alcoolismo e depressão. Porém, o limite para o uso medicinal e a perda de controle é extremamente perigoso.

E fica novamente a observação: se o LSD é perigoso para uso medicinal, caso todos os cuidados não sejam tomados, imagine para uso “recreativo”?

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– Ciência para ajudar o próximo!

Aqui no Interior Paulista, a Universidade São Francisco vem realizando experiências na validação dos resultados diagnosticados de Covid-19 pela técnica de Espectrometria de Massas.

Viva a Ciência! E parabenizo minha esposa, Dra Andréia Porcari, por fazer parte dessa equipe que busca inovação e ajuda ao próximo.

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– Povoe sua mente de cores em dias tão cinzentos!

O céu escuro das 8h de hoje: sem filtros e… sem graça!

Não gosto de dias cinzas. Eles nos trazem tristeza (enquanto os azuis nos motivam). O clima “dark”, borocoxô ou “pra baixo” faz com que eu, particularmente, evite certas atitudes ou comportamentos. Não é superstição, é ciência!

Dias claros e ensolarados nos dão energia e ânimo (até pelas vitaminas naturais que obtemos com eles). Dessa forma, fica a dica: povoe sua mente de coisas boas nesta quinta-feira.

– Um ganhador de Prêmio Nobel da Química em assuntos difíceis.

Repost de 2017, mas com conceitos interessantes e atuais:

Sobre a Química versus a Bioquímica, Ativismo Político, Trump, e o “Difícil Espaço para Deus” – O depoimento interessante (mas polêmico) do Prêmio Nobel da Paz de 2016, Dr James Fraser Stoddart, à Folha de São Paulo (Caderno Ciência, página B5, 16/07/2017). Abaixo:

É HORA DE CIENTISTAS ASSUMIREM UMA POSIÇÃO POLÍTICA

por Gabriel Alves

Vencedor do Prêmio Nobel de Química de 2016 vê descrédito na Ciência com Temor

Para o escocês James Fraser Stoddart, 75, ganhador do do último Prêmio Nobel de Química, é hora dos cientistas “tirarem a cabeça de baixo da terra” e lutarem contra o desprestígio que a ciência vem sofrendo.

Crítico de Donald Trump e admirador de Angela Merkel, que é física, ele diz que gostaria de ver mais cientistas na vida política: “Chegamos a um ponto em que isso é absolutamente necessário”.

A láurea, que foi dividida com outros dois químicos, se deveu à pesquisa com nanomáquinas, moléculas formadas por poucos átomos e que podem funcionar como pequeníssimos elevadores ou como armazenadores de energia.

Outra possível aplicação decorrente do avanço da área é a construção de pequenos “veículos” capazes de levar drogas diretamente para tumores ou células doentes do organismo. Apesar disso, o químico tenta manter uma certa distância de “inspirações biológicas” para o desenvolvimento da química.

Uma das possíveis aplicações das nanomáquinas de Stoddart é na mineração de ouro: seria possível extrair o metal sem o uso de cianeto ou de mercúrio –ele criou uma start-up para aplicar a tecnologia

O nobelista esteve no Brasil para o Congresso da União Internacional de Química Pura e Aplicada, que aconteceu na última semana, em São Paulo. Na sexta (14), o químico conversou com a Folha e fez uma defesa apaixonada do ofício –para ele, algo que une ciência e arte.

*

Folha – Como nasceu seu interesse pela química?

James Fraser Stoddart – Sou filho único, cresci em uma fazenda. Era uma vida difícil, mas foi uma boa lição de como ser multitarefa e achar soluções para grandes problemas, como tempestades, doenças infecciosas no rebanho. É a “universidade da vida”. Cursei o ensino médio em Edimburgo (Escócia), e tive excelentes professores.
Na universidade, entrei em um grupo de pesquisa com salário baixíssimo. Imediatamente fui “picado” pelo insetinho da pesquisa –era algo viciante. Eu ficava até de madrugada no laboratório. Logo pela manhã, já estava de volta.

Hoje temos um arsenal molecular: elevadores, carros, rodas, carreadores de drogas… Como foi participar do alvorecer das nanomáquinas?

Não havia um caminho claro no começo. Ficou óbvio, penso, depois de 20 anos na academia. Aí já estávamos direcionados para fazer elevadores e alavancas moleculares. Para chegarmos às máquinas moleculares foi necessário muito esforço de design e estudos de performance.

O que mudou em sua vida após receber o Prêmio Nobel?

Muita coisa. Da noite para o dia você é uma celebridade e não foi treinado para isso como as pessoas da família real foram. Agora tenho muito respeito por qualquer membro de famílias reais.

Em qualquer lugar estou no holofote, há câmeras e pessoas fazendo perguntas. Mas estou preparado para aceitar. É algo que chegou tarde na vida e é só mais um desafio. Também é uma oportunidade de eu ajudar os mais jovens a assumirem posições mais fortes em nossa sociedade.

Que conselhos daria a eles?

Gostaria de ver mais cientistas na vida política porque chegamos a um ponto no Ocidente em que isso é absolutamente necessário. Parece que estamos voltando no tempo.

Há pessoas negando as mudanças climáticas e falando mal da ciência. Isso tem que ser debatido e os argumentos tem de ser contundentes.

Nos EUA há conflitos entre a administração Trump e os cientistas; no Brasil, cortes do orçamento federal para a pesquisa. Por que a ciência perdeu tanto prestígio?

Queria muito saber a resposta. Os cientistas têm de assumir responsabilidades. A gente tem escondido a cabeça na terra e não estávamos preparados para essa situação, na qual é necessário deixar nossa posição clara.

Se alguém gosta do que o Donald Trump tuíta todo dia, também podem gostar dos tuítes de Fraser Stoddart. Eu digo “isso aqui é ciência e ela é feita dia após dia”. Acho que cada esforço pode fazer a sociedade corrigir a direção para a qual vem caminhando.

Cientistas devem ser ativistas?

Sim, até certa medida. Ainda temos que fazer ciência, caso contrário nós estaríamos erodindo nossa própria base.

Em um futuro com nanomáquinas capazes de curar o organismo de dentro para fora, consertando o DNA e as células e combatendo a velhice, sobraria algum espaço para a existência de Deus?

Acredito que a raça humana pode tomar conta do próprio futuro. Não consigo achar uma razão para dar um passo atrás e entregar tudo nas mãos de um deus mítico ou algo do tipo. Há coisas acontecendo no planeta com as quais só nós podemos lidar. Não seremos resgatados por religião alguma quando o assunto são as mudanças climáticas ou problemas sociais e políticos.

Que áreas deveriam ser contempladas com o próximo Prêmio Nobel de Química?

Gostaria que o prêmio ficasse com a química, e não com algum aspecto da bioquímica ou da biologia, como foi feito por muitos anos.

Penso que a área das baterias de ion-lítio poderia ser premiadas, ou a área de energia solar.

Eu gostaria de ver reconhecido o trabalho fundamental que possibilitou a construção de estruturas organometálicas [que têm aplicações na área de semicondutores e na captura de carbono, por exemplo] -é uma área que se desenvolveu muito nos últimos 15 anos, liderada por japoneses.

Depois de uma carreira acadêmica de sucesso, como é se tornar um empreendedor e criar start-ups?

É algo que me deixa bastante empolgado. Você sabe… O que dá para fazer após ganhar o Prêmio Nobel?

Eu teria grande satisfação se minhas start-ups tivessem sucesso e conseguissem gerar lucro para que eu conseguisse criar uma fundação e seguir os passos de outros, como o próprio Alfred Nobel, e retribuir à comunidade científica, seja financiando diretamente a pesquisa ou criando prêmios.

A área preferida seria a química -sendo honesto, aquela sem muita conexão com a biologia.

Quais as virtudes de um bom químico?

Digo que não cheguei aonde estou com inspiração na biologia, mas sendo bem treinado em matemática, física, topologia, teoria dos grafos.

Eu queria ver o reconhecimento de pessoas que vestem a camisa da química e que mostram do que ela se trata: a criação de seus objetos de estudo por meio de síntese, o que torna o químico parecido com um pintor, um escultor ou um compositor. Nós temos essa característica única –somos criadores de coisas.

Raio-X

NOME
James Fraser Stoddart

NASCIMENTO
24.mai.1942 (75 anos) em Edimburgo, Escócia

FORMAÇÃO
Químico e doutor (PhD e DSc) pela Universidade de Edimburgo

TRAJETÓRIA
Foi professor nas universidades de Sheffield e de Birmingham (Reino Unido), na Universidade da California em Los Angeles e hoje está na Northwestern (EUA)

PRÊMIO NOBEL DE QUÍMICA
Em 2016, pelo trabalho com máquinas moleculares

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Danilo Verpa/Folhapress

– Mais dinheiro para a Defesa e menos para a Educação?

Segundo o jornal “O Estado de São Paulo”, que teve acesso aos dados do Orçamento de 2021 da União a ser enviado ao Congresso,

“A Defesa terá um acréscimo de 48,8% em relação ao orçamento deste ano, passando de R$ 73 bilhões para R$ 108,56 bilhões em 2021. Enquanto isso, a verba do Ministério da Educação (MEC) deve cair de R$ 103,1 bilhões para R$ 102,9 bilhões. Os valores, não corrigidos pela inflação, consideram todos os gastos das duas pastas, desde o pagamento de salários, compra de equipamentos e projetos em andamento, o que inclui, no caso dos militares, a construção de submarinos nucleares e compra de aeronaves.”

Como se vê, um aumento considerável nos gastos com as Forças Armadas e um decréscimo na Educação. Também ontem, à Rádio Jovem Pan, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, declarou que sua pasta poderá ter um corte de até 18% em pesquisa científica.

A repercussão destes dados importantes, como se vê, não foi tão barulhenta. Será que esses rearranjos financeiros são adequados?

O ministro da Ciência,Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, disse que corte será dentro do "nosso orçamento que já é baixo" - Kleyton Amorim/UOL

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, disse que corte será dentro do “nosso orçamento que já é baixo”. Imagem: Kleyton Amorim/UOL

– O Conhecimento Raso é algo bom? A discussão entre ser Generalista nos dias atuais.

As pessoas que “sabem das coisas”, sabem mesmo? Ou o conhecimento delas é baixo, raso, insuficiente?

Leia esse artigo espetacular sobre o “conhecimento raso no mundo corporativo. Muito interessante!

Extraído de: https://medium.com/@jrsantiagojr/o-maior-mal-do-mundo-corporativo-o-conhecimento-raso-1f556224f4be

O MAIOR MAL DO MUNDO CORPORATIVO: O CONHECIMENTO RASO

Por José Renato Sátiro Santiago 

Vivemos a chamada “Era do Conhecimento” aquela sobre a qual Peter Drucker, ainda nos idos de 1960, afirmou que o diferencial competitivo iria estar presente nas pessoas que trabalhassem com as informações, as desenvolvessem, e de acordo com o contexto presente, as transformassem em conhecimentos a serem aplicados em suas atividades profissionais. O raciocínio que suporta este entendimento é claro. Apenas o conhecimento aplicado pode gerar aquilo que é essencial para qualquer organização e/ou profissional, a competência.

A grande evolução tecnológica tem impactado de forma consistente este cenário. Hoje em dia as mudanças ocorrem em grande velocidade, bem como seus impactos. Aquilo que ontem era de um jeito, hoje é desse e amanhã será de outro. Isto tem provocado a falta de previsibilidade dos eventos. Diante tudo isso, planejar tem sido algo ainda mais difícil e, ao mesmo tempo, longe de ser descartado. Cada vez é mais complexo afirmar que existe apenas uma resposta correta, mas sim diversas possíveis respostas para as situações, o que tem provocado também o surgimento de múltiplas interpretações para um mesmo fato. Diante disso, o conhecimento passou a ter um prazo de validade cada vez menor, um grande paradoxo para a “Era do Conhecimento”.

A necessidade de possuir conhecimentos específicos cada vez mais complexos vai na contramão de uma frequente constatação de muitos pseudo especialistas presentes no mercado corporativo, que diz respeito a “precisarmos ser generalistas”. Tempos atrás, o genial Ariano Suassuna afirmou que “… a massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto… Nunca vi um gênio com gosto médio.” Fazendo uma breve analogia, o ‘primo’ do gosto médio na arte é o conhecimento generalista no mundo corporativo. O conhecimento generalista, muitas vezes, é raso. Ele tem muito pouca valia no processo de geração de novos requisitos de riqueza, a inovação, que acontece, necessariamente, a partir do conhecimento profundo. Ainda que seja cabível considerar que a visão de alguém novo, ou de fora do processo, possa ser um importante gatilho, a inovação só acontece a partir da disposição daqueles que possuem muito conhecimento. Em tempos de redução da validade deste, saber quem sabe é a grande sacada para nos manter competitivos.

Há ainda aqueles que tendem a afirmar outros mantras que chegam a ser ainda mais constrangedores. Talvez por isso, ou certamente, por conta disso, vivemos uma epidemia de tantas práticas de autoajuda, disfarçadas, na maioria das vezes, com o título de coaching. Pessoas pobremente construídas de conhecimentos explicítos, em sua maioria formadas em barulhentos e caros cursos de finais de semana, e com parcos conhecimentos tácitos, frutos de inexpressivas ou quase nulas experiências pessoais e/ou profissionais, se acotovelam em buscar algo a ser conquistado, verdadeiramente, apenas por aqueles que construíram de forma efetiva seus pilares de aprendizado. Muitas das empresas e profissionais que constroem suas carreiras explorando este filão, levantam a bandeira em prol do conhecimento raso, o mal maior de nossa sociedade. Cabe prevenção. Esta injeção tem como princípio ativo o conhecimento. Com as bençãos de Drucker e Suassuna e sem qualquer contraindicação.

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– Sputnik 5, a Vacina da Rússia contra o Covid_19, será produzida no Brasil.

A vacina mais rápida da história foi a da Caxumba, desenvolvida ao longo de 4 anos. Não é uma tarefa fácil assegurar que algo preventivo e importante não tenha efeitos colaterais relevantes e que se comprove a eficácia.

A Rússia anunciou que conseguiu produzir uma vacina contra o Novo Coronavírus. Levou 2 meses para produzir e não divulgou os dados e etapas de testes. A chamou deSputnik, o satélite pioneiro da União Soviética, em referência ao pioneirismo da medicação.

Conhecida por alta tecnologia no doping e na obscuridade de divulgações científicas, o anúncio trouxe dúvidas para a comunidade científica internacional que se questiona: essa vacina contra o Covid_19 é segura?

Assim como as que estão em desenvolvimento, da inglesa Oxford / AstraZaneca / Unifesp e da chinesa Sinovac / Instituto Butatan (a 1a apoiada pelo Governo Federal e a 2a pelo Governo do Estado de SP), a vacina russa do Instituto Gamaleya será produzida em solo brasileiro, no Paraná, com o apoio do Governo local.

Fica a pergunta: você confiará nela?

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– O sacrifício maternal das pesquisadoras nestes tempos difíceis

CIÊNCIA – Uma pesquisa muito interessante aponta: em meio à pandemia, as mulheres cientistas (mães) são as que mais sofrem no trabalho devido a ausência dos filhos (e a natural pressão).

Sobre isso, em: https://www.youtube.com/watch?v=DIQEZijJsvE

– O Estudo de correções de genes e o debate ético!

Embriões com genes modificados para curar doenças estão se tornando uma realidade no campo das pesquisas. Só que o mesmo trabalho pode permitir a escolha de crianças que nasçam com características físicas específicas escolhidas pelos pais.

Até onde a ciência irá?

Extraído de: http://istoe.com.br/pesquisadores-corrigem-genes-defeituosos-em-embrioes-humanos-pela-primeira-vez/

CORREÇÃO DE GENES DEFEITUOSOS: A MEDICINA ENTRE A ESPERANÇA E O DEBATE ÉTICO

Genes portadores de uma doença cardíaca hereditária foram modificados -com sucesso- em embriões humanos pela primeira vez graças a uma técnica que gera esperanças e questões éticas.

Esta pesquisa foi publicada na quarta-feira (02/08) na revista Nature. Embora ainda esteja em fase preliminar, abre potencialmente o caminho para grandes avanços no tratamento de doenças genéticas.

No entanto, surgem sérias questões éticas dignas do “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, já que esta técnica poderia, em teoria, ser utilizada para produzir bebês geneticamente modificados com o objetivo de escolher a cor de seus cabelos ou aumentar sua força física.

A pesquisa sobre embriões humanos conta com uma regulação estrita, e não se trata de implantar os utilizados no estudo no útero de uma mulher para iniciar uma gravidez. Por isso, os cientistas não os deixaram se desenvolver mais do que alguns dias.

Este método, que ainda precisa de mais pesquisas, “pode potencialmente servir para prevenir a transmissão de doenças genéticas às futuras gerações”, comentou durante coletiva por telefone uma das autoras do estudo, Paula Amato.

Mas esta perspectiva ainda está distante. “Antes dos testes clínicos, serão necessárias pesquisas suplementares e um debate ético”, afirmou Amato.

– Corrigir um erro –

O estudo foi realizado na Universidade de Saúde e Ciência de Oregon (OHSU), nos Estados Unidos, por cientistas americanos, chineses e sul-coreanos. A ferramenta utilizada é a técnica CRISPR-Cas9, grande achado revelado em 2012.

É baseado em uma enzima que age como uma “tesoura molecular”. Ela pode retirar partes não desejadas do genoma de forma muito precisa para substituí-las por novas partes de DNA.

A equipe de pesquisadores usou esta ferramenta revolucionária para corrigir, em embriões humanos, o gene portador da cardiomiopatia hipertrófica. Esta doença cardíaca hereditária pode provocar a morte súbita, especialmente durante a prática de esporte.

Os pesquisadores realizaram uma fecundação in vitro de ovócitos normais com espermatozoides portadores do gene defeituoso. Simultaneamente com o esperma, os cientistas introduziram as ferramentas de edição genética.

O objetivo: cortar o DNA defeituoso para provocar a sua reparação.

O resultado foi indiscutível. Cerca de 72% dos embriões (42 de 58) foram corrigidos, enquanto esta taxa teria sido de 50% sem as famosas “tesouras genéticas” – de maneira natural os embriões teriam tido uma chance em duas de herdar um gene saudável.

– Precedente na China –

“Estas ferramentas ainda podem melhorar para chegar a uma taxa de sucesso de 90%, ou até de 100%”, previu outro autor do estudo, Shukhrat Mitalipov.

Em 2015, foi realizada uma experiência similar na China, mas com resultados menos conclusivos. O fenômeno de “mosaicismo” (presença simultânea de genes saudáveis e defeituosos no embrião) não foi impedido, o que foi conquistado pelos cientistas no novo estudo.

“A questão mais debatida será a de saber se o princípio de modificar os genes de um embrião in vitro é aceitável”, analisou um especialista independente, o professor Darren Griffin, da Universidade de Kent, citado pelo Science Media Centre.

Agora, segundo ele, “outra questão deve entrar em debate: é moralmente justo não agir se tivermos tecnologia para prevenir estas doenças fatais?”.

Em dezembro de 2015, um grupo internacional de cientistas reunidos pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS, em inglês) em Washington considerou que seria “irresponsável” usar a tecnologia CRISPR para modificar o embrião com fins terapêuticos enquanto os problemas de segurança e de eficácia não tenham sido resolvidos.

Mas em março, a NAS e a Academia Americana de Medicina estimaram que os avanços neste âmbito “abriam possibilidades realistas que mereciam sérias considerações”.