– Quem disse que em Rede Social “Pode Tudo”?

Redes Sociais não são território sem lei. Carece-se de respeito, ética e educação.

Claro que em alguns ambientes, elas são mais flexíveis e permitem a descontração, mas, conforme se observa, a pessoa reflete o que ela é no dia-a-dia quando posta em Rede Social.

Convido a leitura desta postagem sobre Reputação Digital, em: https://professorrafaelporcari.com/2018/11/23/como-anda-a-sua-reputacao-digital/

Se preferir, ao invés da leitura, compartilho em vídeo, uma rápida abordagem do tema, em: https://www.youtube.com/watch?v=1ihS4XUC9XA

Anúncios

– Crianças e Mundo Digital!

Fico impressionado como as crianças dominam bem os equipamentos eletrônicos e sabem se virar nas redes sociais. Temo apenas os golpistas e enganadores, mas, com a ajuda dos pais, isso se torna seguro.

Porém, leio artigo da neurocientista Susan Greenfield, estudiosa doutora que profetizou:

as crianças do futuro não conseguirão discernir caras, olhares, tom de voz, já que se dedicam ao relacionamento virtual do que o pessoal”.

Claro que isso é preocupante. Mas não é apocalíptico demais? Nada do que uma boa educação familiar não possa corrigir…

imgres.jpg

– O Design Sprint do Google

As startups já conhecem esse processo, mas vale compartilhar: o método Sprint, do Google!

Abaixo, extraído de Veja, ed 2654.

FÁBRICA DE SUCESSOS

Criado por funcionários da divisão de novos negócios do Google, o método Sprint consiste numa “linhagem de montagem” para empreender – tanto dentro de uma empresa como na vida pessoal. 

Por Jennifer Ann Thomas

“EU NÃO FALHEI. Apenas encontrei 10 000 maneiras que não vão funcionar e, assim descobri qual dará certo.” A frase, que se tornaria célebre, foi proferida pelo americano Thomas Edison (1847-1931) depois de testar milhares de protótipos para conseguir desenvolver a primeira lâmpada elétrica da história, em 1879. O mesmo espírito animou, em pleno século XXI, um novo método de invenção e empreendedorismo, elaborado no Vale do Silício, polo tecnológico onde surgiram empresas como Apple, Google e Facebook. Batizada de sprint, a técnica permite testar projetos – de startups, de grandes companhias ou mesmo relacionados a carreiras individuais – em apenas cinco dias, partindo de uma ideia e chegando a um teste prático.

Tudo isso sem demandar gastos de milhões de dólares para viabilizar um plano que, no fim do processo, poderia fracassar. O roteiro do Sprint serve de pontapé inicial para todo mundo: marcas que precisam resolver problemas pontuais, empresas estabelecidas que querem lançar novas empreitadas, pessoas infelizes no trabalho que planejam montar o próprio negócio ou mesmo aqueles que pretendem trocar de profissão.

Nessa última categoria, atualmente, os exemplos se multiplicam. Segundo uma pesquisa da rede social Linkedln, a nova geração tende a mudar de emprego ao menos quatro vezes até os 32 anos de idade. Adotar o Sprint para tomar decisões pode ajudar na redescoberta profissional.

Não por acaso, a nova metodologia surgiu dentro de uma companhia reconhecida pelo seus viéis inovador, o Google. Mais especificamente, em seu braço de novos negócios, o Ventures. O sprint começou a ser desenvolvido em 2003 pelo engenheiro americano Jake Knapp. Até 2012, foi testado, na prática, no lançamento de recursos de produtos-chave da empresa – como o navegador Chrome, o serviço de e-mail Gmail e o sistema de publicidade Adwords. A partir do sucesso de aplicação nos inventos da marca, o método se difundiu pelo Vale do Silício e por outros polos de tecnologia. Já foi adotado, por exemplo, por uma concorrente direta do Google, a Mozilla, dona do navegador Firefox. Em 2016, Knapp, ao lado de outros dois colegas do Google – os designers John Zeratsky e Braden Kowitz -, publicou um livro sobre o assunto, que chegou ás listas dos mais vendidos dos Estados Unidos. No mês passado, Sprint: o método Usado no Google para testar e Aplicar novas ideias em apenas cinco dias foi publicado no Brasil pela editora Intrínseca. O sucesso nas livrarias e lojas de e-books se deve sobretudo ao fato da obra servir de guia também a quem jamais pensou em empreender e, no entanto, por motivos diversos, encontra-se de repente em una encruzilhada profissional. No livro, Knapp conta como formulou a ideia do Sprint.

Naquele ano de 2003, ele viu nascer seu primeiro filho. O engenheiro notou então que a novidade familiar fizera com que se tornasse menos produtivo no trabalho.Para retornar seu ritmo, decidiu elaborar um roteiro simples, com o qual pudesse acelerar seus afazeres profissionais. Como empreender, por meio de Ventures, de um modo mais rápido? Assim surgiu a fórmula que permite avaliar, em uma semana útil. Ideias de negócios. Contudo, foram necessários quase dez anos para Knapp aperfeiçoar o procedimento. De início, por exemplo, ele acreditava que um Sprint poderia ser feito com um time de quarenta pessoas. Entretanto, as primeiras tentativas só renderam confusões. Após uma série de testes, chegou-se á conclusão de que a coisa só funcionava quando desenvolvida por equipes pequenas – de, no máximo, sete membros.

Nesse limite, o ideal seria contar com a seguinte composição de perfis: um indivíduo chamado de “o definidor”, que tomaria as decisões finais; e seis especialistas, das áreas de finanças, marketing, contato com o consumidor, tecnologia, logística e design. Isso, claro, considerando-se que o Sprint seria realizado dentro de uma empresa de grande porte, como o Google.O sistema revelou-se prático e  eficaz Disse Knapp: “O nosso método resolve um ponto básico, porém muito difícil de realizar no dia a dia, que é o teste de protótipos. Estudantes e startups, assim como grandes empresas, podem se beneficiar dele. Numa comparação, O Sprint seria como ter a chance única de bater alguns pênaltis contra o time adversário, no primeiro tempo de uma partida de futebol, e só depois apostar em quem ganharia o jogo”.

De acordo com índice Kauffman de Empreendedorismo, que analisa o ecossistema de novos negócios nos Estados Unidos, 310 em cada 100 000 adultos americanos abrem negócios, todos meses, desde 2016. Para financiar as empreitadas, cadas uma dessas startups consegue captar, em média, 1,3 milhão de dólares em investimentos. Além disso, elas gastam em torno de 500 000 dólares mensais para manter suas operações. No entanto, a maioria, nove em cada dez, falha nos primeiros vinte meses. A perda de dinheiro relacionada ao fracasso poderia, em teoria, ser evitada caso se aplicasse o Sprint no início desses projetos; assim, talvez se descobrisse que a empreitada já nasceria fadada a falir.

Em um país em crise, como o Brasil, essa certeza pode ser ainda mais determinante para aqueles que perdem o emprego e optam por se dedicar ao próprio negócio – situação de 44% dos que abriram empresas nacionais entre 2015 e 2016. O Sprint ainda desconstrói a representação romântica que se tem dos empreendedores do ramo da tecnologia. Antes, imaginava-se um jovem nerd numa garagem, sonhando com suas invenções – o script vivido por Steve Jobs (1955-2011), que nos anos 70, criou a Apple, ao lado de Steve Wozniak, literalmente na garagem de casa, e montou ali seus primeiros computadores sem plano de negócios na cabeça.

No século XXI, esqueça essa cena, de um garoto correndo grandes riscos em prol de um projeto visionário. Hoje, o vale do Silício funciona como propõe o Sprint: uma linha padronizada de montagem de ideias; algo mais parecido com o antigo fordismo do que com a imagem de uma mente genial querendo mudar o mundo a partir de uma sacada espetacular.

Informações via Revista Veja.

– Ser esquecido na Internet é um direito!

Cada vez mais ouço notícias de pessoas que querem sumir da Web”. Seja qual for o motivo – se por crimes no passado e penas já cumpridas, se por motivos tristes ou constrangedores, ou simplesmente para manter a privacidade.

Para isso, entram na Justiça contra o Google ou sei lá contra quem for necessário! O fato é que enquanto alguns querem aparecer, outros (por motivos particulares e justos) querem desaparecer.

O que você pensa sobre isso? Eu, pessoalmente, não tenho problemas em aparecer em links de buscas por nada me desabonar. Mas confesso: a idéia em sair da Internet é interessante (mas talvez um pouco burocrática), caso por algum motivo eu queira.

Resultado de imagem para Ser esquecido na Internet

– Adicionar pessoas íntimas ou chefes no Facebook pode ser problemático…

Ora, ora… o “Parque de Diversões Virtual” que costuma ser o mundo das redes sociais como Facebook e Twitter, acaba deixando as pessoas mais irritadas do que relaxadas.

Motivo: pesquisa mostra que hoje, com pais, parentes e chefes sendo adicionados e usando tal ferramenta, a pessoa passa a ser mais vigiada e se obriga a tomar muito cuidado ao postar algo.

Vai que a mãe dá um puxão de orelha virtual e todos lêem, ou o chefe implica com alguma coisa?

Extraído de:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1192600-adicionar-os-chefes-no-facebook-pode-aumentar-estresse-diz-pesquisa.shtml

ADICIONAR OS CHEFES NO FACEBOOK PODE AUMENTAR ESTRESSE, DIZ PESQUISA

Pesquisa feita na escola de negócios da Universidade de Edimburgo mostra que quanto mais círculos sociais uma pessoa conecta em sua vida on-line, mais estresse causam as mídias sociais.

Isso porque quanto mais grupos relacionados ao perfil no Facebook, maior o potencial de esses amigos causarem uma ofensa pública. A ansiedade a esse respeito aumenta ainda mais quando a pessoa adiciona chefes ou familiares.

A apreensão é justificada: pesquisas indicam que mais da metade dos empregadores já deixou de contratar alguém por algo que foi visto nas redes sociais.

Os pesquisadores da Universidade de Edimburgo descobriram que, em média, os amigos de uma pessoa no Facebook pertencem a sete círculos sociais diferentes.

O grupo mais comum é o de amigos off-line, seguido pela família ampliada, irmãos e irmãs, amigos dos amigos e colegas.

O levantamento, que ouviu 300 pessoas, detectou ainda que apenas um terço usa as listas privadas do Facebook para divulgar suas atualizações, ferramenta que permite controlar para quais grupos de amigos vão as informações.

“O Facebook costumava ser uma grande festa para todos os amigos, onde se podia dançar, beber e paquerar. Mas agora, com pais, mães e chefes olhando tudo, a festa se torna um evento cheio de potenciais armadilhas sociais”, disse Ben Marder, autor da pesquisa e professor da Universidade de Edimburgo.

Resultado de imagem para redes sociais

– Infoxicação: já sofreu disso?

Cuidado: nossa sociedade apresenta males do século XXI que são novos mas constantes. Um deles seria a intoxicação por excesso de informação, misto de contaminação com carência de atualizações.

Compartilho interessante material, extraído da revista Isto É, Ed 2168, pg 76, por Patrícia Diguê e João Loes. Abaixo:

INTOXICADOS DE INFORMAÇÃO

O estresse causado pela hiperconectividade e a sensação de estar sempre desatualizado causam a chamada infoxicação. Saiba quais são os sintomas e como se livrar desse mal

A publicitária Larissa Meneghini, 24 anos, toma café da manhã com os olhos grudados num livro. No caminho para o trabalho, parada no trânsito de São Paulo, aproveita para escutar notícias pelo rádio do carro e ler mais um pouco. Passa o dia conectada, respondendo a e-mails, checando redes sociais e pesquisando sites relacionados ao trabalho. “Chego a ficar tonta com tanta informação, a ponto de ter de sair da frente do computador e esperar passar”, conta a paulistana, que recentemente abriu mão do celular com internet para tentar reduzir o estresse com a hiperconectividade. Apesar de antenada com tudo, se sente constantemente desatualizada. “Estou sempre com medo de ficar de fora”, lamenta. A angústia de Larissa diante do grande volume de informação é tema que vem gerando manifestações acaloradas desde o início da era digital e agora ganhou nome: infoxicação.
O neologismo, uma mistura das palavras “informação” e “intoxicação”, foi cunhado por um físico espanhol especialista em tendências da informação, Alfons Cornellá. Segundo ele, uma pessoa está infoxicada quando o volume de informação que recebe é muito maior do que o que ela pode processar. “Quando ainda nem terminamos de digerir algo, já chega outra coisa”, afirma o especialista. As consequências são a ansiedade diante de tantas opções e a superficialidade.

Na mesma corrente, está o psicólogo britânico David Lewis, que criou o conceito da Síndrome da Fadiga Informativa, que se dá em pessoas que têm de lidar com toneladas de informação e acabam se sentindo paralisadas em sua capacidade analítica, ansiosas e cheias de dúvidas, o que pode resultar em decisões mal tomadas e conclusões erradas. Outros sintomas são danos às relações pessoais, baixa satisfação no trabalho e tensão com os colegas. “O excesso é mais prejudicial do que proveitoso”, afirma. Se há duas décadas só contávamos com alguns canais de televisão, hoje o volume de dados no mundo equivale à leitura de 174 jornais por dia por pessoa, aponta estudo da USC Annenberg School for Communication & Journalism, publicado em fevereiro (leia quadro).
Apesar dos perigos do excesso de informação, a maioria dos especialistas ainda enxerga mais vantagens do que desvantagens na era digital. Só alertam para a necessidade de as pessoas aprenderem a amenizar os efeitos colaterais dessa nova realidade. “Não temos como reverter esse processo, então é preciso aprender a lidar com ele”, defende a psicóloga Rosa Farah, do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “E não podemos subestimar a capacidade de o ser humano de adaptar-se a essa realidade.”
Para não ser contaminado pelo turbilhão de bytes a que está exposto diariamente, o engenheiro naval Guilherme Malzoni Rabello, 27 anos, inventou uma dieta da informação. “Eu escolho cuidadosamente o que merece minha atenção antes de sair atirando para qualquer lado, atentando principalmente para a origem da fonte. “Quanto mais gabaritada e reconhecida, mais vale a pena consumir”, diz. O engenheiro é exemplo de quem conseguiu exercer a escolha criativa, segundo o psicanalista Jorge Forbes, que não concorda com a patologização do mundo online. “Será que alguém fica gordo porque vai a um restaurante de bufê e se acha obrigado a comer de tudo para não fazer desfeita?”, compara Forbes. A professora Rosa, da PUC, ressalta, porém, que há pessoas mais vulneráveis a essa abundância e, para elas, recomenda escutar os alertas do organismo. “O corpo dá sinais de que estamos ultrapassando limites. Aí é hora de reavaliar prioridades”, ensina. Por enquanto, a quantidade de informação no mundo ainda equivale a menos de 1% da que está armazenada nas moléculas de DNA de um ser humano, indício de que a espécie deverá sobreviver a mais esse impacto.

Imagem relacionada

 

– As Redes Sociais e a Relação com o Trabalho e a Vida Pessoal

Cada vez mais somos o que escrevemos. Ou não?

Talvez! E não serei enfático na resposta por alguns motivos:

1. Se você entrar no Instagram de muitas pessoas, a vida é um mar de rosas! Só vemos postagens de momentos maravilhosos

2. Se você entrar no Twitter de outras, é um verdadeiro tribunal de causas diversas, onde se vê radicalismos que você não encontraria se fosse para ser dito, ao invés de redigido.

3. Já no Facebook, encontra-se uma diversidade impressionante: de piadas simplórias a reflexões fakes, passando por verdades e mentiras da sociedade.

Fica a questão: se um recrutador e possível empregador for te conhecer melhor pelo acesso às Redes Sociais que você tem (e isso é real, não se pesquisa apenas por LinkedIn), encontrará qual versão sua: a verdadeira ou a “disponível em alguns instantes”?

Vale dar uma refletida…

O importante é: as redes sociais são virtuais; o que vale é viver a vida real! Porém, a Web pode trazer complicações e falsificações de ideários pessoais da “vida vivida” de fato.

– Quem é o consumidor que vai gastar de verdade?

Quem é o consumidor que realmente vai gastar as riquezas da Economia Global? Os Boomers, a Geração X ou os Millenials?

Muito bacana o artigo que compartilho abaixo, extraído de: https://www.istoedinheiro.com.br/consumidor-conectado-exigente-e-ansioso/

CONSUMIDOR CONECTADO, EXIGENTE E ANSIOSO

por Cecília Andreucci

Altamente digitalizado, pressionado por uma montanha de informações, consumidor desconfia das organizações e da propaganda

Não há mais como falar de consumo sem falar de tecnologia – aliás poucas coisas hoje escapam desta proposição. Nós, brasileiros, somos os mais ávidos por novas tecnologias, inovação e por consumir toneladas de informação disponibilizadas na rede (mesmo ficando ansiosos com tudo isso). O uso de smartphones disparou e nos colocou como uma das nações mais digitalizadas. Somos prodígios nas redes sociais, mas nos preocupamos muito com a possibilidade de nossos dados serem hackeados. E há razões concretas para essa preocupação. Especialistas concordam que não é uma questão de “se” os sistemas de informação serão atacados, mas “quando” e em “qual” proporção. Ninguém está protegido.

Essas informações foram reforçadas pelo presidente global para consumo e varejo de uma grande consultoria internacional em evento recente. Ele apresentou o resultado de uma ampla pesquisa sobre as profundas mudanças nas motivações, atitudes e expectativas do consumidor nesse século, realizada em oito países, dentre eles o Brasil.

O resultado de cada país retrata, naturalmente, seu momento social, econômico e político, mas seguem muitas tendências globais, dentre elas o protagonismo da internet como fonte de informação, a preocupação crescente com a segurança de dados pessoais, a expectativa por qualidade e conveniência, e experiências mais intuitivas e personalizadas.

Outro aspecto pesquisado foi a confiança nas instituições, que atinge 47%. As menos confiáveis são organizações governamentais e as de propaganda – 37% e 26%, respectivamente. Essa última poderia também ser explicada por uma sociedade cada vez mais letrada na disciplina, que nunca desconfiou tanto da comunicação publicitária. Bancos e empresas de saúde gozam o mais alto nível de confiança, ainda que não seja tão alto assim (aproximadamente 60%). No Brasil, saímos fora da curva, abaixo da média, em instituições governamentais, energia e serviços de utilidade pública. Fácil de entender. E confiamos mais nas empresas de tecnologia que os demais países, talvez porque façamos muito uso delas.

E, resultado dos nossos últimos anos complicados, desenvolvemos uma cultura de barganha, passamos por um down trade, procurando produtos com melhor custo-benefício. Com isso, baixamos nosso padrão de consumo. Também reportamos o mais alto nível de preocupação com a aposentadoria (em termos financeiros). E vemos como principal indulgência na vida, a boa comida, o que é bastante frugal.

Outra perspectiva interessante da apresentação tratou da nova demografia etária do planeta e suas peculiaridades em termos de motivação, atenção, conexão, uso do tempo e gastos. Apesar de os Boomers (pessoas nascidas entre anos 40 e meados dos anos 60) terem acumulado muita riqueza, é a geração seguinte, a X, que deve herdá-la e gastá-la. Estima-se que um trilhão de dólares. Geralmente negligenciada pelas estratégias de marketing, é apelidada de geração-sanduíche ou geração-esquecida. A primeira a cuidar de seus pais e de seus filhos simultaneamente, sofre mais pressões por recursos e tempo. Apesar de terem nascidos antes da internet, são bastante digitalizados. Produtos e serviços devem refletir essa realidade.

Dentro da mesma casa que vive um “X”, há uma grande chance de viver um Millennial (nascido entre 1980 e 1999) e um “Z” (nascido depois de 2000). As nativas digitais cresceram na era da explosão das tecnologias de computação e de comunicação. Para a “Z” tudo ocorre, porém, numa dimensão e velocidade mais acentuadas. Se os Millennials queriam conhecer todas as possibilidades digitais, a geração “Z” chegou para fazer a curadoria, criar, projetar e mixar todas as mídias, conteúdos e experiências. Com baixíssima concentração, demandam que sejam seduzidos em segundos, ou outro estímulo vai atraí-los rapidamente.

Nessa casa hipotética, todos seguem se influenciando mutuamente, diariamente.

Não é fácil para a liderança das organizações capturar as necessidades destes grupos. Especialmente porque, como eu, muitos são da geração X, os imigrantes digitais. Para além das pesquisas e consultorias, que contribuem muito, aqueles que convivem de perto com as três outras gerações que habitam o planeta devem ter maior chance de sucesso.

(*) Cecília Andreucci é conselheira de administração, mercadologista e doutora em comunicação.

Consumidor conectado, exigente e ansioso

– O segredo das Lojas CEM para não vender na Internet e ganhar dinheiro com isso!

Quem é do Interior de São Paulo, sabe do respeito que as Lojas Cem recebem dos seus clientes. E na posição número 3 na venda de eletrodomésticos do país, resiste surpreendentemente em não vender pela Web.

A pergunta é: Por quê?

Abaixo, em: http://revistapegn.globo.com/Administracao-de-empresas/noticia/2018/12/saiba-razao-para-rede-lojas-cem-nao-vender-nada-na-internet-e-mesmo-assim-faturar-bilhoes.html

A RAZÃO PARA LOJAS CEM NÃO VENDER A PRAZO (E MESMO ASSIM FATURAR BILHÕES)

Terceira maior varejista de eletrodomésticos e móveis do País, com vendas anuais de R$ 5,3 bilhões, a Lojas Cem não vende nada pela internet

Terceira maior varejista de eletrodomésticos e móveis do País, com vendas anuais de R$ 5,3 bilhões, a Lojas Cem não vende nada pela internet. E, no que depender de seus donos, a empresa vai continuar ‘offline’ – ao contrário das concorrentes Via Varejo e Magazine Luiza que têm aumentado a aposta no e-commerce para ampliar o faturamento de R$ 25,6 bilhões e R$ 11,7 bilhões no ano passado.

Não é de hoje que a varejista, que começou em 1952 como uma oficina de conserto de bicicletas, em Salto, no interior do Estado de São Paulo, rema contra a maré. Vinte anos atrás, quando concorrentes venderam as carteiras de créditos para os bancos com a intenção de ganhar fôlego financeiro, a varejista contrariou o mercado. Até hoje, banca a venda a prazo com os próprios recursos.

“Sempre nos questionam por que não vendemos pela internet”, conta o sócio-diretor Natale Dalla Vecchia, de 82 anos, filho do fundador. Ele começa a costurar seu argumento dizendo que os concorrentes falam como se o comércio online respondesse por 80% das vendas de móveis e eletrodomésticos. “Na verdade, representa 2,7% desse mercado. É pouquíssimo”, acrescenta o irmão mais novo, Cícero Dalla Vecchia, sócio-diretor, que responde pelas áreas fiscal e financeira.

Além da pequena representatividade das vendas online no setor, Cícero aponta dois outros obstáculos que desestimulam a empresa a investir na internet. Um deles é a tributação diferente para cada Estado. “Quem vende nacionalmente pela internet tem de acompanhar a legislação de todos os Estados”, diz ele. Hoje com 266 lojas espalhadas entre São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, a rede tem 70 funcionários só para cuidar de questões tributárias. Esse já é um dos maiores departamentos da companhia.

Outra barreira à internet é a logística. A empresa só tem lojas num raio de até 600 quilômetros do centro de distribuição de 120 mil m², em Salto. A partir de 2019, a família iniciará um plano de expansão para dobrar o tamanho do centro de distribuição.

Freguesia. Mas a principal razão para a varejista não ingressar na internet é o perfil da sua freguesia. “O consumidor da internet é classe A, mais exigente, chorão, pechincheiro”, diz Natale. Já o público predominante das Lojas Cem é de classe B e C, que frequenta lojas de rua, gosta de tocar e ver a mercadoria e conversar com vendedor. Aliás, todas as lojas da rede são de rua e só três ocupam prédios alugados. “Acreditamos na loja de rua e em prédios próprios”, diz Natale.

Quem dita as regras na empresa é a família Dalla Vecchia, que não quer negociar ações na Bolsa de valores, com uma abertura de capital. São três irmãos, filhos do fundador Remígio Dalla Vecchia, e um cunhado que tocam a empresa, de 11.300 funcionários, quase todos formados na companhia.

“Não temos CEO (Chief Executive Officer, na sigla em inglês, a pessoa de maior autoridade na empresa)”, afirma Natale. Ele conta que as decisões são tomadas pelo colegiado de sócios e que raras vezes há divergências. Alguns princípios são inegociáveis: “Compramos as mercadorias em prazo curto, não mandamos a carteira de crédito para financeiras, não distribuímos lucro, não abrimos lojas em shoppings”, lembra Natale.

Há dois anos, a pedido dos fornecedores, que queriam entender como a empresa atua, os sócios responderam às principais perguntas e colocaram no papel. “Os fornecedores mostraram o documento a concorrentes, que leram até o terceiro parágrafo e disseram que assim não dá para trabalhar”, conta. “E nós trabalhamos desse jeito. Somos conservadores, fazemos tudo diferente e somos a empresa que mais dá certo.”

‘Não há só uma receita de sucesso’, diz consultor.

A gestão à moda antiga da Lojas Cem, que contraria o movimento dos concorrentes, divide os especialistas em varejo. “Não tem só uma receita de sucesso”, afirma Eugênio Foganholo, consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial. Na sua opinião, a rede tem disciplina estratégica “extraordinária” num segmento no qual as margens são apertadas e o sucesso de uma empresa se dá pelo insucesso de outra. “Eles têm a riqueza de dizer não e escolher com clareza o caminho.”

Já Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar, considera uma “loucura” a Lojas Cem não ir para a internet. Ele compara a decisão da companhia a uma corrida. “Trabalhar apenas com lojas físicas hoje é como se a empresa corresse com uma perna só, enquanto a concorrência corre com as duas: lojas físicas e comércio online.” O presidente da SBVC, Eduardo Terra, reconhece a decisão e a solidez da companhia. Mas pondera que o mercado está mudando rapidamente e que a decisão de onde comprar está nas mãos do consumidor. “Quem não estiver em todos os canais perde venda.”

Resultado de imagem para lojas cem

– Visite meu canal no YouTube!

DISCUTINDO CONTEMPORANEIDADES, de Rafael Porcari, em vídeo?

Meu tradicional blog, numa simples versão em vlog. Conheça-o! É bem informal, feito sem muitos recursos, mas com muita coisa legal.

Ficarei grato com sua inscrição no canal e possível divulgação. 

Em: 

https://www.youtube.com/channel/UCRT3Ds8ExBZppf6iTwFTsuA

– A Segurança Digital é o grande desafio dos novos tempos?

Invasão de WhatsApp bem simplória, Inteligência Artificial dos celulares ouvindo nossas conversas ou Smart Tvs espionando nossa casa: acredita nessas coisas?

Pois bem: elas são reais e assustadoras!

Compartilho essa entrevista bem interessante sobre “Segurança Digital”, com Marcelo Lau (um dos especialistas mais respeitados do assunto). O tema tão sério é tratado com bastante humor com Danilo Gentili. Vale a pena assistir:

Em: https://youtu.be/BSqOX0LlzfY

– Padre Fábio de Melo sai do twitter e diminui rotina árdua! Até ele é vítima dos haters das Redes Sociais?

O conhecido religioso Padre Fábio de Melo, de importante lições espirituais e dono de inspiradas canções, após ser pilhado por conta de uma publicação onde falava sobre “saidinha de presos do Dia dos Pais”, resolveu abandonar o Twitter.

Ele escreveu em outras palavras que Alexandre Nardoni, um famoso condenado por ter matado sua filha pequena ao jogá-la do alto do seu apartamento, deveria não ter o benefício de sair para ver seus filhos no dia dos pais, mas sim ir ao túmulo da inocente assassinada no dia de Finados. Para a Web, tal postagem foi motivo de repulsa ao sacerdote que foi bombardeado por críticas.

Tendo sofrido recentemente com a Síndrome do Pânico, o padre declarou que a sua saúde emocional era importante e que essa Rede Social não estava mais lhe fazendo bem. Imaginem o que ele deve ter lido… também prometeu diminuir sua rotina de shows, até se dedicar fora da área musical para novos desafios de evangelização.

A questão é: ele, tão especial em espiritualidade e nas mensagens de paz, numa opinião pessoal (não escreveu como homilia, mas como humano que é), tornou-se alvo da patrulha do politicamente correto.

Claro que como Padre muitos talvez desejassem que ele repetisse o famoso ensinamento cristão de perdoar 70×7. Mas na Internet ele sempre foi mais gente do que padre, e tal sentimento de indignação falou mais alto.

A questão é: Nardoni, por incrível que possa parecer, foi levado a ser por muitos uma “Madalena Arrependida” (e olha a diferença de pecado do criminoso e da santa…).

E você: o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

Resultado de imagem para padre fábio de melo

– Um Vlog como teste?

Amigos, estou fazendo uma nova experiência: após sugestão, estou gravando temas do Blog em vídeos no YouTube. Na verdade, por enquanto, somente fiz o primeiro, de apresentação.

Tudo caseiro, bem amador, sem muita preocupação com edição. Como estou aprendendo, parece-me que não é errado chamar de Vlog (Blog em Vídeo). Ou melhor: Canal!

Não importa! O que vale é a intenção. Se você quiser me dar a honra de prestigiar e se inscrever, o endereço (abaixo) é:

https://www.youtube.com/channel/UCRT3Ds8ExBZppf6iTwFTsuA

– Barrigas de Aluguel via Internet

Não sei se estou preparado para esses novos tempos e métodos de concepção: o de Barrigas de Aluguel.

Confesso que ao ler esse artigo, assustei-me um pouco com a forma comum que tal assunto é tratado. Ou seja, alugar o útero não é novidade!

Veja em: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2063/artigo139363-1.htm

GRAVIDEZ.COM, O COMÉRCIO DE ÚTERO NA INTERNET

Crise financeira e problemas de infertilidade levam dezenas de mulheres a comércio ilegal de gestação

por Alan Rodrigues e Carina Rabelo

A geladeira da casa da paulista Maria Inês de Carvalho, 29 anos, há tempos não conta com alguma variedade de produtos. Fora uma travessa de feijão do dia anterior, um arroz e uma carne moída, apenas se veem garrafas d’água. Na dispensa a situação não é diferente. Ali, as latas vazias comprovam a míngua. Há dois anos, desde que perdeu o marido, Inês e a pequena filha de 6 anos vivem em sobressaltos. Cansada da penúria alimentar e com os cobradores batendo à porta, ela buscou uma solução pouco ortodoxa para resolver sua crise financeira: alugar o próprio útero para pagar as dívidas, que já chegam a R$ 30 mil.

“Não suporto mais passar dificuldades. Pensei até em vender um rim”, diz. Proibida de trabalhar pelo falecido marido desde o início do casamento, ela nunca teve uma atividade profissional. “Não sei fazer nada”, lamenta.

Ela é apenas mais uma no amplo rol das mulheres que buscam a salvação financeira pelo útero. Numa única empresa de anúncios pela internet, outras 800 candidatas a mãe de aluguel colocaram suas barrigas para locação. Inês quer R$ 80 mil para gerar um filho para outra mulher.

Ao contrário dela, a empresária mineira Marlene Santos, 40 anos, não tem problemas financeiros, mas de infertilidade. Em comum entre elas há apenas a angústia. Rica e casada há dez anos, Marlene alterna seus dias entre a solidão e a tristeza em um apartamento luxuoso em Belo Horizonte. Marlene está na estatística de 1% das mulheres brasileiras que nasceram sem o útero. “Gerar um filho é uma graça que eu não pude ter”, lamenta. Para driblar a infertilidade, ela jogou às favas os escrúpulos e, na escolha polêmica, a sua história se cruza com a de Inês. Ela contratou uma barriga de aluguel pelo Orkut – rede social na internet que apresenta dezenas de comunidades sobre o tema. Pelo arrendamento durante os nove meses de gestação, a empresária paga R$ 50 mil, assume todas as despesas médicas, o supermercado mensal e os demais cuidados necessários à grávida.

A paulistana Camila, 21 anos, tem seu nome em uma espécie de book – das mães de aluguel – numa clínica de reprodução assistida, na capital paulista. Ela já alugou seu útero uma vez, há dois anos, e não se arrependeu.

“Peguei o dinheiro e dei de entrada no meu apartamento”, diz. Camila é o tipo de ótima “locatária” nesse mercado. “Entreguei o menino depois do parto, conforme o combinado.

“Não suporto mais passar dificuldades. Pensei até em vender um rim”
Inês de Carvalho, dona-de-casa

Tinha recebido metade do valor assim que se confirmou a gravidez e o resto logo depois do parto”, diz. Loira, bonita e sem vícios, ela resolveu enfrentar tudo novamente.

“Estou desempregada e sem perspectivas”, argumenta. Na primeira vez, Camila encontrou apenas uma página na internet. “Hoje são mais de 18, com 14 mulheres em cada uma”, diz ela, preocupada com a concorrência.

Nem sempre são os contextos dramáticos que mobilizam as mães de aluguel. Ao contrário de tantas mulheres que encaram a gravidez como um estorvo e se apavoram diante dos riscos do parto, as que se dispõem ao serviço gostam de ficar grávidas. E, claro, se encantam com a possibilidade de receber boa remuneração. As transgressões delas se multiplicam no mercado virtual, onde esse comércio clandestino é operado. Basta colocar a palavra-chave ‘barriga de aluguel’ no campo de busca da internet, e os anúncios vêm à tona. Em cada site de classificados, comunidades virtuais e fóruns, surgem de 200 a 800 recados de mulheres disponíveis ao serviço. No texto, elas atraem os compradores com garantias de saúde perfeita, juventude plena e atributos físicos desejáveis. Para tranquilizar o casal, declaram-se “bem resolvidas” quanto à escolha.

O esquema é simples. A mulher coloca o ventre em locação e recebe propostas. O negócio é fechado sem contratos – apenas com o comprometimento das partes. Exames preliminares são feitos para comprovar a saúde da futura gestante, que deverá seguir à risca as recomendações dos pais da criança. A partir do acordo, o óvulo da mãe genética, já fecundado com o espermatozoide do pai, é implantado no ventre da mãe de aluguel. Durante nove meses, nada de bebidas e cigarros ou situações de risco para o bebê. Após o parto, a mãe genética pega o recém-nascido e o leva para casa. “Não quero amamentar para não ter apego”, diz Inês.

Patrícia Amorim, 29 anos, colocou o anúncio na internet em dezembro de 2008 e já recebeu quatro propostas. Ela, que já é mãe de duas crianças, colocou seu ventre em locação por R$ 30 mil, de comum acordo com o marido. “A condição é que seja através de inseminação”, diz a mulher, que recusou há uma semana uma proposta de fecundação através de relação sexual. “Não corro o risco de me apegar à criança”, garante. “Filho dá trabalho. Por que vou querer assumir a responsabilidade por um que não é meu?”, questiona a despachante, que faz malabarismos a cada mês com a limitada renda familiar de R$ 1.090. “Temos o direito de dar uma condição de vida digna para as nossas crianças”, diz ela.

No Brasil, a resolução 1.358/92 do Conselho Federal de Medicina (CFM) – o único dispositivo normativo a versar sobre o tema “útero de substituição” – admite a prática somente de forma solidária, gratuita, entre parentes de até segundo grau e mediante prova de que o casal interessado é incapaz de gerar filhos. Mesmo com autorização – e elas são pouquíssimas no País -, a nova família passa anos com ações na Justiça para legalizar o nome de seus filhos. “É necessária a presença do Estado nesse debate para evitar abusos”, entende Margareth Arilha, da ONG Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR). O limbo da falta de amparo legal impulsiona as mães de aluguel a migrar da simples clandestinidade à criminalidade. Para burlar a fiscalização dos centros de reprodução humana e do hospital no momento do parto, é comum que muitas delas utilizem documentos falsos para obter o atendimento e o registro da criança com o nome da mãe biológica.

Emperrado na burocracia, o governo anda a passos lentos na tentativa de regulamentar a prática disseminada. Especialistas se dividem. Os católicos são contrários. Médicos defendem que o “útero de substituição” deve seguir as regras do CFM, principalmente no que diz respeito ao grau de parentesco entre as partes. “É importante que elas sejam próximas”, diz o médico Pablo Chacel, corregedor do CFM. “Há muitas questões envolvidas na relação entre a gestante e o bebê. Não conhecemos os impactos sobre uma criança que foi concebida por uma estranha”, afirma Maria do Carmo Borges, vice-presidente da Rede Latino- Americana de Reprodução Humana.

Na área do direito, o entendimento favorece a ampliação das possibilidades da cessão do útero, desde que não se trate de um acordo comercial.

“Deve ocorrer por um ato de solidariedade, com as despesas de saúde e alimentação pagas pela mãe genética”, defende a professora Maria Auxiliadora Minahim, especialista em direito penal e bioética.

Atualmente, raros são os casais inférteis que não pensaram na possibilidade de alugar uma barriga, mesmo que de relance. Entre os interessados estão homens e mulheres que não podem ter filhos – estima-se que eles sejam 18% do total de casais do País, e mulheres que perderam o ventre após a retirada de um mioma – o câncer de colo do útero atinge cerca de 500 mil por ano no mundo. Impossibilitadas de gerar um filho, muitas recorrem às barrigas de aluguel. Outros interessados no serviço são os casais homossexuais em união estável e as mulheres acima dos 40 anos – de 25% a 35% delas se tornam inférteis a partir dessa idade. Essas pessoas encontram na barriga de aluguel a viabilidade para a realização do sonho, mais acessível com a popularização das técnicas de fertilização in-vitro e inseminação artificial. A atriz Sarah Jessica Parker, 44 anos, é um dos exemplos.

O ícone da nova feminilidade no seriado “Sex and the City”, recorreu a uma barriga de aluguel por não conseguir mais engravidar.

O tema se tornou popular no País na década de 90, após a novela “Barriga de Aluguel”, que tratava do conflito entre a mãe genética, interpretada por Cássia Kiss, e a mãe de aluguel, papel de Cláudia Abreu. Recentemente, o assunto voltou à tona na novela “Caminho das Índias” e no seriado “A Grande Família”. Entre os grandes tabus do tema está a possibilidade do apego entre a mãe e o filho biológico e o desconforto entre a criança e a família genética. No entanto, pesquisas revelam que estes dramas são mais comuns nos folhetins do que na vida real. Mães de aluguel não enfrentam problemas emocionais durante ou depois da gravidez. Nem mesmo dilemas ao entregar o filho aos pais que a contrataram. É o que revela a pesquisa da City University, na Inglaterra, onde a prática é legalizada. De acordo com o levantamento, nenhuma das 34 mães de aluguel entrevistadas teve dúvidas ao entregar o bebê. Elas também afirmam manter uma boa relação com os pais contratantes.

Um estudo do Centro de Pesquisa Familiar, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, divulgado em julho de 2008 na Conferência da Sociedade Europeia de Reprodução Humana, revela que famílias constituídas a partir de óvulos doados, inseminação artificial e barriga de aluguel têm o mesmo nível de satisfação e equilíbrio psicológico das constituídas de forma natural. Segundo Polly Casey, autora do estudo, as mulheres que criam filhos a partir de óvulos doados ou barriga de aluguel têm um excelente nível de envolvimento com a criança. “Os dados não surpreendem se levarmos em consideração as dificuldades que estas mulheres enfrentaram para atingir a maternidade”, revela a pesquisadora.

No próximo mês, deverá ser analisada pelo governo na França a proposta de legalização da barriga de aluguel, durante a revisão da lei de bioética. Entre os que apoiam – 61% da população – estão grupos de políticos, médicos, psicanalistas e juristas, que reuniram mais de 300 assinaturas em todo o país para legalizar a prática. Entre os opositores (31%) estão os católicos. A agência nacional de biomedicina – que se propõe a intermediar os contratos entre mães de aluguel e os casais – deverá apresentar o relatório ao presidente Nicolas Sarkozy. Na França, cerca de 100 casais optam pelas barrigas de aluguel a cada ano. Levantamento recente feito pelo Centro de Fertilidade de Berlim, na Alemanha, revela que 63% dos casais inférteis e 44% da população são favoráveis à legalização da barriga de aluguel. Na Índia e em dois Estados americanos, o aluguel do útero é permitido.

“Existe uma tendência mundial de liberalização. O Brasil não pode se omitir ao debate”, diz Margareth Arilha. Nos próximos dias, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, irá ao Congresso Nacional, a convite da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), para debater o tema.

Embora o assunto assuste os mais conservadores e até mesmo aqueles que se esforçam para compreender a escolha pela barriga de aluguel, a prática revela o surgimento de novas famílias. “Se serão melhores ou piores, só o tempo dirá”, diz Maria do Carmo Borges.