– Sobre as imagens de abusos de policiais mostradas no Fantástico

Não dá para deixar de comentar sobre as tristes cenas mostradas no Fantástico, da Rede Globo, sobre erros e excessos da PM. Uma senhora negra imobilizada chamou demais a atenção. Era necessário o oficial fazer aquilo?

Claro que a repercussão é grande (principalmente após o triste episódio de George Floyd que comoveu o mundo). Mas se destaque: as pessoas que cometeram essas atrocidades devem ser identificadas e punidas, os comandantes devem treinar mais os seus subordinados (pois um único erro pode ser fatal) e que não se tome esses casos como “regra da corporação”, pois os maus profissionais não podem macular uma categoria inteira.

Tenho certeza que os bons policiais se revoltaram com essas imagens e comungam das mesmas ideias de que os que erraram devem ser reeducados. E, claro, vidas negras, amarelas, vermelhas, pobres e de outras turmas que sofrem importam muito.

Em todas as atividades existem os bons e maus profissionais, é fato. Não se demonize a PM, que é, em geral, amiga da população.

– Mortos de Covid-19 no Japão versus Brasil!

Compare o Brasil e o Japão na luta contra o Covid e surpreenda-se:

  • A População de Brasil é de 210 milhões de habitantes.
    A do Japão é de 123,5 milhões.
  • Mortos por Coronavírus no Brasil: Quase 70.000 pessoas.
    Mortos no Japão: Menos de 1.000 pessoas (até ontem, 09/07).

Considere que, CONTRA o Japão, ainda existe a absurda densidade demográfica: 336,8 habitantes para cada quilômetro quadrado, contra 23,8 do Brasil (São Paulo tem 177).

Perceberam que morre mais gente num ÚNICO dia no Brasil do que no Japão durante a pandemia inteira, até agora?

A diferença deve ser: disciplina do povo e responsabilidade dos governantes. Ou não?

Japão declara estado de emergência em sete regiões por causa do ...

– Os candidatos ao cargo de Ministro da Educação:

Repost de 1o de julho: dos 8 candidatos à chefia do MEC, apenas Feder já foi destacado. Avalie:

Como é difícil escolher um nome que não seja polêmico para a pasta da Educação no Governo Bolsonaro, não?

diversos professores sendo ventilados para o cargo, e me assusto quando vejo matérias mostrando outras características dos candidatos que não sejam suas realizações, dispensando o curriculum dos mesmos e destacando outras coisas. Por exemplo: o jornal Globo lembrou que Anderson Ribeiro Correia, do respeitadíssimo ITA, é sugestão da bancada evangélica. Outrora o Estadão lembrou que o presidente da Capes (cotado na saída de Weintraub) Benedito Guimarães Aguiar Neto, que trabalhou no Mackenzie, era presbiteriano e defensor do Design Inteligente. O UOL aponta, hoje, que Gilberto Gonçalves Garcia (outro grande acadêmico) é frei franciscano e foi reitor da Universidade São Francisco. Já a Revista Veja aponta o educador Carlos Nadalim (que tem uma vasta obra) como alguém que levou um padre para consagrar o MEC à Nossa Senhora de Fátima.

Não está faltando discussão sobre o projeto educacional do país, ao invés da preocupação com a religião do novo Ministro da Educação? Há nomes competentes, outros não. A crença (ou descrença, caso seja ateu) é uma particularidade da pessoa que deve ser respeitada.

Abaixo, os candidatos citados pelo “Gazeta do Povo” com suas realizações (enfim, sem se preocupar com a fé dos mesmos).

Extraído de: https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/bolsonaro-analisa-curriculos-para-escolher-novo-ministro-da-educacao-veja-os-cotados/

BOLSONARO ANALISA CURRÍCULOS PARA ESCOLHER O NOVO MINISTRO DA EDUCAÇÃO

1- Anderson Ribeiro Correia

Correia é reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e já foi presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ele também ocupou os cargos de superintendente de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e de presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo.

É graduado em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e mestre em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ele também fez doutorado em Engenharia de Transportes na University of Calgary, no Canadá.

2 – Gilberto Gonçalves Garcia

Garcia atualmente é reitor da Universidade São Francisco (USF) e professor adjunto do Programa Stricto Sensu em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Ele é doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ (2007). Na mesma instituição, fez mestrado e graduação. De acordo com o currículo Lattes, também foi reitor da FAE Centro Universitário (1998-2007), da Universidade São Francisco (2002-2009) e da Universidade Católica de Brasília (2014-2018).

Ele também exerceu as funções de presidente da Associação Brasileira de Universidades Comunitárias ABRUC (2007-2009), presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras CRUB (2008-2009), e conselheiro da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (2010 a 2018). Ocupou a presidência da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), de 2012 a 2014, e foi presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), de 2014 a 2016.

3 – Ilona Becskeházy

Consultora em educação, Ilona Becskeházy atualmente é secretária de Educação Básica do MEC. Ela é mestre e doutora em política educacional, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), respectivamente, e já trabalhou na Fundação Lemann.

No início do governo de Jair Bolsonaro, ela chegou a ser cotada para o cargo de chefia da pasta. No ano passado, participou do grupo de especialistas da 1ª Conferência Nacional de Alfabetização Baseada em Evidências (Conabe), do MEC, por sua experiência e estudos sobre o modelo de ensino de Sobral (CE).

4 – Sergio Sant’ana

Sergio Henrique Cabral Sant’ana é advogado e foi assessor especial do ex-titular da pasta, Abraham Weintraub, no MEC. Ele teria sido indicado por Eduardo Bolsonaro, filho do presidente.

5 – Marcus Vinícius Carvalho Rodrigues

Rodrigues é ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Ele presidiu o instituto entre 22 de janeiro e 26 de março de 2019.

É doutor em Engenharia da Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), especialista (MBA) em Formação de Executivos pela Universidade dos Correios, e bacharel em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Segundo informações de seu currículo, ele também atuou como executivo, consultor organizacional, palestrante e professor em cursos de MBA, mestrado e doutorado. Além disso, escreveu 11 livros sobre gestão e análise organizacional, qualidade e produtividade.

6 – Stravos Xanthopoylos

Xanthopoylos é ex-diretor da área de cursos on-line da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e atualmente trabalha como consultor na área de educação a distância. Formado em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo e doutor em Administração de Empresas pela FGV-Eaesp, Xanthopoylos participou da equipe de transição do presidente Jair Bolsonaro, no fim de 2018.

Antes da escolha de Abraham Weintraub, ele chegou a ser cotado para o cargo. Na época, mencionou-se que poderia existir conflito de interesses entre a sua atuação no mercado de educação particular e a adoção de políticas públicas, o que ele negou.

Xanthopoylos também já se posicionou contra cotas, a favor do homeschooling e contra o ensino de “ideologia” nas escolas.

7 – Carlos Nadalim

O secretário de Alfabetização do MEC, Carlos Nadalim, é seguidor do filósofo Olavo de Carvalho, entusiasta do ensino domiciliar – hoomeschooling -, e esteve à frente da formulação da nova Política Nacional de Alfabetização (PNA). O secretário já recebeu, da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, o prêmio Darcy Ribeiro.

Ele é formado em Direito e é mestre em Educação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Também tem especializações em História e Teorias da Arte e em Filosofia Moderna e Contemporânea. Já lecionou no ensino básico e no superior e foi coordenador-pedagógico em Londrina.

O projeto mais ambicioso de Nadalim no MEC é o “Programa de Alfabetização Escolar”, cujo objetivo é dar aos professores a formação necessária e adequada para que ensinem as crianças a ler e a escrever por meio de ações mais eficazes – o Brasil tem hoje 11,3 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever. A adesão dos municípios é voluntária. O programa, criado no ano passado e anunciado no fim de janeiro, é calcado em evidências científicas e recebeu a contribuição de pesquisadores em neurociência em outubro do ano passado, com a 1.ª Conferência Nacional de Alfabetização Baseada em Evidências (Conabe), organizada pelo MEC.

8 – Renato Feder

Feder é secretário de Estado da Educação do Paraná. Tem carreira no setor privado e define-se como empreendedor e liberal. É administrador de empresas e mestre em Economia pela Universidade de São Paulo (USP).

Ele tem experiência como docente na Educação de Jovens e Adultos, e passou pela direção de uma escola em São Paulo. Também assessorou a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Ele e Alexandre Ostrowiecki são sócios da empresa de tecnologia Multilaser, que atingiu faturamento acima de R$ 2 bilhões em 2017. Confira o perfil completo de Feder.

Bloco de notas com lápis vermelho sobre um fundo de mesa de ...

– Dia da Revolução Paulista de 1932

Hoje é o dia da lembrança mais importante do Estado de São Paulo: a data (09 de Julho*) em que os paulistas saíram pedindo o fim do absolutismo de Getúlio Vargas e a elaboração de uma nova Constituição Brasileira.

Claro que o conflito teve outros interesses, como uma espécie de não aceitação dos acordos políticos do país naquele momento e a minimização da importância de SP na influência nacional. Em alguns momentos, tendeu a ser um movimento separatista, com emissão até de moeda paulista.

Que São Paulo não se acomode com a corrupção e desmandos como fez outrora!

*LEMBRANDO: o feriado foi adiantado neste tempo de pandemia…

pelos_herois_de_32_17071.jpg

– Realidade Alternativa EUA X Brasil?

Leio que Fernanda Lima, modelo e atriz da Rede Globo, levou tempos atrás os seus filhos para passearem nos EUA. Ao contrário do que possa ser uma viagem de lazer familiar, o motivo era outro, segundo a moça:

Eu queria mostrar para as crianças uma realidade sem medo, para que elas vissem que existem lugares onde há regras e as pessoas se respeitam”.

Não podemos criticá-la. Afinal, por mais que sejamos patriotas, é inegável que a violência é alta (lembrando que estamos falando de assaltos e outros crimes).

Brasil X Estados Unidos: escolha o melhor no Handebol Feminino do Pan

– A Europa ou o Brasil está correto na causa verde?

Os europeus ameaçam boicotar produtos brasileiros, devido ao desmatamento da Amazônia. Os brasileiros negam essa violência à natureza.

Sobre esse duelo de narrativas, abaixo, um ótimo texto:

(Extraído de: https://renatonalini.wordpress.com/2020/07/03/quem-esta-coma-a-razao/)

QUEM ESTÁ COM A RAZÃO?

O mundo está louco ou só os cientistas perderam a razão?

Isso porque a ciência indica um colapso ambiental, se não houver sérias restrições à emissão dos gases venenosos causadores do efeito estufa. Uma população crescente, cada vez mais acostumada com os bens da vida inexistentes há alguns séculos, faz com que o planeta se transforme num ambiente hostil para qualquer espécie de vida.

Reúnem-se os representantes das Nações, acordam tomar providências e nada, na realidade, providenciam. Continuam a vivenciar estilo insustentável, assistindo inertes à poluição que contamina todos os espaços. Atmosfera, solo, água, tudo comprometido com a insânia do bicho-homem.

O Brasil já foi promissora esperança na tutela ecológica. Enquanto o tema engatinhava no Primeiro Mundo, o notável Paulo Nogueira Neto já mostrava qual devia ser a atitude da espécie em relação ao seu habitat. Foi ele quem contribuiu para a elaboração do conceito de sustentabilidade. Além de assumir a responsabilidade de responder por um setor até então inexistente no governo: a Secretaria Especial, o futuro Ministério do Meio Ambiente.

Tivemos também o mais significativo preceito constitucional relativo ao meio ambiente: o artigo 225 da Constituição Cidadã. Ele converteu o nascituro em sujeito de direitos, um deles muito singular: o direito a um ambiente saudável.

Audaciosos, chegamos a ter uma grife verde no Ministério, a ex-seringueira Marina da Silva, alguém que vivia do extrativismo e que bem conhecia a necessidade da preservação.

A Eco-92 foi recebida, no mundo inteiro, como ocasião ímpar: o acordo entre todos os governantes de uma efetiva tutela ambiental.

Depois disso, o que ocorreu? Retrocesso acelerado. Rasgue-se o princípio constitucional da vedação do retrocesso. O atraso venceu. Com a revogação do Código Florestal, a flexibilização do licenciamento, o desmantelamento das estruturas de fiscalização, a autorização para centenas de herbicidas proibidos no mundo civilizado, mas aqui liberados.

Não se acreditava pudéssemos chegar a incêndios programados, à recusa de auxílios internacionais, à acusação de ONGs como inimigas do ambiente, assim como alusões grosseiras a chefes de Estado, primeiras damas, a covardia de atacar uma garota de dezesseis anos que tem coragem de falar a verdade e de pedir juízo aos insensatos.

Quem é que está com a razão? Os cientistas, que alertam quanto à inevitabilidade da tragédia ou aqueles que pregam a destruição da mata, sob os mais pífios e ridículos argumentos: a soberania brasileira, o excesso de reservas, parques nacionais e terras indígenas, a necessidade de produzir mais carne e mais grãos, o catastrofismo que é mania de quem não tem nada o que fazer. E por aí vai, no desfile de tolices e imbecilidades propagadas por todos os instrumentos de difusão das notícias.

O fato é que o Velho Continente já constatou a dimensão do drama. E ameaça o Brasil de não aceitar mais produtos cuja rastreabilidade aponte algum elo rompido na política planetária de preservação do ambiente.

O tiro pode sair pela culatra. O “celeiro do mundo” encontrará portas fechadas à sua produção crescente, se não prestar atenção àquilo que a ciência, os fatos, as evidências estão a mostrar como verdades inconfundíveis e inevitáveis.

Será que aí concluirão quem é que estava com a razão?

_ José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE, Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.    

question-mark-2492009_1920

– O prédio mais alto da América Latina

Santa Catarina sofreu nessa última semana com o fenômeno da natureza chamado “ciclone-bomba”, que passou por lá vitimando muita gente.

Eu detesto ventania. Não gosto de altura também. E se você também é como eu, imagine estar no 81o andar do edifício Yatchouse Pasqualotto, em Balneário Camboriú, o maior prédio do Brasil, em meio a um temporal como ocorrido?

Tô fora. Aliás, a cobertura de uma das torres (foto abaixo) é do jogador Neymar e vale alguns milhões de reais.

– Outra tragédia quase aconteceu?

Que não se esqueça: há 1 ano, discutíamos sobre as barragens brasileiras, esse assunto que só é levantado quando o desastre ocorre.

Relembrando com o repost, extraído deste mesmo blog:

BARRAGENS E SEGURANÇA: TUDO EM ORDEM?

Como estão as barragens Brasil afora? E os viadutos, pontes e outras construções? Túneis, então?

Digo isso pelo rompimento da barragem baiana de Quati, ocorrido ontem. Por sorte, a região é despovoada. 

Estamos esperando outro desastre como o de Brumadinho ou de Mariana?

Abaixo, extraído de: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2019/07/12/governo-confirma-rompimento-de-barragem-em-cidade-na-bahia.ghtml

Governo confirma rompimento de barragem em cidade na Bahia

Estrutura fica no povoado de Quati, em Pedro Alexandre, e água invadiu também o município vizinho, Coronel João Sá. Cerca de 500 pessoas estão desalojadas.

Imagens aéreas mostram rompimento de barragem na Bahia — Foto: Secom/GOVBAImagens aéreas mostram rompimento de barragem na Bahia — Foto: Secom/GOVBA

Imagens aéreas mostram rompimento de barragem na Bahia — Foto: Secom/GOVBA

O governo da Bahia confirmou, na manhã desta sexta-feira (12), que a barragem do Quati, que fica na cidade de Pedro Alexandre, se rompeu. De acordo com a assessoria de comunicação do governo, técnicos avaliaram o local nesta sexta e constataram que houve rompimento.

O Governo do Estado esclareceu, por meio de nota, que, inicialmente, houve o transbordamento da barragem, com rachadura nas laterais. No entanto, a pressão da água acabou provocando rompimento parcial do equipamento. Uma nova vistoria será realizada, na tarde desta sexta-feira, para verificar a extensão dos danos e a situação de barragens vizinhas ao Quati.

A água da barragem invadiu Pedro Alexandre e a cidade vizinha Coronel João Sá. A cidade de Coronel João Sá foi a mais atingida pela inundação, porque fica em uma altitude mais baixa que Pedro Alexandre. Cerca de 500 pessoas estão desalojadas.

As fortes chuvas que caem na região aumentaram o volume de água do Rio do Peixe, que deságua na barragem. O percurso do rio entre as cidades de Pedro Alexandre e Coronel João Sá é cerca de 80 km.

Não houve registro de feridos, nem desaparecidos nas duas cidades. O prefeito de Coronel João Sá, Carlinhos Sobral, chegou a publicar, nas redes sociais, um vídeo para alertar sobre o risco das pessoas continuarem nas casas que ficam às margens do Rio do Peixe.

A água que vazou da barragem seguiu o curso do rio na tarde de quinta-feira (11) e chegou a Coronel João Sá.

A barragem do Quati foi construída pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e entregue em novembro de 2000 à Associação de Moradores da Comunidade do distrito. Ela represa o Rio do Peixe para o período de estiagem.

Imagens aéreas mostram rompimento de barragem na Bahia — Foto: Secom/GOVBAImagens aéreas mostram rompimento de barragem na Bahia — Foto: Secom/GOVBA

Imagens aéreas mostram rompimento de barragem na Bahia — Foto: Secom/GOVBA

Transtornos e prejuízos

A ponte que passa sobre o Rio do Peixe, em Coronel João Sá, na Bahia, ficou submersa e os bombeiros isolaram a área. Moradores ficaram mais de 18h “ilhados” e só começaram a transitar com a ajuda dos bombeiros, no final da manhã desta sexta.

A água começou a escoar, também na manhã desta sexta-feira, mas ainda chove no município. Os prejuízos são muitos. Casas cheias de lamas e com marcas de água até a metade das paredes. Assim como a ponte, as ruas de Coronel João Sá ficaram alagadas.

Os moradores precisaram deixar as casas e estão alojados nas escolas municipais, que seguem com aulas suspensas. Conforme o prefeito Carlinhos Sobral, entre 100 e 150 famílias estão desalojadas.

Imagens aéreas mostram rompimento de barragem na Bahia — Foto: Secom/GOVBAImagens aéreas mostram rompimento de barragem na Bahia — Foto: Secom/GOVBA

Imagens aéreas mostram rompimento de barragem na Bahia — Foto: Secom/GOVBA

Imagem aérea na quinta-feira (11), do município de Coronel João Sá, após rompimento da barragem  — Foto: Studio Júnior NascimentoImagem aérea na quinta-feira (11), do município de Coronel João Sá, após rompimento da barragem  — Foto: Studio Júnior Nascimento

Imagem aérea na quinta-feira (11), do município de Coronel João Sá, após rompimento da barragem — Foto: Studio Júnior Nascimento

Imagem de inundação em Prefeitura de Pedro Alexandre, na quinta-feira (11) — Foto: Arquivo pessoal/Gino GiubbiniImagem de inundação em Prefeitura de Pedro Alexandre, na quinta-feira (11) — Foto: Arquivo pessoal/Gino Giubbini

Imagem de inundação em Prefeitura de Pedro Alexandre, na quinta-feira (11) — Foto: Arquivo pessoal/Gino Giubbini

Lama espalhada pela cidade de Coronel João Sá, na manhã desta sexta-feira (12) — Foto: Alan Tiago/G1Lama espalhada pela cidade de Coronel João Sá, na manhã desta sexta-feira (12) — Foto: Alan Tiago/G1

Lama espalhada pela cidade de Coronel João Sá, na manhã desta sexta-feira (12) — Foto: Alan Tiago/G1

Barragem em cidade na Bahia se rompeu e deixou 500 desalojados — Foto: Arte/G1Barragem em cidade na Bahia se rompeu e deixou 500 desalojados — Foto: Arte/G1

Barragem em cidade na Bahia se rompeu e deixou 500 desalojados — Foto: Arte/G1

– A dificuldade de interpretar textos!

O número de analfabetos do Brasil nunca será real, crendo que aquele que “sabe assinar o seu nome” não deve ser contabilizado (como é agora).

Mas um problema tão grande quanto esse é: o de Analfabetos Funcionais! Como é difícil para alguns a interpretação de textos…

Sobre isso, abordamos em: https://youtu.be/SU5cX72Ho14

– Os números do Doutorado no Brasil

Números extraídos da Veja.com:

  • De cada 100.000 habitantes, apenas 8 têm doutorado no Brasil (Reino Unido têm 41 e a Eslovênia 57).
  • A idade média de quem consegue se tornar doutor em nosso país é 37 anos.
  • R$ 13.861,00 é a remuneração média dos doutores no Brasil (6 vezes mais que a média da população).
  • Os doutores em Direito são os que têm melhor remuneração: R$ 19.736,00 é o salário/ médio.

Vale a pena ou não estudar?

bomba.jpg

– A Venda de Trabalhos Acadêmicos

Não é novidade que infelizmente muitos alunos compram trabalhos universitários. Mas o que estarrece é o tamanho desta criminosa indústria dos TCCs, Dissertações e Teses.

Nesta matéria (de redação antiga mas conteúdo atual), se tem a ideia do tamanho deste problema…

Compartilho, extraído do site “Educar para Crescer”: http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/comportamento/comercio-trabalhos-universitarios-475098.shtml

ALUNOS NOTA R$ 10,00.

Oito anos depois, a jornalista ainda sorri aliviada ao lembrar da tarde em que deixou seu trabalho de conclusão de curso na secretaria da faculdade. “Não via a hora de entregar a monografia. Primeiro, foram 5 meses de sofrimento tentando fazer aquele troço. Depois, um mês com medo de que o cara que eu paguei para escrever não me entregasse”, diz ela. “Nem me lembro da nota. Só queria me formar.”

De lá pra cá, as coisas mudaram. Em 2001, a jornalista do parágrafo acima (que, por motivos óbvios, pediu anonimato) entregou sua graduação nas mãos de um sujeito que havia posto um disfarçado anúncio de “digitação de monografia” – “e ele nem sabia as regras da ABNT”, recorda ela. Hoje, o aluno sem escrúpulos e com dinheiro no bolso tem a seu dispor dezenas de portais profissionais, com ofertas escancaradas (“Delivery. Sua tese ou trabalho pronto em 96 horas”) e variadas formas de pagamento. Além de universalizar o acesso ao serviço, a internet também globalizou a produção: tem americanos encomendando artigos que serão escritos por indianos.

Desde a virada do século, quando começaram a surgir denúncias contra esse tipo de site, o Ministério da Educação costuma reforçar que a responsabilidade é das faculdades, que deveriam criar ferramentas para detectar esse tipo de fraude. Enquanto isso, no maior site do setor, uma animação faz surgir uma apresentadora se gabando: “Desde 2000, já atendemos mais de 36 mil alunos, com sucesso em 97% dos casos”.

Afinal, pagar para que alguém escreva seu trabalho da faculdade é antiético, mas não é crime. Mas, se o cliente sempre tem razão, o aluno não. Se um professor atento identifica um falso autor, a punição pode ir de uma nota 0 até uma expulsão. Infelizmente, poucos parecem capazes ou dispostos a tanto. Na verdade, ser pego depende principalmente do aluno: há quem não se dê ao trabalho de ler o que comprou, e roda na banca examinadora. Aliás, aliar falta de escrúpulos com preguiça não parece ser muito raro.

PAGANDO E PASSANDO

Na monografia que foi enviada, a parte de gestão da qualidade é muito complexa, de um nível muito elevado. Então, gostaria de pedir que fosse feita uma revisão. Não será preciso fazer novamente: só torná-la mais simples e de fácil entendimento. No máximo, 5 páginas. Aguardo retorno.” Com alguns cortes e várias correções, esse é um e-mail que uma estudante de administração enviou a um site de monografias prontas. Como se vê, capricharam demais na encomenda, obrigando a cliente a requisitar uma piorada no “seu” trabalho de conclusão de curso, deixando-o assim mais de acordo com sua suposta capacidade.

Esse tipo de pedido é comum. Afinal de contas, é de imaginar que alguém que compra um texto que deveria ter escrito não tem muito jogo de cintura para fingir ter feito um trabalho muito bom, ou simplesmente não está disposto a estudar para entender o que seu ghost-writer quis dizer. “Na verdade, a maioria dos clientes é simplesmente idiota”, diz o escritor americano Nick Mamatas (sim, o nome é real), que durante anos viveu de escrever trabalhos acadêmicos para outros. “Eles não deveriam estar na faculdade. Eles precisam comprar trabalhos prontos porque eles basicamente não entendem o que é uma monografia, muito menos o que os professores pedem que seja feito nela”, diz Nick, que ficou conhecido ao publicar na rede um artigo detalhando suas atividades. Segundo ele, existem outros dois perfis secundários de clientes: bons alunos que, vítimas das circunstâncias, não conseguiram fazer algum trabalho específico, e estrangeiros que não dominam o idioma do país em que estão e precisam de uma mão na tradução.

Para uma advogada que há dois anos faz trabalhos por encomenda no interior de São Paulo, o problema é maior porque o mercado acaba obrigando profissionais sem interesse ou talento para a pesquisa acadêmica a buscar um título de pós-graduado, mestre, doutorações. “São pessoas que não querem aprender nada, mas precisam daquele diploma. Para eles, encomendar um trabalho é driblar um incômodo, os fins justificam os meios.”

OMBRO AMIGO

“A confiança é peça fundamental das relações. Oferecemos toda a segurança para nossos clientes. Assim sendo, estamos habilitados para o cumprimento e a correspondência de toda confiança depositada em nossas mãos.” Parece anúncio de banco, mas é de um portal de trabalhos prontos. Espertamente, eles se vendem como amigos (“ajudamos você a fazer seu sonho acontecer”) e colocam os clientes como vítimas, que “encontram-se em um período atribulado de sua vida”.

Além de um ombro amigo e do sigilo, outra característica fundamental oferecida pelos sites é o “certificado Google-free”: caso alguém encasquete com o texto recebido, não vai encontrar na rede nada semelhante – é um trabalho original. Pagando um extra, também se consegue um “seguro-DDD”: aquela empresa se compromete a não vender aquele trabalho para universidades da mesma região. Ah, claro: todos dizem contar com um time de especialistas.

Uma vez aceitas as condições, chega a hora de fazer o orçamento. A média para um trabalho de graduação antigo é R$ 4 por página, e um novo, customizado, fica em R$ 7. Pós, doutorado e mestrado são gradualmente mais caros. Aí é só passar no caixa: todos operam com depósitos em conta dos maiores bancos, cartão de crédito e até boleto bancário.

AUTO-ENGANO

Diante dessa máfia globalizada e escancarada, argumentos éticos parecem não estar fazendo efeito. Professores mais espertos já estão vacinados contra mecanismos de busca, mas é difícil identificar encomendas feitas sob medida. Melhorar os exames orais é um caminho, mas isso só pegaria os desleixados que não leram direito o que pagaram.

Nessa situação, o aluno que busca a sensação de dever cumprido com o dever comprado fica se achando o malandrão. Mas pode se dar mal: uma graduação sem méritos pode até colocar alguém em um emprego bom, mas não segura a pessoa lá, principalmente se envolver o dia-a-dia da profissão. Uma lição grátis: pagar para resolver problemas no presente pode comprometer o futuro.

Dez livros para ler durante o isolamento que vão ajudar a ...

– A Educação Infantil tenta sobreviver na Pandemia. Conseguirá?

Dias atrás, abordamos sobre a situação caótica das universidades e seus alunos. Com salários reduzidos e muitos alunos desempregados, as mensalidades acabam não sendo honradas. Com custos a menos em água e luz (que têm sua discussão sobre a grande relevância ou não na composição dos salários dos professores), as faculdades também vivem problemas.

Como explicar ao universitário que os bares estão retomando as atividades, mas que ele, estudante, não pode ir presencialmente na sala de aula?

Mas o mais difícil e tenebroso é o cenário da Educação Infantil. Veja o caos, abaixo:

(Extraído de: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2020/06/30/escolas-de-educacao-infantil-comecam-a-desaparecer.htm)

ESCOLAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL COMEÇAM A DESAPERECER

Por Paula Adamo Idoeta e Ligia Guimarães

Na Planeta Azul, porém, elas (as aulas) não irão retornar. Pereira conseguiu renegociar seu aluguel, mas a perda de mais da metade dos alunos e os descontos nas mensalidades dos que permaneceram fizeram a diretora perceber que, quando chegasse setembro, não conseguiria mais pagar suas 12 funcionárias fixas e cinco adicionais.

“Usei o dinheiro que eu tinha guardado para demiti-las. Algumas tinham mais de 30 anos de casa. Queria tudo menos fechar, porque não sei o que vou fazer da minha vida sem o Planeta.”

Escolas de educação infantil (as que abrigam crianças de zero a seis anos) de pequeno ou médio porte como a de Marli Pereira estão entre as que mais despertam a preocupação nas pesquisas conduzidas pelo professor Tadeu da Ponte, do Insper, com instituições de ensino privado.

Desde o início da pandemia e da suspensão das aulas presenciais, ele é coautor de uma pesquisa para acompanhar a situação financeira de 450 a 500 estabelecimentos de ensino privado do Brasil.

Em média, as escolas de todos os segmentos entrevistadas até maio perderam 52% de suas receitas. Na educação infantil, esse índice é ainda maior: 56%.

A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) diz temer que 80% das instituições privadas de educação infantil sejam forçadas a fechar as portas em definitivo por causa da evasão causada pela pandemia.

“As [escolas] de educação infantil são as que estão em situação mais precária, por vários pontos”, diz Ponte à BBC News Brasil.

“Primeiro, porque até quatro anos não é obrigatório que as crianças estejam matriculadas em uma escola. Mesmo com crianças de 4 a 6 anos, é pouco verossímil que um juiz mande prender um pai durante a pandemia se seu filho não estiver matriculado. Depois, é uma faixa etária mais difícil de se realizar o ensino online, porque as crianças não têm autonomia sem a mediação dos adultos. E, a essa altura, com três meses de pandemia, os pais já deram um jeito de cuidar das crianças em casa, seja como for. O serviço da educação infantil se tornou muito difícil de usufruir, e em um momento de perda de receita das famílias.”

Ponte afirma ainda que toda a receita com serviços extras prestados pela escola – que incluem horas de recreação a aulas de esportes – foi totalmente eliminada durante a pandemia. E esse dinheiro representava, segundo o pesquisador, quase a metade da receita de muitos desses estabelecimentos voltados às crianças pequenas.

Além disso, diz o professor, “geralmente essas são as escolas de bairro, que são o sonho de uma pedagoga apaixonada por crianças, que começam pequeno e crescem, trabalham duro”, mas muitas vezes sem conseguir fazer um colchão de reservas financeiras que dure muito tempo. “Escolas maiores costumam ter mais recursos e mais capacidade para realocar sua equipe.”

Pais desempregados

No Maranhão, a pedagoga Christiane Teixeira Mendes tem enfrentado a tristeza a cada notícia de aluno que não voltará a sua escola quando a pandemia passar. Ela dirige a escola de educação Infantil Porta de Papel, fundada pela própria pedagoga para as crianças de 2 a 5 anos do bairro de Coroadinho, que reúne favelas e comunidades com população estimada entre 59 mil e 100 mil habitantes na capital São Luís. Nas últimas semanas, a professora diz que tem mandado mensagens para melhorar o ânimo dos alunos.

“A gente já mandou áudio, videozinho falando que vai ficar com saudades. E eles mesmo mandam para a gente também”, diz.

Desde que a pandemia começou, o número de alunos da educação infantil caiu de 30 e poucos para 20 na Porta de Papel, e a pedagoga demitiu três de suas seis funcionárias, entre pedagogas e estudantes de pedagogia.

“Os pais já estão falando com as crianças, e algumas já estão cientes de que não vão voltar neste ano. Tive famílias em que ficaram desempregados o pai e a mãe, e nem conseguiram o auxílio (emergencial do governo), ficaram totalmente desassistidos”. “A maioria dos alunos são filhos dos trabalhadores das feiras da região de Coroadinho, comerciantes, profissionais autônomos. Crianças que tinham mais de um irmão, de famílias grandes, crianças que moravam em uma casa com 11, 12 pessoas”, diz.

Christiane tem liderado as campanhas de arrecadação de doações para a favela, e muitas famílias dos alunos da Associação Núcleo de Educação Comunitária têm contado com a ajuda da professora para se alimentar. Projetos ligados ao G-10 das Favelas (grupo de líderes comunitários e empreendedores de impacto social) são o que tem evitado, inclusive, que a escola feche as portas definitivamente.

“Foi uma comoção”, conta a professora sobre a última semana de maio, quando muitos pais receberam a notícia de que estavam desempregados e comunicaram à escola que não poderiam mais pagar os R$ 80 de mensalidade. “Foi muito triste, porque foi praticamente na mesma semana em que fecharam muitas lojas, restaurantes, hotéis, então muitos pais que trabalhavam nessas áreas já foram comunicados da demissão. E daí vieram só para abraçar a gente, querer um colo”, lamenta.

Sem a rotina e os cuidados da escolinha, muitas das crianças voltarão para a realidade que Christiane justamente tentou combater quando fundou a Porta de Papel; rotina que ela mesmo viveu de perto quando criança que crescia em Coroadinho enquanto a mãe trabalhava.

“Geralmente as crianças ficam trancadas em casa e um vizinho dá uma olhada de vez em quando. Acontecia isso comigo quando eu era criança e minha mãe precisava trabalhar. A gente fica em casa trancadinho e daí sempre tem um vizinho que dá um OK, que dá uma ajuda para perguntar se a gente já almoçou, já lanchou. E tem a situação que é extrema, em que o pai sai para trabalhar e deixa a criança brincando”, lembra.

O cenário de demissões já começa a se concretizar em outros Estados. Em Londrina, no Paraná, o Sindicato dos Professores (Sinpro-Londrina) foi acionado depois que um colégio da cidade anunciou, no dia 15 de junho, a demissão de todos os 20 professores e o encerramento das atividades de educação infantil. Em Belo Horizonte, no começo de junho, nove escolas particulares de educação infantil já comunicaram o encerramento de suas atividades à Secretaria Municipal de Educação, de acordo com o portal G1. De acordo com o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep), a média de cancelamento de contratos no Estado está entre 30% e 40%.

Beatriz Abuchaim, gerente de conhecimento aplicado da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, voltada à primeira infância, destaca que ainda é cedo para avaliar que impacto a suspensão das atividades de educação infantil terá sobre o desenvolvimento das crianças – por tratar-se de uma situação inédita. Mas o que já se sabe é que a ausência das creches e escolinhas será mais sentida pelas crianças que moram em lares com maior vulnerabilidade social, que durante a pandemia podem estar submetidas a situações de insegurança alimentar e outras dificuldades.

“A pandemia trouxe uma situação de fragilização e mais vulnerabilidade a muitas famílias. Muitas crianças recebiam, inclusive, suas principais alimentações do dia das escolas de alimentação infantil”, diz ela.

“O que a gente pode dizer com certeza é que crianças que estão em lares que estejam, recebendo afeto, carinho, atenção, estímulos adequados, essas crianças vão continuar a se desenvolver bem. Ao passo que talvez crianças que estejam em famílias que não possam estimular o seu desenvolvimento talvez tenham algum prejuízo”, diz, citando, por exemplo, a falta de livros e brinquedos, ou um estresse tão grande dos pais em garantir a sobrevivência da família que não possam dar atenção direcionada às crianças. “A gente acaba tendo o aumento dessa desigualdade social no nosso país.”

Empregos ameaçados

Em São Paulo, o sindicato que representa os professores da educação privada no Estado (Sinpro-SP) explica que, embora ainda não haja um quadro claro sobre a quantidade de demissões de professores na crise, é na educação infantil que está a maior parte de pedidos para a suspensão de contratos de trabalho – modalidade prevista na Medida Provisória 936, em vigor desde abril por conta da pandemia e que permite que se suspendam por até 60 dias os contratos trabalhistas, sem que haja pagamento de salário por parte do empregador.

“Pode ser que em muitas escolas o processo de demissão esteja sendo retardado por essa possibilidade de suspensão”, explica Silvia Celeste Bárbara, primeira-secretária do Sinpro-SP.

Mas, caso se concretize o fechamento de uma grande quantidade de turmas ou de escolas, as perspectivas de desemprego são bastante preocupantes, diz Tadeu da Ponte, do Insper.

Considerando-se um universo (segundo o Censo Escolar 2019) de 556 mil professores na educação privada, fazendo uma conta conservadora de fechamento de 20% das turmas dessas escolas, “se 20% dos professores da educação básica privada perderem o emprego, são mais de 100 mil pessoas”, afirma.

Ponte é parte de uma iniciativa chamada União Pelas Escolas, que está elaborando projetos de contingenciamento para o setor de educação privada – uma das ideias em gestação é a de se propor um voucher, semelhante ao auxílio emergencial sendo concedido pelo governo, para garantir que famílias consigam pagar as mensalidades de suas escolas. A proposta, porém, está em discussão para ser formalizada. Outra demanda é pela criação de políticas de crédito do governo voltado às escolas de pequeno e médio porte.

“O risco é que, se a escola fecha, o aluno não tem para onde voltar” quando as aulas presenciais forem retomadas, diz Ponte.

Ao mesmo tempo, em São Paulo, alguns grupos têm defendido a volta do ensino privado antes do ensino público – previsto para iniciar sua reabertura a partir de 8 de setembro, segundo o plano anunciado pelo governador João Doria.

Esses grupos defendem que muitas escolas privadas já têm protocolos de higiene prontos para voltar a receber os alunos, mas críticos afirmam que o retorno do ensino particular antes do público pode aprofundar ainda mais as desigualdades entre os dois setores.

Imprevisibilidade na educação pública

Para a presidente do conselho do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Anna Helena Altenfelder, um dos grandes riscos que o fechamento de escolas de educação infantil pode causar é um inchaço das escolas e creches públicas, sem que haja capacidade de financiamento.

Na distribuição dos recursos do Fundeb, fundo estatal de educação básica que financia grande parte da educação pública brasileira, são consideradas as matrículas nas escolas públicas e conveniadas apuradas no último Censo Escolar, que retratam um período anterior à pandemia.

“Então essas crianças não estão contadas. As escolas vão ter que se adaptar a alunos novos que vêm de outra escola. O financiamento agora é uma preocupação séria. A gente fala tanto em colapso no sistema de saúde, mas corremos o corre o risco de ter um colapso no sistema de ensino”.

Visão parecida tem o presidente nacional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Martins Garcia.

“O grande problema que se coloca é a imprevisibilidade. É um aluno que chega e a gente não tem previsão de receber por ele”, diz Garcia, que acrescenta que os alunos podem se matricular na rede pública a qualquer momento do ano. “A rede pública não pode se recusar a fazer matrícula”.

Garcia, no entanto, defende que, especialmente na educação infantil, em que as atividades em sala envolvem engatinhar, dividir brinquedos e comida e ficar no colo das professoras, a volta ocorra provavelmente só no ano que vem, quando as condições sanitárias estiverem mais seguras, de preferência com uma vacina contra o novo coronavírus.

“A educação infantil é feita por meio de brincadeiras e interações, o que praticamente impossibilita (o distanciamento social)”, diz. Há outras questões, alerta o presidente da Undime, sobre as quais as redes começam agora a se debruçar para buscar soluções. “Máscaras em crianças causam o risco de asfixia, as crianças muito pequenas (ficam) o tempo todo um encostando umas nas outras, você não tem carteiras na sala de aula de educação infantil, não tem isolamento”, diz.

“O retorno às aulas na educação infantil é ainda mais complicado (que nas demais etapas de ensino) e vai exigir muita criatividade, discussão, reflexão. Achamos que deve ser a última área a retornar (às aulas presenciais). Se a gente pensar, sobretudo (na faixa etária) de zero a 1 ano, o ideal é voltar só quando houver vacina. Talvez a gente não tenha condição de retorno neste ano”.

escola-planeta-azul-em-sp-nao-resistiu-a-evasao-de-alunos-e-precisou-fechar-as-portas-em-definitivo-1593514023280_v2_750x421

Escola Planeta Azul, em SP, não resistiu à evasão de alunos e precisou fechar as portas em definitivo Imagem: Arquivo Pessoal

– Analfabetismo Funcional: Sério Problema do Brasil

Se você também se revolta com dados sobre analfabetismo no Brasil, que não levam em conta os analfabetos funcionais, o artigo abaixo é de muita valia.

Vivemos numa sociedade onde, infelizmente, credita-se o valor de alfabetizado àquele que sabe assinar o próprio nome. Mas não temos um sem-número de pessoas que não conseguem interpretar textos?

PARA ROMPER COM O ANALFABETISMO FUNCIONAL

por Priscila Cruz* (Estadão, 25/06/2017, pg 2)

A recente divulgação dos dados da oitava edição do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa, com apoio do Ibope, oferece um painel extenso e consistente dos níveis de alfabetismo de jovens e adultos brasileiros nos últimos dez anos.
Diferentemente das estatísticas fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que se baseiam em dados autodeclarados, o Inaf é realizado por meio de uma entrevista e um teste, avaliando efetivamente as habilidades de leitura, escrita e Matemática de brasileiros entre 15 e 64 anos de idade, classificando-os em quatro níveis de alfabetização: analfabetos, alfabetizados em nível rudimentar – estes dois considerados como analfabetos funcionais -, alfabetizados em nível básico e alfabetizados em nível pleno – considerados juntos como alfabetizados funcionalmente. É este último nível, o pleno, que precisamos universalizar, pois é a condição necessária para a inserção digna e autônoma na atual sociedade, crescentemente complexa.
Os dados revelam que o Brasil parece ainda não se ter dado conta da urgência e da gravidade dos problemas que enfrenta no campo da educação.
Ainda que se tenha reduzido a proporção de analfabetos funcionais e aumentado os que estão no nível básico, é preciso mais, bem mais. Nossas atenções devem estar voltadas para o nível pleno de alfabetismo – e aqui houve retrocessos preocupantes. Entre 2001 e 2011, o domínio pleno da leitura caiu de 22% para 15% entre os que concluíram o Ensino Fundamental II, e de 49% para 35% entre os que fizeram o ensino médio. Com ensino superior, 38% não chegam ao nível pleno.
Como referência, no nível pleno estão as pessoas que conseguem ler e compreender um artigo de jornal, comparar suas informações com as de outros textos e fazer uma síntese dele. Em Matemática, as que resolvem problemas envolvendo porcentuais e proporção, além de fazerem a interpretação de tabelas e gráficos simples.
Não conseguimos avançar do básico para o pleno, nível estagnado há dez anos. Mesmo que o Inaf não seja um indicador escolar, pesquisando até mesmo pessoas que nunca tiveram acesso à escola, podemos atribuir parte desses resultados, justamente, à falta de acesso e à insuficiente aprendizagem dos alunos ao longo da educação básica. Ainda hoje não conseguimos garantir que todas as crianças e todos os jovens estejam na escola e adquiram as habilidades esperadas em cada série em disciplinas básicas como Português e Matemática.
Tal situação evidencia a urgência de um investimento eficiente, consistente e focado nos anos iniciais. É neles que todo o problema começa, mas também é neles que a solução deve nascer.
Portanto, como sociedade, precisamos exigir que todas as crianças estejam plenamente alfabetizadas até os 8 anos de idade. Sem se perder em discussões ideológicas estéreis, sem concessões de espécie alguma. É um direito de nossas crianças, que precisa ser assegurado.
Esse é o primeiro passo, e ainda estamos muito longe de considerá-lo um patamar vencido. A Prova ABC – a primeira avaliação externa da alfabetização das crianças de 8 anos realizada em 2011 pelo movimento Todos Pela Educação, pelo Instituto Paulo Montenegro/Ibope, pela Fundação Cesgranrio e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – mostrou que pouco mais de metade das crianças avaliadas apresentara aprendizado adequado em leitura e escrita no final do terceiro ano do ensino fundamental, e essa proporção cai para pouco mais de 40% em Matemática. As que não conseguem alfabetizar-se nessa etapa passam a acumular lacunas cada vez maiores, o que dificulta ou até mesmo impossibilita a sua aprendizagem nas etapas posteriores.
Dessa maneira, os dados revelados pelo Inaf 2012, somados aos indicadores produzidos pela Prova ABC, expõem o grande desafio educacional deste início do século 21: garantir a todos a alfabetização plena, pré-requisito para a garantia do aprendizado ao longo de toda a vida escolar de crianças e jovens.
Para mudar esse cenário é fundamental avançarmos rapidamente na agenda que deveria ter sido cumprida no século passado e romper com o descaso histórico com a qualidade da educação, direcionando muito mais esforços para assegurar que todos os alunos atinjam a competência em leitura, escrita e Matemática. E para isso é necessário começar pela base, desde a Educação Infantil.
O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) – a avaliação bianual realizada pelo Inep para monitorar a aprendizagem no final de cada ciclo – comprova essa tese. A pontuação média em Língua Portuguesa dos alunos do terceiro ano do ensino fundamental que não cursaram a Educação Infantil é de 169, enquanto a dos que a cursaram é de 187. Se a Educação Infantil tivesse uma qualidade muito boa no Brasil, esse impacto seria ainda maior.
Todas as evidências científicas apontam para a qualidade dos professores como fator determinante. Um bom professor é um ótimo começo. Assim, é preciso atrair os melhores professores para essa etapa do ensino, os mais experientes e mais bem preparados para trabalhar com as crianças que cursam os anos iniciais. As faculdades de Educação precisam ser reformuladas, colocando o foco na aprendizagem dos futuros alunos de seus alunos.
É vergonhoso que o país que tem o sexto produto interno bruto (PIB) do mundo esteja entre os piores em educação. Não obstante o Brasil conseguir acumular riquezas, não consegue distribuí-las de forma justa, e a má distribuição de renda é reflexo da educação de baixa qualidade.
Mais do que garantir escola para todos, é preciso universalizar a aprendizagem.
* DIRETORA EXECUTIVA DO MOVIMENTO TODOS PELA EDUCAÇÃO

url.jpg

– O que é isso, Ministro?

Depois das acusações contra o Ministro da Educação, Carlos Decotelli, de que não fez Pós-Doc na Alemanha, em Wüppertal (confirmada pela Universidade local); também que reprovou no Doutorado na Argentina, em Rosário (idem) e de que o Mestrado teve sua dissertação com capítulos plagiados, resta saber: a cola será liberada no Ensino brasileiro?

Claro, faz sentido tal questionamento irônico com essas informações de falsidade do seu Curriculum Lattes. Que vergonha… Parece piada, caso não fosse verdade.

Urgentemente, há de se esclarecer.

Universidade alemã nega que Carlos Decotelli tenha obtido pós ...