– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Croácia x Brasil.

Para o confronto entre o Escrete Canarinho x os Vatrenis, arbitrará o seguinte octeto:

Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)
Bandeira 1: Stuart Burt (Inglaterra)
Bandeira 2: Gary Beswick (Inglaterra)
4º árbitro: Mustapha Ghorbal (Argélia)
VAR (árbitro de vídeo): Pol Van Boekel (Holanda)
AVAR 1 (bandeira de vídeo): Massimiliano Irrati (Itália)
AVAR 2 (bandeira para impedimento no vídeo): Kathryn Nesbitt (EUA)
AVAR 3 (assistente p/ suporte): Juan Soto (Venezuela)

Acabou a preocupação da FIFA em escalar árbitros de continentes “neutros” nas partidas, como estava fazendo até então. Por exemplo, Brasil (Conmebol) x Suíça (UEFA) apitou árbitro de El Salvador (CONCACAF). Agora, entram somente os melhores, independente da sua confederação (vide Holanda x Argentina, com o espanhol Mateu no comando da arbitragem).

O inglês Michael Oliver, natural da pequena cidade de Ashington, é um dos mais respeitados da Europa, e veja alguns dados: ele tem 37 anos, e apita desde os 25 na Premier League. Está no quadro da FIFA há 10 anos, sendo que apitou mais de 500 jogos profissionais na Inglaterra (330 somente na PL). Nesta Copa, apitou Japão 0x1 Costa Rica e Arábia Saudita 1×2 México, sem qualquer problema.

Como característica (marcante na maioria dos árbitros ingleses), deixa o jogo correr bastante e permite o contato físico. Porém, Michael Oliver destoa dos seus demais colegas por não tolerar indisciplina (ele tem um alto número de cartões por esse motivo, tanto amarelos quanto vermelhos).

Curiosidade: Michael Oliver é o mais bem pago árbitro da Inglaterra (lá, o árbitro é profissional), recebendo (pasmem) um contrato de 200.000 libras / ano para apitar, além de um adicional de 1.500 libras por jogo (a libra está valendo mais de R$ 6,00…).

Creio em um bom jogo, além de uma ótima arbitragem.

Foto extraída de Getty Images.

– O excesso do Politicamente Correto com o… gato da Seleção!

excessos em todos os setores da sociedade (sem exceção). Um exemplo:

Um gato invadiu a entrevista oficial dos jogadores da Seleção Brasileira. Um membro da Comissão Técnica o tirou da mesa e o mandou embora, cuidadosamente. Mas… ativistas dos direitos animais criticaram o cidadão por maus tratos!

Eu tenho gato e cachorro em casa, e não vi nada de errado da cena. Entretanto, precisou-se que o Conselho Regional de Medicina Veterinária se pronunciasse, a fim de que garantisse que não houve violência ao bichano e não se cancelasse o profissional.

Que coisa…

– Pitacos da Manhã / Madrugada 2: Van Gaal.

Louis Van Gaal, treinador da Holanda, fez um excelente trabalho no Barcelona. Mas Rivaldo, que jogou com ele naquela época, o detesta… (já disse isso publicamente).

Agora, o argentino Di Maria disse que o holandês foi o pior treinador com quem ele já trabalhou. É mole?

O que acontece com Van Gaal? É só questão de relacionamento com sul-americanos? A propósito: reza a lenda que ele não gosta de trabalhar com brasileiros…

Louis van Gaal, técnico da Holanda, revela ter câncer de ...

Imagem extraída de: Alex Grimm/Getty Image

– Cadê as escalas dos árbitros das 4ªs de finais da Copa?

Agora: quase 5ª feira no Catar, e nada das escalas dos jogaços de 6ª…

Antigamente, se trocava árbitro mesmo depois de escalado (a AFA que o diga em 2014, sacando o sueco e colocando o italiano para apitar).

Será que o componente político pesará, ou a dupla Bussaca e Colina terá “carta branca”?

ATUALIZANDO: o espanhol apita o Jogo da Argentina e o Inglês o do Brasil.

– Ter poupado na Copa, fez bem!

França, Brasil e Portugal pouparam suas equipes na terceira rodada da Copa do Mundo (alguns mais, como o Escrete Canarinho, outros menos, como nossa Pátria Mãe Lusa).

Na primeira eliminatória (oitavas-de-final), justamente essas 3 seleções conseguiram placares mais elásticos e, curiosamente, foram muito bem contra adversários que tiveram que dar o máximo na última perna da fase 1 (já que não estavam classificados e não puderam poupar).

Tite, criticados por alguns por poupar contra Camarões, deve estar se confortando com esse fato…

– Fernando Santos: de Besta a Bestial!

Corajoso, o treinador de Portugal sacou Cristiano Ronaldo e fez o astro ficar no banco de reservas. Em seu lugar, colocou o jovem Gonçalo!

Depois de ser criticado… eis que o atacante novato marcou 3 gols e todos aplaudiram a decisão.

De 8 a 80, as coisas mudam demais!

– A liderança de Tite, demonstrada pelos atletas.

Insisto: Tite é um grande gestor de grupo!

A felicidade do Weverton entrando em campo mostra isso. Ao colocar todos os atletas para jogarem a Copa (e isso não é desrespeito algum ao adversário), permite que os reservas possam curtir esse momento, doando-se inteiramente.

Imagem extraída do Twitter de “Futebol da zoação”.

– Momento de corte.

Das 8ªs-de-final para as 4ªs da Copa do Mundo, provavelmente ocorrerá o corte de muitos árbitros.
Motivos:
1- Excesso de oficiais para poucos jogos restantes,
2- Dispensa de quem não foi bem,
3- Liberação (provável) de árbitros de países que podem decidir o Mundial.

– O excelente comentário de Luís Castro a Roy Keane, o chato:

Disse o irlandês Roy Keane ao canal britânico ITV (ele comenta a Copa do Mundo nessa emissora) sobre os gols brasileiros serem comemorados com dança:

Eu não consigo acreditar no que vejo. Nunca vi tanta dança. É como assistir ao Strictly [Come Dancing, espécie de Dança dos Famosos]. (…) Eu sei que tem o ponto da cultura, mas acho realmente desrespeitoso com o adversário. São quatro (gols) e eles fazem toda vez. A primeira dancinha ou seja lá o que façam, tudo bem. E então o técnico se envolve. Não fico feliz com isso. Não acho isso nada bom“.

Não me consta que o ex-jogador e atual comentarista Roy Keane tenha sido um atleta exemplar, defensor do Fair Play e engajado em causas politicamente corretas (aliás, quando jogava, ele “quebrou” com um pontapé violento Alf-Inge Haalando pai do atual atacante do Manchester City – que teve que encerrar a carreira). E ainda reclama de uma dancinha de comemoração de gol. Que cara chato!

Vamos lá: qual o problema em comemorar seu gol numa Copa do Mundo dançando? É o momento de extravasar! Sem ter ofendido ninguém, tudo bem.

Não houve deboche ao adversário, houve festa de quem conseguiu seu objetivo! E aqui vai um ponto positivo a Tite: um gestor de grupo que sabe demonstrar aos seus liderados que confia neles (todos os jogadores convocados entraram em campo, além da própria dança realizada). O treinador soube ser elegante quando questionado, defendendo a comemoração e diplomaticamente não atacando Roy Keane. Foi excelente! Aliás, participando dela, Tite se mostrou um líder participativo e carismático.

Pela lógica do reclamante: quando sair o gol, que o atleta grite: “Viva, que desenlace bem afortunado da nossa jogada”; que os seus companheiros aplaudam polidamente o marcador do tento; que os torcedores levantem-se e possam saudar educadamente o acontecimento, e que todos se policiem em não proferir palavrões! Ah, e não nos esqueçamos: que o artilheiro vá até o goleiro e peça desculpas pelo gol obtido, que prejudica o trabalho do adversário.

Claro que todo o país tem a sua cultura e ela deve ser respeitada. A Seleção Brasileira, ao dançar, não desrespeita ninguém (é até uma bobagem insistir nesse tema). A Seleção Inglesa, mais séria, pensa diferente. Mas… será que no seu íntimo, Roy Kaine não queria se confraternizar como os brazucas fazem?

Quando você não consegue namorar a moça bonita que tanto sonhou, desdenha dela e vê defeito. Talvez seja isso…

Começo a torcer para um Brasil x Inglaterra nesse Mundial! E que a próxima música seja um Chorinho ao rival.

Em tempo: sensacional o comentário do treinador do Botafogo FR, Luís Castro, que está no Reino Unido com o Fogão (empatou com o Crystal Palace em amistoso por 0x0) e que foi entrevistado pelo Sportv:

A primeira coisa que faço quando chego a um país é observar a cultura do país. Roy Keane não percebe a cultura do futebol brasileiro, da Seleção Brasileira, então se pronuncia de forma deselegante. Todos nós sabemos que não é desrespeito, é uma grande união entre treinador e jogadores, um conjunto de sinergias que pode catapultar a grandes conquistas. Ficaria muito admirado se Tite ficasse quieto, não comemorasse e os jogadores não passassem confiança. Todo o povo brasileiro estaria preocupado. Agora, isso (a comemoração) deixa muito otimista todos que gostam da Seleção Brasileira. Roy Keane não entende a cultura do país. Quando cheguei aqui, quis entender a cultura do Brasil e do Botafogo, para me adaptar o mais rapidamente. Quando cheguei ao Oriente Médio e a Kiev, fiz ao mesmo. É algo que não deve perturbar minimamente o mundo do futebol, porque o Roy Keane nos habituou a manifestações pouco elegantes e até muito arrogantes. É mais uma que faz ao longo da sua carreira.

Roy Keane Manchester United Shaun Botterill Collection Getty Images Sport-min

Imagem extraída de: Shaun Botterill Collection Getty Images Sport

– Análise da Arbitragem de Brasil 4×1 Coreia do Sul. Como foi o juizão?

Uma arbitragem tranquilíssima do francês Clément Turpin no 974 Stadium. Em determinado momento, estando 4×0, pensei: “E o cara ainda está recebendo para apitar? Foi um privilegiado expectador de luxo”.

Brincadeiras à parte, o jogo não exigiu, e o juizão fez a parte dele. Posicionou-se bem, apitou atentamente, e aplicou corretamente o único amarelo do jogo a Jung (5 – COR).

Foram 21 faltas (8 cometidas pelo Brasil, 13 pela Coreia). Neymar sofreu apenas 2 faltas, e como previsto, os coreanos não foram violentos e não caçaram ninguém, pela educação esportiva que têm.

O VAR?

Ninguém quase lembrou dele. Ótimo.

Brasil x Coreia do Sul: onde assistir, horário do jogo e escalações | Copa  do Mundo | ge

Imagem extraída de GE.com

– Viva a disputa por pênaltis!

Japão e Croácia fizeram a primeira decisão por tiros penais da Copa. Que legal!

A emoção, o improvável, os sentimentos aflorados… claro, e a técnica e o equilíbrio necessários (e que nem sempre aparecem) ali estão.

Viva quem inventou a decisão por pênaltis!

Ranking mostra clubes com mais pênaltis contra dos 701 marcados em Brasileirões desde 2013

Foto: infoesporte, extraído de G1.com

– A ação social e a ação mercadológica de Alisson poderia ser mais clara, não?

Muitos viram o “bigodão” que o goleiro Alisson apareceu na Copa, e seu novo visual deu o que falar.

O novo look faz parte de uma campanha da Gillette para promover a preocupação dos exames de prevenção masculino contra o câncer. Por isso, o ostentoso bigode! Além do que, “fazer a barba” é uma publicidade da empresa.

Entretanto… fora as pessoas que sabem do que se trata, alguém viu uma forte ação de marketing usando a prevenção e a imagem do goleiro?

A Gillette teve uma boa inédita, mas a divulgação dos motivos ficou a desejar…

Imagem extraída de: https://www.diariodecanoas.com.br/copa/2022/11/24/bigode-de-alisson-e-o-mais-comentado-nas-redes-sociais-durante-primeiro-jogo-do-brasil.html

– Turpin e Neymar: o juizão protegerá o brasileiro no Brasil x Coreia do Sul hoje?

Já falamos das qualidade de Clément Turpin, arbitro escalado (e bem escolhido pela FIFA) para Brasil x Coreia do Sul. Vide em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2022/12/03/analise-pre-jogo-da-arbitragem-para-brasil-x-coreia-do-sul/

Por conhecer boa parte dos atletas em campo hoje (apitou a final da UCL entre Real Madrid x Liverpool, “recheado de brasileiros” e recentemente Uruguai vs a própria Coreia), isso é uma grande vantagem. Em especial a Neymar (que ele conhece também do Campeonato Francês), saberá discernir as supostas faltas cavadas (que diminuíram bastante com o amadurecimento e experiência do atacante). Mas o ponto principal: coibirá o rodízio de faltas.

Se fosse contra argentinos ou uruguaios, na primeira oportunidade alguém tentaria atingir a lesão de Neymar. Contra sul-coreanos, uma escola que preza pelo Fair Play, isso felizmente não acontecerá.

Abordo com alguns outros detalhes no vídeo em: https://youtu.be/aZqcR5vyEfU

– Sem azarões nos mata-matas da Copa.

Nos primeiros confrontos das oitavas-de-final, foram definidos dois confrontos sem “zebras”: Holanda x Argentina e França x Inglaterra.

Os azarões ficaram para apenas a fase de grupos, ou ainda corremos o risco de um “não provável passar de fase”?

– Sócrates, 11 anos de sua morte.

Hoje faz 11 anos que o “Doutor Sócrates” morreu. Foi triste seu final de vida, pelas questões de saúde, mas é inegável que sua carreira foi marcada por luta pelos direitos do cidadão e do esporte.

Abaixo, uma reportagem para os mais jovens que não o conheceram, saberem mais desse mítico atleta,

Extraído de: https://placar.abril.com.br/blog/tbt-placar/socrates-o-craque-mais-politizado-que-o-brasil-ja-teve/

SÓCRATES, O CRAQUE MAIS POLITIZADO QUE O BRASIL JÁ TEVE

Capitão da seleção na década de 80 manteve voz ativa contra a ditadura e a favor das causas sociais. O Doutor sempre tinha algo a dizer, inclusive a PLACAR

Por Guilherme Azevedo, Atualizado em 23 set 2021, 14h34 – Publicado em 10 jun 2021, 09h31
Sócrates, jogador do Corinthians, usando camisa com os dizeres "Dia 15 vote" -
Sócrates, jogador do Corinthians, usando camisa com os dizeres “Dia 15 vote” –  J. B. Scalco/Social QI
Em tempos de polarização extrema, em que quase todas as figuras públicas querem ser despolitizadas, até mesmo alguns governantes, o futebol virou um ponto cada vez mais neutro, inerte e alienado, sobretudo no Brasil. O recente manifesto “apolítico” da seleção brasileira em relação à Copa América em plena pandemia — termo, aliás, ignorado no texto — reacendeu o debate sobre o papel dos ídolos do esporte. Não que décadas atrás fosse tão comum ver um jogador lutando por causas sociais, mas havia exceções, mesmo durante a ditadura, como Reinaldo, Casagrande e o protagonista do #TBT desta quinta-feira, 10: Sócrates Brasileiro, o doutor.Assine a revista digital no app por apenas R$ 8,90/mês

Sócrates (1954-2011) foi o craque mais politizado do nosso futebol. Era quem imprimia em campo, com seus surpreendentes passes de calcanhar, e fora, com sua personalidade, a fuga dos padrões. Intelectualizado, formado em Medicina pela USP, o meia-atacante batizado em homenagem ao filósofo grego foi um grande pensador seja nos consultórios, nos estádios ou nos palanques. Sócrates foi capa de PLACAR diversas vezes e sempre tinha algo a dizer.

Em 1982, época de eleição para governador do Estado de São Paulo, PLACAR pediu para Magrão escrever seu plano perfeito de governo (veja no print abaixo).

Revista PLACAR especial Sócrates
Reprodução/Placar

Naquela época, Sócrates já denunciava a apatia da maioria dos atletas. “Acontece que, preso em sua própria incapacidade, o jogador é um medroso para se expressar e se sente acuado. Não o deixam crescer e atendem todas as suas exigências”, disse a PLACAR, em 1986. Sem ‘dar bola’ a um corporativismo que poderia colocar freios nas palavras, continuou: “Ele (jogador de futebol) gosta de ser tratado como um filhão, que não tem de batalhar nada. O sistema é viciante, com uma relação de idolatria ou severa punição. O jogador é uma eterna criança e gosta de ser, pois adorou o vício.”.

Inegavelmente, sua descontração e língua afiada era pura política, apesar de os boleiros de hoje morrerem de medo do termo. Nascido em Belém (PA) e criado em Ribeirão Preto (SP), Sócrates surgiu como atleta durante a ditadura militar, período antidemocrático do Brasil que durou entre 1964 e 1985. Chegou ao Corinthians, foi contestado no início e acabou virando ídolo.

Capa da revista Placar de 27 de abril de 1984 -
Capa da revista Placar de 27 de abril de 1984 – Reprodução/Placar

Em um contexto sociopolítico em que a liberdade individual era negada, direitos civis caçados e opositores mortos e torturados, Sócrates encabeçou a Democracia Corinthiana, movimento que deu voz aos atletas nas decisões técnicas e políticas do clube. Mas até ele cansou. E não de correr com suas longas pernas pelos campos, mas da situação que o Brasil se encontrava.

Tanto que, em 1984, quando sua ida para a Fiorentina era assunto nos jornais, o ex-jogador foi capa de PLACAR. Vestido de Dom Pedro I, fez referência ao grito de independência e bradou: “Se o Brasil mudar eu fico”. O país demorou mais um pouco para se democratizar, e Sócrates não ficou. Sem ele, o movimento corinthiano foi perdendo forças, mas seu legado é eterno. Na mesma época, Sócrates participou ativamente do movimento Diretas Já, engajando-se com protagonismo na luta pelo poder do povo e na edição 727, na qual foi capa como figura política, ao ser perguntando pelo editor Juca Kfouri sobre quando as eleições, disse “Diretas já, diretas ontem”. Um ato político praticamente inimaginável para os dias atuais.

Sócrates, com os dedos enfaixados, fumando -
Sócrates, com os dedos enfaixados, fumando – J. B. Scalco/Placar

Além do posicionamento claro sobre a situação do país, ele não escondia o gosto pela cerveja e pelo cigarro; vícios que acabaram abreviando sua vida. Em outra dessas aparições, entrevistado em 1986, Sócrates afirmou: “Bebo, fumo e penso. Este é o país em que mais cachaça se bebe no mundo e parece que eu bebo tudo sozinho”.

Sua passagem pela Fiorentina não foi de sucesso. Já com 30 anos, o peso de não levar vida de atleta pode ter tirado boas atuações do meio-campista. Por outro lado, em entrevista a PLACAR em 1986, o próprio Sócrates diz que a passagem decepcionante no berço do Renascimento teve motivações políticas. “O futebol italiano é dominado pela Democracia-Cristã e eu era do lado do Partido Comunista Italiano. Os democratas-cristãos me aniquilaram.”. A política, de fato, não saía de sua cabeça— talvez de forma até exagerada em alguns momentos.

O Doutor jogou duas Copas do Mundo. Em 1982, sua primeira, brilhou dentro dos campos, junto à seleção brasileira que enchia os olhos do torcedor. Na seguinte, fora do auge, apesar de ter perdido um pênalti na eliminação para a França, Sócrates usou faixas na testa, manifestando-se contra a violência estatal praticada no México, sede da competição.

Sócrates, Casagrande e Careca
Sócrates, Casagrande e Careca, do Brasil antes do jogo contra a Espanha, na Copa do Mundo de Futebol em 1986, no Estadio Jalisco, México Pedro Martinelli/Dedoc

Magrão viveu diversas vidas em 57 anos. Nunca recusou impulsos, jamais se acovardou e deixou um legado de craque, com e sem chuteira. Aposentado, tornou-se escritor e manteve atuação política fervorosa. Queria morrer com o Corinthians campeão, e assim foi. Por complicações causadas por um quadro de problemas com álcool, Sócrates morreu no dia 4 de dezembro de 2011. No mesmo dia, após empate com o arquirrival Palmeiras, o Corinthians se tornou Campeão Brasileiro daquele ano, e atletas e torcedores o homenagearam com seu tradicional gesto, o punho erguido para cima. Pedido atendido.

Jogadores do Corínthians durante homenagem ao ex-jogador Sócrates, em 2011
Jogadores do Corínthians durante homenagem ao ex-jogador Sócrates, em 2011 Renatto Pizzutto/Placar

– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Brasil x Coreia do Sul .

Para o confronto entre o Escrete Canarinho x os Tigres Asiáticos, arbitrará o seguinte octeto:

Árbitro: Clément Turpin (França)
Bandeira 1: Nicolas Danos (França)
Bandeira 2: Cyril Gringore (França)
4º árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)
VAR (árbitro de vídeo): Jérôme Brisard (França)
AVAR 1 (bandeira de vídeo): Alejandro Hernandez (Espanha)
AVAR 2 (bandeira para impedimento no vídeo): Roberto Diaz (Espanha)
AVAR 3 (assistente p/ suporte): Benoit Millot (França)

O francês apitou Senegal x Equador e Uruguai x Coreia do Sul, indo bem nos dois jogos. E por repetir a escala em um jogo da própria Coreia, é sinal que a FIFA gostou muito dele. Turpin trabalhou em 12 jogos na temporada 2022/2023 (3 jogos da UCL, 2 da Liga das Nações e 7 pelo Campeonato Francês, com apenas 1 expulsão por Cartão Vermelho Direto). Ele pertence ao quadro da FIFA desde seus 28 anos de idade (está com 40), e é o árbitro da última final da Champions League, entre Real Madrid x Liverpool. Para muitos, ele é um dos melhores do mundo na atualidade (pois além de jovem e ter boa condição física, tem ótimo discernimento técnico).

Um ponto positivo na escala: a equipe de VAR é composta por compatriotas franceses, o que ajudará o árbitro.

Por fim, um detalhe: Turpin apita com elegância! Dá gosto vê-lo em campo.

Foto: Issouf SANOGO / AFP

– O Wilton da FIFA é bem melhor que o Wilton da CBF.

É para escrever um artigo inteiro em outra oportunidade, mas a grosso modo: terminado o 3º jogo apitado por Wilton Pereira Sampaio na Copa do Mundo, não tenho dúvidas em afirmar: sem medo de veto, de futuras escalas ou implicações, o Wilton da FIFA é bem melhor do que o Wilton da CBF!

Claro, o comportamento dos jogadores e dos técnicos ajuda muito (alguém viu jogador correndo com o árbitro na cabine do VAR?). Mas que suas atuações estão acima do que faz aqui, ô se estão!

– Por quê tantas lesões na Copa?

De diversos países, de todas as posições, e de todos os campeonatos: por quê há tantos jogadores se lesionando na Copa?

Estando no meio da temporada europeia, talvez não era para tanto… É algo relativo aos gramados catari? Ou com a preparação das Seleções? Por jogadas violentas, comprovadamente não é.

Não me recordo de um Mundial com tantos lesionados às vésperas da estreia ou durante o torneio…

Alex Telles se machucou durante jogo da seleção brasileira contra Camarões — Foto: AFP

Alex Telles se machucou durante jogo da seleção brasileira contra Camarões — Foto: AFP (de GE.com)

– Son, da Coreia do Sul, e as lágrimas de tristeza e de alegria…

Extraído do twitter de: Ataque Futbolero (@AtaqueFutbolero):=

🔙 En Rusia 2018, quedó eliminado en grupos con Corea del Sur, lo que lo condenó al servicio militar obligatorio.

🔛 Hoy, 4 años después, dejó hasta el último suspiro para la clasificación a los Octavos de Qatar 2022.

Las lágrimas de tristeza y felicidad. Heung-Min Son. 🇰🇷❤️

Imagem

– Análise da Arbitragem de Camarões 1×0 Brasil.

Ótima arbitragem de Ismail Elfath. O árbitro dos EUA se posicionou muito bem em campo, correu bastante, e foi extremamente criterioso. Nenhum cartão em excesso ou com pouco rigor. Claro, por não ter lances polêmicos, a partida ajudou (embora foi um jogo extremamente faltoso: 28 faltas).

Números de Camarões x Brasil:

Em Cartões Amarelos-  5×2 (todos bem aplicados).

Em Cartões Vermelhos- 1×0 (correto, por 2º amarelo).

Em Faltas cometidas – 14×14 (o mais faltoso do jogo: Daniel Alves, 4 faltas).

Curiosidade – um único impedimento no jogo, sem necessidade de VAR (que ninguém lembrou da sua existência…)

Sobre o resultado, a derrota pode servir de algo positivo: tirar da cabeça dos atletas que “são imbatíveis”, “fazer descer do salto” e conscientizar-se de que é balela a história de que temos dois times competitivos.

Imagem extraída de Jovem Pan. com.