– Existe preconceito ao clube empresa?

Aqui no Brasil, quando se fala em “dono de clube de futebol”, imediatamente vem a ideia preconceituosa de que existe apenas o interesse financeiro. São poucos os que pensam em uma administração esportiva profissional visando o também o lucro (como os clubes esportivos que não são empresas também almejam).

O Audax de Mário Teixeira era Pão de Açúcar do Abílio Diniz, e da 5a divisão foi ao vice-campeoanto paulista da 1a divisão em pouco tempo. Idem a trajetória de sucesso do Red Bull Brasil.

Aliás, os esforços em um trabalho sério e calcado num agressivo marketing são marcas do “Toro Loko” em nosso país. O fabricante de enérgico mundialmente famoso atua na Fórmula 1, em provas aéreas e outros esportes, penando ainda pela falta de numerosos torcedores, embora, sejamos justos, tem sido simpático à Campinas, onde manda seus jogos.

Já na Alemanha, em Leipzig, cidade da antiga Alemanha Oriental, o Red Bull chegou à 1a divisão da Bundesliga e sofre total rejeição. O time-sensação do Campeonato Alemão é vaiado quando joga como visitante pelo fato de… ter dono! A Federação Alemã também proibiu o nome Red Bull e ele tem que jogar como RB Leipzig (RasenBallsport Leipzig).

Já na Inglaterra, os donos dos clubes são americanos, chineses, tailandeses, russos, malaios… e funciona muito bem. Ou vamos negar o sucesso da Premier League?

Qual é o problema, cá entre nós, de um clube ter dono? Vejam o que os clubes associativos viveram com Mustafás, Aidares e Dualibs da vida…

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– Disfarçada de Mundial, a Copa das Confederações de Clubes começou!

Team Wellington (Nova Zelândia), Al-Alin (Emirados Árabes Unidos), Espérance (Tunísia), Chivas (México), Kashima Antlers (Japão), River Plate (Argentina) e Real Madrid (Espanha): um desses será o vencedor do Mundial de Clubes da FIFA, que está acontecendo nos EAU, e tornará-se o legítimo Clube Campeão do Mundo em 2018. Mas indiscutivelmente não será o mais forte nem o melhor clube deste ano

Cá entre nós: o torneio é uma Copa das Confederações de Clubes, e em confronto único (mata-mata), tudo pode acontecer.

Claro, a ideia de uma verdadeira Copa seria utópica pois o calendário não permite; mas ao mesmo tempo, mais justa: um torneio mundial aos moldes da Copa do Mundo de Seleções, com fase de grupos e depois eliminatória. Aí sim teríamos uma verdadeira WorldCup de times, com Barcelona, Juventus, Manchester City, PSG, Benfica, Boca Juniors, Palmeiras, entre outros “grandões do planeta-bola”. 

Seria muito bacana a UEFA Champions League classificar (por exemplo) 5 equipes, a Libertadores 3, a Concacaf 2, e continentes com clubes menos expressivos (os da Ásia, África e Oceania), entrando em uma pré-fase

São ideias. Mas enquanto elas não se efetivam, esses torneios, como a Toyota Cup, Mundial da FIFA, Taça-Rio, que representam/representaram TORNEIOS INTERCONTINENTAIS, acabam/acabaram sendo considerados os Campeões do Mundo (mesmo que os vencedores, eventualmente, não representem verdadeiramente o Melhor do Mundo naquele ano de disputa). Ou alguém crê que a Grécia era a melhor Seleção da Europa quando tivemos a Eurocopa em Portugal? Só no futebol que nem sempre o melhor é o campeão.

Aliás, Raja Casablanca e Kashima Antlers, times anfitriões e aclimatados com as cidades-sedes, que vieram de fases anteriores, chegaram às finais na Copa de Clubes. É o ônus dos demais adversários em aceitar tal molde de torneio. 

Para mim, reitero: se vencer o torneio, o Kashima Antlers (para quem estou torcendo, por ser o “time do Zico”), será sim Campeão Mundial de Clubes 2018, mesmo que não seja o melhor time de futebol do planeta (em decorrência do torneio ser tão restritivo aos campeões continentais e do país-sede).

Imagine Messi, Neymar ou CR7 sendo questionados e “trolados” pelo fato do simpático time japonês ser campeão mundial de 2018 e eles, tão famosos e paparicados, não ganhando nada (e nem disputando!).

Bobagem e paciência. Se respeite o vencedor.

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– E o Paulista foi consultado pela FPF para escolher o Serginho da LJF em Jundiaí como diretor de sede?

Não tenho nada contra e tampouco a favor; nem o conheço pessoalmente, só “de vista”! Mas me causou uma estranheza profunda ler nos documentos da Federação Paulista de Futebol quanto à Copa SP, que a sede do Red Bull (que é o Estádio Jayme Cintra, Jundiaí-SP, onde o Paulista manda seus jogos e a chave em que estará na Copa São Paulo) terá como diretor… Sérgio Eduardo Aguiar, o presidente da Liga Jundiaiense de Futebol.

Insisto: não tenho nenhuma relação positiva ou negativa com ele, mas leio e escuto muito sobre o “Serginho da Liga” (como é chamado) e as confusões do Amador na Cidade de Jundiaí – que envolve imbroglio da gestão financeira (não me refiro a corrupção, mas administração ruim), bagunça na organização e relação péssima com as autoridades municipais. Sem contar, claro, com as eternas queixas dos times amadores nas Redes Sociais.

Logicamente, a FPF argumentará que escolheu ele pois é responsável pela LJF e facilitaria a logística. Mas ela está ciente das confusões do campeonato local? Não tinha outro nome?

Quem poderia questionar, num primeiro momento, é o Red Bull (pois é o time-sede), mas que deve desconhecer todo esse histórico. Nessa, o Paulista não tem culpa, mas fico muito curioso: será que a FPF pediu referência ao Galo na hora da escolha (já que a sede é em Jundiaí e o Paulista o time local – e dono do estádio)?

Se até dia 02 de janeiro estiver como diretor de sede o Serginho, que faça um trabalho bom e competente. Mas tenho certeza que poderia se ter evitado tal nome tão discutido nos centros esportivos da nossa cidade…

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– A grande jogada de marketing do Atlético Paranaense, que se chamará…

Quanta polêmica sobre a mudança visual do CAP, agora Clube Athlético Paranaense, para a sua nova identidade visual!

Diferenciou-se ainda mais do CAM – Clube Atlético Mineiro, deixará de ter uma marca parecida com a do Flamengo no peito e ninguém dirá que imita o uniforme do Milan.

Ótimo! Venderá mais camisas e teve uma sacada genial.

Aliás, quem disse que não pode mudar distintivo do time? Os escudos são sempre atualizados sim!

Veja: dos clubes brasileiros grandes e pequenos, passando aos internacionais, atualizar-se é necessário:

(pela ordem: Palmeiras, Corinthians, Real Madrid, Paulista, Milan, Juventus, Flamengo, Chelsea, Manchester City e o novo Athlético Paranaense)

– Renato Gaúcho, mesmo sem licença, dirigirá o Grêmio sim!

Renato Gaúcho não poderá ficar na área técnica como treinador em jogos do Campeonato Brasileiro, segundo a CBF Academy, pois reprovou por faltas no curso de capacitação e formação exigido pela entidade.

E ele está preocupado?

Que nada! Lá na Praia, jogando futvôlei, já sabe que poderá muito bem estar no banco de reservas inscrito como qualquer outro membro do Grêmio – como diretor do time, por exemplo, ou ainda massagista – bastando apenas apresentar o seu RG.

Ninguém o impedirá de dirigir sua equipe nos jogos, nem a falta da Licença PRO exigida pela CBF. Neste país, e em especial no futebol, há de se arranjar (infelizmente) jeitinho para tudo.

– Que pisada do Rosemberg! A troco de quê?

O diretor do Corinthians, Luís Paulo Rosemberg, causou polêmica ao dar uma entrevista à Rádio Bandeirantes (onde trabalhou como comentarista econômico até há pouco) neste último domingo.

Falando que a dívida do Timão em relação ao estádio não é de mais de 1 bilhão de reais, como se tem cobrado, mas sim próxima a R$ 650 mil, na conta que o clube acha mais correta (e que brigará na Justiça), resolveu gratuitamente atacar seu co-irmão Palmeiras alegando que o Estádio do rival era um “Pneu Deitado da WTorre”, e que felizmente no Parque São Jorge não existia uma imperadora [dona Leila da FAM / Crefisa] como no Parque Antártica.

Pra quê criar tal cizânia?

Claro que os ânimos estarão acirrados, e o Verdão vai lembrar que a Arena Corinthians é ironizada em formato de impressora HP, que o dono é a Odebrechet ou a Caixa Econômica Federal, além de que ocorreram imperadores por lá, como a MSI de Kia, Banco Excel, Fundo HTMF …

Totalmente desnecessário falar isso.

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– Parabéns, River Plate (freguês do Galo da Japi).

E o River Plate venceu em Madri o Boca Juniors pela Copa Libertadores da América 2018. Coincidentemente, a mesma competição que o chamado “Galinhas” disputou estando na chave do Paulista FC, o Galo Tricolor da Serra do Japi, há 12 anos.

Parabéns River! Mas saiba: você sempre nos enche de orgulho pela derrota em 05 de abril de 2006, quando o Paulista (que era forte na época) orgulhava Jundiaí ao bater os hermanos por 2×1 no Estádio Jayme Cintra.

Bons tempos…

Aliás: ganhou a Libertadores 2018 com jogador irregular, estádio interditado, treinador suspenso que dirigiu o time e outras arbitrariedades. Entretanto, esquecendo as regras que fez vista grossa, realmente fez por merecer dentro de campo.

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– R$ 19.000,00 para a licença PRO na CBF Academy, com aulas do Professor Eutrópio!

A “Licença PRO” é uma exigência para se trabalhar como treinador de futebol na Europa e em muitos lugares do mundo. Vários técnicos brasileiros viajam para a Itália ou Portugal afim de obtê-la.

Recentemente, a CBF (através da “CBF Academy”) passou a realizar o curso no Rio de Janeiro. Entre os professores estão Carlos Alberto Parreira, Sebastião Lazaroni, Fábio Mahseredjian, Rogério Micale e Vinícius Eutrópio.

Os alunos? Tite, Mano Menezes, Dunga, Vagner Mancini, Jair Ventura, Zé Ricardo, Tiago Larghi, Maurício Barbieri, Renato Gaúcho (apesar das suas faltas), entre outros.

Curioso: me recordo da sequência absurda de derrotas que Eutrópio conseguiu no seu trabalho na Ponte Preta, quase levando o time campineiro ao rebaixamento no Campeonato Paulista. Respeitosamente, o que ele poderia ensinar a Tite, Campeão Mundial de Clubes ou a Renato Gaúcho, campeão da Libertadores como jogador e treinador?

Por R$ 19.000,00 “por cabeça”, está sendo muito produtivo para a CBF o curso…

Abertura do Curso de Licença PRO na Granja Comary - CBF Academy

 

– E seria ético se Carille escalar atletas de Bertolucci, caso se confirme o empréstimo ao Coringão?

Dias atrás, li que o empresário de atletas Giuliano Bertolucci já passou da casa BILIONÁRIA em valores de negociação de jogadores brasileiros. Um superagente, como chamou a matéria da ESPN que trouxe tal dado através dos demonstrativos do Transfermarket.

(o link pode ser acessado aqui: http://www.espn.com.br/futebol/artigo/_/id/3855392/giuliano-bertolucci-o-superagente-brasileiro-que-ja-movimentou-bilhoes-em-vendas-de-jogadores).

Pois bem: diz-se à boca pequena que o pagamento da milionária multa que o Corinthians fará para o xeique que é dono do time árabe no qual Fábio Carille trabalha hoje, a fim de repatriá-lo, acontecerá graças a um empréstimo do próprio Bertolucci.

Aí fica o dilema ético: em dúvida na hora de escalar um jogador, o treinador tenderá a escalar o atleta agenciado por quem foi seu garantidor financeiro (mesmo que não seja a melhor opção)?

No mundo ideal, isso deveria ser altamente condenável, e o próprio clube deveria achar isso uma situação constrangedora e comprometedora. Mas no mundo do futebol brasileiro…

O que você pensa sobre isso?

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– Como se compra alguém… Parabéns, Tostão!

Tostão foi excepcional jogador de futebol. Fora de campo, é um brilhante analista na sua coluna na Folha de São Paulo. Tornou-se, para mim, alguém de maior respeito ainda ao recusar o convite da CBF, feito por Walter Feldman, para ser embaixador da entidade num jogo do Mineirão entre Brasil x Argentina, em 2016.

E é justamente esse o modo de operar que a CBF (e a maior parte de suas filiadas) faz: a quem critica, realiza convites para massagear ou ego ou até mesmo de natureza financeira. Muitos aceitam e mudam de lado. Outros resistem. Tite, por exemplo (outro a quem admiro – ou admirava) sucumbiu ao sonho de dirigir a Seleção mesmo tendo assinado o manifesto anti-Del Nero tempos atrás. E nessa virada de ano, com muitos novos políticos e gente “precisando de emprego”… Cuidado!

Não pensem que os convites são apenas para figurões ou “cobras”. Eu mesmo, humilde “minhoquinha”, já recebi convites com passagens pagas para ir à Cidade Maravilhosa ou mesmo tomar café na Barra Funda. Muitos que conheci aliviam depois dessa “social”. Dessa forma, vale praticar o que sempre aprendi: passarinho, de tanto andar com morcego, um dia dirão que dormiu deitado (mesmo que ele não durma). Ou ainda, se preferir, o dito bíblico: “diga-me com quem tu andas que direi quem tu és”.

Entendeu?

Parabéns Eduardo Tostão Gonçalves de Andrade.

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– A Infelicidade do Fenômeno!

EXATAMENTE HÁ 5 ANOS… DEVE TER SE ARREPENDIDO, NÃO? Republico:

Craque dos gramados, Ronaldo Nazário não tem sido feliz em algumas declarações e atitudes como cartola.

Ontem, em Londres, num evento, ele representava o Comitê Organizador Local da Copa-14, e quando indagado sobre os protestos durante a Copa das Confederações (se poderiam acontecer novamente no Mundial), disse que:

Acho que desde o início os protestos direcionados à Copa do Mundo foram inventados. A gente continua provando com dados, informações e com todas as obras que estão sendo feitas graças ao Mundial que a Copa é um benefício importante para o País.

E ele nem ficou constrangido! Caramba… que mundo o Fenômeno está vivendo?

Hoje ele mora em Londres. Será que esqueceu do dia-a-dia no Brasil?

Aliás… a Copa do Mundo será um benefício real a quem? Ao povo, aos politicos ou aos dirigentes da CBF e FIFA?

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– Adivinha qual é o esporte?

Adivinhe qual é esse esporte?

Violência, jogatina, resultados acertados na base da propina, racismo pestilento, (…) ganância inimaginável e trapaças de todo tipo e variedade: na maior parte de sua história, o esporte (…) tem sido cravado de buracos, alguns cavernosos, alguns irreparáveis.

Acharam que era sobre futebol, hein? É sobre o beisebol, descrito por Michael Chabon, reproduzido pelo antigo “Jornal Placar, 08/11/2010, pg 32”.

Será que o texto serviria ao esporte mais popular do país também? Não sei não…

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– Os melhores camisas 10 e a Seleção de todos os tempos: mudou a relação da FIFA?

RESGATANDO e ATUALIZANDO –

Em fevereiro de 2014, a FIFA divulgou mais um daqueles rankings polêmicos que sempre levam à discussão, muito embora ele tenha passado despercebido: os 10 maiores camisas 10 de todos os tempos.

Veja se você concorda com a lista e diga: seriam eles, nesta ordem, em dezembro de 2018, os mesmos? Ou acrescentaria alguém ou mudaria de posição na classificação nos dias atuais?

1. Pelé

2. Maradona

3. Zidane

4. Puskas

5. Platini

6. Rivelino

7. Messi

8. Matthaus

9. Baggio

10. Hagi

Aliás, já que falamos de polêmicas sobre rankings, aqui vai outro: com base nos seus registros e pontuações, também em 2014, a Revista Placar criou a sua Seleção Brasileira de todos os tempos (titulares e reservas).

A Canarinho foi escalada com: Dida; Cafu, Mauro Ramos, Lúcio e Roberto Carlos; Zito, Cerezo e Kaká; Rivaldo, Pelé e Pepe.

No banco: Gilmar dos Santos Neves; Jorginho, Aldair, Bellini e Nilton Santos; Dunga, Falcão, Ronaldinho Gaúcho; Didi, Ronaldo e Romário.

Concorda ou discorda dessas duas seleções? Lúcio e Kaká, particularmente, acho inconcebíveis.

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– A Operação Game Over continua na ativa!

Que coisa, hein? Quer dizer que apostadores de resultados em jogos de futebol (vindos da Malásia e da Indonésia) queriam até mesmo adquirir um clube para fazer suas artimanhas no Brasil?

Tudo isso já foi descoberto pela Operação “Game Over”, que desde 2015 investiga a manipulação de resultados e que nesta semana trouxe mais novidades.

Sabe-se, agora, que a ideia dos criminosos era de comprar um time em dificuldade financeira. Enquanto isso, a apuração do esquema que envolvia clubes da A2, A3, Segunda Divisão Paulista e Sub 20 em São Paulo, além de outros do Interior do Nordeste, continua tendo desdobramentos até hoje.

No inquérito de mais de 700 páginas, revelou-se que foi oferecido R$ 10.000,00 ao Tupã para perder de 4×0 para o Barretos, pela A3. Ao São José, foi oferecido R$ 50.000,00 para perder de 3×0 para o Corinthians no Sub20. Para um time da A2 (não revelado no inquérito, a proposta foi de US$ 30,000.00). E Márcio Orelha, um dos ex-jogadores envolvidos, afirma que nunca tentaram nada com clubes da A1 devido a visibilidade.

A certeza é: uma derrota por goleada em casa do Atlético Sorocaba frente o Santo André há 3 anos pela Categoria de Jrs, fazia parte da armação, pois o cheque das taxas de arbitragem foi pago por um dos membros da quadrilha

Imprudência ou confiança de que nada aconteceria?

Outras informações do inquérito, cujo julgamento retomou nesta 4ª feira dia 28/11/2018, abaixo,

extraído de: https://globoesporte.globo.com/blogs/bastidores-fc/post/2018/11/28/manipulacao-no-futebol-cheque-de-lider-de-quadrilha-pagou-arbitragem-de-jogo-sub-20-em-sp.ghtml

MANIPULAÇÃO NO FUTEBOL: CHEQUE DE LÍDER DE QUADRILHA PAGOU ARBITRAGEM DE JOGO SUB-20 EM SP

Árbitro relatou informação em súmula de partida que iniciou investigação em 2015; julgamento do caso é retomado nesta quarta

Por Leonardo Lourenço

Um cheque do homem que é apontado pelo Ministério Público como líder de uma quadrilha que manipulava resultados no futebol foi utilizado para pagar a taxa de arbitragem de uma partida do Paulista sub-20, em 2015 – um encargo que geralmente cabe ao clube mandante do jogo.

A goleada do Santo André sobre o Atlético Sorocaba por 9 a 0 foi o estopim de uma investigação que identificou um grupo que fraudava os placares para beneficiar apostadores asiáticos. Treze pessoas foram denunciadas em 2016, e o julgamento, que começou em dezembro do ano passado, foi retomado nesta quarta-feira, em São Paulo. A sentença será conhecida em 2019.

Anderson Silva Rodrigues é acusado de liderar a quadrilha no Brasil sob ordens de dois homens da Malásia. Foi com um cheque dele que o Atlético Sorocaba, mandante daquele duelo, pagou R$ 1.361 à equipe de arbitragem que atuou na partida. A informação, com nome e CPF do titular da conta, está na súmula do jogo.

Ao GloboEsporte.com, em contato realizado por meio de seu advogado, Rodrigues negou “categoricamente” ter emitido qualquer cheque como o citado. Um dirigente do Atlético Sorocaba afirmou não conhecer Rodrigues.

A incomum goleada no estádio Walter Ribeiro, em Sorocaba, gerou um alerta de uma empresa austríaca de monitoramento de indícios de fraude no futebol entregue ao Ministério Público de São Paulo e à Federação Paulista de Futebol (FPF) – um inquérito foi aberto em seguida pela Polícia Civil para investigar o caso.

À época, os investigadores grampearam o árbitro do jogo, Carlos Eduardo Gomes, seis dirigentes do Santo André e outros quatro do Atlético Sorocaba, clube que está licenciado na FPF desde o ano passado. As escutas não produziram provas suficientes, o que esfriou o caso.

A apuração só ganhou força novamente quando, cerca de dois meses depois, dirigentes do Tupã e do São José, ambos do interior paulista, apresentaram denúncia à FPF. Nela estavam mensagens enviadas por Anderson Silva Rodrigues e outros membros da organização em que ofereciam dinheiro para que jogos desses clubes fossem manipulados. 

A partir daí, a polícia iniciou nova série de interceptações telefônicas em que foi possível identificar 11 dos acusados – além deles, os dois malaios, que nunca foram encontrados, tornaram-se réus em 2016 após serem citados em delação premiada de um ex-atleta, Márcio de Souza, envolvido nos crimes.

RELAÇÃO COM O ATLÉTICO SOROCABA

Apesar disso, os investigadores nunca conseguiram demonstrar a participação do grupo no jogo entre Atlético Sorocaba e Santo André. A ligação entre Anderson, o líder da organização, e a partida, porém, esteve sempre à disposição, na súmula do confronto, publicada desde então no site da FPF.

A informação consta no espaço para o relato de “ocorrências/observações”, e a descrição é do árbitro Carlos Eduardo Gomes:

– Informo ainda que a taxa de arbitragem foi paga com cheque único. Cheque: Banco Itaú Agência: 8794 Conta Corrente: 30176-5 N. do Cheque: SA-000099 Nome: Anderson Silva Rodrigues CPF: 036.093.517-64 no valor de R$ 1.361,00.

Trata-se do mesmo Anderson Silva Rodrigues acusado de fraudar resultados, de acordo com pedido de prisão feito pela Polícia Civil, onde aparece o mesmo CPF registrado na súmula.

– Não faço a mínima ideia de quem seja (Anderson) – disse Gomes aoGloboEsporte.com. O árbitro é testemunha de acusação no processo em andamento no Juizado do Torcedor de São Paulo.

Em depoimento, em dezembro do ano passado, o árbitro declarou não ter percebido “nada de anormal”. Em um momento, o juiz pede que ele olhe aos réus, presentes na sala de audiência, e responda se reconhece algum deles. Ele diz que não.

À reportagem, Gomes afirmou que recebeu o pagamento do clube mandante, como é praxe – geralmente, porém, os valores são entregues em dinheiro e repartidos entre árbitro e auxiliares no vestiário.

Gomes contou que relatou o pagamento em cheque na súmula por orientação da FPF e do Sindicato dos Árbitros, que é quem recebe o cheque nesses casos e depois repassa os valores aos árbitros.

– O sindicato verifica se tem fundo, (depois) deposita na conta de cada um.

Situação semelhante ocorreu no jogo anterior do Atlético Sorocaba como mandante, contra o São Caetano. Nesta partida, o cheque que pagou a taxa de arbitragem era de Adilson Moura Damasceno, que não é investigado.

Segundo pessoas que atuavam na comissão técnica da equipe na época, Damasceno era gerente das categorias de base, que era terceirizada. De acordo com esses profissionais, ele dividia essa responsabilidade com Francisco Jamison Gonçalves, um dos alvos da Game Over, como foi chamada a operação, que também é réu no processo – ele é acusado de aliciar atletas para o esquema.

Nesta quarta, após audiência em São Paulo, Gonçalves disse não ter conhecimento sobre o cheque, e que não manteve qualquer relação com Anderson Rodrigues.

No jogo contra o Santo André, Damasceno aparece como auxiliar-técnico do Atlético Sorocaba no relatório da partida – até então, não tinha sido relacionado em nenhuma das súmulas das 20 rodadas anteriores do Paulista sub-20 daquele ano.

No duelo seguinte, outra goleada de 9 a 0, esta sofrida para o São Paulo, em Cotia, Damasceno assina como técnico no lugar de Julimar José Francisco, expulso no confronto sob investigação.

A reportagem tentou contato com Damasceno e Gonçalves, mas eles não foram encontrados.

Vice-presidente executivo do Atlético Sorocaba em 2015, José Rodrigues dos Santos afirmou não ter conhecimento da utilização de um cheque de Anderson Silva Rodrigues para o pagamento da taxa de arbitragem do jogo contra o Santo André:

– É a primeira vez que ouço falar dessa pessoa. Acho estranho (o pagamento da taxa de arbitragem com cheques), normalmente é pago com dinheiro. Para mim é uma novidade – disse ele, questionado pelo GloboEsporte.com.

Anderson Rodrigues se manifestou por meio do advogado de defesa. Em mensagem enviada à reportagem, Marcelo Branco afirmou que o cliente “negou categoricamente de ter emitido um cheque para qualquer pessoa envolvida nesse processo” e que “com certeza esse suposto cheque não existe; se existir, não é de sua titularidade”.

Anderson nunca foi preso pelas fraudes. Quando a operação foi deflagrada, em julho de 2016, ele não foi encontrado. Manteve-se foragido até fazer acordo de delação premiada em que admitiu a intenção do grupo de arrendar um clubepara facilitar os esquemas de manipulação. Ele responde em liberdade.

TÉCNICO BARRADO NO VESTIÁRIO

Ouvido em maio como testemunha durante o processo, o técnico Julimar José Francisco, que comandava o Atlético Sorocaba naquela partida, relatou em depoimento que foi impedido de entrar no vestiário do time no intervalo e que forçou uma expulsão no começo do segundo tempo para não fazer parte do que ele classificou como um jogo “estranho”.

À Justiça, Julimar lembrou que teve que escalar um time formado majoritariamente por atletas do sub-17, já que os jogadores sub-20 tinham sido dispensados às vésperas do confronto com o Santo André – o Atlético Sorocaba já não tinha mais chances de classificação.

O primeiro tempo daquele jogo terminou com uma insuspeita derrota parcial de 1 a 0. Ao deixar o campo após o final da etapa inicial, Julimar contou ter sido surpreendido:

– Chegou o intervalo do jogo, nós estávamos perdendo de 1 a 0, não deixaram nem eu entrar no vestiário. “Pode deixar que agora a gente toma conta”, (disse) o pessoal que coordenava lá – relembrou, sem citar nomes.

– Aí entraram no vestiário, conversaram com os jogadores. (Pensei:) “Eu não vou voltar para esse jogo, tem coisa errada nesse jogo” – completou.

Julimar afirmou que ainda no intervalo procurou o árbitro Carlos Eduardo Gomes e pediu para ele lhe expulsasse, o que teria sido negado pelo juiz. A súmula aponta que o treinador foi excluído do jogo aos seis minutos do segundo tempo ao chamar Gomes de “safado”.

O árbitro disse não se lembrar do pedido de Julimar:

– Não (me lembro). No comecinho do segundo tempo ele me xingou, cheguei até ele, pedi para se acalmar. Eu virei, ele continuou me xingando, eu o expulsei.

Procurado pela reportagem, Julimar se recusou a dar novas declarações:

– O que eu falei, falei na Justiça. Não quero comentar.

Além do técnico, outros três jogadores do Atlético Sorocaba foram expulsos no segundo tempo do jogo contra o Santo André, quando a equipe sofreu mais oito gols.

O Ministério Público de São Paulo denunciou 13 pessoas, inclusive dois malaios, por organização criminosa e por tentativa e fraude de resultados de partidas de futebol.

A quadrilha é acusada de atuar em torneios de menor visibilidade, como as categorias inferiores de São Paulo e em estaduais como os do Ceará e Rio Grande do Norte. Todos respondem ao processo em liberdade; os estrangeiros nunca foram encontrados.

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Organograma da quadrilha que adulterou resultados no futebol para favorecer apostadores asiáticos operação Game Over — Foto: Reprodução

– O mítico Santiago Bernabeu suplanta Wembley com a final da Libertadores!

Vamos aos elogios e as críticas quanto ao desfecho da novela “Onde será a final da Libertadores da América 2018”:

PONTOS PARA ELOGIAR:

  • River X Boca é a maior rivalidade da América do Sul. E com um detalhe: qual outra cidade do planeta tem uma competitividade de equipes como essa, a não ser Buenos Aires (Real x Barça são equipes de cidades diferentes, por exemplo)? A Europa terá o privilégio de acompanhar esse jogo in loco.
  • A partida será no horário nobre do futebol mundial (16h do horário local).
  • Estrutura não faltará, pois o Estádio Santiago Bernabeu está acostumado a grandes eventos.

PONTOS PARA CRITICAR:

  • A Conmebol, logicamente, levou uma “bolada de dinheiro” para aceitar tirar o jogo do continente. Nenhuma cidade da América do Sul poderia receber essa partida? Se a desculpa foi “o número de torcedores argentinos por ser país vizinho”, piorou, pois a Espanha é o destino europeu número 1 dos hermanos!
  • Não é ironia ver a decisão que remete um torneio que homenageia os mártires e heróis que libertaram nosso continente do domínio dos colonizadores ibéricos, ser realizada na casa deles? Ou seja: a Libertadores da América será jogada em Madrid, berço de quem escravizava esses lutadores.
  • Por fim: a multa imposta ao River Plate, mostrando que ficou barato punir com dois jogos sendo jogados sem torcida e uma multa não muito salgada para os padrões desses times grandes. Prevaleceu a impunidade.

A GRANDE CONSTATAÇÃO: 

  • Para mim, Wembley, berço do futebol, era o “estádio-símbolo” do esporte; aí veio o Maracanã com toda a sua representatividade na metade do século XX em diante e o destronou. Mas o que dizer do Santiago Bernabeu, que está na Europa e já sediou finais de Eurocopa, Copa do Mundo, Copa dos Campeões da Europa e, agora, Libertadores da América? Nenhum outro no planeta recebeu tantos jogos importantes. Aliás, o Real Madrid, provavelmente, enfrentará o time que vencer esse jogo em seu estádio lá no Mundial de Clubes da FIFA, na Ásia.

Que tudo ocorra bem nessa final.

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