– O que se faz na América do Sul, não se faz no Brasil?

Em hipótese alguma se pode refutar a atuação dos 4 árbitros brasileiros nos 8 jogos que apitaram nas duas rodadas finais das Eliminatórias da Copa do Mundo. Excelentes! Souberam conduzir a partida a contento, foram firmes, corretos e deixaram o jogo fluir.

A questão é: por quê o rendimento é tão diferente no Brasileirão?

– Seria medo de veto dos clubes locais?

– Seria orientação equivocada da CA-CBF?

– Seria relaxamento, acomodação ou menosprezo?

Todas as anteriores são válidas?

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– Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil e dos Árbitros de Futebol

Poucos sabem, mas na década de 90, em eleição entre os árbitros de futebol, Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi escolhida como padroeira da categoria. Motivo: sendo que Maria é Mãe de Cristo, seria de bom grado a sua benção e invocação para os juízes de futebol (cujas mães são tão lembradas em campo). Assim, tornou-se também a Mãe dos Árbitros.

Há muito tempo, por indicação do Padre Ton Ferreira, o então bispo de Jundiaí, Dom Amaury Castanho (que se tornou conhecido nacionalmente por suas cartas à imprensa defendendo radicalmente os valores cristãos), aprovou e reconheceu oficialmente a Oração do Árbitro de Futebol, que não existia até então, direcionada ao Filho de Deus por invocação de Nossa Senhora Aparecida.

Abaixo, reconhecida pelo Vaticano, a oração aos árbitros de futebol devotos de Maria, neste dia onde ela é lembrada não só por ser padroeira do Brasil, mas também como patrona dos Árbitros de Futebol.

ORAÇÃO DO ÁRBITRO DE FUTEBOL

Senhor Jesus Cristo,

Tu, que conheces o íntimo de cada um de nós, tem piedade de todo o teu povo.

Pedimos tuas bênçãos para todas as pessoas que estão envolvidas na prática esportiva: árbitros e jogadores, torcedores e policiais, gandulas e jornalistas, fiscais e dirigentes das nossas federações.

Nós te amamos, mas sabemos de nossas fraquezas. Humildemente, te suplicamos a proteção, visando não as vitórias ou honrarias humanas, mas a um bom, honesto e seguro trabalho. Acima de tudo, que seja feita a tua santa e bendita vontade.

Tudo isso te pedimos por intercessão de Maria Santíssima, a quem carinhosamente temos por mãe, invocada como Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil e Patrona dos Árbitros de Futebol.

Amém.

COM APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA DO SR BISPO DA DIOCESE DE JUNDIAÍ, DOM AMAURY CASTANHO, EM 04/12/2002

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– Como ajudar o árbitro a decidir o lance do gol não confirmado em Atlético Mineiro 1×0 São Paulo?

E o lance do gol que entrou ou não entrou” em CAM 1×0 SPFC? Resumidamente, 

1. Na Copa do Mundo, com a tecnologia do Chip na Bola, não se teria dúvida sobre esse lance. 

2. Na Champions League, com os AAA do lado direito do goleiro (e não do lado esquerdo como inventaram somente no Brasil), talvez a dúvida seria menor. 

3. E com o Árbitro de Vídeo, como seria?

Depende de quem gerasse a imagem e da qualidade do AAV

O certo é: questionaria-se, sem dúvida, a RAPIDEZ da decisão. É por isso que o elemento que trabalhará com a tecnologia deverá ser muito competente, pois sem bom desempenho do fator humano, de nada adiantará o componente tecnológico.

Sobre o lance, veja a imagem:

 

– 4 anos depois que o Árbitro profissionalizou…

Já faz quatro anos que alguns árbitros, ilusoriamente, comemoraram a profissionalização da categoria.

Mas mudou o quê?

Leia sobre o que escrevemos na oportunidade:

A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE ÁRBITRO DE FUTEBOL

Vejo muita gente comemorando a regulamentação da profissão de árbitro de futebol. Mas quem milita no meio sabe que esse projeto sancionado pela presidente Dilma Rousseff é, na verdade, uma hipócrita e demagógica ação que nada mudará no dia-a-dia dos árbitros de futebol, tampouco trará melhorias práticas.

Assustou com minha opinião? Explico a ilusão desse projeto:

1 – Ao árbitro será permitido se associar em cooperativas de trabalho e sindicatos. Mas já não é assim? E, pasmem: se um árbitro não se sindicalizar e/ou cooperar, não apita jogos profissionais nesse país! No Rio de Janeiro, Jorge Rabello, funcionário da FERJ, é o responsável pelo departamento de árbitros da entidade. Porém, é ele quem dirige o Sindicato e a Cooperativa de lá! Em São Paulo, Arthur Alves Júnior é o presidente do Sindicato dos Árbitros e Silas Santana trabalha na Cooperativa, sendo que ambos são funcionários da FPF! Claro que tudo está dentro da lei; e, mesmo sendo legal, poder-se-á contestar: não é imoral? A mim, tal situação desagrada muito, já que entendo como incompatibilidade de cargos. Se o árbitro tiver que brigar com a Comissão de Árbitros de SP ou do RJ, e quiser recorrer ao Sindicato, terá que recorrer à mesma pessoa. Dá para imaginar o Rabello do Sindicato discutindo com o Rabello da Federação Carioca?

Reforço: nada contra essas pessoas, mas entendo ser impossível que se tenha condição de trabalhar antagonicamente em cargos tão distintos, sendo o mesmo dirigente.

2- A Lei reza que o árbitro poderá trabalhar em Ligas e Entidades de prática do Futebol. Ué, cadê a novidade?

Na verdade, se festeja única e exclusivamente o fato de que, no papel, existe uma profissão chamada de “árbitro de futebol”. A lamentar que nada se fez para que o árbitro receba FGTS, tenha direito a 13o e Férias, fruto de registro na Carteira de Trabalho, sendo as Federações e/ou a CBF o(s) patrão(ões).

Aliás, me causa curiosidade: por quê os Sindicatos e Cooperativas que agora podem representar o árbitro (mas que já representavam) não lutam para que as Federações e a Confederação assumam o árbitro como empregado? Que banquem os treinos para melhorar o desempenho em campo e os assumam como funcionários profissionais para que se dediquem integralmente a profissão e não cometam tantos erros.

Reitero: a Lei é demagógica, já que ilude o cidadão comum a pensar que algo vultuoso foi feito; e hipócrita, pois se comemora para disfarçar o que está em situação calamitosa, que é a péssima condição dos árbitros do Brasil, resultando em arbitragens no nível que se vê.

Gozado: para apitar em São Paulo, os árbitros assinam um documento de próprio punho dizendo que são prestadores autônomos de serviços aos clubes, sendo que a FPF é quem os paga, via Sindicato (descontando-se taxa sindical), alegando que o dinheiro é repassado das verbas que o clube receberia a fim de evitar calote.

Isso não é contestado por quê?

Portanto, torcedor comum, não se anime: nada mudará nos jogos que você assistir. E aos árbitros, vale o lembrete: você não ganhou nada com a nova lei.

Invejo a Inglaterra. Lá sim o árbitro é profissional, com contrato de trabalho e tudo mais.

Abaixo, compartilho o texto da lei:

LEI nº 12.867, DE 10 DE OUTUBRO DE 2013

Regula a profissão de árbitro de futebol e dá outras providências.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º
A profissão de árbitro de futebol é reconhecida e regulada por esta Lei, sem prejuízo das disposições não colidentes contidas na legislação vigente

Art. 2º
O árbitro de futebol exercerá atribuições relacionadas às atividades esportivas disciplinadas pela Lei no 9.615, de 24 de março de 1998, destacando-se aquelas inerentes ao árbitro de partidas de futebol e as de seus auxiliares

Art. 3º
(VETADO)

Art. 4º
É facultado aos árbitros de futebol organizar-se em associações profissionais e sindicatos.

Art. 5º É facultado aos árbitros de futebol prestar serviços às entidades de administração, às ligas e às entidades de prática da modalidade desportiva futebol.

Art. 6º
Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 10 de outubro de 2013;

192º da Independência e 125º da República

DILMA ROUSSEFF

Manuel Dias

Aldo Rebelo

Luís Inácio Lucena Adams

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– A curiosa possível desclassificação das melhores seleções dos últimos 4 anos e a “classificação do árbitro de vídeo”.

Pense: o atual vice-campeão do mundo e atual terceiro colocado (Argentina e Holanda), o atual campeão da Europa (Portugal) e o atual campeão da América do Sul (Chile), podem estar fora da Copa do Mundo da Rússia, dependendo dos resultados da derradeira rodada das Eliminatórias. Alguns, é verdade, já jogam sem chances. Mas a questão é: o período entre 4 anos de um Mundial para o outro, faz com que uma geração inteira “descambe” ou não participe de uma Copa?

O que aconteceu com a Holanda nesse período, de quase-finalista à excluída? E o Chile? E a vice-campeã mundial de Messi e Cia?

O curioso é que o time que deu o maior vexame da Copa 2014, o Brasil (ou vai me dizer que tomar 7 em casa não é vexame?) foi uma das primeiras Seleções a garantir o passaporte para a Rússia.

Como entender o futebol, se não pela ciência e por um pouco de paixão?

Em tempo: a novidade maior da Copa seria o árbitro de vídeo. Leio muita coisa que deixa em dúvida a participação dos instrumentos tecnológicos em 2018. Talvez o VAR ainda esteja se classificando também… Motivo? Confiabilidade nos procedimentos!

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– É profissional ou é torcedor? Sobre Neymar, Jogadores e Árbitros:

Se um árbitro de futebol declarar o seu “time do coração”, por mais independente e honesto que ele seja, a carreira estará encerrada por motivos óbvios. Alguns, pós-carreira, declaram. Outros, como eu, ficam apenas com a paixão pelo seu time do Interior (a minha pelo glorioso, sofrido e querido Paulista de Jundiaí). Muitos (como eu, de novo faço questão de citar) perdem a paixão pelo time grande e passam a torcer pelos amigos que apitam ou pelos que jogam, mas sem comprometer com a lisura do seu trabalho. 

O jogador de futebol idem! Imaginaram se no começo da carreira, Sócrates se declarasse santista? Só o fez ao final do seu período profissional, e isso nada abalou o símbolo máximo da Democracia Corintiana que ele se tornou. 

Marcos Assunção comia a grama pelo Palmeiras, mesmo se declarando santista no seu último ano como atleta. E por aí existem outros exemplos. 

Mas agora temos um exemplo de jogador em atividade que assume seu time: Neymar confessou ser palmeirense. Faz isso na condição de ídolo global, jogando pelo PSG, sem estar envolvido com os clubes locais. Na atual conjuntura, ele “pode” fazer isso

A questão é: estando em pendenga financeira com o Santos FC, deveria declarar seu time neste momento?

É para pensar…

A propósito, o Uol.com montou a Seleção Brasileira com os times dos jogadores convocados. Teria acertado? Abaixo:

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– Gol de Juiz vale?

Pergunta que vem via internet por um leitor: “gol de juiz vale”?

Claro que vale. O Árbitro é elemento neutro na partida. Se bater nele ou nos bandeiras, segue o jogo. E é claro que sempre que se tem uma inevitável lembrança quando se ouve esse questionamento: o gol do Aragão!

Estando Palmeiras 1×2 Santos, Jorginho (SEP) chutou a bola que bateu no árbitro, desviou e entrou no gol. Gol legal.

Relembre: https://www.youtube.com/watch?v=buApKDeergU

– A inesperada e ousada Escala de Árbitros para a última rodada das Eliminatórias Sulamericanas.

Um fato inédito: na penúltima rodada da fase de classificação para a Copa do Mundo na Zona da Conmebol, dos 5 jogos, em 4 apitaram brasileiros (por motivos óbvios, apenas em Bolívia x Brasil tivemos um não brasileiro (Fernando Ratallini, ARG).

A ideia é de que, já que a Seleção Brasileira já estava classificada e como “embolou” a tabela, todos os países tinham interesse nos resultados das outras nações. Dessa forma, juízes brasileiros seriam neutros e/ou desinteressados.

Para a última rodada, os mesmos árbitros brasileiros que apitaram no meio de semana apitarão novamente. Vamos lá:

Equador x Argentina – Anderson Daronco, com Alessandro Rocha Matos e Fabrício Vilarinho.

Paraguai x Venezuela – Wilton Pereira Sampaio, com Kleber Lucio Gil e Bruno Boschilia.

Peru x Colômbia – Sandro Meira Ricci, com Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Van Gassen (este será o trio de arbitragem brasileiro para o Mundial da Rússia)

Uruguai x Bolívia – Ricardo Marques Ribeiro, com Rodrigo Corrêa e Guilherme Camilo.

Brasil x Chile – seguindo o mesmo critério de neutralidade da nacionalidade dos árbitros, apitará o equatoriano Roddy Zambrano (já que o Equador está eliminado e o Chile tem interesse no resultado).

A pergunta é: e se TODOS os países ainda estivessem lutando pela classificação? Teríamos alemão, italiano, francês, espanhol e português apitando. Ou quem sabe o saudoso Yuichi Nishimura poderia apitar no Allianz Arena, caso a Seleção precisasse.

Brincadeiras à parte, acho que o excesso de precaução é válido, já que sabidamente é nefasto o histórico da Conmebol.

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– As diferenças dos processos de desenvolvimento do projeto dos árbitros de vídeo no Mundo e no Brasil.

O VAR (video assistant referee), aportuguesado para AAV (árbitro assistente de vídeo) já é uma realidade nas principais ligas europeias e para as competições FIFA. Claro, é um projeto em teste e que tem tudo para dar certo, desde que seja bem trabalhado.

Na América do Sul, a Conmebol está treinando seus árbitros para as fases finais da Libertadores da América e da Copa Sul-americana. No Brasil, engatinha-se com os primeiros ensaios, capacitando às pressas (mesmo que isso seja negado) pela Comissão de Árbitros.

Na reunião em 5 de março de 2016, em Cardiff, quando o lobby feito por Gianni Infantino (que queria o árbitro de vídeo) obteve êxito, em reunião promovida pela Internacional Board, ficou decidido que, a priori, 4 situações seriam ideais para a intervenção da nova tecnologia:

1- Confirmar ou anular um gol discutível (por exemplo: se o atleta usou a mão na bola para fazer um gol e o árbitro possa ter sido enganado e acreditado que foi de cabeça, como o gol de Jô em Corinthians x Vasco).

2- Confirmar ou anular uma penalidade máxima (por exemplo: o árbitro crê que um atleta tenha sido tocado e na verdade ocorreu uma simulação claríssima de infração, como o “pênalti fantasma” de Lucas Lima em Santos x Avaí, BR-16);

3- Aplicar ou não um cartão vermelho de maneira justa ou injusta (por exemplo: se um árbitro expulsa um atleta por um carrinho violento e na verdade o jogador tenha ido única e exclusivamente na bola e nem punido deveria ser; ou seja, “desexpulsar um jogador”, como Egídio em Chapecoense x Palmeiras);

4- Identificar atletas de maneira correta quando for aplicar uma punição com cartão (por exemplo: um atleta agarra um adversário e deve receber o cartão amarelo, mas o juiz se confunde e não memoriza quem foi o infrator para dar a advertência e dá a outro, como Gabriel no jogo Palmeiras x Corinthians).

A proposta inicial foi a de que o árbitro de vídeo poderia interpelar o árbitro principal ou o árbitro principal procurar o árbitro de vídeo (via rádio). Porém, a decisão final continuaria (como continua sendo) do árbitro principal, aceitando ou não a informação do vídeo-árbitro.

Com o avanço das discussões e de jogos-testes, definiu-se a necessidade de um monitor à beira do gramado para o árbitro rever os lances e a possibilidade de uso do recurso em outras situações. Imagine um árbitro de vídeo dizendo que o árbitro central errou em determinado lance, e este não se convence totalmente? Para isso, antes de refutar ou acatar a dica do AAV, o juiz deve procurar a imagem de TV. Desta forma, não só o AAV teria a permissão do uso das imagens, mas também o árbitro central (a idéia, em si, é que a informação da cabine para o campo não fosse apenas pelo rádio).

Hoje, com Portugal, Itália, Alemanha e Bélgica usando o árbitro de vídeo (a França e a Inglaterra utilizam ainda apenas o sistema eletrônico da linha do gol), e a partir das experiências nos campeonatos amadores, Mundial de Clubes e Copa das Confederações (todos regidos pela FIFA), percebeu-se que alguns erros deveriam ser evitados (como a demora nas decisões e a vulgarização de qualquer chamada em lance comum) e a incrementação de outras situações contempladas além das 4 originais (como uma agressão fora do campo de visão do árbitro, um impedimento clamoroso não observado pelo bandeira ou qualquer participação que seja pertinente).

A priori, a CBF não queria essa “extensão” na tomada de decisões, ficando limitada às 4 situações citadas. Mas deverá se render para atender assim o protocolo oficial.

Portanto, em suma, o árbitro de vídeo desejado IDEAL para a FIFA, até o momento atual das experiências, deve:

Chamar o árbitro central se ver algum lance capital, claro e relevante que o árbitro e os bandeiras não tenham visto, independente do local do campo de jogo (não deve e nem pode interferir em situações interpretativas de infrações ou lances ajustados de impedimento ou não).

–  Estar pronto a atender o árbitro central caso ele tenha dúvida de alguma decisão e queira saber o que o AAV tenha visto.

A ideia, em si, é a interferência mínima e a máxima resolução nos problemas de uma partida de futebol. Claro, sempre com material humano competente para as decisões e independência da geração de imagens. E a isso temos alguns exemplos: a patética expulsão de Kaká na MLS por erro tanto do árbitro e do AAV na interpretação do lance mesmo com o uso do vídeo, e o desejo de aproveitamento da geração da transmissão da Rede Globo para a CBF.

Por fim: esqueçamos o AAV no Brasileirão neste ano, pois não há equipamento adequado, gente especializada para uso, treinamento paulatino e gradual aos árbitros (está sendo feito às pressas) e o fator relevante de que em campeonatos contínuos (não em fases eliminatórias) você só pode usar durante ele inteiro, não em apenas algumas rodadas.

Há certo burburinho de que o Cel Marinho, presidente da CA-CBF, desejaria a criação de um quadro de AAV especialistas, como já ocorre com o de bandeiras. Confesso achar que tal medida seria inédita no mundo, e a grosso modo, me parece interessante.

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– Por quê não praticar a Homofobia nas Arquibancadas? Por tais motivos:

Pela 4a vez, a torcida brasileira praticou gritos homofóbicos nas cobranças de tiro de meta do goleiro adversário em jogos da Seleção Brasileira.

Não é uma grande bobagem?

Veja essa postagem de dias atrás sobre esse assunto, que a revivo aqui (extraído do meu próprio blog):

PAREMOS COM GRITOS HOMOFÓBICOS: PELO HÁBITO, PELA FORÇA OU PELA MULTA

Tempos atrás, a FIFA se preocupou com os atos racistas que eram acompanhados de ações políticas em jogos na Europa, em especial nos países que formavam a Iugoslávia (Sérvia, Croácia, Montenegro, especificamente). Posteriormente, a “moda das ofensas” passou para a Itália (objetivamente: ofensas a negros e saudações fascistas). Mais recentemente, esse fenômeno racista migrou para a Espanha e alguns atos isolados na Argentina e Brasil.

Em todos eles, ocorreram algum tipo de punição: a Lazio (ITA) jogou com portões fechados, o Estrela Vermelha (SER) perdeu mando, o Villareal (ESP) foi multado e o Grêmio (BRA) eliminado na Copa do Brasil.

No conjunto de medidas contra a intolerância, a FIFA solicitou que os árbitros relatem em súmula (e parem o jogo, se for o caso) qualquer manifestação racial, religiosa, política e homofóbica.

Se a torcida jogar bananas em campo (como certa feita aconteceu com Daniel Alves, enquanto atleta do Barcelona), o jogo deve parar pois é racismo explícito. Se o jogador comemorar um gol tirando a camisa com os dizeres Jesus é o Rei ou Alá é Grande, o atleta deve receber cartão amarelo por desconfigurar o uniforme e ser citado para julgamento por apologia religiosa. Se o jogador, após um gol, saudar a torcida com o gesto de Hi Hitler imortalizado pelos nazistas, ele não recebe o cartão mas é citado por manifestação política. E, por fim, se os torcedores fazerem cânticos ou gritos homofóbicos, o árbitro deve relatar nos documentos da partida (se eles forem contínuos, o jogo pode até ser paralisado).

É nesse último item que chamo a atenção: no México, os torcedores gritavam PUTO (que é uma palavra similar a VIADO no coloquial espanhol) quando o goleiro cobrava o tiro de meta. Tal prática, ao mesmo tempo que começou a ser abolida aos poucos lá fora, passou a ser praticada no Brasil pela torcida do Corinthians, especificamente tendo nascida num jogo contra o São Paulo, a cada tiro de meta cobrado por Rogério Ceni (trocando-se o PUTO por BICHA, com um longo tempo no IIIIII até o chute do arqueiro). Palmeirenses, santistas e até os próprios são-paulinos, primeiras vítimas do ato, começaram a imitar.

Nesta cruzada contra a homofobia, a FIFA resolveu reforçar a orientação para que tal prática fosse extinta. Recentemente, a CBF foi punida por 20 mil francos suiços (65 mil dólares) por tais gritos na partida pelas Eliminatórias entre Brasil x Colômbia em Manaus, ocorrida em setembro. Neste mesmo “pacotão de punições” foram multadas equipes e seleções em Honduras, Albânia, Itália, México, Canadá, Argentina, Paraguai e Peru. O Chile, além da multa, perdeu um mando de jogo nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

Em parceira com a ONG Fare Network, a FIFA, depois destas punições, reforçou o pedido e o monitoramento (replicado pelas Federações / Confederações Nacionais e suas entidades filiadas), para que árbitros, clubes e federações sejam agentes denunciadores de tais situações, sejam essas personagens testemunhas ou vítimas. Ou seja: um árbitro deve relatar se presenciar os gritos, uma equipe pode denunciar se sentir atacada ou um goleiro pode até pedir a punição ao clube cuja torcida praticou a homofobia.

Porém, esses gritos de BICHA foram praticados novamente em jogo da Seleção Brasileira, dessa vez contra a Bolívia em Natal, também pelas Eliminatórias, com punição de  R$ 83 mil. Outros nove países também foram punidos por gritos homofóbicos, além do Irã, por cânticos religiosos do Islã.

Aqui no Brasil, os grandes clubes da Capital têm pedido, através do sistema de som, que os torcedores não pratiquem tal ato. Infelizmente, há aqueles que ainda não sabem das medidas recomendadas e as punições que podem receber.

Então, seja na Copa São Paulo de Futebol Jr ou em Copa do Mundo, os clubes e Seleções podem ser severamente multados ou até perderem o mando caso os torcedores gritem BICHA na arquibancada.

IMPORTANTE – sabemos que na cultura do futebol algumas situações são discutíveis (eu, que fui árbitro de futebol por tanto tempo, sei bem disso). Xingar o juiz de ladrão ou outros impropérios é algo “aceitável e comum” (não levando em conta o politicamente correto e nem que se ofende a pessoa, mas sim uma personagem). Mas se existe um novo momento no futebol, uma mudança de cultura, seja ela forçada por multas e punições ou por clamor social, que cumpra-se!

Torcedor, diante de tudo isso: seja prudente!

EM TEMPO – a FIFA colocou em seu game, o FIFA 17, a opção de “vestir o atleta nas cores do arco-íris”, em alusão à campanha contra homofobia (Stonewall’s Rainbow Laces). E aqui acrescento: não confunda a opção sexual, particular de cada um, com APOLOGIA (sempre condenável).

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– Os 3 lances discutíveis em Cruzeiro 1×1 Corinthians

Já falei diversas vezes sobre as más atuações do árbitro Rodolpho Toski, que precocemente virou FIFA e vem sendo bem sorteado pela Comissão de Árbitros da CBF. Recentemente, ele foi pivô do pênalti marcado equivocadamente em Guilherme Arana (cuja falta foi fora da área) no jogo do Corinthians contra o Botafogo. Mas em outras partidas foi mal também (a relação aqui: https://t.co/Uia2lV47wO. Só que neste domingo, Toski não foi um desastre, apitou uma partida de maneira regular/boa, sendo prejudicado pelo assistente 2.

Pois bem: no Mineirão, 3 lances polêmicos envolvendo o Timão neste domingo contra a Raposa. Vamos lá:

  1. Gol anulado de Kazim: boa marcação do bandeira 1 Bruno Boschila, pois o atacante está ligeiramente a frente quando a bola lhe é lançada. Acertou ao anular o gol.
  2. Gol anulado de Balbuena: lance difícil para o bandeira 2 Victor Hugo Imazu dos Santos, onde o zagueiro do Corinthians, estando no ataque, tem condição de jogo pois o pé do zagueiro cruzeirense Léo lhe dá condições. Ouvi uma justificativa pelas redes sociais de que “o tronco do corintiano estava à frente”. NÃO SE ENGANE, o parâmetro para a linha de impedimento são as partes jogáveis (não são partes jogáveis os braços e as mãos dos atletas, exceto as dos goleiros dentro da área), e embora o tronco dos atletas possa não estar em mesma linha, o pé do zagueiro cruzeirense, ao esticar para trás, permitia o ataque. Portanto, gol legal mal anulado, errou o bandeira.
  3. Pênalti a favor do Corinthians: o braço do atleta Murilo do Cruzeiro faz o movimento intencional para tocar a bola. Você poderia falar em movimento antinatural dos braços (pois ele também pula de maneira diferente, com o braço mais elevado do que o movimento natural, deixando entender que desejava o contato). Mas pelas câmeras da TV Globo, para mim, ficou claro a INTENÇÃO do toque em primeiro lugar. Correta a marcação do árbitro.

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– A boa arbitragem de Luiz Flávio na final de Cruzeiro x Flamengo e o pênalti em dois toques

Muita discussão pré-jogo (relevante) pela escala do Septeto de Arbitragem capitaneado por Luiz Flávio de Oliveira. O juiz paulista apitou muito pouco nesse ano, se lesionou, teve problemas em alguns jogos e na última rodada do Brasileirão foi mal. Entretanto, mostrou-se “senhor do jogo” na partida entre a Raposa x Mengão, correndo bastante, estando bem disciplina e tecnicamente.

A partida, em si, foi ruim por parte das equipes. Ô finalzinha chata para se assistir, com os times deixando a desejar na ousadia.

Na decisão do jogo por tiros penais, discutiu-se um suposto “bi-toque” na cobrança do decisivo pênalti chutado pelo Thiago Neves. Não foi uma situação de “dois toques”, pois a bola não bate na outra perna dele quando acontece a escorregada.

IMPORTANTE – Se a bola bate na perna e se caracteriza dois toques DURANTE O TEMPO DE JOGO, deve-se marcar tiro livre indireto para o adversário. Se isso ocorre durante a decisão do resultado por tiros penais, considera-se o chute irregular e o tiro perdido (NÃO SE REPETE A COBRANÇA).

Outros jogos que ocorreram o “bi-toque”:

São Paulo x Vitória (escorregão de Juan em 2013), em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2013/10/06/o-penalti-em-dois-toques-de-sao-paulo-x-vitoria/

Em Belarus, com a bola rolando, a la Cruyff, aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2015/08/29/o-penalti-de-dois-toques-em-belarus/

Atlético de Madrid x Real Madrid (semifinal da Champions League 2016/2017, cobrado por Griezmann), em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2017/05/10/o-penalti-de-2-toques-de-griezmann-ja-aconteceu-no-morumbi/

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– Treinador de Futebol pratica Fair Play “a la Rodrigo Caio” e é demitido!

Que bom que Rodrigo Caio demonstrou um ótimo exemplo no mundo do futebol ao evitar um equivocado cartão amarelo para o seu adversário Jô, meses atrás. Depois desse tão falado lance de Fair Play, outros atletas tiveram a oportunidade de fazer o mesmo e não fizeram.

Mas uma sementinha plantada pode brotar! E assim foi feito no Campeonato Amador de Jundiaí da 1a divisão. Vejam que interessante:

Fordinho, ex-treinador de ótima campanha no Palmeiras do Medeiros, estava enfrentando dificuldades em seu novo clube, o Cruzeiro da Vila Maringá. Eis que jogavam Cruzeiro x Resenha, e o árbitro aplicou o segundo cartão amarelo a um atleta da equipe adversária (resultando na expulsão). O técnico Fordinho interferiu no jogo, dizendo que houve equívoco (o cartão era para outro jogador) e influenciando os atletas do seu time a contarem a verdade. O árbitro “desexpulsou” o adversário e o jogo continuou.

Aguinelo Oliveira, o presidente do time do Cruzeiro, demitiu Fordinho, alegando que no futebol a gente “precisa matar um ao outro, mas no bom sentido. O competente treinador, agora desempregado, alegou que: “Devemos ter humildade e respeito um pelo outro no futebol amador. Respeito de ser honesto e digno. Não adianta ser malandro”.

Parabéns ao Fordinho pelo excelente exemplo de Fair Play (e que lhe custou o emprego)! Merece todos os cumprimentos da comunidade jundiaiense (e porque não, do mundo do futebol em geral). Que tenha sua atitude exaltada e divulgada, pois precisamos de mais Fordinhos, Rodrigos Caios e outros assim no futebol e na sociedade em geral. O esporte deve ser exemplo de honestidade, não um espaço de picaretagens.

A reportagem completa desse caso está no site esportivo “Esporte Jundiaí”, por Thiago Batista de Olim: http://www.esportejundiai.com/2017/09/serie-de-jundiai-fordinho-sai-do.html

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– Não adianta vídeo se não tiver competência – O circo de Sport x Vasco!

Que coisa horrível nesta segunda-feira à noite em Pernambuco, não?

Sandro Meira Ricci marcou um pênalti inexistente a favor do Sport de uma bola que supostamente foi interceptada pela mão de um jogador Vascaíno. NADA DISSO: a bola bate despretensiosamente no ombro/peito do defensor, e mesmo que batesse na mão, deveria seguir o jogo, pois seria involuntário o toque.

Fiquei assustado pela marcação. E sob muito protesto do time do Vasco, mais assustado com o Árbitro Assistente Adicional Rodrigo Guarizzo Ferreira do Amaral, que estava na linha de fundo e confirmou ao árbitro central que houve um giro intencional. Quase que na hora de cobrar o pênalti, o bandeira Marcelo Van Gassen chamou a responsabilidade para si e avisou o arbitro que não ocorreu nenhuma infração.

O detalhe: a jogada aconteceu do LADO CEGO de Van Gassen. Se ele está na lateral, como poderia ter visto o lance que ocorreu voltado para a sua lateral oposta???

Marcelo Van Gassen é um dos melhores árbitros assistentes que eu já trabalhei e um dos melhores do quadro atual. Ele salvou o lance, mas não dá para deixar de imaginar que houve interferência externa!

Será que depois de transformar a Regra 12 (onde se fala da mão na bola) em Regra 12B (bateu, marcou), a CBF que não tem um árbitro de vídeo resolveu criar um Video-árbitro Ghost, informal e às escuras?

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– Escala para Cruzeiro x Flamengo, final da Copa do Brasil

Viram o lance do pênalti decisivo equivocadamente marcado em Bahia 1×0 Grêmio no último minuto? Edilson nem tocou em Allione, mas o árbitro Luiz Flávio de Oliveira marcou pênalti.

Luiz é ótimo árbitro, mas o ano dele está ruim (lembremo-nos que o lance polêmico entre Jô, Rodrigo Caio e o goleiro Renan foi apitado erroneamente por ele, sendo ajudado pela sinceridade do são-paulino).

Pois é: Luiz Flávio, um dia depois do erro contra o Grêmio, está escalado para apitar a final da Copa do Brasil no Mineirão entre a Raposa e o Mengo.

Nada contra o Luiz, ele é gente boa, bom árbitro, mas… depois de um erro capital, parece premiação!

Lembro-nos também que após o erro de arbitragem de Corinthians x Vasco (o gol de mão de Jô), o Coronel Marcos Marinho, chefe da CEAF, prometeu não punir ninguém. Repetiu a atitude agora.

Prêmio para quem erra? Eu gosto da meritocracia para quem acerta.

Aliás, como não teremos árbitro de vídeo, escalou-se um SEPTETO de Arbitragem para quarta-feira: um árbitro, dois bandeiras, dois árbitros adicionais na linha de fundo, quarto-árbitro e quinto-árbitro!

Tá bom o trabalho da CBF, não?

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