– O que influencia um árbitro de futebol na sua tomada de decisão?

Repost de Abril / 2012, mas muito atual…

Vejam só: estupendo trabalho de pesquisa, publicado pelo ótimo site da Universidade do Futebol (citação abaixo), mostra: numa partida de futebol, o árbitro é influenciado por:

1) Presença de barulho da multidão condicionando a marcação de infrações (um árbitro inexperiente deixa de marcar faltas do time da casa, mas continua marcando as do time visitante).

2) desvantagem do time anfitrião no marcador (a intimidação à agressão levaria um árbitro a ser mais caseiro),

3) tempo de acréscimo (menor ou maior conforme o controle do árbitro na partida) e

4) pagamentos sociais, que têm relação direta com a atuação (o reconhecimento à sua atuação, valorização da carreira e do nome).

Além disso, há outras explicações sobre motivação e desmotivação da carreira.

Abaixo, extraído da Universidade do Futebol, em: http://is.gd/ZMc7Y1

Importante: o trabalho não levou em conta Influência de Dirigentes / Clubes / Federações.

E você, o que acha dos dados acima e das explicações que estão abaixo?

FATORES QUE PODEM INTERFERIR NA TOMADA DE DECISÃO DO ÁRBITRO DE FUTEBOL

Por Alberto Inácio da Silva* e Mario Cesar Oliveira**

Os árbitros de futebol são preparados para interpretar as regras do futebol de forma imparcial durante uma partida. Porém, eles podem mostrar um poder discricionário considerável, em particular ao acrescentar tempo extra, marcar penalidades, usar os cartões amarelos ou vermelhos e decidir os tiros livres ou impedimentos. Como consequência, os árbitros têm uma influência muito importante no resultado final de uma partida de futebol.

Vários estudos publicados em revistas científicas demonstraram uma gama de fatores que podem interferir na toma de decisão do árbitro no transcorrer de uma partida. Portanto, o objetivo deste trabalho foi fazer um levantamento destes estudos e apresentar de forma resumida suas conclusões.

Recentemente o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo comentou em várias emissoras de televisão que ele havia observado e tinha gravado em uma fita de vídeo uma partida de futebol sem a presença de torcedores. Nesta partida o árbitro apresentou menos cartões e várias faltas sinalizadas pelos árbitros quando o estádio esta cheio de torcedores lá não foram marcadas. Ou seja, na prática ele observou que o comportamento do árbitro durante uma partida sem torcida era totalmente diferente do seu comportamento quando o estádio estava tomado por uma multidão. Esta observação foi objeto de alguns estudos.

A presença do barulho da multidão tem efeito dramático nas decisões tomadas pelos árbitros. Nevill et al. (2002) forneceram evidência experimental de que os árbitros de futebol são afetados pelo barulho da torcida. Eles mostraram algumas disputas de bola ocorridas em jogos da Primeira Liga Inglesa, gravadas em vídeo, para dois grupos de árbitros qualificados que tiveram que decidir se marcariam ou não uma falta. Um grupo assistiu o videoteipe sem o barulho da torcida, enquanto o outro grupo ouviu o barulho. Aqueles que enfrentavam os desafios com o barulho da multidão de fundo ficavam mais inseguros no momento de tomar a decisão e marcaram significativamente menos faltas (15,5%) contra o time da casa, quando comparado com os que assistiram em silêncio. É notável que as decisões tomadas pelo grupo de árbitros que ouviu o barulho estejam significativamente mais de acordo com as decisões tomadas pelo árbitro original da partida do que as decisões tomadas pelo grupo que assistiu as entradas silenciosamente.

Com respeito a um julgamento tendencioso em potencial na tomada de decisão, o árbitro pode colocar importância igual na informação audível da torcida e na informação visual, levando a desequilíbrio de decisões a favor do time da casa. Pesquisas anteriores sugerem que a experiência pode ajudar a reduzir potencialmente efeitos negativos de estresse no desempenho (Janelle et al., 1999; Williams e Elliott, 1999). Árbitros experientes provavelmente teriam maior controle sobre suas emoções (Hardy et al., 1996) e bases de conhecimento de tarefa específica ampliadas que facilitam a tomada de decisão com habilidade em ambientes com alto nível de estresse (Williams et al., 1999).

De forma interessante, o estudo de Nevill et al. (2002) indicou que o efeito dominante do barulho da torcida era para reduzir significativamente o número de infrações marcadas contra o time da casa, em lugar de aumentar o número de infrações contra o time visitante.

Dado que fazer uma marcação ruim e o barulho da torcida elevarão os níveis de tensão nos árbitros do grupo exposto ao barulho, de modo semelhante ao do árbitro da partida (fontes de tensão percebidas como difíceis de controlar), a estratégia para lidar com isso é provavelmente evitá-la. Como é provável que a torcida deixe claro que eles sentem que a decisão foi ‘errada’, evitar isso poderia ser interpretado como simplesmente não tomar a decisão impopular para penalizar o time da casa ao avaliar os desafios menos claros ou contenciosos. Sempre que um jogador da casa comete uma infração, a reação da torcida é capaz de ativar uma tensão potente de fazer marcação ruim, assim aumentando o nível de incerteza ou indecisão dos árbitros, resultando em nenhuma decisão (evitar) e menos infrações contra o time de casa (Nevill et al., 2002).

Observa-se constantemente na imprensa algumas pessoas palpitando que seria prudente interromper o jogo em determinados lances para que uma equipe decidisse o lance. Desta forma, seria prudente que, se os corpos administrativos, como a Fédération Internationale de Football Association (FIFA), considerarem empregar o replay do vídeo para ajudar os árbitros em campo, fosse empregado mais de um árbitro para ajudar a julgar tais replays contenciosos e, mais importante: os árbitros deveriam julgar em uma cabine à prova de som, evitando a influência da torcida.

Nos estudos apresentados acima, houve um desequilíbrio significativo nas decisões tomadas, por árbitros experientes, com e sem barulho da torcida, demonstrando que árbitros mais experientes são menos afetados pelas vaias da torcida. Os anos de experiência tiveram efeito significativo no número de infrações marcadas pelos árbitros contra os jogadores do time da casa, aumentando com os anos de experiência até um pico aos 16 anos de experiência (aproximadamente) e, depois disso, foi observado um declínio (Nevill et al., 2002). O outro efeito principal da experiência do árbitro foi aumentar significativamente o número de decisões incertas pelos árbitros experientes, ou seja, mais velhos.

Dohmen (2008) afirma que sociólogos e psicólogos sociais reconhecem que as decisões dos indivíduos não só são governadas pelos pagamentos materiais (dinheiro), mas também por pagamentos sociais (reconhecimento) não-materiais que surgem no ambiente social dos tomadores de decisão; por exemplo, na forma de aprovação social ou de sanções sociais. Este tipo de pressão social pode fazer com que os árbitros tomem decisões que acomodem as preferências de um grupo social (torcida) até mesmo se eles não estiverem de acordo com os próprios interesses do tomador de decisões (árbitro). Dohmen (2008) se refere a este ponto de vista como a “hipótese da pressão social”.

Em uma partida de futebol, é de interesse particular do árbitro ser imparcial, enquanto os torcedores querem o sucesso de seu time e, portanto, deveriam ter interesse em trabalhar por um objetivo comum, entretanto contestam as decisões do árbitro que não favorecem seu time e aprovando somente as decisões favoráveis, em uma atitude totalmente parcial e irracional.

Dohmen (2008) desenvolveu estudo que forneceu evidência complementar do comportamento tendencioso do árbitro com base nos dados de 3.519 jogos da Primeira Bundesliga (Campeonato Alemão), que apóia a visão de que o ambiente social pode afetar as decisões do árbitro. A análise empírica que confirma que árbitros profissionais que são designados e pagos pela Associação de Futebol Alemão (DFB) e de quem se espera que sejam imparciais, na realidade sistematicamente favorecem o time da casa. O favoritismo é manifestado no tempo de acréscimo, marcação de gols e cobranças de pênalti. Os dados também forneceram evidências de que características da torcida, tais como a composição da torcida e a distância do campo de futebol que esta se posiciona, prejudicam as decisões dos árbitros, de forma que é consistente com a hipótese de pressão social; quer dizer, que as forças sociais influenciam o comportamento do árbitro.

Dohmen (2008) relata que a extensão do comportamento tendencioso depende da composição da torcida: a parcialidade da casa tende a ser menor quando mais partidários do time visitante assistem à partida. Isto é consistente com a ideia de que a aprovação social e as sanções sociais têm efeito de valor contrário em recompensas sociais líquidas. Os partidários de cada time, que têm o interesse comum, que o time preferido deles alcance sucesso, trabalham para este objetivo aclamando decisões favoráveis do árbitro e expressando descontentamento com as decisões desfavoráveis. Os julgamentos dos árbitros evocam a aprovação social dos torcedores do time favorecido e sanções sociais do time oposto. Espera-se que um árbitro que não é influenciado, quer dizer, que não deriva utilidade intrínseca de uma determinada partida e valoriza pagamentos sociais, pense nos custos e benefícios sociais do acontecimento esportivo.

Outro dado importante desta pesquisa foi perceber que o favoritismo do time da casa é mais forte quando a partida acontece em um estádio sem pista de atletismo ao seu redor, ou seja, quando a torcida fica fisicamente mais próxima do campo e do árbitro – nesse caso há uma intensidade da pressão social indiscutivelmente maior. Essa descoberta empresta suporte para a conjetura que forças sociais influenciam a decisão dos árbitros, seja por causa da pressão social da torcida, diretamente acionando o julgamento parcial da arbitragem, ou por um canal mais oblíquo, no qual, por exemplo, a torcida cria uma atmosfera que encoraja os jogadores no campo para exercer pressão sobre o árbitro. Portanto, times da casa que jogam em estádios com uma pista de atletismo são afetados de forma diferente do que os times que jogam em estádios sem uma pista ao redor do campo (Dohmen, 2008).

O árbitro acrescenta mais tempo na partida se o time da casa está perdendo (Dohmen, 2008). De forma interessante, torcedores têm incentivos muito mais fracos para influenciar o árbitro em partidas decididas na qual o último resultado da partida é improvável que mude durante o tempo de acréscimo. Analisando dados de duas temporadas da Primeira Liga de Futebol Espanhol, Garicano, Palacios-Huerta e Prendergast (2005) perceberam que os árbitros espanhóis favoreciam o time da casa prolongando o tempo da partida em quase 2 minutos quando o time da casa estava perdendo por um gol, quando comparado à situação na qual o time da casa está ganhando por um gol. Eles também investigaram se o tamanho da torcida e a proporção de frequência-capacidade fazia diferença e descobriram que o aumento no desvio padrão na frequência aumenta a parcialidade em cerca de 20%, enquanto uma proporção de frequência-capacidade mais alta reduz a tendência à parcialidade. Eles concluíram que incentivos não monetários, em particular a pressão social da multidão, provocam o tratamento preferencial.

Sutter e Kocher (2004) destacam que, como são os árbitros que decidem a quantidade de tempo extra a favor ou não do time da casa, não há nenhuma razão pela qual os árbitros deveriam acrescentar mais tempo extra quando o time da casa está perdendo por um gol depois dos primeiros 45 min, porque ainda há o segundo tempo a ser jogado. Em vez disso, os árbitros poderiam ficar tentados a acrescentar menos tempo extra se o time da casa estiver perdendo por um gol no primeiro tempo para evitar mais danos (o time visitante poderia marcar mais um gol) e dar ao time da casa a oportunidade de se reorganizar o mais rápido possível durante o intervalo.

Outra informação a ser destacada no estudo de Dohmen (2008) diz respeito à marcação de faltas. Este autor observou diferença estatisticamente significativa, que implica que times da casa tiveram mais gols marcados incorretamente ou discutíveis a seu favor, em relação aos times visitantes. Notavelmente, é menos provável que gols concedidos sejam corretamente marcados quando um time está perdendo, especialmente quando o time da casa está perdendo. É particularmente provável que o time da casa receba a marcação de gol com base em uma decisão errada ou discutível se estiver perdendo por um ou dois gols.

Os árbitros também parecem favorecer os times da casa em decisões de cobrança de pênalti. Os dados brutos revelam que uma fração menor de pênaltis para o time da casa é corretamente marcada (65,20% vs 72,57%). Diferenças observadas nas frequências de decisões injustas, corretas e discutíveis foram estatisticamente significativas. Novamente, a fração de decisões erradas ou discutíveis a favor do time da casa é maior quando o time da casa está perdendo. Porém, deve ser notado que os árbitros também tomam mais decisões discutíveis a favor do time visitante, quando o time visitante está perdendo por apenas um gol. Foi constatado que o time da casa recebe significativamente mais gols ilegítimos do que o time visitante. Também foi observado que é mais provável que os times visitantes tenham negados um gol ou uma cobrança de pênalti legítimos ou discutíveis, pois o time visitante teve um pênalti legítimo injustamente negado em 35,75% dos casos; mas com o time da casa isso só aconteceu em 29,59% dos casos. No caso de decisões a respeito de pênaltis discutíveis, a evidência do favoritismo do time da casa é ainda mais pronunciada: os times da casa têm 28,67% dos pênaltis discutíveis marcados, mas os times visitantes têm apenas 20,27%. Portanto, os dados indicaram que é significativamente mais provável que os times da casa recebam uma cobrança de pênalti quando esta deveria objetivamente ser marcada e quando uma marcação de pênalti é discutível. As estimativas também mostram que os árbitros tendem a marcar menos cobranças de pênalti discutíveis e injustificadas quando a torcida está separada do campo por uma pista de atletismo.

Outra diferença ocorre quando a análise envolve situações ambiguas, em que até mesmo a subsequente análise do vídeo não pôde determinar claramente se esta situação deve ser punida com penâlti. Nestas situações ambíguas, a equipe da casa teve frequentemente mais pênaltis marcados do que a equipe adversária (Dohmen, 2008). Esta é uma prova de que o árbitro, em situações ambíguas, não decide casualmente, mas contraditoriamente. No caso da vantagem da equipe da casa, poderiam os gritos da plateia ter estimulado o árbitro a realizar esta sinalização. Askins (1978) sustentou que durante o curso de qualquer competição há muitos incidentes que parecem ambíguos, até mesmo para os árbitros mais veteranos. Quando isto acontece, os árbitros fazem o que todos os humanos fazem, basicamente, em tal situação: eles buscam esclarecer a situação por qualquer meio disponível. A reação da torcida às vezes pode fornecer a dica que incita a decisão.

Dohmen (2008) afirma ter ficado evidenciado que os árbitros mais experientes tendem a ser menos parciais, o que sugere que os indivíduos podem aprender a resistir à pressão social.

Na ampla literatura sobre a vantagem do time da casa em esportes nos quais ocorre o enfretamento entre duas equipes, a pressão social exercida pela torcida mostrou ser de grande importância (Courneya e Carron, 1992; Nevill e Holder, 1999). Há dois canais principais pelos quais o fator torcida se torna efetivo. Primeiro, as torcidas podem estimular o time da casa a se desempenhar melhor. Embora a literatura não seja conclusiva nesse aspecto, um recente estudo realizado por Neave e Wolfson (2003) pôde unir a composição da torcida à reação fisiológica dos jogadores. Mais especificamente, eles mostram que os jogadores têm um nível de testosterona significativamente mais alto nos jogos realizados em casa do que quando jogam fora de casa, o que poderia ser causado por um desejo natural de defender seu próprio território. Em segundo lugar, o barulho criado pela torcida pode influenciar o árbitro para, subconscientemente, favorecer o time da casa. As torcidas liberam sua raiva em grande parte e bastante depressa nos árbitros por causa de decisões que não favorecem seu time (Sutter e Kocher, 2004).

Exames estatísticos de registros de jogo indicam que os times da casa ganham mais frequentemente que os times de fora; os times da casa recebem mais penalidades favoráveis e recebem menos cartões (Nevill et al., 1996). Por exemplo, em um estudo sobre o número de penalidades marcadas a favor dos times da casa nas ligas inglesas e escocesas, os resultados mostraram evidências claras de que os times da casa com grandes torcidas recebem mais penalidades a seu favor, enquanto os times de fora recebem mais penalidades contra, com mais jogadores sendo expulsos (Nevill et al., 1996).

Folkesson et al. (2002) mostraram que a concentração e o desempenho dos árbitros, particularmente dos mais jovens, foram influenciados pelas ameaças e agressões dos jogadores, dos treinadores e do público. Reforçando esta afirmação, McMahon e Ste-Marie (2002) mostraram que as decisões dos árbitros de rúgbi eram tomadas em função da experiência – e não tanto pela descoberta de infrações decorrentes de fatores que não estavam presentes na jogada, ou seja, de informações extracampo.

Coulomb-Cabagno et al. (2005) publicaram um estudo que teve como objetivo examinar a agressão exibida pelos jogadores e analisar as decisões dos árbitros sobre estes comportamentos como uma função do gênero dos jogadores no futebol francês. Foi percebido que os jogadores do sexo masculino praticaram atos agressivos mais violentos que os jogadores do sexo feminino. Não obstante, em relação ao número total de punições aos atos agressivos cometidos, os árbitros penalizaram mais as mulheres do que os homens. Estereótipos de gênero poderiam ser uma explicação pertinente para estes resultados, uma vez que o futebol geralmente é percebido como um esporte do tipo masculino, particularmente na França, e a agressão como uma característica tipicamente masculina, afirmam os autores.

No contexto desportivo, há também uma evidência crescente de que os homens são mais agressivos ou percebem a agressão como sendo mais legítima do que as mulheres o fazem (Conroy et al., 2001; Tucker e Parks, 2001). Este fato poderia justificar o porque das mulheres serem mais penalizadas por infrações às regras em faltas similares cometidas pelos homens durante uma partida de futebol.

Apesar da falta de consenso na definição do que é agressão no esporte, uma que é frequentemente aceita é o comportamento que transgride as regras da atividade considerada com a intenção de prejudicar ou ferir alguém (Tenenbaum et al., 1996). Os árbitros estão diretamente preocupados com a agressão porque eles são responsáveis por fazer com que as regras sejam cumpridas adequadamente, pois o risco de um jogador sofrer ferimento é cerca de 1.000 vezes maior do que o encontrado na maioria de outras profissões (Fuller et al., 2004).

Investigações de atos de agressão do espectador e observações de torcedores demonstram uma relação entre a agressão do torcedor e as atividades dos jogadores no campo. Smith (1983) sugerem que quando o desempenho dos jogadores no campo for percebido como violento, os espectadores e os partidários do esporte tendem a agir ambos violentamente durante e após a partida.

As regras do jogo instruem os árbitros em como eles deveriam responder quando jogadores, substitutos, substituídos ou oficiais de equipe se utilizam de um linguajar abusivo e/ou gestos no sentido de contrariar a sua decisão. Um estudo, que teve como objetivo verificar a relação da aplicação dos cartões amarelo e vermelho, frente a uma agressão verbal, levando em consideração o disposto no item que trata de faltas e incorreção do caderno de regras da FIFA, mostrou que somente 55,7% dos árbitros teriam tomado uma atitude correta relacionada à ofensa verbal ocorrida no transcurso de uma partida (Praschinger et al., 2011), apesar da literatura mostrar que o abuso verbal dos jogadores nos árbitros é percebido como uma das situações mais embaraçosas em um jogo (Kaissidis e Anshel, 1993). Em outras palavras, a regra 12 não estaria sendo cumprida em sua plenitude.

O estudo desenvolvido por Praschinger et al. (2011) demonstrou que os árbitros são inconsistentes em suas aplicações das regras em relação a ofensas verbais, vindas de dentro ou de fora do campo de jogo. A mesma palavra sendo dita para dois árbitros diferentes pode desencadear reações diferentes, embora as regras do jogo sejam idênticas em relação à situação de agressão verbal.

Entretanto, de um lado temos as regras do jogo, as quais os árbitros devem seguir, do outro lado, nós temos uma situação altamente complexa e dinâmica: uma partida de futebol. Os árbitros parecem resolver este dilema aplicando a “administração do jogo” (Praschinger et al., 2011). Eles balanceiam suas decisões através da sua sensibilidade a várias influências, por exemplo: tempo de jogo, nível de agressividade dos jogadores dentro da partida, tamanho da torcida presente no estádio, se a partida está sendo televisionada, se há policiamento no campo de jogo, os antecedentes do jogador etc. A administração do jogo parece ser um pré-requisito necessário para a aplicação das regras do jogo, apesar de, em algumas situações, contrariar o que esta escrito nas regras, sendo aplicada de maneira diferente em situações específicas durante uma partida.

Folkesson et al. (2002) examinaram as circunstâncias pertinentes a ameaças e agressão (físicas ou verbais) durante as partidas de futebol que foram vivenciadas por 107 árbitros da Associação de Futebol da Província de Värmland (região ocidental da Suécia). Foram identificadas três fontes de agressão: (1) jogadores de futebol, (2) técnicos/treinadores e (3) espectadores. A incidência de ameaças e agressão teve efeito na concentração, no desempenho e na motivação, inclusive nas preocupações antes da partida. Além disso, descobriu-se que os resultados foram afetados pela idade, pelo grau de experiência e pela orientação de vida dos árbitros. Percebeu-se que os árbitros mais jovens eram os mais sujeitos a ameaças e agressão. Com relação à motivação para arbitrar uma partida, este estudo concluiu que os árbitros com orientação geralmente pessimista experimentaram menos motivação, desempenho pior e maiores problemas para enfrentarem o comportamento agressivo dos torcedores, quando comparados com árbitros com orientação geralmente otimista.

Rainey (1994, 1995) examinou fontes de tensão entre 782 árbitros qualificados (certificados) de beisebol e de softboll. Foram revelados quatro fatores correlacionados: medo de fracasso, medo de dano físico, pressão do tempo e conflito interpessoal. O estudo sugeriu que esses fatores podem ser fontes comuns de tensão entre os árbitros e que há necessidade de se pesquisar as fontes de tensão em árbitros de outros jogos esportivos.

Andersson (1983) examinou os motivos que levam os árbitros de futebol a continuarem arbitrando partidas de futebol apesar de ser um trabalho aparentemente ingrato. Este estudo incluiu 36 árbitros de futebol da Associação da região de Göteborg, Suécia, para os quais foi pedido que respondessem perguntas organizadas na forma de um questionário. Os resultados indicaram que dois terços dos árbitros tiveram intenção de desistir do seu trabalho como árbitro. A razão mais comum para isto era que arbitrar ocupava muito de seu tempo e que eles tinham se cansado de toda a crítica que eles tiveram que aceitar no papel de árbitro. Geralmente, eles também percebiam as exigências feitas a eles como sendo irracionais. Vinte por cento dos respondentes (7 entre 36) tinham ficado tão chateados por causa das críticas que consideraram a possibilidade de renunciar ao trabalho. Vários árbitros (aproximadamente 30%) queriam que os jogadores e os treinadores recebessem uma formação melhor e ensinamentos a respeito das regras e regulamentos do jogo. A razão principal pela qual os árbitros continuaram arbitrando, apesar de tudo, foi o amor que tinham pelo jogo.

Em um estudo que examinou as razões dos árbitros de futebol e seus motivos para atuar como árbitro (Isberg, 1978); 80 árbitros de associação e de distrito participaram do estudo. Os resultados mostraram que a razão mais importante para se tornar um árbitro de futebol era manter o contato com o esporte depois de uma carreira ativa como um jogador de futebol. Um forte interesse pelo jogo também foi um fator crítico. O desejo contínuo de se tornar um árbitro melhor era um dos motivos para eles continuarem atuando como árbitros de futebol. Foram listadas oportunidades de contato humano e chances de melhoria na função de árbitro entre as experiências positivas deles. Entre as experiências negativas deles figurou o nível elevado de crítica gerada pela mídia e pelos técnicos.

Os resultados do estudo de Friman et al. (2004) descrevem as percepções de ameaças e agressões vivenciadas pelos árbitros. Apesar disto, e de certa forma surpreendentemente, muitos deles declararam que é divertido ser árbitro de futebol. Por exemplo, em comunidades pequenas o valor do sucesso é muito importante. Da mesma forma, uma decisão que não favorece o time da casa foi relacionada a reações emocionais fortes (irritação e agressão) entre o público que assiste ao jogo. Uma possível explicação para as ameaças e as agressões que os espectadores dirigiram ao árbitro pode ser por falta de conhecimento sobre as regras do jogo. Por exemplo, vários participantes validam a raiva que os jogadores, os técnicos e a torcida expressaram em situações quando eles não estavam completamente certos das regras ou da mais recente interpretação das regras (Friman et al., 2004). Segundo Mack (1980), pode-se garantir que menos de um porcento da população brasileira leu uma regra de futebol – e isto, sem dúvida nenhuma, dificulta a atuação do árbitro durante uma partida, tendo em vista os fatos mencionados anteriormente.

A atenção é um aspecto importante do comportamento do árbitro. Quando o árbitro não corre no campo como se espera que faça, os jogadores ficam obviamente aborrecidos. Se o árbitro frequentemente perder situações importantes, os jogadores eventualmente perderão a confiança no árbitro e começarão a agir agressivamente e ameaçadoramente.

Friman et al. (2004) afirmam que há esperança de que um treinamento mais extensivo de jogadores e técnicos sobre as regras e os regulamentos do jogo reduziriam as experiências negativas causadas por ameaças e agressões. Além disso, os resultados realçam a importância de se espaçar as partidas. Muitos jogos por semana parecem afetar a atenção dos árbitros.

Todos estes resultados apóiam a evidência de que atitudes tendenciosas podem estar presentes no processo de tomada de decisão dos árbitros. Este fato também é confirmado por outros estudos que incluíram variáveis como a cor dos uniformes, a reputação dos times ou as decisões anteriores dos árbitros. Assim, Frank e Gilovich (1988) indicaram que os árbitros de futebol e hóquei no gelo percebiam os jogadores com uniformes pretos como sendo mais agressivos. Por conseguinte, eles também tenderam a penalizar mais esses jogadores, talvez porque a cor preta seja associada com agressividade. Jones et al. (2002) estudaram o impacto da reputação agressiva de um time nas decisões tomadas por árbitros de futebol. Cinquenta incidentes, divididos entre cinco categorias – faltas manifestas cometidas pelo time; faltas ambíguas cometidas pelo time; faltas manifestas cometidas contra o time; faltas ambíguas cometidas contra o time. e nenhuma falta cometida –, foram mostrados a 38 árbitros, primeiro com informação explícita sobre reputação agressiva do time, depois sem qualquer informação a respeito da reputação do time. O último grupo apenas teve que julgar cada incidente em seu próprio mérito. Os resultados revelaram que a informação sobre a reputação agressiva do time afetou o número de cartões amarelos e vermelhos (a severidade da sanção), mas não o número total de decisões marcadas. O time com reputação agressiva foi penalizado mais severamente do que o outro time. Finalmente, Plessner e Betsch (2001) informaram que as decisões também podem ser influenciadas por decisões anteriores; era menos provável que os árbitros marcassem uma penalidade para um time se eles tivessem marcado uma penalidade para o mesmo time antes, e era mais provável que marcassem uma penalidade para um time se eles tivessem marcado para o outro time antes. Ou seja, uma vez que o árbitro concedeu um pênalti a uma equipe, ele supostamente muda seu critério de conceder pênalti ao mesmo time para um nível mais alto em situações subsequentes.

Na ótica de Buther (2000), o estado emocional influencia o comportamento de técnicos, atletas, torcedores, árbitro e assistentes durante o desenvolvimento de um jogo. Ninguém tem a noção exata da natureza, extensão e profundidade dos impactos dos fenômenos sociológicos e psicológicos sobre o comportamento dos indivíduos dentro dos estádios de futebol.

Os árbitros mais jovens estão mais expostos e são mais vulneráveis à ameaça e à agressão. Uma possível explicação para esta situação pode ser que os árbitros mais jovens tenham frequentemente menos experiência em arbitragem de partidas de futebol (Folkesson et al., 2002).

Poderia se especular que um tipo diferente de experiência seja relevante, alguma maneira de “experiência de vida” que permite que o árbitro mais velho apresente maior eficácia para desarmar as tendências à ameaça e à agressão em uma fase inicial. Outra explicação pode ser que os jogadores de futebol, os técnicos e o público podem perceber um árbitro mais velho como sendo mais merecedor de respeito que um árbitro mais jovem, i.e., sugerindo a existência de algum mecanismo “patriarcal” (Folkesson et al., 2002).

Por outro lado, o fator idade não parece influenciar a motivação e o desempenho dos árbitros. Ambos os árbitros com orientação pessimista e orientação otimista se sentiram expostos à ameaça e à agressão a um grau equivalente, mas os árbitros pessimistas sofreram mais com os efeitos. Os árbitros com orientação pessimista tiveram maiores problemas de motivação – e o seu desempenho tendeu a se deteriorar quando comparado com árbitro com orientação otimista. Além disso, os árbitros pessimistas tiveram maiores problemas para lidar com o comportamento agressivo dos espectadores. Parece ser o caso de que uma perspectiva de vida otimista pode afetar em grande parte a forma como a pessoa lida com as tensões e as exigências dos jogos esportivos fisicamente e psicologicamente (Folkesson et al., 2002).

Na Suíça existem duas comunidades, divididas em língua francesa e língua alemã (Messner e Schmid (2007). Estes autores desenvolveram um estudo com o intuito de verificar se uma equipe possui alguma vantagem quando se trata da mesma cultura do árbitro. Foram analisados 1.033 jogos do campeonato da primeira divisão de futebol suíço (masculino). Verificou-se que uma equipe tem vantagem quando se trata da mesma cultura do árbitro. O benefício foi evidente no número de vitórias, a quantidade de pontos ganhos, o número de cartões amarelos e o número de expulsões.

Outra característica especial do árbitro é o poder discricionário entre diferentes punições. No uso da advertência verbal ou do cartão amarelo ou do cartão vermelho é necessário o critério do árbitro. Contudo, espera-se que a equipe defensiva seja com mais frequência punida. Uma equipe visitante tem jogo defensivo mais do que uma equipe da casa. Por isso, espera-se que uma equipe visitante seja penalizada com mais frequência do que a equipe da casa (Courneya & Carron, 1992; Pollard, 2006). E, portanto, recebe a equipe da casa menor número de cartões amarelos e menos expulsões do que a equipe visitante (Sutter & Kocher, 2004).

A vantagem de uma equipe numa partida pela proximidadade cultural não é bem clara. Neste ponto a pesquisa difere de um estudo no futebol australiano. Mohr e Larsen (1998) encontraram maior número de jogos do campeonato australiano nos quais os tiros livres diretos eram favoraveis às equipes de regiões tradicionais do futebol australiano do que em comparação com as equipes das regiões em que o esporte foi introduzido mais tarde. Eles explicam este efeito pela condição social do árbitro, pois os árbitros provêm, na maioria das vezes, de áreas tradicionais.

Outros fatores podem influenciar na atenção concentrada, conforme análises resultantes dos estudos de Maughan e Leiper (2006), os quais relatam que houve interferência na performance em testes de função cognitiva quando o nível de desidratação alcançou 2% do peso corporal inicial. A desidratação dos árbitros durante a partida foi estudada no Brasil. No primeiro estudo constatou-se que a perda total de água corporal pelo árbitro durante a partida era equivalente a 2,05% do seu peso corporal (Da Silva e Fernández, 2003). Já, em outro estudo, foi constatado que a perda hídrica estimada do árbitro foi de 2,16% do peso corporal (Roman et al., 2004). Entretanto, estes dois estudos foram desenvolvidos na região sul do Brasil, mais especificamente no Paraná. Na literatura consta que a perda hídrica média do árbitro de futebol atuando no Estado de São Paulo é, de 3,20% do peso corporal (Da Silva et al., 2010).

As regras do jogo constituem a base de cada esporte. Os jogadores poderiam conhecê-las e os árbitros deveriam apenas supervisioná-las durante o jogo, pronunciar julgamentos com o intuito de apenas sancionar as ações permissivas. Contudo, uma vez que o árbitro sofre influência intra e extracampo, o que inclui jogadores, treinadores e torcida, ele deve apresentar um nível de tolerância para a condução de uma partida. A tarefa dos árbitros é de difícil execução, pelo fato de que cada decisão tomada não pode ser explicitada por escrito. Os árbitros devem controlar a partida, a qual inclui interações sociais e psicológicas (fatores como dinâmica de grupo e liderança) (Praschinger et al., 2011). Possivelmente, porque um jogo de futebol requer administração do jogo ao invés de uma simples aplicação das regras pelo árbitro.

Apesar da regra 5 estabelecer que o árbitro fará cumprir a regra do jogo durante uma partida de futebol, Mascarenhas et al. (2002) discutem que os árbitros aplicam certo tipo de administração do jogo. Isto significa que os árbitros em geral estão dispostos a aplicar as regras de jogo, mas durante uma partida eles têm de ser sensíveis para com a fluência do jogo. Isto os leva a situações nas quais não aplicam as regras de acordo com o propósito que estas indicam. Segundo Praschinger et al. (2011), os árbitros se consideram como os administradores do jogo, ao invés de se considerarem como administradores das regras do jogo.

Como foi possível observar nesta revisão, são inúmeros os fatores que podem interferir no momento da formulação da decisão de um árbitro de futebol no instante que ele tem que interferir na partida. Estas informações são importantíssimas para os profissionais que trabalham com psicologia do esporte, pois há necessidade de se desenvolver metodologias de trabalho para minimizar a influência destes fatores, para que as decisões dos árbitros sejam cada vez mais imparciais e, desta forma, se reduzindo a responsabilidade do árbitro no resultado da partida.

Durante este estudo, não foram abordados tema com corrupção, suborno, que envolve constantemente dirigentes de clubes e federações, membros de Comissão de Arbitragem, e árbitros de futebol. Estes temas são encontrados freqüência em jornais, revistas e telejornais. Como inúmeras vezes denunciado, a decisão de um árbitro de futebol pode também sofrer influencia de suborno, recomendações, e interesse de subir na carreira, já que os critérios para que um árbitro de futebol saia do nível regional para o nível internacional são obscuros, sendo constantemente denunciado que para este avanço na carreira alguns árbitros, conduzem uma partida de futebol de acordo com interesses pessoais ou de terceiros. Para uma melhor compreensão sobre o tema corrupção, suborno no meio futebolístico, recomendasse a leitura dos artigos intitulados “Árbitro de futebol e legislação esportiva aplicável” e “Ética no futebol: será possível?”.

*Professor do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, Paraná
**Prof. Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação, Centro de Estudos em Medicina da Atividade Física e do Esporte – CEMAFE

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Árbitros de futebol não têm vínculo empregatício | Espaço Vital

– Chegou a hora de rediscutir o futebol? Façamos o mesmo com a Profissionalização dos Árbitros.

Jogadores de futebol da Europa, dos grandes clubes, estão rediscutindo contratos e salários. Ligas repensando formatos. Tudo pela nova realidade que o esporte deve viver em tempos Pós-Covid.

Pense: aqui no Brasil, onde tudo está parado também, os árbitros estão sem apitar e sem receber. E aí há duas correntes:

  1. Aqueles que defendem ajuda da CBF, já que se não tem jogo, não tem renda (crendo que os árbitros vivem com o “salário” irregular que lhes é pago no futebol.
  2. Aqueles que não entendem como necessária tal ação, já que a maioria dos juízes tem outros empregos.

Diante disso, leio nas Redes Sociais, onde debati com alguns amigos, que a ANAF conseguiu um adiantamento para os árbitros. Isso é bom?

Em termos… Adiantamento não é reforço financeiro, é empréstimo, diferente do “Coronavaucher” instituído pelo Governo. Mas pensemos:

  • Será que todos os árbitros serão contemplados? Precisariam? Como criterizar?
  • A medida é correta? Não é apenas uma ação demagógica da CBF (por não ser uma ajuda sem volta, mas um adiantamento?).

Vale discutir o cerne: não há como deixar de defender a PROFISSIONALIZAÇÃO REAL da arbitragem de futebol brasileira. O esporte é caro, e a coisa precisa ser levada à sério. A milionária CBF (vejam os balanços) deveria bancar um grupo de elite para os jogos da Série A do Brasileirão, registrando-os em carteira / contrato com tempo mínimo de temporaradas, FGTS, INSS, Plano de Saúde e benefícios. Foi bem, renova. Foi mal, encerra o contrato.

Dinheiro? Não falta. Veja o balanço da entidade e o que ela gasta com mensalinho aos presidentes de federações estaduais como ajuda de custo.

Para as demais divisões, vale o esquema tradicional – afinal, a cereja do bolo é a série A. E que nenhum árbitro profissional “de ponta” desça de divisão, já que dever-se-ia ter um grupo fechado para tocar de cabo-a-rabo as séries B e C. 

Um atacante do Flamengo que ganha mais de R$ 1 milhão por mês vai dividir a bola com um zagueiro do Palmeiras que ganha R$ 800 mil, e quem decidirá se foi ou não pênalti, não é um profissional de verdade (pois trabalha durante a semana e apita às 4as e domingos)! Chega a ser hilário.

Aí você terá quem diga que na verdade, todos eles da Série A vivem de arbitragem. Mas que risco! Não sabem quando vão estar escalados e treinam com suas próprias disponibilidades.

Também existirá a questão de “compensar ou não sair do seu emprego” para ser árbitro profissional.  Por isso a proposta deve ser atrativa – pois você terá um funcionário à sua disposição. Ou com os jogadores profissionais não é assim?

Nós temos muitos, muitos árbitros de futebol no Brasil. As escolas de árbitros, com suas diversas turmas anuais e salas lotadas, são minas de ouro com grandes receitas financeiras e despesas diminutas. Não há onde colocar tanta gente para apitar e dar ritmo de jogo. Esse é outro problema: garimpar talentos!

Enfim, um detalhe importante: Leonardo Gaciba até agora não conseguiu oxigenar a pasta que lhe é confiada (e talvez nem possa fazer isso). Quantos senhores estão há muitas DÉCADAS na CBF (ora na Comissão de Árbitros, ora como instrutor, ora em algum cargo específico criado) e, concomitantemente, trabalhando como “benemérito dos árbitros”? E desde o tempo de Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero… sempre se garantido!

Nunca teremos uma visão liberta e independente da arbitragem do Brasil desse jeito e com esses intermináveis senhores. E insisto: não veremos gente defendendo esse modelo de profissionalização (como é na Inglaterra) DE VERDADE (pois alguns o farão da boca para fora).

Até quando? Essa é a pergunta.

Resultados da Busca - Gazeta Press

– O futebol está me desencantando. Assistir pra quê?

(Texto de 2019, republicado hoje por falta de temas referentes ao Futebol, a fim de lembrarmos que ele é importante – mas nem tanto). Abaixo, deste mesmo blog:

Nasci no meio do futebol. Respiro futebol. Amo futebol. Mas… que futebol?

Preciso confessar algumas coisas importantes, e uma delas (talvez a principal) é a de que cada vez mais aceito a ideia de que o futebol, tão querido esporte, é uma bobagem sem fim. É uma idiotice apaixonante, viciante e intrigante.

Digo isso pois sempre comunguei com a ideia do italiano Arrigo Sacchi, na qual “das coisas menos importantes que existe, o futebol é a mais importante delas”. Concordo. Ou melhor: em partes!

O futebol gera emprego, reservas financeiras, traz saúde e outras tantas situações. É ciência também (no ano 2000, em minha dissertação de mestrado, cunhei o termo “futebolologia” para falar dos novos caminhos dele). E apesar de tudo isso, lamento que a ignorância esteja tomando conta desse outrora sadio ambiente.

Estudar futebol para alguns? Bobagem, não combina (dizem). Quem fala bonito não entende nada, segundo os críticos. Mas no outro extremo, a academia está estudando tudo, até mais do que poderia ou deveria. É um tal de futebolês racionalístico rocambolesco que ninguém aguenta.

Torcer? Como? Saio na rua e vejo crianças e jovens com camisas do mundo inteiro, menos as dos times brasileiros. Quando pequeno, a gente ficava maluco pelo novo uniforme que seria lançado de cada clube brasileiro. Mas a intolerância fez com que tenhamos mais torcedores do PSG, do Barça, da Juve ou do Real do que de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. É só pesquisar: você tinha o time pequeno da sua cidade e o outro grande. Hoje você tem em 1º lugar (para muitos adolescentes) o time do Exterior e o seu time brasileiro como opção. Tenha certeza: os estrangeiros globais terão a maior torcida entre os clubes natos brasileiros. Pudera, na década de 80 e 90, eu sabia as escalações de todos os grandes. Hoje, um time começa janeiro com determinado elenco e acaba dezembro com outro totalmente diferente.

E a Seleção?

Ora, é um grupo de jogadores de uma entidade privada, todos endinheirados e que se esforçam conforme seus interesses. Não tenho apreço algum pela CBF, uma empresa de entretenimento historicamente acusada de corrupção. Aliás, os clubes de futebol são privados; treinadores, diretores e outros envolvidos têm seus interesses. E há coitados que pensam que o atleta “joga por amor à camisa”. Que ingenuidade! Tem ainda aquele molecão de 18 anos, vagabundo, que não estuda e nem trabalha, fuma maconha o dia inteiro e vai no estádio “porque o time é a sua vida” – e lá briga com os outros por qualquer coisa, se já não o fizer na rua. Que sem noção! E ainda quer encher o saco dos outros nas redes sociais se achando mais sabido e entendido do que adultos trabalhadores do meio, que só de vivência no futebol têm mais idade do que o imbecil de vida. Aliás, como discutir com garoto que não tem memória futebolística?

Sem contar as polêmicas atuais: VAR e sua demagogia por partes das Federações, árbitros que confundem autoridade com arrogância, campeonatos deficitários e cartolas eternos. Lembrando, e o Sindicato dos Árbitros de SP, que coisa, hein? Um reflexo perfeito das outras entidades: ninguém quer largar o osso do poder e as eleições por lá não acontecem.

Pra quê brigar pelo futebol daqui e por esses caras? Há família para se curtir, outros lazeres mais baratos, seguros e atrativos para se divertir. Opções é o que não faltam!

Repito: escrevo esse texto sendo apaixonado por futebol. Mas sem fanatismo, com lucidez e enojado pelo atual momento desgastado, manchado e de radicalismos.

Me pergunte se eu prefiro trocar a diversão com minhas crianças assistindo a Peppa Pig, colhendo flores no jardim ou brincando de pega-pega, do que assistir a alguns dos jogos do final de semana?

Se calhar de assistir, o faço. Se tiver interessante, permaneço no canal (até o acesso pela mídia está mais difícil). Mas ser a 1ª das opções, esqueça!

Registre-se: o futebol brasileiro está refém da ignorância, da sede de poder, da ganância e da auto-suficiência. Enquanto isso tudo for aceito passivamente, só perderemos dinheiro, importância e… torcedores (que são consumidores).

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– Tentar por as mãos na bola é falta?

Essa dúvida eu recebi pela Internet e acho pertinente para discussão. Abaixo:

Boa tarde Rafael. Gostaria primeiramente de parabenizá-lo por seu trabalho. Poderia me tirar uma pequena dúvida?

Ontem fui juiz numa pelada de amigos e aconteceu um lance inusitado, a bola veio alta e antes dela chegar nas duas pessoas que a disputariam um dos jogadores levantou as mãos como se fosse pegá-la (o que seria falta) mas no último momento tirou as mãos sem tocar com elas na bola, com isso esse levou vantagem, enganando o adversário.

Eu marquei falta, porém o “infrator” alegou que isso não era falta pois já viu Robinho fazer isso em jogo do Santos e Romero fazer no jogo do Corinthians.

Isso realmente é um lance válido? Caso seja correto marcar a falta em qual artigo esse lance estaria inserido?

Grande abraço e desde já agradeço!

Att, Renato Coelho

Olá amigo, por incrível que pareça, realmente não é falta. A única infração em que não vale usar do entendimento de “praticar ou tentar praticar” é o uso das mãos na bola. Tem que ser PRATICAR, consumir a infração, tocar de fato a bola.

O problema é que esse expediente, embora pudesse ser classificado como atitude antidesportiva (mas não é pela Regra), tem a justificativa de que “um drible, também é uma forma de enganar o adversário”. Além disso, o jogador só poderia parar de tentar a disputa de bola quando ouvisse o apito do árbitro.

Pense como um lance de impedimento: o jogador que pegaria a bola estava impedido; o zagueiro crê piamente que o árbitro vai marcar e desiste de disputar; mas aí vem outro de trás e a domina (Há 20 anos isso era impedimento pelo 1o atleta, hoje não é mais). Esse zagueiro que desistiu do lance só poderia fazê-lo após o apito do árbitro (e repare: muitos param quando vêem a bandeira erguida, outro erro, pois só se pode paralisar com o apito).

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– Cansou o Grenal, não?

De novo um jogo envolvendo Grêmio x Internacional (Grenal) com muita violência? Que coisa…

Deixou de ser um jogo de futebol, passou a ser um combinado nervoso de pessoa que se odeiam, onde a bola é apenas uma desculpa para brigar.

O árbitro argentino Fernando Rapallini expulsou 8 atletas (todos corretamente). Mas poderia ter mandado muito mais…

Mais um exemplo de fanatismo que maltratada a sociedade…

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– Sem Alisson, a maldição dos goleiros do Liverpool voltou contra o Atlético de Madrid?

Adrián mostrou que não aguentou a pressão de substituir Alisson como goleiro do Liverpool. A propósito, valeu o ditado de que “um bom time começa por um bom goleiro”, na partida entre Liverpool 2×3 Atletico de Madri, onde os espanhóis venceram na prorrogação após falha decisiva do arqueiro do time inglês.

Karius havia sido crucificado na temporada 2017 como goleiro, também desclassificando o time da Terra dos Beatles por falhas em jogo decisivo da UCL. Foi emprestado e chegou Alisson, que virou ídolo e foi campeão do torneio. Na contusão do goleiro brasileiro, Adrián repetiu o protagonismo negativo.

Aliás, o destaque foi Oblak, goleiro dos espanhóis. Fechou o gol!

O ditado acima é real ou não?

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– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Batatais x Paulista, 11ª Rodada da A3

Em Batatais, para o confronto entre o Galo da Japi contra o Fantasma, apitará Diego Augusto Fagundes, árbitro de 28 anos de idade e com 8 anos de carreira, que trabalhou em Jayme Cintra no Paulista 4×0 Atlético de Mogi (Bzinha) e em Paulista 0x0 Rio Claro (Copa SP 2020). Ele busca se firmar nessa divisão e precisa mostrar serviço.

No jogo contra o time de Mogi das Cruzes, não existiu complicação alguma para ele ser testado. Já neste ano, na Copinha, foi mal disciplinarmente e na postura (a toda hora sinalizando “chega” e conversando demais com os atletas, deixando de punir e perdendo a autoridade).

O jogo citado contra o Rio Claro teve a análise publicada em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2020/01/03/analise-da-arbitragem-de-paulista-0x0-rio-claro/

Tomara que ele tenha corrigido seus erros cometidos em Janeiro e tenha uma ótima atuação.

A escala completa:

Árbitro: Diego Augusto Fagundes
Árbitro Assistente 1: Denis Antonio Mistrelo
Árbitro Assistente 2: Danilo Nogueira da Silva
Quarto Árbitro: Renan Carvalho de Faria
Avaliador de Campo: Elton de Andrade Santos

Acompanhe sábado, às 10h, com Rafael Mainini pelo Time Forte do Esporte da Difusora, sob o comando de Adilson Freddo.

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– A ética e o policiamento de quem fala sobre determinados assuntos. Em destaque: o futebol!

Nesses tempos em que tudo é motivo para o mundo bipolar (e politizado de maneira extremista) se manifestar radicalmente, o cuidado no uso das palavras e ações para mostrar sua sensatez é importante.

E, nesse momento, gostaria de abordar um tema bem espinhoso e real: esse cuidado pregado contraditoriamente sendo descuidado pelo mundo do futebol.

Alguns mitos (ou verdades escondidas que não queremos acreditar de tão escabrosas que são):

  • Quantas vezes você já ouviu falar que treinador recebe “por fora” para escalar determinado jogador?
  • Jornalista A ou B plantando notícia por falta dela (e que depois acaba se tornando até mesmo real)?
  • Árbitro na gaveta, caseiro, com ordem de evitar cartões a jogadores X e Y por estarem pendurados?
  • Dirigentes de clubes negociando atletas nos quais eles têm participação no “passe” (que foi extinto, mas acabou se tornando algo legalizado de outra forma – como contratos amarrados)?
  • Cartolas torcendo contra o próprio clube para prejudicar a administração do desafeto que o comanda?
  • Comentarista (de futebol, de arbitragem, ou de qualquer outra coisa na área do esporte) falando bem ou mal de determinada pessoa porque recebe presentes / valores / favores de interessados?
  • Boleiro “tirando o pé do jogo” para derrubar o próprio treinador?

Ufa! Achei vários motes a serem debatidos (e existem muitos outros, tente pensar em alguns). Mas trazendo para a nossa realidade, a mesma concordância ou não de “Esquerda ou Direita fanatizados” passa a nortear muitas das discussões do futebol, na mesma briga virtual que sê vê nas Redes Sociais. Quer exemplos?

  • Fernando Diniz é ousado e tenta resgatar o bom futebol brasileiro / Fernando Diniz não sabe nada e é um Professor Pardal;
  • Neymar é um craque que não deve dar satisfação da sua vida pessoal / Neymar é só mais um driblador e não é exemplo para ninguém.
  • Andrés Sanches é o cara que conseguiu o estádio para o Corinthians, trouxe Ronaldo e Roberto Carlos e fez nascer o time que ganhou o Mundial do Japão / Andrés Sanches afundou as contas do Corinthians e é uma péssima pessoa.
  • Jorge Jesus é o treinador que ajudou a rediscutir o futebol brasileiro / Jorge Jesus só conseguiu sucesso no Flamengo pelo time que tem.
  • Árbitro X é muito bom / Árbitro X é muito fraco.

Algumas dessas discussões podem trazer uma resposta bem objetiva aos defensores ou críticas, mas em outras, não necessitaria “meio-termo”?

A FPF tem péssimos atos a serem condenados. Mas a busca da inserção das mulheres no futebol, de maneira mais efetiva, têm sido positiva (embora, ficará a dúvida de outros casos envolvendo sexismo na história da entidade, envolvendo alguns dos seus atores que se promoveram).

Tenho muito medo quando as pessoas que não são do meio do futebol se confundem com a verdade e a pseudo-notícia. Por exemplo, ao acaso: o jornalista A detona a pessoa X pois já trabalhou para B e X é desafeto dela; e vez ou outra dá umas cutucadas no próprio B para parecer isento. Mass que hipocrisia é essa?

Enfim, precisamos (jornalistas, blogueiros, não-jornalistas): ponderação, ética, cuidados para não e engabelar quem lê, deixar claro o que é notícia ou opinião, separar o clubismo, não deixar as emoções contaminarem as palavras, e, principalmente, NÃO MENTIR!

Há muito tempo, conheci um cara que mentia para caramba! E ameaçava quem falava a verdade com processos judiciais (aliás, a frase batida é: Fulano vai tomar um processo… caia fora dele). Na 1a vez que tentou, tomou uma invertida do juiz… e aí teve que pagar as custas de quem ele “reclamava”. Neste exemplo, fica a dica: Mentirinha ou Mentirona, sempre será Mentira!

Outro exemplo nefasto é agente de futebol disfarçado de diretor de clube, dizendo que abriu mão do seu negócio por amor à camisa… E no primeiro pepino que acontece, diz que a culpa é da imprensa (que descobriu a incompatibilidade de funções).

Esses “nunca conte mentira” e “diga sempre a verdade” do tempo do vovô e da vovó ganharam roupagem nova e e se chamam  “fake news” e “incompatibilidade de funções e discurso para proveito próprio”.

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– Análise da Arbitragem de Paulista 1×0 Primavera

Uma arbitragem criteriosa nesta tarde no Jayme Cintra. Gostei do que vi!

Rodrigo Gomes Paes Domingues esteve muito bem em campo, apitando com segurança e atenção.

Logo aos 5m, após dar vantagem e não marcar uma falta temerária, aplicou corretamente o Cartão Amarelo na 1ª paralisação. Mas errou aos 10m, quando o jogador Victor (PRI) deu uma solada perigosa e nada marcou. Os outros cartões (que foram muitos), tanto no 1º quanto no 2º tempo (incluindo as expulsões de José Augusto e Johnson), foram todos corretos. Também coibiu a cera e lances de simulação (em especial, as de Robinho no final do jogo). Uma arbitragem correta e que merece elogios.

Bom trabalho também do assistente 1 Wellington Bragantim Caetano; idem ao assistente 2 Ricardo Luis Buzzi, que aos 50 minutos acertou ao não marcar impedimento do ataque do Primavera, num lance muitíssimo ajustado.

Ridícula a postura do 4º árbitro Gustavo Holanda de Souza, que estando perto ou estando longe da bola,  ficava sinalizando com os braços algumas “marcações”. Do outro lado do campo, se acontecia uma falta, ele apontava o chão. Pra quê? Na lateral, como um bandeira sem o instrumento, indicava o lado juntamente com o assistente 1 Wellington Bragantim. Até que, aos 15 minutos, o bandeira marcou um lateral a favor de uma equipe, e ao seu lado, com o braço estendido, o 4º árbitro marcava para outro! Imagine as reclamações dos atletas… foi uma cena “pastelão”, atrapalhando o assistente que houvera marcado corretamente. A impressão que deu é que ele é um árbitro sem apito, com muita vontade de entrar em campo. Essa “vontade de ajudar demais” prejudica os bandeiras e o árbitro, além de irritar os jogadores. Certamente, seus colegas de arbitragem o alertaram disso no intervalo, pois voltou menos atuante nesses erros.

Faltas: 24×20

Cartões Amarelos: 4×2

Cartões Vermelhos: 1×1

Renda: R$ 7.670,00

Público Pagante: 632 pessoas

Atualização – IMPORTANTE: o Paulista foi citado na súmula com destaque negativo pela irresponsabilidade de alguém que ficou chutando a porta do vestiário da arbitragem. Aqui: https://professorrafaelporcari.com/2020/03/07/sabe-a-vontade-que-o-arbitro-tem-quando-isso-relatado-abaixo-acontece/

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– E a reunião da IFAB 2020 não trouxe novidade ao Futebol

A reunião anual da International Board, que discutiu mudanças da Regra do Futebol no último dia 29 de Fevereiro em Belfast, na Irlanda, não trouxe novidades.

Algumas das propostas (as principais em: https://wp.me/p4RTuC-oSw) não saíram do papel. Mas o que foi discutido e será retomado:

  • A realização de testes para as mudanças do impedimento, mas sem previsão / prazo para que aconteçam, visando, segundo o IFAB, maior ofensividade (ideia de Arsené Wenger, no link acima).
  • A permissão para uma 4a substituição em casos de concussão de atletas, desde que uma junta médica comprove a lesão e com prazo para ser estudado e implantado até os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

Desta vez, poucas modificações. Será que as excessivas mudanças dos últimos anos fizeram com que nessa oportunidade as alterações foram mais lights?

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– Análise Pré-Jogo para a Arbitragem de Paulista x Primavera, Rodada 10 da A3.

Rodrigo Gomes Paes Domingues, 37 anos, empresário, há 13 temporadas apitando pela FPF, apitará o Galo x Fantasma.

O árbitro apitou União Barbarense 1×1 Paulista pela A2 e Barretos 1×0 Paulista pela A3. Na Copa Paulista, apitou XV de Piracicaba 2×1 Paulista. Mas o destaque maior dele está sendo na série A2 e nas primeiras oportunidades na A1 que teve no ano passado, tendo a carreira bem solidificada pelo bom número de jogos em cada divisão inferior que ele apitou. Uma carreira sem atropelos.

Das partidas que assisti dele, a que mais me impressionou foi num torneio amador: São Paulo 4×0 Rondonópolis (Copa SP Jr), em Mogi das Cruzes, onde ele acertou 3 lances difíceis relatados na análise que fiz no meu blog, mostrando bastante rigor mesmo sendo uma partida, em tese, fácil para apitar.

Espero que ele atue com o mesmo comprometimento em manter a disciplina e a segurança dos atletas durante os 90 minutos, sendo tranquila ou difícil a partida em si.

Desejo às equipes um bom jogo e uma ótima arbitragem.

Acompanhe a transmissão de Paulista vs Primavera pela Rádio Difusora Jundiaiense AM 810, com o comando de Adilson Freddo. Narração de Edson Roberto; comentários de Heitor Freddo e Robinson “Berró” Machado; análise da arbitragem com Rafael Porcari; reportagens de Luiz Antonio “Cobrinha” de Oliveira. Sábado, às 16h00 – mas a jornada esportiva começa a partir das 15h00 para você ter a melhor informação com o Time Forte do Esporte!

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– Os dois erros de arbitragem nos jogos do Palmeiras e do Flamengo na Libertadores. Se tivéssemos o VAR…

Dois lances bem polêmicos e que o VAR fez muita falta na Copa Libertadores da América. Vamos a eles:

Em Tigre x Palmeiras, no final da partida, o atacante Willian invade a área e o goleiro Marinelli o desequilibra, evitando um gol claro. Na regra antiga, é pênalti e Cartão Vermelho. Na regra nova, é pênalti e Cartão Amarelo pois a infração foi disputando a bola. Errou o colombiano Wilmar Roldán (que nunca “consegue errar” a favor de times brasileiros, sempre contra).

Em Jr Barranquilla x Flamengo, Teo Gutierrez deu uma cotovelada em Felipe Luiz e nem recebeu Cartão Vermelho. Simplesmente a agressão foi ignorada pelo árbitro venezuelano Alexis Herrera (o mesmo que também errou no jogo entre Guaraní x Corinthians, na polêmica da falta não marcada em Boselli).

Com tanto dinheiro e inúmeros patrocinadores, neste momento em que o custo do VAR não é exorbitante pelo tamanho da competição, por quê usar o árbitro de vídeo só nas fases finais? É a chamada “economia burra” ou a falta de mão de obra para ser escalada nos jogos?

Sorte dos clubes que o resultado final não foi alterado (vitória de ambos), mas em questão de saldo de gols, pode-se discutir.

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– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Capivariano x Paulista

Nesta 9a rodada da série A3, Capivariano x Paulista será apitado por Alester Clauri da Costa Tambelli.

O árbitro de 30 anos foi formado recentemente, em 2017. Com pouquíssimos jogos profissionais na carreira, me surpreende que, sem uma boa base nas categorias amadoras, já esteja na Terceirona. Faz parte da estratégia da FPF de acelerar a busca por novos nomes…

Enfim: que ele possa fazer um bom trabalho em Santa Bárbara do Oeste no confronto entre as duas centenárias equipes do Interior de SP. No papel, será um jogo difícil para ser arbitrado, devido à situação da tabela de classificação.

 

– Que isso, Felipe Melo? A entrada em Yuri Alberto em Santos x Palmeiras

Caramba, ao ver o lance em que Felipe Melo recebeu Cartão Amarelo, me assustei por 3 coisas:

  • A bobeada do árbitro Flávio Rodrigues de Souza, pois o lance é para Cartão Vermelho INDISCUTIVELMENTE. Nas Regras do Jogo, qualquer entrada com força / virilidade excessiva, ou lance frontal, ou carrinho que atinja o adversário, é para a expulsão.
  • No vídeo em velocidade normal, até quem assiste sente a dor do atleta do Santos FC. Mas pense: e se ele estivesse com o pé rijo, firme, preso no chão: o que aconteceria? Quebrava literalmente o jogador.
  • Por fim: a CARA-DE-PAU  de Felipe Melo, reclamando do Cartão Amarelo sofrido. É claro, que a declaração foi para desviar uma possível unanimidade de que deveria ter sido expulso, colocando em discussão uma suposta dúvida sobre o Amarelo ou não. Faltou inteligência para criar a polêmica…

Se Felipe Melo soubesse jogar apenas com a boa técnica que tem, esse rótulo de violência seria descartado. Mas pense: na 1a entrada um pouco mais forte que ele der, com um árbitro mais rigoroso em campo, teremos Cartão Amarelo ou Vermelho?

Fica a dica… ou melhor: a percepção do que o mundo do futebol reserva. Infelizmente, é assim que funciona: uma desforra no outro jogo para compensar ou não.

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– Análise da Arbitragem de Paulista 0x2 Marília

Uma arbitragem irregular: muito boa até os 30 minutos de jogo, mas que depois caiu de qualidade a partir do momento em que os jogadores passaram a perceber uma certa passividade disciplinar na postura do árbitro. No final da partida, melhorou.

Vamos lá: Cleber Luís Paulino foi correto ao aplicar o Cartão Amarelo para Magno (PFC) por agarrar o adversário logo no começo do jogo. Acertou em nada marcar no ataque também de Magno, aos 16m, quando Hítalo Rogério (MAC) roubou a bola de maneira limpa. Não caiu na simulação de Carlos André (PFC), após perder a bola para Dourado (PFC). Aos 33m, também Cartão Amarelo bem aplicado a Mykaell (MAC).

Entretanto, ainda no 1o tempo, nas duas cobranças de faltas mais próximas à área, o árbitro mostrou um vacilo muito grande. Ao invés de assinalar o local da falta e providenciar a cobrança (ele tem spray para demarcar, isso facilita), deixou os dois times fazerem o “bolinho” e ficou ali escutando. Uma pena, pois a partir desse momento, os atletas começaram a “testar o juizão”. E depois de toda a conversa, outra demora: a de acertar as barreiras.

No segundo tempo, aos 18 minutos, Rafael Compri (PFC) deu uma entrada muito forte em  Carlos André (MAC). Era lance para Vermelho pela força excessiva, mas ficou no Amarelo. Aos 21m, Fabrício (PFC) ergueu o pé e cometeu uma falta para Cartão Amarelo, mas como houve a vantagem, deveria dar logo após a saída de bola; como ela demorou a sair… esqueceu-se!

Uma situação curiosa: numa saída de bola à frente do banco de reservas do Paulista, ambas equipes pediram o lateral ao seu favor. O lance foi prensado, e marcou-se ao Marília. Uma segunda bola quase entrou em campo, atrapalhando a cobrança. O treinador Oliveira deu um bico para longe (evitando que ela entrasse em campo) e o seu sapato voou para o campo de jogo. O árbitro entendeu como reclamação e aplicou Amarelo ao treinador. Sinceramente, eu não o advertiria, pois entendi que ele não estava criticando a decisão da arbitragem, mas a postura da sua equipe (desforrando na bola extra que atrapalharia o jogo).

O bandeira 1 Diego Cruz Freire ajudou na marcação de faltas e teve bastante trabalho em lances ajustados do ataque do Marília no 1º tempo, acertando os impedimentos e os lances legais. Idem no 2o tempo, em lances do Paulista.

O bandeira 2 Claudenir Donizeti da Silva também foi bem e acertou em um impedimento ajustado aos 9m do 2o tempo com perfeição.

Por fim, o quarto-árbitro João Mariano esteve sempre atento e foi bem.

Placar: 0x2

Faltas: 12×14

Cartões Amarelos: 3×2

Cartões Vermelhões: 0x0

Público: 779 pagantes

Renda: R$ 9.860,00