– O pênalti reclamado pelo Internacional contra o Corinthians, o medo de Virada de Mesa carioca e o curioso desempenho do São Paulo contra o Flamengo: as “ilógicas” do futebol…

Acabou o Brasileirão, com polêmicas, “para variar”. Vamos lá:

1. Wilton Pereira Sampaio, que é árbitro da FIFA, precisou usar o VAR para desmarcar um pênalti em lance de mão que bate involuntariamente no braço de apoio do defensor que dá um carrinho. Como é que você, sendo da FIFA, vai entender absurdamente como um movimento antinatural da mão na bola? É casualidade! Provavelmente, isso é resquício daquela gafe da orientação da CBF em 2015, onde ela insistiu em que “quase tudo era mão infracional”.

Na oportunidade, Jorge Larrionda fez uma lambança como instrutor e Sérgio Correa da Silva avalizou. Repare que alguns vídeos de orientação da CBF até saíram do ar (é da página da CBF TV, compartilho em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2015/10/16/penaltis-de-movimento-antinatural-entenda-a-diferenca-do-que-a-fifa-quer-e-o-que-a-cbf-inventou/).

Respeitosamente, foi falha grotesca do juiz, corrigido pelo VAR. O Internacional não pode acusar de erro a favor do Corinthians neste caso. Se vimos lances assim marcados como pênalti em outros jogos, lembremo-nos: nossa arbitragem é fraca atualmente e mal orientada, cometendo tais equívocos.

2. O Vasco recebeu os áudios do gol em que o Internacional fez e que estava com o VAR descalibrado (outra “jabuticaba brasileira”) e promete ir à Justiça para anular o jogo. O medo é: com dois cariocas rebaixados (Botafogo e Vasco da Gama), com a desculpa de que os prejuízos da pandemia fizeram o ano ser anormal (e foi anormal mesmo, mas para todos), tentar-se uma virada de mesa e cancelar o rebaixamento da edição 2020 do Campeonato Brasileiro.

3. Eu duvidava que o São Paulo vencesse o Flamengo pelo rendimento em campo, e não esperava que o Internacional não conseguisse superar o Corinthians, pelo fato do Timão estar se reconstruindo da péssima temporada. Errei, mas é essa a graça do futebol. E pense: o Tricolor do Morumbi perdeu do último colocado na segunda-feira, e na quinta-feira vence o campeão? Que lógica é essa?

4. A melhor árbitra do Brasil, Edna Alves, que ficou de fora dos jogos importantes na reta final do Brasileirão, está escalada como VAR em Guarani x Ituano pelo Paulistão. Que “motivante”…

Seria “prêmio” por ter se destacado no Mundial de Clubes da FIFA? Ciúme de homem por machismo, ciúme de mulher por vaidade, ciúme por competência… que não atrapalhem a carreira dela.

juiz-de-futebol-cartao-vermelho-apito | AcheiUSA

– O exemplo baiano do que é um “Campeonato Jabuticaba”!

Sou um cara do Interior e nasci vivendo a paixão dos clubes caipiras pelos Estaduais. Os grandes, antigamente, os tinham como grande fonte de renda e rivalidade. Entretanto, hoje, estamos em novos tempos com cenários desfavoráveis às partidas regionalizadas entre um time de torcida nacional contra um pequeno local.

A respeito disso, escrevi tempos atrás sobre os “Campeonatos Jabuticabas”, defendendo a transformação dos Estaduais em divisões de acesso ao Brasileirão, nacionalizando-os com a co-organização das federações. Convido à atenta leitura em: https://professorrafaelporcari.com/2015/01/26/campeonatos-jabuticabas/

Dentre tantos fatores, o baixo nível técnico e de interesse. Um jogo entre XV de Piracicaba x Paulista de Jundiaí valendo o acesso para uma série E ou D do Brasileirão traria mais público do que uma partida entre eles cumprindo tabela na A3 ou A2 do Paulistão, motivando torcedores e permitindo uma tabela mais longa. Trocando em miúdos: dando calendário às equipes que jogam 2 ou 3 meses e que se extinguem se não estiverem na A1.

Digo tudo isso pois recebo um vídeo onde se pode discutir a existência ou não dos Estaduais: através do lance abaixo, entre Atlético de Alagoinhas 1×2 Vitória (Campeonato Baiano 2021), devemos pensar se o tradicional clube da Capital não deveria estar se esforçando para a volta à elite no quadro nacional, ao invés de disputar com times de qualidade técnica inferior, nivelando-se à ele. E isso é uma lógica: se o Corinthians, Palmeiras ou qualquer outro clube não tiver sparrings fortes, se acomoda. Se ganhar o título, acha que está tudo bem, e quando entra no Campeonato Brasileiro e se defronta com equipes melhores, “perde a ilusão”.

Vide essa cena pastelão no vídeo em: https://www.youtube.com/watch?v=vPF8EouDVi4&feature=youtu.be. Recebo, a partir dele, a dúvida inteligente do internauta e jornalista Marcelo Torres, que compartilho abaixo:

Boa noite, Rafael.
Gostaria de fazer uma consulta, já que busquei no site da CBF e não achei. É o seguinte: Hoje, num jogo pelo campeonato baiano, Atlético X Vitória, a bola foi lançada pro ataque do Vitória na área do Atlético. O goleiro do Atlético saiu estabanado e se chocou com o zagueiro do seu time e ambos caíram (o atacante não tocou em nenhum). A bola sobrou limpa para o atacante jogar para as redes, com o gol aberto (embora o goleiro tenha se levantado). O árbitro, a meu ver, fez certo ao deixar a chance claríssima de gol prosseguir. E foi gol.
Os jogadores do Atlético reclamam dizendo que o árbitro deveria ter paralisado a partida.
Eu disse que a partida — com a chance clara de gol de um clube no mesmo lance — não poderia ser interrompida. Porque, se for assim, as zagas forçariam um choque e queda toda vez que o adversário tivesse na cara do gol (a fim de paralisar o jogo). Se o árbitro parasse o jogo com um time já na boca do gol aberto, prejudicaria esse time.
O choque entre goleiro e zagueiro do mesmo time ocorreu por culpa deles mesmos, a outra equipe não teve nada a ver com isso. O que você me diz?
Abraços.
Marcelo (Lance no minuto 3’10”).

Uma questão bacana para discussão! Independente de ser um lance bizarro, não houve erro de arbitragem. E respondo:

Marcelo, o jogo deve prosseguir, pois o choque foi acidente de trabalho, EXCETO na condição de que seja uma situação em que há claramente um risco de lesão grave do goleiro que fica caído no chão (pois não se pode jogar sem goleiro). No vídeo, o goleiro levanta e ainda tenta defender. 
Lance normal para a Regra (imediatamente à paralisação, se deve atender o zagueiro). Mas “anormal” para o esporte (afinal, que infelicidade do time).
Se o jogo fosse paralisado ali pois o goleiro ficasse caído nitidamente com lesão grave (não foi o caso), deveria ser – antes da sobra e rebote – reiniciando com a posse de bola ao atacante, com 4 metros de distância do adversário (é a nova regra do bola ao chão para a devolução da posse de bola).

Dessa forma, fica a observação: é rentável, inteligente ou devido tal formato de torneio, que nos permitem lances como esses? 

Repito: amo Estaduais, cresci torcendo para Pequeno, apitei demais jogos do Interior, mas o modelo deve ser repensado, a fim de otimizar o futebol para todos os seus atores.

Jabuticaba: propriedades, benefícios e receitas com a fruta roxinha |  nutrição | ge

– Sobre a Arbitragem para São Paulo x Flamengo.

Júlio Cazares, novo presidente do São Paulo, esteve nesta semana na CBF e parece que retirou os vetos da gestão Leco contra alguns árbitros. No dia seguinte, por exemplo, a Comissão de Arbitragem divulgou que Rodolpho Toski Marques (FIFA-PR) apitará SPFC x Flamengo no Morumbi.

Ele, que não está fazendo jus ao escudo FIFA há algum tempo (mas não tem substituto para a honraria), foi sacado do jogo São Paulo x Grêmio após ter atuado muito mal na partida do Tricolor contra o Fortaleza. Na oportunidade, Leonardo Gaciba atendeu o pedido de veto e, pior, declarou isso publicamente, abrindo um enorme precedente (relembre em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2020/10/16/a-interferencia-indevida-e-o-aceite-da-pressao-na-escala-de-sao-paulo-x-gremio/).

Eu evitaria tal escala. Afinal, se o juizão errar a favor do São Paulo, se dirá que tem medo de novo veto. Se errar a favor do Flamengo, se dirá que quis mostrar que não aceita pressão e na dúvida marcou contra o mandante com mágoa do veto que sofreu anteriormente. O ideal, óbvio, é ser perfeito e não errar nada (mas isso é utópico).

Toski terá dois árbitros conhecidos trabalhando como VAR: Wagner Reway – PB (como árbitro de vídeo) e Ricardo Marques Ribeiro – MG (que apesar de árbitro, está listado como assistente de árbitro de vídeo, ou seja, AVAR 1). O bandeira de vídeo propriamente dito será Oberto da Silva (como AVAR2).

Tomara que a arbitragem não sinta nenhum tipo de pressão e trabalhe com tranquilidade, pois suas limitações técnicas (do árbitro e dos VARs) são conhecidas ao longo dessa e de outras temporadas).

Em tempo: teremos Wilton Pereira Sampaio (FIFA – GO) no Internacional x Corinthians, outro jogo com cara de decisão. A melhor árbitra do campeonato, Edna Alves (FIFA – SP), foi escalada na partida que vale muito pouco: Atlético-GO x Coritiba, assim como Raphael Claus (FIFA-SP) estará num jogo de menor importância: Ceará x Botafogo. Já para Red Bull Bragantino x Grêmio, uma escala interessante: o jovem catarinense Ramon Abatti Abel, que vem sendo testado e terá uma grande chance de mostrar suas qualidades num jogo que não terá impacto relevante na tabela.

São Paulo x Flamengo: onde assistir, escalação, horário, arbitragem e últimos resultados

– Os “E se” do Brasileirão 2020.

Não existe achismo no futebol. Mas “e se” existisse?

Algumas situações hipotéticas do Brasileirão 2020. Pense como estaria o campeonato…

  • ...se Domènec Torrent tivesse tido aceitação dos atletas do Flamengo e permanecesse no cargo?
  • …se Eduardo Coudet não aceitasse a proposta do Celta de Vigo e ainda fosse o treinador do Internacional?
  • …se Fernando Diniz não tivesse surtado e desacatado Tchê-tchê?
  • …se Odair Helmann estivesse ainda no comando do Fluminense?
  • …se o Ramon não fosse demitido do Vasco da Gama?
  • …se Abel Ferreira tivesse feito uma pré-temporada no Palmeiras?
  • …se o Red Bull Bragantino contratasse Maurício Barbieri no começo do torneio?
  • …se o Corinthians tivesse insistido com Tiago Nunes?
  • …se o Santos pagasse em dia os salários de seus atletas?
  • …se o Botafogo (e o Goiás, e tantos outros) tivesse planejado melhor seu trabalho e não trocado enésimas vezes de treinador?
  • …se os erros de arbitragem não existissem, nem os pontos cegos do VAR ou a descalibração?
  • …se tivéssemos torcedores nos estádios?
  • …se a Pandemia nunca tivesse existido?

São perguntas para respostas impossíveis (ou melhor: não exatas, duvidosas e no “chutômetro”; afinal, é “achismo”). Mas… e se fossem passíveis e possíveis de previsão? Como estaria o Campeonato hoje: nesta empolgante espera ou não?

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– A Vitamina VAR!

O VAR (árbitro de vídeo) é ótimo para legitimar o resultado no esporte. Basta saber usar.

Em que pese o volume das reclamações da última rodada (algumas justas queixas, outras não), penso que ele, “VAR no futebol é como “uma vitamina no nosso corpo”:

  • Se você tomar uma vitamina, terá boa saúde.
  • Se não tomar, terá deficiência e sentirá hipovitaminose.
  • Se tomar demais, fará mal pois terá hipervitaminose.

Usemos o VAR na DOSE CERTA.

– Vai devolver 500 mil? A Polêmica expulsão de Rodinei em Flamengo x Internacional.

Diferentemente da opinião de Paulo César de Oliveira, comentarista da Rede Globo, eu interpreto com Cartão Vermelho a entrada de Rodinei em Filipe Luís (PC sugeriu amarelo, sugerindo a questão do “calcanhar estar no chão”).

Ora, o que se deve avaliar ali não é o comportamento do atleta do Flamengo, mas o do Internacional. Ali, foi disputar a bola e perdeu o tempo. Correu o risco de atingir somente o adversário e acabou acontecendo isso: um pisão no pé que acaba ajudando na torsão. Lembrando: colocar a integridade física do oponente em risco não carece de violência.

Reitero: Cartão Vermelho bem aplicado com a ajuda do VAR. Se estivesse melhor colocado naquele momento, o árbitro Raphael Claus o expulsaria sem ajuda do monitor.

Em tempo: vai devolver R$ 500 mil ao “benfeitor” Elusmar Blaggi, que deu 1 milhão para se pagar a multa?

Sobre isso, falamos em: https://professorrafaelporcari.com/2021/02/21/112938/

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– O gol de empate do Palmeiras no clássico contra o São Paulo.

Não assisti ao Choque-Rei por outros compromissos profissionais no horário (aliás, estão corridos ultimamente). Mas vi nesta madrugada o gol do Palmeiras, originado após o “passe de Abel Ferreira”!

Pois é, que ilusão de ótica incrível, além da inteligência do jogador do Palmeiras! Havia sido marcada falta contra o São Paulo, a bola sai pela linha de fundo e o treinador palmeirense a devolve para o campo. Não sei o nome dos atleta (me desculpe, não tive tempo), mas ele a para e cobra na sequência. Deste lance, sai o gol.

Se você ver a imagem com o vídeo sem o áudio, terá a impressão falsa de que a bola está em jogo, passa a linha lateral, é tocada pelo técnico como se ele fosse um atleta, o jogador a recebe e continua normalmente, terminando em gol. Claro que não foi isso…

O que vale destacar é: foi tudo legal. A falta (naquelas condições) pode ser cobrada rápida sem o apito do árbitro, bastando estar parada para ser chutada.

Os lances em: https://videos.gazetaesportiva.com/video/confira-os-gols-do-empate-entre-sao-paulo-e-palmeiras-no-morumbi

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– A arbitragem para Flamengo x Internacional.

Para Flamengo x Internacional (a “quase-decisão” / decisão de fato do Brasileirão 2020), teremos “duplo VAR” para que não se tenham reclamações.

Ou, por serem dois, dobrarão-se as queixas?

Vamos lá: Raphael Claus (o melhor árbitro brasileiro) com Marcelo Van Gassen e Neuza Back (respectivamente, o melhor e a melhor bandeiras atuais) serão seus assistentes. Na composição da equipe do árbitro de vídeo, bandeira de vídeo e outros da equipe do VAR, reparo na escalação de não um, mas dois árbitros experientes no seu uso: Rodrigo Guarizzo Amaral e Vinícius Furlan.

Criará-se um “comitê de VAR’s” com vários árbitros na cabine, se tivermos mais reclamações no jogo seguinte?

Insisto: não adianta número e tecnologia se não for dada capacitação adequada.

– Os Tipos de Erros dos Árbitros de Futebol: como identificar um bom juiz?

No mundo do futebol, os árbitros nos mostram pelos seus jogos a existência de dois tipos de erros comuns de arbitragem (tanto em partidas nacionais como em campeonatos de todo mundo):

A) Os erros ACEITÁVEIS- por exemplo: lances em que o jogador está impedindo por poucos centímetros; jogadas duvidosas aonde após exaustivas repetições se chega à conclusão do erro, ou ainda lances que dividem a opinião publica (entre tantos lances difíceis de se decidir).

B) Os erros CONDENÁVEIS- por exemplo: atleta impedido com 2 metros à frente do penúltimo ontem; bola que bate na mão e se marca tiro penal; lances claros de jogadas não-faltosas onde se assinala infração, entre outros.

Sobre “erros aceitáveis” não dá para discutir; fazem parte do jogo e pela própria natureza do esporte, acontecerão sempre, pela falibilidade humana – estes devem ser relevados. Agora, “erros condenáveis” poderiam ser evitados.

E por que ocorrem?

Por três motivos:

1) Dificuldade técnico-disciplinar (árbitro fraco, que interpreta mal as jogadas ou que apita sem critério na distribuição dos cartões);

2) Despreparo emocional (árbitro que aceita pressão de jogadores famosos ou que apita ao barulho da torcida);

3) Infelicidade no dia da partida (o popular “dia em que nada dá certo”; azar; urucubaca).

Na próxima partida, para saber se um árbitro é simplesmente bom ou ruim, avalie as condições acima. Considere que ele possa ter tido azar!

E você leitor, como vê os erros de arbitragem no futebol?

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– O Vasco conseguirá anular o jogo contra o Internacional? Explicando a impossibilidade:

O Vasco da Gama conseguirá anular o jogo contra o Internacional, por conta do não uso do VAR “descalibrado”?

Provavelmente, não. Está prevista tal situação no protocolo VAR.

Entenda: o Erro de Fato não permite anulação do jogo (interpretar com equívoco um impedimento ou não, por exemplo). O Erro de Direito, que permitiria anular uma partida, é quando você descumpre a Regra por desconhecimento ou não prática dela (não é o caso, pois a arbitragem conhecia a Regra e os procedimentos, mas não conseguiram fazer uso do mecanismo por um fator extraordinário).

O que ocorreu ontem foi impossibilidade tecnológica do uso do VAR (claro que não deveria ter acontecido) e que está presente no protocolo do árbitro de vídeo: o não uso do VAR por um defeito não permite anulação do jogo, pois deve prevalecer a decisão do árbitro em campo.

O que me preocupa realmente é: nos tempos de Eurico Miranda e Ricardo Teixeira, tal situação não só anularia a partida como cancelaria o rebaixamento do campeonato!

Cá entre nós: você não tem medo de que, dependendo de quem ficar na zona de rebaixamento, exista um conluio para um Brasileirão sem rebaixados com a desculpa de que a “pandemia” provocou essa atipicidade?

Sobre os problemas do VAR, falamos aqui: https://wp.me/p4RTuC-tl4

– VARgonha da CBF?

Que vergonha!

O Palmeiras x Red Bull Bragantino teve problema de “Ponto Cego” do VAR em um estádio maravilhoso como o Allianz Parque. Ué, o VAR da Conmebol não teve os mesmos problemas? E nos outros jogos domésticos, trabalhou-se com ponto cego mesmo?

Agora, no importante jogo do Vasco x Internacional (com valor para o título e para o rebaixamento), tivemos um lance irregular confirmado (que era da responsabilidade do VAR) por conta do não uso do “equipamento descalibrado”? E as pessoas (AVAR, VAR e outros “protocolares” na cabine, que tinham a imagem)?

E no Maracanã, no lance do Gabigol, em Flamengo x Corinthians? Não vale a pena discutir…

Lembre-se: o responsável pelo VAR o Brasil é Sério Correa da Silva, que já foi demitido algumas vezes do comando da arbitragem, mas nunca ficou desempregado pois é remanejado em cargos recém-criados. O responsável pelo desenvolvimento de novos talentos é o Cel Marinho (percebam que quem deixa o cargo, continua a serviço e é tirado de cena “de mentirinha”)?

Se o VAR não serve para uma praça, não pode ter seu uso em outras também. Não pode um campeonato com VAR integral num estádio e parcial no outro.

Falta de aviso, não foi: o VAR no Brasil sempre foi uma tremenda VÁRzea.

Lembrando, em 08 de março de 2016 a CBF prometia o VAR, de maneira mentirosa e não cumprida, naquele ano. Aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2016/12/08/var-da-fifa-e-real-var-da-cbf-e-balela/

– (Repost): Quem disse que para ser comentarista precisa ter sido excelente jogador ou árbitro?

Grandes craques ou insossos perebas determinam o sucesso ou fracasso no pós-carreira em decorrência do que já fizeram?

Digo isso pois vejo haters dizendo aos comentaristas:

  • “Jogou onde” para criticar esse atleta?
  • O cara nunca chutou uma bola, é jornalista, e quer criticar treinador? 
  • Apitava mal pra caramba e agora se mete a falar dos outros?

Fácil responder isso, é só perceber quem é melhor comentarista na TV: Caio Ribeiro ou Pelé? E quem foi melhor jogador?

Ou, se preferir, questione-se: Luxemburgo, Felipão, Telê Santana, Oswaldo Brandão… quais seus títulos como atletas e depois que encerraram a carreira quais são as conquistas como treinadores?

Sobre isso, acho interessante compartilhar esse texto, de 28/03/2014, publicado nesse mesmo blog, mas que permanece atual:

DE JOGADORES / ÁRBITROS A TREINADORES / INSTRUTORES

Mudar o ciclo de uma atividade é difícil. Nem todos conseguem se desapegar da rotina passada e tentam se adaptar às novas realidades da melhor maneira possível.

No futebol, essas mudanças de funções são, em alguns casos, traumáticas e frustrantes. Em outros, de maior glória do que na vida profissional inteira até então!

Veja o caso de ex-jogadores e ex-árbitros. Onde se inserirão no pós-carreira?

Seedorf anunciou há dias a aposentadoria como jogador e virou treinador no Milan. Ótima chance para um iniciante, que, sejamos justos, já esperava a oportunidade e se capacitava paralelamente a isso. Porém, dificilmente vemos ex-atletas começando por cima, e ele é mais uma das exceções, como Falcão e Dunga, que sem nunca terem trabalhado em clubes menores, foram para a Seleção Brasileira.

Grande é o número de atletas que não conseguem nem chegar às categorias de base como treinadores, tendo dificuldade de vingar no profissional. E isso independe da sua categoria como jogador. Será que Muller, Bebeto, Romário, Raí e até mesmo Pelé seriam grandes “professores” na área técnica a beira do gramado? Qualquer resposta seria mero “chute”. Beckenbauer e Cruyff foram magníficos dentro e fora de campo. Mas outros do mesmo nível não. Luxemburgo era reserva de Júnior, mas o primeiro foi muito mais vitorioso como treinador.

Portanto, ter sido craque ou cabeça de bagre com a bola no pé parece não ser tão decisivo para ser “o homem da prancheta”. Muitos conseguirão ensinar apenas os conceitos, outros farão o time jogar de fato. É por isso que existem os comentaristas esportivos, que podem ver o futebol à sua forma, conseguem passar tudo claramente aos torcedores mas que necessariamente não seriam grandes treinadores. E grandes treinadores que teriam uma dificuldade enorme em se fazer entender ao ouvinte.

Me recordo de 4 bons nomes que sugiram graças a uma filosofia (arriscada, mas que foi correta) de lançar treinadores por um clube: o Paulista de Jundiaí, que deu grande oportunidade ao Giba (que nasceu como treinador no Lousano Valinhos, parceiro do Galo Tricolor na época); depois vimos Zetti se sagrando vice-campeão estadual (perdendo do São Caetano de Muricy Ramalho); aí veio Vagner Mancini (que já dirigiu grandes equipes) e Wagner Lopes (sempre na ativa na série A1, atualmente no Botafogo-SP).

Por assumirem a responsabilidade em um clube que não era um dos grandes (de massa, como Corinthians e Flamengo), conseguiram trabalhar com pressão menor. Mas já imaginaram Marcos como treinador do Palmeiras ou Rogério Ceni do São Paulo? Aceitariam o risco de arranhar a imagem construída até hoje? Seriam treinadores de um clube só, como foram enquanto jogadores? E as vaias, para onde iriam? E, claro: a competência estará no mesmo nível?

Para mim, Seedorf é uma grande incógnita como treinador. Mas desejo sucesso, pois com o carisma e competência que tem, pode triunfar.

Entretanto, “ser sem carisma” é a rotina dos árbitros de futebol. No pós-carreira, farão o quê? Serão observadores de jogos das suas federações recebendo ajuda de custo a R$ 50,00, só pelo prazer de lá estarem? Ou conseguirão entrar no seleto clube de membros de comissões de arbitragem e instrutores? Poucas são as vagas como comentarista de arbitragem na mídia, e praticamente nulas as pretensões como “professores de regras” aos jogadores, contratados pelos clubes para melhor capacitar seus atletas.

Aqui, a comparação com os jogadores é idêntica: Dulcídio Wanderley Boschilla e Oscar Roberto Godoi foram excepcionais árbitros, mas seriam bons instrutores, com boa didática e jogo de cintura no trabalho junto aos cartolas das federações? Creio que não. Godói, entretanto, é ótimo no jornalismo esportivo, sendo claro, incisivo e objetivo. Encontrou-se! Enquanto isso, ex-árbitros como Roberto Perassi e Sílvia Regina (o primeiro comum em campo e a segunda competentíssima na categoria “feminino” – talvez a melhor árbitra da história do Brasil, mas razoável tecnicamente em jogos masculinos) são excelentes como instrutores. Sérgio Correa da Silva e Arthur Alves Júnior, também não-excepcionais como árbitros, enveredaram um caminho de sucesso como dirigentes sindicais (ao menos, figuram em vários cargos). Gaciba, Simon e Arnaldo são irrepreensíveis na TV, conseguindo essa transferência de competência agregando a didática.

Portanto, a relação de competência em uma função não necessariamente significa sucesso em outra. Um jogador mediano / árbitro comum pode ou não ser grande treinador / instrutor. E um jogador craque / árbitro excepcional pode ou não ter sucesso, mas com uma diferença: o comparativo com o que fazia antes de mudar a carreira será algo cruel. Será cobrado por tal! Sem contar com aqueles que não vieram necessariamente de dentro das 4 linhas: Carlos Alberto Parreira jogou onde? E é um dos treinadores mais respeitados do mundo. Mais: o Professor Gustavo Caetano Rogério, diretor da Escola de Árbitros da FPF por muitos anos, apitou onde? E foi talvez o maior nome da entidade.

Há os esforçados, como o Cel Marcos Marinho, atual presidente da CEAF-FPF, que assumiu o cargo sendo Major encarregado da luta contra as torcidas organizadas, e que apesar de muito estudar as regras, ainda leva a desconfiança do domínio das mesmas. Teria ele experiência para ensinar posicionamento ou dinâmica de arbitragem aos árbitros?

E pensar que, Armando Marques, velho de guerra, que um dia errou a contagem de pênaltis na decisão entre Santos x Portuguesa numa decisão de título paulista, por anos a fio presidiu a Comissão de Árbitros da CBF e conduziu a arbitragem brasileira ao desrespeito de muitos…

Por fim: o treinador de futebol ou o instrutor de arbitragem deve, independente do seu histórico como ex-jogador ou ex-árbitro, ter uma tríade de virtudes:

  1. – o conhecimento técnico (ter estudado),
  2. – a prática (ter vivenciado as dificuldades) e
  3. – a vocação (o dom entusiasta para exercer a atividade).

Claro, com uma boa oportunidade de sorte para mostrar o seu talento.

E você, o que pensa sobre isso? Grandes craques ou insossos perebas determinam o sucesso no pós-carreira (ou não) em decorrência do que já fizeram?

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– O gol do título em Bayern 1×0 Tigres, de fato, foi irregular.

Certamente, o gol do Bayern de Munique contra o Tigres nesta 5a feira, foi irregular.

A regra da mão na bola / bola na mão de atacante mudou novamente na temporada 2020/2021, sendo que todo lance involuntário que na imediatez saia um gol, deve ser considerado irregular (simplesmente: tocou, marcou – caso dele sair um gol na sequência).

Se não for um gol imediato, aí não é infração essa mão. Se sair o gol imediatamente, é infração. Vide o item 4 desta postagem: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2020/07/15/fique-atento-as-mudancas-das-regras-do-futebol-e-as-orientacoes-aos-arbitros-para-o-campeonato-brasileiro-2020/

Na decisão do Mundial de Clubes, Lewandowski (BAY) disputa com Guzmán (TIG). Ela bate na mão do centroavante alemão e sobra imediatamente para Pavard (BAY), que faz o gol.

Portanto, mesmo com o VAR, errou a arbitragem. Gol irregular.

– A arbitragem para Al-Ahly x Palmeiras e Bayern x Tigres (e o legado do Mundial de Clubes).

Justíssimas escalas da FIFA para a 5a feira de jogos derradeiros do Mundial de Clubes.

Para a final: Esteban Ostojich (o uruguaio que apitou Palmeiras x River Plate). Aliás, um ótimo nome para a Copa do Mundo de Seleções do Catar 2022.

Para a decisão de 3o e 4o lugar: Maguette N’Diaye (o senegalês que foi 4o árbitro em Palmeiras x Tigres). Um prêmio para um árbitro emergente.

E as brasileiras? Edina Alves e Neuza Back serão respectivamente árbitra e bandeira reservas na finalíssima – algo impensável tempos atrás.

O mais importante de tudo, nesta edição do Mundial, foi ver o intercâmbio de árbitros das diversas regiões do mundo sob a orientação e universalização de critérios: por exemplo, usar moderada e necessariamente o VAR, sem vulgarizá-lo ou fazê-lo um instrumento da fuga da autoridade dos árbitros. E aí vem a grande questão: os demais árbitros mundo afora se espelharão nessas atuações para seus jogos locais?

Tomara que sim!

Abaixo: Maguette N’Dianye

– O erro na marcação do pênalti em Red Bull Bragantino 1×1 Flamengo.

Há 20 anos, o puxão na camisa sofrido por Gustavo Henrique (CRF) poderia ser marcado pênalti.

Há 10 anos, esse mesmo puxão seria muitíssimo discutido e provavelmente não marcado.

Há quase 1 ano, tal lance não é mais infração (com clareza da Regra do Jogo).

Explico: antigamente, “agarrar a camisa do adversário indistintamente” era infração. E para que isso ficasse claro, normalmente o atleta que tinha sua camisa agarrada parava imediatamente de correr e pedia falta. Posteriormente, os árbitros foram orientados a darem vantagem quando observassem uma camisa puxada e, caso ela não se concretizasse, marcassem a falta atrasada.

HOJE (temporada 2020 / 2021), a Regra do Jogo foi aperfeiçoada e a orientação mais explícita (e muito melhor, no meu entendimento, indo de encontro com o espírito das Leis): puxar uma camisa por si só não é infração. Deve-se ver o impacto de tal puxão na jogada em si, ou seja: atrapalhou a continuidade do lance do adversário?

Trocando em miúdos: só se deve marcar a falta se o puxão impedir que o oponente realmente possa prosseguir na jogada ou se ele foi atrapalhado significativamente na disputa de bola. A malandragem do boleiro de, se perceber que teve a camisa agarrada e pedir a falta, não vale mais. Aliás, se existir dúvida quanto a isso, é só assistir o Webnar de Leonardo Gaciba, chefe dos juízes da CBF, do ano passado, mostrando lances idênticos.

Reveja o lance e imagine: Ligger (RBB), ao segurar a camisa do flamenguista, impactou relevantemente para que ele não pudesse fazer a jogada como desejava?

Se sim, é pênalti. Se não, segue o lance.

Wilton Sampaio, o árbitro, entendeu que não foi nada. Elmo Resende da Cunha, o VAR, entendeu que sim. E como faltou personalidade (ou entendimento da Regra e uma correta interpretação), o juizão voltou atrás e marcou tirou penal.

Não vale rever o lance com a imagem parada ou em câmera lenta. É essa a situação em que a fiel dinâmica do jogo deve ser vista para não deturpar a decisão do árbitro.

O que se pode lamentar é: NUNCA um lance desse seria marcado em competições de alto nível no Exterior (além de outros grandes equívocos do mal uso do VAR no Brasil).

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