– Balanço de 2011 e Expectativas para 2012

Ufa. O ano de 2011 está acabando. E no seu derradeiro dia, como o ano velho foi para você?

Já parou para fazer um balanço?

O que valeu a pena?

O que foi desastroso?

No que você errou, pecou, acertou ou deixou de fazer?

Estou escrevendo esse texto em meio ao trabalho. Pois é… serviço não acaba nem no último dia do ano, mas a chuva que agora cai atrapalha o movimento e não vejo uma alma viva na rua (07h), e é por isso que sobrou um tempinho para ‘escrevinhar’ meia dúzia de linhas.

E nesse clima meio que melancólico / reflexivo, rascunhei algumas coisas que não gostei desse 2011. E me assustei com o volume! Se me perguntarem se o ano foi bom, respondo: DEPENDE. Em alguns aspectos, o ano foi péssimo! Em outros, maravilhoso. E se existisse quantificação de pontos bons e ruins, os ruins seriam em maior número; mas em importância, os bons venceriam.

E que nota eu daria para o meu 2011?

Não arrisco a dar uma nota.

Não vou mesmo.

Ok, vou dar…

No geral, 5. Cinco não, 4.

E o Quatro foi puxado pelos pontos positivos, para se ter idéia dos negativos…

Explico: nesse último ano, coisas que me davam prazer já não me dão mais. É uma perda de encanto. Por exemplo: gosto de futebol e principalmente de se falar e discutir arbitragem de futebol. E nessa área… quanta decepção. Antidesportividade total no esporte. E, se falar de bastidores, enoja! Não suporto ler entrevistas de dirigentes do apito com suas demagogas falas que normalmente são falsas ou protocolares. Desse meio que um dia vivi e me apaixonei, maduramente vejo o hostil ambiente que verdadeiramente é e que têm que enfrentar os que querem ali triunfar.

Mas essas vaidades são insignificantes perto da grandeza da vida. Bola pra frente.

E na área profissional? Ah, aí o ano foi… ruim! No comércio, acho que nunca paguei tantos impostos na vida e também nunca sofri tanto com caloteiros. Sim, dar calote é uma arte que não espera ano novo, verão, inverno ou réveillon; é uma constante ação primaveril que não se importa com a condição financeira do outro. E o engraçado é que o caloteiro sempre está aparentando felicidade (pseuda, claro). Também em 2011 perdi funcionários queridos mas contratei outros tão bons quanto, e torço de coração pelo sucesso daqueles que comigo colaboraram.

Na área educacional, o ano foi… pior ainda! Vi faculdades surgirem por todos os cantos, oferendo até mesmo curso para PhD na Especialidade Rebimboca da Parafuseta, abrindo vagas para qualquer um que saiba ler e escrever, sem se preocupar com a qualidade de ensino. E num universo mais íntimo, vi alunos esforçados preocupados com o futuro, receosos por seus cursos em meio a um mar emudecido em sua volta. Ao mesmo tempo que mudo, ensurdecedor com informações, boatos, histórias e estórias. E os docentes, no vermelhê!

Nas questões que envolvem cidadania, política, paz… aí desandou. Um mundo que tem medo constante da guerra, políticos que não se preocupam em sanar os problemas da humanidade mas na autopromoção e enriquecimento. Vai esperar o quê?

Na saúde, levo para o ano novo uma grave contusão no menisco e a recordação das crises de labirintites, além do agora jaz melanoma em estágio 0, estirpado até a raiz pela Graça de Deus.

Parece que o ano foi horrível, né? Talvez eu tenha sido até generoso na nota 4…

Mas do que valeu 2012?

Valeu pela família.

Valeu pela felicidade do meu pai. Valeu pela concretização dos sonhos da minha irmã. Valeu pelas conquistas árduas e sofríveis da minha mulher. Valeu pelo convívio e carinho da minha madrasta, dos meus cunhados (a), dos meus sobrinhos, da minha afilhada, dos meus sogros…

Valeu, principalmente, pela minha filha. Por ser pai. Por me sentir útil. Por um pedacinho de gente mostrar que do amor de uma mãe e de um pai brota paixão, nasce uma vida e cresce uma esperança em forma de menina. Pequena, frágil, doce e plena em carinho e energia.

Meu Deus… não há o que supere ver uma criança aprendendo a ser gente, descobrindo a vida, fazendo suas sapequices e levando ternura para casa.

É pela Marina, pela Andréia e pela família que 2011 valeu.

E para 2012?

Primeiramente, ESQUECER 2011.

Na sequência: viver a vida de maneira cristã. Trabalhar, encarar os desafios, ser mais otimista e menos realista, evitar o azedume e sorrir ao invés de resmungar. Aumentar a carga e a qualidade de trabalho no próprio trabalho.  Deixar de acender vela para mau defunto. Dedicar-se a quem mereça. Socorrer os que não conseguem se socorrer. Fazer alguma atividade voluntária. Escrever ainda mais, pois, afinal, é um prazer compartilhar ideias. Povoar a mente de coisas boas. Não deixar as preocupações mundanas dispersarem minhas orações. Pagar as contas (aí é missão, não propósito). Enfim… Viver de verdade em 2012, mantendo as alegrias de 2011 e dando um pontapé nas ruins.

Pronto. Fiz meu balanço. E o seu, caro amigo ou amiga que leu esse texto? Qual o seu balanço de 2011 e expectativa para 2012?

Para nos despedirmos, aqui vai um poema de Carlos Drummond de Andrade sobre o Ano Novo:

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

VAMOS PLANTAR NOVOS E MELHORES SONHOS. Que tal?

– Casamentos Solidários? Irreverência do bem.

Bom modismo o dos ‘casamentos solidários’.

Tenho um amigo que sempre que promove alguma celebração, convida-nos a levarmos fraldas ou leite como ‘entrada’ para o evento. Um coração generoso, sem dúvida.

E dentro do modismo solidário, vejo algumas festas de casamento com esse propósito. Noivos e noivas que já têm situação financeira estabilizada, ao invés de presentes, pedem doações para entidades assistenciais indicadas.

Sensacional. Isso sim é irreverência do bem!

– Aprender ou Passar no Vestibular?

Boa dica aos professores e pais engajados com filhos em idade pré-vestibular: o artigo de Joca Levy no Estadão de hoje: “Aprender ou Passar no Vestibular” (pg A2).

A neurose e ansiedade dos testes de treineiros faz com que a reflexão seja pertinente. Educação por objetivo específico ou para a vida?

– Dia 31 com quais Notícias?

Hoje não vou escrever nada profundo sobre Administração, Futebol, Política, ou qualquer assunto de debate. Como último dia do ano, vou dar uma geral na mídia, ok? Então vou pegar os jornais de hoje.

Tô abrindo.

Êta… Folha de São Paulo traz uma entrevista pós-morte do Christopher Hitchens. De novo ele ataca Deus e aos que acreditam nele. Esquece. Vou mudar de jornal

Estadão de hoje fala sobre os testes de mísseis de longo alcance no Irã e a Coréia do Norte fazendo ameaças. Esquece também.

No Diário: Sarney, em férias, declara que a vida pública traz sacrifício à ele. Kkkk Parece gozação, vamos mudar de assunto.

Outra? Tarô fala sobre 2012. Deixa pra lá, não levo fé em previsões.

Mais uma: Jovens agredidos na Paulista por homofobia (esse jornal é de ontem)

A de sempre: Corrupção no Brasil causa perdas de… ah, nem vou ler mais.

Esportes: leilão entre Corinthians e São Paulo por Montillo. Tenho mais o que fazer…

Entra ano, sai ano, e as notícias parecem não mudar. Chega logo, 2012! Vira o disco, diriam os mais antigos.