– Não gosto do Natal Comercial, mas do Natal Verdadeiro

Dezembro é o mês da síndrome natalina, aquela obrigação de exalar felicidade. Dá para se libertar dela?

Walcyr Carrasco

Você que gosta do Natal, me desculpe, mas concordo com o Walcyr. Celebrar e ser feliz deve ser todo dia; reunir os amigos e a família, sempre. E, muitas vezes, escolhemos uma data para nos juntarmos com pessoas que às vezes nem mais convivem conosco ou que não temos afinidade. E surgem os sorrisos amarelos e a necessidade de se gastar com presentes.

Ora, temos que presentear o ano inteiro? Aniversário, Dia das Crianças, Natal, Páscoa, dia disso e daquilo…

Sem ser hipócrita: clima natalino é diferente de clima comercial. DETESTO ESSA ÉPOCA DO ANO, com as ruas lotadas e pessoas histéricas comprando e se estressando.

Natal, pra mim, é tempo de relembrar o nascimento de Cristo, seus motivos de vir ao mundo (para nos salvar) e a necessidade de buscarmos a conversão pessoal (que deve ser diária, não só no final de ano). Papai Noel é só um personagem bem pequeno, e que os mais estudiosos sabem, foi criado pela Coca-Cola para campanhas de marketing no final do ano nos EUA há muito tempo atrás.

O tempo do Natal deve ser festa religiosa, não desespero comercial. Nossos bolsos que o digam em janeiro…

– Até Gênios Erram!

Punir quem erra sem uma chance de conserto é burrice. Até gênios erram. Quer um exemplo?

Galvão Bueno, locutor excepcional e número 1 da Rede Globo, confidenciou que logo no seu primeiro trabalho cometeu um erro gravíssimo: errou o vencedor do GP de Fórmula no qual fazia sua estréia. Teve certeza da sua demissão, mas, felizmente, um diretor o seguro para uma segunda chance.

E se Galvão tivesse sido demitido?

Vale a pena pensar duas vezes antes de punir. Veja que depoimento interessante (extraído de: http://is.gd/NC9nQK)

ERREI O VENCEDOR DO GP

Galvão Bueno conta como deu a vitória ao piloto errado em sua estreia como locutor de Fórmula 1 na Rede Globo

Por Flávia Iuri

Fui para a Rede Globo há mais de 30 anos, no segundo semestre de 1981. Nas transmissões da Fórmula 1, minha estreia foi no Grande Prêmio (GP) da África do Sul, de 1982. Eu e o Reginaldo Leme (comentarista). A locução de Fórmula 1 é muito difícil. Comparável com a de um desfile de escola de samba. Você tem de entender o enredo. Não é como no futebol, em que está tudo ali para todo mundo ver. O cara chuta, faz falta. A bola vai para fora, o jogador faz o gol, perde o gol. A corrida tem tática de parada. É preciso entender se o carro está ganhando ou perdendo rendimento. Hoje, tenho as páginas de computador que me dão, volta a volta, a classificação, a diferença entre um carro e outro, a média de velocidades. Naquele tempo não tinha. Uma jornalista ajudava a montar o mapa da corrida. Fazíamos os cálculos manualmente e não podíamos tirar os olhos da pista.

Não havia parada para trocar pneus. Não havia reabastecimento. Se o pneu de alguém furasse, ele estava praticamente fora da corrida. Os carros iam do começo ao fim da corrida sem parada, as trocas eram raríssimas. O pneu do carro do Alain Prost furou. Ele parou no boxe, trocou o pneu e voltou. Mas, da nossa posição, eu não via a saída dos boxes. Só a entrada. E, depois de voltar, o Prost ultrapassou o René Arnoux. Não tive visão da ultrapassagem e achei que ele estivesse tentando tirar uma volta de atraso. Eu falava enfaticamente: ‘René Arnoux! Não há a menor possibilidade de ele perder a corrida. René Arnoux faz uma corrida espetacular. O Prost voa na pista, mas Arnoux tem uma enorme vantagem, de praticamente uma volta inteira. Não tem como perder. Não pode perder. É o René Arnoux! René Arnoux!’.

Daí chega a imagem da TV e mostra o Alain Prost recebendo a bandeirada. O vencedor era ele, que havia feito a ultrapassagem que não vimos. Na minha primeira corrida de Fórmula 1 na Globo, errei o vencedor. Olhei para o Reginaldo, em estado de semipânico, para pedir ajuda. Ele abriu os braços e fez cara de ‘não sei o que fazer’. Fomos para os comerciais. Quando a transmissão voltou, recomecei como se nada tivesse acontecido: ‘Esse Prost é um fenômeno, maravilhoso, sensacional. Entrou para a história! Furou o pneu, foi para os boxes, trocou pneu, voltou, tirou a diferença e ganhou a corrida. Fantástico! Fantástico!’.

A volta de Johannesburgo para São Paulo era um voo de oito horas e meia. Passei esse tempo todo pensando no que o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, diretor da TV Globo) ia fazer. Existia essa mística sobre o perfeccionismo do Boni, que não admitia erros. Para mim, era certo que o Boni ia me demitir. Foi uma tortura. O evento seguinte era o Grande Prêmio do Brasil. O Boni até quis me deixar de fora, mas o Ciro José, na época diretor de esportes, me bancou. Lembro que a caminho do autódromo eu ainda disse para o Ciro: ‘Se eu aprontar outra dessas, estamos, eu e você, na rua’. Não foi preciso. Fiz a transmissão do GP naquele ano e em todos os anos seguintes. No mês passado, cobri meu 30o Grande Prêmio do Brasil pela Globo. Mas a estreia foi um susto.

– Estupradores de Jundiaí: dois foram detidos!

A onda de estupros na cidade assustou a população jundiaiense. Mas ontem, um deles foi preso: o que estuprou uma moça numa escola de idiomas na região da Vila Arens.

Sabem a justificativa do estuprador? Que injetaram cocaína na suas veias e ficou fora de si.

Ele se chama Marcelo e tinha passagens anteriores pela Polícia (por furto e porte de Drogas). Foi preso, mas ganhou liberdade condicional.

E aí ficam algumas perguntas:

e a saúde da moça, atacada por um usuário de drogas? O risco de ter sido infectada, além do trauma da violência, difícil de se apagar da memória?

o bandido estava solto pela Justiça . A “liberdade condicional” não é fruto, muitas vezes, de uma sensação de impunidade? Digo sensação, pois, afinal, está na lei. Mas não nos permite ficarmos indignados? Vai para cadeia e não fica preso?

querem liberar drogas. E aí, o cara alucinado não é incentivado pela maldita cocaína? E não venha me dizer que se fosse maconha a coisa seria diferente. Para estar fora de si, basta usar drogas.

Hoje, Elias Alves, o estuprador cujas fotos rodaram a Internet de muitos aqui em Jundiaí, foi preso no parque Centenário. Rodou a cidade, perambulou pelo Jd Novo Horizonte e foi pego por populares nessa manhã. Está preso, mas como restituir a honra e restituir os prejuízos às vítimas?

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

– Somos Livres para as Nossas Escolhas?

Leio numa edição da Revista Época (708, pg 65-69, por Marcela Buscato e Bruno Segadilha), uma interessantíssima matéria intitulada “O Cérebro no banco dos Réus”. Nela, se questiona se realmente somos livres para decidir, ou seja, se somos responsáveis pelas nossas escolhas. O trabalho se baseia no livro do neurocientista Michel Gazzaniga, autor do livro “Who’s in charge”?, onde ele diz que:

A responsabilidade pelos nossos atos não é propriedade do cérebro, mas um acordo estabelecido entre as pessoas”.

A idéia central é: nem sempre estamos no comando de nossos atos; muitas vezes estamos iludidos que comandamos a nós mesmos, pois em diversas oportunidades a sociedade é quem comanda as nossas ações. Assim, teríamos culpa por determinados erros com essa visão de responsabilidade pessoal dos nossos atos, se não somos culpados por algumas ações?

Papo-cabeça, mas inteligente e curioso.

O conceito de “Responsabilidade” surge mais ou menos no ano 1700 a.C., com a lei de Talião: Olho por olho, dente por dente! A punição a um crime seria com a mesma forma da infração.

Porém, o conceito começa a mudar com a Lei de Aquilia, Século III), onde surge o conceito de culpa e o direito romano. A preocupação é responsabilizar em respeito à necessidade de se restituir danos a um prejudicado.

Por volta do ano 400, Santo Agostinho defendeu a idéia que: Deus nos deu autonomia, e nós somos responsáveis pelos atos que nós tomamos. Temos livre arbítrio, e não podemos jogar a culpa em outras coisas / pessoas.

A novidade vem em 1843, com a Regra M’Naghten: insanos mentais não podiam receber responsabilidades, pois, afinal, são pessoas perturbadas.

Agora, o dr Gazzaniga diz que muitas vezes podemos ser também inocentes de erros cometidos, pois somos forçados a praticar coisas por força da sociedade. O que você pensa sobre isso: tal argumento pode nos tornarmos livre de responsabilidades pessoais, ou é um grande exagero? Deixe seu comentário:

– Ó Terra Querida Jundiahy! Feliz Aniversário!

Hoje é data festiva na cidade, o dia da elevação à Vila de Jundiaí (ou seja, viramos cidade).

Várias versões sobre a fundação do município, mas a mais aceita é a de que Rafael de Oliveira e Petronilha Antunes, por motivos políticos, aqui vieram habitar. E fica a dúvida: foragidos políticos? Refugiados? Criminosos?

Nossa Padroeira é Nossa Senhora do Desterro justamente por esse episódio: desterro é fuga, viagem para se esconder (Nossa Senhora fugiu com Jesus e José para o Egito quando Herodes mandou matar os primogênitos judeus). O por quê da fuga do casal fundador, ninguém saberá.

Não importa as motivações, importa Jundiaí hoje e a Jundiaí do futuro. Que nós, jundiaienses, possamos fazer da nossa cidade um lugar melhor para nossos filhos!

– O Troféu do Site Placar Real: válido ou não?

Há coisas curiosas que acontecem no futebol brasileiro. Ao invés de aceitar o mérito do vencedor, busca-se o defeito dele. E imputam coisas que beiram o exagero. Por exemplo: a ajuda ou prejuízo deliberado à equipe X ou Y.

Pois bem: o site Placar Real (www.placarreal.com.br) “refaz” placares de partidas considerando o resultado sem erros de arbitragem. E, na tabela refeita, o Vasco da Gama seria Campeão Brasileiro e o Cruzeiro estaria rebaixado. Também alguns dados curiosos: Santos e Flamengo são líderes numa ferramenta chamada Favorecimômetro, onde se analisa quem mais foi beneficiado no campeonato em pontos. E os rabeiras dessa lista são Botafogo e Atlético Mineiro.

Para torcedor fanático, é “açúcar no mel”. Mas, para pessoas que militam na Arbitragem da Futebol, é uma mera brincadeira bobinha. Não que os erros não existam, mas pelo desfecho criado na realidade alternativa oferecida pelo site.

Por exemplo: quem garante que pênaltis não-marcados seriam chutados e se converteriam em gols? Ou que atletas expulsos injustamente fariam diferença caso permanecessem na partida?

Tudo bobagem. Sabe quando a arbitragem decide? Quando, por exemplo, nos acréscimos de um jogo o gol é feito, comemorado, e anulado após a marcação atrasada e errada de um bandeira ou de um apito equivocado.

Nem sempre o árbitro decide no fim do jogo. Ele pode influenciar no começo da partida em alguns casos pontuais. Imagine um time fraco tecnicamente, que logo aos 5 minutos de jogo tem um pênalti a seu favor (marcado equivocadamente) e que acaba convertido. O adversário, mais forte, terá 85 minutos para reverter o resultado. Mas o time fraco que fez o golzinho jogará o restante da partida atrás, chutando a bola para o mato e praticando a cera e o antijogo. Quem garante o placar revertido ou não?

Não dá para dizer que um time que teve uma marcação contrária sempre é prejudicado. Quer um exemplo cabal? O jogo acaba 0X0 numa partida onde um zagueiro botinudo é expulso injustamente. De repente, se esse mesmo zagueiro permanecesse em campo, poderia cometer um pênalti ou até fazer um gol contra! Isso não é benefício a quem teve um suposto erro contrário? Se ficasse em campo, o atleta poderia ter cometido uma infração decisiva ou outro erro crasso contra sua própria equipe!

Em todos os jogos, por mais perfeita que possa ser a arbitragem, acontecem erros. E quem garante qual seria o resultado com os diversos lances marcados de outra forma?

Sugerindo lances e marcações ditas erradas, com a expectativa de criar supostos placares alternativos, podemos até direcionar um campeão como Atlético-GO ou Avaí-SC. Basta o conhecimento e a intenção de quem escreveu essas realidades refeitas.

Uma das funções do árbitro é legitimar um resultado. Se até ele tem essa dificuldade, quiçá leigos (em tempo: os analistas do site Placar Real são: engenheiro de produção e economista)!

E você, acredita que a tabela com resultados ‘corrigidos’ possa ser respeitada ou não passa de uma brincadeira? Deixe seu comentário: