– A Enfermeira, o Animal e a Rede Social

Ontem, uma verdadeira febre nas Redes Sociais, principalmente no Facebook: uma enfermeira que agrediu um cachorro e toda a repercussão (para quem não viu, em: http://is.gd/NpaDPq)

Protestos de todas as partes, fotos com dados pessoais da moça, montagem de cães sobre uma possível vingança, e tudo mais ocorreram no mundo virtual. Não estarei defendendo a agressora, mas…

Há coisas curiosas no Brasil. Se rouba descaradamente no Congresso Nacional, se faz lobby de tanta empreiteira para ganhar dinheiro em leis escusas, permite-se tanto abono de crianças nas ruas, faz-se tanta vista grossa para a mendicância e outras particularidades, e não se tem o mesmo auê!

Repito: não estou defendendo a agressora, mas…

Quer coisa mais indigna do que uma mulher se sujeitar à prostituição para sobreviver? Ou do que um pai de família ter que roubar pão para sustento de sua casa?

Terceira repetição: não estou defendendo a agressora, mas…

O que dizer dos doentes que morrem em hospitais públicos, aguardando no canto ou nos corredores, sem assistência médica? Ou de cidadãos trancafiados em suas casas, vítima da violência social?

Nada, nada disso é levado em conta.

Última repetição: não estou defendendo a agressora, mas…

O que quero dizer é o seguinte: há tanta coisa mais importante para se mobilizar… Fóruns, grupos e manifestações foram montados para protestar contra a covarde agressão ao animalzinho. Concordo com tudo o que tem se dito, realmente foi uma covardia, um ato violento e condenável. Mas, amigos, cá entre nós: alguém faz ou tem feito a mesma movimentação por causas mais nobres?

Infelizmente, não.

É evidente que os defensores dos direitos dos animais reclamarão. Claro, estão corretos. As pessoas escolhem bandeiras para defender. Alguém tem que fazer isso! Mas fico indignado que enquanto somos assaltados pelos altos impostos, ou pessoas morrem por desatenção das autoridades médicas, ou ainda quando a dignidade humana é ferida descaradamente, pensamos num cachorro com a volúpia que pensamos…

Não irei repetir a frase dita e repetida acima por mais uma vez, entretanto… não estou defendendo a agressora, mas… lutar pelos direitos e dignidade humana é mais importante do que dos animais.

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

– O Empreendedorismo Auto-Destrutivo

Um autoajuda às avessas: os grandes fracassos empresariais, para falsos empreendedores. Nome: “O Livro Negro do Empreendedor”. Curioso, abaixo:

Extraído de: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2088/artigo156192-1.htm

O LIVRO NEGRO DO EMPREENDEDOR

Quem frequenta livrarias certamente já passou perto de algum título sobre empreendedorismo. Não por acaso, eles estão entre os mais vendidos no Brasil. Mas, de modo geral, batem na mesma tecla: mostram o que um vencedor fez para chegar lá e incentivam a abertura de novas empresas. O consultor espanhol Fernando Trías de Bes acaba de lançar uma obra que vai na contramão: em “O Livro Negro do Empreendedor” (BestSeller), diz que todos esses manuais são uma enrolação, porque não mostram os fracassos – e que se aprende mesmo é com a derrota alheia. “Estamos diante de uma analogia imperfeita: sabendo por que outros tiveram êxito você evitará seu fracasso. Mentira.

Para evitar que um empreendedor fracasse, é necessário saber por que aqueles que fracassaram se deram mal”, escreve o professor associado do Departamento de Marketing da ESADE Business School, em Barcelona, e fundador da Salvetti & Llombart, uma das maiores consultorias de marketing da Espanha. “Um negócio de sucesso é uma oportunidade já aproveitada por outra pessoa.

Meu livro é como uma máquina da verdade para falsos empreendedores”, disse à ISTOÉ, por e-mail. Segundo o autor, boa parte dos novos empreendimentos não consegue ultrapassar os dois primeiros anos de vida e 90% dos empreendedores fracassam antes de completar os quatro iniciais. No Brasil, pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que 78% passam dos dois anos, mas só 64% chegam aos quatro.

Por que não dão certo? Por motivos banais, que normalmente passam despercebidos nos manuais e biografias de empresários bemsucedidos. “Os negócios não costumam fracassar por falta de competência técnica de quem os empreende”, frisa Trías de Bes. Normalmente, definham por questões pessoais – brigas entre familiares ou sócios, por exemplo – ou falta de aptidão.

As picuinhas entre os sócios são um dos “fatores-chave de fracasso” (FCF), como diz o autor. Ao todo, são 14, de um perfil não empreendedor à falta de apoio familiar. Quando a empresa está para ser aberta os sócios costumam estar unidos e otimistas. Se o negócio vai bem, um deles pode começar a achar que trabalha mais – e merece mais. Se vai mal, todos se culpam mutuamente. Por isso, o estudioso espanhol aconselha: só se associe em último caso.

Tampouco espere ter uma vida mais equilibrada: “empreender pressupõe um desequilíbrio total entre a vida pessoal e a profissional.” De fato, a vontade de se tornar o próprio chefe (e poder controlar o próprio horário e se dar folgas) é o principal motivo pelo qual os brasileiros abrem uma empresa, segundo o levantamento do Sebrae. Mas, como o negócio é próprio, as preocupações não terminam no fim da jornada diária e nem nos fins de semana.

Como é o próprio dinheiro que está em jogo, a pessoa vai querer é trabalhar mais para que as coisas prosperem. “Incentivar pessoas que não estão preparadas para empreender não é fomentar o espírito empreendedor – é um exercício de irresponsabilidade”, argumenta o autor. Seu livro é um manual ao contrário com uma moral da história simples: veja o que deu errado para que o seu negócio dê certo.

– Como as Empresas podem errar com o Twitter

Compartilho um interessante texto sobre como a montadora Nissan sofreu e perdeu consumidores por uma infelicidade com o Twitter. Após promoção, não contou com os golpes dados por integrantes desta Rede Social.

Abaixo, extraído de Revista Época, pg 78, Ed 20/12/2010, no. 657

DERRAPOU NO TWITTER

A Nissan inovou com promoção na rede social. Mas se enrolou com um internauta acusado de fraude.

Por Bruno Ferrari

O povo brasileiro tem uma antiga paixão por carro. Outra paixão, mais recente, são as redes sociais: dos 40 milhões de usuários ativos de internet no Brasil, mais de 80% frequentam algum desses sites. Com todo esse potencial, uma ação de marketing que unisse essas duas paixões não teria como dar errado. Foi o que a montadora japonesa Nissan imaginou quando lançou a promoção “Quero meu carrão”. O objetivo era que usuários da rede social Twitter divulgassem uma mensagem em seus perfis e que essa mensagem fosse repassada pelo maior número de contatos. Quem atingisse a marca de 44.500 “retuites” (ou RTs) levaria um carro Tiida novinho, no valor de R$ 44.500. Mas a bela sacada de marketing deu errado.

Um grupo de usuários do Twitter se mobilizou para ganhar o carro. Queriam doar o prêmio à Família Santa Clara, uma instituição de caridade. Pessoas influentes do Twitter no Brasil endossaram a campanha. Em poucos dias, porém, um perfil identificado como @tca_oficial ultrapassou os 44.500 RTs, levando o carro.

Desconfiados do perfil, que era anônimo e tinha mais de 100 mil seguidores (marca que só celebridades conseguem), o grupo que perdeu o carro mobilizou-se para encontrar indícios de trapaça do usuário @tca_oficial. Não precisou de muito. O próprio Twitter excluiu a conta vencedora dois dias depois por uso de técnicas para inflar artificialmente o número de seguidores (conhecidas como “scripts”).

Houve protesto em blogs, no Twitter e em diversos sites de notícia. Criou-se até o perfil @nissanfail (“Nissan falhou”) no Twitter. A montadora então prorrogou a promoção, oferecendo um segundo carro e tomando medidas de precaução. “Houve uma comoção no Twitter”, diz Carlos Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan. Moreno diz que o regulamento não previa penalizar o uso de script, e a Nissan poderia ser acionada na Justiça pelo ganhador da promoção. O publicitário Fernando Gouveia, que concorria ao prêmio no Twitter e escreveu um post em seu blog sobre o caso, rebate: “O item 4.8 do regulamento diz que serão excluídos os participantes que burlarem o sistema de segurança do Twitter”.

Para evitar que o segundo carro caísse na mão de outro hacker, a Nissan criou uma comissão para analisar tecnicamente o ranking da promoção, que se encerra no dia 20. Decidiu-se então que as mensagens com RTs dados indevidamente seriam excluídas. A advogada Flavia Penido, usuária do Twitter e com casos envolvendo Direito Digital na carreira, diz que a Nissan age com cautela. “O Direito não é uma ciência exata. É preciso que quem esteja julgando saiba exatamente como funciona o script”, afirma Flavia, que participa da comissão da montadora.

A Nissan tem o mérito de inovar num mercado promissor. “O custo do aprendizado é nosso”, afirma Moreno. “Mas a melhor solução nesse caso é ser transparente.” Um grupo de participantes que se sentiu prejudicado se uniu via internet e está pensando em mover uma ação coletiva contra a empresa. A ação da montadora japonesa mostrou o potencial de marketing das redes sociais. Mas mostrou também que, agora, ao lado da equipe de criação, é bom as empresas incluírem um advogado especializado em internet.