– Encerrando as considerações sobre o Santo Antão Fake

A maioria dos católicos não gostou do desfile dos Gaviões da Fiel, e eu me incluo nesse rol. Claro, maioria não é totalidade, e respeito aqueles que entenderam ser livre expressão poética o tema da origem do tabaco. 

Minha opinião já expressei na postagem publicada em: https://wp.me/p4RTuC-mTY . Dessa forma, em um país democrático, quem gostou pode aplaudir e quem não gostou pode vaiar. Tudo bem. Só não vale forçar que “quem desgostou tenha que gostar”. 

Dentro do respeito a todas as crenças, a mistura de temas que envolvam Cristianismo (aqui em particular o Catolicismo, por explorar a devoção – que não é adoração – a Santo Antão), Umbanda, Espiritismo, Esoterismo ou qualquer profissão de fé, sempre será explosiva e polêmica.

De novo: quem gostou aplauda, quem não gostou pode vaiar ou mudar de canal. Mas irrita a quem vive uma religião ver algo deturpado da sua prática. A história do monge eremita Antão, que combateu o arianismo (conheça em: https://wp.me/p4RTuC-mHL) é diferente da alegoria e arte da Escola de Samba. Fisicamente retratado como Jesus (claro, para que ele se parecesse com Cristo sem ter semelhança alguma nos registros históricos) somando-se a um conto mítico (ou místico, se preferir). E com um sacerdote parecendo-se com Santo Antão junto ao Cristo-caído (ou Antão-Fake) ao lado do Diabo. 

Vitória do bem sobre o mal? Vacilo do bem antes de vencer o mal? Dualidade de forças do bem e do mal?

Pra quê o católico praticante precisa ser invadido dessas questões dúbias?

A resposta é simples: o carnavalesco criou sua própria narrativa usando elementos da nossa fé para o seu público: o torcedor de Escola de Samba. E o fez ao gosto do seu contratante, ao desgosto do que cremos. 

Não entenda a releitura desse samba-enredo como uma obra de evangelização ou catequese cristã. ELE NÃO TEM NADA DISSO. É apenas uma ficção, onde, pela enésima vez ressalto: aplauda quem goste, vaie quem não goste. 

Só não me faça engolir que o cara da avenida é o mesmo Santo Antão dos católicos, nem me obrigue a louvar algo que ofenda meus princípios religiosos.

Se alguém faz “arte” ofendendo os homossexuais, negros, pessoas de crenças de raízes africanas, por exemplo, corretamente (e deve ser assim) se taxará de intolerante. Mas quando o capeta vence o Jesus/Antão (mesmo depois deixando no ar que o resultado final foi o contrário), é cultura e não ofende a fé cristã? Como assim? Não é intolerância também?

Nunca se aceitará que o mundo vive em vários momentos uma Cristofobia disfarçada de liberdade de expressão.

Compartilho algo que expressa o que penso, de Aleteia.org: https://pt.aleteia.org/2019/03/04/padres-zezinho-e-gabriel-vila-verde-reagem-a-desfile-blasfemo-da-gavioes-da-fiel/?fbclid=IwAR11mSONUkJ4qAMdmZ3B1KIawIn6vZ_sIBgL_R6PXSGOyQ_Kwn8rEI1Lvus

PADRES ZEZINHO E GABRIEL VILA VERDE REAGEM A DESFILE BLASFEMO DA GAVIÕES DA FIEL

Pe. Zezinho: “E se alguém procurar um juiz, perderá a causa!”. Pe. Gabriel: “O cristão que acha isso normal pode cuspir na Cruz”

Em seu desfile carnavalesco deste ano, a escola de samba Gaviões da Fiel, ligada ao clube paulista de futebol Corinthians, apresentou a figura do diabosupostamente enganando Santo Antão. A representação do santo, porém, se baseia nas características tipicamente atribuídas a Jesus Cristo em Sua Paixão, o que gerou grande debate entre os cristãos. Foi com as características de Jesus que o santo dos primeiros tempos do cristianismo teria sido derrotado pelo diabo, de acordo com a “releitura” da escola de samba.

Um momento que incomodou e ofendeu particularmente muitos cristãos que se manifestaram na internet foi a hora em que o suposto Santo Antão cai ao chãocom os braços estendidos em forma de cruz. É quando o intérprete do diabo impõe sobre ele o seu tridente, em postura vitoriosa do mal.

A alegação da escola de samba de que a figura caída ao chão era a de Santo Antão e não a de Cristo passou longe de “colar” para os cristãos – até porque havia no mesmo desfile uma enorme alegoria do santo representado como um homem careca e de roupas longas, sem qualquer semelhança com o passista coroado de espinhos e trajando apenas um tecido enrolado ao quadril.

Católicos e evangélicos reagiram com severas críticas nas redes sociais. Entre os comentários que mais repercutiram estão os de dois sacerdotes bastante queridos pelos brasileiros: o pe. Zezinho, muito famoso pelas suas catequeses e composições musicais católicas, e o pe. Gabriel Vila Verde, muito ativo no Facebook em defesa da fé e dos valores da família e da vida.

Eis os comentários destes dois sacerdotes:

Pe. Zezinho: “Fizeram, fazem e farão”

Transcrição:

Quem lê minhas páginas entende porque tomo ou não tomo posição diante de temas polêmicos. É que lecionei comunicação por 32 anos e leio Sociologia e História Universal. E sei o suficiente de Código Civil e Penal para saber se vale a pena repercutir o que vai pelas novelas ou pelo carnaval.

O episódio do desfile da GAVIÕES DA FIEL, que não vi, mas que alguém me mostrou, é uma dessas polêmicas criadas para conseguir debates, como algumas novelas da Globo. Fizeram, fazem e farão. E quanto mais protestos houver, mais eles serão lembrados.

O Governo, os Juízes e a PF nada farão. Por isso, mostrar Jesus sendo derrotado pelo demônio, embora não seja Jesus, mas Santo Antão, e no final, alguém vence e o povo se dividirá entre vitoria do diabo ou de Jesus… é bem isso que o carnavalesco queria.

Estão falando da sua ousadia. E os Gaviões da Fiel serão lembrados. E era isso que queriam.

Sugiro que, se debate ou discussão houver, que os cristãos orientem seus fiéis para saberem como reagir. Mas nada acontecerá a quem bolou este desfile. E se alguém procurar um juiz, perderá a causa!

Já fizeram isso com filmes sobre Jesus, Maria, Maria Madalena, Judas, o Papa e os padres e também pastores e rabinos. Protestar vai dar mais ibope para o carnavalesco.

Fez, faz e fará! Como nas novelas da Globo, a arte é desafiar e ganhar um pouco mais de Ibope. Isto, a longo prazo pode funcionar: mudar de canal ou de torcida pode dar certo para católicos e evangélicos irados. Mas acontecerá aos poucos. O povo às vezes se cansa de ofensas contra sua fé ou contra a sua família. Mas leva tempo!

A maioria não reagirá, como tudo neste Brasil. E daí? Foi apenas um teatro de sambódromo…

*

Pe. Gabriel Vila Verde: “Sabe onde está tua fé e o teu temor a Deus? Na lata do lixo!!!”

Em seu perfil no Facebook, o popular sacerdote compartilhou uma sequência de comentários críticos ao desfile:

Transcrição:

Todos os anos, é comum encontrar figuras de demônios nas escolas de samba. Esse ano eles foram mais longe: dramatizaram a vitória de satanás sobre Cristo. O cristão que acha isso normal pode rasgar o batistério, queimar a Bíblia e cuspir na Cruz.

Todos os anos, “ele” tem o seu lugar de honra. Para os céticos e atualizados, é só uma brincadeira inofensiva e mal interpretada pelos “fanáticos” cristãos.

Quem vier na minha página defender essas encenações do diabo no carnaval, vai ser bloqueado SIM. Vá defender suas incoerências no seu perfil. Não estou no Facebook para ter seguidores nem curtidas, mas para falar o que penso e o que creio. Fica aqui quem gostar do que eu publico! Está avisado? Beleza!

Se falarem mal do político de estimação, vira bicho. Se falarem mal do time preferido, se zanga. Se vê uma paródia com Jesus no carnaval, acha lindo e normal. Sabe onde está tua fé e o teu temor a Deus? Na lata do lixo!!!

 

carnaval 2019 Santo Antão Jesus

Segundo a “justificativa” da escola de samba, estas duas figuras seriam a mesma pessoa: Santo Antão

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