– Visão de Árbitro sobre número de faltas em Messi e em Neymar

Uma discussão que se alonga há tempos, e que confesso, se tornou cansativa, é: Neymar é caçado em campo ou não?

Quando surge o debate sobre esse tema, não há como não lembrar de Messi: o atual número 1 do mundo é costumeiramente recordado para se comparar, polemizar e até mesmo rivalizar com o jogador santista, justamente pela fama que o argentino tem em “não cair em campo”, permanecendo em pé e disputando as jogadas sem priorizar as faltas. Para quem não teve a oportunidade de assistir, vale a pena esse vídeo do YouTube: Lionel Messi – Never Dives: http://www.youtube.com/watch?v=I0gS5CshUDE

Porém, alguns números podem trazer, se analisados de maneira absoluta e não-relativa, uma falsa impressão de que Neymar é perseguido duramente em campo, enquanto Messi não é. Esses números se referem a faltas recebidas. Vamos conhecê-los?

Segundo os dados do ex-árbitro FIFA e atualmente comentarista do Sportv Leonardo Gaciba, em Outubro/2012 (quase final do Brasileirão 2012 e do 1o turno da Liga Espanhola 2012/2013), Neymar sofrera 7,2 faltas por jogo, contra 2,2 de Messi.

De maneira simplista, você pode dizer que Neymar apanha mais de 3 vezes do que Messi. Mas há um dado curioso: o português Cristiano Ronaldo recebeu no mesmo período 2,4 faltas por jogo, quase a mesma média do argentino rival (dados em: http://is.gd/AmXQCt). Neymar sofre muitas faltas, ou os jogadores do Campeonato Espanhol recebem poucas?

Ainda ingenuamente, você poderia alegar que tais números comprovam que Neymar é perseguido. Mas antes de aprofundarmos o debate, mais números curiosos: até Ananias, jogador da Portuguesa, recebeu mais faltas que Lionel Messi! O atleta, segundo o Uol/Folha de SP/ DataFolha (dados em: http://is.gd/sBCHQR) recebeu 3,3 faltas por jogo durante o último Campeonato Brasileiro, sendo o 10o do ranking de atletas que sofreram infrações naquele ano.

Para ajudar a ter uma melhor interpretação dos números, vale outro indicador: o de médias de faltas por torneio. Em 2012, o Campeonato Brasileiro teve 36,8 faltas / jogo (contra 36,2 em 2011). Wilton Pereira Sampaio, eleito o melhor árbitro do campeonato pela CBF (embora não tenha meu voto), marcou quase 44 faltas /jogo. Na Espanha, a média é 28. Na Inglaterra e na Argentina, 21 (dados de http://is.gd/TwfkOT)! No Paulistão, em jogos do Santos (até a rodada 6, segundo as súmulas da FPF), é de 31,5.

É necessário comentar: o que podemos dizer do número de faltas por aqui, se uma partida tem 90 minutos? Uma falta a quase 2 ½ minutos corridos! E se contabilizarmos tempo efetivo de jogo (bola rolando), a coisa piora.

As características dos dois atletas – Neymar e Messi – bem como as dos campeonatos – brasileiro e espanhol – podem nos dizer muita coisa. E é aqui que começamos uma interpretação relativista dos números observados até agora, que são frios e, portanto, absolutos. Com olhos de árbitro de futebol, sem dúvida é preferível o estilo de jogo de Messi do que o de Neymar, pela facilidade em arbitrar as partidas desses dois atletas comparados. Para a magia do futebol e do seu meio envolvido, prefere-se o inverso, pois não se polemiza pós-jogos do argentino do Barcelona, ao contrário dos pós-jogos do brasileiro do Santos.

Enfim: Neymar é perseguido ou não?

Para responder, leve em conta algumas coisas:

1) O número de faltas em Messi é baixo, pois normalmente ele abdica da falta e prefere levar a vantagem mantendo a posse de bola (quando é possível). Neymar prefere a bola parada (muitos clubes que possuem bons batedores de falta entendem que a vantagem é ter uma falta, ao invés da posse de bola). Assim, as faltas não marcadas pelas vantagens que Messi se beneficia não são contabilizadas, trazendo o índice dele para baixo.

2) Em muitos lances, Neymar procura cavar faltas (legalmente – forçando seus marcadores a tentarem que roubem a bola; e ilegalmente – simulando faltas). Os dribles numerosos naturalmente forçam a falta. Messi não tem essa característica. Portanto, nesse quesito temos um aumento do índice do santista.

3) Neymar não tem tantas estrelas ao seu lado para jogar, como Messi, que pode dividir responsabilidade com Xavi, Niesta & Cia. Então, por ser mais participativo durante as partidas, Neymar é mais visado. Objetivamente: Neymar prende mais a bola do que Messi, por falta de maiores opções de companheiros de alto nível técnico.

4) Há 4 anos, Neymar figura na relação dos 4 atletas que mais apanham no Campeonato Brasileiro, mas está ao lado de jogadores que costumam ser mais individualistas e que costumam procurar o contato físico do adversário (em alguns casos, esses atletas são taxados de provocativos). Veja a relação (do UOL: http://is.gd/sBCHQR)

a)2012– (Faltas por jogo)

Neymar (Santos) 6,6

Valdívia (Palmeiras) 4,6

Kleber Gladiador (Grêmio) 4,3

Emerson Sheik (Corinthians) 4,3

b)2011– (Faltas por jogo)

Neymar (Santos) 6,9

Kleber Gladiador (Palmeiras) 5

Emerson Sheik (Corinthians) 4,1

Wellington Nem (Figueirense) 4

Valdívia (Palmeiras) 3,7

c)2010– (Faltas por jogo)

Kleber Gladiador (Palmeiras) 5,5

Neymar (Santos) 4,6

Maicosuel (Botafogo) 3,7

Joilson (Grêmio) 3,7

d)2009– (Faltas por jogo)

Ganso (Santos) 9

Rodriguinho (Fluminense) 7

Caio (Botafogo) 7

Neymar (Santos) 6,5

5) Diante dos dados acima, uma outra consideração deve ser feita: alguns atletas não são bem quistos pelos adversários, e tendem a receber mais faltas. Seja pelo estilo debochado, por simulação, por bronca alheia ou até por inveja. Outros atletas, ao contrário, costumam ser mais respeitados e tendem a receber menos faltas, seja pela admiração do adversário, carisma e até mesmo pelo medo de lesionar um possível ídolo.

Cá entre nós: Kleber Gladiador, Emerson Sheik, Valdívia, entre outros, se enquadram no primeiro quesito. Já Raí, Ronaldo Nazário, Marcos e Rivaldo, constituem um elenco respeitado entre os próprios boleiros.

Corrobora com esse item uma declaração de José Mourinho, treinador do Real Madrid, ao final da temporada de 2010/2011 na Espanha. Na oportunidade, o português se queixava de que Cristiano Ronaldo sofria o dobro de faltas do que Messi e criou uma polêmica (extraído de: http://is.gd/QXAtnB), dizendo que:

Há jogadores a quem os adversários têm medo de meter o pé. Ronaldo não tem o privilégio desses outros jogadores (…) Tem 1,85 metros, é um animal de força e tem bom corpo para que lhe acertem. Por isso… zás e zás, pensam os adversários. E continuam a dar-lhe e a dar-lhe”.

Detalhe: a média de faltas recebidas naquele momento era de: Cristiano Ronaldo 2,4 contra Messi 1,3 (somando Taça do Rei e a Liga Espanhola).

6) As considerações dos 5 tópicos acima se somam a um problema perceptível: o rodízio de faltas praticado contra Neymar. Não que essa estratégia (difícil de ser punida corretamente pelos árbitros) seja a responsável pelo alto número de faltas (já justificada nas observações anteriores), mas ela é preocupante. A fama criada pelo santista de simulador de faltas e/ou “cai-cai” (verdadeira no início de carreira, mas claramente menor hoje) é um empecilho para que os árbitros consigam discernir as faltas reais das simuladas. Dessa forma, muitas vezes algumas faltas que aconteceram não são marcadas, e vice-versa.

7) Nível dos jogos: quanto melhor a qualidade dos adversários, menor o número de faltas. Real Madrid X Barcelona, por exemplo, disputado dias atrás, mostra respeito entre os atletas. Há espaço para os craques, marcação por zona e menor número de faltas (independe se em Xavi, Messi, Cristiano Ronaldo). Na Copa do Mundo de 2010, Inglaterra X Alemanha jogaram e só cometeram 13 faltas. Há duas semanas, contra o Santos, o Bragantino (sozinho) cometeu 22 infrações.

Pela lógica, quanto mais espaço, melhor desempenho. Vide a última Copa América: o rendimento de Lionel Messi na Seleção Argentina não foi o mesmo que no Barcelona (importante: não foi possível a obtenção dos dados das partidas da Copa América, nem da Libertadores, pois a Conmebol não disponibiliza publicamente as súmulas, sendo difícil obter o número de faltas sofridas pelos atletas nessas competições).

Assim, fica novamente a pergunta final, com minha particular apreciação: Neymar é perseguido ou não?

Para mim: Não, por todas as considerações acima. Os números frios com alto número de faltas sobre Neymar e baixo sobre Messi, de maneira absoluta, impressionam e são impactantes. Mas uma análise com as nuances relativas mostram que as características dos atletas explicam a naturalidade do índice de faltas, que não é excepcional e nem exclusivo deles, já que os estilos de jogo, dos torneios disputados e adversários costumeiros proporcionam esse resultado.

A curiosidade (com resposta incerta) é: e se hipotética (mas utopicamente) Neymar jogasse no lugar de Messi no Barcelona e Messi no lugar de Neymar no Santos, como seria?

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(Durante as Olimpíadas de Londres, o jornal londrino The Guardian pediu que seus leitores enviassem sugestões de fotos que ilustrassem como viam Neymar. Essa foi a vencedora.)

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(foto: extraída do site do Barcelona – divulgação)

O Lance de Ronaldinho Gaúcho X Rogério Ceni em Atlético/MG X São Paulo. Vale?

Na partida entre Atlético Mineiro 2 X 1 São Paulo, na noite de quarta-feira pela Libertadores, um lance inusitado: Ronaldinho Gaúcho bebia água junto a Rogério Ceni, e eis ficou lá na grande área são-paulina sozinho, isolado, em posição de impedimento.

Porém…

Não é que um arremesso lateral foi cobrado a ele, que sozinho pegou a todos desprevenidamente e marcou um gol?

Se jogada treinada ou não, sei lá. Mas conheciam a regra e foram inteligentes.

E algo a debater: por quê não se treina detalhes da Regra do Jogo?

Quer melhor exemplo do que tiro de meta? Basta o cara ficar na banheira e esperar um “bico do goleiro”, que não há problemas. Poucos jogadores sabem que não existe impedimento em tiro de meta…

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– A troca da Gasolina pelo Etanol

Devido ao aumento do preço da Gasolina, muitos consumidores estão abastecendo o Álcool Hidratado (Etanol) – embora, com o aumento do volume de vendas, a produção já esteja sendo insuficiente e o preço do Etanol também esteja aumentando.

Mas um detalhe que tem passado desapercebido: muitos veículos bicombustíveis que saíram da agência zero quilômetro e nunca usaram Etanol, têm apresentado problemas quando trocam a Gasolina por esse combustível. É que alguns veículos rodam a dois ou três anos somente com Gasolina, e, consequentemente, o chip “viciou”, não entendendo prontamente que o carro está usando a outra opção disponível.

O ideal é que se deixe o carro esgotar o tanque para mudar o combustível. Esse impacto faz com que o chip seja forçado a entender o novo produto. Quando você coloca meio tanque do outro produto (sem nunca ter abastecido ele antes), pode ocorrer que o eletrônico entenda que é combustível adulterado, pois não reconhece uma mudança de produto.

Enfim, tudo isso varia de carro-a-carro, dependendo muito de como você acostumou seu veículo. Vale a pena tomar cuidado e se preparar, caso seu automóvel comece a engasgar.

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– Quaresma: Tempo de Reflexão e Considerações sobre o Jejum

Estamos no Período Quaresmal, quando relembramos a Paixão de Cristo e refletimos sobre a vida.

Nesta época, devemos nos atentar a 3 virtudes teológicas: o Jejum, a Caridade e a Oração.

A ORAÇÃO nos ajuda a estarmos em diálogo com Deus; a CARIDADE nos aproxima dos nossos irmãos necessitados; já o JEJUM é em busca do nosso auto-controle.

Quanto ao Jejum, vale lembrar: não é deixar de comer carne e ir comer bacalhau. A idéia central é de abdicar de algo que gostamos e reverter em favor dos pobres. Se eu como muito, deixo de comer e com o dinheiro compro comida aos famintos; se eu perco muito tempo assistindo televisão, deixo de assistir e aproveito aquele tempo para praticar ações sociais. Enfim, é trocar algo que nos dá prazer em favor de ações fraternas.

Jejum, portanto, não é relacionado exclusivamente ao alimento, mas sim a atitude!

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– Má-Educação ou Desespero?

Terminado o Carnaval, leio que quase 700 pessoas foram presas por urinar na rua. O folião não consegue se conter, e faz xixi na via pública.

Aí temos dois problemas:

1-O cara que pega uma cordão carnavalesco, bloco de rua ou sei-lá-o-quê (e ainda bebe todas), não deveria ter a noção de que uma hora ou outra sentirá necessidade de ir ao banheiro?

2-Em contrapartida, as autoridades públicas não deveriam espalhar banheiros públicos durante o trajeto?

Independente das duas colocações acima, penso que é uma tremenda falta de educação urinar na frente dos outros, principalmente se a causa for “excesso de farra”.

E você, o que pensa sobre isso?

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– Administradores de Empresas não Conseguem Explicar sua Utilidade?

Stephen Kanitz, grande consultor em Administração de Empresas, publicou em um de seus numerosos e importantes artigos um pensamento interessante:

A maioria dos administradores não consegue provar a sua utilidade nem explicar o que exatamente faz”.

De tal afirmação, surgiu o texto abaixo extraído de http://t.co/6zXcXpJN

E aí, você concorda com  ele?

O ESTILO GERENCIAL DO ADMINISTRADOR

Toda profissão tem um estilo gerencial próprio. Ela depende das necessidades da profissão e de seus valores.

Muitos engenheiros, por exemplo, são perfeccionistas. Perfeccionismo é uma necessidade, ou um valor que muitos engenheiros possuem. O trabalho tem que ser bem feito, custe o que custar.

Por outro lado, advogados são detalhistas. São capazes de gastar horas em uma cláusula de contrato que provavelmente nunca será necessária. O trabalho é demorado, mas quando pronto o contrato cobrirá todos os detalhes e todas as incertezas do futuro. É isto que define um contrato bem feito.

Ambas as profissões administram suas vidas sob estilos gerenciais diferentes, definidos pelos seus valores e necessidades.

Por isto, todas as profissões entram em conflito com a profissão do administrador. Elas acham, incorretamente que o estilo gerencial do administrador é conflitante ou então desnecessário.

Por isto, tantas profissões, empresários e governadores não valorizam o administrador, porque não acham que nosso estilo administrativo seja superior, muito pelo contrário, “vocês não entendem nada de engenharia e advocacia”.

Pergunte a um engenheiro, advogado ou psicólogo qual é o estilo gerencial do administrador, e eles provavelmente também usariam um único adjetivo.

Provavelmente nos definiriam de “imediatistas”, preocupados com lucros de curto prazo, como Paul Krugman e seus colegas não param de escrever no New York Times.

Administradores, segundo a visão popular, querem tudo para “ontem”, vivem dizendo que “o ótimo é o inimigo do bom”, que precisamos mais de “acabativa” e não de iniciativa.

A maioria dos administradores, infelizmente, não consegue provar a sua utilidade nem sabe explicar exatamente o que faz. Por isto, eles não ganham o que merecem, por isto não são valorizados.

Muitos acham que administrar é liderar, executar, coordenar. Isto está até escrito em inúmeros livros de Administração adotados pelas nossas Faculdades de Administração. Uma tristeza!

Vou apresentar uma das funções básicas do administrador, e que define em linhas gerais o seu estilo, e que surpreendentemente muitos administradores sequer ouviram falar nas grandes escolas de Administração como FGV, Insper, Ibmec e USP.

Basicamente, a função do administrador é não permitir que  problemas se acumulem.

Uma organização complexa, que é a empresa moderna, requer a cooperação de milhares de pessoas, dentro e fora da empresa. E, esta cooperação gera inúmeros problemas que se não forem solucionados a tempo afetarão todos os parceiros envolvidos na empresa.

Não permitir que problemas se acumulem talvez seja a tarefa mais importante para o bom andamento de toda família, empresa e nação.

Quando o mundo era gerido por açougueiros, padeiros e fábricas de alfinetes, como observou na época  Adam Smith, de fato não havia muitos problemas “acumulados”, e nem havia necessidade para se contratar administradores. Tudo funcionava pela Mão Invisível do mercado, não pela “Mão Visível” do administrador, como apontaria 200 anos depois  seu livro com este mesmo título Alfred Chandler.

Hoje, o mundo é bem mais complexo e rápido, razão pela demanda crescente de profissionais em administração.

Toda empresa e nação precisa de um corpo de profissionais treinado e dedicado a resolver os problemas de forma rápida.

Não somos imediatistas como muitos acreditam, nós simplesmente estamos evitando que problemas se acumulem um atrás do outro, e nestes casos rapidez de raciocínio e ação são essenciais.

Por isto, nós nos preocupamos tanto com acompanhamento, qualidade total, processos, auditoria, recursos humanos, etc.

Infelizmente, não é assim que a maioria dos intelectuais brasileiros que ocuparam tantos cargos de destaques neste país pensam.

Toda a filosofia de ensino, pelo menos a partir do iluminismo e cientificismo, é voltada para resolver problemas corretamente, até a segunda casa decimal. Rapidez, só no vestibular.

Todos os dados precisam ser precisos e rechecados. Todas as variáveis precisam ser “controladas”. O ser humano precisa estar “absolutamente certo”, o refrão do programa “O Céu é o Limite”.

Quando se acusa o PSDB de ficar sempre em cima do muro, na realidade se comete uma injustiça. Eles não evitam decidir ou tomar partido, na realidade seus intelectuais são simplesmente mais demorados na tomada de decisão, como todo intelectual.

Só que resolver problemas corretamente hoje em dia não é suficiente. Eles precisam ser resolvidos rapidamente, algo que nossos formadores de opinião, jornalistas e acadêmicos simplesmente não compreendem.

Temos que tomar decisões com os dados que temos, não com os dados que gostaríamos de ter.

O Brasil é um país atrasado porque estamos eternamente acumulando problemas.

É tão óbvia esta constatação que espanta que nossa opinião pública, nossos intelectuais e professores de história nunca perceberam esta simples verdade da história brasileira.

Quando se diz que precisamos fazer a Reforma Política, a Reforma Tributária, a Reforma Judiciária, o que queremos dizer é que deixamos tantos problemas se acumularem nestas áreas que somente uma ampla reforma resolverá o problema.

Se tivéssemos resolvido os problemas na medida que surgiram, o Brasil teria evoluído, teria caminhado para um sistema ótimo, em vez de termos que criar revoluções e enormes reformas de tempos em tempos, que no fundo nos atrasam ainda mais.

Temos problemas no judiciário, na previdência, na logística, na infraestruturua, na educação, na economia, simplesmente porque não temos um estilo gerencial que se preocupa com a rápida solução de problemas. Eproblemas que se acumulam crescem exponencialmente, não linearmente, como todo administrador sabe por experiência.

Quatro entre cinco empresas quebram no Brasil, porque são geridas por profissões que não percebem que problemas não podem se acumular. Aí, qualquer crise ou evento fora do comum, as abate.

Nenhuma empresa quebra por uma única razão, nenhum avião cai por causa de um único problema. Estas quatro empresas quebram a um custo de capital monstruoso para o país, por falta de um estilo gerencial apropriado.

O Brasil não poupa o suficiente para crescer; e pior, torramos 80% desta poupança em empresas que irão quebrar em quatro anos.

Eu não diria, e nunca disse, que o estilo gerencial do administrador é superior ao do engenheiro, do advogado ou do economista.

Infelizmente, estas profissões se sentem ameaçadas pelos administradores, à toa.

Não queremos comandar, gerir, tomar o lugar de ninguém.

Quero deixar claro para todo empresário, sociólogo, economista e político que possa se sentir ameaçado, que o estilo do administrador não é superior.

Ele é simplesmente necessário.

Não podemos permitir que nossos problemas se acumulem simplesmente porque cada profissão acha que seu estilo gerencial é superior.

Nós administradores aceitamos que engenheiros sejam perfeccionistas, que advogados sejam detalhistas, que economistas queiram dados precisos, mas tudo isto tem de ser adequado para não atrapalhar os outros dentro da empresa ou do governo.

Não podemos ficar esperando enquanto os outros seguem seus estilos individuais.

Engenheiros, advogados e economistas precisam entender que seus estilos gerenciais são superiores e apropriados, quando se trabalha sozinho, mas quando se trabalha em grupo é necessário conciliar.

Trabalhando em grupo, um simples atraso numa reunião atrapalha os outros, imaginem um problema que  não foi solucionado por anos a fio.

Quando vejo acusarem administradores e empresários de “imediatistas”, que pensamos somente no curto prazo, percebo que estas pessoas nada entendem das funções do administrador, de crescimento, de justiça social, de democracia e de um mundo feliz cheio de realizações, porque tudo é feito na velocidade necessária.

Se você está cansado de um país estagnado, que cresce aquém de suas possibilidades, que acumula pobreza, corrupção, injustiça e inúmeros problemas, converse mais com um administrador. Ele o ajudará a decidir e implantar suas ideias muito mais rapidamente do que você vem fazendo até hoje.

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