– Análise dos Lances Polêmicos de Santos X São Paulo, Vila Belmiro, 03/02/2013

No primeiro clássico do Paulistão 2013, dois lances complicados para a arbitragem e que valem a pena serem debatidos.

A- GOL ANULADO DE LUÍS FABIANO

A bandeira Tatiane Sacilotti, em pouquíssimos segundos teve que decidir um lance capital e de extrema dificuldade. Luís Fabiano marcou gol para o São Paulo no final do primeiro tempo, anulado pela árbitra assistente.

Correto ou não?

Antes da resposta, vale entender quando se dá o impedimento e as 3 importantes avaliações para se determinar se ele deve ser consignado ou não (Regra 11 – Impedimento – aqui resumidamente):

“O jogador estará impedido se estiver mais próximo da linha de fundo do que a bola exceto se tiver 2 ou mais atletas entre eles ou em mesma linha- não valendo impedimento para lances de escanteio, arremesso lateral ou tiro de meta (quando lançada por companheiro).

Ele estará em impedimento ativo quando:

1-    Interferir ativamente no lance (tocando-a, por exemplo);

2-    Interferir contra um adversário (obstruindo-o, tirando-lhe a atenção, etc);

3-    Interferir por tirar proveito da sua posição (ex: aproveitando-se de um rebote).

Assim, observe: quando a falta para o São Paulo é cobrada, Rodolpho está a frente dos demais adversários (exceto o goleiro). É nesse exato momento em que se define o impedimento, mas que ainda não se pode caracterizá-lo como ativo ou passivo, pois deve-se esperar a conclusão da jogada. O zagueiro santista Neto (assim como os demais atletas) não sabe se o jogador adversário está impedido (pois espera a confirmação ou não da arbitragem, que corretamente aguarda o desfecho do lance) e continua a marcação ao adversário, que busca a bola. Enquanto ela viaja, Luís Fabiano também tenta alcançá-la. Na cabeçada de Luís Fabiano, que está em posição legal, Neto não consegue chegar antes do são-paulino pois marcava Rodolpho que também tentava a bola. Repare que o santista está entre os dois são-paulinos. Questione: ele sabe a quem deve dedicar seu esforço na marcação, já que a bandeira não está levantada?

  • – Se Rodolpho, que estava em condição de impedimento, tivesse parado no lance: gol legal do Luís Fabiano pois o zagueiro são-paulino não participou ativamente do lance; também não atrapalhou ninguém e nem obteve vantagem da sua posição (as 3 situações citadas acima).
  • – Se Rodolpho não tivesse um zagueiro o acompanhando até a conclusão do lance, o gol seria válido mesmo com ele em movimento, pois a bola chegou a um companheiro em condição legal.

Portanto, gol acertadamente anulado (repare que a bandeira ergueu seu instrumento no exato momento da  conclusão, aguardando o desfecho da participação de Rodolpho). E algo curioso: se Neto a cabeceasse para fora, seria marcado escanteio, pois o são-paulino estaria em impedimento passivo, já que não atrapalhou o santista na sua missão de evitar o gol do adversário.

B- PÊNALTI DE PAULO MIRANDA EM NEYMAR

O árbitro Flávio Guerra logo no começo do segundo tempo teve trabalho: Neymar avançou próximo da área penal e Paulo Miranda tentou lhe roubar a bola. Neymar caiu. Tocado ou não? Falta / Pênalti ou não?

O lance ocorreu dentro da área. Portanto, se houve infração, é pênalti.

Nas imagens da Rede Globo, há uma imagem em que Paulo Miranda tenta com um carrinho atingir a bola e não consegue acertá-la. Seu pé direito toca levemente o pé direito de Neymar (dificilmente tiraria seu equilíbrio), sendo que na sequência o joelho ainda o atinge. Teria tido força suficiente para evitar que ele continuasse a jogada? O que pesa ali é: na queda, ele leva as mãos na canela!

Imagine na cabeça do árbitro como proceder?

Eu não marcaria, embora esse lance seja delicado pelo fato de existir o toque.

Importante: aqui não é a mesma situação em que o atleta pula para evitar que seu adversário o machuque. Se o jogador dá um carrinho temerário (que significa: “não levar em conta a possibilidade de machucar seu oponente”), deve receber cartão amarelo, independente se atinge ou não o adversário, que pode pular caso perceba que pode ser lesionado. Na Vila Belmiro, Neymar não pula por tal motivo, já que Paulo Miranda procura a bola, e não o atleta.

Insisto: dois lances de grande dificuldade onde a decisão deve ser rápida e precisa.

Futebol e arbitragem são apaixonantes por discussões como essa.

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– Análise dos Lances Polêmicos de Santos X São Paulo, Vila Belmiro, 03/02/2013

No primeiro clássico do Paulistão 2013, dois lances complicados para a arbitragem e que valem a pena serem debatidos.

A- GOL ANULADO DE LUÍS FABIANO

A bandeira Tatiane Sacilotti, em pouquíssimos segundos teve que decidir um lance capital e de extrema dificuldade. Luís Fabiano marcou gol para o São Paulo no final do primeiro tempo, anulado pela árbitra assistente.

Correto ou não?

Antes da resposta, vale entender quando se dá o impedimento e as 3 importantes avaliações para se determinar se ele deve ser consignado ou não (Regra 11 – Impedimento – aqui resumidamente):

“O jogador estará impedido se estiver mais próximo da linha de fundo do que a bola exceto se tiver 2 ou mais atletas entre eles ou em mesma linha- não valendo impedimento para lances de escanteio, arremesso lateral ou tiro de meta (quando lançada por companheiro).

Ele estará em impedimento ativo quando:

1-    Interferir ativamente no lance (tocando-a, por exemplo);

2-    Interferir contra um adversário (obstruindo-o, tirando-lhe a atenção, etc);

3-    Interferir por tirar proveito da sua posição (ex: aproveitando-se de um rebote).

Assim, observe: quando a falta para o São Paulo é cobrada, Rodolpho está a frente dos demais adversários (exceto o goleiro). É nesse exato momento em que se define o impedimento, mas que ainda não se pode caracterizá-lo como ativo ou passivo, pois deve-se esperar a conclusão da jogada. O zagueiro santista Neto (assim como os demais atletas) não sabe se o jogador adversário está impedido (pois espera a confirmação ou não da arbitragem, que corretamente aguarda o desfecho do lance) e continua a marcação ao adversário, que busca a bola. Enquanto ela viaja, Luís Fabiano também tenta alcançá-la. Na cabeçada de Luís Fabiano, que está em posição legal, Neto não consegue chegar antes do são-paulino pois marcava Rodolpho que também tentava a bola. Repare que o santista está entre os dois são-paulinos. Questione: ele sabe a quem deve dedicar seu esforço na marcação, já que a bandeira não está levantada?

  • – Se Rodolpho, que estava em condição de impedimento, tivesse parado no lance: gol legal do Luís Fabiano pois o zagueiro são-paulino não participou ativamente do lance; também não atrapalhou ninguém e nem obteve vantagem da sua posição (as 3 situações citadas acima).
  • – Se Rodolpho não tivesse um zagueiro o acompanhando até a conclusão do lance, o gol seria válido mesmo com ele em movimento, pois a bola chegou a um companheiro em condição legal.

Portanto, gol acertadamente anulado (repare que a bandeira ergueu seu instrumento no exato momento da  conclusão, aguardando o desfecho da participação de Rodolpho). E algo curioso: se Neto a cabeceasse para fora, seria marcado escanteio, pois o são-paulino estaria em impedimento passivo, já que não atrapalhou o santista na sua missão de evitar o gol do adversário.

B- PÊNALTI DE PAULO MIRANDA EM NEYMAR

O árbitro Flávio Guerra logo no começo do segundo tempo teve trabalho: Neymar avançou próximo da área penal e Paulo Miranda tentou lhe roubar a bola. Neymar caiu. Tocado ou não? Falta / Pênalti ou não?

O lance ocorreu dentro da área. Portanto, se houve infração, é pênalti.

Nas imagens da Rede Globo, há uma imagem em que Paulo Miranda tenta com um carrinho atingir a bola e não consegue acertá-la. Seu pé direito toca levemente o pé direito de Neymar (dificilmente tiraria seu equilíbrio), sendo que na sequência o joelho ainda o atinge. Teria tido força suficiente para evitar que ele continuasse a jogada? O que pesa ali é: na queda, ele leva as mãos na canela!

Imagine na cabeça do árbitro como proceder?

Eu não marcaria, embora esse lance seja delicado pelo fato de existir o toque.

Importante: aqui não é a mesma situação em que o atleta pula para evitar que seu adversário o machuque. Se o jogador dá um carrinho temerário (que significa: “não levar em conta a possibilidade de machucar seu oponente”), deve receber cartão amarelo, independente se atinge ou não o adversário, que pode pular caso perceba que pode ser lesionado. Na Vila Belmiro, Neymar não pula por tal motivo, já que Paulo Miranda procura a bola, e não o atleta.

Insisto: dois lances de grande dificuldade onde a decisão deve ser rápida e precisa.

Futebol e arbitragem são apaixonantes por discussões como essa.

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