– A Insistência das Lagostas e Vinho Caro para o STF não é uma afronta à sociedade?

Em um país onde faltam hospitais e leitos, escolas e creches, além de recursos financeiros para outras necessidades, o gasto do dinheiro público (que vem do meu, do seu e dos nossos impostos) deve ser algo muito cuidadoso, não?

Mas não é o que se vê: na semana passada, escandalizamo-nos com a licitação do Supremo Tribunal Federal para a compra de grandes quantidades de Lagosta, Camarão e Vinho Caríssimo, com a recomendação de que “o vinho, em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho francês, americano ou ambos, de primeiro uso, por período mínimo de 12 meses”.

A Justiça Federal suspendeu esse processo, num ato de bom senso, mas ontem o STF conseguiu derrubar a suspensão e fazer valer o edital de compra.

Tais mordomias não nos fazem desacreditar no Supremo?

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– Quando o monitor do VAR vira Altar, precisamos colocar as coisas em seu lugar!

Tenho o maior cuidado ao tratar desse assunto tão espinhoso, e que respeito demais: a fé! Possuo a minha (sou católico praticante e leigo engajado em pastorais na minha paróquia – aqui na Diocese de Jundiaí), e sempre tive como base para o exercício fiel da minha espiritualidade o convívio harmonioso com as outras crenças e com as pessoas que em nada acreditam. E para isso ocorrer, deve-se ter “os pés nos chão e o coração no Céu”, pois afinal, crer como fanático cega a pessoa da prática correta da sua religião.

Digo isso pelo acontecido no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, em razão da partida entre São Paulo 1×1 Flamengo pelo Brasileirão 2019. E explico:

Fui árbitro de futebol trabalhando em mais de 700 partidas profissionais e amadoras, e sempre a religião esteve presente no esporte. Pude observar o grande sincretismo religioso, onde se vê de tudo, como jogador que é evangélico, mas reza a oração católica da Ave-Maria, aceita trabalho de pai-de-santo para se recuperar de lesão e dá 3 pulinhos com o pé direito no gramado para ter sorte através da influência esotérica. Portanto, não se critique, mas respeite a individualidade da fé, praticando-a conforme o que se crê.

Na partida citada, observou-se e se tornou um pequeno “mau espetáculo” a reza do árbitro Ricardo Marques Ribeiro na cabine onde ele avalia os lances do VAR. Uma cena fotografada, filmada, discutida e criticada pela imprensa pela exposição. Somada a má atuação do juiz, virou destaque no noticiário esportivo tal desnecessária demonstração de fé.

Ora, precisa-se de tal lugar para uma oração? O local do VAR não é altar! Deus nos ouve em qualquer lugar, se por voz alta ou por pensamento; nos escuta no barulho e no silêncio. Se você está sozinho numa igreja, sinagoga, mesquita, templo, terreiro, montanha ou qualquer lugar, ali você pode encontrar um ambiente de introspecção para a sua oração pessoal. E se esse ambiente está com mais pessoas, vale o mesmo para a fé coletiva na missa, culto, sabath ou outra cerimônia. Da mesma forma, o árbitro que quer pedir proteção ao seu trabalho, deve escolher um espaço no seu vestiário para a sua prece; e se desejar antes da partida fazer uma oração coletiva com sua equipe de arbitragem (ecumênica, se existirem pessoas de fé diferente do que a sua), o faça antes de entrar em campo.

Não sei qual a religião que Ricardo Marques Ribeiro professa, mas o respeito. Porém, entendo inoportuno (e até um pouco profano, misturado com proselitismo) se expor num local em que nada se deve misturar, onde a tendência de se provocar uma polêmica é grande.

Independente da atuação discutível neste jogo de domingo (e até mesmo as de outras partidas ruins, – já o elogiei e o critiquei; já contestei o escudo FIFA que não o acho merecedor – mas sempre respeitosamente), a manifestação religiosa pública numa partida de futebol é algo a ser evitado. Isso vem de uma orientação da FIFA, importunada pela Federação da Dinamarca, que se impressionou com o “mini-culto” provocado por Kaká e uma demonstração de fanatismo religioso pós-Copa das Confederações da África do Sul. De tal forma, surgiu essa postagem (oportuna, creio eu) sobre religião e futebol, que convido a leitura no link abaixo, explicando tal situação indevida.

Compartilho em: https://wp.me/p4RTuC-54g.

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– E a Kraft Heinz está perdendo força para as marcas próprias dos mercados?

Todo mundo sabe que Jorge Paulo Lemann, o dono da Brahma que comprou as demais cervejarias nacionais e virou Ambev, foi ao exterior e virou Inbev, comprou a icônica Budweiser e se transformou Ab Inbev, é considerado o “papa dos negócios” no mundo da Administração de Empresas. Seus diversos outros empreendimentos na área de alimentação, comércio e serviços se valorizam ainda mais quando põe a mão! Entretanto, há um grandiosíssimo “Calcanhar de Aquiles”: a Kraft Heinz.

Outrora a marca Nabisco, comprada pela Kraft Foods e somada à Heinz (a mesma das maioneses, mostardas e catchups tão deliciosos), quando adquiridas todas elas por Lemann e fundidas numa só, imaginava-se no crescimento ainda mais sólido dessas respeitadas empresas. Porém, apesar dos produtos de reconhecida qualidade e tradição, o problema tem sido mundo afora algo que floresce ainda mais no Brasil: a aceitação das marcas próprias das grandes redes varejistas – elas, que são o principal canal de distribuição da Kraft Heinz.

Cada vez mais os “genéricos marcas próprias”, entendendo-se como o produto do nome do supermercado, faz sucesso entre os consumidores pela boa qualidade e preço mais barato. E isso envolve todas as demais empresas: você deixa de comprar o tradicional “Pão Pullman” para comprar o “Pão de Forma Carrefour”, de semelhante qualidade e preço mais baixo. Ou troca a Gelatina Royal (lembram do jingle: “Abra a Booooca, é Royal”?) pela Gelatina Taeq (do Pão de Açucar). Ou opta pelo creme de chocolate com avelãs da Casino (a dona do Extra) por ser parecido mas bem mais barato do que o consagrado Nutella.

Pela gama de produtos dessas marcas de supermercados que concorrem com os da Kraft Heinz, o “baque” sofrido passa a ser grande. Especialmente se levando em conta que quem os fabrica e comercializa são os mesmos que distribuem os da agora ameaçada gigante.

Sabe qual o tamanho desse impacto?

Na divulgação do último trimestre de 2018, um prejuízo de mais de US$ 12 bi, segundo Hugo Vidotto, na última edição da Revista Veja)!

Uau.

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– O Volátil torcedor de futebol. Volátil mesmo?

Veja que interessante, ao longo da história, algumas discussões insistentes:

Copa de 50: “goleiro negro não serve, olha o que fez Barbosa na final contra o Uruguai”. Aí tivemos Dida e outros tantos calando os críticos. Mas a discussão, a quem ainda tem preconceito, resumiu-se a: “quando um goleiro negro ganhou algo importante na Seleção Brasileira?”

Seleção de 82: “jogou bonito, mas não ganhou nada. O que vale é o resultado final”. Então surge Carlos Alberto Parreira ganhando invicto o Mundial dos EUA com o futebol pragmático, confortando os defensores do futebol resultadista. Hoje, com o Palmeiras sendo o atual campeão brasileiro e o Corinthians o atual campeão paulista, volta-se à baila: vale a pena jogar feio e ser campeão, ou se prefere assistir a jogos de equipes ofensivas e que jogam bonito, como o time santista de Sampaoli, eliminado das competições mas aplaudido pela torcida?

Messi da 4ª feira passada: “Monstro”, “Pelé do século XXI”, “Extraterrestre”, “Decisivo”. Mas o Messi de ontem, 3ª feira, pós-derrota para o Liverpool: “Pipoqueiro”, “sem alma”, “não decide quando mais se precisa”, e até, acreditem, “Nunca foi tudo isso”.

Fernando Diniz, na metade do primeiro tempo em Porto Alegre, quando estava Grêmio 3×0 Fluminense: “vai ser demitido”, “enganador”, “fraco”, “sem consistência e irregular”. O mesmo Diniz, alguns minutos depois, estando Grêmio 4×5 Fluminense: “Genial”, “Corajoso”, “Modelo a ser seguido”.

Esses 4 exemplos foram provocativos para mostrar que, muitas vezes, não é o torcedor de futebol que muda tão fácil de opinião, mas sim a parcela de torcedores que defende as situações. Os admiradores de Messi estavam eufóricos no 600º gol do craque argentino, louvando-o nas redes sociais e, automaticamente, obrigando os críticos a se calarem. Esses apaixonados, hoje, continuam admirando Messi. Mas a parcela de torcedores antipáticos a Messi perde a timidez e detona o jogador após uma atuação apagada dele (e de todo o Barcelona) como a vista na Inglaterra.

Dessa forma, a volatilidade da torcida não é algo tão frequente nos dias atuais. Quem defende uma ideia, vai com ela até o fim (com exceções, lógico). O que muda é a força das postagens em redes sociais e comentários contra ou a favor de um time, jogador ou situação, por parte das parcelas.

Quem sempre gostou do futebol bem jogado, dificilmente criticará treinadores como Sampaoli, Telê Santana, Guardiola ou Klopp depois de uma derrota. Os críticos a eles serão os que defendem e sempre defenderam o “ganhar jogando feio”. E o contrário é verdade também.

Essa postagem, claro, foi motivada pelo incrível jogo entre Liverpool 4×0 Barcelona, revertendo o Barcelona 3×0 Liverpool. Por isso que o futebol é tão apaixonante, discutido, amado e odiado!

Viva o futebol ofensivo! Aliás, é tão difícil aceitar que uma equipe genial, mesmo com um elenco “um pouco inferior a outro”, pode vencê-la em uma disputa de mata-matas?

Por fim: meus “meia-dúzia” de favoritos ao título (e os de muita gente) eram, no começo da Champions League: Manchester City, Real Madrid, Barcelona, Liverpool, Juventus e PSG. Só um segue na briga…

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– Mudando o conceito de “radical e ponderado” do Governo

A eleição do presidente Jair Bolsonaro, um ultra-direitista de linha conservadora assumido, se deu por conta, sabidamente, do ranço proporcionado por anos de administração petista, iniciados de maneira populista e aparentemente eficiente nas questões sociais, mas que se mostrou ineficaz na solução dos problemas brasileiros (eram doses de resolução de problemas paliativos, temporários, não duradouros e “com previsão de vencimento”, mascarados por demagogia e turbinados com uma corrupção absurda, resultando na prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva).

Entendendo-se às claras: quem votou em Bolsonaro, em grande parte, votou contra o PT e a corrupção. Haddad, que já havia perdido a eleição paulistana, carregou as críticas à sua gestão em SP juntamente com a antipatia petista. Manuela abriu mão de sua candidatura, e Marina Silva nem decolou. Ciro estagnou. Dessa forma, a esquerda radical e a esquerda moderada sucumbiram. Alckmin (que no papel é de um partido de centro-esquerda, mas na prática não), se afundou de vez (aliás, detesto as definições de centro e de direita em nosso país, como se fossemos ainda dos tempos dos jacobinos e girondinos da Revolução Francesa, onde surgem essas definições). Tivemos ainda a direita liberal do Partido Novo, onde Amoêdo tinha ao menos ideias claras mas perdeu votos daqueles que optaram pelo voto útil (tipo: ele não vai ganhar, apesar de que eu votaria nele; então voto em outro com mais chances de vitória”. E sobrou ainda Meirelles e Cabo Daciolo, cartas fora do baralho.

Terminado o processo eleitoral, independente de quem ganhou, devemos torcer para o sucesso da sua administração, pois isso gera resultado positivo para nós, brasileiros. Torcer contra é burrice, seja quem for o eleito. A democracia, em tese, funciona assim, e você terá os instrumentos e a liberdade de cobrança: de cobrar o que prometeu por parte de quem votou esperançoso no nome vencedor, e de cobrar para que se faça algo bom, por parte de quem não votou no ganhador.

Todo esse grande preâmbulo é para dizer o seguinte: muitos tinham medo de que os militares que estavam próximos de Jair Bolsonaro fossem radicais, e a censura e a ditadura ganhassem corpo (eu, que não votei no segundo turno nem em Jair Bolsonaro e nem em Fernando Haddad – votei em branco – era um desses temerosos).

E o que aconteceu?

Descobrimos que os generais militares do atual governo é que são os ponderados! Os radicais são os influenciados pelo pseudo-filósofo Olavo de Carvalho, um homem que foi astrólogo, muçulmano esotérico (não sabia que existia essa profissão de fé), que vive na Virgínia falando palavrões e ostentando seus cachimbos e cigarros nos vídeos que grava, mas que tem absurda influência sobre Bolsonaro e seus filhos. Aliás, no Ministério da Educação, o desastroso ex-ministro Ricardo Vélez e o polêmico atual ministro Abraham Weintraub, são olavistas assumidos e foram indicados por ele próprio.

Os racionais (e não radicais) são: o vice-presidente Hamilton Mourão (vide o caso da Venezuela, sempre pedindo diálogo e a não-guerra), o general Villas Boas, cadeirante atualmente mas que não perdeu o juízo, o comandante da força de paz no Haiti e hoje chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno (esse, em particular, penso ser um herói nacional, pois comandou o processo de paz sem ferir ninguém, defendendo sempre a diplomacia), e o general Carlos Alberto dos Santos Cruz (chamado por muitos de incorruptível, um cara sério, discreto e considerado intelectual – que sempre tem “jeitão de bravo” quando é fotografado).

Não é uma inversão de conceitos, mas uma constatação: os militares de hoje, que eu pensava serem radicais, são racionais e ponderados! E a turma dos aficcionados por Olavo de Carvalho, mostrando-se destrambelhados como ele, num cego fanatismo e radicalismo que assusta. E o pior: ambos são o Governo!

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– O Sol do tamanho do Mundo!

Uma das minhas fotos preferidas: o sol “bem grandão” em Jundiaí!
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