– Quando o monitor do VAR vira Altar, precisamos colocar as coisas em seu lugar!

Tenho o maior cuidado ao tratar desse assunto tão espinhoso, e que respeito demais: a fé! Possuo a minha (sou católico praticante e leigo engajado em pastorais na minha paróquia – aqui na Diocese de Jundiaí), e sempre tive como base para o exercício fiel da minha espiritualidade o convívio harmonioso com as outras crenças e com as pessoas que em nada acreditam. E para isso ocorrer, deve-se ter “os pés nos chão e o coração no Céu”, pois afinal, crer como fanático cega a pessoa da prática correta da sua religião.

Digo isso pelo acontecido no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, em razão da partida entre São Paulo 1×1 Flamengo pelo Brasileirão 2019. E explico:

Fui árbitro de futebol trabalhando em mais de 700 partidas profissionais e amadoras, e sempre a religião esteve presente no esporte. Pude observar o grande sincretismo religioso, onde se vê de tudo, como jogador que é evangélico, mas reza a oração católica da Ave-Maria, aceita trabalho de pai-de-santo para se recuperar de lesão e dá 3 pulinhos com o pé direito no gramado para ter sorte através da influência esotérica. Portanto, não se critique, mas respeite a individualidade da fé, praticando-a conforme o que se crê.

Na partida citada, observou-se e se tornou um pequeno “mau espetáculo” a reza do árbitro Ricardo Marques Ribeiro na cabine onde ele avalia os lances do VAR. Uma cena fotografada, filmada, discutida e criticada pela imprensa pela exposição. Somada a má atuação do juiz, virou destaque no noticiário esportivo tal desnecessária demonstração de fé.

Ora, precisa-se de tal lugar para uma oração? O local do VAR não é altar! Deus nos ouve em qualquer lugar, se por voz alta ou por pensamento; nos escuta no barulho e no silêncio. Se você está sozinho numa igreja, sinagoga, mesquita, templo, terreiro, montanha ou qualquer lugar, ali você pode encontrar um ambiente de introspecção para a sua oração pessoal. E se esse ambiente está com mais pessoas, vale o mesmo para a fé coletiva na missa, culto, sabath ou outra cerimônia. Da mesma forma, o árbitro que quer pedir proteção ao seu trabalho, deve escolher um espaço no seu vestiário para a sua prece; e se desejar antes da partida fazer uma oração coletiva com sua equipe de arbitragem (ecumênica, se existirem pessoas de fé diferente do que a sua), o faça antes de entrar em campo.

Não sei qual a religião que Ricardo Marques Ribeiro professa, mas o respeito. Porém, entendo inoportuno (e até um pouco profano, misturado com proselitismo) se expor num local em que nada se deve misturar, onde a tendência de se provocar uma polêmica é grande.

Independente da atuação discutível neste jogo de domingo (e até mesmo as de outras partidas ruins, – já o elogiei e o critiquei; já contestei o escudo FIFA que não o acho merecedor – mas sempre respeitosamente), a manifestação religiosa pública numa partida de futebol é algo a ser evitado. Isso vem de uma orientação da FIFA, importunada pela Federação da Dinamarca, que se impressionou com o “mini-culto” provocado por Kaká e uma demonstração de fanatismo religioso pós-Copa das Confederações da África do Sul. De tal forma, surgiu essa postagem (oportuna, creio eu) sobre religião e futebol, que convido a leitura no link abaixo, explicando tal situação indevida.

Compartilho em: https://wp.me/p4RTuC-54g.

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