– Mudando o conceito de “radical e ponderado” do Governo

A eleição do presidente Jair Bolsonaro, um ultra-direitista de linha conservadora assumido, se deu por conta, sabidamente, do ranço proporcionado por anos de administração petista, iniciados de maneira populista e aparentemente eficiente nas questões sociais, mas que se mostrou ineficaz na solução dos problemas brasileiros (eram doses de resolução de problemas paliativos, temporários, não duradouros e “com previsão de vencimento”, mascarados por demagogia e turbinados com uma corrupção absurda, resultando na prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva).

Entendendo-se às claras: quem votou em Bolsonaro, em grande parte, votou contra o PT e a corrupção. Haddad, que já havia perdido a eleição paulistana, carregou as críticas à sua gestão em SP juntamente com a antipatia petista. Manuela abriu mão de sua candidatura, e Marina Silva nem decolou. Ciro estagnou. Dessa forma, a esquerda radical e a esquerda moderada sucumbiram. Alckmin (que no papel é de um partido de centro-esquerda, mas na prática não), se afundou de vez (aliás, detesto as definições de centro e de direita em nosso país, como se fossemos ainda dos tempos dos jacobinos e girondinos da Revolução Francesa, onde surgem essas definições). Tivemos ainda a direita liberal do Partido Novo, onde Amoêdo tinha ao menos ideias claras mas perdeu votos daqueles que optaram pelo voto útil (tipo: ele não vai ganhar, apesar de que eu votaria nele; então voto em outro com mais chances de vitória”. E sobrou ainda Meirelles e Cabo Daciolo, cartas fora do baralho.

Terminado o processo eleitoral, independente de quem ganhou, devemos torcer para o sucesso da sua administração, pois isso gera resultado positivo para nós, brasileiros. Torcer contra é burrice, seja quem for o eleito. A democracia, em tese, funciona assim, e você terá os instrumentos e a liberdade de cobrança: de cobrar o que prometeu por parte de quem votou esperançoso no nome vencedor, e de cobrar para que se faça algo bom, por parte de quem não votou no ganhador.

Todo esse grande preâmbulo é para dizer o seguinte: muitos tinham medo de que os militares que estavam próximos de Jair Bolsonaro fossem radicais, e a censura e a ditadura ganhassem corpo (eu, que não votei no segundo turno nem em Jair Bolsonaro e nem em Fernando Haddad – votei em branco – era um desses temerosos).

E o que aconteceu?

Descobrimos que os generais militares do atual governo é que são os ponderados! Os radicais são os influenciados pelo pseudo-filósofo Olavo de Carvalho, um homem que foi astrólogo, muçulmano esotérico (não sabia que existia essa profissão de fé), que vive na Virgínia falando palavrões e ostentando seus cachimbos e cigarros nos vídeos que grava, mas que tem absurda influência sobre Bolsonaro e seus filhos. Aliás, no Ministério da Educação, o desastroso ex-ministro Ricardo Vélez e o polêmico atual ministro Abraham Weintraub, são olavistas assumidos e foram indicados por ele próprio.

Os racionais (e não radicais) são: o vice-presidente Hamilton Mourão (vide o caso da Venezuela, sempre pedindo diálogo e a não-guerra), o general Villas Boas, cadeirante atualmente mas que não perdeu o juízo, o comandante da força de paz no Haiti e hoje chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno (esse, em particular, penso ser um herói nacional, pois comandou o processo de paz sem ferir ninguém, defendendo sempre a diplomacia), e o general Carlos Alberto dos Santos Cruz (chamado por muitos de incorruptível, um cara sério, discreto e considerado intelectual – que sempre tem “jeitão de bravo” quando é fotografado).

Não é uma inversão de conceitos, mas uma constatação: os militares de hoje, que eu pensava serem radicais, são racionais e ponderados! E a turma dos aficcionados por Olavo de Carvalho, mostrando-se destrambelhados como ele, num cego fanatismo e radicalismo que assusta. E o pior: ambos são o Governo!

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