– SanSão sem atletas da Seleção

Hoje tivemos Santos X São Paulo, sem os craques de cada time: Neymar e Lucas.

Jogo fraco. Ruim tecnicamente e feio.

Nas datas FIFA, os campeonatos não deveriam parar para evitar que os clubes tivessem prejuízo técnico?

– O Hospital de Caridade São Vicente de Paula, visto pela Situação e pela Oposição

A discrepância de certos pontos de vista do Horário Político de Jundiaí assusta. Quer um exemplo? O Hospital São Vicente, tratado no último feriado com tremenda amplitude conceitual.

Para a chapa de Luiz Fernando Machado, o São Vicente é “tudo de bom”, nas entrevistas dos pacientes e nas palavras do atual prefeito Miguel Haddad, que diz atender até pacientes estrangeiros que viajam para se tratar aqui!

Já na chapa do Dr Cláudio Miranda, o São Vicente é “tudo de mau”, pois segundo os entrevistados, os pacientes são pessimamente atendidos e tratados como bichos, com total desrespeito às pessoas e serviço de péssima qualidade.

E aí, com qual ponto de vista devemos enxergar o Hospital? É o radicalismo positivo versus o negativo.

– E a Seleção Brasileira? Se era para Irritar, foi perfeita!

Por culpa de excesso de carga de trabalho desde o feriado (faltou tempo livre), não deu para escrever nada sobre a atuação – para mim vexatória – da Seleção Brasileira.

Com todo respeito, mas Brasil X África do Sul, no dia da Pátria, deveria ser goleada. Pelo elenco (jovem, mas não tão inexperiente), jogando em casa, contra adversário fraco, não teria outro placar.

Porém, além do jogo ter sido ruim com placar magro, várias coisas que irritaram e mostraram que falta muita coisa para organizarmos uma Copa do Mundo. Vamos lá:

– Uniformes: não fizeram a reunião pré-jogo para discutir com qual fardamento jogariam? Atrasar a partida devido a confusão das cores do uniforme? O quarto-árbitro não tomou as providências no tempo devido e corriqueiro, que é de sua obrigação? A África do Sul atravessou o Atlântico só com um jogo de uniforme?

– Qualidade da Nike: antes da bola rolar, já tínhamos atletas brasileiros com a camisa rasgada. Nas lojas, ela custa R$ 200,00 e tem esse defeito de costura?

– Cor da braçadeira de capitão: aí, o argentino Nestor Pestana caprichou! Questionou o destaque do azul da tarja de capitão com a cor da manga da camisa! Ah, vai catar coquinho…

– Lateral esquerdo Marcelo: Mourinho já o deixou algumas vezes na reserva de Fábio Coentrão por deficiência na marcação. Concordo com ele! Marcelo atua mal na defesa, bate bastante e enche o patová! Fraco, e se acha craque. Se bobear, Cortês ou Fábio Santos atuariam melhor do que ele.

– Neymar: foi hilário o jogador no 6 da África do Sul tentando falar em zulu ou em inglês para o árbitro argentino que Neymar estava se jogando toda hora. Por mímica, para se fazer entender, quase mergulhou no gramado!

– Filas: quem comprou ingresso na hora, entrou com a bola rolando. Quem comprou pela Internet, teve que pegar uma fila para troca dos comprovantes de pagamento pelo ingresso físico que demorou quase 3 horas. Cerca de 5000 pessoas entraram no segundo tempo!

– Preço: R$ 150,00 não é muito caro para tal joguinho?

– Centroavante: no Morumbi, com 7 minutos, a torcida gritava pela convocação de Luís Fabiano. Se no RJ, seria Fred. Se em MG, Ronaldinho Gaúcho. Seriam eles piores do que Hulk e Jonas?

– Camisa 10: Oscar, Lucas, Neymar… são ótimos garotos, mas tão jovens assumir a responsabilidade de carregar a seleção principal não dá. Vide a idade dos atletas que foram campeões mundiais e dos nossos jogadores.

Por fim: o Escrete Canarinho não está totalmente antipático há tempos? Time sem as características históricas do nosso futebol, antipático e apático.

– São Paulo e Flórida: a Semelhança e a Diferença!

São Paulo e Flórida têm algo comum: o custo de vida tanto lá como aqui são iguais. A diferença é que a renda per capita dos paulistanos é de 11 mil dólares anuais, e a dos americanos 44 mil…

Texto de Nelson Motta (OESP), enviado pelo Jornalista Reinaldo Oliveira, tentando entender tal fato. Ele aborda corrupção, mudanças e indignações:

COISAS DO BRASIL

Para uma geração que passou por uma ditadura militar, por inflações estratosféricas, diversas moedas e desvarios econômicos, por décadas de desmandos e corrupção impunes, é quase inacreditável a alegria de ver o ex-senador Luiz Estevão, o juiz Lalau, e, em breve, Paulo Maluf, devolvendo, juntos, mais de R$ 500 milhões ao Tesouro Nacional. Confesso que jamais imaginei viver esse dia. Ainda mais inacreditável é ver ao vivo na televisão políticos governistas, banqueiros e empresários sendo condenados pelo Supremo Tribunal Federal por caixa 2 e gestão fraudulenta. E o melhor é que as primeiras condenações já bastam para levar vários à cadeia, firmando jurisprudência para condenar os corruptos e corruptores dos mensalões de Minas e de Brasília. Se há 10 anos uma vidente me fizesse essa profecia eu iria embora sem pagar a consulta, às gargalhadas. E a chamaria de louca se falasse de uma Lei da Ficha Limpa, que impediria políticos condenados pela Justiça de disputar eleições. Se um roteirista me apresentasse a história real de Demóstenes e Cachoeira eu desistiria nas primeiras páginas, porque seria inverossímil e cheia de clichês. O triste é que esses eventos tão extraordinários e surpreendentes para nós seriam a norma em qualquer país civilizado e democrático. Em compensação, para as gerações que passaram por tantos dissabores, derrotas e descrenças no Brasil, essas conquistas têm muito mais valor e sabor do que para a geração do meu neto de 16 anos, que já começa a votar em um país democrático, que vai se civilizando aos trancos e barrancos. Não é só o futebol, o Brasil é uma caixinha de surpresas. Mas não consegui explicar a um amigo americano o atual momento brasileiro: se nosso salário mínimo é de 325 dólares e a renda per capita anual de 11 mil dólares, como o custo de vida no Rio e em São Paulo pode ser igual ao da Flórida, que tem renda per capita de 44 mil dólares? Como os imóveis aqui podem ser mais caros? Não há teoria econômica, ou esotérica, que explique. Talvez a velha expressão que ouço há 60 anos, para o bem e para o mal: coisas do Brasil.

– E o Homem da Paçoca? Convicção no Voto é isso Aqui!

Situações inusitadas das Eleições: um cliente meu que coleta recicláveis na rua possui uma Kombi velha. E saiu de Jundiaí e visitou certo dia cidades vizinhas. Numa delas, enquanto coletava garrafas pet de um es”tabelecimento comercial, foi abordado por um candidato a vereador, o “Edinho da Paçoca!

Não é que o postulante à vereança ofereceu R$ 100,00 para adesivar sua Kombi? Tal prática tem sido comum: o candidato coloca colantes no carro de alguém que fica circulando por aí fazendo publicidade.

O único detalhe é que o veículo em questão não é da cidade; o motorista não vota lá; o candidato colou os adesivos e a Kombi no dia seguinte estava bem distante da sua zona eleitoral.

Ah! O meu cliente? Ficou feliz. Faturou “cenzinho” na maciota.

Fantástico o homem da Paçoca, não? Com esse tipo de ações de campanha, vai longe… em todos os sentidos. Só não sei se vai ter voto.

– Adultizar precocemente as crianças ou não?

Uma polêmica para os pais; uma novidade para as crianças e uma oportunidade financeira para os fabricantes: a venda de Cosméticos para crianças!

A Anvisa (Agência Nacional da Vigilância Sanitária) estuda liberar a venda de maquiagens e desodorantes para crianças a partir de 3 anos, provocando preocupação e discussão sobre a precoce “adultização” dos pequenos por culpa da pressão dos grandes fabricantes.

Eu não gosto dessa antecipação do culto a vaidade. E você?

Extraído de Folha de São Paulo, 07/09/07, pg C7 (por Johanna Nublat).

ANVISA DEVE LIBERAR VENDA DE SOMBRA E DESODORANTE INFANTIL

Vigilância Sanitária lança hoje uma consulta pública com novas regras para cosméticos feitos para crianças. Dermatologista diz que criança não precisa desses produtos; agência diz que há demanda social.

Uma consulta pública lançada hoje pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pretende liberar a entrada no mercado de desodorantes e sombras infantis.

De acordo com a proposta, desodorantes para axilas e pés podem ser ofertados para crianças a partir de oito anos, desde que não sejam antitranspirantes ou em aerossol -forma cuja toxicidade para crianças não está definida, segundo a agência.

Substâncias antissépticas estão liberadas, desde que sejam de “uso consagrado”. Já os componentes alcoólicos, normalmente presentes nos desodorantes, devem ter índices mínimos.

A sombra, diz a proposta, pode ser aplicada por adultos em crianças de três e quatro anos e pelas próprias crianças a partir dos cinco anos de idade.

Produtos como blush, batom e brilho labial já têm regras específicas e são liberadas para o público infantil. O mesmo vale para xampus, sabonetes, esmaltes, protetores solares, entre outros.

Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa, afirma que demandas da sociedade e do mercado levaram à revisão da norma anterior sobre cosméticos infantis, de 2001.

“Brevemente você vai encontrar, em farmácias e supermercados, desodorantes para crianças. Hoje não existe, não havia um marco normativo que permitisse às indústrias lançarem um desodorante para uso infantil.”

BOM-SENSO 
Sérgio Graff, médico da Unifesp especializado em toxicologia e que participou da elaboração dessa consulta, afirma que a proposta avança ao regular melhor o setor.

“A falta de alguns produtos destinados a crianças fazia com que as mães usassem produtos de adulto nos filhos”, diz. O problema, diz Graff, é que cosméticos para crianças precisam passar por testes de maior sensibilidade e não podem ter determinados componentes.

O médico argumenta que é justificável a entrada no mercado de desodorantes infantis, porque algumas crianças -principalmente meninas que menstruam mais cedo- podem precisar do produto por volta dos dez anos.

A coordenadora de dermatologia pediátrica da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Silmara Cestari, diz que esses casos são raros e que o odor pode ser minimizado com sabonetes antissépticos.

“Por que a criança passa maquiagem? Porque vê o adulto passar. Com o desodorante é igual, a criança transpira mais, tem um cheirinho azedinho, a mãe acha que precisa passar desodorante.”

Alberto Keidi Kurebayashi, presidente da ABC (Associação Brasileira de Cosmetologia), diz que a norma pode proteger as crianças ao evitar propagandas equivocadas. Mas defende o bom-senso. 
“Será que é preciso usar sombra na criança? Não pode ter exagero, a criança tem de ser bonita como ela é.”

A proposta fica disponível para sugestões no site da Anvisa por 60 dias.

MÃES DIVERGEM SOBRE MAQUIAGEM INFANTIL

Clara, 6, e Laís, 8, quando se juntam com as amiguinhas, costumam se pintar com os produtos da mãe, Veridiana Corbaro, 35.

A médica conta que as meninas pegaram seu estojo de maquiagem pela primeira vez sem perguntar a ela primeiro, mas que, agora, elas pedem para usar.

“Eu deixo. Se a criança é tratada como criança, usa numa brincadeira, não vejo problema. O problema é se vestir como adulto, com roupas justas”, diz Veridiana.

Mesmo usando produtos para adultos, as meninas nunca tiveram problemas, mas a mãe diz que preferiria comprar sombras para crianças, se houvesse. Desodorante, não. “Não precisa.” 
Já a empresária Daniela Themudo Lessa, 37, se diz “supercontra” e não gosta quando a filha Carolina, 7, é maquiada nas festinhas dos colegas de escola.

Daniela diz que a filha costuma pedir para pintar as unhas com esmalte escuro, por exemplo, argumentando que as amiguinhas pintam.

“Tento conter essa pressão. Se vestir de princesa, pôr coroa, tudo bem, mas usar maquiagem, unha vermelha, deixar a criança adulta, não gosto. Isso é pular etapas.”

Para Daniela, criar linhas de sombras para crianças é um excesso. “Não é necessário. Uma criança de seis anos de sombra azul, para quê? Acho até feio criança maquiada. Mesmo sendo antialérgico, próprio, acho péssimo.”

Ela também não compraria um desodorante para a filha, mas não veria problema em deixá-la usar se ganhasse. “Criança é muito da empolgação. Usa por três dias, depois deixa guardado.” 
A psicóloga e colunista da Folha Rosely Sayão diz que o uso da maquiagem como brincadeira é normal, mas acha que não é preciso haver uma linha específica de produtos para isso.

“Só se for para adultizar, ajudar a destruir a infância.” Para Rosely, há uma dificuldade hoje em suportar que é preciso segurar a criança na infância. “A gente não pode só dizer: ‘Eles gostam’. Eles não têm ideia de que isso vai ser prejudicial depois.”

– Liturgia Dominical Encorajadora!

Para os que estão desesperançosos, eis que a Palavra de Deus traz uma mensagem de ânimo!

Àqueles que têm o coração perturbado: ‘Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus’ (Is35,4) (…). ‘Porventura não escolheu Deus os pobres deste mundo para que fossem ricos na fé e herdeiros do Reino de Deus aos que o amam?’ (Tg2, 4-5) (…). ‘[E Jesus] fez bem todas as coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos’ (Mc7,37) (…)! [Assim,] Louvarei o Senhor por toda a vida (Salmo 145,2).

Compilação da 1ª e 2ª leitura + Evangelho de 09/09/2012

Encorajador e belo, não?

– Banqueiros e Políticos do Mensalão: Distintas Posições

Não dá para passar batido: durante a semana, Ricardo Lewandowski, um dos juízes que julga o Mensalão e que se esforçou com força descomunal para livrar a cara do petista João Paulo Cunha, votou junto com o juiz relator Joaquim Barbosa pela condenação aos donos do Banco Rural.

Para quem está acompanhando o julgamento, fica nítido que para alguns, como o próprio Lewandowski, é uma dificuldade herculiana votar contra os políticos influentes. Mas contra os banqueiros já combalidos, aí é moleza!

– 40 anos do Primeiro Título da F1 comemorado pela Nova Geração?

Me lembro da carreira de Senna; vi bastante coisa de Piquet e assisti Emerson só na Indy (sei dos seus feitos pelos vídeos e documentários).

Para quem teve o prazer de ver esses gênios, é amargurante saber que amanhã fará 40 anos do primeiro título brasileiro da F1 com Emerson Fittipaldi e ver no GP de Monza os atuais brasileiros fazendo feio. Bruno Senna num modorrento 10º lugar, e Felipe Massa como escudeiro de Fernando Alonso.

Aí não dá.

– Voto de Cajado nas Eleições 2012 em alta!

Nos tempos de Coronelismo no Brasil, havia o “Voto de Cabresto”. Os poderosos conseguiam através da influência politico-financeira (e por força de ameaça) conquistar votos dos mais humildes. Tal panorama mudou. Agora, temos o “Voto de Cajado”, onde o eleitor é influenciado pelo líder religioso da sua crença.

Se você observar, nas diversas mídias vemos relatos de candidato X na Missa do padre Y, candidato A no culto do Pastor B, e por aí em diante. E alguns pedem objetivamente o voto para seus fiéis.

Respeito toda religião e procuro praticar bem a minha. Mas o fiel deixar se influenciar por um nome específico orientado pelo seu sacerdote, parece-me indevido. Vejo com bons olhos que as Igrejas divulguem listas de candidatos afinados com os preceitos da sua profissão de fé e considerados potenciais honestos políticos; mas fechar especificamente com alguém, aí não!

Um exemplo claro em 2012: Celso Russomano. Do partido da Igreja Universal, já foi em culto, missa, sessão espírita; e onde tiver um templo, lá estará.

E você, o que pensa sobre isso?

– Dia do Administrador de Empresas

Parabéns a todos nós, Administradores de Empresas, pelo nosso dia.

Abaixo, mensagem do presidente do Conselho Federal de Administração sobre a data e a importância do profissional.

Extraído do site do CFA

DIA DO ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

A Administração é a profissão que mais cresce no Brasil e no mundo. E temos muito o que comemorar. Nestes 44 anos, o Sistema CFA/CRAs – Conselhos Federal e Regionais de Administração tem desenvolvido ações para promover a difusão da Ciência da Administração e a valorização da profissão em busca da defesa da sociedade. 

A implementação de projetos direcionados para a fiscalização e para a formação profissional permitiu a consolidação da atuação dos Administradores no mercado de trabalho. Hoje, cada vez mais profissionais qualificados e registrados nos CRAs estão à frente de cargos estratégicos em órgãos públicos e empresas privadas. São profissionais capazes de observar, questionar, interpretar, liderar e tomar decisões com foco em cada fase do projeto. Empreendedorismo, dedicação, comunicação, ousadia e percepção somam-se às qualidades dos Administradores, profissionais imprescindíveis para o sucesso das organizações.

Parabéns, Administradores, pelos 44 anos em busca de uma melhor gestão da sociedade.

Adm. Roberto Carvalho Cardoso

Presidente do CFA

– Poetas da Corrupção

enviado por Reinaldo Oliveira, autoria de Luciano Pires

POETAS DA CORRUPÇÃO

Tenho passado algumas horas assistindo na TV Justiça o julgamento do Mensalão. São aulas preciosas sobre justiça, retórica, lógica, política, jornalismo… Que maravilha!

Vemos alguns dos advogados mais conceituados e bem pagos do Brasil tentando provar que seus clientes são inocentes, e os juízes interpretando os autos para concordar ou discordar das argumentações.

Preciosas aulas de defesa de pontos de vista e de tomada de decisão, de escolha. Num dos momentos-chave do julgamento entrou em discussão a questão dos “atos de ofício” que em português simples quer dizer: provas materiais.

Existe algum ato de ofício, algum memorando, bilhete, email ou outro documento assinado pelo acusado que prove seu envolvimento no caso? Os advogados de defesa dizem que sem atos de ofício não existem provas.

Refletindo sobre a questão da subjetividade da materialidade (olha que louco isso!) das provas no mundo da retórica, lembrei-me de um texto que li no delicioso livro Senso Crítico de David W. Carraher, escrito pelo professor e pesquisador Stephen A. Tyler em seu livro The Said and The Unsaid (O Dito e o Não-Dito):

“Alguns objetos de nosso mundo são aparentemente não problemáticos – mesas, cadeiras e coisas semelhantes – enquanto outros, tais como pensamentos, imagens, memórias e dores, tem um status de objeto peculiar… Sua maior peculiaridade é que, embora não tenham nenhuma representação externa na percepção sensorial, falamos sobre eles como se não diferissem nada de mesas e cadeiras que, como todos sabem, podem ser percebidas pelos sentidos. Posso dizer que ‘eu tenho um pensamento’ do mesmo modo que diria ‘eu tenho duas pernas’, como se o pensamento e as pernas fossem objetos da mesma natureza. O problema é que nossa linguagem parece mentir a nós mesmos, pois ‘ter pensamentos’ não pode ser verificado ou descrito do mesmo modo que ‘ter pernas’; as pernas e os pensamentos não são objetos da mesma realidade. A linguagem trata pensamentos e pernas como se ambos tivessem extensão no espaço, como se fossem ambos substâncias.”

Parece que foi por aí que a discussão andou: os advogados tentando mostrar que o depoimento de uma testemunha – a subjetividade – , não tem, para efeito de prova, a mesma substância que o memorando assinado – a materialidade – pelo acusado.

Sem prova, sem atos de ofício, sem culpa. Pois é.

Aí me lembrei de nosso Poeta João Cabral de Melo Neto:

“As palavras pedra ou faca ou maçã, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que tristeza, melancolia ou saudade. Mas é impossível não expressar a subjetividade. Então, a obrigação do poeta é expressar a subjetividade, mas não diretamente. Ele não tem que dizer ‘eu estou triste’. Ele tem é que encontrar uma imagem que dê ideia de tristeza ou do estado de espírito – seja ele qual for – por meio de palavras concretas e não simplesmente se confessando na base do eu estou triste.”

Então matei a charada.

Zé Dirceu, Genoíno, João Paulo Cunha, Delúbio, Silvio, Valdemar, Jefferson e outros políticos envolvidos no caso, inclusive o sujeito oculto, não são simplesmente desonestos ou – no dizer do Procurador Geral da República – membros de uma quadrilha.

São poetas da corrupção.