– O ineditismo de uma pandemia em meio a globalização!

Nas festas de final de ano 2019, quem imaginou que 2020 seria um ano tão travado? Aliás, o “ano novo” não começou mesmo, e, pelo jeito, não começará de verdade do jeito que gostaríamos já que estamos em meados de junho.

Quantas pessoas você conhece que passaram por uma pandemia e se recordam como ela foi? As mais idosas vivas (centenárias) eram crianças quando ocorreu a última, a da Gripe Espanhola, que durou de 1918 a 1920 (portanto, há 100 anos).

Repare nesses números: crê-se que a Influenza tenha atingido meio bilhão de pessoas, com 50 milhões de mortos. Mas considere:

– O mundo estava saindo da Primeira Guerra Mundial, então as economias pegaram o efeito da pandemia já cambaleadas;

– A Globalização era algo muito ínfimo. De tal forma, a doença “não viajava” como ela faz hoje, se concentrando nos centros mais populosos próximos de onde ela ganhava corpo.

– A desinformação era diferente da falta de informação. Explico: hoje, morre-se menos porquê temos mais informação de boa qualidade e as pessoas sabem corretamente como se precaver (caso pesquisem). Naquele tempo, não tínhamos “informação via satélite” e nem sonhávamos com a Internet e por esse motivo, a falta de cuidado e de alertas era maior. Boatos, como os de hoje, existiam também (na versão de Fake News daquele período de época). Porém, pela falta de recursos tecnológicos, era mais difícil desmentir. Hoje, temos informação de boa qualidade duelando contra as mentiras. Naquela época, a pouca informação lutava contra a desinformação (a informação errada, mas não proposital) e a boataria (nossas Fakes News de hoje).

– A Medicina, evidentemente, é muito mais avançada hoje do que há 100 anos – não só pelas drogas descobertas mas também pelo intercâmbio de médicos e troca de pesquisas em tempo real.

Diante de tudo isso, vemos uma questão político e social que nos traz medo e incertezas, com empresas quebrando e simultaneamente ocorrendo revoltas de lados ambíguos da população (contra ou não o isolamento).

O problema do capital de giro e prejuízos do Mercado nunca vai se equilibrar com o dano das mortes. Não existe “preço pela vida”, mas deveria se existir o bom senso de otimizar e se programar para a pausa das atividades. Diante desse impasse (ou melhor, dessa imprudência das autoridades), ninguém conseguiu resolver a contento.

Todos os setores hoje são atingidos. Talvez depois da Segunda Guerra Mundial, tenha sido a primeira catástrofe global que vivemos. Se ela não for, certamente é na questão de acompanhamento e debates on-line.

Por curiosidade: a APEA, que era a “Federação Paulista de Futebol de então”, anunciou a suspensão do Campeonato Paulista de 1918 devido à epidemia de Gripe Espanhola citada anteriormente (e que matou 35 mil brasileiros). Os jogos foram retomados no fim do ano, e o campeonato foi concluído no início de 1919, com o Paulistano-SP campeão. E importante: o presidente Rodrigues Alves foi uma das vítimas.

Se o Brasil parou por quase 1 ano há 102 anos, tendo 35 mil mortos totalizados e com as condições precárias de saneamento básico e saúde da 2ª década do século XX, compare com o número de vítimas atuais em nosso país.

É lógico que temos culpados por tudo isso: o descuidado em impedir a entrada do vírus no país (quando houve as notícias dos primeiros casos da Itália, a Argentina fechou imediatamente a entrada de italianos e voos procedentes de lá). Nosso Presidente da República pouco ajudou nos exemplos de prevenção e debochou por diversas vezes da pandemia (sem contar que não evitou aglomerações); em contrapartida, os Governadores não se esforçaram em tomar cuidado com a compra de respiradores ou na montagem de Hospitais de Campanha a preços honestos, permitindo (consciente ou não) a corrupção. Por último, ninguém preparou as empresas para dias de fechamento: fizeram as pessoas ficarem em casa antes do pico e as liberaram durante esse período mais crítico (deveria ser exatamente o contrário). Fizemos tudo errado (mesmo tendo outras nações que começaram antes com o Novo Coronavírus e que poderiam ter servido de modelo para nós).

Contra o Covid, precisamos sem dúvida de Ciência, de boa Gestão da Saúde Pública, de Cidadania, de Solidariedade e para não enlouquecermos.

Repare nos conselhos contra a Pandemia da Gripe Espanhola há 100 anos:

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Por último, acrescente algumas notícias dos jornais da época:

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