– 10 anos da Máfia do Apito e os Bastidores que vivi!

Amanhã, exatos 10 anos que nos trazem à triste lembrança o episódio da Máfia do Apito que escandalizou não só os amantes do futebol, mas toda a sociedade. Na ocasião, muito foi comentado e especulado. As consequências aconteceram, como a anulação de alguns jogos, embora não se tenha observado erros de arbitragem e má intenção nas partidas.

Gostaria de aproveitar esse espaço para contar o que eu, como árbitro participante do grupo de 40 juízes em Pré-temporada no ano do ocorrido com os pivôs Edilson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon, vi, vivi e soube sobre todo o imbróglio. O faço sem nenhum componente explosivo ou polêmico, mas puramente para a curiosidade dos leitores, motivado pela data.

Na sexta-feira do dia 23 de setembro de 2005, dia da prisão do Edilson, eu fui escalado para ser o árbitro-reserva dele no domingo seguinte. Na manhã desse dia, nada se sabia publicamente. Trabalharíamos numa semifinal da série A3, entre Palmeirinha de Porto Ferreira x Santacruzense. Para minha surpresa, na tarde do mesmo dia, Edilson saiu da escala no site da FPF e em seu lugar apareceu Phillipe Lombard.

Quando foi à noite… Muitos se assustaram com a capa da Revista Veja na Internet, e o pouco que se sabia era impressionante.

E os dirigentes da CBF e da FPF?

– Sumiram de imediato!

E aqui havia alguns componentes: Edilson Pereira de Carvalho sabia apitar, mas fisicamente tinha graves problemas no joelho. Enrolava para treinar, preferia ficar no hotel fazendo fisioterapia na Pré-Temporada com a anuência dos cartolas. Sim, parecia ser protegido pela chamada “República do Vale do Paraíba”, nome dado informalmente pelos árbitros ao grupo de pessoas oriundas dessa região do estado e que administrava o Futebol, em especial o presidente da CEAF José Evaristo Manuel, Reinaldo Carneiro Bastos (vice da FPF) e Sérgio Correa da Silva, presidente do Sindicato. Edilson era amigo deles.

Porém, apesar dele ter amizade com eles e alguns privilégios (cobranças menores nos testes físicos, jogos importantes nas escalas e “pouca fiscalização sobre ele” – vide a história da sua documentação irregular para apitar), para mim foi nítido que Edilson traiu a todos os seus amigos! Foi literalmente uma bola nas costas.

E tudo começou com Paulo José Danelon, árbitro de Piracicaba, que nada mais era do que o inverso de Edilson em questões de relacionamento. Edilson era fechado, ruim de conversa, introvertido e mal humorado. Danelon era aberto, piadista, e gostava de ajudar a Comissão de Árbitros realizando palestras para juízes mais jovens e elaborando apresentações sobre Regra.

Ninguém – ninguém mesmo – imaginaria que dois árbitros tão opostos entre si e que nem se conversavam poderiam ter “negócios em comum”.

O problema foi o seguinte: Danelon resolveu arregimentar árbitros para favorecer um grupo de apostadores de jogatinas eletrônicas capitaneados por um tal de Gibão (Nagib Fayad). Combinava-se quem ganharia/perderia a partida e se faria o palpite na jogatina. Edilson topou. O árbitro Romildo Correa houvera sido sondado mas ele próprio alegou estranhar uma visita de sujeitos suspeitos e não entendeu que era uma tentativa de explorá-lo, sendo que nunca mais os viu. Paulo César de Oliveira, segundo as gravações da Polícia, foi descartado com a célebre e honrosa afirmação de Danelon: “Esse não dá, é honesto e se souber vai contar tudo.

Logo após o ocorrido, na sede da FPF, houve uma reunião com os árbitros da Pré-Temporada daquele mesmo ano com o pessoal do Gaeco. O Dr José Reinaldo Carneiro (homônimo do dirigente da FPF), dissertou sobre as investigações. Me recordo quando alguém perguntou se ali estava algum árbitro que pudera ter sido grampeado, e o Dr Reinaldo não titubeou: “todos os senhores aqui presentes poderiam sim ter sido grampeados e investigados durantes o processo. Muitos foram.”.

A prisão de Edilson – e isso pra mim foi clara – só se deu pelo fato da Revista Veja “furar” a Polícia. A Editora Abril já tinha informações de investigações sobre o caso e plantou uma jornalista na vida de Edilson que se passou como “estudiosa das novas profissões”, desejando fazer uma matéria sobre esse assunto e que “ser árbitro de futebol” era uma das atividades profissionais do futuro. Ele acreditou… E Edilson vivia do dinheiro da arbitragem, era técnico de comunicações mas se passou como empresário, pedindo a um amigo para lhe “emprestar” uma fábrica de pelúcias a fim de dizer como conciliava o árduo trabalho e o futebol (na foto da revista, era uma bonequinha Hello Kitty exposta; dias depois, processou-se a empresa pois a dona dos direitos da marca descobriu que era uma firma que pirateava os brinquedos).

Com a iminente publicação, a Polícia teve que prendê-lo. Mas me pareceu que, naquele período em que as prisões de personalidades estavam acontecendo de maneira espetaculosa, aguardava-se uma escala do Edilson em um jogo como Fortaleza x Flamengo as 16h ao vivo pela Globo. Já pensaram em uma prisão com transmissão em tempo real?

Depois disso, Edilson escreveu um livro e cobrava para dar entrevistas depois do escândalo. Foi (e talvez ainda seja) gerente de bar em Jacareí. Danelon virou instrutor de auto-escola e não sei se continua trabalhando nisso.

Conheci e trabalhei com os dois. Particularmente, acho que Danelon deve estar arrependidíssimo. Edilson nem tanto. Mas pensem: perderam os amigos, foram escrachados (eles e seus familiares) e viveram um inferno. Entretanto, chamo a atenção para o seguinte: nenhum dos jogos envolvidos foram, de fato, manipulados. Assistam as partidas! Nenhum deveria ser anulado por ação ilícita dos árbitros, só que foram porque o Sveiter, presidente do STJD na época, estando acuado pelo jornalista Milton Neves em seu programa ao vivo, disse que os anularia pela questão moral.

Me pareceu, sinceramente, que os árbitros acabaram dando um golpe nos apostadores: repararam que nem todas as partidas tiveram os resultados combinados? Nos arquivos gravados, ouviam-se desculpas, como no jogo Juventude x Vasco: “Pô, o Edmundo jogou muito, não dava para fazer nada”. Aliás, nenhuma zebra nas partidas tampouco lances polêmicos. Há quem diga que o próprio Edilson vendia o serviço para um vencedor e apostava em outro, para se garantir com o dinheiro alheio.

Claro, não é defesa deles, mas constatação esportiva: os resultados deveriam ser mantidos pois aparentemente não foram manipulados. Mas isso é outra discussão.

Meu último contato com Paulo José Danelon foi em um jogo como 4o árbitro pela série A1: América x Ponte Preta em São José do Rio Preto, onde, embora já se estava no período “suspeito” e investigado pelas autoridades, tudo ocorreu muito bem. Com Edilson Pereira de Carvalho foi como colega de quarto na sua última pré-temporada. Ele foi um companheiro horrível, de difícil conversa. Me recordo que estávamos assistindo ao sorteio da abertura do Campeonato Paulista de 2005: deu Seneme como árbitro, Ana Paula de Oliveira e Aline Lambert como bandeiras e eu como 4o árbitro, na estréia da súmula eletrônica (Internacional x Palmeiras). Edilson se revoltou por ter sido sorteado para Marília x Corinthians na rodada 2 e se trancou no quarto, abandonando os trabalhos da pré-temporada daquela noite. Não pude compartilhar minha felicidade pela escala que recebi com ele, afinal, ele era “estrela”…

Passado algum tempo, é impossível não pensar e ao mesmo tempo ironizar: Edilson guardava uma imagem de Nossa Senhora Aparecida no bolso do Cartão Amarelo, e a beijava como num ritual de início do jogo. Muitos diziam que no verso havia um bilhete de loteria…

Mas como blindar o surgimento de novos Edilsons e Danelons, não só árbitros mas dirigentes e jogadores?

Marco Polo Del Nero encheu a Federação Paulista de Futebol de gente da Polícia em vários cargos: Comissão de Arbitragem, Corregedoria, Ouvidoria e em outros departamentos técnicos. Mas os cartolas amigos de Edilson, todos continuam militando no meio do futebol, pois, afinal, foram considerados honestos. Só que se as partidas foram anuladas por ética, mesmo tendo sido apitadas honestamente, incoerentemente as coisas caminharam com os dirigentes.

Por fim: encerro com um pensamento do excepcional e experiente jornalista Cláudio Carsughi, ítalo-brasileiro a quem tanto admiro por sua sapiência:

Se Deus, na sua tão grande magnitude não privou nem sua própria Igreja de corrupção, por que o faria a um determinado segmento como o futebol? E em especial aos árbitros?

Disse tudo. Mas confesso que se pudesse conversar novamente com eles (e já houve oportunidade mas não era uma prioridade) pediria a eles para deixar um testemunho do que hoje pensam e sentem sobre tudo o que aconteceu.

Lamento que tudo isso manchou esportivamente o Brasileirão daquele ano. Nada de dizer que foi premeditado ao Corinthians, mas por pura vaidade do STJD (muitos criticam que as decisões na Justiça Desportiva favoreceram o time paulista). A propósito, a fiscalização sobre os árbitros-operários continua feroz desde então, mas sobre os dirigentes, presidentes de sindicatos, membros de comissões e outros cartolas mais graduados é NULA. Por isso é válido afirmar: o sistema é falho. Afinal, se o próprio Ex-Presidente da CBF José Maria Marin embolsou uma medalha de jogador Sub 20 como souvenir na surdina, e desde esse delito soubemos tantas outras coisas muito mais graves, estando ele preso na Suíça, e o atual nem do país pode sair, o que se pode esperar?

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– Os Anti Intelectuais

O antiintelectualismo é perigoso porque poderá facilmente se transformar num movimento contra a classe média, contra os ‘com-diploma’, começando com jornalistas e aqueles ‘que escrevem artigos em jornais’”

Refletiram a opinião acima? É do Consultor em Administração Stephen Kanitz, uma das mentes mais brilhantes do Brasil. Ele fala sobre o ódio de alguns sobre uma elite intelectual, a caça à classe média e a perseguição pelos órgãos de imprensa.

Quando ser inteligente torna-se repugnante (para alguns)…

A ONDA ANTIINTELECTUAL

por Stphen Kanitz

Por que o PT odeia tanto o PSDB, se ambos têm o mesmo ideário e adotam basicamente os mesmos programas?

Por que Lula rompeu com a ala intelectual de sociólogos, filósofos, antropólogos, historiadores e economistas de seu partido que lhe deram apoio total?

Quando Lula critica as elites, ele se refere à elite intelectual, não à elite empreendedora que ele admira. Quanto mais o PSDB batia na tecla de que Lula não tinha diploma, mais ele subia nas pesquisas eleitorais.

Tudo isso são sintomas de um perigoso antiintelectualismo que cresce na América Latina. A eleição de Hugo Chávez e Evo Morales mostra o mesmo fenômeno. O povo latino-americano se cansou do silêncio, da soberba e da incompetência de sua elite intelectual, que pouco cria e só copia teorias como Inflation Targeting, por exemplo.

Essa onda antiintelectual não é resultado do obscurantismo nem do populismo, como acham alguns. É resultado dos mirabolantes planos elaborados às pressas por professores de fala difícil que nunca pisaram num chão de fábrica (ao contrário de Lula), que nunca ouvem ninguém e tanto sofrimento e confusão trouxeram à nação. A classe média, normalmente responsável pelo crescimento de uma nação, foi alijada do poder por intelectuais de gabinete, e por isso ela vota maciçamente no PT.

Na China, os intelectuais foram ativamente perseguidos durante a famosa Revolução Cultural. As universidades permaneceram fechadas por praticamente dez anos, para o desespero deles. Hoje, o povo chinês acredita que foi justamente isso que colocou o país no eixo. “Os intelectuais foram obrigados a fazer algo que nunca fizeram, a trabalhar no campo como nós”, disse-me um porteiro de hotel em Beijing. “Os líderes de hoje são justamente aqueles que por dez anos não foram educados por intelectuais”, comentou nosso taxista em Xangai. A história do mundo está repleta de “revoltas das massas”, queimando livros e intelectuais.

Nos Estados Unidos, a intelligentsia é malvista, como gente que somente usa o intelecto e nada mais, que só critica e nada produz de prático ou pragmático.

Definir-se como “intelectual”, como muitos fazem, é visto como uma atitude elitista e arrogante. Afinal, todo ser humano, por mais humilde que seja, tem de usar o intelecto para desempenhar sua função, desde o porteiro do prédio até o motorista do ônibus escolar de seu filho.

Essa é a verdadeira questão por trás da atual crise do PSDB. Desde 2004, há uma divisão declarada no partido entre “os que trabalham e os que escrevem artigos de jornal”, como disse em público um de seus mais destacados membros do baixo clero.

Quais as conseqüências práticas de tudo isso?

Em primeiro lugar, a América Latina não está dando uma guinada para a esquerda, como acreditam alguns, mas uma perigosa guinada contra a intelligentsia nacional, ou seja, justamente o contrário. É o feitiço virando contra o feiticeiro, o que tantas vezes ocorre na história, a começar pela Revolução Francesa.

Em segundo, os investidores internacionais percebem que não correm perigo na América Latina, tanto que o risco Brasil nunca esteve tão baixo, justamente porque eles acreditam que Lula não fará loucuras em seu segundo mandato presidencial, se for reeleito. Eles têm certeza de que ele não usará teorias heterodoxas nunca antes testadas, e sim o bom senso, na medida do possível.

O antiintelectualismo é perigoso porque poderá facilmente se transformar num movimento contra a classe média, contra os “com-diploma”, começando com jornalistas e aqueles “que escrevem artigos em jornais”. Seria o fim da imprensa como a conhecemos.

Deixar de lado os intelectuais, como muitos países fazem, obviamente não é a solução. Exigir que sejam mais pragmáticos, mais realistas, menos dogmáticos é uma forma mais acertada de resgatar a verdadeira função deles.

Toda nação precisa de centenas de milhares de pessoas que analisem seus problemas corretamente e apresentem não dogmas do passado, mas soluções para o futuro. Mas, se essa onda sair do controle, quem irá defender nossos intelectuais contra um movimento que muitos deles ajudaram a iniciar?

– E se a CBF punisse como a DFB pune?

Na Bundesliga, jogaram Colonia 2×1 Hamburgo há 20 dias. Estando 1×1, o árbitro Deniz Aytkein marcou um pênalti inexistente a favor do Colonia, entendendo que o zagueiro Spahic (HAM) houvera dado um pontapé no atacante Modheste (COL).

Pós-jogo, houve muita reclamação. O treinador do Colonia (o time beneficiado com o erro do árbitro), Peter Stoeger, disse que ele também não marcaria o pênalti, vendo o lance a 50 metros de distância. O treinador do time prejudicado, Bruno Labbadia (HAM), declarou que “o pênalti foi uma piada”.

A Federação Alemã (DFB) ouviu ambas declarações e resolveu multar o treinador do Hamburgo em 5 mil euros.

E aí, justo ou não?

E se fosse aqui no Brasil?

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– A Súmula Mentirosa de Corinthians 2×0 Santos

Falamos em outra publicação sobre a confusão no lance que culminou na expulsão de David Braz no clássico paulista do último domingo, entre Corinthians x Santos. O texto está em: http://wp.me/p55Mu0-yR . Nessa oportunidade, questionamos a bobeada do árbitro (não ter visto o pênalti) e a suposta mentira (de que David Braz foi expulso por ofensas).

Pois bem: a Sportv, emissora que transmitiu o jogo, captou o áudio em que Renato, jogador santista, questiona o bandeira Rogério Pablos Zanardo sobre quem fez o pênalti e ele confirma ser David Braz. Clique em: http://is.gd/yqFnrO e aumente o som!

Dessa forma, ratifico o texto de “suposta mentira” para MENTIRA. Sim, o árbitro Flávio Guerra, que agora declara que não viu o pênalti, citou que expulsou o santista por ofensas mas não relatou que foi informado por seu bandeira que ele era o autor do pênalti (erroneamente). Está claro que a expulsão foi por identificação errada do infrator, e na súmula se escreveu algo para contornar a situação: de que houvera sido por ofensas (que se aconteceram, foram depois do cartão vermelho).

Me recordei imediatamente do fato que encerrou a carreira do árbitro Alfredo dos Santos Loebeling, numa confusão entre Figueirense x Caxias na decisão da série B do Brasileirão 2001, onde a CBF interviu para que ele escrevesse algo diferente do que aconteceu na súmula. O jogo acabou antes do término dos acréscimos por invasão da torcida e Armando Marques, presidente da CA-CBF, orientou para que ele escrevesse que a invasão ocorrera depois dos acréscimos (para que não se mudasse o placar ou anulasse o jogo). Loebeling mentiu (a mando de Armando) na súmula, e imediatamente denunciou o fato, explicando que foi coagido. Mas como tudo isso envolveu Farah, Zveiter e Armando Marques… Loebeling teve a carreira encerrada.

A pergunta é: o quarteto de arbitragem mentiu na súmula de vontade própria (sim, todos eles, pois o documento é assinado por ambos) ou alguém sugeriu o texto?

Ficará a dúvida no ar!

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– As Máquinas de Gelo e Frigobares dos Senadores!

Em tempos de repensar a Política e a Economia brasileira, os nobres deputados e senadores deveriam se preocupar em dar exemplos positivos. Em especial, ao que se refere a corte de gastos e ao esforço em não se criar mais impostos, como a CPMF/ CPPrevi, aumento da Cide e de tantas outras coisas.

Eis que, despropositalmente ao bem da nação, anuncia-se que o Estado comprará 60 frigobares (a R$ 57.000,00) e 6 máquinas de gelo (com valor acima de R$ 11.000,00) para conforto dos senadores!

É ou não uma cambada de picaretas no poder? E a gente pagando imposto para eles…

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– E o acidente de Pedrinho Piquet?

Impressionate: ao ver o “capote” do filho do Nelson Piquet (Pedro), não dá para acreditar que o piloto sobreviveu sem consequências mais sérias!

O incrível vídeo na categoria GT3 Porsche (acidente aos 26 segundos) em: http://www.youtube.com/watch?v=bCocnsa3P4w