– Limites Permissíveis e Transponíveis no Futebol

Dando uma fuçada na temática futebol e violência, deparei-me com esse texto que já tem 10 anos, mas que pode ser tão atual… Ele fala sobre os torcedores brigões e a má educação no esporte.

Vale a pena dar uma relembrada e verificar se algo mudou:

NO FUTEBOL PODE TUDO?

Ao ler nesta tarde que uma torcida organizada do Fluminense-RJ invadiu o campo de treino da equipe para bater nos jogadores, após a eliminação na Copa do Brasil, e que um desses membros acabou atingindo com um soco o atleta Diguinho, fiquei pensando: até onde vai o limite do permitido e o proibido no futebol?

Dentro do microuniverso que o futebol representa na sociedade, parece que o mesmo está num mundo a parte, onde os padrões de relacionamento, os conceitos éticos e sociais são ditados por regras exclusivas, fora mesmo do ambiente desportivo. Aliás, tal situação mostra que o futebol, dentro destas características, definitivamente deixa de ser esporte.

Que direito uma pessoa tem de invadir o local de outra e agredí-la, simplesmente porque não gosta do resultado do seu trabalho? Se nas nossas atividades profissionais fora do futebol formos agredidos no exercício da nossa labuta, o agressor tem que ser preso imediatamente. Deveria ser assim no futebol também!

Alguém acha que o agressor do jogador cumprirá pena na cadeia?

Busque trazer tal exemplo para as arquibancadas: nós, árbitros, somos ofendidos antes mesmo de iniciarmos uma partida de futebol, com dizeres que nos caluniam desde os familiares até a nossa dignidade. Mas, pela cultura futebolística imposta, isso é normal! O torcedor está no “direito” de proferir palavrões pessoais à nossa conduta e aos nossos entes queridos. E isso, lamentavelmente, não tende a mudar.

Se o futebol é um espetáculo, tal comportamento não se vê em outras artes. Você pode vaiar uma peça de teatro ou um filme na sala do cinema, mas raramente isso acontece. É a boa educação. Simplesmente você não recomenda a outras pessoas tal entretenimento.

No último clássico Palmeiras X São Paulo, 158 pessoas foram detidas por perturbação à ordem, agressões e tumulto. Ninguém ficou preso. Aliás, tais notícias deixaram de ser novidades.

O que impressiona é que cada vez mais a violência para com os jogadores, e porque não, também aos árbitros e dirigentes, avança assustadoramente. E incluo aqui os jornalistas! Ou as pessoas se esqueceram das tentativas de agressões à cabine da rádio CBN no Pacaembu neste ano? Ou das ofensas contra a Sportv na Vila Belmiro no ano passado?

Infelizmente, o futebol está ficando perigoso para aqueles que verdadeiramente amam o esporte bretão que se tornou paixão nacional. Tudo em decorrência da impunidade e permissividade dos baderneiros das arquibancadas.

Apenas uma pergunta: como é que um grupo de torcedores, numa plena terça-feira útil, pode se dar o luxo de não trabalhar e agredir os jogadores que estão trabalhando?

Um último detalhe: nesta quarta-feira, na final da Liga dos Campeões da Europa, em Roma (Manchester United X Barcelona), todos os torcedores que entrarão no Estádio Olímpico devem portar seus documentos de identidade (e aos estrangeiros o passaporte) para ter acesso às arquibancadas e sentar no seu lugar numerado. Não que eles sejam mais civilizados, mas sim porque haverá punições em caso de brigas.

Abaixo, a notícia sobre a agressão, extraída de: http://www.abril.com.br/noticias/esportes/futebol/fluminense/torcedores-invadem-treino-flu-agridem-diguinho-399122.shtml

TORCEDORES INVADEM TREINO DO FLU E AGRIDEM JOGADORES

A eliminação da Copa do Brasil e a goleada por 4 a 1 sofrida para o Santos em pleno Maracanã no último domingo pelo Campeonato Brasileiro, definitivamente, acabaram com a paz no Fluminense. Nesta terça-feira, integrantes de uma torcida organizada do clube invadiram o treino da equipe nas Laranjeiras e chegaram a agredir Diguinho.

O volante, que não joga há dois meses em virtude de uma pneumonia e de uma lesão na coxa, foi atingido por um soco, mas logo seguranças do clube interviram e impediram um incidente de piores proporções. Em seguida, dez policiais militares reforçaram a segurança.

No protesto dos torcedores, os principais alvos dos xingamentos foram o lateral direito Eduardo Ratinho, o meia Thiago Neves e o coordenador de futebol, Alexandre Faria.

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O campo, infelizmente, virou ringue!

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