– Autoridade, Autoritarismo e Respeitabilidade na Arbitragem

Na sociedade, em todos os setores, não basta ser bom profissionalmente. Tem que parecer ser bom! Se mostrar competência e, principalmente, demonstrar confiabilidade (valores fundamentais para o sucesso de qualquer atividade), o resto se torna mais fácil.

Digo isso pelas arbitragens do Campeonato Brasileiro. Há uma clara postura diferente de árbitros quanto à demonstração da autoridade em campo. E, na última rodada, tal fato ficou mais evidente.

Comparemos Wilson Luís Seneme no Internacional X Flamengo e Péricles Bassols no Corinthians X Atlético Mineiro. Ambos do quadro da FIFA e com postura diferente em campo.

Seneme demonstra a sua firmeza alicerçada na confiança que os atletas têm em sua boa atuação e histórico. Quando ordena algo em campo, o faz com autoridade que é prontamente aceita pelos jogadores. Só em olhar firme, já consegue bom comportamento.

– Péricles demonstra a sua firmeza alicerçada em cara feia e gritos esbravejantes. Quando ordena algo em campo, o faz sob os olhares duvidosos dos atletas.

Não vale dizer que o primeiro é veterano e o segundo experimenta o noviciado. Ambos tem boa rodagem. A diferença é que Seneme exerce a autoridade com respeito e serenidade, enquanto que Péricles a faz com exagerada antipatia. Ontem, no Pacaembu, ficou nítido que em certos momentos beira a arrogância o comportamento do árbitro. Não que ele seja arrogante, mas faz parecer ser.

Ora, árbitro não deve ser simpático ou complacente, mas simplesmente… árbitro! Zeloso pela Regra do Jogo, respeitoso pelos atletas que ali estão trabalhando, atento para ludibriagens e cumpridor do seu dever. E é aí que Péricles Bassols tem pecado: fazer excessivamente o papel de “malvado”, dar má resposta ou mostrar a falta de empatia. Não é necessário ‘conversar com jogador’ (já que muitos atletas reclamam que árbitro não conversa com eles – no fundo, querem a contemporização de punições disfarçada do desnecessário ‘bate-papo’), mas sim demonstrar que está seguro de suas marcações em campo. Ou será que jogador não tem a sensibilidade suficiente para perceber quando o árbitro está inseguro durante a partida, ou sente a pressão?

Jogador não é inimigo de árbitro, nem a relação inversa. O problema é ganhar o respeito! E isso só o fará mudando a postura.

Ter autoridade não é ser arrogante. Vide Seneme, PC, Heber… Se isso ocorre, até mesmo quando o árbitro acerta em lances difíceis, será contestado e até mesmo ironizado!

Por fim: após o jogo entre Corinthians X Atlético Mineiro, um jornalista perguntou ao treinador Cuca (e ao mesmo tempo criticou) o fato de um carioca apitar jogo de mineiro no Brasileirão, onde o Atlético-MG é seguido pelo Fluminense-RJ na tabela. Ora, se partirmos para esse raciocínio, não teremos mais árbitros à disposição. Se assim fosse, o Internacional, que luta com o São Paulo por uma vaga no G4, deveria reclamar da escala do paulista Seneme. Escalaremos então árbitros da Roraima, Acre, Amapá… de qualquer estado da federação que não esteja na série A, pois, em breve, todos os jogos terão interesse entre si. Ou tragamos estrangeiros ou extraterráqueos!

Que o novo comandante da CA-CBF, Aristeu Tavares, aproveite a sonda americana Curiosity, que está há pouco tempo em Marte e faça contatos por lá! Quem sabe encontre algum árbitro disponível…

E você: também acha que alguns árbitros confundem autoridade com autoritarismo? Deixe seu comentário:

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