– Fumar cotonete faz mal!

Um dois absurdos de épocas difíceis: a moda, no Tok Tok, são vídeos de adolescentes (e crianças) fumando cotonete!

Oriente seus filhos a “caírem fora” dessa tontice…

Abaixo, extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2022/11/fumar-cotonete-nao-da-barato-e-e-prejudicial-a-saude.shtml

FUMAR COTONETE NÃO DÁ BARATO E É PREJUDICIAL À SAÚDE

Por Isabella Menon

Segundo médicos, desafio das redes sociais pode colocar vida de jovens em risco

Vídeos curtos nas redes sociais em que jovens aparecem acendendo cotonete com isqueiro e, em seguida, tragando como se fosse cigarro têm assustado médicos e profissionais da saúde. Para curiosos, a prática não dá nenhum barato nem tem nenhum efeito alucinógeno.

“É puramente pela sensação de pertencimento. Não é relacionado ao prazer”, diz a pneumologista pediátrica Talita Maier do Hospital Santa Catarina. Porém, o ato pode acarretar em problemas respiratórios, como pneumonia e asma, podendo levar à parada cardiorrespiratória e até a morte.

Maier explica que a queima do algodão e do plástico produz gases tóxicos extremamente irritativos para as vias aéreas —não só para o pulmão, como para os olhos, nariz e garganta.

“Ao fumar um cigarro, a pessoa tem uma sensação de prazer da nicotina. Agora, fumar o cotonete vai ser uma experiência extremamente desagradável na maior parte das vezes”, diz ela que após inalar o cotonete, o jovem pode ter tosses e sensação de aperto no peito.

Entre aqueles que têm doenças respiratórias, há um risco de desenvolverem sintomas e crises mais graves.

Além do perigo em relação às vias aéreas, a pediatra e professora da USP (Universidade de São Paulo) Ana Escobar diz que é preciso atenção para queimaduras, uma vez alguns jovens embebedam o cotonete com álcool para acendê-lo mais facilmente. “O primeiro perigo é queimar o lábio porque o cotonete e o algodão podem pegar fogo.”

Há, ainda, a presença de substâncias que têm potencial cancerígeno. Ao inalar o cotonete, a pessoa está levando diretamente ao pulmão essas substâncias, uma vez que o plástico contém cianeto, aldeído e hidrocarbonetos.

“A inalação dessas substâncias tóxicas pode fazer uma broncoconstrição, como se a pessoa entrasse em uma crise aguda de asma, que pode ser grave”, diz a médica. “É perigoso para a vida.”

Os vídeos viralizam, principalmente no TikTok, no formato de desafio. No site oficial, a plataforma afirma que não permite que usuários compartilhem conteúdo que apresente, promova, normalize ou exalte atos perigosos que possam “resultar em lesões graves ou morte”.

A plataforma define como ato perigoso atividades realizadas em um contexto não profissional ou sem as habilidades e precauções de segurança necessárias e que possam resultar em lesões graves ou morte do usuário ou do público, incluindo acrobacias amadoras ou desafios perigosos.

Também afirma que não é autorizado conteúdo que promova ou sancione a participação coletiva em atividades perigosas ou prejudiciais. Porém, segundo a coordenadora do Grupo de Trabalho em Saúde Digital da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), Evelyn Eisenstein, a rede não está sendo ágil o suficiente para conter esse conteúdo.

“Quando falamos de ‘trend’ e ‘viralizar nas redes’, esse tipo de vídeo faz parte do que nós chamamos de desafios perigosos. Precisamos de políticas de prevenção e proteção social. No mesmo minuto que esse tipo de vídeo é publicado, eles têm que ser deletados”, diz.

Eisenstein define que as principais características que definem os adolescentes são curiosidade, impulsividade, falta de capacidade de avaliar a possibilidade do risco. Além isso, a maioria se vê como invulnerável. “As redes sociais extrapolam e disseminam isso, mas temos que ter um controle.”

Ela calcula que ao menos 50 crianças e adolescentes já morreram no Brasil em decorrência desses tipos de desafios perigosos. Por isso, é preciso cuidado dentro de casa, nas escolas e pela rede social para evitar esse tipo de fatalidade.

“São jogos de provocação que atraem os adolescentes, como ‘baleia azul’, desafio do desodorante, brincadeira do quebra crânio. Mas isso não é engraçadinho, os pais precisam estar atentos e os adolescentes precisam ser alertados”, diz ela.

 — Foto: Freepik/Anastasia Kazakova

Foto: Freepik/Anastasia Kazakova, extraída de Revista Crescer / Saúde.

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