– As cobranças intimidatórias no futebol funcionam? O momento é: RECONSTRUÇÃO e PACIÊNCIA!

Cobrar com violência ou intimidação no futebol resolve nos dias atuais?

Não. No presente e no passado mais recente, eu nunca vi. Aliás, desde quando “dedo na cara” faz time jogar mais bola?

Avalie: quando o Corinthians estava às vésperas de ser rebaixado para a Segunda Divisão do Brasileirão (Dualib já tinha saído e Andrés Sanches entrado), os atletas foram intimidados pelas torcidas Gaviões da Fiel e Rua São Jorge e, ao invés de “jogar mais”, assustaram e o time acabou caindo. Idem ao Palmeiras do último rebaixamento, quando a Mancha Verde deu uma prensa nos atletas (que haviam vencido a Copa do Brasil no mesmo ano).

A verdade é: os jogadores, hoje, são descartáveis nos times e vice-versa. Passam, simplesmente, e pouquíssimos criam raízes. Não conhecem a história das agremiações e estas, por sua vez, cambaleadas por dívidas e dificuldades, não conseguem se impor, tornando-se uma relação trabalhista temporária. Se o jogador vê seu clube ser invadido, “ele entrega o boné” e cai fora. A Comissão Técnica desanima e a Diretoria fica ainda mais enrolada.

Estamos no século 21 – de profissionalismo e futebol-business, onde a paixão deve ficar na arquibancada. Todos têm uma função bem clara no esporte hoje: o torcedor deve consumir os produtos ou não, incentivando ou vaiando sua equipe; os jogadores devem receber em dia e mostrar serviço em campo (ganhar ou perder é outra história, a questão é: dedicação e trabalho honesto). A imprensa deve reportar e ser isenta, clareando o que acontece e não se omitindo nas situações desagradáveis. A diretoria deve unir forças para os recursos financeiros aparecerem e promover ações agregadoras, a fim de que a gestão profissional, aliada ao marketing, traga a confiança da sociedade e atraindo assim novos parceiros.

Digo tudo isso pois às vésperas da volta da Série A3, o Paulista FC (como também outros clubes) vivem um momento diferente, de recomeçar um torneio como se fosse o início dele – e de tiro curto! No Galo, em especial, um momento de transição no comando, onde Rodrigo Alves está tendo a árdua missão com seus pares de trazer confiabilidade à comunidade tricolor.

É sabido que o Galo passou por inúmeras parcerias: algumas positivas, outras nocivas e muitas polêmicas. Atualmente, a oportunidade de fazer diferente foi concedida a quem fazia críticas anteriormente (e que eram de maneira justa em muitos momentos). Dessa forma, há de se ter paciência!

O Paulista Futebol Clube nunca foi “de alguém”, embora possa ter parecido o contrário; ele é uma agremiação privada de sócios, que como muitas, passam por ciclos de sucesso ou de infortúnio. Formado por pessoas, é natural que se tenha tanta paixão e manifestações diversas envolvidas. Mas a verdade e a realidade são: torçamos para que tudo ocorra com tranquilidade, para que as cobranças no tom adequado possam existir, longe da violência ou de especulação, e que os resultados nos jogos sejam entendidos dentro das possibilidades ocorridas de maneira normal, sem criminalizar uma pessoa ou um grupo (tanto em caso de vitória como em derrota).

Talvez a grande novidade da nova gestão – e isso deve ser abordado – seja o OTIMISMO e a vontade de fazer algo diverso. Dê-se então crédito a isso por hora.

O que não pode acontecer em Jundiaí (de forma alguma) é o incentivo à violência, como ocorrido em Santa Catarina. Todos viram o vídeo de Cíntia Carvalho, nutricionista que trabalha no Figueirense e que foi uma das vítimas da invasão no Estádio Orlando Scarpelli. Talvez ela tenha dito algo muito relevante e pouco debatido:

“Essa história do torcedor ou qualquer cara enfiar o dedo na cara do profissional que trabalha com o futebol e querer ensinar como deve ser, sem respeito com o próximo, tem que acabar”.

Por fim: dê-se tempo aos profissionais que estão trabalhando, e termino com a frase do amigo jornalista Fernando Sampaio, que por diversas vezes me falou sobre o cuidado de misturar paixão e razão no futebol, lembrando que “o torcedor torce, mas tem que tomar cuidado pois também, com raiva, ‘distorce'”. E é isso mesmo: o equilíbrio deve sempre existir para que os resultados possam ser cobrados. Sem ele, fica difícil trabalhar.

(O depoimento citado acima da nutricionista, na íntegra e com a profissional aos prantos, em: https://www.lance.com.br/figueirense/video-nutricionista-faz-forte-desabafo-relata-agressao-torcedores-invasao.html).

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