Só acontece no Sul do Brasil?
Viram os “golpes de cartolas dos clubes de futebol” denunciados em Porto Alegre?
Os crimes não foram poucos: nessa semana, o MP-RS cumpriu 20 mandados de busca e apreensão contra suspeitas sobre Vitorio Piffero (o ex-presidente do Internacional) e seus pares. Foram acusados de:
- crime de apropriação indébita,
- estelionato,
- organização criminosa,
- falsidade documental e
- lavagem de dinheiro.
Marcelo Dornelles, o Procurador do Ministério Público do Rio Grande do Sul, afirmou que:
“A gestão do Internacional entre 2015 e 2016 foi praticamente uma organização criminosa. O Inter é uma entidade privada, os crimes ocorreram no âmbito privado. Se tivesse agente público, era um grande sistema de corrupção. Não sendo, é associação criminosa”.
A prática, que sempre é dita “existente e corriqueira” nos bastidores do futebol mas nunca provada, é que basearia-se em várias atitudes:
– cartolas viajavam pelo clube pagando passagens aéreas muito mais caras do que cobradas (ficando com a diferença dos valores).
– jogadores eram contratados por valores mais altos do que combinados, sendo que a diferença do dinheiro era repartida entre diretores do clube e outros envolvidos.
– salários recebido pelos atletas nunca eram iguais aos que divulgados nos balanços, sendo que parte dos altíssimos rendimentos dos boleiros era depositada à parte, em conta de laranjas.
– empresários e cartolas faziam acertos para a compra e venda de atletas, comissionando-se ao máximo, independente se o clube teria lucro ou prejuízo.
Insisto: só no Inter-RS ocorria isso? Em nenhum mais ocorreu, nem ocorre hoje? Aliás, o que aconteceu com a denúncia de que Rodrigo Caio, na gestão de Carlos Miguel Aidar no SPFC, seria vendido ao Atlético de Madrid e o negócio não ocorreu pois a parte “obscura” que o jogador deveria dar à namorada do presidente, “dona Cinira”, era muito alta e desonesta? Ou ainda a questão de jogadores pedidos por treinadores onde parte dos salários dos atletas vai para o bolso do treineiro e do presidente?
Se nos grandes clubes que têm fiscalização forte pelos grupos opositores e estão na mídia, imagine nos pequenos times onde muitas vezes são feudos de alguns!

