– Política, Futebol e Religião se discutem? Sobre e o Presidente e a Taça.

Tomo muito cuidado ao escrever essa postagem, mas ao mesmo tempo convicto do que estou redigindo por já ter estudado outrora o tema a fundo: Política e Religião no futebol são permitidas pela FIFA?

E a resposta é: NÃO!

São assuntos espinhosos, é sabido. Mas não é por isso que devem ser esquecidos, ignorados e evitados ao extremo. Devem ser, sim, RESPEITADOS!

Mas vamos ao ponto: a FIFA, em 2008, ficou muito preocupada com as manifestações religiosas, políticas, sexistas e racistas que surgiam nos estádios de futebol. Poucas providencias foram tomadas efetivamente, a não ser o pedido de que as federações alertassem as Seleções e os clubes de tais cuidados nas partidas.

Somente em 2009, quando a International Board foi pontual, proibindo manifestações de tal ordem no campo de jogo e as incorporando nas Regras do Futebol, é que essas situações foram levadas mais a sério.

Vamos a um exemplo bem específico: logo na primeira competição sob a vigência destas normas organizadas pela FIFA, a Copa das Confederações 2009, viu-se a conquista da Seleção Brasileira e a comemoração efusiva dos jogadores brasileiros. Os integrantes do grupo “Atletas de Cristo”, por exemplo, de joelhos dobrados em campo num mini-culto de louvor a Jesus pela vitória contra o adversário. Pois bem, a Federação da Dinamarca, um país onde o Estado é Laico e que há muita concentração de ateus, pediu para que providências fossem tomadas por tal proselitismo religioso, segundo o órgão. Cabe sempre ao árbitro relatar o que acontece em campo ANTES, DURANTE e DEPOIS do apito inicial e do apito final (punindo com cartões, ou, como foi dito, relatando). A FIFA apenas advertiu a CBF por tal fato. 

Imagine se ocorresse o jogo Israel (que profeta o judaísmo) x Irã (que crê no islamismo). Qualquer manifestação a Iaweh ou a Alá (que são o mesmo Deus Criador, chamado de Pai pelos cristãos) durante uma comemoração de gol geraria um desconforto absurdo. Lembrando que, camisas ou faixas como “I Love Jesus” são proibidas por tal respeito interreligioso. Aqui, discorde ou não das orientações da Regra, ela funciona desse jeito.

(Já escrevi sobre tal fato em: https://professorrafaelporcari.com/2012/11/24/manifestacoes-religiosas-no-futebol-pode/)

Vamos ao campo político: pode o presidente eleito Jair Bolsonaro entrar no gramado e entregar a Taça de Campeão ao Palmeiras? 

NÃO! Nem se fosse o atual presidente Michel Temer ao seu São Paulo Futebol Clube (notório torcedor não praticante), nem a ex-presidente Dilma com sua dupla paixão colorada-atleticana (ela é Inter-RS e Atlético-MG, declaradamente). Pode-se anunciar pelo microfone a presença de autoridade presente (que deve ficar na arquibancada / tribuna de honra / camarote), mas não descer ao campo de jogo, por conta de se evitar contestações de proveito ideológico / político / eleitoral. É uma situação diferente de um pronunciamento de abertura como Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos, onde o Chefe da Nação fala às delegações e a seus pares internacionais, por convite do organizador do evento.

Escrevo sem ler o relatório do árbitro (ele tem que citar o acontecimento). Mas cá entre nós: a CBF puniu o Atlético Paranaense por fazer campanha de apoio político ao então Bolsonaro? E não fará agora, pois ela sempre está alinhada (ou tenta estar) com o Poder. Vide as ótimas relações com os últimos governos e a evidente tentativa de aproximação com o atual).

Resultado de imagem para Bolsonaro Taça Palmeiras

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.