– O Vai-Vem do Mercado de… Árbitros de Futebol!

Parece manchete de jornal esportivo sobre o mercado de transferências de jogadores de futebol. Mas é o retrato de uma situação vivenciada com frequência cada vez maior pelos árbitros: a mudança de locação.

Recentemente, o árbitro FIFA Heber Roberto Lopez trocou a Federação Paranaense pela Federação Catarinense. Em outros tempos, Oscar Roberto Godoi, Márcio Rezende de Freitas e outros tantos migraram de estado.

O que eles ganham com isso e no que as federações podem se beneficiar?

Basicamente, os árbitros trocam de Federação motivados por ofertas financeiras. Um ou outro poderia alegar desconforto em apitar no estado X e maior facilidade em atuar pelo Y, mas, em geral, a troca se dá pelo oferecimento de maiores valores de taxas nos campeonatos estaduais, o acréscimo de salário fixo mensal (já que a atividade não é profissional e a remuneração é por jogo – ou seja, se não entrar em campo no mês, nada recebe) e ainda o pagamento de luvas na contratação. Um outro fator relevante seria o de maior apoio político na carreira, mas esse é superado pela questão financeira.

Já as Federações, ganham… nada! Apenas prestígio e satisfação do ego de seus dirigentes. O que acrescenta um árbitro renomado e formado em outro estado atuando no campeonato local, para a arbitragem? Para o torneio, ele será uma atração. Mas será que isso fará com que os árbitros daquela Federação melhorem tecnicamente?

Na verdade, é um tiro no pé a contratação de árbitros famosos por outros estados. Nos principais jogos regionais, ele estará atuando e um árbitro local não será escalado, enciumando o quadro. Esse árbitro tirará o espaço para revelações; e, ainda, terá remuneração diferente dos seus semelhantes.

Para o árbitro que muda de federação, não há problema algum. Ganhará mais (legalmente), fará seu trabalho com status de estrela e não estará infringindo nenhuma norma. A questão é: não seria mais racional as Federações contratarem PROFESSORES DE ARBITRAGEM, instrutores didáticos e capacitados para fomentar o desenvolvimento da arbitragem local?

Por fim: em 2012, Heber não poderia apitar a final da Copa do Brasil entre Coritiba X Corinthians por ser paranaense. Em 2013, pode por ser catarinense!

A competência e liberação de uma escala não deveria ser rotulada pela origem do árbitro, mas sim pelo seu desempenho.

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