– E se não fosse o rádio?

Vira e mexe, surgem informações de que alguém relança a ideia de cobrar “direitos de transmissão” das emissoras de rádio para o futebol.

Pensemos: com a audiência do esporte outrora tão popular e hoje mais elitista (vide os preços dos ingressos e da assinatura dos canais que transmitem jogos por PPV) e a diminuição das partidas na TV aberta, desejar cobrar das emissoras de rádio é um tiro no pé!

O rádio é PARCEIRO dos clubes, dos campeonatos e dos organizadores. Principalmente pelo número de horas e programas em que DIVULGA os torneios, PROMOVE a expectativa e chega onde os outros meios mais rentáveis não chega.

Um exemplo: a emoção que o rádio leva na 4a divisão (abaixo, a partida entre Paulista de Jundiaí 2×1 Flamengo de Guarulhos, que valeu o acesso do Galo da Japi para a A3), sem que a TV aberta, paga, por assinatura ou algo que o valha estivesse cobrindo. Quantas emissoras estão presentes nos clubes do interior de São Paulo (e nos rincões mais distantes do Brasil) valorizando o futebol?

Alguma TV pagou? A FPF, por exemplo, ou a CBF, levariam essa emoção ao torcedor por um meio prático, barato, comum e emocionante como esse?

O grito de gol, gratuito, inesquecível, contagiante, é um dos grandes motivos de existirem torcedores espalhados por aí.

E se as emissoras de rádio tivessem que pagar? Quantos profissionais a menos estariam no mercado de trabalho?

Assista o exemplo citado em: https://www.youtube.com/watch?v=utaB2molOMY

Narração de Rafael Mainini, integrante do Time Forte do Esporte da Rádio Difusora AM 840, capitaneado por Adilson Freddo, formado também por Robinson Berró Machado, Heitor Freddo, Rafael Porcari e Luiz Antonio de Oliveira. Quantas pessoas o rádio, no modelo atual, envolve numa transmissão, ó cartolas que desejam cobrar os direitos?

Me recordo perfeitamente que a primeira vez em que ouvi essa ideia foi nos anos 2000, na gestão de Marco Polo Del Nero na FPF, quando a Rádio Jovem Pan estava trazendo notícias de desmandos (todas confirmadas) da entidade. A emissora promovia sorteios dos árbitros e divulgava as escalas de jogos importantes ANTES dos oficiais acontecerem (e eles se confirmavam, através do jornalista Fernando Sampaio). Parecia, naquela época, uma forma da Federação Paulista ameaçar a emissora retaliando-a com o desejo de cobrar direitos de transmissão. Hoje, a Jovem Pan continua forte e Marco Polo banido do futebol.

Enfim, que se repense o desejo de cobrar do rádio!

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