– A Polêmica Regra da Comunicação em Campo

Sobre comunicação extra-campo com atletas, em questionamento ao amigo Edson via email, respondo com uma republicação do meu blog. Abaixo:

Tudo começou com Vanderlei Luxemburgo, então treinador do Corinthians, na final do Campeonato Paulista de 2001: Corinthians x Santos jogaram e descobriu-se que Luxemburgo orientava o meia Ricardinho através de um ponto eletrônico escondido em seu ouvido. Era permitido ou proibido?

Ninguém sabia, pois a Regra nada dizia. Dias depois, em uma reunião da International Board (o Organismo que é “dono” das Regras do Futebol) determinou-se que seria proibida a comunicação eletrônica entre treinador e jogadores durante a partida.

Recentemente, passou a ser fato comum a comunicação via celular entre treinadores e seus assistentes via celular. O próprio Luxemburgo, certa feita, assistia o 1o tempo das partidas nas arquibancadas, conversava com seu assistente via rádio e depois dirigia a equipe no 2o tempo no banco de reservas.

Após os estudos de uma equipe de força-tarefa da FIFA em 2011 (grupo formado por ex-atletas e estudiosos do futebol, que visa trazer sugestões), reforçou-se textualmente com a redação da orientação na Regra 4 (Equipamento dos Jogadores):

Os árbitros proibirão o uso de radiocomunicação entre jogadores e o corpo técnico”.

Mas aí veio uma nova modificação. Para 2013/2014, houve alteração do mesmo texto:

Os árbitros proibirão o uso de sistemas eletrônicos de comunicação entre os jogadores e/ou o corpo técnico”.

Aqui a alteração é mais profunda: a comunicação eletrônica por celulares ou rádios era proibida (portanto, a comunicação FALADA), mas nada impedia que a comunicação fosse REDIGIDA através de outro equipamento eletrônico “não sonoro” exceto os citados, como, por exemplo, via tablets ou notebooks. Onde estaria a proibição de que um treinador não poderia se comunicar com os atletas mostrando imagens e informações em um iPad com estatísticas em tempo real? Ou com informações de fora via email?

Agora, a proibição é EXTENSIVA A QUALQUER SISTEMA ELETRÔNICO DE COMUNICAÇÃO e não mais somente entre jogadores e treinadores, mas AMPLIADA ENTRE OS PRÓPRIOS INTEGRANTES DA COMISSÃO TÉCNICA. E um grande exemplo disso: José Mourinho costuma receber informações estatísticas on-line das partidas de seu assistente técnico via tablet, e as repassava através de bilhetinhos escritos a mão a seus jogadores. Isso (informação de fora), agora, não pode! Mas se o treinador quiser passar suas instruções por escrito em uma tecnologia rudimentar, como papel, somente com suas impressões pessoais, PODE!

Na sua última circular antes do início do Paulistão 2014, a FPF reforçou esse lembrete no capítulo 20 das suas orientações:

É PROIBIDO o uso de sistemas eletrônicos de comunicação entre jogadores e/ou comissão técnica. Exemplo: treinador para assistente fora do campo, conforme alt Regra 4, pg 29 do Livro de Regras.” [Lembro que não é só fora do campo, mas dentro também].

EXEMPLOS PRÁTICOS NO BRASIL

A primeira proibição (sem expulsão do integrante da Comissão Técnica), ocorreu por parte do árbitro gaúcho Jean Pierre Gonçalves na série B, no jogo entre América/MG x Paraná Clube (segundo semestre de 2013). Os treinadores Paulo Comelli e Dado Cavalcante, flagrados antes do jogo com rádios para conversarem com seus assistentes que estavam na arquibancada, tiveram que se desfazer dos aparelhos. Reclamaram, mas acataram.

Já o primeiro caso de expulsão valendo a nova orientação aqui no Brasil ocorreu no dia 28 de agosto de 2013, no jogo em que o Atlético Paranaense eliminou o Palmeiras da Copa do Brasil: o árbitro Ricardo Marques Ribeiro foi avisado pelo 4o árbitro Fábio Filipus de que o assistente técnico de Gilson Kleina, Fabiano Mazolla, usava um rádio comunicador no banco de reservas. Em um primeiro momento o quarto árbitro avisou da proibição e o assistente não obedeceu as ordens. Na sequência, o árbitro o expulsou. Na súmula, Ricardo Marques explicou que ele foi “expulso por uso de comunicação eletrônica após aviso da proibição”.

Outro caso ocorreu neste ano: Regis Angeli, assistente técnico do treinador Vágner Mancini, foi expulso pelo árbitro Flávio Guerra após aviso do 4o árbitro, ao perceber que este fazia uso do celular na partida entre Atlético Mineiro x Botafogo na rodada 19 pelo Brasileirão e que recebia informações da partida, repassando para o técnico.

Eu, particularmente, acho um retrocesso proibir a comunicação externa. Se o clube tem uma equipe técnica profissional e que se atenta a detalhes do jogo para ajudar o treinador, isso deveria ser uma evolução bem vinda ao futebol. Porém, entendo também o que os legisladores da Regra pretendem: se um árbitro não tem um celular para ligar a alguém com imagens e perguntar se foi pênalti ou não, seria desproporcional que treinadores tivessem essa informação privilegiada.

Resta aos mais espertos utilizarem alternativas. Imaginaram bolinhas de papel voando das arquibancadas com informação ao banco? E nas arenas européias, onde torcedores e comissões técnicas estão próximas: que tal a comunicação boca-a-boca, onde um torcedor assiste o jogo em tempo real via Web em som alto e “sem querer” o treinador escuta?

Alternativas criativas devem surgir! Ou você acha que não?

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