– Torcida da Portuguesa assume a base do time para evitar o encerramento das atividades e incentivar o profissional. A do Paulista poderia fazer o mesmo?

Um grupo de torcedores da Portuguesa se une para salvar a base da Lusa. Se o atleta não for 100% do clube, não joga. Eles administram os garotos e realizam outras ações pró-time. E assim a torcida assume o Sub 15, 17 e 20.

Tal modelo serviria ao Paulista?

Matéria do Estadão de domingo, extraído de: http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,na-base-portuguesa-ve-esperanca-em-meio-ao-caos,10000075079

NAS CATEGORIAS DE BASE, PORTUGUESA VÊ ESPERANÇA EM MEIO AO CAOS

Perto do rebaixamento à Série D, grupo de torcedores trabalha com os garotos para o clube renascer

Por Marcius Azevedo

A Portuguesa pode escrever hoje um triste capítulo em seus 96 anos de existência com o rebaixamento para a Série D do Brasileiro. A equipe torce por derrota do Macaé contra o Juventude, às 11h30, em Caixas, e depois tem de vencer o Guaratinguetá, às 19h30, no estádio José Liberatti, em Osasco – o Canindé foi alugado para uma igreja -, para chegar na última rodada com chances matemáticas de se manter na Série C.

O rebaixamento, se consumado, seria o quarto em três anos, fundo do poço para um clube tão tradicional em São Paulo. Mas não necessariamente será o fim da linha. Afundado em dívidas por gestões ruins que levaram até ao leilão de parte da área do Canindé – marcado para 7 de novembro e que o departamento jurídico busca impugnar -, a Portuguesa, enquanto sonha com um mecenas, vê esperança de alcançar o renascimento com o trabalho de um grupo de torcedores nas categorias de base, que historicamente sempre revelou garotos.

Apaixonados pelo clube, eles assumiram o controle do departamento em fevereiro. O cenário era de terra arrasada. “Não existia nem sequer controle com o nome dos jogadores que eram da Portuguesa, nenhuma ficha, nada”, comenta Cássio Esteves, coordenador administrativo da base.

Além de Cássio, o grupo, que não recebe salários, conta com Ricardo Alonso, Virgilio Cesar, Marco Aurélio Amaro e Rodrigo Eduardo Gonçalves. O único remunerado é Eduardo Gomes, que atua como supervisor técnico. O mentor é o pai de Cássio, Toninho, que era diretor da base quando Dener foi revelado. “É pelo amor”, comenta Cássio. “O nosso retorno é ver a Portuguesa no lugar que ela merece. Temos o nosso sustento, não vivemos disso”, completa.

No pente-fino realizado em fevereiro, o grupo limou jogadores que não eram 100% do clube. “Acabamos também com qualquer esquema de empresário”, diz Cássio, antes de explicar a situação. “Não brigamos com os empresários, eles podem trazer os atletas para cá. Se for bom, fica, mas ficamos com 100% dos contratos e direitos.”

Com pouca participação da Portuguesa, que arca apenas com transporte, taxas da Federação Paulista e salários das comissões técnicas, o custo mensal é de R$ 50 mil. Atualmente são 90 meninos nas categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20. A maioria é de São Paulo, já que os custos para alojamento são proibitivos. Os atletas estudam em escola pública. A alimentação, em grande parte, vem de doações. “Tentamos fazer os garotos gostarem de jogar aqui, terem amor pela Portuguesa”, diz Ricardo Alonso.

O trabalho é árduo, mas já dá resultado. Um garoto despertou o interesse do Internacional, faz teste em Porto Alegre nesta semana e pode gerar um ganho financeiro. “Vamos ficar com uma parte se der certo”, comenta Cássio. Em campo, segundo o coordenador, o retorno pode vir já em 2017. “Com uma espinha dorsal experiente, os garotos têm condições de ir bem na Série A-2 do Paulista e em uma eventual Série D.”

O presente, ao que tudo indica, será marcado por mais um rebaixamento, mas ainda há esperança de um futuro melhor no Canindé.

bomba.jpg

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.