– A discussão da meritocracia das escalas da arbitragem no Campeonato Brasileiro.

Eu sempre defendo: os melhores árbitros têm que estar trabalhando. E nos jogos que são permitidos, testar novos nomes para que exista um processo de renovação.

Quando eu digo “melhores”, me refiro à capacidade do cidadão. Independe se é homem ou mulher, hetero ou homo; se é branco, negro, amarelo ou indígena; se é alto, baixo, mediano, bonito ou desdentado; se tem bigode ou barba feita (acredite, isso chegou a ser fator relevante…), se tem tatuagem, brinco, piercing ou não. E o assunto do momento: ONDE NASCEU.

Há uma reclamação de que na gestão Seneme os árbitros do Norte e do Nordeste perderam espaço. Não sei se a estatística ao longo das últimas 11 rodadas comprova isso, mas sei que, se existirem 10 árbitros bons da Roraima à disposição, que sejam escalados na série A do Brasileirão.

O que não pode, como muitas vezes foi feito, é escalar alguém por favor às federações. Quantas histórias (e também estórias) de árbitros indicados por políticos ou que levavam o escudo da FIFA sem ao menos ter condições.

Vide a geopolítica da bola: dos 20 clubes brasileiros, os mais ricos estão na região Sul-Sudeste (e torço, como brasileiro, que a riqueza seja uniforme em todo o paísapesar que o termo “riqueza” é enganoso, já que estão bastante endividados). É razoável crer-se que estados que tem mais força esportiva dos clubes revelem mais árbitros. Temos 5 paulistas, 3 cariocas, 2 mineiros, 2 gaúchos, 2 cearenses, 2 goianos, 2 paranaenses, 1 matogrossense e 1 catarinense na Série A (são 10 equipes do Sudeste, 5 do Sul, 3 do Centro Oeste e 2 do Nordeste). Ou seja: somente no Sul-Sudeste (que economicamente é a região com maiores índices de IDH do Brasil) temos 75% dos times na elite.

Tome como exemplo a próxima rodada do Brasileirão. Acompanhe:

Fluminense x Avaí: Paulo Roberto (PR)
Internacional x Botafogo: Sávio Sampaio (DF)
Atlético Goianiense x Juventude: Marcelo L Henrique (do RJ, mas apita pelo CE)
Corinthians x Goiás: Bráulio (SC)
Fortaleza x América: Vuaden (RS)
São Paulo x Palmeiras: Daronco (RS)
Cuiabá x Ceará: Flávio Souza (SP)
Atlético Mineiro x Flamengo: Claus (SP)
Coritiba x Athletico Paranaense: Luís Flávio (SP)
Santos x Red Bull Bragantino: Douglas Marques (SP)

Nordestino ou Nortista “da gema”, não tem nenhum escalado, é fato. Mas a culpa é do Seneme, que assumiu agora, ou do trabalho feito pelas federações locais? Ou ainda: de nenhum deles, mas sim pelas condições esportivas, econômicas e desenvolvimentistas do país?

A grande preocupação será: nomes de ótimos árbitros não sendo escalados por origem, mas… talvez seja como convocar a Seleção Brasileira: não temos nenhuma unanimidade nacional que esteja sendo injustiçada.

IMPORTANTE: circula um debate nas Redes Sociais de que, como vice-presidente da CBF, o presidente da FPF Reinaldo Carneiro estaria tendo enorme relevância na gestão de Ednaldo Rodrigues, começando a “colocar para escanteio” Marco Polo Del Nero (bem enfraquecido depois do episódio Caboclo, e já não tendo mais a respeitabilidade dos dirigentes de clubes). E como excepcional articulador político, as demissões e reestruturação da CBF (vide os cargos importantes não só na arbitragem, mas em posições-chave da casa) são por conta dele, colocando nomes da sua confiança. Prova disso são os ex-funcionários da FPF que aos poucos estão chegando ao RJ…

Não me surpreenderia se a nova Comissão de Arbitragem, que está sendo refeita com carta branca a Wilson Seneme, esteja repleta de paulistas – e aqui um reforço: não me importa a origem, podem ser gestores até de Júpiter, desde que se tenha competência e honestidade.

Imagem extraída de: CBF, reprodução em seu site.

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