– Gasolina Formulada versus Gasolina Refinada

A Revista Combustível & Conveniência, Ed maio/2012, pg 40, traz uma importante matéria, intitulada “Gasolina Formulada: mais barata, mas com menor rendimento”.

Você sabe se o posto em que está abastecendo vende gasolina formulada ou refinada?

Pois é: a gasolina formulada vem ganhando mercado, custando R$ 0,20 a menos (não repassado ao consumidor, infelizmente). O produto é autorizado pela Agência nacional de Petróleo (ANP).

O principal problema é que essa gasolina é mais volátil, rende menos e pode levar o consumidor a grandes enganos.

A química Sonja Bárbara Barczewski, gerente técnica do laboratório CEFET/MG, alerta que essa gasolina, embora legalizada, é:

composta de resíduos de destilação petroquímica adicionada de solventes, com qualidade inferior ao combustível refinado pela Petrobrás.

Portanto, a grande dúvida é: por que não obrigar ao Posto de Combustível a informar ao cliente se sua Gasolina é FORMULADA ou REFINADA?

Vale a pena ficar atento!

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2 comentários sobre “– Gasolina Formulada versus Gasolina Refinada

  1. Primeiramente gostaria de me apresentar. Sou químico e advogado, concursado, lotado na Agência Nacional do Petróleo – ANP. Durante anos fui o presidente da Comissão de Etanol do Instituto Brasileiro do Petróleo – IBP/ABNT, Líder de Projeto do Comitê Internacional da ISO/TC28/SC7 – Biofuel e ex supervisor técnico do laboratório de combustíveis da ANP (Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas). Devo dizer, entretanto, que aqui me manifesto em meu nome é não em nome do respeitável Órgão onde trabalho – ANP.

    Não resta dúvida que todos os que aqui se manifestaram pouco conhecem do assunto, jornalista, mecânico e demais opinantes.

    Não há qualquer verdade em tudo o que foi dito sobre a gasolina formulada. Ela existe sim no mercado brasileiro, porém representa menos 0,5% de toda a gasolina comercializada. Devo-lhes informar que toda e qualquer gasolina para ser revendida deve obedecer a rigorosa especificação editada pela Resoluções ANP n.º 40/2013.

    Nesse sentido, a gasolina formulada só entra para a revenda após comprovação de que o combustível cumpre rigorosamente a especificação contida no Regulamento Técnico n.° 03/2013, parte integrante da Resolução retro citada.

    Ou seja, a gasolina aqui dita de má qualidade deve obrigatoriamente possuir faixa de destilação compreendida entre 65 e 215 °C, contendo assim as frações leves, médias e pesadas necessárias para uma queima regular do combustível na câmara de combustão. Deve ainda possuir, cor, aspecto, massa específica, teor de etanol, índice antidetonante (IAD), número de octanos motor (MON), benzeno, tolueno, xileno, aromáticos, olefinas e saturados todos idênticos a uma gasolina oriunda da destilação fracionada do petróleo, portanto, não se pode falar que pelo simples fato de ser formulada deve ser classificada como sendo uma gasolina de qualidade inferior.

    Outro grande mito é acreditar que a gasolina dita “pura” sem adição de etanol seria melhor para os motores. Mero desconhecimento daqueles que assim opinam. Uma gasolina do tipo A, ou seja, aquela sem a adição de etanol possui o Número de Octanos Motor (MON) em torno de 78-79, sendo necessário para um bom funcionamento dos motores a combustão interna (caso dos nossos carros) um MON de no mínimo 82. Em tempos pretéritos utilizávamos como aditivo antidetonante melhorador da octanagem o super tóxico chumbo tetraetila, porém com o banimento do uso desse perigoso composto químico (carcinogênico) passou-se a utilizar o Etanol Anidro (sem água) como aditivo melhorador da octanagem das gasolina do tipo C comercializada no Brasil. Importante esclarecer que o etanol anidro na gasolina, além de aumentar a octanagem (evitando o batimento de pino), produz uma queima mais limpa diminuindo as emissões. Atualmente Europa e Estados Unidos e diversos outros países com responsabilidade ambiental têm adotado o etanol como aditivo da gasolina.

    Apenas a título de exemplo, a gasolina Pódium (Petrobras) e Octapro (Ipiranga) são espécies de gasolinas do tipo C comum formuladas, possuindo elas uma das mais altas taxas de octanagem do mundo. Nesse sentido, fica prejudicada qualquer informação que coloca esses tipos de gasolinas como de má qualidade.

    Da mesma forma, sem qualquer razão a afirmação de que a gasolina formulada prejudica o rendimento ou que pode entupir bicos injetores. Não há qualquer comprovação sobre a queda de rendimento ou que o uso dessa gasolina entope os sistemas de injeção eletrônica. Via de regra esses entupimentos são gerados por partículas em suspensão ou por resíduos de combustão, os quais não se verifica nas gasolinas que obedecem a especificação emanada pela ANP.

    Por último, importante esclarecer que a ANP desenvolve um programa de monitoramento da qualidade dos combustíveis no país onde amostras são coletadas em postos revendedores de todos os estados da federação, sendo o resultado desse trabalho o direcionador das operações de fiscalização da Agência. A ANP é a única agência reguladora que possui laboratório próprio, o qual é sediado em Brasilia. O Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da ANP (CPT) é hoje um dos mais modernos laboratórios de combustíveis do mundo, com um corpo técnicos de mestres e doutores onde um trabalho de excelente qualidade é desenvolvido por servidores comprometidos com a qualidade. Ressalte-se por oportuno que o CPT é hoje acreditado pelo INMETRO na ISO 17025, possuindo, portanto, capacidade metrológica atribuído a poucos e raros laboratório no mundo.

    Convido a quem possa interessar a conhecer o CPT, todo o seu parque tecnológico, bem como o trabalho que lá é desenvolvido. Convido em primeiro lugar o jornalista autor dessa matéria, o Senhor Cláudio Humberto para que venha até à ANP aqui em Brasília a nos conhecer e aprender um pouco mais sobre o que é uma gasolina na sua essência. Fiquem à vontade para criticarem e buscar novos esclarecimentos.

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  2. Obrigado por compartilhar tanto conhecimento. Esse comentário é público e está à disposição de todos os leitores. Confesso surpreso, já que a Bandeirantes (e o próprio Claudio Humberto) é uma empresa de comunicação muito séria e não imagina tal falha ao falar apenas de um lado.

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