– O gol da vitória de Santos 2×1 Ituano foi legal ou não?

O futebol é muito atraente pelas diversas nuances que proporciona. Para a arbitragem, o sem-número de situações legais ou ilegais da Regra do Jogo também chama a atenção.

Digo isso, pois: o gol de Vinícius Balieiro na Vila Belmiro contra o Galo Ituano (que valeu a vitória do Peixe) foi legal ou não?

Repare bem que situação didática: Ângelo toca para Jean Motta, e avança para a grande área. Jean Motta tem o próprio Ângelo (em condição legal) para lançar a bola em profundidade, além do seu companheiro Vinícius Balieiro (que naquele momento está em condição de impedimento, conforme a imagem abaixo). Jean opta por Ângelo, que divide com o goleiro Edson. Na sobra, Balieiro faz o gol.

Considere as duas situações:

1- Se Ângelo tocou na bola quando foi dividir com o goleiro, criou-se uma nova jogada, e neste momento Balieiro está atrás da linha da bola, não existindo impedimento.

2- Se Ângelo não tocou na bola quando foi dividir com o goleiro, esse rebote não tirou o impedimento de Balieiro. Ou seja, a bola lançada originalmente para Ângelo foi parar nos pés de Balieiro (e como se considera o momento do passe, está impedido).

Importante: não é a situação da alteração da Regra de 2013, onde uma bola rebotada / desviada que caia nos pés de um atacante em posição de impedimento, fica habilitado pelo desvio EXCETO se vier do goleiro.

Para você: Ângelo tocou ou não na bola? Se sim, gol legal. Se não, gol ilegal.

O gol pode ser assistido neste link, em: https://globoesporte.globo.com/sp/santos-e-regiao/futebol/campeonato-paulista/jogo/13-03-2021/santos-ituano.ghtml

– O erro no pênalti não marcado em Novorizontino 2×1 São Paulo. Mas tendo VAR isso acontece?

A boa árbitra Edina Alves cometeu um erro preponderante neste sábado: Giovanni, goleiro do Novorizontino, obstrui por cima e por baixo o atacante Luciano, do São Paulo. É pênalti, não marcado pela arbitragem de campo e não confirmado pelo VAR.

Ali, imagino que ela perdeu o tempo da corrida e não conseguiu se posicionar corretamente. Pelo tempo de jogo e pela situação da jogada, requeria mais atenção. Sendo uma partida em que existe o VAR (Adriano de Assis Miranda), não se pode admitir a não-marcação do tiro penal. Ou será que o equipamento estava descalibrado ou num ponto cego?

Que não se queime a carreira da moça nem se use de machismo para criticá-la. A média de acertos dela é bem maior do que seus colegas homens. Lógico, isso não abona o erro.

– Posso bater rápido uma falta a meu favor, sem esperar o apito?

Foi há nove anos, mas o assunto é atual. Vide abaixo:

Na quarta-feira (17), um lance inusitado na partida Porto (POR) X Arsenal (ING): Após um recuo de bola do time inglês ao seu goleiro, o árbitro sueco Martin Hansson (aquele mesmo de França X Irlanda, do gol de mão de Henry – que fase, hein juizão!) assinalou tiro livre indireto a favor dos portugueses. O esperto centroavante pegou a bola, colocou no chão e cobrou rapidamente, fazendo o golNaquele momento, o goleiro e a defesa do Arsenal estavam desarrumados e desatentos. O gol foi confirmado.

Veja: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/portugues/0,,MUL1495243-9850,0.html

E a pergunta: pode?

Claro que pode, e aí uma curiosidade: Quem é que disse que precisa esperar a barreira? Onde está a barreira na regra? E o apito do árbitro, tem que esperar?

Vamos lá: o time que cobra a falta tem o direito de exigir as 10 jardas de distâncias (9,15m). Nada impede que ele abra mão desse direito. Se o fizer, e a bola atingir o defensor, segue o jogo. Afinal, o adversário não teve tempo de se posicionar a 9,15 metros. Não teve culpa. Não precisa esperar o apito.

Entretanto, se o adversário se posicionar em frente a bola, e impedir propositalmente a cobrança, ficando a menos de 9,15m, e a bola bater nele, repete-se a cobrança e aplica-se o cartão amarelo por não manter a distância regulamentar e/ou retardar o reinício de jogo.

Perceba que são situações diferentes: no primeiro lance, ele não teve tempo de se posicionar. No segundo lance, ele fez questão de não se posicionar.

Mas e quando o time que fez a falta “pede barreira“? Aí outro mito do futebol: o infrator não tem esse direito, ele tem o dever de dar a distância. O que acontece muitas vezes é que os batedores de falta exigem a distância de 9,15m, e as defesas se agrupam como “paredões”, “muralhas” ou, como conhecemos, “barreiras”. As barreiras não existem na regra; é que a própria regra não vê nada de ilegal no fato dos atletas se agruparem a 9,15m.

Outra curiosidade que você não costuma observar: se o atleta quer bater a falta rapidamente, e o adversário fica na sua frente, ele pode tirar grande proveito disso: a regra permite que ele “tabele’ com o adversário, ou seja, posso chutar nesse atleta que está me atrapalhando, a fim de recebê-la de volta e sair eu mesmo jogando! Quantas vezes você viu esse lance em campo? Dizem que Pelé fazia isso, mas com a bola rolando, não em lance de bola parada.

E quando vemos o gesto do árbitro mandando esperar o apito para cobrar a falta?

Normalmente ocorre pela exigência da equipe que cobrará a falta em querer a distância. O árbitro indica que irá contar a barreira, e por estar de costas e o jogo paralisado, precisa indicar aos atletas quando o jogo deve ser reiniciado (ou melhor, a falta cobrada). Alguns batedores de falta exigem a barreira, por ela ser um ponto de referência a eles. Usam e treinam com esse artifício. Vale lembrar que também o árbitro poderá desautorizar a cobrança caso tenha que tomar alguma providência (como o atendimento a um atleta que se lesiona gravemente, por exemplo).

Mas o que a zaga deve fazer? Resposta simples: estar atenta! Ou se arrisca em tomar um cartão amarelo de árbitro que cumpra fielmente as regras do jogo, permanecendo em frente a bola e torcendo para que o adversário exija a barreira (se o adversário chutar, toma o amarelo e aí tem que esperar a barreira e o uso do apito mesmo, não pode mais cobrar rapidamente).

Parece severo, mas atende ao Espírito do Jogo, que juntamente com as Regras, norteiam o futebol: nunca beneficiar o infrator!

Assim, vale a pena os atacantes estarem espertos e estudarem a regra. Poderiam marcar mais gols.

Especificamente, no lance do Porto X Arsenal: um amigo me perguntou se vale o gol, já que o árbitro não teve tempo de levantar o braço para indicar tiro livre indireto. Vale sim! É que quando há tiro livre indireto e a bola é chutada direto ao gol, sem o braço do árbitro estar levantado, volta a cobrança (pois, teoricamente, o atleta não foi informado pelo árbitro que era em 2 lances). Se o braço estivesse levantado e a bola entrar no gol diretamente, tiro de meta. (Claro, como o lance foi dentro da área e a bola foi tocada, tudo bem).

Vale a lúcida colocação do atacante do time londrino, Fábregas: Nós estávamos desatentos…

– Xi… O árbitro fez xixi?

O que vocês acham? Vejam que situação desagradável: Dênis da Silva Ribeiro Serafim (CBF-AL), árbitro de Boavista x Goiásfoi flagrado numa situação inusitada…

Abaixo o vídeo, onde alguns dizem enxergar o xixi. Eu não vejo isso, mas… por que não foi ao banheiro? Nada o proibia disso. O próprio Dulcído Wanderley Boschilla, conta-se a história, um dia saiu de campo para urinar no banheiro e o jogo parou para esperá-lo (mas era o Dulcídio, não um qualquer um)...

Caso não consiga abrir, acesse pelo UOL em: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/03/11/fez-xixi-arbitro-de-boavista-x-goias-intriga-internautas-veja-a-cena.htm!

ATUALIZAÇÃO: segundo a ANAF, o árbitro sofre de incontinência urinária e não tomou sua medicação.
Em: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/03/12/arbitro-que-urinou-em-jogo-da-copa-do-brasil-sofre-incontinencia-diz-anaf.htm?utm_source=twitter&utm_medium=social-media&utm_content=geral&utm_campaign=esporte

– Os dois lances polêmicos em Corinthians 2×1 Ponte Preta. Erros ou acertos da arbitragem?

Dois lances bem discutidos no confronto dominical matutino entre o Timão e a Macaca. Vamos a eles?

LANCE 1 – No gol da Ponte Preta, onde houve reclamação de falta do atacante João Veras em Jemerson: as imagens mostram a queda do corintiano numa forma antinatural, ou seja, provocada por uma possível carga. Mas não se vê a imagem do pontepretano cometendo qualquer infração! Portanto, duas situações: Falha do defensor que tenta cavar uma falta para justificar seu erro; ou, senão, carga não flagrada pelas imagens de TV “a là Fabão x Danilo” (Lembram de um lance assim, extremamente “enganador” no Pacaembu, entre Corinthians x Linense? Compartilho aqui: https://wp.me/p4RTuC-3S1).

Pelas imagens, concordo com o árbitro e o VAR.

LANCE 2 – Pedrinho vai estabanado dividir contra Matheus Vital e comete uma falta imprudente, que seria uma carga marcada sem qualquer reclamação no meio campo. Sendo na área, é pênalti sem cartão amarelo. O problema é que o árbitro Raphael Claus mandou seguir, nada marcando, e somente após algum tempo assinala a penalidade, salvo pelo VAR José Cláudio Rocha Filho – que teve tanta confiança nele, que sequer foi olhar no monitor.

Acertou por linhas tortas no pênalti, e fica a ressalva: a decisão final é sempre do árbitro, que curiosamente tomou uma na hora do lance, mas a mudou confiando cegamente na fala do árbitro de vídeo, sem rever a própria interpretação equivocada.

– Vamos parar o Futebol por conta da Pandemia?

Três perguntas e duas observações, a fim de discutir: vale a pena manter o futebol profissional em atividade, nesses tempos de proliferação do contágio do Novo Coronavírus?

Questione-se:

1 – Se paramos o Paulistão 2020 com 2 mortes na época, sem imaginar que chegaríamos a quase 1000 / dia, por quê continuar com o Paulistão 2021 com 1700 mortes diariamente, sendo que as previsões dizem que se pode atingir até 3000 / dia?

2- Se os protocolos rigorosos eram para não permitir nenhum contaminado, como explicar mais de 300 jogadores infectados na Série A do Brasileirão (compare a “taxa de contaminação da população” e a “taxa entre os atletas”, percentualmente falando – dica: quantos adoecidos divididos por quantos jogaram), o erro gravíssimo com a equipe do Red Bull Bragantino x Corinthians envolvendo o Hospital Albert Einstein e outros infectados rodada após rodada?

3 – Se o futebol é tão “mundo à parte”, como defender a sua prática sem torcedores na arquibancada para “alegrar o povo” (uma bobagem, pois significa que árbitros, jogadores e imprensa podem se arriscar para divertir telespectadores), como muitos alegam, sabendo das aglomerações de pessoas nas portas dos estádios, concentrações e trajetos de ônibus? Vide quando o São Paulo brigava pelo título no Brasileirão, quando o Palmeiras ganhou a Libertadores, quando o Flamengo ía viajar e o “AeroFla” era montado… tudo errado!

Observe-se:

1 – Amo futebol, mas é indevida sua prática nesse momento. Lucas Pitton testou negativo antes do Derby, e após o jogo contra o Palmeiras, dois dias depois, o atleta do Corinthians atestou positivo para a Covid-19. Ele jogou com o vírus ou não? Não teve contato nem dividiu com ninguém? Ou espirrou, tossiu, cuspiu ou suou em campo? É óbvio que há falha no protocolo e utópico se trancafiar atleta pós-teste até o dia da partida.

2- Por quê não temos uma redução do número de jogos de futebol em nosso país? Libertadores, Paulistão, Copa do Brasil, Brasileirão… tem que jogar a tabela original, formatada para anos normais, e não readaptá-la? Mata-mata deve virar “mata”, dois turnos deve virar “turno único”, e por aí em diante.

Fico pensando: é insensibilidade dos cartolas ou ignorância mesmo?

– Uma DÚZIA de membros de Arbitragem para Palmeiras x Grêmio, final da Copa do Brasil

Quando se precisa criar oportunidades de trabalho para as pessoas, a CBF não brinca em serviço. Vide a escala de árbitros para a decisão da Copa do Brasil no próximo domingo.

Se o time de jogadores tem 11 elementos, o de árbitros, 12. Com direito a “membros da casa” se auto-remunerando em escalas (tipo: o cartola se auto-escala numa função rentável, além do seu cargo de diretor), veja só:

Confira:

1 – Árbitro: Bruno Arleu de Araújo / RJ

2 – Árbitro Assistente 1: Kleber Lúcio Gil / SC

3 – Árbitro Assistente 2: Bruno Raphael Pires / GO

4 – Árbitro Reserva (4o árbitro): Bráulio da Silva Machado / SC

5 – Árbitro Assistente Reserva (5o árbitro): Bruno Boschila / PR

6 – Inspetor de Campo: Ricardo Maurício Ferreira de Almeida / RJ

7 – Analista de Árbitro de Campo: Sérgio Correia da Silva / SP

8 – Árbitro de Vídeo (VAR): Igor Junio Benevenuto / MG

9 – Árbitro Assistente de Vídeo 1 (AVAR 1): Gilberto Rodrigues Castro / PE

10 – Árbitro Assistente de Vídeo 2 (AVAR2): Leone Carvalho Rocha / GO

11 – Observador de Árbitro de Vídeo (OVAR): Alício Pena Júnior / MG

12 – Gerente de Qualidade da Arbitragem (Quality manager): Cláudio Freitas / RJ

Com tanta gente, qualquer erro que acontecer pode ser bem contestado, não? Aliás, quando o VAR for chamado, teremos simpósio para discussão… pessoas é o que não faltam!

IMPORTANTE: para a final, os valores são maiores das taxas de arbitragem. Com os impostos, o clube mandante na semana passada (o Grêmio) arcou com mais de R$ 120.000,00 com os árbitros! Vide aqui: https://conteudo.cbf.com.br/sumulas/2020/424119b.pdf

As taxas, que não estão no Portal da Governança da CBF (não sei por qual motivo, somente campeonatos “mais baratos” podem ser especuladas aqui: https://allansimon.com.br/2020/02/10/arbitros-tambem-ganham-mais-com-passar-de-fases-da-copa-do-brasil-2020/

E sobre os “gerentes e analistas”, além do VAR, aqui: https://allansimon.com.br/2020/02/11/quanto-ganha-o-var-copa-do-brasil/.

– A incoerência em se jogar futebol na pandemia em 2021. Você há de concordar com o número abaixo:

O Torino deu um WO contra a Lazio, em Roma, devido ao contágio de 10 atletas em seu elenco (vide em: https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-italiano/noticia/sob-ordem-de-quarentena-torino-nao-viaja-e-leva-wo-contra-lazio-clube-vai-recorrer-de-decisao.ghtml)

O RB Leipizig enfrentou o Liverpool na Hungria pela UCL, já que a Alemanha não permite a entrada de ingleses por conta das mutações do Novo Coronavírus. O jogo da volta, já que os ingleses não poderão receber os alemães, será fora também. Mais ou menos como se na Libertadores da América, hipoteticamente o Boca Jrs não pudesse ser mandante contra o Palmeiras em Buenos Aires e fosse obrigado a, mesmo tendo o direito de jogar na Argentina, levá-la do Bombonera para o Centenário de Montevidéu. Ou o Flamengo ser mandante na Colômbia! Impensável por aqui… (sobre isso, aqui: https://www.lance.com.br/futebol-internacional/segunda-partida-entre-liverpool-leipzig-pela-champions-league-pode-ser-realizado-campo-neutro.html).

Enfim: traga tudo isso para nossos dias: há clima para Corinthians x Palmeiras? Falamos sobre esse jogo em: https://wp.me/p4RTuC-tvz. Com hospitais de campanha e mais leitos, no ano passado, o futebol parou. Agora, em um cenário crítico extremamente pior, com várias cidades fechando e pessoas sem atendimento, por que a bola tem que rolar? É incoerente a pratica esportiva profissional neste momento, em especial aos tristes recordes de mortos. E quanto ao futebol amador, piorou! Esqueça a “pelada de final de semana”.

A primeira rodada suspensa do Paulistão 2020 foi em 18 de março (4a feira), com 2 mortos. A rodada do Derby do Paulistão 2021 ocorrerá um dia após o falecimento de 1641 pessoas. Pode?

– Que estreia sem graça para um momento histórico: sobre Edina no Derby, em meio a pandemia.

“Dona Edina Alves” (uma forma carinhosa de chamá-la) apitará nesta 4a feira Corinthians x Palmeiras, e será a primeira vez que um Derby masculino terá arbitragem feminina.

Merecida escala! Depois da volta do Mundial de Clubes (onde fez um ótimo trabalho) e de jogos muito bem apitados no Brasileirão, ficou “deixada de lado” nos jogos decisivos do Campeonato Brasileiro na reta final. No Paulistão, trabalhou 2a feira como VAR no Guarani x Ituano, e nesta 4a vai estar na Arena Itaquera como árbitra central.

A nota triste é: o Derby, marcante, estará esvaziado pois o Timão está com um surto de Covid e o Verdão entrará em campo com time reserva, devido à maratona de jogos e a partida de volta da Copa do Brasil.

Estou morando em Bragança Paulista (cidade na qual o Corinthians jogou domingo), e aqui o prefeito fechou literalmente a cidade devido à explosão de casos de Covid (abordamos o “semi-lockdown” em: https://professorrafaelporcari.com/2021/03/02/e-braganca-paulista-fechou-devido-a-covid-tomara-que-de-certo/). Teria alguma relação com o ocorrido? Talvez sim (pois o time esteve aqui), talvez não (pois atletas do Red Bull Bragantino estão saudáveis).

O certo é: o gostinho de jogão se perde pelo esvaziamento das equipes titulares, mas ainda assim será um jogo histórico. 

Fico com a indagação: com tantos casos de contaminação por Coronavírus entre esportistas, e estando na Zona Vermelha em muitas cidades, sabendo que os protocolos não transmitem mais tamanha confiança, vale a pena fazer futebol nesse momento?

– Como justificar a agressão de Luan em Grêmio x Palmeiras?

Parabéns ao árbitro Marcelo de Lima Henrique, que mostrou-nos que em qualquer campo profissionala experiência faz a diferença (e no caso do futebol, permite não titubear em campo).

Digo isso pela assertiva expulsão de Luan no primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil. Como justificar tal ato infantil e condenável do atleta palmeirense? Atingiu em cheio o rosto de Diego Souza.

Será multado pelo seu clube por prejudicá-lo? Aliás, Luan deve estar muito agradecido a Gustavo Gómez por ter feito a diferença positiva em campo e marcado o gol da vitória.

– O pênalti reclamado pelo Internacional contra o Corinthians, o medo de Virada de Mesa carioca e o curioso desempenho do São Paulo contra o Flamengo: as “ilógicas” do futebol…

Acabou o Brasileirão, com polêmicas, “para variar”. Vamos lá:

1. Wilton Pereira Sampaio, que é árbitro da FIFA, precisou usar o VAR para desmarcar um pênalti em lance de mão que bate involuntariamente no braço de apoio do defensor que dá um carrinho. Como é que você, sendo da FIFA, vai entender absurdamente como um movimento antinatural da mão na bola? É casualidade! Provavelmente, isso é resquício daquela gafe da orientação da CBF em 2015, onde ela insistiu em que “quase tudo era mão infracional”.

Na oportunidade, Jorge Larrionda fez uma lambança como instrutor e Sérgio Correa da Silva avalizou. Repare que alguns vídeos de orientação da CBF até saíram do ar (é da página da CBF TV, compartilho em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2015/10/16/penaltis-de-movimento-antinatural-entenda-a-diferenca-do-que-a-fifa-quer-e-o-que-a-cbf-inventou/).

Respeitosamente, foi falha grotesca do juiz, corrigido pelo VAR. O Internacional não pode acusar de erro a favor do Corinthians neste caso. Se vimos lances assim marcados como pênalti em outros jogos, lembremo-nos: nossa arbitragem é fraca atualmente e mal orientada, cometendo tais equívocos.

2. O Vasco recebeu os áudios do gol em que o Internacional fez e que estava com o VAR descalibrado (outra “jabuticaba brasileira”) e promete ir à Justiça para anular o jogo. O medo é: com dois cariocas rebaixados (Botafogo e Vasco da Gama), com a desculpa de que os prejuízos da pandemia fizeram o ano ser anormal (e foi anormal mesmo, mas para todos), tentar-se uma virada de mesa e cancelar o rebaixamento da edição 2020 do Campeonato Brasileiro.

3. Eu duvidava que o São Paulo vencesse o Flamengo pelo rendimento em campo, e não esperava que o Internacional não conseguisse superar o Corinthians, pelo fato do Timão estar se reconstruindo da péssima temporada. Errei, mas é essa a graça do futebol. E pense: o Tricolor do Morumbi perdeu do último colocado na segunda-feira, e na quinta-feira vence o campeão? Que lógica é essa?

4. A melhor árbitra do Brasil, Edna Alves, que ficou de fora dos jogos importantes na reta final do Brasileirão, está escalada como VAR em Guarani x Ituano pelo Paulistão. Que “motivante”…

Seria “prêmio” por ter se destacado no Mundial de Clubes da FIFA? Ciúme de homem por machismo, ciúme de mulher por vaidade, ciúme por competência… que não atrapalhem a carreira dela.

– O exemplo baiano do que é um “Campeonato Jabuticaba”!

Sou um cara do Interior e nasci vivendo a paixão dos clubes caipiras pelos Estaduais. Os grandes, antigamente, os tinham como grande fonte de renda e rivalidade. Entretanto, hoje, estamos em novos tempos com cenários desfavoráveis às partidas regionalizadas entre um time de torcida nacional contra um pequeno local.

A respeito disso, escrevi tempos atrás sobre os “Campeonatos Jabuticabas”, defendendo a transformação dos Estaduais em divisões de acesso ao Brasileirão, nacionalizando-os com a co-organização das federações. Convido à atenta leitura em: https://professorrafaelporcari.com/2015/01/26/campeonatos-jabuticabas/

Dentre tantos fatores, o baixo nível técnico e de interesse. Um jogo entre XV de Piracicaba x Paulista de Jundiaí valendo o acesso para uma série E ou D do Brasileirão traria mais público do que uma partida entre eles cumprindo tabela na A3 ou A2 do Paulistão, motivando torcedores e permitindo uma tabela mais longa. Trocando em miúdos: dando calendário às equipes que jogam 2 ou 3 meses e que se extinguem se não estiverem na A1.

Digo tudo isso pois recebo um vídeo onde se pode discutir a existência ou não dos Estaduais: através do lance abaixo, entre Atlético de Alagoinhas 1×2 Vitória (Campeonato Baiano 2021), devemos pensar se o tradicional clube da Capital não deveria estar se esforçando para a volta à elite no quadro nacional, ao invés de disputar com times de qualidade técnica inferior, nivelando-se à ele. E isso é uma lógica: se o Corinthians, Palmeiras ou qualquer outro clube não tiver sparrings fortes, se acomoda. Se ganhar o título, acha que está tudo bem, e quando entra no Campeonato Brasileiro e se defronta com equipes melhores, “perde a ilusão”.

Vide essa cena pastelão no vídeo em: https://www.youtube.com/watch?v=vPF8EouDVi4&feature=youtu.be. Recebo, a partir dele, a dúvida inteligente do internauta e jornalista Marcelo Torres, que compartilho abaixo:

Boa noite, Rafael.
Gostaria de fazer uma consulta, já que busquei no site da CBF e não achei. É o seguinte: Hoje, num jogo pelo campeonato baiano, Atlético X Vitória, a bola foi lançada pro ataque do Vitória na área do Atlético. O goleiro do Atlético saiu estabanado e se chocou com o zagueiro do seu time e ambos caíram (o atacante não tocou em nenhum). A bola sobrou limpa para o atacante jogar para as redes, com o gol aberto (embora o goleiro tenha se levantado). O árbitro, a meu ver, fez certo ao deixar a chance claríssima de gol prosseguir. E foi gol.
Os jogadores do Atlético reclamam dizendo que o árbitro deveria ter paralisado a partida.
Eu disse que a partida — com a chance clara de gol de um clube no mesmo lance — não poderia ser interrompida. Porque, se for assim, as zagas forçariam um choque e queda toda vez que o adversário tivesse na cara do gol (a fim de paralisar o jogo). Se o árbitro parasse o jogo com um time já na boca do gol aberto, prejudicaria esse time.
O choque entre goleiro e zagueiro do mesmo time ocorreu por culpa deles mesmos, a outra equipe não teve nada a ver com isso. O que você me diz?
Abraços.
Marcelo (Lance no minuto 3’10”).

Uma questão bacana para discussão! Independente de ser um lance bizarro, não houve erro de arbitragem. E respondo:

Marcelo, o jogo deve prosseguir, pois o choque foi acidente de trabalho, EXCETO na condição de que seja uma situação em que há claramente um risco de lesão grave do goleiro que fica caído no chão (pois não se pode jogar sem goleiro). No vídeo, o goleiro levanta e ainda tenta defender. 
Lance normal para a Regra (imediatamente à paralisação, se deve atender o zagueiro). Mas “anormal” para o esporte (afinal, que infelicidade do time).
Se o jogo fosse paralisado ali pois o goleiro ficasse caído nitidamente com lesão grave (não foi o caso), deveria ser – antes da sobra e rebote – reiniciando com a posse de bola ao atacante, com 4 metros de distância do adversário (é a nova regra do bola ao chão para a devolução da posse de bola).

Dessa forma, fica a observação: é rentável, inteligente ou devido tal formato de torneio, que nos permitem lances como esses? 

Repito: amo Estaduais, cresci torcendo para Pequeno, apitei demais jogos do Interior, mas o modelo deve ser repensado, a fim de otimizar o futebol para todos os seus atores.

– Sobre a Arbitragem para São Paulo x Flamengo.

Júlio Cazares, novo presidente do São Paulo, esteve nesta semana na CBF e parece que retirou os vetos da gestão Leco contra alguns árbitros. No dia seguinte, por exemplo, a Comissão de Arbitragem divulgou que Rodolpho Toski Marques (FIFA-PR) apitará SPFC x Flamengo no Morumbi.

Ele, que não está fazendo jus ao escudo FIFA há algum tempo (mas não tem substituto para a honraria), foi sacado do jogo São Paulo x Grêmio após ter atuado muito mal na partida do Tricolor contra o Fortaleza. Na oportunidade, Leonardo Gaciba atendeu o pedido de veto e, pior, declarou isso publicamente, abrindo um enorme precedente (relembre em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2020/10/16/a-interferencia-indevida-e-o-aceite-da-pressao-na-escala-de-sao-paulo-x-gremio/).

Eu evitaria tal escala. Afinal, se o juizão errar a favor do São Paulo, se dirá que tem medo de novo veto. Se errar a favor do Flamengo, se dirá que quis mostrar que não aceita pressão e na dúvida marcou contra o mandante com mágoa do veto que sofreu anteriormente. O ideal, óbvio, é ser perfeito e não errar nada (mas isso é utópico).

Toski terá dois árbitros conhecidos trabalhando como VAR: Wagner Reway – PB (como árbitro de vídeo) e Ricardo Marques Ribeiro – MG (que apesar de árbitro, está listado como assistente de árbitro de vídeo, ou seja, AVAR 1). O bandeira de vídeo propriamente dito será Oberto da Silva (como AVAR2).

Tomara que a arbitragem não sinta nenhum tipo de pressão e trabalhe com tranquilidade, pois suas limitações técnicas (do árbitro e dos VARs) são conhecidas ao longo dessa e de outras temporadas).

Em tempo: teremos Wilton Pereira Sampaio (FIFA – GO) no Internacional x Corinthians, outro jogo com cara de decisão. A melhor árbitra do campeonato, Edna Alves (FIFA – SP), foi escalada na partida que vale muito pouco: Atlético-GO x Coritiba, assim como Raphael Claus (FIFA-SP) estará num jogo de menor importância: Ceará x Botafogo. Já para Red Bull Bragantino x Grêmio, uma escala interessante: o jovem catarinense Ramon Abatti Abel, que vem sendo testado e terá uma grande chance de mostrar suas qualidades num jogo que não terá impacto relevante na tabela.

– Os “E se” do Brasileirão 2020.

Não existe achismo no futebol. Mas “e se” existisse?

Algumas situações hipotéticas do Brasileirão 2020. Pense como estaria o campeonato…

  • ...se Domènec Torrent tivesse tido aceitação dos atletas do Flamengo e permanecesse no cargo?
  • …se Eduardo Coudet não aceitasse a proposta do Celta de Vigo e ainda fosse o treinador do Internacional?
  • …se Fernando Diniz não tivesse surtado e desacatado Tchê-tchê?
  • …se Odair Helmann estivesse ainda no comando do Fluminense?
  • …se o Ramon não fosse demitido do Vasco da Gama?
  • …se Abel Ferreira tivesse feito uma pré-temporada no Palmeiras?
  • …se o Red Bull Bragantino contratasse Maurício Barbieri no começo do torneio?
  • …se o Corinthians tivesse insistido com Tiago Nunes?
  • …se o Santos pagasse em dia os salários de seus atletas?
  • …se o Botafogo (e o Goiás, e tantos outros) tivesse planejado melhor seu trabalho e não trocado enésimas vezes de treinador?
  • …se os erros de arbitragem não existissem, nem os pontos cegos do VAR ou a descalibração?
  • …se tivéssemos torcedores nos estádios?
  • …se a Pandemia nunca tivesse existido?

São perguntas para respostas impossíveis (ou melhor: não exatas, duvidosas e no “chutômetro”; afinal, é “achismo”). Mas… e se fossem passíveis e possíveis de previsão? Como estaria o Campeonato hoje: nesta empolgante espera ou não?

– A Vitamina VAR!

O VAR (árbitro de vídeo) é ótimo para legitimar o resultado no esporte. Basta saber usar.

Em que pese o volume das reclamações da última rodada (algumas justas queixas, outras não), penso que ele, “VAR no futebol é como “uma vitamina no nosso corpo”:

  • Se você tomar uma vitamina, terá boa saúde.
  • Se não tomar, terá deficiência e sentirá hipovitaminose.
  • Se tomar demais, fará mal pois terá hipervitaminose.

Usemos o VAR na DOSE CERTA.

Imagem extraída da Internet, autoria desconhecida.

– Vai devolver 500 mil? A Polêmica expulsão de Rodinei em Flamengo x Internacional.

Diferentemente da opinião de Paulo César de Oliveira, comentarista da Rede Globo, eu interpreto com Cartão Vermelho a entrada de Rodinei em Filipe Luís (PC sugeriu amarelo, sugerindo a questão do “calcanhar estar no chão”).

Ora, o que se deve avaliar ali não é o comportamento do atleta do Flamengo, mas o do Internacional. Ali, foi disputar a bola e perdeu o tempo. Correu o risco de atingir somente o adversário e acabou acontecendo isso: um pisão no pé que acaba ajudando na torsão. Lembrando: colocar a integridade física do oponente em risco não carece de violência.

Reitero: Cartão Vermelho bem aplicado com a ajuda do VAR. Se estivesse melhor colocado naquele momento, o árbitro Raphael Claus o expulsaria sem ajuda do monitor.

Em tempo: vai devolver R$ 500 mil ao “benfeitor” Elusmar Blaggi, que deu 1 milhão para se pagar a multa?

Sobre isso, falamos em: https://professorrafaelporcari.com/2021/02/21/112938/

Pode ser uma imagem de praticando um esporte e ao ar livre

– O gol de empate do Palmeiras no clássico contra o São Paulo.

Não assisti ao Choque-Rei por outros compromissos profissionais no horário (aliás, estão corridos ultimamente). Mas vi nesta madrugada o gol do Palmeiras, originado após o “passe de Abel Ferreira”!

Pois é, que ilusão de ótica incrível, além da inteligência do jogador do Palmeiras! Havia sido marcada falta contra o São Paulo, a bola sai pela linha de fundo e o treinador palmeirense a devolve para o campo. Não sei o nome dos atleta (me desculpe, não tive tempo), mas ele a para e cobra na sequência. Deste lance, sai o gol.

Se você ver a imagem com o vídeo sem o áudio, terá a impressão falsa de que a bola está em jogo, passa a linha lateral, é tocada pelo técnico como se ele fosse um atleta, o jogador a recebe e continua normalmente, terminando em gol. Claro que não foi isso…

O que vale destacar é: foi tudo legal. A falta (naquelas condições) pode ser cobrada rápida sem o apito do árbitro, bastando estar parada para ser chutada.

Os lances em: https://videos.gazetaesportiva.com/video/confira-os-gols-do-empate-entre-sao-paulo-e-palmeiras-no-morumbi

– A arbitragem para Flamengo x Internacional.

Para Flamengo x Internacional (a “quase-decisão” / decisão de fato do Brasileirão 2020), teremos “duplo VAR” para que não se tenham reclamações.

Ou, por serem dois, dobrarão-se as queixas?

Vamos lá: Raphael Claus (o melhor árbitro brasileiro) com Marcelo Van Gassen e Neuza Back (respectivamente, o melhor e a melhor bandeiras atuais) serão seus assistentes. Na composição da equipe do árbitro de vídeo, bandeira de vídeo e outros da equipe do VAR, reparo na escalação de não um, mas dois árbitros experientes no seu uso: Rodrigo Guarizzo Amaral e Vinícius Furlan.

Criará-se um “comitê de VAR’s” com vários árbitros na cabine, se tivermos mais reclamações no jogo seguinte?

Insisto: não adianta número e tecnologia se não for dada capacitação adequada.

– Os Tipos de Erros dos Árbitros de Futebol: como identificar um bom juiz?

No mundo do futebol, os árbitros nos mostram pelos seus jogos a existência de dois tipos de erros comuns de arbitragem (tanto em partidas nacionais como em campeonatos de todo mundo):

A) Os erros ACEITÁVEIS- por exemplo: lances em que o jogador está impedindo por poucos centímetros; jogadas duvidosas aonde após exaustivas repetições se chega à conclusão do erro, ou ainda lances que dividem a opinião publica (entre tantos lances difíceis de se decidir).

B) Os erros CONDENÁVEIS- por exemplo: atleta impedido com 2 metros à frente do penúltimo ontem; bola que bate na mão e se marca tiro penal; lances claros de jogadas não-faltosas onde se assinala infração, entre outros.

Sobre “erros aceitáveis” não dá para discutir; fazem parte do jogo e pela própria natureza do esporte, acontecerão sempre, pela falibilidade humana – estes devem ser relevados. Agora, “erros condenáveis” poderiam ser evitados.

E por que ocorrem?

Por três motivos:

1) Dificuldade técnico-disciplinar (árbitro fraco, que interpreta mal as jogadas ou que apita sem critério na distribuição dos cartões);

2) Despreparo emocional (árbitro que aceita pressão de jogadores famosos ou que apita ao barulho da torcida);

3) Infelicidade no dia da partida (o popular “dia em que nada dá certo”; azar; urucubaca).

Na próxima partida, para saber se um árbitro é simplesmente bom ou ruim, avalie as condições acima. Considere que ele possa ter tido azar!

E você leitor, como vê os erros de arbitragem no futebol?

JuizCego.jpg

– O Vasco conseguirá anular o jogo contra o Internacional? Explicando a impossibilidade:

O Vasco da Gama conseguirá anular o jogo contra o Internacional, por conta do não uso do VAR “descalibrado”?

Provavelmente, não. Está prevista tal situação no protocolo VAR.

Entenda: o Erro de Fato não permite anulação do jogo (interpretar com equívoco um impedimento ou não, por exemplo). O Erro de Direito, que permitiria anular uma partida, é quando você descumpre a Regra por desconhecimento ou não prática dela (não é o caso, pois a arbitragem conhecia a Regra e os procedimentos, mas não conseguiram fazer uso do mecanismo por um fator extraordinário).

O que ocorreu ontem foi impossibilidade tecnológica do uso do VAR (claro que não deveria ter acontecido) e que está presente no protocolo do árbitro de vídeo: o não uso do VAR por um defeito não permite anulação do jogo, pois deve prevalecer a decisão do árbitro em campo.

O que me preocupa realmente é: nos tempos de Eurico Miranda e Ricardo Teixeira, tal situação não só anularia a partida como cancelaria o rebaixamento do campeonato!

Cá entre nós: você não tem medo de que, dependendo de quem ficar na zona de rebaixamento, exista um conluio para um Brasileirão sem rebaixados com a desculpa de que a “pandemia” provocou essa atipicidade?

Sobre os problemas do VAR, falamos aqui: https://wp.me/p4RTuC-tl4

– VARgonha da CBF?

Que vergonha!

O Palmeiras x Red Bull Bragantino teve problema de “Ponto Cego” do VAR em um estádio maravilhoso como o Allianz Parque. Ué, o VAR da Conmebol não teve os mesmos problemas? E nos outros jogos domésticos, trabalhou-se com ponto cego mesmo?

Agora, no importante jogo do Vasco x Internacional (com valor para o título e para o rebaixamento), tivemos um lance irregular confirmado (que era da responsabilidade do VAR) por conta do não uso do “equipamento descalibrado”? E as pessoas (AVAR, VAR e outros “protocolares” na cabine, que tinham a imagem)?

E no Maracanã, no lance do Gabigol, em Flamengo x Corinthians? Não vale a pena discutir…

Lembre-se: o responsável pelo VAR o Brasil é Sério Correa da Silva, que já foi demitido algumas vezes do comando da arbitragem, mas nunca ficou desempregado pois é remanejado em cargos recém-criados. O responsável pelo desenvolvimento de novos talentos é o Cel Marinho (percebam que quem deixa o cargo, continua a serviço e é tirado de cena “de mentirinha”)?

Se o VAR não serve para uma praça, não pode ter seu uso em outras também. Não pode um campeonato com VAR integral num estádio e parcial no outro.

Falta de aviso, não foi: o VAR no Brasil sempre foi uma tremenda VÁRzea.

Lembrando, em 08 de março de 2016 a CBF prometia o VAR, de maneira mentirosa e não cumprida, naquele ano. Aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2016/12/08/var-da-fifa-e-real-var-da-cbf-e-balela/

– (Repost): Quem disse que para ser comentarista precisa ter sido excelente jogador ou árbitro?

Grandes craques ou insossos perebas determinam o sucesso ou fracasso no pós-carreira em decorrência do que já fizeram?

Digo isso pois vejo haters dizendo aos comentaristas:

  • “Jogou onde” para criticar esse atleta?
  • O cara nunca chutou uma bola, é jornalista, e quer criticar treinador? 
  • Apitava mal pra caramba e agora se mete a falar dos outros?

Fácil responder isso, é só perceber quem é melhor comentarista na TV: Caio Ribeiro ou Pelé? E quem foi melhor jogador?

Ou, se preferir, questione-se: Luxemburgo, Felipão, Telê Santana, Oswaldo Brandão… quais seus títulos como atletas e depois que encerraram a carreira quais são as conquistas como treinadores?

Sobre isso, acho interessante compartilhar esse texto, de 28/03/2014, publicado nesse mesmo blog, mas que permanece atual:

DE JOGADORES / ÁRBITROS A TREINADORES / INSTRUTORES

Mudar o ciclo de uma atividade é difícil. Nem todos conseguem se desapegar da rotina passada e tentam se adaptar às novas realidades da melhor maneira possível.

No futebol, essas mudanças de funções são, em alguns casos, traumáticas e frustrantes. Em outros, de maior glória do que na vida profissional inteira até então!

Veja o caso de ex-jogadores e ex-árbitros. Onde se inserirão no pós-carreira?

Seedorf anunciou há dias a aposentadoria como jogador e virou treinador no Milan. Ótima chance para um iniciante, que, sejamos justos, já esperava a oportunidade e se capacitava paralelamente a isso. Porém, dificilmente vemos ex-atletas começando por cima, e ele é mais uma das exceções, como Falcão e Dunga, que sem nunca terem trabalhado em clubes menores, foram para a Seleção Brasileira.

Grande é o número de atletas que não conseguem nem chegar às categorias de base como treinadores, tendo dificuldade de vingar no profissional. E isso independe da sua categoria como jogador. Será que Muller, Bebeto, Romário, Raí e até mesmo Pelé seriam grandes “professores” na área técnica a beira do gramado? Qualquer resposta seria mero “chute”. Beckenbauer e Cruyff foram magníficos dentro e fora de campo. Mas outros do mesmo nível não. Luxemburgo era reserva de Júnior, mas o primeiro foi muito mais vitorioso como treinador.

Portanto, ter sido craque ou cabeça de bagre com a bola no pé parece não ser tão decisivo para ser “o homem da prancheta”. Muitos conseguirão ensinar apenas os conceitos, outros farão o time jogar de fato. É por isso que existem os comentaristas esportivos, que podem ver o futebol à sua forma, conseguem passar tudo claramente aos torcedores mas que necessariamente não seriam grandes treinadores. E grandes treinadores que teriam uma dificuldade enorme em se fazer entender ao ouvinte.

Me recordo de 4 bons nomes que sugiram graças a uma filosofia (arriscada, mas que foi correta) de lançar treinadores por um clube: o Paulista de Jundiaí, que deu grande oportunidade ao Giba (que nasceu como treinador no Lousano Valinhos, parceiro do Galo Tricolor na época); depois vimos Zetti se sagrando vice-campeão estadual (perdendo do São Caetano de Muricy Ramalho); aí veio Vagner Mancini (que já dirigiu grandes equipes) e Wagner Lopes (sempre na ativa na série A1, atualmente no Botafogo-SP).

Por assumirem a responsabilidade em um clube que não era um dos grandes (de massa, como Corinthians e Flamengo), conseguiram trabalhar com pressão menor. Mas já imaginaram Marcos como treinador do Palmeiras ou Rogério Ceni do São Paulo? Aceitariam o risco de arranhar a imagem construída até hoje? Seriam treinadores de um clube só, como foram enquanto jogadores? E as vaias, para onde iriam? E, claro: a competência estará no mesmo nível?

Para mim, Seedorf é uma grande incógnita como treinador. Mas desejo sucesso, pois com o carisma e competência que tem, pode triunfar.

Entretanto, “ser sem carisma” é a rotina dos árbitros de futebol. No pós-carreira, farão o quê? Serão observadores de jogos das suas federações recebendo ajuda de custo a R$ 50,00, só pelo prazer de lá estarem? Ou conseguirão entrar no seleto clube de membros de comissões de arbitragem e instrutores? Poucas são as vagas como comentarista de arbitragem na mídia, e praticamente nulas as pretensões como “professores de regras” aos jogadores, contratados pelos clubes para melhor capacitar seus atletas.

Aqui, a comparação com os jogadores é idêntica: Dulcídio Wanderley Boschilla e Oscar Roberto Godoi foram excepcionais árbitros, mas seriam bons instrutores, com boa didática e jogo de cintura no trabalho junto aos cartolas das federações? Creio que não. Godói, entretanto, é ótimo no jornalismo esportivo, sendo claro, incisivo e objetivo. Encontrou-se! Enquanto isso, ex-árbitros como Roberto Perassi e Sílvia Regina (o primeiro comum em campo e a segunda competentíssima na categoria “feminino” – talvez a melhor árbitra da história do Brasil, mas razoável tecnicamente em jogos masculinos) são excelentes como instrutores. Sérgio Correa da Silva e Arthur Alves Júnior, também não-excepcionais como árbitros, enveredaram um caminho de sucesso como dirigentes sindicais (ao menos, figuram em vários cargos). Gaciba, Simon e Arnaldo são irrepreensíveis na TV, conseguindo essa transferência de competência agregando a didática.

Portanto, a relação de competência em uma função não necessariamente significa sucesso em outra. Um jogador mediano / árbitro comum pode ou não ser grande treinador / instrutor. E um jogador craque / árbitro excepcional pode ou não ter sucesso, mas com uma diferença: o comparativo com o que fazia antes de mudar a carreira será algo cruel. Será cobrado por tal! Sem contar com aqueles que não vieram necessariamente de dentro das 4 linhas: Carlos Alberto Parreira jogou onde? E é um dos treinadores mais respeitados do mundo. Mais: o Professor Gustavo Caetano Rogério, diretor da Escola de Árbitros da FPF por muitos anos, apitou onde? E foi talvez o maior nome da entidade.

Há os esforçados, como o Cel Marcos Marinho, atual presidente da CEAF-FPF, que assumiu o cargo sendo Major encarregado da luta contra as torcidas organizadas, e que apesar de muito estudar as regras, ainda leva a desconfiança do domínio das mesmas. Teria ele experiência para ensinar posicionamento ou dinâmica de arbitragem aos árbitros?

E pensar que, Armando Marques, velho de guerra, que um dia errou a contagem de pênaltis na decisão entre Santos x Portuguesa numa decisão de título paulista, por anos a fio presidiu a Comissão de Árbitros da CBF e conduziu a arbitragem brasileira ao desrespeito de muitos…

Por fim: o treinador de futebol ou o instrutor de arbitragem deve, independente do seu histórico como ex-jogador ou ex-árbitro, ter uma tríade de virtudes:

  1. – o conhecimento técnico (ter estudado),
  2. – a prática (ter vivenciado as dificuldades) e
  3. – a vocação (o dom entusiasta para exercer a atividade).

Claro, com uma boa oportunidade de sorte para mostrar o seu talento.

E você, o que pensa sobre isso? Grandes craques ou insossos perebas determinam o sucesso no pós-carreira (ou não) em decorrência do que já fizeram?

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Imagem extraída da Internet, autoria desconhecida

– O gol do título em Bayern 1×0 Tigres, de fato, foi irregular.

Certamente, o gol do Bayern de Munique contra o Tigres nesta 5a feira, foi irregular.

A regra da mão na bola / bola na mão de atacante mudou novamente na temporada 2020/2021, sendo que todo lance involuntário que na imediatez saia um gol, deve ser considerado irregular (simplesmente: tocou, marcou – caso dele sair um gol na sequência).

Se não for um gol imediato, aí não é infração essa mão. Se sair o gol imediatamente, é infração. Vide o item 4 desta postagem: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2020/07/15/fique-atento-as-mudancas-das-regras-do-futebol-e-as-orientacoes-aos-arbitros-para-o-campeonato-brasileiro-2020/

Na decisão do Mundial de Clubes, Lewandowski (BAY) disputa com Guzmán (TIG). Ela bate na mão do centroavante alemão e sobra imediatamente para Pavard (BAY), que faz o gol.

Portanto, mesmo com o VAR, errou a arbitragem. Gol irregular.

– A arbitragem para Al-Ahly x Palmeiras e Bayern x Tigres (e o legado do Mundial de Clubes).

Justíssimas escalas da FIFA para a 5a feira de jogos derradeiros do Mundial de Clubes.

Para a final: Esteban Ostojich (o uruguaio que apitou Palmeiras x River Plate). Aliás, um ótimo nome para a Copa do Mundo de Seleções do Catar 2022.

Para a decisão de 3o e 4o lugar: Maguette N’Diaye (o senegalês que foi 4o árbitro em Palmeiras x Tigres). Um prêmio para um árbitro emergente.

E as brasileiras? Edina Alves e Neuza Back serão respectivamente árbitra e bandeira reservas na finalíssima – algo impensável tempos atrás.

O mais importante de tudo, nesta edição do Mundial, foi ver o intercâmbio de árbitros das diversas regiões do mundo sob a orientação e universalização de critérios: por exemplo, usar moderada e necessariamente o VAR, sem vulgarizá-lo ou fazê-lo um instrumento da fuga da autoridade dos árbitros. E aí vem a grande questão: os demais árbitros mundo afora se espelharão nessas atuações para seus jogos locais?

Tomara que sim!

Abaixo: Maguette N’Dianye

– O erro na marcação do pênalti em Red Bull Bragantino 1×1 Flamengo.

Há 20 anos, o puxão na camisa sofrido por Gustavo Henrique (CRF) poderia ser marcado pênalti.

Há 10 anos, esse mesmo puxão seria muitíssimo discutido e provavelmente não marcado.

Há quase 1 ano, tal lance não é mais infração (com clareza da Regra do Jogo).

Explico: antigamente, “agarrar a camisa do adversário indistintamente” era infração. E para que isso ficasse claro, normalmente o atleta que tinha sua camisa agarrada parava imediatamente de correr e pedia falta. Posteriormente, os árbitros foram orientados a darem vantagem quando observassem uma camisa puxada e, caso ela não se concretizasse, marcassem a falta atrasada.

HOJE (temporada 2020 / 2021), a Regra do Jogo foi aperfeiçoada e a orientação mais explícita (e muito melhor, no meu entendimento, indo de encontro com o espírito das Leis): puxar uma camisa por si só não é infração. Deve-se ver o impacto de tal puxão na jogada em si, ou seja: atrapalhou a continuidade do lance do adversário?

Trocando em miúdos: só se deve marcar a falta se o puxão impedir que o oponente realmente possa prosseguir na jogada ou se ele foi atrapalhado significativamente na disputa de bola. A malandragem do boleiro de, se perceber que teve a camisa agarrada e pedir a falta, não vale mais. Aliás, se existir dúvida quanto a isso, é só assistir o Webnar de Leonardo Gaciba, chefe dos juízes da CBF, do ano passado, mostrando lances idênticos.

Reveja o lance e imagine: Ligger (RBB), ao segurar a camisa do flamenguista, impactou relevantemente para que ele não pudesse fazer a jogada como desejava?

Se sim, é pênalti. Se não, segue o lance.

Wilton Sampaio, o árbitro, entendeu que não foi nada. Elmo Resende da Cunha, o VAR, entendeu que sim. E como faltou personalidade (ou entendimento da Regra e uma correta interpretação), o juizão voltou atrás e marcou tirou penal.

Não vale rever o lance com a imagem parada ou em câmera lenta. É essa a situação em que a fiel dinâmica do jogo deve ser vista para não deturpar a decisão do árbitro.

O que se pode lamentar é: NUNCA um lance desse seria marcado em competições de alto nível no Exterior (além de outros grandes equívocos do mal uso do VAR no Brasil).

– Como não expulsar Leandro Castan no Vasco 0x0 Bahia?

Leandro Castan perdeu o tempo da bola e acertou com a sola o rosto do goleiro Douglas. Não tem como não dar Cartão Vermelho (tendo intenção ou não, força excessiva ou imprudência). É expulsão indiscutível.

O lance impressiona, mas mais impressionante ainda é a qualidade do clique do fotógrafo André Durão. Que exatidão do momento!

Abaixo:

Imagem extraída da Internet. Quem conhecer o autor, favor informar para crédito na publicação.

– O pênalti marcado em Internacional 2×1 Red Bull Bragantino: à luz da Regra, foi ou não?

Viram o lance polêmico no Beira-Rio, em que o Colorado venceu o Massa Bruta com um pênalti “pra lá” de polêmico?

Uma bola é cruzada no ataque do Internacional por Patrick, e ela bate no corpo e depois na mão de Weverton do Red Bull Bragantino. Se você não assistiu, veja em: https://www.youtube.com/watch?v=1hXbSbMlhLo.

O atleta pode admitir sem problema algum que a bola bateu em sua mão (como já fez à imprensa), afinal, bater na mão é diferente de colocar a mão para interceptá-la. E, cá entre nós, muitos jogadores estão confusos com o que fazer com os braços durante o jogo. Correr-se-á amarrado?

Falaremos bem didaticamente sobre esse lance: não seria uma infração nas competições internacionais (é só assistir a conduta dos árbitros de qualquer bom campeonato estrangeiro), mas “poderia ser” no Brasil (para quem tem uma interpretação tipicamente uniforme com a CA-CBF, que está equivocada com o resto do mundo): culpa do tão dito “ampliar o espaço” que inventaram para orientar aos árbitros do nosso país, esquecendo de relatar que “ampliar espaço” se refere UNICAMENTE à avaliação ao movimento antinatural / intenção subjetiva (já que ampliar o espaço intencionalmente é uma infração óbvia). Se “o ampliar o espaço” ocorrer por força da jogada sem intenção de colocar a mão na bola, algo ocorrido pela natureza do lance em si (casualidade), sem que tenha sido um movimento antinatural (portanto: fisiologicamente natural), NÃO É INFRAÇÃO. E ao ver a imagem do jogo, avalie algumas condições: velocidade / rapidez da bola, proximidade do chute, tempo para recolher ou estender o braço, reflexo de quem bate na bola, entre tantos fatores.

Em tempo: para que seja uma avaliação fidedigna à Regra, não pode avaliar em câmera lenta, pois deturpa / mascara os argumentos citados acima.

Confesso novamente (como tenho dito há tempos): temos uma Regra 12B, típica do Brasil, onde, diferente do restante do “Planeta Bola”, condicionou-se que “bateu, marcou”. Lembre-se: a 1a condição para marcar pênalti continua sendo a intenção, e somente daí as outras variantes… Caso se faça o contrário, vira “jogo de queimada”! A única exceção em que a Regra é no “bateu, marcou” se refere a lance onde a bola toca na mão de um atacante e na imediatez da situação vai ao gol (é o 4o item deste texto que explica as últimas mudanças da Regra, em: https://wp.me/p55Mu0-2zB).

Enfim: não caia na onda de “ação por imprudência, desviou a trajetória da bola, ía para o gol, etc”, pois são mitos do lance da regra da mão / braço na bola (que aqui virou bola no braço /mão como infração).

Para saber mais sobre “o que é mão na bola e bola na mão”, além de “onde começou essa confusão”, clique aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2016/09/11/os-penaltis-de-mao-na-bola-no-brasileirao-perdemos-a-vergonha-com-a-regra-12b-2/

– Bahia x Corinthians e o VAR avacalhado.

O árbitro Ricardo Marques Ribeiro, num lance comum de “bola que bate sem qualquer propósito na mão” do zagueiro do Bahia, demorou 3 minutos para decidir (ou para escutar o VAR) dizer que foi lance normal de jogo, casual.

Como pode? É avacalhar com o Equipamento Eletrônico.

Confesso: eu (que estou em casa) fico constrangido ao ver tal absurdo. Para qualquer árbitro, é lógico que foi involuntário, casual e não infracional.

Pra quê tal teatro? Para dizer que usa o VAR?

– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Palmeiras x Santos, final da Libertadores 2020.

Patrício Loustau, experiente árbitro argentino da FIFA de 45 anos, apitará a decisão entre Palmeiras x Santos (ou se você preferir: Santos x Palmeiras) na final da Libertadores da América de 2020, no Maracanã.

Para mim: merecido, pelo conjunto da obra. Um prêmio ao juiz de longa caminhada na carreira.

Árbitro desde bem jovem, Loustau é a prova de que a experiência pode ajudar a melhorar alguém. Afoito quando entrou no quadro de árbitros da FIFA, expulsava demais e mantinha o rigor como sua marca (até com exagero). Com o passar dos anos, soube dosar muito bem suas atuações. Hoje, usa a advertência verbal com mais propriedade e não “queima cartões à toa”. É respeitado em seu país e pelos atletas que já jogaram com ele no comando do apito.

Em 2019, Patrício Loustau apitou Flamengo 5×0 Grêmio pela Libertadores 2019, após ser criticado (injustamente) pela atuação em jogos anteriores do próprio Mengão (Internacional 1×1 Flamengo e Flamengo 0x1 Peñarol). Também foi ele o árbitro de Grêmio 0x1 Palmeiras, no mesmo ano.

Em 2020, apitou 5 jogos da Libertadores, com 25 cartões amarelos e NENHUM vermelho. Destaque para Internacional 0x1 Grêmio, uma guerra em Porto Alegre. A propósito, ele gosta de “jogos nervosos” – me recordo de um Boca x River onde aplicou 14 Cartões, com 5 expulsões (foi um jogo marcante)!

Seu histórico de amadurecimento ao longo dos anos mostrou que ter o discernimento de uma “bronca bem dada” ao invés do excesso de cartões (muitos árbitros escondem sua fraca autoridade atrás do excesso de Amarelos) é salutar. Prova disso, são seus números de advertências reduzidas dentro de campo com o Cartão Amarelo, e as poucas queixas que recebeu nos últimos trabalhos.

Eu tenho na mente, nas atuações de Loustau, o jogo entre Corinthians x Once Caldas, onde ele expulsou Paolo Guerrero ainda no primeiro tempo por agressão. Naquela partida, o juizão foi muito bem, mostrando um senso de posicionamento espetacular dentro de campo. Relembre: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2015/02/05/explicando-os-2-lances-polemicos-de-corinthians-4-x-0-once-caldas/.

Aliás, estar bem posicionado dentro do campo é uma de suas características, o que faz com que ele recorra pouco ao VAR, dando muita dinâmica ao jogo. Mas há um defeito em seu estilo, que pode ser explicado pela sua nacionalidade: não coibir a contento a cera! E isso é perceptível nos jogos de argentinos, “contaminando os árbitros”: nas “milongas” para reiniciar a partida, os clubes argentinos, quando estão ganhando, demoram para colocar a bola em jogo. E esse retardamento passou a ser algo comum não só pelos atletas, mas um “aceite cultural” dos árbitros daquele país. Nada, evidentemente, que possa ser corrigido ou que influencie num placar.

Curiosidade: Patricio Loustau é filho de Juan Carlos Loustau, árbitro da final do Intercontinental de Clubes entre São Paulo x Barcelona (1992), além de ter atuado na Copa de 90. Arbitrar está em seu sangue.

– Quem disse que precisa de torcida para o árbitro sentir pressão? O pênalti de Internacional 2×1 Grêmio.

Edenilson cabeceia a bola e ela bate no peito de Kannemann, rebatendo em seu braço. Lance rápido, involuntário, totalmente casual. A força do cabeceio e a proximidade fizeram do corpo do gremista uma tabela.

Mas não é que o árbitro Luiz Flávio de Oliveira marcou pênalti? E o VAR Wagner Reway confirmou?

Aí não dá… É a famosa Regra 12B, exclusiva do Brasil. Não existe nada de intenção, nenhum movimento antinatural, nada disso. Nenhuma infração. Uma pena, virou brincadeira de “queimada”. E nem pressão da torcida tinha para que o árbitro, na dúvida, fraquejasse.

Se você quiser entender bem didaticamente a Regra da Mão na Bola (atualizada, do jeito que a International Board quer, diferente do que praticamos somente no Brasil), compartilho aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2016/09/11/os-penaltis-de-mao-na-bola-no-brasileirao-perdemos-a-vergonha-com-a-regra-12b-2/

– As mudanças abruptas na Arbitragem Paulista e as demissões de árbitros.

Dias atrás, fizemos algumas críticas pontuais e necessárias sobre a equivocada estratégia para revelar árbitros utilizada pela FPF: ela abre inscrições “aos montes” para a Escola de Árbitros todo ano, forma dezenas (ou centenas) de jovens juízes (arrecadando um valor financeiro enorme) e não tem onde colocar todo mundo para apitar ou bandeirar. Diante disso, ainda resolveu “importar / desaposentar árbitros” (leia esse artigo no link em: https://wp.me/p4RTuC-sPf).

Pois bem: agora, o inchadíssimo quadro de quase 500 nomes foi surpreendido com a “renúncia dos serviços prestados” (um nome escolhido “a dedo” para dispensa) de mais de 10% deles.

ACERTA a Federação Paulista, mas simultaneamente ERRA. Explico:

O ACERTO Com 500 árbitros (e os que se formarão), você não consegue dar ritmo de jogo à maioria, nem observá-los a contento. Calculando equipes de arbitragem com VAR na série A1, sem VAR na A2 e na A3, você utilizaria um pouco mais de 100 juízes imaginando que os jogos acontecessem na mesma data e horário (e sabedor que essas competições duram no máximo 3 meses). Portanto, ciente que as categorias de base começam em outras datas e podem usar alunos da Escola de Árbitros (se for uma opção formadora coesa), não faz sentido ter 4 vezes mais árbitros do que você precisa no auge das competições.

O ERRO – Tendo feito os árbitros cursarem módulos de capacitação, obrigando-os a estarem em forma mesmo sem partidas para trabalharem durante a pandemia (somente uma elite é escalada pela CBF, quase todos ficaram sem remuneração mas à disposição), exigindo os exames médicos e certidões de “Nada consta” na Justiça, passando-os por provas físicas e escritas à exaustão… quando a preparação para os campeonatos se aproxima, dispensa-os com uma carta de “renúncia aos serviços” (ops: a FPF obriga os árbitros a fazerem uma carta de próprio punho dizendo que não são empregados da entidade, mas prestadores autônomos de serviços de arbitragem aos clubes, a fim de não caracterizar vínculo empregatício).

Faltou sensibilidade à chefe dos árbitros, Ana Paula de Oliveira, na maneira como conduziu isso. Ou não foi ela quem conduziu tudo isso? Afinal, ela é a presidente da CEAF-SP.

LAMENTO demais o melhor nome que se encontrava como dirigente da Comissão, o competente bandeira que foi da FIFA Emerson Augusto de Carvalho (de Copas do Mundo) ter sido demitido pela FPF. Ele entendia do assunto e sua saída foi injusta pela igual competência que mostrava fora das 4 linhas.

Entendo perfeitamente que a FPF é uma entidade privada e “faz o que quiser”: contrata quem quer, dispensa quem desejar. Mas não nos esqueçamos que ela não pode ter benesses de órgãos públicos (pois ela lucra demais) e que nenhuma autoridade importante questiona esse modo de contratação de árbitros, cobrando-os como seus funcionários mas tratando-os como “à parte dos seus colaboradores”. Vista grossa institucionalizada?

Sem 13o, Férias, FGTS ou multa, os árbitros, cientes disso quando entram, não tem para quem reclamar. Esqueça o Sindicato da Categoria, pois não ter força alguma.

Repito: acerta ao diminuir o quadro, mas erra com a maneira desumana em momento impróprio (se empregados fossem, ao menos os árbitros teriam o valor da rescisão).

No linguajar popular, essa imagem, abaixo, representa bem o significado de dedicação ao trabalho e posterior demissão sem um centavo na mão

Atualizando: foram 51 árbitros de 467, segundo a FPF em: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/lei-em-campo/2021/01/20/fpf-dispensa-arbitros-e-retoma-discussao-de-amparo-juridico-a-profissionais.htm?utm_source=twitter&utm_medium=social-media&utm_content=geral&utm_campaign=esporte

– São Paulo x Internacional, Diniz x Abelão, Moderno x Antiquado…

Já foi clássico de Final de Libertadores da América, e hoje será o “clássico dos chavões”: um esquema mais ousado de Fernando Diniz no São Paulo contra o esquema mais conservador (que não quer dizer desatualizado) de Abel Braga. Inexperiente (se é que é) contra Experiente (e muito). Moderno versus Ultrapassado (de verdade ou com má vontade)?

Qual será a “chamada” mais recorrente que teremos para esse jogaço?

Não estou dizendo que concordo com esses citados acima, mas prefiro: duelo de líderes! Afinal, são os ponteiros do Brasileirão!

Para esse jogo, o mais experiente dos árbitros brasileiros em atividade (literalmente falando, em todos os aspectos): Marcelo de Lima Henrique!

Há de ser uma grande disputa e torço para uma boa arbitragem.

– 7 anos comentando arbitragem no Time Forte do Esporte!

Uma alegria festejar hoje minha 7a temporada com a equipe do Time Forte do Esporte de Adilson Freddo, na Rádio Difusora AM 810, comentando arbitragem. Estreei no Paulista 0x0 Audax, no Paulistão da A1.

Nas fotos, abaixo, ao lado da imagem do comandante Adilson Freddo (a quem agradeço pela maravilhosa oportunidade), alguns amigos com quem eu pude trabalhar. Narradores: Marcelo Tadeu, Rafael Mainini, Vagner Alves e Edson Roberto. Comentaristas: Robinson Berró Machado e Heitor Mário Freddo. Reportagens: Luiz Antonio “Cobrinha” de Oliveira. Técnica: André Luís Lucas, Antonio Carlos Caparroz e Alexandre Bardi. Mas duas fotos eu não consegui: do “Zé do Papé”, o querido Pereirão, e do Soneca. E tem até o Thiago Olim numa delas, pois fazia parte do grupo JJ e sempre nos ajuda bastante.

Que possamos estar com o Galo na A1 novamente dentro em breve (pois fomos até o fundo do poço juntos, sem soltar a corda nem abrir a mão)! Porque se depender dessa equipe, que é de Primeira, o futebol da Terra da Uva vai longe.

– A correta expulsão de Gabriel no Palmeiras 4×0 Corinthians

Algo a contestar sobre o cartão vermelho recebido pelo corintiano Gabriel?

Após ter uma falta de ataque marcada a seu favor, perdeu a cabeça e deu uma cotovelada. Avisado pelo VAR, o árbitro Jean Pierre “Vin Diesel” o expulsou.

Mas, cá entre nós, o motivo desse lance ter acontecido é um só: a pressão de um Derby e o descontrole mental! E aqui, uma verdade: nenhum time de futebol brasileiro (na Alemanha, é comum) treina inteligência emocional voltada ao esporte! Se fosse uma realidade tal disciplina, poupar-se-ia a situação.

Quem sabe no futuro isso seja mais comum no Brasil?

– Qual seria a classificação do Brasileirão, se as torcidas estivessem presentes nas arquibancadas?

Teremos um Derby em plena 2a feira, com um Palmeiras classificado para duas finais importantes e o Corinthians em ascensão graças ao chamado “Mancinismo”. Mas estariam nessas posições, caso as torcidas estivessem liberadas nos estádios?

Obviamente é achismo, mas dentro da “futurologia hipotética”, não é curioso discutir tal situação?

No caso dos cartolas: o São Paulo seria líder do campeonato, ou os gritos dos torcedores teriam pressionado a diretoria a demitir Fernando Diniz? O Flamengo ainda estaria com Ceni? O Palmeiras teria chegado onde chegou?

É difícil pensar. Mas indo mais longe, agora com os árbitros: alguns pênaltis teriam sido marcados ou deixados de marcar? Até onde a arbitragem teria tomado algumas decisões técnicas que tomou, sem a pressão das arquibancadas? O número de Cartões Amarelos seria maior ou menor?

Por fim: e os jogadores? Teriam mais chutes a gols ou menos? O medo de atacar o adversário seria de maior ou menor intensidade? Ousar alguns lances com torcedores presentes e gritando, seria em grau menor?

Ficaremos no imaginário. Mas a curiosidade permanecerá: se não fosse um ano atípico, como tudo isso seria?

A cornetagem no futebol, obviamente, tem algum impacto. “Qual é ele”, é a discussão!