– O exemplo baiano do que é um “Campeonato Jabuticaba”!

Sou um cara do Interior e nasci vivendo a paixão dos clubes caipiras pelos Estaduais. Os grandes, antigamente, os tinham como grande fonte de renda e rivalidade. Entretanto, hoje, estamos em novos tempos com cenários desfavoráveis às partidas regionalizadas entre um time de torcida nacional contra um pequeno local.

A respeito disso, escrevi tempos atrás sobre os “Campeonatos Jabuticabas”, defendendo a transformação dos Estaduais em divisões de acesso ao Brasileirão, nacionalizando-os com a co-organização das federações. Convido à atenta leitura em: https://professorrafaelporcari.com/2015/01/26/campeonatos-jabuticabas/

Dentre tantos fatores, o baixo nível técnico e de interesse. Um jogo entre XV de Piracicaba x Paulista de Jundiaí valendo o acesso para uma série E ou D do Brasileirão traria mais público do que uma partida entre eles cumprindo tabela na A3 ou A2 do Paulistão, motivando torcedores e permitindo uma tabela mais longa. Trocando em miúdos: dando calendário às equipes que jogam 2 ou 3 meses e que se extinguem se não estiverem na A1.

Digo tudo isso pois recebo um vídeo onde se pode discutir a existência ou não dos Estaduais: através do lance abaixo, entre Atlético de Alagoinhas 1×2 Vitória (Campeonato Baiano 2021), devemos pensar se o tradicional clube da Capital não deveria estar se esforçando para a volta à elite no quadro nacional, ao invés de disputar com times de qualidade técnica inferior, nivelando-se à ele. E isso é uma lógica: se o Corinthians, Palmeiras ou qualquer outro clube não tiver sparrings fortes, se acomoda. Se ganhar o título, acha que está tudo bem, e quando entra no Campeonato Brasileiro e se defronta com equipes melhores, “perde a ilusão”.

Vide essa cena pastelão no vídeo em: https://www.youtube.com/watch?v=vPF8EouDVi4&feature=youtu.be. Recebo, a partir dele, a dúvida inteligente do internauta e jornalista Marcelo Torres, que compartilho abaixo:

Boa noite, Rafael.
Gostaria de fazer uma consulta, já que busquei no site da CBF e não achei. É o seguinte: Hoje, num jogo pelo campeonato baiano, Atlético X Vitória, a bola foi lançada pro ataque do Vitória na área do Atlético. O goleiro do Atlético saiu estabanado e se chocou com o zagueiro do seu time e ambos caíram (o atacante não tocou em nenhum). A bola sobrou limpa para o atacante jogar para as redes, com o gol aberto (embora o goleiro tenha se levantado). O árbitro, a meu ver, fez certo ao deixar a chance claríssima de gol prosseguir. E foi gol.
Os jogadores do Atlético reclamam dizendo que o árbitro deveria ter paralisado a partida.
Eu disse que a partida — com a chance clara de gol de um clube no mesmo lance — não poderia ser interrompida. Porque, se for assim, as zagas forçariam um choque e queda toda vez que o adversário tivesse na cara do gol (a fim de paralisar o jogo). Se o árbitro parasse o jogo com um time já na boca do gol aberto, prejudicaria esse time.
O choque entre goleiro e zagueiro do mesmo time ocorreu por culpa deles mesmos, a outra equipe não teve nada a ver com isso. O que você me diz?
Abraços.
Marcelo (Lance no minuto 3’10”).

Uma questão bacana para discussão! Independente de ser um lance bizarro, não houve erro de arbitragem. E respondo:

Marcelo, o jogo deve prosseguir, pois o choque foi acidente de trabalho, EXCETO na condição de que seja uma situação em que há claramente um risco de lesão grave do goleiro que fica caído no chão (pois não se pode jogar sem goleiro). No vídeo, o goleiro levanta e ainda tenta defender. 
Lance normal para a Regra (imediatamente à paralisação, se deve atender o zagueiro). Mas “anormal” para o esporte (afinal, que infelicidade do time).
Se o jogo fosse paralisado ali pois o goleiro ficasse caído nitidamente com lesão grave (não foi o caso), deveria ser – antes da sobra e rebote – reiniciando com a posse de bola ao atacante, com 4 metros de distância do adversário (é a nova regra do bola ao chão para a devolução da posse de bola).

Dessa forma, fica a observação: é rentável, inteligente ou devido tal formato de torneio, que nos permitem lances como esses? 

Repito: amo Estaduais, cresci torcendo para Pequeno, apitei demais jogos do Interior, mas o modelo deve ser repensado, a fim de otimizar o futebol para todos os seus atores.

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