– Athlético Paranaense 1×1 São Paulo e o lance “cara-de-pau”.

Na Arena da Baixada, aos 36m do 2o tempo, o exemplo de como está chato discutir arbitragem de futebol: lance de ataque do SPFC, uma bola bate no rosto e na sequência no braço do zagueiro do CAP, à queima roupa. Não foi nenhuma infração.

Procure as imagens na TV e veja a reação dos jogadores reservas do SP que estão ali próximos! HILÁRIO, ou melhor, cara-de-pau.

É constrangedor pedir pênalti em tal lance. Mas entendo: é a geração de quem viu a regra mudar e o Brasil avacalhar lances assim como penais.

– Os melhores árbitros de futebol do mundo, segundo a IFFHS.

Muita gente contesta as estatísticas divulgadas pela IFFHS (a Federação Internacional de Estatística e História do Futebol). Até mesmo sobre a importância da entidade, existe controvérsia. Mas uma coisa não se pode reclamar: da ausência de árbitros brasileiros importantes em sua lista dos melhores da última década!

Um país que já teve nomes frequentes como os mais gabaritados, com importância indiscutível em Copas do Mundo (Romualdo Arpi Filho, Arnaldo César Coelho, José Roberto Wright, Renato Marsiglia, Carlos Eugênio Simon, para citar alguns), não pode cair no ostracismo internacional.

Abaixo, a relação dos melhores da última década (19 nomes divulgados) e os melhores de 2020 (14 juízes na lista, de acordo com o site da IFFHS):

RANKING IFFHS WORLD’S BEST MAN REFEREE OF THE DECADE 2011-2020

Name / Country 

1. Felix BRYCH / Germany
2. Cuneyt CAKIR / Turkey 
3. Bjorn KUIPERS / Netherlands 
4. Niccola RIZZOLI / Italy 
5. Nestor PITANA / Argentina
6. Howard WEBB / England 
7. Damir SKOMINA / Slovenia
8. Martin ATKINSON / England
9. Viktor KASSAI / Hungary 
10. Antonio MATEU LAHOZ / Spain 
11. Gianluca ROCCHI / Italy
12. Marc CLATTENBURG / England 
13. Pedro PROENCA / Portugal 
14. Carlos V. CARBALLO / Spain
15. Milorad MAZIC / Serbia 
16. Ravshan IRMATOV / Uzbekistan 
17. Jonas ERIKSSON / Sweden 
18.Clement TURPIN / France 
19. Alireza FAGHANI / Iran 

RANKING THE WORLD’S BEST MAN REFEREE 2020

Name / Country 

1. Daniele ORSATO / Italy
2. Felix BRYCH / Germany
3. Björn KUIPERS / Netherlands
4. Damir SKOMINA / Slovenia
5. Antonio Mateu LAHOZ / Spain
6. Anthony TAYLOR / England
7. Nestor PITANA / Argentina
8. Cüneyt CAKIR / Turkey
9. Mike DEAN / England
10. Clement TURPIN / France
11. Danny MAKKELIE / Netherlands
12. Ovidiu HATEGAN / Romania
13. Slavko VINCIC / Slovenia
14. Jose Maria MARTINEZ / Spain

Na imagem, o grande e saudoso Dulcídio Wanderley Boschilia, que nunca foi a uma Copa do Mundo mas era sensacional dentro de campo. Sobravam talentos no Brasil…

– 3 pontos de vista sobre o VAR do Allianz Arena:

Ainda sobre as polêmicas do jogo Palmeiras x River Plate, para apreciação dos amigos leitores, compartilho uma entrevista que dei ao Lance! / Nosso Palestra, juntamente com os ex-árbitros FIFA Alfredo dos Santos Loebeling e Renato Marsiglia, sobre a atuação do VAR.

Disponível em: https://www.lance.com.br/palmeiras/arbitros-analisam-var-river-plate-uma-aula.html

EX-ÁRBITROS ANALISAM VAR DE PALMEIRAS X RIVER PLATE

Apesar de todas as dificuldades, o Palmeiras conseguiu se classificar para a final da Copa Libertadores da América pela primeira vez em mais de 20 anos. A partida decisiva da semifinal, que terminou em 2 a 0 para o River Plate, no entanto, ficou marcada por erros palestrinos e atuações decisivas do VAR. Para entender se as marcações no decorrer do jogo foram corretas, o NOSSO PALESTRA/LANCE! conversou com ex-árbitros que elogiaram a utilização da tecnologia.

O primeiro nome contactado pela reportagem foi Alfredo Loebeling, que fez parte do quadro da Fifa entre 2001 e 2002 e elogiou a participação do VAR na partida.

– O VAR veio pra isso. O torcedor tem que entender que o VAR um dia vai salvar a arbitragem prejudicando o seu time de coração, e noutro dia vai salvar ajudando o seu time, como foi ontem. O que nós tivemos ontem foi a correção de equívocos da arbitragem em lances muito difíceis. No segundo pênalti, o cara tava nitidamente impedido. O que não pode acontecer é as pessoas falarem que o VAR ficou procurando uma imagem para salvar o Palmeiras, isso é papo de boteco. Ele tem uma série de imagens, que vão dizer se o árbitro acertou, ou se precisa de correção. Não é o VAR que anula o gol, o pênalti. Ele informa o árbitro e sugere uma revisão – declarou Loebeling, que completou:

– A decisão final é do árbitro de campo. No lance do gol, tinha um jogador impedido. A bola tocou no jogador do Palmeiras, mas pra tirar o impedimento o toque tem que ser de forma deliberada, o que não foi o caso. Foi bem anulado. A expulsão foi, na minha visão, exagerada, porque o árbitro não vinha com esse critério o jogo inteiro. Eu não teria expulsado, acho que o árbitro mudou o critério dele. No primeiro pênalti anulado, o toque existe, mas foi provocado pelo jogador do River. A discussão é que o jogador do River provoca o toque, aí o árbitro não pode marcar. O árbitro acertou nas decisões graças ao VAR. Eram situações que não tem como você olhar sem as câmeras, é muito difícil.

Outro que falou com o NP/L! foi Rafael Porcari, que é ex-árbitro, consultor de arbitragem, comentarista na Rádio Difusora, tem o blog ‘Pergunte ao Árbitro’ e, também, exaltou a atuação do árbitro de vídeo, descrevendo-o como algo necessário para o futebol.

– Ontem foi a prova de que o VAR é uma ferramenta necessária para o futebol, que legitima placares e precisa de pessoas competentes usando. Nos três lances, o árbitro de vídeo foi muito bem nas intervenções. A única falha foi a demora, mas as intervenções foram corretas. O lance do gol anulado foi sensacional, é um lance didático. Foi a mesma coisa que aconteceu no gol do Scarpa na partida de ida, que gerou uma polêmica sobre o desvio tirar ou não o impedimento. No lance teve o desvio, mas não é o tipo que tira o impedimento – disse Rafael, que prosseguiu:

– O último pênalti estava impedido, não tem dúvida, mas, mesmo assim, foi um choque de jogo. A expulsão foi correta, é lance pra cartão amarelo. Tendo amarelo, tem que dar o segundo. O que eu acho mais interessante é a questão do desvio tirar ou não o impedimento. Alguns tipos de desvios, de fato, tiram o impedimento, mas só os que têm um toque deliberado. Se você tem um jogador impedido, o atacante vai lançar a bola pra ele e você quer interceptar a bola, você manifesta a vontade de disputar e não deixar o cara receber a bola, você tirou o impedimento, porque você se jogou pro lance. Agora, você estar posicionado e o seu corpo serve como tabela, não tira o impedimento. Você tem que ter a intenção clara e manifesta de interceptar a bola. Bater por bater não tira o impedimento.

Além destes, o ex-árbitro e ex-comentarista Renato Marsiglia afirmou ter se rendido à tecnologia, deixando evidente que esta fez justiça no confronto da última terça-feira (12).

– Eu diria que o VAR ontem influenciou no resultado da partida de maneira justa. São lances que, num primeiro momento, eu não vi irregularidade. O VAR trouxe justiça e salvou a arbitragem, mesmo sendo lances que seriam muito discutidos depois do jogo. Não tenho dúvidas de que o torcedor do River Plate está indignado, assim como se fosse o contrário o do Palmeiras ficaria – afirmou Marsiglia, que seguiu:

– Eu acabei me rendendo à tecnologia. Com a quantidade de recursos eletrônicos que existem, nada mais natural que estes sejam colocados à disposição da arbitragem pra diminuir os erros gritantes. O árbitro de vídeo acertou. No último lance, tenho certeza que o árbitro de vídeo chamou o de campo para analisar uma possível penalidade máxima e, no tempo que ele foi lá, eles pegaram o impedimento, que matou a possibilidade do pênalti. E o impedimento existiu, assim como no primeiro lance, que teve como consequência o que seria o terceiro gol do River Plate. As decisões foram corretas. Não vou dizer que o Palmeiras foi favorecido. A regra foi aplicada corretamente. O árbitro iria errar se não fosse o VAR. Sobre o primeiro pênalti, na hora eu achei que tinha sido. Vendo por outros ângulos, porém, fica claro que o jogador do River Plate abre a perna, dobra o joelho e provoca o tropeço pra cair. Foi mais um lance capital em que o árbitro de vídeo interferiu de forma positiva para trazer justiça ao resultado da partida.

Por fim, o NP/L! conversou também com outro ex-árbitro FIFA, que pediu para não ser identificado e descreveu a partida do Verdão como uma “aula de VAR”, afirmando que ele “acertou em todas as decisões”.

O uruguaio Esteban Ostojich tomou decisões cruciais pra definição do resultado (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

– #tbt: o lance mais inusitado no futebol em 2019 foi…

Relembrando esse lance curiosíssimo, já que hoje é dia de #tbt:

Numa conversa informal sobre qual lance foi mais marcante no esporte no ano passado, me recordei da “cobrança-desfile” da final da Copa Verde (Payssandu x Cuiabá). Lembram-se?

Foi chamativo, extravagante e ao mesmo tempo, ousado. Mas tinha tudo para dar errado (como deu).

Relembre em: https://www.youtube.com/watch?v=8riAAi_GRb0&feature=youtu.be

E para você, qual foi a mais inusitada situação na temporada que passou?

– Os semelhantes desvios nos gols anulados em River Plate 0x3 Palmeiras e Palmeiras 0x2 River Plate

As regras do futebol não são claras, mas apaixonam quem as estudam.

Vamos lá: desvio tira o impedimento?

Depende de “qual” desvio. Deliberado ou não? E para explicar os gols anulados na Argentina (de Scarpa) e no Brasil (de Montiel), precisamos entender.

  1. No começo do século XXI, desvio deliberado para jogador impedido que não estava na jogada, habilitava o atleta – por exemplo, um atacante que vai lançar a bola para seu companheiro que estivesse sozinho na grande área, e um defensor a interceptasse: se ela pegasse um efeito e sobrasse para um outro atacante à beira do campo que estivesse impedido (mas não diretamente no lance), esse desvio tirava o impedimento.
  2. Há 5 anos, isso mudou: o desvio de tentativa de disputa do defensor passou a habilitar qualquer atleta em impedimento – por exemplo, um atacante vai lançar para seu companheiro que está em impedimento, mas o defensor disputa a bola deliberadamente (ou seja, com intenção de não permitir que ela chegue ao adversário) interceptando-a. Essa bola desviada, se chegar ao atleta impedido, poderá ser jogada pois esse desvio o habilitou.

Recorde os gols anulados citados acima: tanto na partida de ida quanto na de volta, nos lances de impedimento a bola era originada de desvio voluntário?

NÃO. Todos de desvios casuais. Por isso, ambos lances se parecem e foram bem anulados.

Sobre outros lances que envolveram o VAR na partida de ontem, aqui: https://professorrafaelporcari.com/2021/01/12/o-melhor-em-campo-no-palmeiras-x-river-plate-foi-o-gallo/

– Motivos para estar atento quanto a arbitragem de Santos x Boca Jrs.

Tenho sérias preocupações com a arbitragem de Wilmar Roldán na Vila Belmiro, nesta 4a feira. E são ressalvas importantes:

Após as queixas justas do Peixe pela não marcação do pênalti no La Bombonera em Marinho (vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-sNv) e os áudios estapafúrdios divulgados, a Conmebol escalou o colombiano Roldán para o jogo de volta. Isso, para muitos, foi demonstração de força do Santos, pois ele foi o árbitro da vitória santista contra o Grêmio.

Doce ilusão de que um árbitro que apitou sua vitória em jogo passado seja sinônimo de vitória futura… Carlos Amarila e Ubaldo Aquino, num passado não tão distante, também haviam apitado muito bem antes das “cácas” contra o Corinthians e o Palmeiras, justamente em confrontos contra o Boca na Libertadores da América.

Se não bastasse esse indicador, historicamente temos suspeitas e comprovações de manipulação por todos os lados. Lembremo-nos das conversas de Grondona a favor do Independiente contra o Santos em 64. Aliás, quantos presidentes a Conmebol viu serem presos nos últimos 5 anos?

Roldán não tem histórico de, em confrontos entre brasileiros e argentinos, “errar pra time do Brasil”. Ao contrário! Um conjunto de equívocos a favor de argentinos, que compartilho aqui: https://wp.me/p4RTuC-sOq.

Torço para uma partida justa e bem apitada! Não sou adepto de teorias conspiratórias (como as de que a Conmebol não deixará ter uma partida final entre brasileiros, sem argentinos, num estádio brasileiro – pois seria “Brasil demais para todo o continente”). Mas abra o olho, Santos FC!

– O melhor em campo no Palmeiras x River Plate foi o… Gallo!

Escrevo aos 74m de jogo em Palmeiras 0x2 River Plate: até este momento, o melhor em campo foi o… VAR colombiano Nicolás Gallo! Ajudou em tudo o árbitro uruguaio Esteban Ostojich.

Que lance milimétrico de impedimento o 3o gol do River Plate, anulado! Que imagem congelada do pênalti cavado aos 30m do segundo tempo!

Aqui a prova: se bem usado, o árbitro de vídeo legitima placares no futebol. O equipamento não é o problema, mas sim quem o opera.

Ops: Confesso que a curiosidade é grande, mas não terei resposta por motivos lógicos: se tivéssemos torcida presente, o Palmeiras teria feito 3×0 na Argentina e o River estaria dando tal sufoco no Brasil? Até onde esses resultados seriam idênticos, estando as arquibancadas lotadas?

Arbitragem dos jogos semifinais da Libertadores na próxima semana — Foto: Conmebol/Divulgação

Imagem: reprodução Web

– Sport quer anular o jogo do Palmeiras e recusar o VAR em seus jogos?

Segundo o GE.com (https://globoesporte.globo.com/pe/futebol/times/sport/noticia/revoltado-com-arbitragem-apos-polemica-sport-pedira-anulacao-da-partida-contra-palmeiras.ghtml), o Sport pediu à CBF a anulação do jogo contra o Palmeiras e a não utilização de VAR em seus jogos.

Ilusão!

Primeiro: Não existiu Erro de Direito – e nem Erro de Fato, pois não foi pênalti (vide a explicação técnica aqui: https://professorrafaelporcari.com/2021/01/10/o-penalti-de-bola-na-mao-reclamado-em-sport-0x1-palmeiras/)

Segundo: Não se pode utilizar uma regra num campeonato para um time e para outro não. Pedir para não utilizar o VAR em seus jogos, sinceramente, pareceu-me apenas “satisfação para o torcedor”, pois até mesmo quem pediu sabe que isso é impossível.

E segue o futebol brasileiro…

Sport x Palmeiras — Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press

Sport x Palmeiras — Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press

– Rivalidades entre clubes: qual o maior rival do seu time, considerando o presente e o passado?

Participei dias atrás de uma mesa redonda sobre a Libertadores da América, onde uma interessante discussão surgiu: se Santos x Palmeiras forem à decisão, para quem são-paulinos e corintianos torcerão?

Difícil responder com exatidão, mas o São Paulo (que tem 3 títulos) torceria para o Palmeiras, a fim de que o Santos (que tem 3 como o Tricolor) não tornar-se o único Tetracampeão brasileiro?

Por outro lado, o Corinthians (que tem 1 título) torceria para o Santos, a fim de que o Palmeiras (que igualmente ao Timão tem 1) não o superasse com o Bicampeonato?

Desse debate sem resposta, surgiu a questão: pela história e pela atualidade, qual seria o maior rival de cada clube?

Aqui em Jundiaí, o Paulista FC teve como adversários históricos várias equipes do Interior. Por exemplo, na metade do século XX, embates (entre clubes e torcedores) contra o XV de Piracicaba e o Bragantino. Nos anos 80, por conta do acesso à 1a divisão e a luta contra a 2a, o Marília, o Comercial de Ribeirão Preto e o Noroeste de Bauru foram as equipes mais competitivas enfrentadas. Posteriormente, o Ituano, numa sequência de jogos pelo Paulistão e Copa Paulista, passou a ter mais frequência na rivalidade.

No começo do século XXI, a fase “mais áurea” do Galo da Japi, o São Caetano na final da A2 (ah, Túlio Maravilha e aquele gol tão maroto) e na final da A1 (o vice-campeonato de 2004, com Zetti no comando do Tricolor Jundiaiense contra Muricy no Azulão) fez com que ambos protagonizassem a pujança do Interior versus o dinheiro do ABC. O time emergente daquele período passou a ser o clube a ser batido.

Mais recentemente, o “vilão” a ser colocado na lista negra tornou-se o Batatais, pelos imbrolhos da Copa São Paulo e provocações diversas, mas de magnitude histórica menor.

O que não mudou durante todo esse período, foi a rivalidade histórica entre diretorias e torcedores contra a Ponte Preta de Campinas. Muito se viu entre brigas dentro e fora de campo, casos e causos diversos. Quem não se lembra do Celso Teixeira, largando o clube e indo ao rival na semana do jogo? Ou a Semifinal do Paulistão de 2004, no 4×3 apitado por Paulo César de Oliveira (cotado na época para ir à Copa da Alemanha em 2006 – veja a importância do jogo), no qual torcedores da Macaca depredaram a Avenida Nove de Julho?

Por fim: qual é, para você que torce para o Paulista de Jundiaí, o maior rival do Galo?

Vote na enquete:

– O pênalti de “bola na mão” reclamado em Sport 0x1 Palmeiras.

Sobre a reclamação da bola que espirra na mão de um jogador palmeirense no final do jogo: fico pasmo ao ler que há muita gente pedindo… pênalti!

– Houve intenção de tocar a mão na bola?

– Ele estava longe da jogada e buscou-a?

– Quis tirar proveito do lance?

– Estava com os braços em movimento antinatural / não comum fisiologicamente?

– Praticou intenção subjetiva no lance?

Nada disso. Uma bola chutada pelo seu companheiro, rápida e com distância curta, onde ele ASSUSTA e tenta tirar o corpo quando ela bate nele.

Sabe qual é o problema? O desconhecimento da Regra e os inúmeros erros de arbitragem que levam a confusão do torcedor. Some-se ao fato de revisão do lance em câmera lenta (matando a velocidade real e se  tornando um viés para a análise da jogada).

A mão na bola, didaticamente explicada, aqui: https://professorrafaelporcari.com/2019/08/09/o-que-mudou-ou-nao-na-regra-da-mao-na-bola/

– A estratégia intimidadora para a revelação de novos talentos da FPF.

Todo árbitro de futebolnão tenha dúvida dissoquer ter a oportunidade de trabalhar na Federação Paulista de Futebol. E não é só discurso: mesmo quando mais jovem conversando em intercâmbio com colegas de outros estados, ou já experiente trocando informações com outros ex-árbitros, a resposta que eu tenho dos colegas é: o trampolim para o quando nacional e o destaque na grande mídia passam por atuar em São Paulo.

Os motivos são óbvios: é a Federação que paga melhor, o campeonato estadual “que mais vale” e onde estão os melhores jogadores. 

Entretanto, você tem a Escola de Árbitros Flávio Iazzetti, que forma dezenas de árbitros anualmente (e às vezes, centenas), que se tornou um celeiro de jovens juízes que… não tem jogos suficientes para oferecer a todos!

É muita gente! Como revelar, se você forma bastante nomes e não tem uma quantidade de partidas para que todos possam se desenvolver?

A verdade é: tornou-se uma fonte inesgotável de renda a Escola de Árbitros, e como poucos acabam seguindo a carreira (desistem pela dificuldade de ser árbitro em si, pela demora de retorno financeiro, pela falta de vocação e pelos poucos jogos escalados), a conta se torna atrativa: 1 salário mínimo por mês cada aluno (com classe lotada), por dois anos, com um custo baixíssimo para a FPF elaborar uma turma. Quanto rende?

Nem aquelas “faculdades” cujo vestibular é apenas uma formalidade, que permitem “baciadas de calouros” e que não conseguem chegar ao último semestre com 30% do número inicial (veja as estatísticas do MEC) ganham tanto dinheiro assim. E agora teremos a mesma sistemática, versão “observadores de árbitros”. Nos mesmos moldes, o cargo de confiança tão importante terá curso com portas abertas a qualquer pessoa que se encaixe nas exigências.

Digo tudo isso pois vejo que a sul-mato-grossense Daiane Muniz foi chamada para o quadro de bandeiras, assim como ocorreu com as talentosas paranaense Edna Alves e a catarinense Neusa Back. Basta ganhar o escudo FIFA que a FPF contrata a moça! Repito: são competentes, mas vai na contramão da filosofia de revelar novos nomes.

E o respeito de quem está no quadro e cursou a EAFI?

Dessa forma, a FPF não revela mais ninguém. Apenas chama para trabalhar no seu quadro as de fora, e se gaba de ter um grande número de FIFAs em SP.

Não bastasse essa doce ilusão (de ter muitos nomes internacionais sem os ter formado), a Federação Paulista desaposentou Péricles Bassols, que será (pasmem) a atração do Campeonato Paulista 2021, buscando ser o principal nome em busca do escudo FIFA como VAR (já que foi criado um quadro exclusivo para essa função).

De novo: para quê existe a Escola de Árbitros, se as 3 divisões profissionais duram menos de 3 meses, as categorias de base já não jogam tanto e o quadro de árbitros está inchado? É apenas arrecadatória, já que os nomes que serão destaque estão vindo de fora.

Repararam que é o movimento inverso dos clubes (ao invés de trazerem jogadores caros de fora, estão usando mais a base)? 

Mais ainda: é diferente do que o Farah fazia nos anos 2000: ele trazia FIFAs importantes (até de outros países) e fazia intercâmbio para desenvolver os daqui. Estes, de fato, eram atração e agregavam.

É óbvio que Ana Paula de Oliveira, a chefe dos árbitros, não tomou nenhuma dessas decisões. Péricles, as bandeiras FIFAs e “os patrocínios de camisa que não viram dinheiro aos árbitros” (um outro assunto para se abordar mais pra frente, com a anuência da passiva SAFESP) são decisões da cúpula da FPF. O pecado de Ana Paula é um só (também relevante): colocar medalhões em jogos de 4a e 3a divisões, não sabendo lançar a contento novos talentos.

Que saudade da época do Prof Gustavo Caetano Rogério… ele fechava um grupo bem formado e instruído na Escola de Árbitros, dava ritmo de jogos a eles e observava quem vingava. Nada de “centenas de nomes para tirar um ou outro”, nem de escala patrocinada por politicagem. Como está hoje, não se revela mais ninguém.

É uma pena que a metodologia seja essa. Roberto Perassi, que tão bem ensina e observa talentos, fica de mãos atadas nesta sistemática.

Bola de futebol, apito e cartões vermelhos e amarelos | Vetor Premium

 

Imagem extraída da Internet, autoria desconhecida.

– O difícil posicionamento da arbitragem em Red Bull Bragantino x São Paulo e a rótula da discórdia.

Em Bragança Paulista, vale observar três coisas importantes:

1. Time de Fernando Diniz é dificílimo de se posicionar, sendo árbitro. Você faz todo o “ritual” de saída de bola – se posiciona de frente para o goleiro, numa diagonal futura próximo ao círculo central, mas diferente do habitual (de correr para o campo contrário), corre de volta ao campo de defesa pois o time vai sair jogando com os pés. Repare no 1o e no 4o gol sofridos pelo São Paulo, como Luiz Flávio de Oliveira tem que correr no sacrifício.

2. O gol anulado de Brenner: em 158 anos de futebol, nunca se imaginou que detalhes como a “rótula do joelho” em linha (no formato 3D na resolução do software) seria comparado com a parte final da camisa do defensor (pois a regra mudou e o “ombro foi estendido” no conceito da FIFA, mudando o conceito de mão). Pela imagem da TV, foram centímetros (ou menos do que isso) que mostraram (se é que a imagem foi travada pelo VAR no momento certo) de que um pedaço dobrado da perna colocou o joelho à frente do começo do antebraço do adversário (que é a primeira parte “jogável”). Incrível!

3. Inacreditável também foi Tchê-Tchê, que agrediu seu adversário sem bola imaginando “que ninguém enxergasse”, mesmo com tanta tecnologia em campo. Ali, prejudicou seu time por infantilidade absurda.

IMPORTANTE: Talvez estejamos em um momento de se rediscutir o conceito “do que determina o impedimento”, para que não se mude o prazer do jogo.

– Como explicar a não-marcação do pênalti em Boca Jrs 0x0 Santos?

Aos 75 minutos de jogo, o defensor Izquierdoz (BOC) empurra com o braço direito Marinho (SFC), dentro da área. O bom árbitro chileno Roberto Tobar (hoje, o número 1 da Conmebol e cotado para a final da Libertadores da América no Maracanã) estava com a visão encoberta pelo próprio corpo do argentino e não viu.

Mesmo com o VAR, ele nem foi à cabine consultar / rever o lance. Teria ele sido informado pelo árbitro de vídeo que tudo foi legal, ou confiou exclusivamente em sua análise e desprezou uma informação da cabine?

Este era o áudio que precisava ser divulgado publicamente, pois foi um claríssimo pênalti não marcado.

– Motivos para que o desvio do jogador argentino não tenha tirado o impedimento do gol do Palmeiras.

Há pouco, fui perguntado pelo amigo Marcel Capretz sobre o 2o gol do Palmeiras, que não foi confirmado:

– Amigo, viu esse gol anulado do Palmeiras? Concordou? Não caracteriza outro lance (o desvio no zagueiro)? Estamos na dúvida ao vivo aqui na 105 FM.

A resposta é: não caracteriza. E explico:

Oi Marcel, vi sim. Lance bem anulado, pois aquele desvio não tira o impedimento. A bola é lançada deliberadamente ao jogador que está em impedimento. Se ela toca ou não, passa a ser irrelevante pois o desejo do passe é aquele.
Diferente da situação de uma bola que sobra ao jogador em impedimento (se a bola é chutada pra frente, sem o propósito de ter lançado para ele) e existe o desvio, aí sim tiraria o impedimento. Se fosse sobra de bola, ok. Mas como a intenção era aquela mesmo, o desvio não tirou o impedimento.

Ops, vale acrescentar: também há o fator de que o atleta do River Plate não tentou bloquear o lançamento da bola, mas ela é quem bate nele. 

– FIFA escolhe árbitras do Brasil para o Mundial de Clubes 2020!

Divulgado nesta 2a feira, dia 04, no site da FIFA: o Brasil já está no Mundial de Clubes da FIFA!

Edna Alves como árbitra central, Neuza Back como árbitra assistente 1 e a argentina Mariana de Almeida como árbitra assistente 2: este deve ser o histórico e pioneiro trio feminino no Mundial de Clubes MASCULINO 2020 (FIFA Club World Cup Qatar 2020), que será realizado no Catar entre 01 e 11 de fevereiro de 2021.

É uma grande novidade para mim, afinal, Raphael Claus e Wilton Sampaio estavam cotados e sendo trabalhados para a Copa do Mundo de Seleções em 2022 no Catar desde 2018 (uma vaga como árbitro central e outra para VAR). Normalmente, a Copa do Mundo de Clubes é usada como preparação para os árbitros que irão ao Mundial de Seleções.

Diante disso, se a apresentação das brasileiras e da colega argentina for convincente, ficaria difícil a FIFA não pensar seriamente em quebrar paradigmas e levá-las em 2022. Afinal, estariam mais experientes, já teriam conhecimento e ambientação do próprio país do Oriente, e, claro, um fator importante: seria um “golaço” da FIFA em dar oportunidade às mulheres num país fechado, antidemocrático e machista como o Catar!

Vou torcer para elas. Edna tem sido a mais regular dos árbitros do Brasileirão 2020 e é competente (assim como Neuza). Confesso desconhecer o trabalho de Marina de Almeida, mas deve ter suas qualidades também.

A única preocupação é fisiológica: o desempenho físico delas (são bem condicionadas, é sabido) frente ao calor do país desértico terá relevância? Se não conseguirem acompanhar os lances de perto, haveria contestação?

Lembrando: no Brasil, na final do Brasileirão Feminino A1 entre Kindermann-SC x Corinthians-SP, apitaram Rodolpho Toski e Wilton Sampaio… Nem nas semi-finais a CBF teve coragem de escalar Edna Alves, colocando Paulo Roberto Alves Jr e Vinícius Furlan. Portanto, o mérito é exclusivamente da moça por tal indicação!

Neste exato momento, acreditem: alguns árbitros do quadro masculino estão com um enooooorme nariz torcido…

Confira a lista completa dos selecionados em: https://img.fifa.com/image/upload/ccvozk06oenutj7pafjr.pdf

– O acréscimo da discórdia em São Paulo 0x0 Grêmio pela Copa do Brasil: como funciona a recuperação de tempo perdido?

Caramba, o árbitro Bruno Arleu permaneceu no quadro internacional da FIFA para 2021. Como pode?

Não pela falta de autoridade demonstrada em São Paulo 0x0 Grêmio (não teve interferência total no resultado final), mas nos diversos erros que mostrou ao longo do ano – e na partida citada, em menor escala. Se estivéssemos na década de 90, inimaginável ele estar na Série A do Brasileirão (vide a qualidade dos nomes daquele período).

Entenda: quando alguém faz cera, o “retardamento do jogo” deve ser punido com cartão amarelo e o juiz tem que agilizar o recomeço. Não se deve dar acréscimo de tempo quando se pune com o cartão, pois esta já é a punição. Diferentemente, óbvio, da recuperação dos minutos perdidos com atendimento de atletas lesionados, discussões que fazem o jogo ficar parado, confusões e outras perdas de tempo diversas.

Ao dar 7′ de acréscimo no segundo tempo, mostrou falta de coragem, após esse tempo, em não acrescentar mais 2 minutos perdidos (que foi o tempo parado dentro dos 7 para socorro de lesões).

Lógico, não foi isso que decidiu o jogo, mas mostra a fragilidade total do juiz.

– E se o lance do “Ponto Cego” de Palmeiras x Red Bull Bragantino fosse num Derby?

um ponto cego na Allianz Arena, que impede o VAR de tomar decisões corretas?

Ao menos, é o que deu a entender Leonardo Gaciba, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, à diretoria do Red Bull Bragantino, que reclamou formalmente do gol sofrido contra o Palmeiras, alegando impedimento.

Apesar da marcação do bandeira (considerando a posição duvidosa de Luiz Adriano), o árbitro Raphael Claus confirmou o gol pelas imagens do posicionamento do atacante no VAR. Entretanto, o lance em questão é de Gabriel Menino, que não aparece nas imagens recebendo a bola em condição legal ou não para o cruzamento.

Ficará, assim, uma nova dúvida a cada partida: o “ponto cego” só existe na Arena tão moderna do Palmeiras, ou em outras também? Quantos lances já fora decididos “às cegas” no Brasileirão? É um problema que não se resolve ou um descuido que poderia ser evitado pela CBF?

Já imaginaram pela Copa do Brasil, em jogos eliminatórios, um gol sofrido em condições duvidosas com ponto cego? Ou um lance igualmente decisivo num Corinthians x Palmeiras?

Em todo mundo do “Planeta Bola”, somente aqui no Brasil ouvi a história de “ponto cego no VAR”...

Informações do Uol, em: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/danilo-lavieri/2020/12/28/red-bull-aponta-gol-irregular-do-palmeiras-e-cbf-cita-ponto-cego-no-var.amp.htm

– Os novos VARs da CBF na FIFA

A mim, não causou nenhuma surpresa a manutenção dos 10 árbitros brasileiros indicados pela CBF para a FIFA. São eles (desde o começo do ano):

Árbitros:
Anderson Daronco (RS)
Bráulio da Silva Machado (SC)
Bruno Arleu de Araújo (RJ)
Flavio Rodrigues de Souza (SP)
Luiz Flavio de Oliveira (SP)
Rafael Traci (SC)
Raphael Claus (SP)
Rodolpho Toski Marques (PR)
Wagner do Nascimento Magalhães (RJ)
Wilton Pereira Sampaio (GO)

Mesmo sem boas atuações no último ano, foram mantidos Luiz Flávio (que definitivamente não deslanchou na carreira internacional), Bruno Arleu e Rodolpho Toski. Mas como o Brasil tem o número máximo de FIFA’s permitido, a CBF não observou outros nomes que pudessem substitui-los na lista, evitando assim correr o risco de desagradar suas federações de origem.

A novidade foi o tão aguardado anúncio do quadro específico de árbitros de vídeo (os árbitros acima exercerão a arbitragem principal da partida e poderão ser escalados como VAR; mas os da lista específica, só poderão atuar como VAR, impedidos de entrar em campo como árbitros centrais nas competições internacionais). Abaixo:

Árbitros assistentes de vídeo (VAR)
Igor Junio Benevenuto de Oliveira (MG)
José Claudio Rocha Filho (SP)
Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)
Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
Wagner Reway (PB)

E aí, gostou dos nomes? São razoavelmente experientes, mas que não fazem jus à condição de FIFA como árbitros centrais.

– O pênalti cobrado por Pedro em Fortaleza 0x0 Flamengo: o bi-toque e o buraco cavado!

Sobre o lance polêmico pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro no Ceará: o pênalti cobrado por Pedro (FLA)!

Entenda: a cobrança do tiro penal exige que a bola seja tocada para frente (não precisa ser chutada para o gol, pode até rolar para um companheiro, desde que o toque seja executado corretamente). Como qualquer cobrança de infração, o executante só pode tocar na bola novamente depois que outro atleta relar nela (a trave não vale, pois ela é neutra).

Depois dessa explicação breve, fica fácil entender: quando Pedro toca na bola pela 1a vez, o pênalti é considerado “cobrado” (não importa se foi por escorregão ou não). O 2o toque, mesmo involuntário, é irregular.

Acertou o árbitro Rafael Traci em marcar tiro livre indireto ao adversário, no local do 2o toque.

Duas perguntas surgiram:

1. Se existiu invasão de área por parte do time do Fortaleza, deveria ter voltado a cobrança?
Neste caso, NÃO, pois de nada influenciou o erro do flamenguista tal ato.

2. Ronald (FOR) foi flagrado mexendo no ponto penal (aquela catimba velhaca de ficar cutucando o local para atrapalhar o oponente). O que fazer?
Se flagrado pelo árbitro, o juiz deve dar Cartão Amarelo ao jogador e verificar se o local está adequado para a cobrança.

Anular a partida, punir o atleta ou algo que valha depois do jogo, aí não dá.

Tal lance aconteceu recentemente em duas partidas: com Grizmann em Atlético de Madrid x Real Madrid e no próprio Brasileirão em São Paulo x Vitória. Relembre aqui: https://professorrafaelporcari.com/2017/05/10/o-penalti-de-2-toques-de-griezmann-ja-aconteceu-no-morumbi/.

– A falta de Espírito Esportivo.

Há 6 anos…

Li que o volante Mercier, do San Lorenzo, reclamou muito do comportamento dos jogadores do Real Madrid na final do Mundial de Clubes FIFA 2014. Ao diário esportivo Olé, disse:

São umas meninas, era só encostar que caiam”.

Tá de sacanagem, não?

Ora, quem assistiu a partida, percebeu o anti-jogo e pancadaria promovidos com muita catimba pelos argentinos contra um time que só queria jogar. E o árbitro, fraco, deixava isso acontecer sem coibir adequadamente.

Para mim, desculpa de mau perdedor! Se alguém tem que reclamar é o Real Madrid pela falta de autoridade do juizão. Ademais, se jogasse sério, o San Lorenzo tomava “um vareio de bola” como o Santos tomou do Barcelona no Japão.

Cara de pau o hermano, não?

O Papa Francisco, torcedor ilustre do time, deveria dar indulgência plena por tanta sandice a esse pobre de espírito…
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– Cansei dos percalços do futebol em 2020. E você?

No final do ano, sempre se faz balanços sobre os acontecimentos ocorridos. E quando penso no futebol… desanimo, tamanho é o desânimo.

Explico:

Quantos casos explícitos ou velados de racismo presenciamos em 2020? E ao invés de termos unanimidade no combate ao preconceito, testemunhamos pessoas falando que é “mi-mi-mi”… Que insensibilidade! De onde vem tanta falta de empatia?

Aí vemos os clubes não fazendo a parte deles. O Corinthians fala em “proteger as ‘minas’”, mas faz gozação homofóbica contra o São Paulo. O Tricolor, por sua vez, tem feito campanhas efetivas em defesa dos torcedores gays da sua agremiação? Lógico que não. A propósito: e a campanha para uso da “Camisa 24” que diversos clubes lançaram? Ficou só no blá-blá-blá, aparentemente.

O que entristece é o discurso descomprometido que é “só futebol”, que tudo pode. Peraí: falamos de futebol profissional, business, milhões (e às vezes, bilhões) envolvidos. É a indústria do entretenimento, que gera empregos, paixões e eventos. Não é a várzea amadora, das periferias onde tudo pode (ou quase tudo). É jogo (ou jogaço) que acontece no Morumbi, Maracanã ou Mineirão!

Como toda atividade profissional, há regras, ética, responsabilidades social e fiscal, além da necessidade de ser e dar exemplo.

Quer mais um desapontamento? Equipes falidas que abrem mão de trabalhar com parceiros sérios como Red Bull, City Group ou qualquer outro conglomerado, mas aceitam empresários suspeitos e negócios escusos, pois eles “não vão mudar o uniforme do time” ou “vender a ‘alma’ da equipe”. E se der errado, lógico, a culpa é da imprensa (como virou um mantra).

Alma? Só se for penada… ou “pelada no saldo bancário”. Mas dos cartolas envolvidos, aí é outro papo!

Já imaginaram quanta história os centenários Paulista de Jundiaí, Noroeste de Bauru, Ponte Preta de Campinas ou tantos outros têm, e correm o risco de sumir num curto médio / prazo? Sim, o panorama catastrófico é real, pois as contas vencem e o cenário global é cada vez mais rápido (e não aceita desculpas).

Vale o mesmo para os grandes, que se apequenam cada vez mais: Vasco e Botafogo vivem do quê? De títulos, de receitas, de ambos ou de nenhum deles? Ou de… história?

É desanimador, me desculpem. E se falar de outra seara, a arbitragem, é pior ainda! A FPF tinha sempre meia dúzia de árbitros em condições de apitar pela FIFA (e qualquer jogo no mundo). E hoje?

Aliás, o VAR, que tanto ajuda mundo afora, aqui atrapalha. Sem contar nos cabides de emprego: AVAR1, AVAR2 e supervisor de protocolo, onde a cartolagem do apito se auto-escala e se “auto-avalia”. 

Tudo isso faz com que exista descrédito. Rogério Ceni deixou no ar que há favorecimento para o São Paulo no Brasileirão. Ué, quer dizer que árbitro paulista não pode apitar time carioca pela luta do título? Também não poderá gaúcho, mineiro e de outros estados envolvidos na parte de cima e na parte de baixo da tabela. Assim, vamos trazer árbitros do Tocantins, do Amapá e da Roraima, que não têm times na 1ª divisão.

Neste discurso cheio de teorias conspiratórias, quem vai investir num campeonato que é colocado em dúvida?

Desculpem-me, mas cansa. E para cansar derradeiramente, lembremo-nos que até semanas atrás os dirigentes dos clubes queriam, junto com os políticos, a volta das torcidas em plena pandemia.

Acabe logo 2020. Venha diferente, 2021. E bem melhor, pois esse último no cansou demais.

Imagem extraída da Web.

– Lisca Doido ou Lisca Bravo?

Não vi o lance reclamado pelo América-MG, mas o treinador Lisca (conhecido como “Lisca Doido”) ficou muito, muito bravo mesmo!

A imagem mostra que seu apelido faz jus, aqui: https://youtu.be/EooyVV4VokU.

 

– O Racismo contra Gerson, por parte de Ramírez no Flamengo 4×3 Bahia: o que o juiz poderia ter feito?

Índio Ramírez, jogador colombiano do Bahia, foi acusado de praticar racismo contra o flamenguista Gerson. E, por enquanto, fica o protesto do brasileiro ao ato negado do seu adversário.

Que se investigue, se chegue a uma conclusão e que se puna, caso tudo se confirme.

Fui perguntado: e o árbitro nisso tudo?

O árbitro Flavio Rodrigues de Souza não poderia expulsar Ramírez sem ter flagrado o xingamento. Ele também não pode advertir o jogador simplesmente pela reclamação do outro (porque, poderia até – e não estou dizendo que foi neste caso – ter sido uma forma de mentir e prejudicar a outra equipe). O juiz tem que presenciar a ofensa.

E o VAR? Poderia ter ajudado?

Veja que curioso: NÃO neste caso!

O árbitro de vídeo só pode trabalhar com imagens e não sons. Imagine que Flávio fosse à cabine e ouvisse uma fala: ele não poderia, por protocolo, fazer uso do som e tomar a decisão (por incrível que possa parecer), nem tentar leitura labial ou algo parecido. O VAR se refere às imagens, pura e simplesmente, de atos.

Como o racismo é um assunto sério, a atitude do árbitro passa a ser: relatar em súmula que existiu a reclamação mas, como não ouviu a ofensa, não pode tomar as providências por falta de comprovação.

O outro lance discutido do jogo foi a expulsão de Gabigol. Sobre ela, aqui: https://professorrafaelporcari.com/2020/12/20/a-expulsao-de-gabigol-em-flamengo-x-bahia/.

Lembrando ainda que a proibição de som pelo VAR também foi discutida no episódio de racismo sofrido por Neymar no entrevero com Gonzáles. Recorde aqui: https://professorrafaelporcari.com/2020/09/14/acredite-o-var-nao-poderia-interferir-no-caso-do-racismo-sofrido-por-neymar/.

STJD investigará acusação de Gerson de racismo de Ramirez com imagens

– A Expulsão de Gabigol em Flamengo x Bahia

Parabéns ao árbitro Flávio Rodrigues de Souza! Mostrou que faz jus ao uso do escudo FIFA, ao não passar por “banana” no lance envolvendo Gabriel Barbosa.

É notório que Gabigol tropeça e desequilibrado pede uma falta (não foi relevante o toque de mão nas costas do jogador do Bahia, já que, para ser falta, tem que impedir a sequência normal do lance – e não foi isso que aconteceu). De maneira “folgada”, reclamou ao juizão com palavrões. Flávio não fez média e mostrou a autoridade que deve ter um árbitro de futebol, mostrando o Cartão Vermelho.

Pelo peso da camisa, em condições de “fazedor de média”, o natural era que um juiz medroso “fizesse de conta que não ouviu”. Felizmente, não foi o caso de Flávio.

Registre-se: um jogador importante como Gabigol não pode dar uma vacilada tão infantil com 9 minutos de jogo.

– 15 anos do Tricampeonato Mundial do Tricolor Paulista: Análise da Arbitragem de São Paulo 1×0 Liverpool

Quando Rogério Ceni se aposentou, publicamos a Análise da Arbitragem do jogo do São Paulo que lhe deu o Tricampeonato Mundial. Repost abaixo nesta data significativa:

Calma, você não voltou ao tempo. É que nesta sexta-feira teremos o jogo de despedida de Rogério Ceni, um dos últimos jogadores a labutar por décadas em uma mesma equipe.

Sabe qual a curiosidade inusitada? O árbitro será o mexicano Benito Arcundia, o mesmo da Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2005 e que arbitrou São Paulo 1×0 Liverpool.

Detalhe: o árbitro não foi bem naquela partida. Ele não deu um pênalti claro no lateral esquerdo Júnior, prejudicando os brasileiros; na sequência da jogada, armou-se um contra-ataque e Lugano quase quebrou as pernas de Gerard com um carrinho violento e certeiro, não sendo expulso e prejudicando os ingleses. Na época, Rafa Benítez, que era técnico do Liverpool (e que posteriormente perdeu outro Mundial Interclubes, para o Corinthians quando trabalhava no Chelsea) o criticou demais, creditando (injustamente) a derrota ao árbitro mexicano.

O interessante é que Benito Arcundia nem iria participar daquele mundial! Ele entrou na última hora como representante da Concacaf pois o guatemalteco que havia sido indicado lesionou o joelho.

Quem deveria ser convidado, o “bom do jogo” foi o bandeira Arturo Velazquez, que anulou corretamente 3 gols do Liverpool: 1 impedimento fácil, outro dificílimo e o outro por falta de Morientes quando ele tentava fazer a defesa.

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Imagem extraída da Internet, autoria desconhecida.

– O gesto obsceno na expulsão de Rossi.

Tem jogador que não tem noção de que pode ser flagrado numa partida de futebol. Vejam só o motivo (proibido para menores) que o jogador Rossi, do Bahia, recebeu Cartão Vermelho, contra o Defensa Y Justicia pela Copa Sulamericana. 

Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=dt7fQdh9go0

 

– A Arbitragem de Futebol brasileira e a Covid-19.

Assustador o número de casos de contaminação dos árbitros de futebol pelo Novo Coronavírus!

Compartilho, abaixo, essa publicação do grande PVC no GE.com. Está em: https://globoesporte.globo.com/blogs/blog-do-pvc/post/2020/12/15/de-cada-tres-arbitros-do-campeonato-brasileiro-um-ja-teve-covid.ghtml

DE CADA 3 ÁRBITROS DO CAMPEONATO BRASILEIRO, 1 JÁ TEVE COVID

Pouca gente percebeu a substituição do árbitro de vídeo de Corinthians x São Paulo, no domingo (13). Inicialmente escalado, Rodrigo Guarizo do Amaral teve teste positivo e foi substituído por Jean Pierre Gonçalves Lima. Não foi a primeira vez. Já houve jogos do Vasco e do próprio São Paulo, recentemente, com substituições de partes do trio de arbitragem por exames positivos.

Dos 600 árbitros cadastrados para jogos de Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro, 215 já tiveram contato com o coronavírus.

Significa que 31% do quadro de árbitros já teve contato com o vírus.

Os casos no futebol ganharam muita relevância desde o início de novembro. Foram mais de 100 casos em novembro, surtos em clubes como Santos, Palmeiras, Vasco, Fluminense e Atlético Mineiro.

Na arbitragem, os casos foram menos divulgados, mas igualmente expressivos.

Na segunda-feira (14), foi confirmada a morte de Marcelo Veiga, ex-lateral-esquerdo de Santos, Bahia, Internacional e Portuguesa, técnico com passagens marcantes por Bragantino, Portuguesa e, recentemente, São Bernardo.

– De novo, Caio Max? Sobre Internacional 2×1 Botafogo.

Dias atrás, o árbitro Caio Max Augusto Vieira foi muitíssimo criticado pela sua atuação em Corinthians 0x0 Grêmio (relembre em: https://wp.me/p4RTuC-siZ). Agora, no Beira Rio, outra polêmica atuação.

Antes de falarmos do gol decisivo do Colorado, há uma reclamação quanto a um cartão amarelo não aplicado a Rodinei (INT), que seria a 2a Advertência e consequentemente Vermelho. Acontece que nem todo lance de mão na bola é para Cartão Amarelo. Uma jogada na lateral, que não mate um contra-ataque, é simplesmente para marcar o tiro livre direto, sem advertir. Acertou o árbitro.

No lance capital da partida, o Fogão tem uma falta a seu favor no campo de defesa. Kevin cobra ela com displicência recuando para o goleiro Diego Cavalieri. Yuri Alberto (Internacional) estava atento e a interceptou, fazendo o gol.

Porém… o árbitro estava de costas! No be-a-bá da arbitragem, nunca você deve reiniciar o jogo sem estar de frente para a jogada. Caio Max nada viu, e mediante a confusão, anulou o gol. Pelo VAR, depois de muita demora, voltou atrás e validou.

Apesar da lambança, acertou o árbitro. O Botafogo reclama que a falta não foi cobrada pois Kevin estava dando a bola para Cavalieri cobrá-la. Pelas imagens, não dá para afirmar isso e as condições permitem que se entenda a execução do reinício com Kevin (até mesmo porque ali – naquele momento – não precisa de apito).

Tudo seria evitado se o juizão estivesse de frente, orientando o local da cobrança e agilizando a execução.

– Grêmio 1×1 Santos e os erros / acertos da arbitragem!

Que o árbitro paraguaio Juan Benitez é fraquinho, não há dúvida. Mas alguns lances foram maximizados ou não nas reclamações?

Vamos lá:

– Estando mal posicionando, o juiz viu um carrinho certeiro de Piñares (GRE) contra Pituca (SFC) e o expulsou. Chamado pelo VAR, corrigiu o grave equívoco: Pituca é quem faz falta e o carrinho citado “foi na bola”. Expulsão anulada e Advertência com Amarelo para o santista. O árbitro foi salvo pelo VAR neste lance.

– O Segundo Amarelo para Pituca: se fosse mais experiente, o jovem evitaria a expulsão por retardamento da partida. Ali, foi bobeada do atleta do Santos por não saber fazer cera.

O pênalti aos 51m por suposta mão de Vinícius Baliero (SFC) (ex-Vinícius Paulinho, capitão do time do Paulista de Jundiaí na Copa SP, excluído pelo episódio do “Gato”): ali é lance totalmente involuntário, não tem o que inventar – tanto é que demorou-se para tomar uma decisão. Com tanto tempo, parece que existia a preocupação em evidenciar a intenção da mão e não se conseguia!

Enfim: o Santos tem o que reclamar, especialmente no final do jogo. Mas dois dos lances reclamados, não (um conserto do VAR e outro infantilidade do jogador).

Lembrando que Benitez foi suspenso por mal uso do VAR em seu país. Confira aqui: https://correio.rac.com.br/_conteudo/2020/11/esportes/1024542-jogo-do-brasil-sera-apitado-por-arbitro-paraguaio-punido.html.

– Fortaleza 0x0 SCCP: explicado o pênalti não marcado contra o Corinthians e a expulsão de Jô

Dois lances polêmicos agitaram o jogo entre Fortaleza x Corinthians. Vamos lá:

Aos 57m, o lance de Felipe (FOR) em Gabriel (COR): o atleta do Corinthians é obstruído pelo seu marcador. Se fora da área, falta sem aplicação de cartão; dentro da área, pênalti. O árbitro Bráulio da Silva Machado não marcou mesmo com auxílio do VAR, e ali, tenho uma convicção: a forma como Gabriel caiu (parecia ter sido “atropelado” / agredido) iludiu o juizão que errou na sua interpretação.

Aos 79m, a expulsão de Jô: esse lance é muito confuso. Ele realmente tentou agredir seu adversário? Se foi isso, é Cartão Vermelho e se enquadra em “tentar ou dar um golpe em seu oponente” (a tentativa e a consumação tem o mesmo peso para a regra). Mas aqui, creio que a orientação de Leonardo Gaciba (chefe dos árbitros da CBF) no começo do Brasileirão aos árbitros, foi mais relevante para a decisão de Bráulio: foi pedido para que se puna com rigor lances de “braços armados”, “tentativas de disputas de bola com as mãos abertas (risco de tapas) ou fechadas (risco de socos)” e qualquer “lance que seja mais violento e leve ao risco de agressão”.

– O pênalti reclamado em Bahia 1×3 SPFC

Vi agora o lance reclamado do goleiro Thiago Volpi em Bahia 1×3 São Paulo. É pênalti por imprudência, sem mostrar cartão.

Na regra, é a situação onde não se quer atingir um adversário mas atinge pela forma que se atirou na bola (diferente de casualidade, onde é acidente de trabalho).

Fábio Costa (lembram dele?) fazia algo diferente, caracterizado por serem lances temerários (ele jogava o joelho pra frente para que ninguém disputasse a bola com ele). Todos lances infracionais.

Portanto, em Salvador, errou o árbitro.

– Didaticamente, explicando o Erro de Direito em Ceará 1×1 São Paulo.

Para que não existam dúvidas, em vídeo, a explicação do erro ocorrido na anulação do gol de Pablo, cujo lance pode resultar em anulação do jogo.

Em: https://www.youtube.com/watch?v=6dbQ9HYRItQ

– O pênalti inexistente em Coritiba 0x1 Corinthians

Quando falamos de subjetividade na interpretação da Regra do Jogo, damo-nos ao “luxo” de criar várias hipóteses para explicar certas situações. Mas em alguns não precisam de tanta “lenga-lenga”, pois são mais objetivos!

Por exemplo: a bola que Lucas Piton (SCCP) chuta para o gol e bate sem querer no braço de Maílton (Coritiba). Ali, não há intenção, não há movimento antinatural ou intenção disfarçada, não há tentativa de ludibriar a regra nem desejo de aumentar o espaço, nem qualquer coisa que possa justificar a marcação. Bateu por ocasião da jogada, simplesmente. Como tirar o braço da disputa num movimento fisiológico normal em distância tão curta?

O experiente árbitro Leandro Pedro Vuaden, que não marcou nada naquele instante, chamado pelo VAR mudou de ideia e marcou pênalti. Errou feio.

O legal seria que depois do jogo tivéssemos uma palavra da arbitragem: por quê marcou? Qual a justificativa?

Pense: e se fosse esse lance contra Corinthians, Flamengo, Palmeiras, São Paulo…?

– Desvio tira impedimento? Sobre o Erro de Direito em Ceará 1×1 São Paulo: qual será a desculpa do árbitro?

Pelo Campeonato Brasileiro, tivemos um Erro de Direito que poderá levar (caso o São Paulo deseje) a uma anulação da partida. Entenda:

  • Erro de Fato: o árbitro interpretou equivocadamente o lance e errou (como uma falta marcada ou não). Não anula uma partida.
  • Erro de Direito: o árbitro descumpriu a Regra do Jogo (permitiu que jogasse com 12, por exemplo). Pode anular a partida.

O que aconteceu foi: Wagner Magalhães (o mesmo árbitro FIFA do polêmico pênalti de Lucas Piton em América-MG x Corinthians), anulou um gol depois de ter reiniciado a partida. Não pode. Depois de cobrado um tiro livre ou penal, um arremesso lateral, escanteio, tiro de meta, bola ao chão ou chute de início / reinício de jogo, você não pode mais mudar sua decisão. E Wagner mudou!

O lance em questão foi o “duplo impedimento” de Pablo. A bola foi chutada para o gol, Pablo estava em posição de impedimento mas há um zagueiro que a intercepta (antes, desvio não tirava impedimento; hoje, desvio de adversário que tenta disputar a bola / jogada, tira). Assim, Pablo recebeu em posição legal por conta deste toque. Na sequência, há um bate-rebate e Pablo volta a ficar em impedimento, pegando o rebote do goleiro e chutando para o gol (rebote de goleiro NÃO TIRA IMPEDIMENTO).*

CORREÇÃO: PABLO ESTÁ, NESTE SEGUNDO LANCE, ATRÁS DE DOIS DEFENSORES – não está em impedimento.

O bandeira Silbert Faria Sisquim anula corretamente o gol. O árbitro marca impedimento. Mas o VAR Carlos Eduardo Nunes Braga o chama e diz que o gol foi válido (provavelmente, o árbitro de vídeo deve ter se apegado ao 1o impedimento, que havia se tornado um lance legal, e não ao 2o, ilegal – conforme corrigido acima, legal). Wagner confirma o gol e dá o reinício. É NÍTIDO que apitou a saída de bola, mas o pára na sequência e volta a consultar o VAR, anulando o tento.

A desculpa do juizão será: “Eu apitei pedindo para esperar a minha consulta à cabine, não para o reinício”.

Resta saber: a CBF convencerá o SPFC, por falta de datas, a desistir de pedir a anulação?

Lembrando ainda: independente do gol ser regular ou irregular, não poderia ser anulado da forma que foi, descumprindo a regra. O árbitro é da FIFA e sabe que não pode…

– Os 3 erros da Arbitragem reclamados em Corinthians 0x0 Grêmio: com ou sem razão?

Andrés Sanches disse nesse domingo que vetará o árbitro Caio Max Augusto Vieira dos próximos jogos do Corinthians, devido à sua atuação na Arena NeoQuímica. Provavelmente conseguirá, mas ainda me resta uma dúvida: ele não se licenciou do Timão?

Dito isso, vamos lá: Caio Max é potiguar, tem 38 anos de idade, é professor de Educação Física (por isso corre bastante dentro de campo, é uma virtude sua), e está na 9a temporada no quadro da CBF. Sempre tem oportunidades na série A do Brasileirão, e frequentemente recebe alguma reclamação de erro pontual em suas partidas. Por ter começado jovem, acreditava-se que o tempo iria melhorá-lo, mas mesmo com a sequência de escalas que está tendo neste ano, não evoluiu a contento, já que nos jogos que eu assisto dele, não vejo transmitir segurança aos atletas.

Em Itaquera, 3 discussões mais fortes:

1- Darlan (GRE) levou corretamente Cartão Amarelo por uma falta em Cantillo (SCCP) aos 16 minutos. Três minutos depois, acertou Otero (SCCP) por trás com a mesma intensidade. Era para aplicar o Segundo Amarelo e consequentemente expulsar o gremista, mas não o fez. Renato Gaúcho, espertamente, sacou o jogador antes que existisse um “arrependimento” mais tarde. Aqui, a impressão que eu tive é que faltou “peito” para o árbitro. Trocando em miúdos: amarelou, no jargão popular!

2- Marllon (SCCP) acertou Matheus Henrique (GRE) aos 26 minutos com uma solada frontal. É indiscutivelmente para Expulsão, só que Caio deu Amarelo. Ao ver o sangramento do jogador da equipe gaúcha, mudou para Cartão Vermelho. Acertou por linhas tortas! Mas ao ir ver novamente o lance via VAR, mostrou que tinha se perdido… teria uma 3a opinião ao buscar a imagem? Mudaria para Amarelo o que houvera mudado de Amarelo para Vermelho? Neste momento, perdeu o controle da partida por se mostrar vacilante.

3- Otero (SCCP), que já tinha Cartão Amarelo, atingiu Luiz Fernando (GRE) de maneira temerária, merecendo receber a segunda advertência e por conta disso ser expulso (como foi) aos 65 minutos. Tudo estaria em ordem se não fosse o fato da jogada ter sido precedida por uma falta de Orejuella (GRE) justamente em Otero! Aí não há como defender o acerto…

Enfim: Leonardo Gaciba, chefe dos árbitros da CBF, terá mais trabalho nesta semana que se inicia.