– Um negócio da China? Talvez sim, talvez não…

Agora que se definiu a permanência de Hikmat Derbas, que representava a Kah Sports e que será um dos diretores do Paulista FC a convite do presidente Rogério Levada (devido ao seu importante trabalho na campanha de 2019), que também se tem apalavrada a permanência do treinador Edson Fio (Luís Müller era o plano B caso não se acertasse com o técnico), e que se sabe que a Fut-Talentos permanecerá até a Copa SP e realizará o trabalho na base, resta perguntar: de onde poderão vir os recursos financeiros para o time profissional da A3?

É claro que a expertise da nova diretoria contará muito, seja na contratação de atletas ou na vinda de patrocinadores para alavancar as receitas. Mas uma das possibilidades ventiladas nos últimos dias era (ou ainda é) a do Grupo Figer assumir o departamento profissional, em regime de parceria.

Mas quem é ele?

O Grupo esteve no Londrina no começo do Brasileirão da Série B, mas devido a desavenças com os parceiros locais “tirou o pé” (e, como visto, a campanha do time paranaense degringolou).

A título de curiosidade, quem seria (ou será, pois ainda poderá ser uma possibilidade – levantada anteriormente por Rivelino Teixeira, Adilson Freddo e Thiago Batista Olim) a pessoa responsável dos Figer, o elo entre eles e o Paulista?

É uma jovem, extremamente respeitada no meio: Stephanie Figer, que pode ajudar a definir o futuro do Galo em 2020.

Conheça a competente negociadora e agente de atletas, neta daquele que foi um dos maiores empresários de jogadores do Brasil durante os anos 90 (se não o maior) Juan Figer, que especulava-se (ou ainda especula-se) até mesmo trazer para Jundiaí recursos do Shangai SIPG (o time de Hulk, Oscar e Elkeson) através do Grupo Figer.

(Acima: destaco que está no CONDICIONAL, pois um negócio, para ser bom, deve agradar a todos)

Em: https://www.espn.com.br/espnw/artigo/_/id/5591720/mulheres-no-futebol-a-agente-stephanie-figer-revela-como-enfrenta-os-olhares-de-desconfian%C3%A7a-em-um-dos-meios-mais-masculinos-do-esporte

MULHERES NO FUTEBOL

Por Tathiana Diniz

O futebol sempre esteve presente na vida de Stephanie Figer, mas de uma forma diferente. Enquanto outras meninas comemoravam gols do time de coração, ela vibrava quando o pai e o avô negociavam a venda de um craque para um clube europeu.

Neta de Juan Figer e filha de Marcel Figer, dois dos agentes de futebol mais influentes da América do Sul, Stephanie nunca torceu por um time, mas pelos bons negócios fora de campo. Com 21 anos, deixou de ser a menina que admirava o trabalho do pai e do avô para se juntar a eles.

Hoje, aos 29, é Diretora Executiva de Operações do Grupo Figer, uma das principais empresas de agenciamento de jogadores do país.

Em entrevista ao espnW, ela contou como é gerenciar a carreira (e um pouco da vida) de grandes ídolos do futebol e falou sobre a singularidade de ser mulher em um universo historicamente masculino.

O futebol como trabalho

Desde menina, Stephanie convivia com atletas e diretores. Por ver o futebol inserido na rotina da casa, ela não mensurava a grandiosidade do que a família fazia.

“Na adolescência eu ouvia meus amigos falando ‘você é parente do Juan Figer? Nossa, ele levou um jogador do meu time’. Então eu comecei a perceber que o que eles faziam era uma coisa reconhecida e relevante”, conta.

Quando relata a sua trajetória, Stephanie demonstra que os ídolos que teve (e ainda tem) no esporte são mesmo o pai e o avô. “Nunca fui incentivada a torcer para um clube. Eu enxergava o futebol como um trabalho, o negócio da vida da minha família”.

Valsa com Kaká

Um episódio da adolescência da executiva ilustra bem esse distanciamento. Quando fez 12 anos e passou pelo bar-mitzvá (cerimônia judaica que marca a transição de meninos e meninas para a vida adulta), Stephanie ganhou do pai uma festa e um presente especial: ele levou Kaká – ídolo de 10 entre 10 adolescentes da época – para dançar com a filha.

Ao relembrar a história, ela não dá nenhum sinal de deslumbramento. Aliás, deixa transparecer até um certo constrangimento. “Admiro muito o Kaká, mas hoje eu penso ‘nossa, acho que eu não teria dançado. Muito fanzinha, é engraçado’”, diz, aos risos.

Paixão por negociar

Quem pensa que o trabalho de um agente se resume a negociar contratos para os jogadores está enganado. A lista de tarefas do dia a dia de Stephanie é longa. Ela não só faz a intermediação entre atletas e clubes como dá suporte ao jogador e à família dele, antes e depois da assinatura do contrato.

O trabalho inclui atender a pedidos dos clubes por novos talentos, analisar valores dos contratos, acompanhar a evolução dos atletas, buscar patrocínios e até ajudar a resolver problemas da vida pessoal do atleta.

“Muitas vezes, representamos jogadores que nunca saíram do Brasil. Quando ele é negociado para um clube de outro país, ou mesmo de outro estado, isso gera insegurança e ansiedade na família”, conta Stephanie.

“Uma das minhas tarefas é conversar e explicar como vai funcionar a mudança, o suporte que a gente vai dar e que o clube vai dar e como a gente projeta a evolução do jogador de acordo com aquela oportunidade”, completa a executiva.

Stephanie ama negociar. Lidar com a disputa entre clubes por um jogador e com a expectativa do atleta pelo desfecho da disputa é o que faz os olhos dela brilharem. No entanto, ela admite que, às vezes, atua mais como “babá” do que como negociadora.

“Eu ajudo o irmão que precisa tirar visto para ir morar com o jogador, converso com a mãe quando precisamos reestruturar uma oportunidade que deu errado, acompanho em viagens, cuido de muitos detalhes”.

‘Quero gerir a carreira de grandes atletas femininas’

Stephanie representa atletas como Junior Urso (Corinthians), Marlos (Shakhtar) e Gabriel Brazão (Parma Calcio), mas nunca trabalhou com atletas mulheres. Ela explica por que.

“Estamos em um momento de observação e captação. Financeiramente, ainda não compensa, mas hoje encaro como uma obrigação. Com certeza vou dedicar meu tempo para gerir a carreira de grandes atletas femininas”, garante.

Ela pretende ainda usar a experiência adquirida com os jogadores para ajudar as atletas do feminino a evitar problemas relacionados à regulamentação da profissão. A executiva avalia que o futebol feminino vai crescer depois da Copa do Mundo da França e vê com bons olhos a lei que obriga os clubes brasileiros a manterem times femininos.

“Não tenho dúvida de que daqui a poucos anos vamos ter muitas jogadoras para trabalhar”, prevê.

“Dúvida e sarcasmo não me afetam”

Uma das poucas mulheres a ocupar a função de agente no Brasil, Stephanie usa o jogo de cintura que desenvolveu negociando contratos para driblar o machismo ainda presente no meio.

“Já enfrentei muitos olhares de dúvida e sarcasmo, como se quisessem me testar. Aquela cara de ‘é sério que vou ter que falar com você sobre isso?’. Mas meu avô me ensinou muito a negociar e é isso que eu faço. Ignoro, começo a conversar e mostro que entendo do que eu faço”, diz.

Stephanie conta que já perdeu jogadores porque as famílias preferiam ver um homem comandando a negociação. Por outro lado, fechou negócios por conquistar a confiança das mães dos atletas.

“Prefiro reconhecer o melhor de ser mulher nesse momento do que ficar dando volume excessivo para coisas pequenas. A gente tem o nosso espaço e vão ter que falar com a gente”.

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Lugano, Stephanie e Thiago Ribeiro

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