– A Previdência não pode ser encarada como algo para manter padrão de vida!

Eu e meus primos começamos a trabalhar muito cedo, incentivados pelos nossos pais e tios. Aos 12 anos, já tínhamos carteira assinada e cumpríamos rigorosamente os horários e obrigações (e nunca isso fez mal).

Nas regras da época, nós poderíamos nos aposentar com 47 anos de idade, e com a média salarial dos últimos 3 anos pagos ao antigo INPS sobre o teto de 10 salários mínimos.

Isso mudou! Não poderei mais aposentar nessa idade e nem contribuir com o valor citado. Ainda bem que não quero parar de trabalhar…

Porém, algo importante: os valores recebidos por um aposentado não podem ser encarados como continuação de renda de quando trabalhava, mas um valor para sustento das necessidades básicas.

Sabemos que a Previdência Social está quebradae isso é culpa de TODOS os últimos ex-presidentes, pois Fernando Henrique Cardoso e Lula defenderam a Reforma da mesma de maneira parecida, e na hora de tentar aprová-las, tiveram medo da repercussão e jogaram a bomba para frente, arrebentando ainda mais com as finanças. Aliás, vide os discursos antigos no Google: tanto o tucano quanto o petista sabiam da realidade trágica e queriam fazer as mudanças – sem no fundo abrir mão dos privilégios e da popularidade da época.

Mas em consonância com o entendimento do que é “aposentadoria”, ouvi a fala de alguém que está trabalhando nesse processo, Bruno Bianco, que disse:

“A aposentadoria não é para manter o padrão de vida, mas é para sustentar a pessoa.”

Bruno Bianco Leal é secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho; funcionário público de carreira e que trabalhou nos Governos FHC, Lula, Dilma, Temer e agora no atual de Bolsonaro. Ele próprio confirmou que tanto PSDB e PT, enquanto Governo, tentaram e trabalharam pelas propostas atuais, barradas pelos privilégios “inegociáveis” de deputados e senadores.

Enfim: no mundo inteiro, a pessoa trabalha e faz uma poupança para a velhice, e a aposentadoria é para o sustento básico. Aqui no Brasil, sabemos que não é bem assim… O problema é que, do jeito que está, não se terá dinheiro nem para pagar o básico.

Dessa forma, cortar regalias que permitem surgir aposentadorias como as de R$ 68.000,00 de FHC, de R$ 66.500,00 de Lula ou de R$ 72.000,00 de Temer (valores arredondados) é fundamental! Um político deve se submeter às mesmas regras que a população.

O problema em si é: na ânsia de não perder suas benesses, vários grupos disseminam fake news de que “ninguém vai mais aposentar” ou outras bobagens de que a Nova Previdência vai prejudicar o pobre. Nada disso! Procure informações corretas e não em panfletos de radicais contrários – e nem de radicais favoráveis. Procure com pessoas sensatas, racionais e equilibradas.

A propósito, com a mudança do perfil populacional (mais cidadãos velhos do que novos no futuro, como ocorre em muitos locais na Europa), minha própria geração corre o risco de receber calote por conta de menor número de pagadores frente ao maior de beneficiários. Dessa forma, é necessário sim aprovar as Reformas da Previdência, sem fazer demagogia.

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