– Gravíssimo: Dopping de atletas brasileiros, inclusive no Futebol?

Algo estarrecedor, se confirmado. Atletas de alto rendimento do Brasil há tempos vem praticando dopping, de difícil percepção nos exames, incluindo campeões como, inclusive, o lateral esquerdo Roberto Carlos.

Nojento, deplorável e preocupante (repito: caso seja verdade). Publicado há pouco, extraído do Blog do Juca Kfouri no UOL:

TV ALEMÃ DENUNCIA DOPING NO BRASIL, NO FUTEBOL, INCLUSIVE – 10/06/2017 15:30
A ARD, emissora alemã de TV, levou ao ar agora há pouco, 13h35 no horário brasileiro,  uma reportagem feita pela mesma equipe, comandada pelo jornalista Hajo Seppelt,  que descobriu o sistema de doping  na Rússia e que tirou os russos da Olimpíada no Rio em 2016.
A matéria acusa o médico brasileiro Júlio César Alves, de Piracicaba, de práticar métodos que seriam proibidas pelo antidoping e que envolvem atletas brasileiros de alto rendimento, inclusive o ex-lateral Roberto Carlos, campeão mundial em 2002, que se negou a dar explicações à equipe alemã de TV. O texto, em inglês, pode ser lido AQUI.
Alves já causou grande repercusão no Brasil ao conceder entrevista ao jornalista Roberto Salim, então na ESPN Brasil, como se pode ver AQUI, quando disse, entre outras afirmações gravíssimas que desnudaram a hipocrisia vigente no esporte mundial,  haver dois jogadores da Seleção de Felipão entre seus clientes, sem citar seus nomes. Agora suas práticas ganham repercusão mundial.
ATUALIZANDO – 16h34 – Jamil Chade, consagrado jornalista, postou no Estadão essa reportagem bem detalhada:

Rede clandestina alimenta doping no esporte e futebol de elite no Brasil

Emissora alemã que trouxe à tona escândalo de doping no esporte russo agora expõe situação brasileira e revela suposto doping de ex-lateral Roberto Carlos, falhas no controle, pressões do COB e abastecimento em grande escala

Com amplas falhas de controle e pressão de instituições, o doping é uma realidade do esporte brasileiro e chega até mesmo ao futebol de elite. A denúncia foi revelada pela emissora de TV alemã ARD neste sábado e aponta ainda para o suposto envolvimento de ex-jogadores da seleção como Roberto Carlos.

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Roberto Carlos, ex-lateral da seleção, estaria entre os envolvidos Foto: Tasso Marcelo/AE

De acordo com a investigação, o País não conta com um sistema de controle suficiente, o treinamento é inadequado, o abastecimento de produtos é amplo, existe pressão das instituições e a ação judicial falha.

Em 2014, a ARD revelou a forma pela qual o governo russo promovia o doping de seus atletas. Sua emissão levou o COI a banir o time de atletismo da Rússia dos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro. Desta vez, a investigação é focada no doping no futebol brasileiro e no esporte nacional.

Apresentando-se como agente estrangeira de jogadores de futebol em busca de anabolizantes, a equipe de TV entrou em contato com uma rede de abastecimento clandestina e chegou até mesmo a visitar uma fábrica de anabolizantes.

Um dos médicos que prometia fornecer o material fica em Piracicaba, Julio Cesar Alves. Ao conversar com o grupo alemão, sem saber que falava com jornalistas, ele revelou como seus produtos abasteciam jogadores, como o ex-lateral da seleção brasileira. Com uma câmera escondida, o grupo ouviu do médico ofertas por clenbuterol e orientando os clientes a deixar de tomar o produto 15 dias antes de uma competição para evitar serem pegos em um exame de doping. Alves ainda promete a eles dez doses de EPO. Na visita, o pacote de produtos saía por R$ 10,5 mil, que poderiam ser pagos em quatro vezes.

Uma das atletas pegas no doping no Brasil foi Eliane Pereira. Aos jornalistas, ela garante que não sabia o que Alves receitava e tomava acreditando que era algo legal. Mas ela admite que o médico ensinava como escapar dos testes e como teve um encontro com um “grande ídolo” da seleção brasileira no consultório do médico. Eliane, porém, se recusa a dar seu nome.

Pego numa gravação, Alves insiste que já forneceu seus produtos a dois jogadores da seleção. “Eu tratei de Roberto Carlos. Ele chegou a mim com 15 anos”, disse. De acordo com a ARD, documentos de uma investigação no Brasil também apontariam o envolvimento do ex-lateral. Mas procuradores disseram desconhecer o caso. Procurado, o ex-jogador não deu uma resposta à emissora.

IMPORTAÇÃO

De acordo com a investigação, parte dos produtos no mercado brasileiro é importada. Em Assunção, no Paraguai, o grupo de jornalistas chegou a ser levado a uma fábrica de anabolizantes. No encontro, os empresários confirmaram que vendiam anabolizantes e que seu principal mercado era o setor de futebol do Brasil, em grandes quantidades.

“Vendemos para todos os esportes, como atletismo”, disseram. “Há pessoas ainda que compram para jogadores que querem ainda atuar quando são mais velhos, entre 34 ou 35 anos ou para aqueles que tiveram alguma lesão”, explicou. Segundo o empresário, o produto é enviado para Brasil e Argentina. “Dois ou três fisioterapeutas de clubes brasileiros compram isso aqui para seus jogadores em fase de recuperação de lesões”, disse. “Em um momento que não pode ser detectado em exames de doping”, completou.

A investigação ainda aponta como as falhas nos controles seriam amplas no Brasil. Uma das investigações da WADA ocorre justamente com empresas que são terceirizadas no Brasil para realizar os testes.

Numa gravação telefônica que está de posse da WADA, uma das empresas deixa claro que o organizador de um torneio pode escolher quem ele quer testar. Ao ser questionada quem seria testado, a empresa responde: “normalmente testamos os três primeiros colocados e mais três outros. Mas você pode decidir isso”, disse.

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Grande esquema de doping teria envolvido diversos atletas do esporte e do futebol brasileiro Foto: Fabio Motta/Estadão

Entre os diversos especialistas e pessoas excluídas do controle de doping no Brasil, a ARD fala ainda com Luis Horta, ex-chefe de planejamento da ABCD e que denunciou as autoridades brasileiras por terem impedido exames fora de competições com atletas nacionais na preparação para a Olimpíada Rio-2016.

De fato, por meses, os atletas brasileiros deixaram de ser testados fora de competições e ex-responsáveis acusam o COB de fazer pressão para que os atletas não fossem examinados na preparação final para a Rio 2016. “Antes dos Jogos Olímpicos, estávamos sob pressão a não realizar testes de doping sem aviso prévio”, disse Horta. “Sob pressão do Comitê Olímpico Brasileiro”, esclareceu. “Eu percebi que eles não têm o mesmo objetivo. Eles querem medalhas, medalhas, medalhas. Limpas ou não”, atacou.

De volta ao seu país de origem (Portugal), Horta afirma não se sentir seguro no Brasil. “Existem instituições que são um estado dentro de um estado”, afirmou.

Marco Aurelio Klein, ex-responsável no Ministério do Esporte, também denuncia o abandono de parte do controle para a Rio-2016. Segundo ele, o último controle de doping sem aviso prévio ocorreu no início de julho de 2016, mais de um mês antes dos Jogos começarem. Em um ano, a ARD apurou que apenas cinco testes de surpresa foram realizados em todo o Brasil.

Klein também denuncia o fato de que as medidas que tinham sido planejadas e o treinamento feito antes da Rio-2016 foram “ignorados” no momento do evento.

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– Ajudem o Grendacc, autoridades!

Lamentável que isso esteja acontecendo: o Hospital do Grendacc, que cuida gratuitamente de crianças com câncer, pode fechar por culpa da burocracia do Ministério da Saúde!

Leia o que está acontecendo abaixo, extraído do G1:

HOSPITAL QUE PRESTA ATENDIMENTO INFANTIL GRATUITO PODE FECHAR POR FALTA DE VERBA

O Grupo em Defesa da Criança com Câncer (Grendacc) de Jundiaí (SP) oferece 16 leitos, sendo cinco de UTI e um centro cirúrgico. Em três meses de funcionamento, já foram 60 internações e 10 procedimentos. Mas este atendimento especializado pode ser interrompido por falta de dinheiro.

O Grendacc garante tratamento gratuito e melhora a qualidade de vida não só para as crianças com câncer, como também para as portadoras de doenças hematológicas, ortopedia oncológica, neurologia, nefrologia e cardiologia. O atendimento é voltado para bebês e adolescentes até 19 anos.

Para inaugurar o hospital, foram investidos R$ 3 milhões provenientes de doações na construção. O local é todo decorado para que os pequenos pacientes sintam-se em casa durante o tratamento. Entretanto, o atendimento pode parar porque um credenciamento no Ministério da Saúde – que poderia render R$ 200 mil por mês – não foi aceito.

“Nós fomos orientados, através da regional de Campinas – a qual pertencemos – a todas as meninas que deveríamos fazer para que o hospital fosse reconhecido. E realmente, tanto nós fizemos que, fomos aprovados e a própria regional enviou o nosso pedido de credenciamento ao Ministério da Saúde”, afirma Verci Bútalo, presidente do Grendacc.

Presidente do Grendacc afirma que hospital não tem caixa para bancar o déficit sem a verba federal (Foto: Reprodução/TV TEM)

Presidente do Grendacc afirma que hospital não tem caixa para bancar o déficit sem a verba federal (Foto: Reprodução/TV TEM)

Antes, o Ministério da Saúde não exigia um número mínimo de leitos para cadastrar uma UTI. Entretanto, a partir do dia 31 de março deste ano, a regra mudou. Agora são exigidos 50 leitos. Dois dias antes o Grendacc protocolou o pedido, que não foi considerado.

A presidente da entidade diz que buscou respostas, mas não obteve retorno. Vera afirma que seguiu todos os parâmetros do Governo do Estado de São Paulo para cadastrar a UTI. Caso a verba não seja obtida, o déficit mensal do Grendacc só tende a aumentar. Atualmente, a entidade arrecada em doações e parcerias R$ 800 mil e faltam mais R$ 700 mil para cobrir todas as despesas.

“Eu acredito que a gente não aguente muito tempo não, uma vez que não estamos preparados para assumir um custo tão alto”, desabafa a presidente do Grendacc.

Em nota, o Ministério da Saúde informa que, como o hospital não segue as determinações exigidas, o dinheiro não vai ser repassado para a entidade.

Rodrigo e a mãe Daiane estão preocupados com a possibilidade do fechamento do hospital em Jundiaí (Foto: Reprodução/TV TEM)

Rodrigo e a mãe Daiane estão preocupados com a possibilidade do fechamento do hospital em Jundiaí (Foto: Reprodução/TV TEM)

A auxiliar de produção Daiane Infanger, mãe do pequeno Rodrigo, de 9 anos, está preocupada com a possibilidade do hospital fechar.

“Esta noite eu praticamente nem dormi de nervoso, porque para a gente que tem os filhos aqui foi um balde de água fria”, afirma.

Rodrigo tem um tumor na perna e já ficou internado também em outros hospitais. Porém, ele afirma que o Grendacc é diferente.

“Aqui eu faço amigos, tem pessoas que me tratam bem, são bem alegres e eu gosto. Eu tenho amor por aqui. Eu perco tudo [se fechar], capaz que eu perca até a minha esperança”, afirma o paciente.