– Tudo é Culpa do Árbitro no Brasileirão 2012?

“Presidente do Náutico-PE critica árbitro ofendendo-o de ladrão. “

“Site do Botafogo-RJ publica foto do árbitro chamando-o de safado. “

“Torcida organizada do Santos diz que Neymar apanha por culpa do árbitro.”

Vem cá: tá certo que a arbitragem está em péssima fase, mas tudo é culpa do árbitro? Salário atrasado do Vasco, fase brava do Palmeiras, contusões do São Paulo… tudo deve ser culpa deles também, né?

Hoje, as câmeras de TV mostram os erros que antes poucos viam. E também os acertos! Porém, errar dá muito mais discussão do que acertar… E a cada rodada derradeira, só tendem a aumentar as queixas contra os árbitros, já que nenhum dirigente ou treinador dirá: “contratei mal”, “escalei errado” ou me “equivoquei na substituição”.

Se quando a arbitragem está bem já é fácil taxá-la de culpada, imaginem quando ela está realmente mal, como agora!

E de novo os árbitros serão bodes-expiatórios para os clubes…

– Corinthians Leva troféu Fair Play da Conmebol?

O futebol está, de fato, de pernas para o ar! E não é que o Corinthians foi agraciado pela Conmebol com o troféu Fair Play?

Piada ou não?

Para recebê-lo, a entidade deveria convidar Emerson Sheik. E para entregá-lo, que tal o zagueirão do Boca Jrs, Matías Caruzzo, aquele que foi mordido pelo corinthiano…

Acho que quem votou, não assistiu a final da Libertadores…

– Quando a Fase não ajuda… O erro de Botafogo X Corinthians

Ótimo árbitro em péssima fase, que quando não erra, erram por ele… já escrevemos isso algumas vezes para falarmos de Sandro Meira Ricci, neste 2012.

O bom árbitro, que nos 2 anos que precedeu o ingresso ao quadro da FIFA era o melhor do Brasil, foi decaindo nas suas atuações paulatinamente. Hoje, sempre acontece um erro relevante nos seus jogos. Claro que não deve ter desaprendido a apitar, mas que a fase é ruim, isso é claro.

Vejamos ontem: no Engenhão, na partida Botafogo X Corinthians, Romarinho finaliza para o gol. No rebote, Martinez sofre pênalti. Tudo ok, caso Martinez não estivesse impedido quando recebeu a infração.

Se um jogador está em impedimento ativo, o jogo deve ser paralisado. Se neste ínterim (o do soar do apito ou da percepção do árbitro de que seu assistente está com a bandeira levantada até a marcação) ocorrer uma infração, seja falta de jogo ou até mesmo uma agressão, nada está valendo. Portanto, deve-se marcar impedimento e não pênalti.

No lance, Sandro Meira Ricci não teve culpa do erro, pois foi levado a crer que Martinez estava legal na jogada pelo erro do bandeira. Assim, errou por tabela!

Já imaginaram se o botafoguense desse um carrinho violentíssimo por trás no argentino, ao invés da infração cometida e que gerou o pênalti? O atleta carioca seria expulso, e o jogo recomeçaria com tiro livre indireto A FAVOR do Botafogo (já que, apesar de não valer marcação técnica, as marcações disciplinares continuam a valer normalmente nessas situações).

A propósito, vários lances polêmicos na rodada: vide Fluminense X Náutico (disponível aqui: http://is.gd/QoTRhH) ou Ponte Preta X Vasco da Gama, com péssima atuação de Francisco Carlos Nascimento (Fifa/AL). Penso que o Cel Aristeu vai ter que trabalhar muito no seu cargo frente a CA-CBF…

Ops: não posso deixar passar batido- Jorge Nicola, em sua coluna nesta segunda-feira no Diário de São Paulo /Bom Dia, diz que a indisposição da torcida Mancha Alvi-Verde com o presidente palmeirense Arnaldo Tirone começou exatamente a partir do momento em que ele se recusou a bancar o Carnaval 2013 da agremiação… Ineditismo ou rotina na relação Dirigentes & Organizadas?

– Análise dos lances polêmicos de Figueirense X Palmeiras e Fluminense X Náutico

Dois lances polêmicos na tarde/noite de sábado, pelo Brasileirão. Vamos a eles?

1- FIGUEIRENSE X PALMEIRAS

Ontem, em Florianópolis, Marcos Assunção se prepara para cobrar uma falta. Valdívia está bem adiantado, sozinho, pulando a frente do goleiro. Assunção chuta com perfeição e a bola entra no gol. Gol válido ou inválido?

O lance pode ser assistido nesse link, com os melhores momentos do jogo, em: http://www.youtube.com/watch?v=e2E6x-thmeU

A jogada é irregular. Veja essa imagem abaixo do Livro de Regras, sobre a Regra 11 – Impedimento: aqui, se fala sobre a situação 2: “Interferir contra um adversário”.

 

 

Ela não ilustra perfeitamente a posição de Valdívia no lance de ontem?

O chileno deveria conhecer a Regra. Custa a crer que atletas famosos, bem remunerados e de equipe grande nunca se preocuparam em conhecer melhor as regras do próprio esporte no qual trabalham.

O detalhe negativo é que o bandeira Guilherme Dias Camilo, aspirante a FIFA de MG, deu o gol! Pela nítida ação de Valdívia, ficou fácil para o árbitro Wilton Sampaio chamar a responsabilidade para si e anular o lance. Parabéns a ele por tal acerto, felizmente corrigiu o erro do assistente.

Caso Valdívia tivesse ficado parado, fora da trajetória da bola, mesmo estando a frente da linha do penúltimo atleta, poderia-se considerar impedimento passivo e confirmar o gol. Mas seu comportamento foi infantil…

Duro é ouvir Marcos Assunção, brilhante jogador, e Valdívia, não tão brilhante assim, choramingando a anulação do gol com declarações de claro desconhecimento das regras. Uma pena.

2- FLUMINENSE X NÁUTICO

Aos 42m do segundo tempo, uma bola é lançada na área de defesa do Fluminense, após cobrança de falta. Kim tenta cabeceá-la; porém, o zagueiro Gum o atropela no ar, desequilibrando-o e cometendo pênalti, não marcado.

Repare na imagem que o árbitro Pablo dos Santos Alves (asp-FIFA/ES) está se aproximando do lance, próximo ao bololô de atletas formado, e não tem certeza da infração ou não. Porém, o lance é na cara do árbitro assistente adicional 2 (AAA) Leandro Bizzio Marinho/SP. Fica a dúvida: ele nada informou ao árbitro ou houve a informação e o árbitro se omitiu?

O lance está aos 08’50” dos melhores momentos do compacto do Globoesporte.com, em:  http://is.gd/YXAJqf

Errar tal lance a 1 minuto de jogo, dá para correr atrás do prejuízo. Mas aos 42m do segundo tempo, é erro decisivo…

Um comentário a mais: os dois AAAs dessa partida (o outro foi Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, árbitro que apitou na semana passada Palmeiras X Corinthians) estavam de calça e blusa. Em alguns jogos, os AAA estão de agasalho; em outros, devidamente uniformizados. Que tal regular melhor esta questão?

Outra coisa: tal desconforto é o do uso da camisa amarela dos árbitros em jogos do Palmeiras quando o alviverde usa o verde-limão. Na TV, o árbitro some em campo, se confundindo com atletas palmeirenses. A CA-CBF deveria combinar com a fornecedora de material esportivo novas cores de uniformes e dar mais opções.

– E quando o Árbitro leva um carrinho em campo?

E se o árbitro sofrer um carrinho de um jogador?

Normalmente, leva bronca se for involuntário. Amarelo se for temerário. Vermelho se for com força excessiva. Mas não leva nada se for casualidade.

Ontem, na Inglaterra, um árbitro sofreu um carrinho duplo. Escolheu um dos jogadores e aplicou um “cartão vermelho de mentira ao atleta”, mesmo estando no chão, caído e recebendo atendimento médico.

Hilário, e que se leve na esportiva mesmo. Veja o lance abaixo

Extraído de: http://is.gd/srmuju

ÁRBITRO LEVA CARRINHO DUPLO DE JOGADOR

O árbitro Lee Probert, da partida Wigan x Fulham, foi protagonista de um lance bizarro. Sidwell, do Fulham, e Watson, do Wigan, deram um carrinho duplo no juiz, que caiu com dores. Apesar de fazer caretas, Probert teve bom humor e deu cartão vermelho de brincadeira ao atleta do Wigan.

Veja o vídeo em: http://www.youtube.com/watch?v=gzBkxDr29oc

– Arbitragem do Brasileirão pressionada por SC: Amigos, “Pero no Mucho”.

Coisas do futebol brasileiro: Delfim Peixoto é presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF), e chefia a Seleção Brasileira para o amistoso do Escrete Canarinho em Goiânia, contra a Argentina. E mesmo ocupado em Goiás, resolveu tumultuar a Arbitragem: divulgou uma nota no site da FCF pressionando os árbitros do Campeonato Brasileiro, em “defesa dos seus filiados”.

Detalhe: o paulista Dionísio Roberto Domingues, novo secretário da CA-CBF (agora encabeçada por Aristeu Tavares), exerceu a presidência da Comissão de Árbitros de SC…

É ou não pura pressão e indelicadeza do dirigente?

Para o próximo jogo do filiado catarinense Figueirense, contra o Palmeiras, apitará Wilton Pereira Sampaio, aspirante à FIFA e que apitou a polêmica partida entre Palmeiras X Coritiba na final da Copa do Brasil.

Àqueles que gostam de “Teorias da Conspiração”, tal escala será um prato cheio… uns dirão que Marco Polo tentará salvar o Verdão, por isso tal árbitro; outros dirão que Santa Catarina apenas está se precavendo. Pura bobagem… Futebol, hoje, se ganha dentro de campo, com equipe capacitada. Time bom ganha dos adversários e de erros de árbitros (ruins, não desonestos).

Já imaginaram que incômodo seria se cada federação divulgasse uma nota assim em defesa dos seus filiados? A propósito: haverá atenção especial / desconfiança da FCF também em relação às arbitragens de árbitros filiados a ela própria?

Extraído de: http://www.fcf.com.br/

17.09.2012 FCF ATENTA AO DESEMPENHO DAS ARBITRAGENS NO CAMPEONATO BRASILEIRO

A Federação Catarinense de Futebol está monitorando atentamente o desempenho da arbitragem nas três Séries do Campeonato Brasileiro 2012, competições das quais participam os clubes catarinenses. A cada rodada que apresenta marcações controversas, com base sempre em imagens de apoio e material de repercussão em veículos de comunicação especializados, a FCF, através do Presidente Dr. Delfim Pádua Peixoto Filho, encaminha os materiais para o Presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Aristeu Leonardo Tavares, com quem estará reunido, também na presença do Presidente da CBF, José Maria Marin e Vice-Presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, em Goiânia, na próxima quarta-feira. A FCF segue atenta às arbitragens para interceder em favor de seus filiados neste aspecto tão importante para os clubes em seus objetivos dentro de campo em 2012. 

A propósito: nesta foto (do próprio site da FCF), Delfim parece mais torcedor do que chefe da delegação…

– Análise da Arbitragem de Palmeiras X Corinthians, Brasileirão, 16/09/2012

O clima pré-jogo era tenso. Mas dentro de campo, uma partida que aparentemente começou fácil, tornou-se difícil. Muito pela culpa da arbitragem em jogo confuso e pelo descontrole emocional do jogador Luan, que destoou negativamente.

A primeira impressão do jogo foi ruim: a partida começou cinco minutos atrasada. Respeito com o torcedor? Esqueçam… Tomara que esteja relatado na súmula o atraso e o motivo.

Nada de anormal acontecia no jogo. Uma trombada do corinthiano Guilherme aos 7 minutos no goleiro palmeirense Bruno e nada mais (imediatamente ao lance, imaginei se ao invés de Guilherme, fosse o ‘doce’ Emerson Sheik…).

Vamos às jogadas discutíveis?

1- Aos 17 minutos, o primeiro lance polêmico: Luan está com a posse de bola, entra na área e Wallace o empurra. O palmeirense cai e o árbitro, incontinente, marca simulação e aplica o cartão amarelo. Pênalti ou não?

Muitas vezes, o jogador abdica da continuidade do lance para tentar cavar o pênalti, e isso deve ser considerado como tentativa de ludibriar o árbitro, já que ele poderia seguir na jogada. Entretanto, o zagueiro que coloca as mãos no atacante corre o risco de ter o lance interpretado como faltoso. Especificamente nesta jogada, fica claro que Luan foi desequilibrado. Portanto, pênalti (e pênalti ‘bobo’), sem a necessidade de aplicação de cartão amarelo. Errou o árbitro, sendo equivocado o cartão amarelo.

O motivo do árbitro ter errado pode ter sido sua posição, atrás do lance (se estivesse na lateral, a visão mais aberta o ajudaria, pois fatalmente não viu o braço empurrando o jogador – é um lado cego).

2- Sobre o primeiro gol corinthiano: Numa imagem recuperada pela Sportv, mostra-se que a jogada nasceu de uma falta não-marcada em Barcos, no campo de ataque palmeirense. Na sequência desta falta aconteceu o contra-ataque do Corinthians, com gol de Romarinho. Aqui, uma observação: injusto cartão amarelo ao atacante na comemoração do gol. O atleta faz o gol e comemora próximo da bandeira do escanteio, sem provocar ninguém. Neste momento, muita reclamação capitaneada por Luan, que insiste em dizer que houve deboche contra a torcida palmeirense. Não foi nada, o corinthiano foi respeitoso e o árbitro sucumbiu à pressão de Luan. Errou duas vezes: em dar o cartão amarelo para Romarinho por atitude conveniente e por não aplicar cartão amarelo para Luan por excesso de reclamação.

3- Era evidente que Luan estava descontrolado emocionalmente, e que não terminaria no jogo. Porém, sua provável expulsão ocorreu por outro erro do árbitro: Luan e Guilherme dividem a bola, se enroscam e o árbitro entende que houve lance faltoso de Luan e lhe aplica o segundo amarelo, consequentemente expulsando-o. Não foi nada, nem falta, mas o palmeirense pagou o preço do seu desequilíbrio. No intervalo, no PPV, há a informação de que o quarto-árbitro Rodrigo Braguetto justificou a expulsão por “Luan ter chutado Guilherme.” Se realmente disse isso, enlouqueceu.

4- Aos 80 minutos, após cruzamento na área, o goleiro Cássio falha e a bola bate na mão de Guilherme, permitindo-lhe o domínio. Muita reclamação de pênalti, que é improcedente, já que, apesar do domínio, este ocorre num toque de mão totalmente de maneira involuntária. E para ser pênalti, tem que ter intenção em colocar a mão. Acertou o árbitro em nada marcar.

5- No final da partida, já com 90 minutos, Obina está no ataque, dá um tranco faltoso em Paulo André e o bandeira Rogério Pablo Zanardo ergue a bandeira, informando ao árbitro que é falta de ataque. Porém, o árbitro adicional (AAA) Antonio Rogério Batista do Prado, gesticula que a jogada deve prosseguir, não entendendo ter sido falta. Imediatamente o bandeira abaixa o instrumento e sai o gol palmeirense. Muita reclamação e o árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro vai consultar Zanardo. Depois de conversarem, o gol foi anulado.

O fato errôneo foi o bandeira abaixar o instrumento pela sinalização do AAA, não pela do árbitro, que é quem tem o poder de decisão. Quando ele abaixa a bandeira, demonstra que o árbitro não concordou com a infração informada por ele (bandeira não marca falta, mas informa o árbitro com o instrumento erguido), e que o lance deve ser prosseguir. Por vias tortas (e muito tortas), acertou na anulação.

Em suma, o jogo teve uma arbitragem confusa. Apesar do demasiado número de cartões (a maioria corretos), alguns lances, como os de Luan e de Romarinho, mostraram que o jogou pesou ao árbitro. Foi o 5º jogo dele pela série A, sendo o segundo clássico consecutivo (apitou bem Santos X São Paulo no último domingo). Seus grandes pecados foram: a dificuldade em não usar a advertência verbal com mais veemência e a não-aceitação da sua autoridade perante os jogadores. Por não ser da elite, os jogadores acabam não o respeitando tanto como outros de grande nome, como Heber, Seneme, Vuaden…

A minha grande curiosidade: e se o treinador ainda fosse Felipão? Como seria o pós-jogo?

Abaixo, o relato lance-a-lance durante a partida, através do twitter (@rafaelporcari):

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-Jogo com horário bem atrasado. Vai estar na súmula? Pagarão a multa?

-20seg e falta de Juninho em Romarinho. Tomara que não seja esse o panorama dos 90 m.

-2m, o AAA e o bandeira batem cabeça. A bola saiu ou não? Cássio fala poucas e boas contra AAA, sem razão. Bandeira não deu, mas saiu.

-3m, Assunção sofre falta e cobra rápido, armando contraataque. É isso, conhece a regra!

-5m, jogo fácil e ruim tecnicamente. Início fraco.

-7m, Se nessa trombada entre o Corinthiano 26 e o goleiro Bruno fosse o Emerson Sheik, alguém duvida que ele deixava o pé?

-15m: jogo fácil, fácil para a arbitragem. É o PAL X COR dos sonhos de qualquer árbitro. Será todo assim?

-17m: ih, rapaz! lance bobo de Wallace, Luan é inteligente, espera ser empurrado e Marcelo Ribeiro dá simulação. Eu daria pênalti, mas respeito outra interpretação. O jogador não faz força para continuar a jogada, mas sofre a infração. Marcelo Ribeiro não viu o braço do corinthiano no palmeirense e entendeu que ele se jogou.

-Fica a questão: o empurrão teve força para desequilibrar o atleta? Pra mim, sim. Infantilidade de Wallace. Tão infantil que passou batido.

-Gol do Corinthians: Romarinho comemora o gol na frente da torcida do Palmeiras. Voluntariamente ou não?

-Luan vai lá, quer tirar satisfação, enche o patová do árbitro e consegue cartão para o adversário.

-Pra mim: Romarinho não foi provocar ninguém. E se tivesse peito, Marcelo deveria dar o segundo amarelo para o Luan.

-O jogo esquenta, o árbitro tem que estar atento e se o Narciso não tirar o Luan, será expulso.

-25’30”: acabei de twittar que o Luan poderia ser expulso…

-Luan e Guilherme Andrade NÃO FIZERAM NADA. Errou Marcelo Ap Ribeiro.

-27m: Que pena. Marcelo Ap Ribeiro sente a pressão do jogo. A partida começou fácil demais para ser verdade. E com pesar, o árbitro a tornou difícil.

-30m: O cartão amarelo ao Barcos na falta em seu campo de defesa foi exagerado. É para dizer que está “tomando conta” do jogo.

-31m, Martinez faz falta mais forte em João Vitor. Amarelo bem aplicado.

-33m: Cássio recebe cartão amarelo por retardamento… Se fizer de novo, terá peito para expulsar?

-35m: Arthur recebe amarelo após falta no adversário na lateral. Mas não foi pela força, e sim pela reincidência.

-41m: Danilo faz falta simples em Valdívia, que desmorona. Parece ter sido atropelado por uma Catterpillar. Exagerou.

-47m: falta de Fábio Santos em Arthur, não precisa de cartão, acertou. Agora, todo mundo quer cartão para adversário.

-Sportv recupera imagem no intervalo: gol do Corinthians nasceu de uma jogada faltosa sobre Barcos… xi… vai dar chiadeira.

-Começa o 2º tempo. Imagine se o treinador ainda fosse o Felipão?

-TV diz que Rodrigo Braguetto falou: “Luan foi expulso por chutar Guilherme no lance da expulsão”.  Não foi nada disso…

-46m: Ralf faz falta em Arthur, amarelo bem aplicado.

-50m: irrita ver Valdívia no chão, de novo. Não pára em pé!

-53m: gol legal de Paulinho. Nada de irregular.

-54m: falta de Juninho em Ralf. Apesar da queda feia, falta normal. Bem marcada.

-64m: João Vitor ergueu o pé demais em Romarinho. Falta, tudo ok.

-68m: falta de Danilo no zagueiro palmeirense, amarelo.

-69m: Valdívia no chão de novo…

-76m: impedimento do ataque palmeirense bem marcado, bandeiras estão bem.

-77m: falta de Obina, ok.

-80m: na furada do Cássio, a bola bate involuntariamente na mão de Guilherme, permitindo o domínio. Não é pênalti.

-82: outra falta de Obina, amarelo bem aplicado.

-85m: esse impedimento na volta do lateral é demonstração de burrice do jogador. Na várzea, dá para aceitar. Mas no profissional…

-90m: O bandeira marcou falta de ataque do Obina em Paulo André; árbitro adicional mandou seguir e o assistente abaixou o instrumento. Saiu o gol. Marcelo deu o gol e voltou atrás. Circo total.

-Por vias tortas, o gol foi bem anulado. Mas da maneira mais confusa e atrapalhada possível.

-92m: Cartão Amarelo para Guilherme e fim de jogo. Ufa, até que enfim. Perdi a conta dos Amarelos!

– Como os Árbitros de Futebol são vistos pelas diversas pessoas!

Criatividade que não ofende e mostra a realidade. Veja que bacana:

– O Anúncio na Porta da CBF: “Procura-se FIFA”. Há vagas!

O esperado aconteceu: Evandro Rogério Roman, por motivos particulares, pediu dispensa do quadro de árbitros e perdeu o escudo Fifa, já que não fez os testes físicos. Problemas de saúde na família, intensa carga de trabalho na Secretaria de Esportes do Paraná e dificuldades de agenda. Com esse cenário, conciliar a dura rotina da arbitragem de futebol tornou-se inviável.

Uma pena. Roman surgiu muito bem, passou por uma fase difícil de arbitragens ruins e no último ano teve um segundo semestre excepcional.

Agora, a corrida pelo escudo FIFA que está sobrando será bem disputada. Em qual nome você aposta?

Aliás: a escolha será por critérios técnicos ou políticos?

Fica a dúvida e vale aguardar!

– Análise da Arbitragem de Atlético Mineiro X São Paulo

Bom jogador às vezes tem seus dias de “pereba”. Bom árbitro também pode viver má fase na carreira.

O problema é que o bom atleta tem a simpatia da sua torcida. Já o bom árbitro…

Sandro Meira Ricci, árbitro de FIFA de muita qualidade, está numa fase ruim. Com atuações comuns no Brasileirão, tem se destacado nas últimas rodadas com deficiência técnico-disciplinar, bem diferente daquela temporada onde se destacou como aspirante e melhor do Brasil, culminando (com um ano de atraso) no escudo FIFA. Ontem, cometeu alguns equívocos na partida entre Atlético Mineiro x São Paulo. Vamos a ele?

Os erros pequenos foram o de confundir a não-marcação de lances de virilidade com faltas cavadas (em determinado momento, apitava tudo; em outro, soltava o jogo) e de se equivocar na aplicação dos cartões.

Um dos lances polêmicos: Ronaldinho Gaúcho atinge Casemiro em jogada violenta; ora, aos 4 minutos, por muito menos, Maicon recebeu Cartão Amarelo. Pelo critério adotado, seria Cartão Vermelho. Não deu. Ué, ou errou no lance do Ronaldinho ou no do Maicon!

Porém, o lance determinante: aos 25m, Douglas vai dividir a bola com Leandro Donizete. Como está em velocidade, escorrega e derruba o adversário. Nitidamente, não houve intenção em praticar a falta, embora atinja o adversário. Correr demais e não conseguir frear é um ato imprudente, e a regra manda a marcação da infração, sem aplicar cartão. Surpreendentemente, Ricci aplica o cartão vermelho, prejudicando a equipe paulista, talvez iludido com a queda do atleticano (de ponta cabeça).

Se você tem dúvida sobre a falta de Douglas, lembre-se que o árbitro deve avaliar os seguintes fatores: CASUALIDADE, IMPRUDÊNCIA, AÇÃO TEMERÁRIA ou FORÇA EXCESSIVA:

  • 1) CASUALIDADE: quando, por acaso sem ser descuido mas inevitavelmente o adversário derruba um jogador (por força da jogada, esbarrão, desequilíbrio, ou, enfim, literalmente casualidade) – independe de estar em disputa ou não de bola, em domínio do adversário ou não. Neste caso, NÃO É FALTA.
  • 2) IMPRUDÊNCIA: quando, que por descuido mas sem intenção deliberada, o jogador derruba ou impede seu adversário de jogar a bola, em lance que poderia ser evitado. Não queria fazer a falta, mas, por exemplo, perdeu o tempo da bola, escorregou, correu demais e o atingiu. É FALTA, SEM APLICAÇÃO DE CARTÃO.
  • 3) AÇÃO TEMERÁRIA: quando o adversário impede o adversário de jogar intencionalmente, como, por exemplo, indo de vontade própria contra o corpo do adversário. É FALTA COM CARTÃO AMARELO.
  • 4) FORÇA EXCESSSIVA: quando um atleta excede na força física e torna o lance violento, podendo levar o atleta a lesão. FALTA COM CARTÃO VERMELHO.

Destaque para outros dois fatos envolvendo a arbitragem no Brasileirão:

1- Às vésperas do derby Corinthians X Palmeiras, e próximo do julgamento de Emerson Sheik no STJD, o treinador Tite declarou que o Corinthians está sendo muito prejudicado pela arbitragem ao longo do Campeonato, sugerindo até mesmo erros sistemáticos. Chororô e pressão preventiva ou não?

2- Vitor Andrade: jogou bem, marcou pelo Santos contra o Flamengo e comemorou seu gol arranacando a camisa e tomou Amarelo. Ora, o garoto de apenas 16 anos não sabia que não pode desconfigurar o uniforme? Ninguém ainda o ensinou?

A cada rodada, mais pressão acontecerá sobre os árbitros. A tolerância a erros será mínima e, sem dúvidas, serão esses os motivos culpados para todos os males dos clubes. Se acertando já são criticados, imagine errando…

– Arbitragem do Brasileirão: Uma abordagem da nova gestão!

Sou sempre favorável à mudança, quando determinada situação é insustentável e necessita de um “Choque de Gestão”.

Na arbitragem brasileira, tivemos a troca de Sérgio Correa da Silva por Aristeu Leonardo Tavares. E o que isso representou, passado alguns dias?

Para mim, a queda simbolizou uma grande força política para agradar grupos políticos. Disso, não tenho dúvida. Sérgio Correa teve inúmeras oportunidades de ser demitido e não foi; mas caiu graças a um erro do bandeira de Santos X Corinthians (curioso – Emerson cometeu um equívoco na partida, comparável a de um craque que escorrega na hora de cobrar um pênalti. Foi punido, mas na 3ª feira seguinte fez brilhante partida na Sulamericana e na última 6ª feira esteve atuando no jogo Argentina X Paraguai. Portanto, o erro foi um mero deslize, nada que pudesse desqualificar o bom assistente – apesar da gravidade do lance).

Com tantos erros contra diversas equipes, Sérgio não caiu. Mas Marin resolveu mudar justo num erro na partida de time popular no domingo as 16h!

E se o mesmo erro ocorresse num jogo entre Atlético-GO X Figueirense-SC, às 22h, numa quinta-feira? Sérgio Correia cairia?

O problema foi o populismo demagogo de Marin. Time de grande torcida em horário nobre derruba mesmo. E aí entrou Aristeu Tavares, bom nome e que agradou o eixo RJ-SP.

Na prática, o que mudou?

Aristeu declarou publicamente (vide artigos anteriores do blog para as citações – assunto já abordado) que não aproveitaria o trabalho de Sérgio Correa. Assim, retirou do quadro de árbitros aspirantes à FIFA um sergipano e outro catarinense e colocou na relação um árbitro paraense categoria CBF2 (pulou uma etapa na classificação).

Nas escalas, privilegiou os árbitros FIFA. Vide a sequência praticamente ininterrupta de alguns nomes, como Marcelo de Lima Henrique, Sandro Meira Ricci e Heber Roberto Lopes. A ideia é não fazer testes, e colocar os nomes do quadro internacional para dar a cara para bater. Porém, buscando a renovação, sempre que pode coloca um novato nas escalas em jogo teoricamente de menor importância, além de relembrar de nomes esquecidos.

Na próxima rodada, por exemplo, teremos Rodrigo Braguetto no jogo Corinthians X Ponte Preta. Curioso que este bom árbitro não tem uma sequência de jogos na Série A, e quando volta a cena, apita um jogo envolvendo mesmas equipes que apitou no Paulistão e que na época foi polêmico.

(sobre o histórico do jogo citado, em: http://pergunteaoarbitro.blog.terra.com.br/2012/04/22/corinthians-2-x-3-ponte-preta-o-lance-de-douglas-x-caja/)

Não dava para sortear outro jogo para o árbitro?

Nesta nova fase da arbitragem, destaque para o árbitro gaúcho Márcio Chagas, que tem sido sorteado frequentemente em jogos de equipes paulistas (estará nesta feita na Vila Belmiro) e Wilton Sampaio, que apesar da atuação ruim na final da Copa do Brasil, é o mais forte candidato ao escudo FIFA, já que Evandro Roman não realizou os testes físicos e seu escudo está em disputa.

Por fim, Aristeu anunciou que Leandro Vuaden e Marcelo van Gassen são os nomes de espera para a Copa 2014, caso Seneme ou seus assistentes venham a falhar.

Não se pode negar que o novo comandante não esteja agindo às claras. Mas que politicamente ele está se saindo melhor do que o Sérgio Correa, de fato parece estar. Vejamos se mantém também o bom desempenho técnico dos árbitros como tem sido neste seu pequeno período de trabalho.

É, de fato, um choque de gestão. Dará certo? Para o bem da arbitragem, tomara que sim.

– Dia do Árbitro de Futebol…

… e também do de vôlei, basquete, críquete, pólo-aquático… É dia do Árbitro Esportivo!

Orgulho-me de estar incluído nesta lista. Afinal, uma vez árbitro, sempre árbitro!

Feliz 11 de setembro, nosso dia! Que tenhamos o que comemorar e que nessa data nossas mamães sejam poupadas.

– Trabalho Antigo Descartado

Em entrevista ao jornalista Marcelo Damato ao diário esportivo Lance, na edição de domingo (09/09/2012), o novo presidente da Comissão de Arbitragem da CBF Aristeu Tavares, quando questionado sobre o que seria aproveitado do trabalho de renovação da gestão de Sérgio Correa da Silva, antigo presidente, respondeu se forma extremamente incisiva:

Basicamente, nada. Vamos fazer de acordo com nossa observação”.

Parece que tudo o que foi feito por Sérgio Correa não é de agrado do Aristeu. E, confesso, acho bom isso. Na Administração de Empresas, chamamos isso de “Choque de Gestão.

Pelo visto, teremos oxigenação no quadro e nas ideias. Bom sinal!

– Vuaden à Espera de um Tropeço

Passou batido e não repercutiu, mas é importante: o novo chefe da Comissão de Árbitros Aristeu Tavares declarou na última 3ª feira, após a divulgação do novo Ranking dos FIFA e novos nomes dos Aspirantes, que está definido o árbitro que substituirá Wilson Luís Seneme na Copa de 2014, caso ocorra algum contratempo: será Leandro Pedro Vuaden.

Claro que o gaúcho não está torcendo contra. E vale ressaltar que tal clareza evita ansiedade excessiva de outros árbitros e especulações. Ponto para Aristeu.

Sobre a escolha: bom nome, assim como seria o de Heber, PC ou Sandro Ricci. Lamento apenas pelo amigo Paulo César, que mesmo sendo o FIFA mais antigo do quadro, evidentemente sai atrás para uma vaga à Copa da Rússia, já que fica preterido como substituto em 2014.

A propósito, o bandeira substituto também está escolhido: Marcelo Van Gassen, de SP.

 

– Dirigente pernambucano coloca pressão Pré-Jogo sobre a arbitragem de Palmeiras X Sport

O jogo é 5ª feira, mas a pressão já começou: o polêmico dirigente do Sport-PE, Guilherme Beltrão, declara que a nova Comissão de Arbitragem favorece os clubes grandes. E sugestiona que o Palmeiras pode ser favorecido. Disse ele:

Gostaria que o Brasil inteiro ficasse de olho no juiz nessa partida. A nova arbitragem da CBF continua favorecendo os grandes. O Palmeiras é o time do Marco Polo Del Nero (vice regional da CBF). E time grande em desespero apela para todas as armas”(blog do Perrone – UOL).

O dirigente pode colocar em dúvida o campeonato e sair sem punição?

Para a partida em questão (Palmeiras X Sport), o árbitro será o carioca Marcelo de Lima Henrique.

– CBF Divulga a Lista dos Melhores Árbitros do Brasil. Você concorda com ela?

E o Coronel Aristeu Tavares começou a trabalhar! Resolveu mudar alguns aspirantes à FIFA e divulgou a lista, em sequência, dos melhores árbitros brasileiros desta temporada.

Assim, o no. 1 do Brasil é Wilson Luís Seneme, árbitro brasileiro selecionado para a Copa de 2014. Veja a relação completa:

  1. Wilson Luís Seneme – SP
  2. Leandro Pedro Vuaden – RS
  3. Heber Roberto Lopes– PR
  4. Sandro Meira Ricci – PE
  5. Paulo César de Oliveira – SP
  6. Marcelo de Lima Henrique – RJ
  7. Péricles Bassols – RJ
  8. Ricardo Marques Ribeiro – MG
  9. Francisco Carlos do Nascimento – AL
  10. Evandro Rogério Roman – PR

Já os aspirantes, candidatos ao escudo FIFA 2013 (se ocorrer troca), são:

11- Wilton Pereira Sampaio – GO

12- Luís Flávio de Oliveira – SP

13- Wagner Reway – MT

14- Márcio Chagas – RS

15- Guilherme Cereta – SP

16- Pablo dos Santos Alves – ES

17- Dewson Fernando Silva – PA

18- Felipe Gomes – RJ

E aí: concorda com a CBF? Na sua opinião, são estes os melhores do Brasil, pela ordem apresentada?

– Tecnologia no Futebol: Ela já está presente entre nós! Isso é bom ou ruim?

Disfarçadamente, à paisana, discreta e atuante. Eis que a tecnologia para o uso dos árbitros nas partidas de futebol se fez presente na última semana, na série B do Campeonato Brasileiro!

É claro que ninguém vai assumir que a usou, pois, afinal, ela é proibida pelas Regras do Jogo. Mas a tecnologia audio-visual salvou dois erros graves na semana passada. Sua utilização foi notória, embora oficialmente foi negada. Vamos aos lances?

Jogo 1 – Na 3ª feira, Francisco Carlos Nascimento apitou Atlético Paranaense X Joinvile. Infração fora da área, mas o árbitro se equivoca e marca pênalti. Reclamações pela marcação, mas que de nada adiantaram. Atleta posicionado, bandeirinha no local apropriado para a cobrança de pênalti e… eis que o 4º árbitro cochicha algo no ouvido da assistente, que não permite a cobrança e avisa o árbitro. Num lampejo, o pênalti é desmarcado e se remarca a infração como falta fora da área. Será que o quarto-árbitro, de onde costuma se posicionar, teve olhos de lince e salvou o lance?

Jogo 2 – Na 6ª feira, Rodrigo Nunes de Sá apitou Criciúma X Bragantino. No final do jogo, após cobrança de escanteio, a equipe catarinense chuta para o gol e fica a dúvida: a bola entrou ou não? O bandeira não dá o tento, o árbitro fica observando e deixa o jogo seguir. De repente, no meio de campo e com o jogo correndo, tudo muda! O árbitro aponta o centro do gramado e dá gol, bem atrasado. Se pela comunicação visual, na hora do lance, fica nítido que árbitro e bandeira nada marcaram, como é que passado algum tempo se muda de opinião? O cérebro demorou para raciocinar ou houve comunicação extra-campo? Importante: a validação com atraso é válida pois o jogo não houvera sido reiniciado com qualquer outra marcação nesse ínterim.

Santa tecnologia… Para fins de validação das partidas, é dito que não houve auxílio de imagem da TV. Mas e se tivesse existido? Dois erros crassos foram evitados pela tecnologia, salvando o futebol de injustiças maiores.

Reitero: a regra não permite tais recursos. Mas nesse caso, deveria aceitar o uso da tecnologia! Não são todos os lances em que o futebol poderia se beneficiar dela, pela dinâmica do jogo, devido a complexidade de situações e pelas próprias Regras se readaptarem. Mas nas possíveis, não vejo mal algum, pois só traz benefícios.

Eu sou a favor da introdução de recursos de tecnologia de ponta no futebol, de forma moderada. E você?

Deixe seu comentário:

 

– Autoridade, Autoritarismo e Respeitabilidade na Arbitragem

Na sociedade, em todos os setores, não basta ser bom profissionalmente. Tem que parecer ser bom! Se mostrar competência e, principalmente, demonstrar confiabilidade (valores fundamentais para o sucesso de qualquer atividade), o resto se torna mais fácil.

Digo isso pelas arbitragens do Campeonato Brasileiro. Há uma clara postura diferente de árbitros quanto à demonstração da autoridade em campo. E, na última rodada, tal fato ficou mais evidente.

Comparemos Wilson Luís Seneme no Internacional X Flamengo e Péricles Bassols no Corinthians X Atlético Mineiro. Ambos do quadro da FIFA e com postura diferente em campo.

Seneme demonstra a sua firmeza alicerçada na confiança que os atletas têm em sua boa atuação e histórico. Quando ordena algo em campo, o faz com autoridade que é prontamente aceita pelos jogadores. Só em olhar firme, já consegue bom comportamento.

– Péricles demonstra a sua firmeza alicerçada em cara feia e gritos esbravejantes. Quando ordena algo em campo, o faz sob os olhares duvidosos dos atletas.

Não vale dizer que o primeiro é veterano e o segundo experimenta o noviciado. Ambos tem boa rodagem. A diferença é que Seneme exerce a autoridade com respeito e serenidade, enquanto que Péricles a faz com exagerada antipatia. Ontem, no Pacaembu, ficou nítido que em certos momentos beira a arrogância o comportamento do árbitro. Não que ele seja arrogante, mas faz parecer ser.

Ora, árbitro não deve ser simpático ou complacente, mas simplesmente… árbitro! Zeloso pela Regra do Jogo, respeitoso pelos atletas que ali estão trabalhando, atento para ludibriagens e cumpridor do seu dever. E é aí que Péricles Bassols tem pecado: fazer excessivamente o papel de “malvado”, dar má resposta ou mostrar a falta de empatia. Não é necessário ‘conversar com jogador’ (já que muitos atletas reclamam que árbitro não conversa com eles – no fundo, querem a contemporização de punições disfarçada do desnecessário ‘bate-papo’), mas sim demonstrar que está seguro de suas marcações em campo. Ou será que jogador não tem a sensibilidade suficiente para perceber quando o árbitro está inseguro durante a partida, ou sente a pressão?

Jogador não é inimigo de árbitro, nem a relação inversa. O problema é ganhar o respeito! E isso só o fará mudando a postura.

Ter autoridade não é ser arrogante. Vide Seneme, PC, Heber… Se isso ocorre, até mesmo quando o árbitro acerta em lances difíceis, será contestado e até mesmo ironizado!

Por fim: após o jogo entre Corinthians X Atlético Mineiro, um jornalista perguntou ao treinador Cuca (e ao mesmo tempo criticou) o fato de um carioca apitar jogo de mineiro no Brasileirão, onde o Atlético-MG é seguido pelo Fluminense-RJ na tabela. Ora, se partirmos para esse raciocínio, não teremos mais árbitros à disposição. Se assim fosse, o Internacional, que luta com o São Paulo por uma vaga no G4, deveria reclamar da escala do paulista Seneme. Escalaremos então árbitros da Roraima, Acre, Amapá… de qualquer estado da federação que não esteja na série A, pois, em breve, todos os jogos terão interesse entre si. Ou tragamos estrangeiros ou extraterráqueos!

Que o novo comandante da CA-CBF, Aristeu Tavares, aproveite a sonda americana Curiosity, que está há pouco tempo em Marte e faça contatos por lá! Quem sabe encontre algum árbitro disponível…

E você: também acha que alguns árbitros confundem autoridade com autoritarismo? Deixe seu comentário:

– Contradições de um Tribunal de Justiça

Hoje, novamente um árbitro será julgado pelo STJD pelo fato dos membros entenderem que ao invés de Amarelo, o jogador deveria receber Vermelho.

Comentamos isso anteriormente em: http://www.redebomdia.com.br/blog/detalhe/11489/E+o+STJD+ataca+de+novo%21+Mudara+a+cor+do+cartao%3F .

A questão é: se tornará TENDÊNCIA?

Será que o STJD irá analisar todos os casos e todas as dúvidas?

Se sim, teremos 10 jogos julgados por semana, já que em TODAS as partidas sempre haverá dúvidas!

Em tempo: o árbitro Marcelo de Lima Henrique será o árbitro julgado essa noite, no mesmo horário em que estará pitando Santos X Bahia.

Covardia, não? Imagine a cabeça do árbitro apitando em Santos e sendo julgado no Rio de Janeiro…

– Análise da Arbitragem de Corinthians X São Paulo, Pacaembu, 26/08/2012

Jogo bom, e se bem apitado, é gostoso de assistir. Dá prazer de ver Wilson Luís Seneme, nosso representante para a Copa de 2014, apitando.

Nesta tarde, no Pacaembu, ótima arbitragem de Seneme e de seus assistentes Hermam Brumel Vani e Marcelo Van Gassen (que foram extremamente exigidos em lances de impedimentos – muitíssimos de Luís Fabiano – e se saíram bem).

Alguns pontos fortes: Seneme se impõe, mostra que árbitro tem que ter boa postura e não vulgariza o apito. É da linha daqueles que faz a autoridade sobrepor o desempenho físico (que, para muitos dirigentes do apito, é ainda o fator preponderante: correu mais, garantiu a escala).

Lances de árbitro diferenciado:

-Não apitou qualquer faltinha. Discerniu muito bem a falta real da falta cavada.

-Rafael Tolói & Emerson: o corinthiano entra com o pé alto na jogada em disputa de bola (infração de tiro livre indireto). Na sequência, Tolói atinge a perna erguida de Emerson. Se não tivesse ocorrido a primeira infração, seria Tiro Penal, sem aplicação de Cartão Amarelo. Seneme interpretou os dois lances como lances de toque involuntários (eu não tenho a mesma interpretação, mas entendo que não é absurdo e mesma e a respeito), tanto que nada marcou e posteriormente paralisou a partida para atendimento dos atletas, reiniciando o jogo com bola ao chão no meio de campo, onde ela estava no momento da jogada.

-Cartão Amarelo a Romarinho, por não cumprir a distância regulamentar: aqui vemos a inteligência do goleiro sãopaulino Rogério Ceni! Falta a favor do São Paulo, a barreira está a 9m15cm, porém Romarinho, embora não esteja na barreira, encontra-se a uma distância menor (lembre-se que a distância regulamentar não é só pra frente, mas para os lados e inclusive para trás – em RAIO de 9,15m). Ceni chuta exatamente em Romarinho, fazendo com que Seneme paralise a sequência, aplique o cartão Amarelo ao corinthiano e se repita a cobrança de falta. Aqui, não tenho dúvida de que Ceni conseguiu o cartão propositalmente ao adversário e que se fosse árbitro de menor categoria, a regra não seria cumprida.

É muito bom vermos uma boa arbitragem. Mas calma lá: nada em dizer de que é fruto do trabalho da nova Comissão de Arbitragem. Àqueles que ainda não viram a escala dos próximos jogos, nada mudou! São os mesmos nomes para a rodada do meio de semana. Se ocorrerem mudanças, serão todas a longo prazo.

Uma observação: no Engenhão, na partida Botafogo X Flamengo, um lance muito discutido e com acerto de Péricles Bassols: Vagner Love entra na área, está em posição de impedimento e sofre pênalti. Bassols assinala o tiro penal, percebe o bandeira com o instrumento levantado, “desmarca” o pênalti e marca o impedimento. Procedimento correto, pois o árbitro pode voltar atrás na sua decisão antes de reiniciar o jogo, e, o que vale é a primeira infração. Como Vagner Love está em impedimento ativo, o lance já fica impugnado a partir daquele momento, sendo que a marcação do pênalti não existe pois o jogo estava parado. Entretanto, se o lance é para cartão amarelo ou uma agressão para vermelho, mesmo sem a marcação do tiro penal, a advertência ou expulsão deve existir (não vale a marcação técnica, mas sim a punição disciplinar).

 

– Palmeiras 1 x 2 Santos: Se Ouviu, fez Média?

Sabe quando um árbitro “não quer se complicar” e se “preserva para veto”?

É quando recebe as mais graves ofensas e xingamentos de um técnico de futebol no intervalo, faz de conta que não ouviu, a fim de não expulsá-lo e se garantir numa futura escala, já que o treinador infrator não buscará veto em jogo futuro, já que pode criticá-lo à vontade.

Digo isso sobre um costumeiro ofensor e a um bom árbitro que, espero, não tenha feito vistas grossas: Scolari e Ceretta, respectivamente.

Segundo o repórter Márcio Spímpolo, da Rádio Jovem Pan, os mais condenáveis termos indignos foram proferidos por Luís Felipe Scolari contra a honra do árbitro Guilherme Ceretta de Lima, que nada fez.

Não assisti a cena, mas confio no relato jornalístico.

Duas hipóteses: ou Ceretta não viu e nem ouviu, mesmo com a proximidade e com o teor agressivo, ou contemporizou.

Uma pena. E depois Scolari reclama que é perseguido…

– E O STJD quer Apitar as partidas do Brasileirão!

Dias atrás, debatemos na página virtual do Bom Dia / Diário de São Paulo o abuso de uma das Comissões Disciplinares do STJD (Supremo Tribunal de Justiça Desportiva), ao punir o árbitro Heber Roberto Lopez por entender que em determinada jogada o apitador deveria dar Cartão Vermelho a um jogador, ao invés do Amarelo, como interpretou o árbitro (para quem não leu, pode ser acessado no endereço: http://is.gd/ABUSODOJUIZ)

Pois bem: se houve na oportunidade a crítica de que juízes togados estão querendo mudar as decisões dos juízes de futebol de dentro de suas salas confortáveis, dias após o jogo e sem conhecerem as regras do futebol, vemos um novo episódio: agora, o alvo está voltado para o árbitro Marcelo de Lima Henrique.

Na partida entre Flamengo X Vasco, dias atrás, o rubro-negro Adrian cometeu uma infração no seu adversário cruz-maltino Auremir. O árbitro marcou falta e aplicou Cartão Amarelo. Porém, a Procuradoria entendeu que o jogador deveria ser expulso e por isso denunciou o árbitro em 3 artigos (que se referem a deixar de cumprir as Regras do Jogo), e pode ser suspenso por 180 dias, além da multa de R$ 100.000,00!

Ora, cada um na sua: se o árbitro, que conhece as Regras do Futebol, entendeu que naquele momento, no calor da partida, a falta era para Cartão Amarelo, que seja. Se errou, quem deve puni-lo é a Comissão de Árbitros, nunca o STJD, já que os membros que formam o Tribunal são profissionais da área do Direito, e NINGUÉM deles conhece as Regras do Futebol.

Aqui, há nítido exagero. O STJD parece querer reapitar as partidas, sem que isso seja adequado!

Fica a observação: cada vez mais o futebol está recebendo interferência externa, desnecessária, inadequada e que acabará deturpando a relação Árbitro & Regras. Parece que não é para o juiz de futebol cumprir o que manda o livrinho das 17 leis do jogo, mas o que os membros do Tribunal acham mais adequado.

A FIFA deveria se manifestar sobre essa intervenção inapropriada: a da falta de respaldo as decisões dos árbitros em campo.

O julgamento de Marcelo de Lima Henrique será na próxima quarta-feira, dia 29. Torço para a sua absolvição (que é a decisão justa) e para que outros casos como esse não se repitam.

– O Militarismo que Cuida do Árbitro de Futebol

A Charge de Mário Alberto, no Jornal Lance desta sexta 24/08/2012, diz tudo: o árbitro de futebol é uma figura sob suspeita que está cercado de militares por todos os lados!

Quer prova disso?

Na Federação Paulista de Futebol: Coronel Marcos Marinho (Comissão de Árbitros), Coronel Silas Santana (Ouvidoria), delegado Bento da Cunha (Corregedoria).

Na Confederação Brasileira de Futebol: Coronel Aristeu Tavares (Comissão de Árbitros) e Dr Edson Rezende, da PF(Corregedoria).

Estão blindados mesmo, não? Coincidência ou Providência?

– Série de TV Humaniza Figura do Árbitro. Vem aí: FDP

Para quem gosta de futebol, imperdível. Olha só a série da HBO onde o protagonista será um árbitro de futebol. Elementos e personagens de grande audiência não faltarão:

Extraído de: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2012/08/23/serie-de-tv-humaniza-figura-de-vilao-do-arbitro-e-usa-bandeirinha-gostosa-e-mae-briguenta.htm

SÉRIE DE TV HUMANIZA FIGURA DE VILÃO E USA BANDEIRINHA GOSTOSA E MÃE BRIGUENTA

Em tempos em que os homens do apito não saem das páginas esportivas em razão de polêmicas atuações, o universo da arbitragem ganha um esforço de humanização através da ficção. A série “FDP” estreia neste domingo no canal pago HBO [às 20h30, de Brasília] com a promessa de desconstruir a mais clássica figura de vilão do futebol, usando como trunfo alguns clichês deste ambiente como a bandeirinha sensual e a mãe de juiz.

Com direção de Adriano Civita, a série da produtora Prodigo Films contará com a primeira temporada de 13 episódios de 30 minutos. A história de “FDP” [uma sigla que até o torcedor menos afeito a arquibancadas vai reconhecer] gira em torno de Juarez Gomes da Silva. Interpretado por Eucir de Souza, o herói em questão é um árbitro correto que batalha seu caminho rumo à Copa do Mundo e precisa lidar com pressão no vestiário e ofertas de suborno. Mas enquanto as coisas caminham bem em campo, com oportunidade em jogo da Libertadores, a vida pessoal do juiz desmorona, graças ao fim de seu casamento. 

Neste pacote de descontrole da vida pessoal inclui-se uma separação após traição descoberta, a luta pela guarda do filho e o relacionamento com uma auxiliar de arbitragem, colega de campo.

Neste papel a série escalou a bela atriz Fernanda Franceschetto. Inspirada na experiência do futebol real de Ana Paula Oliveira, a personagem viverá na série a oportunidade de posar nua para uma revista masculina.

A figura da mãe de juiz também não poderia ficar de fora. Juarez Gomes da Silva aparecerá escoltado da genitora, que defenderá o filho de insultos e ainda tumultuará a vida cotidiana do protagonista.  

“Trazemos essa veracidade do mundo do árbitro, com temas como a mãe do juiz. Como é ser mãe de juiz, um personagem que é xingado o tempo todo? A gente pensou como tornar a vida dele mais dura. Aí pensamos: ‘e se o namorado novo da mãe fosse argentino? Fica bem pior’. E o desafio era construir todo esse processo sem que você odeie esse cara, algo para simpatizar com a figura do árbitro”, conta o responsável pela série.

O diretor de “FDP” teve a ideia de mergulhar no universo da arbitragem após ouvir relatos de seu personal trainer, um juiz que milita que partidas de divisões inferiores. Para construir o cenário em torno de Juarez Gomes da Silva, Adriano Civita contou com a consultoria técnica do ex-juiz Salvio Spínola. O criador do projeto ainda diz ter se inspirado na série norte-americana Californication, que tem como protagonista outra espécie de anti-herói, um escritor que depois de experimentar o sucesso enfrenta dificuldades criativas e problemas pessoais.

“Ele é um árbitro correto, idôneo, mas que também é um ser humano. Alguém que não controla tudo que está a sua volta, não tem o resultado final sob seu controle”, afirma Civita.

“Meu esforço é esse [de fazer o protagonista cair no gosto da audiência], mas não posso concluir pelo público. Mas acho que todo mundo vai simpatizar com o Juarez. Um homem divorciado, que errou uma vez [traição conjugal], mas isso não o condena. Que pode não ver um lance, mas isso também não o condena. Tentamos entender uma pessoa que é xingada antes mesmo de começar a exercer a sua profissão”, acrescenta o diretor.

Durante os 13 episódios da temporada inicial, “FDP” visitará temas como homossexualidade no futebol, “mala preta” e “mala branca”, doping e ponto eletrônico. Mas os criadores da série prometem balancear a dose de ação futebolística com temas mais pessoais, para tentar cativar o público de perfil “não-boleiro”.

NEYMAR FAZ PONTA, E SÉRIE PODE TER MARADONA NA 2ª TEMPORADA

Uma das atrações especiais na primeira temporada de “FDP” é aparição especial de nomes conhecidos do mundo do futebol, como Neymar, Rivelino, Dentinho, o ex-jogador Rincón, a bandeirinha Ana Paula Oliveira e o jornalista Juca Kfouri.

Para a segunda temporada, em produção ainda sem confirmação, a ideia dos criadores da série é contar com uma ponta do astro argentino Diego Maradona.

“A gente falou com o Maradona, mas não deu, a agenda acabou não batendo. Mas é até bom, porque existe a chance de contar com ele na segunda temporada”, conta o diretor da série.

Além de personagens do mundo boleiro, a série “FDP” apresenta em sua ficha técnica nomes de peso como o escritor José Roberto Torero, como um dos roteiristas, e Katia Lund [da equipe de Cidade de Deus] na codireção.

Outro destaque da série promete ser o espalhafatoso bandeirinha Carvalhosa, interpretado pelo ator Paulo Tiefenthaler. Além de colega de arbitragem, o personagem é amigo de Juarez e divide confusões fora dos gramados com o protagonista.

– Populismo da Comissão de Árbitros e de Marin?

E a confusão arranjada pelo danado do lance de domingo, de Santos X Corinthians, protagonizado pelo bandeira Emerson de Carvalho, já falado em outros posts nesse blog e explorado por toda a mídia?

Caros leitores, o que tem de aproveitador nessas horas… todo mundo se acha indignado, ou quer a cabeça de Ciclano, suspensão de Beltrano ou, para alguns, execução sumária de Fulano.

Quanta bobagem, não?

Só reforçando um ponto-de-vista:

  • – Trabalhei com o Emerson, acompanho seus jogos, e sem corporativismo ou qualquer discurso demagogo que o valha: tudo virou culpa dele! O cara é bom. Ponto. Ele se equivocou, é lógico. Mas parece que o seu erro tornou-se o principal pecado do futebol brasileiro! É igual quando um craque na cara do gol pega na “orelha da bola”. Acontece… Ninguém olhou pelos acertos importantes dos outros jogos? Importante: a quanto tempo está na ativa, em alto nível? Errar é humano e acabou. Bola para frente!
  • – Sobre a Punição: é muito piegas dizer que está sendo preservado. Ora, está sendo punido sim! E NÃO DEVERIA. Explico: punir é para quem faz algo grave propositalmente. E ele está sendo punido, sendo que a manifestação pública da Comissão de Arbitragem é algo nefasto. Cadê a Associação dos Árbitros para defendê-lo da exposição pública? Dizer à população que será punido e qual a punição é uma forma de fazer politicagem, agradar os clubes e querer fazer média com os torcedores.
  • – Reciclagem: para mim, qualquer profissional deve viver em intensa e perene reciclagem, com aprendizado contínuo e evoluindo no que faz. Porém, o discurso de que Emerson de Carvalho irá se reciclar dá a entender que ele estava parado, acomodado, errando sistematicamente. Ora, isso não corresponde aos fatos. O seu equívoco foi um erro pontual, acidente de trabalho. Não se pode enquadrá-lo como erro de desaprendizado! Isso chega a ser humilhante para alguém com o escudo FIFA como ele. Quer dizer que ele vai sentar no banco da Escola de Árbitros e reestudar a Regra 11? Ridícula tal determinação. Aliás, na prática, fico pensando que provavelmente ele é mais capacitado do que o instrutor que o “reciclará”. Durma-se com um barulho desse…
  • – Por fim: já imaginaram o inferno que está a vida do bandeira? As fotos e piadas inevitáveis de torcedores ganham proporção espantosa, e aí vem o medo: o dos fanáticos, brigões violentos que, ao invés de protestarem contra a corrupção do país, Mensalão, propinas e demais problemas da sociedade, ousam se indignar contra um erro de jogo do futebol…

Fico estarrecido ao ler que Marin pode demitir o presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Correa. E sabe por quê?

Porque por tantos outros motivos (má condução na renovação da arbitragem, política de escalas de integração nacional ao invés de competência meritocratico-esportiva) ele não caiu, e justamente por um erro contra um time grande no horário nobre do futebol pode ser afastado. Não é populismo puro, para não dizer oportunismo?

ATUALIZANDO: SEGUNDO CARLOS EUGÊNIO SIMON, EX-ÁRBITRO FIFA E AGORA COMENTARISTA DA FOX SPORTS, JÁ ESTÁ DEFINIDA A NOVA COMISSÃO DE ÁRBITROS: ARISTEU TAVARES, ANTONIO PEREIRA DA SILVA E DIONÍSIO DOMINGUES (via Twitter, 17h)

 

Ops: Aristeu e Pereirão, tudo bem, bons nomes. Mas Dionísio??? Ele foi criticado por cudiar da preparação dos árbitros, mesmo não possuindo CREF. Isto a parte, não gostei. do nome. Considero péssima escolha, por ele não contar com a simpatia dos árbitros e pelos seus métodos de trabalho inadequados. Como militar, Dionísio pode ter seus méritos. Mas a frente da CA-CBF, sérias restrições.

– O Afastamento de Emerson Carvalho

A Comissão de Árbitros da CBF (CA-CBF) afastou o árbitro assistente Emerson Augusto de Carvalho, após a não marcação de impedimento no segundo gol da partida Santos X Corinthians.

Segundo o vice-presidente da CA, Manuel Serapião, em entrevista nesta segunda-feira, disse que Emerson não estava sendo punido, mas preservado por 3 ou 4 semanas, voltando quando a psicóloga disser que está tudo ok com ele. Disse ainda que nesse tempo terá que rever a deficiência técnica do seu posicionamento apresentado no jogo.

Ora, sendo assim, ficam algumas perguntas:

  1. – se Emerson foi afastado, também serão afastados os árbitros que erraram na marcação de pênaltis e na distribuição de cartões amarelos e vermelhos ao longo do campeonato? Ou a punição só vale em jogo de time grande na TV? E todos os outros?
  2. – a CA rotulou o bandeira como “um assistente deficiente que precisa rever seu posicionamento”. Se entende assim, quer dizer que não foi um erro pontual, mas costumeiro que precisa ser corrigido? Ora, é evidente que o erro foi por infelicidade, não por incompetência, pois caso fosse, não seria pré-selecionado para a Copa do Mundo.
  3. – o afastamento veio com um pedido oficial de desculpas da CA ao Corinthians. Todos os outros clubes que foram prejudicados por erros, equitativamente, também não deveriam receber um pedido como esse?
  4. – por que o vice Serapião veio a imprensa, e não o presidente da CA, Sérgio Correa?
  5. – por fim, o Cel Marcos Marinho, da FPF, disse que quando um árbitro está passando por um momento difícil, é importante preservá-lo. Por isso, durante a suspensão da CBF, Emerson trabalhará na Série B do Paulistão. Escalá-lo na 4ª divisão é preservá-lo?

E você, o que entende sobre PUNIR ou PRESERVAR? Deixe seu comentário:

– Lances Traiçoeiros de Impedimento na partida Santos X Corinthians

Se vida de árbitro não é fácil, a de bandeirinha não é diferente. Nesta tarde, os assistentes Marcelo Van Gassen (band1) e Emerson Carvalho (band2) tiveram trabalho no clássico da Vila Belmiro, válido pelo Brasileirão.

Na partida, dois gols polêmicos do centroavante santista André. Vamos entendê-los?

1º Gol Santista: Neymar avança pelo ataque, passa pelos adversários e cruza para André, que faz o gol. Detalhes da jogada:

Enquanto Neymar passava por vários jogadores do Corinthians, André, seu companheiro, estava se movimentando na grande área (entrando e saindo da posição de impedimento, caso recebesse a bola durante aquele avanço). Mas quando Neymar ultrapassa o último adversário de linha, só há o goleiro a frente dele e de André, que também fica a frente dos zagueiros. Nessas condições, não haverá impedimento SOMENTE SE A BOLA FOR CRUZADA EM MESMA LINHA OU PARA TRÁS, ou se quem recebe está nas mesmas condições (mesma linha ou atrás da linha da bola), independente se tem “adversário dando condição ou não” (como dito no ‘popular’). Motivo: não existe impedimento se o atacante receber a bola e ele estiver mais longe da linha de meta adversária do que ela, quando tocada.

Textualmente:

Um jogador estará em posição de impedimento quando se encontrar mais próximo da linha de meta adversária do que a bola e o penúltimo adversário”.

Na prática: André está mais próximo da linha adversária do que o penúltimo adversário, mas não da bola, na hora em que Neymar a toca. Mesmo estando em posição de impedimento anteriormente (portanto, em impedimento passivo), na hora do toque de Neymar, está em condição legal de jogo. Portanto, gol corretamente confirmado.

Maroto, não? Acertou o bandeira no 1, Marcelo Van Gassen.

2º Gol Santista: Léo cruza a bola para a grande área. Bruno Rodrigo a cabeceia (neste momento, em posição duvidosa de impedimento), e ali nasce uma nova jogada, que resulta no chute de Durval (também em posição duvidosa de impedimento), que vai para o gol. Quando ela estava na pequena área, quase dentro da meta, André a cabeceia e faz o gol.

Quando Bruno Rodrigo recebe a bola, ele está impedido. Ali, lance de dificuldade média. Na sequência, Durval está com o tronco na mesma linha do adversário (portanto, apesar da posição duvidosa, Durval NÃO ESTAVA IMPEDIDO). O fato do braço de Durval estar à frente da linha do que o corpo do zagueiro não tira vantagem alguma da jogada – lembremo-nos que o atacante não pode jogar com o braço/mão, e tais membros não caracterizam impedimento. Ali, acertou o bandeira, em lance de grande dificuldade. Porém, se a bola entrasse diretamente ao gol no toque de Durval (caso Bruno Rodrigo não estivesse impedido no nascedouro da jogada), seria gol válido. Mas André, nitidamente impedido, adiantado, a frente do penúltimo adversário e da bola, finaliza a jogada para o gol. Gol irregular, em lance de pouca dificuldade.

Em suma: o lance já estava irregular no toque de Bruno Rodrigo. Durval não estava impedido (embora o lance fosse ilegal naquele momento) e André estava impedidíssimo!

Uma pena. O assistente Emerson Carvalho dificilmente erra e é um dos melhores da América do Sul. Hoje viveu uma tarde de exceção num momento importante do jogo.

– Vale o que Apita?

Você sabe quanto ganha um árbitro FIFA para apitar Corinthians X Palmeiras ou Flamengo X Fluminense?

Certamente, não é por pouco dinheiro. O que lhe parece R$ 3.300,00?

Não gosto de falar de valores, pois, afinal, salário é algo muito pessoal. E por ser particular, deve ser preservado. Mas já que se tornou público pela CBF, aqui vai a tabela de taxas dos árbitros para o Brasileirão:

FUNÇÃO/QUALIFICAÇÃO

SÉRIE “A”

SÉRIE “B”

SÉRIE “C”

SÉRIE “D”

 ÁRBITRO/FIFA

R$ 3.300,00

R$ 2.700,00

R$ 2.000,00

R$ 1.800,00

 ÁRBITRO/ESPECIAL1

R$ 3.000,00

R$ 2.400,00

R$ 1.700,00

R$ 1.000,00

 ÁRBITRO/ASP-FIFA

R$ 2.500,00

R$ 1.900,00

R$ 900,00

R$ 700,00

 ÁRBITRO/ASPECIAL2

R$ 2.400,00

R$ 1.800,00

R$ 800,00

R$ 600,00

 ÁRBITRO/CBF-1

R$ 2.200,00

R$ 1.700,00

R$ 600,00

R$ 500,00

 ÁRBITRO/CBF-2

R$ 2.000,00

R$ 1.600,00

R$ 600,00

R$ 500,00

 ÁRBITRO/ADICIONAL

R$ 500,00

x

x

x

 DELEGADO ESPECIAL

R$ 450,00

R$ 4000,00

R$ 150,00

R$ 150,00

 QUARTO ÁRBITRO

R$ 400,00

R$ 350,00

R$ 150,00

R$ 150,00

 ASSESSOR DE ARBITRAGEM

R$ 400,00

R$ 350,00

 

 

 DIÁRIAS

SÉRIE “A”

SÉRIE “B”

 

 

 RESIDENTE MESMO ESTADO  ATÉ 100 KM

R$ 75,00

R$ 75,00

R$ 50,00

R$ 50,00

 RESIDENTE MESMO ESTADO  101 a 300 KM

R$ 100,00

R$ 100,00

R$ 75,00

R$ 75,00

 RESIDENTE MESMO ESTADO  301 a 500 KM

R$ 150,00

R$ 150,00

R$ 100,00

R$ 100,00

 RESIDENTE MESMO ESTADO  501 a 700 KM

R$ 250,00

R$ 250,00

R$ 150,00

R$ 150,00

 RESIDENTE MESMO ESTADO  ACIMA 700 KM

R$ 300,00

R$ 300,00

R$ 200,00

R$ 200,00

 RESIDENTE OUTRO ESTADO

R$ 400,00

R$ 400,00

R$ 300,00

R$ 300,00

     

Obs1. Assistentes recebem 50% correspondente do valor da taxa relativa ao árbitro de sua categoria.

Obs2. Ressarcimento viagem de automóvel: 0,35 centavos por KM rodado com base da cidade do árbitro designado até o estádio onde será realizado a partida (ida e volta). 0,70 centavos por KM rodado mais pedágios (ida e volta) se o trio viajar no mesmo carro, pago a apenas ao condutor.

Tabela extraída do site Apito Nacional (www.apitonacional.com.br)

É muito ou é pouco?

Considere que tal valor pode ter desconto de IR, INSS e em algumas praças, ISS. Considere ainda que se tem que descontar a taxa da Associação Nacional de Árbitros.

Se compararmos com o salário médio de um brasileiro, a taxa é alta. Mas se compararmos aos valores dos atletas de ponta, pela responsabilidade assumida, risco da atividade e auguras da carreira (não existem Férias, 13º salário, FGTS, pois a profissão não é reconhecida), o valor é baixo (lembre-se que se ocorrer lesão ou o árbitro ficar fora de escala, não recebe nada e os gastos são por sua conta).

Já pensaram que, num hipotético jogo entre Santos X Palmeiras, a partida estando em 0 X 0 e acontecendo um lance duvidoso entre Neymar X Valdívia no último minuto (os salários mais altos de suas equipes), aquele que vai decidir a marcação de um pênalti ou a validação de um gol ganha centenas de vezes a menos?

Curiosidade 1:  para a próxima rodada, Flávio Guerra apitará Santos X Corinthians. Pela sua titulação, ganhará R$ 2.200,00. Se o árbitro sorteado fosse Luís Flávio de Oliveira, receberia R$ 2.500,00 por ser aspirante a FIFA. Se fosse ainda Alício Pena Júnior, que é ex-FIFA, R$ 3.000,00. E se o árbitro sorteado tivesse sido Francisco Carlos Nascimento, “o Chicão de Alagoas”, por ser FIFA, a taxa aumentaria para R$ 3.300,00.

Curiosidade 2:  Um árbitro FIFA para apitar a Série A recebe 50% a mais do um árbitro CBF 1. Mas se ele for apitar um jogo da série D, recebe um acréscimo de 360% do seu companheiro não-FIFA (o Brasil possui o limite máximo de árbitros internacionais permitido pela FIFA: 10).

Estar dentro de campo e apitar uma partida de futebol, pelo prazer, não tem preço. Mas pela responsabilidade, custa alguns reais.

E para você: o valor é justo ou não?

– Neymar: o Sparring dos Botinudos

Se será um dia o melhor do mundo, não sei. Mas que Neymar incomoda muita gente, incomoda.

Que o garoto é craque não há dúvida.

Que no início foi o terror dos árbitros, idem.

Que o rótulo de cai-cai e provocador lhe foi justo, também.

Mas que algumas coisas mudaram, certamente!

  • 1- No começo, dimensionado como “melhor do que Messi” para alguns ufanistas, hoje encontrou o seu lugar como craque emergente mundial”, sem querer compará-lo, o que é um peso a menos.
  • 2- A quantidade de simulações nos jogos diminuiu sensivelmente, ao menos no Brasileirão. Isso mostra amadurecimento, o que é bom para seu futebol, que pode ser mais objetivo.
  • 3- É nítido que um bom trabalho de “media training foi feito, já que está bem mais articulado do que antes, ainda tendo pouca idade.
  • 4- O mais preocupante: hoje Neymar apanha bem mais. Antes, se suas quedas eram provocativas, hoje são doloridas. Na partida de ontem, contra o Figueirense, foi nítido o rodízio de faltas e a intimidação por parte de seus marcadores, culminando na expulsão de Túlio, que abandonou a jogada e numa “tesoura” atingiu o santista. Cartão vermelho bem aplicado, e não tenho dúvida que, caso Neymar tivesse resistido ou tentado ficar no chão, teria as pernas quebradas. Pela experiência já conquistada, sabe deixar o corpo solto para “absorver” as pancadas.

Aí deixo duas reflexões:

  • 1) Ofender o árbitro com palavras é passível de cartão vermelho e o atleta cumpre a automática. Mas uma jogada maldosa como vista ontem de Túlio, merecia o mesmo peso de punição? É o típico lance que, caso Neymar se contundisse, deveria manter o seu agressor suspenso pelo mesmo tempo de recuperação.
  • 2) Chegou o momento dos árbitros se preocuparem, além de coibir possíveis simulações (hoje em menor número), com os atletas de menor recurso técnico que apelam para a violência contra Neymar. Não tenho vistos jogadores de boa categoria baterem no garoto; mas já os botinudos…

Importante: defender o craque do cabeça-de-bagre não é algo exclusivo em geral, mas REGRA DO JOGO. Nada de privilégios ao Neymar, mas fiel cumprimento da Regra a qualquer jogador, antes que alguém se contunda gravemente.

– A Transparência que faz bem ao Futebol: o “Dr Edson” e o caso Seneme

Dr Edson Rezende de Freitas foi o presidente da Comissão de Árbitros da CBF (CA-CBF), no período pós-turbulência da saída de Armando Marques e do caso “Máfia do Apito”. Em sua gestão, um raro período de paz na arbitragem nacional. Por motivos de saúde, resolveu sair do cargo e há pouquíssimo tempo retornou à CBF, agora na condição de Corregedor.

E, pelo visto, já está mostrando novamente suas virtudes. Entenda:

– Nos últimos dias, muito se tem questionado sobre o fato do árbitro Wilson Luís Seneme não ter participado dos diversos testes físicos (que são provas de aptidão para o árbitro, com a chancela FIFA), e ainda sim estar sendo escalado regularmente nas competições da CBF.

Normalmente, se o árbitro falta em um dos testes ou é reprovado, sai de escala. Porém, a regra não estava sendo aplicada a Seneme.

A CA-CBF em nenhum momento se manifestou.  Naturalmente isso leva a fofocas. Como Seneme está pré-selecionado à Copa, mais preocupação ainda, já que qualquer vacilo poderia nos deixar sem representante do apito em 2014.

E aí veio o dr Edson Rezende: muitas vezes, apenas uma boa resposta mostra o compromisso com a transparência e evita maiores problemas. Procurado pelo site especializado em arbitragem “Voz do Apito” (www.vozdoapito.com.br), disse que:

Quanto ao fato do Seneme, ele vai fazer o teste físico pela FIFA em 24/09/2012 na Suíça. A entidade deve levar todos os árbitros que estão relacionados para atuar na Copa de 2014 para orientações, treinamentos e testes. E face haver riscos de lesões nestes testes, houve por bem não arriscar em fazê-lo aqui, para evitar que o árbitro pudesse sofrer algo e assim comprometer o teste do mês próximo. Estes testes são bem puxados e desgastantes conforme todos sabem. Também quando são feitos os testes físicos aplicados pela FIFA, comumente as Confederações os consideram para efeito de cumprimento do exigido nos seus países.

Ótimo, tudo esclarecido. E a situação é clara: Seneme está sendo poupado para dar tudo de si em Zurique, daqui há 40 dias. E pela excepcionalidade (Teste Físico para a Copa do Mundo), está sendo escalado sem a obrigação do teste dentro do seu país, pois se convalidará o internacional.

Boa sorte ao nosso representante. Hoje, ele está na Granja Comary com os demais FIFAS, num curso de aprimoramento com o vice presidente da CA, Manuel Serapião, além do instrutor FIFA, o colombiano e ex-árbitro Oscar Ruiz. De lá, vai para Porto Alegre apitar Grêmio X Figueirense no domingo.

Por fim, a observação é inevitável: com tal rotina, é possível ter vida pessoal e profissional fora do futebol? Os árbitros não são profissionais, não tem Férias, 13º, FGTS… nem profissão reconhecida perante a Lei! Mas ainda assim têm que agir como profissionais…

– Análise da Arbitragem, sem Análise: o Profissionalismo de Heber Roberto Lopes

Tenho pena do bom árbitro Heber Roberto Lopes. Está passando dias difíceis. Se não bastasse ter sido julgado e suspenso injustamente por 15 dias no STJD (assunto discutido em: http://is.gd/STJDapita), sua mãe faleceu em Londrina/PR, às vésperas do jogo Fluminense X São Paulo que apitou. E, na partida, um fato incomum: concedeu 1 minuto de silêncio precedendo o início do jogo em memória da própria mãe.

Lamentavelmente, no Brasil, muitos torcedores não respeitam os “minutos de silêncio” concedidos. E nem na excepcionalidade desta 5ª feira, quando a genitora do próprio juiz é a homenageada. Muito barulho na arquibancada e muita gente não dando importância. Tanto que aos 4 minutos de jogo, após uma falta no meio de campo, a falecida mãe do árbitro foi lembrada, de modo indevido. Triste sina de um juiz de futebol: ouve a mãe ser xingada sem culpa, até no dia do seu passamento.

Fico pensando: não foi fácil para o Heber ter cumprido essa escala. Particularmente, eu abdicaria da escala pelo óbvio motivo. Mas respeito quem não o faça, pelos motivos pessoais de cada um, como apitar a peleja como homenagem póstuma.

Mas reflita: e você, se fosse o árbitro? Agiria da mesma forma e apitaria o jogo?

Difícil questão a ser respondida.

Ao Heber, meus pêsames e minhas orações. Que sua mãe descanse em paz.

– Quando o STJD resolve Reapitar um Jogo

Precedente perigoso…

Heber Roberto Lopes foi suspenso por 15 dias pelo STJD, por um suposto erro na partida entre América/RN X Ceará/CE.

No referido jogo, o goleiro potiguar Valdemar atingiu com um pontapé o atacante adversário. A equipe cearense pediu Cartão Vermelho, mas Heber aplicou o Cartão Amarelo.

Independente se errou o não na partida, o fato  é que ele foi indiciado e julgado. Os auditores o puniram , mesmo com uma coerente defesa do árbitro, que disse:

Eu vejo ele (o goleiro) indo em direção à bola, erra o tempo e atinge o adversário sem a intenção”.

Pela explicação, é amarelo. Mas repararam que, se a partir de agora os togados do STJD discordarem do árbitro, arbitrariedades como essas poderão acontecer?

Os auditores que “julgam faltas”, “marcam pênaltis” ou “revaliam o critério disciplinar do árbitro”, são de fato, capacitados para isso? Entendem de arbitragem e regras?

O mais irônico: erros piores aconteceram durante o ano (e recentes), e nada foi feito. Os equívocos graves do brasiliense Wilton Sampaio no jogo Coritiba X Palmeiras a favor do time paulista, ou do gaúcho Fabrício Neves na partida Cruzeiro X Palmeiras a favor da equipe mineira, não foram levados em conta? Por que só agora, após o filho do Sveiter assumir o STJD, que ocorre tal mudança?

Lembrando: e o Chicão de Alagoas (Francisco Carlos do Nascimento), árbitro FIFA que errou em dois jogos do Flamengo marcando pênaltis inexistentes (contra Bahia e Santos)? A ele, nenhuma punição do STJD, tanto que Chicão apitou Botafogo X Palmeiras nesta 4ª feira (e ainda vestiu o fardamento preto no jogo em que o Fogão jogou de preto e cinza… não tem camisa azul ou vermelha?).

E os pênaltis polêmicos do árbitro Emerson Ferreira/MG na partida entre Atlético-GO X São Paulo? O STJD também não viu?

Fica ainda algo mais curioso: para esta quinta-feira, no jogo Fluminense X São Paulo, estava escalado Sandro Meira Ricci. Porém, Ricci já estava anteriormente escalado pela Conmebol para um jogo da Copa Sulamericana, e a CBF se viu obrigada a uma nova escala, sorteando Heber. O STJD suspendeu Heber pela suposta deficiência, mas o liberou para a partida pelo Brasileirão para que não se tenha um 3º árbitro sorteado no clássico dos Tricolores Carioca X Paulista.

Só que Heber também já estava escalado para outro jogo: Portuguesa X Botafogo, no sábado, pela rodada do Brasileirão de final de semana.

Novo sorteio?

Nada disso, liberado também. Ou seja: pode apitar a vontade os 2 próximos jogos que só se cumpre a pena no período de descanso.

Julga o que não deveria julgar; e depois pune de mentirinha… triste realidade da Justiça Desportiva do Brasil.

Punido, de verdade, somente o árbitro sergipano Cláudio Francisco de Lima e Silva, de Bahia X Grêmio, que terá que como castigo ficar reestudando a Regra 5 (O ÁRBITRO), porque a CA-CBF entendeu que ele falhou na autoridade do jogo, prejudicando o Bahia.

Falta total de critério para promoção de árbitros; idem para punição.

– Limites para Ofensas no Esporte? A Reclamação que Funcionou!

Mais um caso polêmico de ofensa à arbitragem via Twitter. Agora, o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, desabafou pela Rede Social xingando o árbitro Cláudio Francisco Lima e Silva (árbitro de Grêmio 3 X 1 Bahia) com os dizeres:

Esse juiz desqualificado, vagabundo, fdp e descarado!!!!!! Não pode apitar mais jogo nenhum. Nem do Bahia nem de nenhum outro clube.”

E não é que o protesto deu certo? Após tantos erros no Brasileirão 2012, o trio de arbitragem deste jogo foi punido (primeira punição a árbitros nesse ano).

Fica clara a indagação: Por que outros árbitros que também erraram não foram punidos? Mudou o critério da CA-CBF?

– Gol Contra em lance de Impedimento vale? O curioso gol anulado em Palmeiras X Internacional

Ontem, na Arena Barueri, um lance incomum: um jogador marca um gol contra em situação de impedimento do adversário!

Diego Forlán, do Internacional, cobra uma falta onde a bola vai em direção à grande área palmeirense. Índio, que estava em posição de impedimento, corre para alcançá-la; porém, o zagueiro Leandro Amaro vai disputá-la e, por acidente, faz o gol contra.

Gol legal ou não? Vamos discuti-lo:

(Para quem não viu a situação inusitada, o vídeo pode ser acessado aqui: http://www.youtube.com/watch?v=tLK7t7bIx3M . Sugiro a escuta na função “mudo”, pois há um erro no comentário do lance.)

Leve em conta que para se marcar um impedimento, há 3 condições necessárias para o árbitro e o árbitro assistente analisarem no lance.

São elas (impostas pela Regra 11 – Impedimento –  aqui resumidamente):

O jogador estará impedido se estiver mais próximo da linha de fundo do que a bola exceto se tiver 2 ou mais atletas entre eles ou em mesma linha- não valendo impedimento para lances de escanteio, arremesso lateral ou tiro de meta (quando lançada por companheiro)”.

Ele estará em impedimento ativo quando:

A-    Interferir ativamente no lance, tocando-a;

B-    Interferir contra um adversário;

C-    Interferir por tirar proveito da sua posição.”

Veja que universo de situações interessantes podemos analisar nessa jogada, até definirmos o que realmente aconteceu ou não no lance. Há 10 simulações de possibilidades:

  1. Se Leandro Amaro não corresse para a jogada, mas Índio tocasse na bola (acertando ou não o gol), estaria em impedimento ativo.
  2. Se Leandro Amaro não corresse para a jogada, mas Índio tentasse tocar a bola e não conseguisse, e ela fosse diretamente ao gol pela cobrança de falta, o gol deveria ser validado (seria, nessa situação, impedimento passivo, pois ao término da jogada, ele não interferiu).
  3. Se Leandro Amaro não corresse para a jogada, e Índio permanecesse imóvel no lance, mas o goleiro Bruno desse um rebote na cobrança de falta e a bola sobrasse para o jogador colorado nesse segundo lance, deveria ser marcado o impedimento (rebote/desvio é como trave, não tira impedimento).
  4. Se Leandro Amaro e Índio se mantivessem imóveis, e a bola fosse dominada por Bruno, que a lançaria por engano aos pés de Índio, o lance é legal, pois veio de uma bola cuja posse era do adversário.
  5. Se Leandro Amaro corresse para a jogada, a dominasse e perdesse na sequência a posse de bola em disputa com Índio, o lance é legal (não há impedimento, pois houve a posse de bola que criou um terceiro lance).
  6. Se Leandro Amaro corresse para a jogada, desse um bico para o seu campo de ataque e a bola fosse dominada por um companheiro, segue o lance pela vantagem percebida à equipe palmeirense.
  7. Se Leandro Amaro corresse para a jogada, errasse a bola e ela sobrasse à Índio, deveria ser marcado o impedimento pois Índio estaria em impedimento ativo por interferir na jogada.
  8. Se Leandro Amaro corresse para a jogada e desse um carrinho por trás em Índio, deveria ser expulso por jogo brusco grave e marcado tiro livre indireto a favor do Palmeiras, pois Índio estava em posição de impedimento (aplica-se a sanção disciplinar, motivada pela violência, mas não se marca pênalti).
  9. Se Leandro Amaro corresse para a jogada e com a bola indo em direção ao gol, ele a segura com as mãos, não se marca pênalti nem se aplica cartão, caso Índio tivesse corrido junto (não evitou um gol pois Índio está em impedimento ativo).
  10. Se Leandro Amaro corresse para a jogada e com a bola indo em direção ao gol, ele a segura com as mãos e Índio ficasse imóvel na jogada, se marca pênalti e se expulsa Leandro Amaro por impedir um gol, já que o colorado estava em impedimento passivo.

Na jogada de ontem, na minha interpretação, à luz da Regra do Jogo:

Leandro Amaro corre para a jogada, mas Índio, que está em posição de impedimento no momento da cobrança de falta, corre também. Portanto, Índio está em impedimento ativo por interferir contra o adversário e o lance deve ser paralisado. Ou seja, Leandro Amaro só tenta a jogada pois vê seu adversário buscando a bola – a corrida de Índio na jogada é o fator que faz Leandro Amaro tentar a disputa, já que ele não sabe se o jogador está em impedimento ou não. Ter batido no corpo do palmeirense ou não é irrelevante nesse momento, já que a corrida inicial mostra que houve a situação B da Regra 11, citada acima.

Portanto, acertou o bandeira Luís C. Teixeira ao marcar o impedimento, em um lance difícil da partida.

Pensa que é fácil arbitrar futebol? Tudo isso deve ser pensado em frações de segundo e no calor da partida!

*ATENÇÃO: VEJA A DATA DA POSTAGEM, POIS AS REGRAS MUDAM.

– O Velho, o Novo e o Remendado no Futebol. Cadê os bons nomes?

Estamos em época eleitoral. Me recordo que em uma das Eleições passadas, cunhou-se o termo “Choque de Gestão”, popularizado na época e esquecido posteriormente.

A ideia era radicalizar os processos administrativos; repensar, refazer ou reconstruir. Na Administração de Empresas, a Reengenharia pensou nisso; no Marketing, falou-se em Destruição Criativa, abandonando práticas antigas e instaurando novas.

Não importa o termo. Importa que precisamos de tudo isso no Esporte Brasileiro hoje.

Estamos em período de Olimpíadas. Se o atleta vai mal, culpa-se de tudo: o uniforme, a preparação, o dirigente esportivo, a instalação, e todas as outras coisas. Não se propaga que o adversário é melhor, nem que o esportista brasileiro foi mal dimensionado.

Ganhamos poucas medalhas? Sim, pelo tamanho do país. Não, pelo que se investe.

Na Gestão Pública e no Esporte, há muitas semelhanças: não existe o novo! Quais são os nomes que vemos no Senado brasileiro? Sarney, Collor, Calheiros… E na condução do futebol? Juvenal, Marin, Marco Polo…

Ricardo Teixeira saiu da CBF. E inovamos com Marin e Marco Polo? Igualmente dentro de campo. Ouvi amigos árbitros dizendo que nessa última passagem, Emerson Leão estava mais light. O novo é o velho remendado?

Calma, não estou abdicando dos experientes, mas defendendo atualização constante e oxigenação. Não basta a pessoa que tem autoridade num cargo ser bom, precisa permitir a entrada de outras boas pessoas com novas ideias e ideais. Se isso não acontece, o ciclo de inovação não acontece.

Quer um exemplo de quando o velho e o novo juntos se tornam conflitantes pelo momento errado? Vejam a arbitragem de futebol: prega-se renovação de árbitros. Ok, mas aí vemos novos nomes no quadro da FIFA sem condição técnica suficiente. Meritocracia, zero. Conveniência política, talvez?

Novos nomes de árbitros são lançados na fogueira; etapas queimadas; descontrole nos critérios. Ora entram os mais rodados, ora entram os mais novatos.

A propósito, será que nossas estruturas não estão viciadas? Há quanto tempo se reclama das Comissões de Arbitragem, e há quanto tempo as mesmas pessoas estão lá?

Há tempos, vemos em cargos diretivos os nomes de Sérgio Correa, Arthur Alves Júnior, Silas Santana, entre outros. Se estão lá, é porque tiveram algum mérito e seus superiores (José Maria Marin, Marco Polo Del Nero) o querem. Mas não estaria na hora do Choque de Gestão?”

Para mim, choque de gestão seria Edson Lapolla (que nem conheço pessoalmente) como presidente do São Paulo FC (como Luís Álvaro foi para o Santos FC). Seria Zico na CBF. Seria Brunoro na FPF. Seria Sálvio na Comissão de Árbitros. Seria Abade, Anselmo, e tantos outros bons nomes em São Paulo. Seria o novo, o repaginado, o reorganizado e remoralizado. Nunca o remendado, pois estes, já tiveram sua oportunidade.

Na política, no futebol e na sociedade, a sinergia que surge daqueles que estão no poder pelo próprio poder é tão grande, que criam a entropia e nem percebem. E é justamente esse sistema fechado, amarrado e constante que tem abalado nosso país. Quem está segurando o osso, não o solta de jeito nenhum!