– Felipão, o Reclamão!

Certa feita, Luiz Felipe Scolari ofendeu o árbitro assistente Roberto Braatz, dizendo:

Além de gaúcho, é safado”.

Na última semana, Braatz trabalhou pelo Campeonato Brasileiro na partida Cruzeiro X Palmeiras. Felipão reclamou muito da arbitragem.

Ontem, pela Sulamericana, Braatz (que processa Felipão pela ofensa citada acima) trabalhou no jogo Palmeiras X Botafogo. Em protesto, Felipão se recusou a trabalhar no banco de reservas.

Protesto do quê?

Braatz foi vítima de Scolari, não o inverso.

Já imaginou se os árbitros resolvessem boicotá-lo pelo excesso de insinuações, ou jornalistas pelas grosserias contra eles?

Infelizmente, o vencedor Scolari perdeu o respeito com os outros. Não pode ser mal educado como tem sido.

– E Quando um time Joga com 12 Atletas?

No último domingo, na partida entre São Paulo X Flamengo, um fato inusitado:

Rodrigo Caio saiu de campo para receber atendimento médico. Neste interim, o treinador Ney Franco resolveu substituí-lo pelo atleta João Schmitt. Portanto, houve a concretização da substituição: o atleta saiu por completo do campo de jogo, e seu substituto entrou no gramado.

Curiosidade: a substituição só se dá quando o atleta sai do campo. Se ele permanecer em campo (por qualquer motivo – descuido, ato pensado, ou outro) e o substituto entrar, o substituto passa a ser o atleta irregular, e não o suposto substituído, pois o procedimento de substituição não foi concretizado.

Importante: como é que o sexteto de arbitragem (1 árbitro, 2 bandeiras, 2 AAAs  e 1 quarto árbitro),  aos olhos de um assessor de árbitros, nada viu? Desatenção pura dos árbitros! É deles a responsabilidade.

O grande erro foi: durante a substituição, é indicado ao árbitro pelo 4º árbitro o número do jogador que sai. Exatamente 32 segundos depois, sem saber que foi substituído, o jogador está na linha lateral pedindo para retornar ao campo. O árbitro Jaílson Macedo, nesse pequeno período de tempo, esqueceu que o atleta tinha sido substituído com sua autorização! E o quarto-árbitro, Rodrigo Guarizzo, que houvera informado, estava prestando atenção em quê? Deles, é a culpa maior do erro.

A) E o que o árbitro faz quando percebe que uma equipe joga com 12 atletas?

Naquele momento, Rodrigo Caio é um jogador substituído. Portanto, não pode mais participar do jogo. O procedimento do árbitro deverá ser:

– Paralisar a partida imediatamente, aplicar o cartão amarelo por CONDUTA INDEVIDA; o jogador se retira de campo e o jogo é reiniciado com tiro livre indireto à equipe adversária, no local onde a bola se encontrava no momento da paralisação. Porém, se o adversário estiver com a posse de bola, poderá continuar a partida, esperar a concretização da jogada ou que ocorra uma saída de bola (a vantagem é para não prejudicar a equipe que está com 11).

B) E se saísse um gol para o Flamengo?

– O gol deve ser confirmado, mesmo jogando contra 12.

C) E se saísse um gol para o São Paulo?

– O gol deve ser anulado.

D) E se sai um gol para o São Paulo, que está com 12 atletas, e o jogo é reiniciado?

– O gol é validado, pois não se pode voltar em uma decisão após a partida ter sido reiniciada.

E) E se Rodrigo Caio evita um gol flamenguista embaixo da trave, usando as mãos?

– Se marca um tiro livre indireto para o Flamengo, a ser cobrado em cima da linha da pequena área. Não se pode marcar um pênalti, pois o atleta não é mais um jogador da partida. Se expulsa o jogador por dupla advertência (entrar no campo de jogo e atrapalhar a partida). Embora não esteja autorizado a jogar a partida naquele momento, atletas substitutos e substituídos continuam sob jurisdição disciplinar do árbitro, podendo receber cartões. De certo, todos adversários pedirão pênalti… Pior: se um zagueiro atingisse Rodrigo Caio com um soco, o flamenguista levaria Vermelho e o sãopaulino Aamarelo.

F) E se João Schmitt tivesse entrado em campo sem o consentimento da arbitragem?

Na improvável situação de que o árbitro se equivocou e permitiu a entrada de João Schmitt crendo não ser uma substituição, mas o retorno do atleta Rodrigo Caio que segundos atrás pediu para ser atendido fora de campo, o cartão amarelo deve ser para João Schmitt, pois, teoricamente o árbitro não permitiu a substituição e João se torna “agente externo”.

G) Na mais improvável de todas as hipóteses: e se Rodrigo Caio se negasse a aceitar a substituição?

O procedimento da substituição de atletas, conforme a Regra 3, precisa do aceite do substituído. Se a substituição é informada ao árbitro, e o atleta está em campo e se recusa a sair, o jogo segue sem problemas para a arbitragem, que não autoriza a concretização da substituição. Fica a pergunta: Rodrigo Caio estava fora do campo; mas ele concordou em ser substituído? Se reclamasse (já que ele não foi informado que foi substituído), poderíamos ter um erro de direito?

Discussão fantástica, não?

– O Enésimo Cartão Amarelo de Luís Fabiano. Jogador conhece a Regra?

Neste domingo, lance infantil do atleta sãopaulino Luís Fabiano. Recebeu pela enésima vez um cartão amarelo evitável.

A Regra 4 fala sobre os “Uniformes/equipamentos dos atletas”. E desconfigurá-lo é uma infração passível de cartão amarelo.

As diretrizes sobre essa regra foram modificadas nos últimos anos. Antes, tirar a camisa não era infração. Por um certo período, se punia por “excesso de comemoração” ou “retardamento no reinício da partida”, como se a camisa fosse culpada por isso. Hoje, as coisas estão bem mais norteadas: o termo usado pelo árbitro é: “desconfigurar o uniforme”.

Vamos lá: se você jogar com o meião baixo ou com mangas arregaçadas, deve ser advertido verbalmente para que corrija o uniforme (pois as meias devem encobrir as caneleiras e as camisas devem ter mangas). Porém, se você erguer a camisa, nas diretrizes da Regra, a orientação é clara: deverá ser punido com cartão amarelo.

Nesse caso, as situações são as seguintes:

tirar a camisa;

erguer a camisa até a cabeça, sem tirá-la do corpo.

Na última modificação, de anos anteriores, se você erguia a camisa e tivesse outra camisa por baixo, não era infração (Rivaldo fazia tal comemoração com constância no Barcelona). Hoje, o atleta só não será punido se tiver uma camisa idêntica por baixo.

É claro que dirão que esta regra só existe para privilegiar patrocinadores que querem sua marca mostrada no momento mais importante: a comemoração do gol com a estampa da empresa à vista do público. Outros dirão que tirar a camisa não machuca ninguém e que tudo não passa de bobagem. Concordo com tudo isso, porém, assim é a Regra. Quer queira ou não, deve ser cumprida.

Admiro ver que atletas rodados, calejados e importantes, como Luís Fabiano, ainda recebam cartões amarelos infantis como o da partida São Paulo X Flamengo. Será que ele não sabia que tirar a camisa é para cartão amarelo?

Jogador não lê livro de Regra e desconhece as 17 leis do jogo. E quando sabe a Regra, muitas vezes não a cumpre e prejudica sua equipe.

Obs: não dá para passar batido: e o árbitro Jaílson Macedo apitando a partida no Morumbi, a quase 30º.C, com camisa térmica de mangas longas? Deve ter se desidratado dentro do uniforme.

– Nem tudo que é Permitido é Devido. Scolari e suas queixas. O que fazer?

Numa Democracia, podemos manifestar nossa opinião sem censura. Claro, ela deve ser respeitosa, para que não existam consequências negativas.

Na última quinta-feira, assistimos a Palmeiras 0 X 2 Bahia. Na partida 3 lances contestados;

a falta no goleiro com gol anulado pró-Palmeiras: acertou o árbitro carioca Schneider; ali, foi infração, pois o palmeirense vai no corpo do arqueiro, e não na bola;

a suposta mão na bola do zagueiro do Bahia: nada marcou o árbitro, com correção, pois o lance não foi intencional (embora Thiago Leifer, do Globo Esporte, tenha dito que aquele tipo de mão, mesmo sem intenção, é pênalti – bobagem, pois a infração de “uso das mãos indevidamente na bola” só ocorre por intenção deliberada, e não por imprudência ou casualidade);

o pênalti pró-Bahia: duvidoso. Eu não marcaria, pois entendi que houve disputa leal da bola. Mas entendo e respeito aqueles que entenderam ter sido infração, alegando ombro nas costas com ação imprudente. É o típico lance que gera discussão, onde não existe absurdo.

Luís Felipe Scolari, após a partida, criticou o árbitro, usando termos jocosos e muita ironia. Chegou a dizer que o árbitro estava “cheio de tesão” em marcar o pênalti; alegou que o viu “satisfeito” e que deve “ter gozado nas calças”, entre outros termos baixos e sarcásticos.

Para quem não viu, está em: http://globotv.globo.com/sportv/sportvnews/v/felipao-lamenta-derrota-do-palmeiras-para-o-bahia/2060648/ 

Sobre o tema, uma pergunta pertinente do amigo Denis Garcia: “pelas declarações pós-jogo, Felipão não deveria ser punido?

Claro que sim. Não podemos e nem devemos sair por aí denegrindo ou ridicularizando as pessoas. Não vi o mesmo comportamento pós-jogo de Scolari nas duas partidas decisivas da Copa do Brasil, entre Palmeiras X Coritiba, com diversos erros da arbitragem, já debatidas em artigos específicos anteriores neste blog.

Por pior que seja a atuação de um árbitro, é necessário lembrar que ele tem família: pai, mãe, esposa, filho/a que deve acompanhar sua carreira e o que o envolve. Eles estão cientes do que podem ver ou ouvir, pelo risco da atividade de arbitragem. Mas certamente não suportam (e nem devem) a péssima educação e comentários baixos como os citados por Scolari.

Qual profissional gosta de que digam que ele “gozou nas calças” por um erro (se é que foi erro)?

Luís Felipe precisa se comportar melhor; ele é campeão mundial, vitorioso e deve dar exemplo positivo. Deveria ser punido rigorosamente (pois tal desrespeito aos envolvidos com o futebol – jornalistas e árbitros – vem de longa data) e convidado a se policiar mais.

– Jovialidade ou Experiência na carreira do Árbitro de Futebol?

Poderia até soar conflitante o título deste artigo. Ao contrário, ele vem dar o tom para um debate que certamente ocorrerá ao longo do Brasileirão 2012: a renovação do quadro de árbitros do futebol brasileiro.

A Comissão de Árbitros da CBF anunciou, em 2010, que os árbitros a ingressarem no Quadro Nacional deveriam ter até 30 anos de idade. Tal medida serve de subsídio para aplausos e vaias, de acordo com o enfoque desejado. Afinal, no atual Campeonato Brasileiro vemos árbitros bastante rodados, que sempre foram constantemente escalados, e, por acomodação na carreira, tornam-se “administradores” do jogo. Meros mediadores, que não aplicam os cartões necessários por conveniência ou para se pouparem de reclamações de dirigentes. Junto deles, vemos alguns jovens, ilustres desconhecidos com oportunidades, mas de competência insuficiente, permitindo que jogadores medalhões apitem o jogo por eles, caindo na pressão da torcida e cometendo erros grotescos.

Para quem acompanhou a rodada da última quarta-feira (ontem), isso ficou nítido.

Uma renovação com nomes jovens e desconhecidos, a fim de realizar um trabalho de base, com suficiente treinamento técnico e teórico, é uma medida sensacional. Porém, dificultosa por alguns motivos:

Terão os clubes paciência para o amadurecimento desses árbitros?

– O trabalho de preparação dos nomes em treinamentos seria feito como?

– A estrutura financeira do futebol permitiria tal trabalho?

– Os jovens teriam a garantia de escalas?

Um grande ponto a favor seria o condicionamento físico, num momento em que o futebol é muito mais corrido do que jogado. O ponto negativo, claro, a inexperiência.

Já a renovação com nomes alternativos (não necessariamente tão jovens), a fim de oxigenar a atual relação, dando oportunidades a talentos das federações estaduais que até então, por número de vagas escassas, não apareceram no cenário nacional, seria contestada:

– De onde viriam esses nomes jovens a serem indicados?

– Quem os garantiriam ou os respaldariam em caso de pressão de dirigentes?

– Como não queimar jovens talentos e lançá-los em jogos adequados?

Um grande ponto a favor de nomes “alternativos” seria a experiência adquirida em campo em contrapartida dos novatos. O ponto negativo, claro, é o vício que poderão carregar pelos anos de apito (e entenda-se na linguagem do árbitro de futebol como “vício” os costumes e hábitos adquiridos na maneira de apitar e no estilo de arbitragem, difíceis de serem eliminados ao longo do tempo).

E  virá a discussão. O que é mais necessário hoje: jovialidade ou experiência?

Para responder tal questão, leve em conta os fatores:

– Condicionamento físico;
– Capacidade de fazer a leitura do jogo durante a partida;
– Conhecimento de artimanhas e características de atletas já trabalhados em outras partidas;
– Histórico de arbitragem;
– Rodagem em campeonatos e clubes diversos;
– Respeitabilidade adquirida ao longo dos anos;
– Idade madura do árbitro (qual é a maturidade do jogador e a do árbitro?)

Tal tema é de dificílimo trato. E a implantação de um projeto de renovação não depende de nomes novos por si só, mas de DIRIGENTES NOVOS – das comissões de árbitros à presidência da CBF. Se jovens, que se trabalhe nas partidas adequadas, sem queimar etapas. Se experientes, que cobrem a não-acomodação. E, independente da idade, que sejam escalados pelo mérito / competência, nunca por política de integração dos estados.

Vale lembrar que tal assunto não se restringe apenas ao mundo do futebol. No dia-a-dia, em qualquer seara, se discute sobre a renovação profissional, o momento dela, e o costumeiro debate: jovens ou seniors? No mundo da administração, isso é cotidianamente questionado. Por que não no futebol?

– Neymar UnFair-Play e as Vaias. Faltas ou Simulações?

Não venham dizer que há corporativismo dos árbitros depois…

Àqueles que costumam dizer que os árbitros brasileiros perseguem Neymar, pura balela! Ontem, no amistoso Brasil X Grã-Bretanha, Neymar tenta o drible e se joga. Como não dava para reclamar de toque por baixo, devido a uma grosseira encenação, colocou a mão na cabeça, como se tivesse sido agredido. Nas imagens de replay, a comprovação de que nada ocorrera. Ao término da partida, Thiago Silva, zagueiro e capitão da Seleção Brasileira, declarou que:

Neymar precisa tomar cuidado com isso (encenação) para não ficar marcado pelos árbitros”.

Um detalhe: Neymar foi vaiado por tal cena, e lá na Inglaterra, situações unfair play são vaiadas mesmo, inclusive por torcedores da própria equipe que tem um atleta que simula!

Li isso em algum lugar e corroboro: Quanto mais regionalizados os árbitros e menos gabaritados, maior número de faltas marcadas. Vide o número de faltas marcadas pró-Neymar no Paulistão, Brasileirão, Libertadores e Amistosos Internacionais. É proporcional a queda de infrações conforme aumenta a qualidade do árbitro.

Veja o lance em: http://is.gd/OY6ltc

– Sálvio Spinola na Comissão de Árbitros da Conmebol

Há exatamente 1 ano, Sálvio Spinola Fagundes Filho foi escalado para a final da Copa América na Argentina, entre Uruguai X Paraguai. Coincidentemente, no aniversário de tal escala, o ex-árbitro FIFA foi indicado pela CBF para assumir o cargo de membro da Comissão de Árbitros da Conmebol, segundo nota de Marcelo Damato, na Coluna De Prima, do Jornal Lance de 20/07/2012.

Sálvio substituirá o compatriota Armando Marques na função. Troca justa e necessária. Porém, se lembrará e se questionará dos porquês, até agora não tão claros, da troca injusta de Sálvio por Francisco Carlos Nascimento como árbitro FIFA, promovida pela CBF no final de 2011.

Os críticos lembrarão da retirada do escudo do árbitro, antes de jubilar a carreira, e poderão alegar compensação. Outros, como eu, preferem crer no mérito reconhecido e rejuvenescimento da Comissão de Árbitros da Conmebol.

– Paulista de Jundiaí é a Prova: Time que vence, cativa e forma a Torcida!

Ontem, ouvia a partida de estreia do Paulista contra o XV de Piracicaba pela Copa Paulista. Aliás, somente a Rádio Difusora transmitiu o jogo, com a ótima equipe do Adilson Freddo com destaque ao Heitor Mário, que comenta futebol melhor do que renomados comentaristas por aí! Fico triste pelo fato da Rádio Cidade não ter transmitido nada. Afinal, sempre é bom termos mais espaço para o jornalismo esportivo.

Considerações feitas, a Copa Paulista, que infelizmente é deficitária, passa a ser o Campeonato mais importante para clubes do interior. Algumas equipes jogarão com juniores, apenas para não fechar as portas. Outras, disputarão o título e se prepararão para A1 de 2013. E o Galo começou com o pé direito: venceu o Nhô Quim por 1 X 0, numa partida onde o árbitro deixou bater a vontade (nesse campeonato, a FPF dá oportunidade a jovens árbitros, mas o árbitro Rodrigo Oliveira, talvez pela inexperiência, não se impôs) – a omissão nas advertências verbais permitiu entradas mais fortes dos zagueiros piracicabanos.

E como time que ganha cativa o torcedor, minha filha de 3 anos (que gosta de futebol e já conhece os times brasileiros pelas cores e distintivos), ao ouvir o gol do Paulista seguido pelo Hino do clube (Paulista, Paulista, Paulista…) gritou para mim: Gol do meu Paulistinha, pai!”

Fiquei pensando: time que vence, realmente traz empatia. A Marina, minha princesinha, já sabe que Jundiaí tem um time chamado Paulista, e ela diz que torce para o São Paulo do vovô Lili porque o time dele tem muitas estrelinhas, e para o “Paulistinha” do papai porque ele sempre ganha.

Na verdade, ela assistiu algumas vitórias do Galo comigo, e coincidentemente nenhuma derrota. Na cabeça de uma criança, na hora de escolher o time do coração, o vencedor sempre pesa!

Tomara que o ânimo da minha filhota e a vitória na rodada inicial sejam prenúncios de título para o Galo. Torcida pura e inocente das crianças, certamente terá, se depender da Marina! Aliás, ela quer que eu pinte a “bandeirinha do Paulista no rosto dela para ir ao estádio”…

Certamente, na primeira oportunidade que o Galo jogar em casa à tarde, irei com ela de rosto pintado.

– Incoerências e Inconveniências da CBF em Diversas Frentes

Pura incompetência? Veja 4 situações discutíveis promovidas pela CBF:

1) Presidente José Maria Marin confirmou nesta quinta-feira que Ricardo Teixeira ainda recebe salários da CBF. Seu vencimento é de R$ 100.000,00, e trabalha como consultor da entidade. Mesmo confirmado pela Justiça da Suíça o envolvimento em propina com João Havelange, não foi exonerado do cargo.

2) A Comissão de Árbitros sorteou o paulista Wilson Seneme para o clássico carioca Boatafogo X Fluminense, e o carioca Péricles Bassols para o clássico paulista Palmeiras X São Paulo. Ultimamente, o critério estava sendo o uso de árbitros locais nos clássicos entre clubes da mesma praça, defendendo o menor custo de tal escala e conhecimento prévio das equipes. Nesta semana, mudou. Para o árbitro, é melhor apitar longe da sua praça e voltar de cabeça fresca para casa. Porém, se não há mais a preocupação em reduzir custos, por quê ser escalar repetidamente (no sábado 14 e domingo 15) o matogrossense Wagner Reway? No sábado à tarde trabalha no Pacaembu (Corinthians X Náutico). No dia seguinte, estará em Barueri como AAA no Choque-Rei, juntamente com o goiano Elmo Resende.

Ora, será que precisamos de árbitro, bandeiras e até adicionais de outros estados para confronto de paulista contra paulista? Se economiza por um lado, se gasta muito por outro. As agências de viagens devem gostar!

3) Teremos amistoso da Seleção Brasileira no Nordeste, confirmado para 10 de setembro, contra a China em Recife. Muito bom, pena que seja numa…. segunda-feira útil de trabalho!

4) O site Apitonacional.com divulgou que o assessor / observador de árbitros, que também é presidente da Comissão de Árbitros de SC, Dionísio Rodrigues Domingos, exerce a função de preparador físico dos árbitros da CBF e FIFA no Brasil. Tudo em ordem, pois, se há competência mesmo com acúmulo de funções, ok. O problema é que, segundo o site (em: http://is.gd/1377UO), ele não tem CREF! O documento está para o profissional de Educação Física como o CRM para o Médico. Sem ele, não pode exercer a profissão.

Fico pensando: e se um árbitro, durante a preparação física, se lesionar?

São essas situações que constrangem as pessoas sérias e que maculam o respeito popular pela entidade.

– Análise da Arbitragem de Coritiba X Palmeiras

Sandro Meira Ricci deveria receber adicional de insalubridade na partida de ontem. Afinal, jogos finais são mais difíceis. Pressão extra dos paranaenses que promoveram o estádio como “Inferno Verde”, com jogadores nitidamente querendo ludibriar o árbitro o tempo todo, além do outro time entrar motivado ao melhor estilo “faca na caveira” (o Palmeiras recebeu palestra motivacional de Paulo Storani, ex-comandante do BOPE).

Marcelo Oliveira é uma das maiores revelações desta temporada: o treinador dificilmente não perde no Couto Pereira; e Luís Felipe Scolari, taxado por muitos como ultrapassado, não pode ser menosprezado: tem uma Copa do Mundo conquistada e estava há mais de 50 partidas sem perder por 2 gols de diferença.

Ambos mantiveram a escrita com o empate de ontem.

Ambos armaram muito bem suas equipes.

Ambos mandaram os atletas praticarem antijogo.

1-Antijogo coxa-branca: todo e qualquer contato físico era motivo de reclamação. As tentativas de cavar faltas foram grandes, tentando nitidamente jogar o árbitro contra a torcida. Neste quesito, Ricci foi muito bem, tendo aplicado aos 9 minutos o Cartão Amarelo para Rafinha por tentar simular um pênalti.

2-Antijogo palestrino: muitas faltas para matar o jogo. O sem-número de faltinhas não-violentas, táticas, de não permitir o adversário jogar foi elevado, e é essa a especialidade de treinadores como Felipão e Marcelo Veiga (os mais faltosos do último Paulistão). Vide os primeiros minutos: aos 5’ do 1º. tempo o Palmeiras cometeu 6 faltas num Coritiba que desejava sofrê-las. E o que dizer da primeira infração ter acontecido aos 2s? Não é erro de digitação: a falta ocorreu aos dois segundos, no apito inicial!

O erro relevante de Sandro Meira Ricci (que exceção a este foi bem na partida) foi ter caído na simulação da falta originada pelo gol do Palmeiras. O palmeirense tenta proteger a bola, sente o contato físico das mãos do adversário sobre suas costas, e desaba ao chão sem ter sofrido força necessária para derrubá-lo. Errou o árbitro.

Algumas observações:

– O maldito laser verde no rosto dos atletas. Que má educação dos torcedores…

– Excesso de papel picado em campo: como ver a linha lateral?

– Clima criado às vésperas do jogo. Precisa de chororô para promover o jogo e levar torcedor ao estádio? Uma final por si só já é motivo de casa cheia. Pressão extra dosada por violência é desnecessária.

Sem deixar passar batido:

– O Palmeiras venceu a Copa do Brasil invicto. Mas o único campeão da Copa do Brasil que venceu todos os adversários da série A ainda é o Paulista de Jundiaí.

– Palmeiras Campeão da Copa do Brasil; Santos Campeão Paulista; Corinthians campeão da Libertadores da América. O próximo título será do São Paulo?

– Declarações Contraditórias ou Emotivas?

Na última semana, após a derrota no primeiro jogo entre Palmeiras X Coritiba, o presidente do Coxa Branca, Vilson Ribeiro de Andrade, sugestionou até mesmo “esquema” para o Palmeiras ganhar a Copa do Brasil, alegando uma interferência da patrocinadora KIA, que leva o nome na competição e na camisa do time paulista.

Ontem, o discurso mudou: o mesmo Vilson disse à imprensa em geral que “a comissão de árbitros é séria”; “Wilton Sampaio foi infeliz mas é bom árbitro”, e outras declarações politicamente corretas.

Porém, inusitada foi a declaração do bom treinador Marcelo Oliveira, pressionando a arbitragem:

Quando fui jogador do Telê, aprendi a não me incomodar com o juiz. Não tenho muito a falar sobre isso, foram infelicidades da partida. Mas o Brasil todo viu que existiu pênalti no Tcheco, e a 10 metros do lance, o árbitro não viu ou não quís ver. No campo do adversário não era um juiz da FIFA, e aqui vai ser um bem experiente”.

Imagine se ele se incomodasse com a arbitragem, não? É irônico dizer que não reclama de árbitro e “descer a lenha” sobre a arbitragem…

Para esta quarta-feira apitará Sandro Meira Ricci, árbitro que estava na relação do sorteio para o primeiro jogo (foram colocados no globo da sorte naquela ocasião: Wilton Sampaio e Sandro Ricci). Terá como bandeiras o experiente catarinense Carlos Berkenbrock e o baiano Alessandro Matos, apelidado de “olho biônico”.

A propósito, a sequência de escalas de Alessandro Matos impressiona: esteve nos confrontos entre brasileiros na Libertadores, em duas semifinais da Copa do Brasil e no 1o jogo da final, na semana passada. É só “jogão”, e em sequência! Coincidentemente, a sorte parece estar do seu lado desde que o também baiano Manuel Serapião assumiu as escalas, no lugar de Sérgio Correia que está doente.

Bom jogo a todos!

– Processos entre Árbitros e Clubes de Futebol

Um verdadeiro levante dos árbitros de futebol está em curso no país. Talvez nunca tivemos tantos processos judiciais promovidos pelos árbitros através de suas associações de classe. Porém, devido a contusão do atleta Maikon Leite num lance corriqueiro de jogo na partida entre Ponte Preta X Palmeiras no último domingo, levantou-se a hipótese do Palmeiras em processar o árbitro do jogo por danos à equipe, pelo fato do clube entender que foi prejudicado.

Vamos lá: dentro de uma democracia, todos podem valer-se da defesa de seus direitos. Entretanto, há muitos equívocos ocorrendo.

Se um jornalista critica a atuação de um árbitro, caberia processo? Particularmente, entendo que não. É a livre manifestação da opinião, desde que não seja ofensiva.

Mas se um jornalista (ou jogador, dirigente, atleta) incita a violência e sugere má-fé, esquema, golpe, formação de quadrilha ou qualquer outro adjetivo pejorativo à pessoa do árbitro, entendo que há fundamento em mover um processo na Justiça.

Mas e a relação contrária: Clube processando árbitro?

Tal discussão já foi levantada há muitos anos, e a Regra do Jogo tratou de blindar os árbitros:

Na Regra 5 – O Árbitro, em “Decisões da International Football Association Board”, logo na Decisão 1 está o lembrete que:

1- Um árbitro (ou árbitro assistente ou 4º árbitro) não será responsável por:

a) qualquer tipo de lesão sofrida por um jogador, funcionário ou torcedor;

b) qualquer dano à propriedade;

c) qualquer outra perda sofrida por pessoa, clube ou associação, a qual se deva a alguma decisão do árbitro durante o jogo, conforme as Regras do Jogo, com o procedimento normal requerido para realizar, jogar e controlar uma partida.

Assim, a não-responsabilização de decisões do árbitro que possam levar a lesão de jogadores (marcar ou deixar de marcar uma falta) está dentro da Regra do Futebol.

Sinceramente, acho que vivemos um exagerado momento judicial nessas relações. Processos contra pessoas que incitem a violência ou procurem denegrir a figura do cidadão que exerce a função de árbitro de futebol são pertinentes (vide o caso do ex-árbitro Cláudio Cerdeira X Wanderley Luxemburgo ou Márcio Rezende de Freitas X Milton Neves – ou ainda como o caso Sandro Meira Ricci X Zezé Perrella). O que não pode é qualquer chiadeira virar processo na Justiça, até porque a Justiça tem coisas mais importantes a fazer do que julgar chororôs de árbitros ou de treinadores/jogadores/dirigentes.

Se a moda pega, fico imaginando um árbitro processar um estádio inteiro que ofenda a honra de sua genitora quando adentra ao campo de jogo, ou se no momento que é questionada pela torcida a honestidade e a sexualidade dele quando deixa de marcar algo que os torcedores gostariam.

Todo isso é movido pela paixão, pela vaidade ou por justo direito?

– Escolinha do Romualdo?

Romualdo Arppi Filho, árbitro brasileiro que apitou a final da Copa do Mundo de 1986, foi escolhido para ilustrar / representar a arbitragem do nosso país na coluna “Canhota”, de Sérgio Xavier Filho (Revista Placar, pg 39, Ed Julho 2012).

O mote foi falar sobre o fim da “arbitragem picada” (que segura jogo e que aceita o atleta que cava cartões), por um novo momento da realidade brasileira, influenciado por jogadores que buscam se manterem em pé ao invés de tentar simulações e de árbitros que deixam o jogo correr.

O artigo é bom, pertinente e atual. Os cartões estão deixando de serem vulgarizados (embora, claro, existam árbitros que ainda se escondem atrás dele).

Quando se fala em não-vulgarizar cartões, não é desleixo em não cumprir a regra, mas utilizá-los nos momentos exatos e corretos. E deixar o jogo correr não é, necessariamente, deixar de marcar faltas. Se é falta e não existe a vantagem, o jogo tem que parar. O que não pode é entrar do golpe da queda forçada de atleta.

Mas a matéria tem um pecado: o bom jornalista diz que a FIFA, na final da Copa de 86 e após a partida apitada por Romualdo no México (a decisão entre Argentina X Alemanha), entendeu que:

jogo amarrado era sinal de estelionato”.

Discordo. Não é bem assim. Há clubes que jogam para picar o jogo e cometem inúmeras faltas no meio de campo. E isso faz com que o jogo fique amarrado. Ou também leve em conta o árbitro medroso, fraco, que segura a partida com rigor ímpar.

Em ambos os casos não é estelionato, mas estilo (ruim, é verdade). Só não podemos aceitar a ideia de que aquele maravilhoso time de Maradona venceu o Mundial por culpa do Romualdo…

Como não tenho o acervo digital, postei a imagem da matéria. Clique sobre ela e amplie. A seguir, responda: concorda ou discorda do autor?

– A Infeliz Declaração Coxa-Branca

Falamos sobre os erros de arbitragem da partida Palmeiras X Coritiba, na última quinta-feira (veja em: http://is.gd/PALMxCFC). Mas nada de má intenção, e sim erros de jogo e questão de competência.

Porém, Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, insinuou possível “esquema” à Rádio 105 FM:

O Palmeiras tem o mesmo patrocinador da Copa do Brasil (Kia Motors)

Ora, sempre vemos dirigentes com chororôs pós-jogo. Zezé Perrela chegou a dizer claramente que o Corinthians era beneficiado; mas houve prova? A propósito: naquele ano, o campeão foi o Fluminense…

O mesmo árbitro Wilton Sampaio teve atuação ruim na semifinal da Copa do Brasil, no jogo Coritiba X São Paulo, sendo criticado pelos tricolores. O presidente do Coritiba se esqueceu disso?

Tais declarações são perigosas, pois torcedores mais fanáticos podem deturpar fatos e provocar a violência.

Aliás, se fosse assim, somente as Seleções patrocinadas pela Adidas venceriam as Copas do Mundo; o Flamengo (patrocinado pela Lubrax, óleo da BR) teria vencido muitas edições do Brasileirão Petrobrás (que é o campeonato brasileiro) e o Corinthians, patrocinado pela Iveco, divisão de caminhões da Fiat, não poderia vencer a Santander Libertadores, que presenteia com um Toyota o campeão.

Aliás, na Itália, sempre com problemas de corrupção no futebol, teria como campeão vitalício o Milan, por influência do Berlusconi. Parece que não é assim…

Repararam que a cada final de torneio sempre vemos acusações?

– Análise da Arbitragem de Palmeiras X Coritiba

Má atuação do árbitro Wilton Sampaio no primeiro jogo da Copa do Brasil. Apesar do bom condicionamento físico e de se posicionar extremamente bem em campo, pecou técnica e disciplinarmente. Vamos lá:

Lance 1: Pênalti a favor do Palmeiras, 45minutos do 1º tempo – No lance, antes da bola entrar em jogo, repare que os adversários estão se agarrando. Wilton Sampaio está a, no máximo, 3 metros dos atletas e nada faz. Desatenção ou omissão na prática da arbitragem preventiva? Quando a bola entra em jogo, fora do lance, Betinho impede Jonas de avançar (é falta de ataque); ela se aproxima e o atleta coxa-branca inverte “o golpe” e consegue com mais força no agarrão impedir a projeção do palmeirense. Abraçados, ambos caem.

Tanto Sportv e ESPN Brasil confirmam o pênalti, provavelmente por observarem a bola na proximidade dos atletas; porém, deve-se marcar a infração no nascedouro da jogada, pois a bola já estava em jogo, mesmo que distante dos atletas. Errou o árbitro.

Lance 2: Advertência com cartão amarelo e consequentemente expulsão de Valdívia. Ali, também errou o árbitro: ele aplica o cartão amarelo por ação temerária no tranco, entendo que há impedindo do avanço do adversário na disputa de bola, matando o contra-ataque. Não foi isso: Valdívia atinge com o braço o adversário, e aí deixa de ser tranco e/ou disputa de bola, passando a ser agressão. É expulsão com aplicação de Cartão Vermelho direto. A expulsão por segundo amarelo tem punição muito menor do que com cartão vermelho.

Lance 3: Pênalti não marcado em Tcheco – Dentro da grande área, o atleta paranaense tem a bola dominada, e Márcio Araújo o atinge com um pontapé, derrubando-o. O árbitro nada marcou e errou. Tive a impressão de que ele deu vantagem no lance, pois a bola sobra para um atleta do Coritiba que chuta para o gol e a bola passa à direita do goleiro Bruno. Se, de fato, o árbitro entendeu dessa forma, o erro foi ainda mais grave, pois a real vantagem não era a posse de bola de um atleta que estava longe, mas sim a marcação do pênalti.

Será que a memória recente da vantagem do pênalti acontecida em “La Bombonera” e bem percebida por Enrique Ósses no primeiro jogo da final da Libertadores influenciou Wilton Sampaio, levando-o a uma leitura equivocada da diferente situação de ontem?

Enfim, o Coritiba tem razões para reclamar.

– Tecnologia Eletrônica Finalmente Chega ao Futebol. Como se dará?

Três novas medidas adotadas pela FIFA hoje (em fase avançada de experiência):

1) Permissão de que atletas femininas islâmicas usem o véu nas partidas de futebol (ainda a regular como será o padrão da veste, em teste e aperfeiçoamento até 2014)

2) Escolha oficial da tecnologia para confirmar gols (dentre as muitas que foram oferecidas). A FIFA não escolheu uma, mas autorizou as duas que mais foram testadas até então: a do Hawk Eye (a de sistemas de câmeras, semelhante ao usado no tênis) e a do Goalref (a do Chip na Bola).

3) Aceite dos árbitros assistentes adicionais (AAA)

Claro que a medida radical é o aceite da Tecnologia de Ponta. Será utilizada em 3 competições FIFA nos próximos anos: em 2012 na Copa do Mundo de Clubes, 2013 na Copa das Confederações e 2014 na Copa do Mundo.

Diferente das 17 regras, que são obrigatórias, as medidas autorizadas hoje são OPCIONAIS. Assim, países pobres poderiam evitar custos altos da implantação, e torneios de ponta poderiam usar o que há de melhor.

Vale ressaltar que os estádios e clubes interessados em usá-las terão que ter a licença da FIFA (processo semelhante ao da aprovação de gramados sintéticos: a FIFA recebe o pedido, avalia e certifica as instalações).

Por fim, os AAA foram aceitos oficialmente, após as experiências reguladas. Entretanto, não foi dito como eles atuarão (se do lado direito ou esquerdo dos gols, testados no primeiro e segundo ano).

E você: gostou das novidades? Deixe seu comentário:

 

– Análise do Árbitro: Corinthians X Boca Jrs, Finalíssima da Libertadores

O Corinthians é campeão da Libertadores da América, e a êxtase do título faz com que a arbitragem nem seja discutida e passe desapercebida, com seus erros e acertos. Mas, na neutralidade que exige tal análise, vamos falar da atuação de Wilmar Roldán.

A partida foi de muita paciência, inteligência e malandragem por parte das equipes. O árbitro, com muita rodagem na Libertadores (10 jogos na temporada), apesar da juventude (apenas 32 anos, porém, como seu compatriota colombiano Oscar Ruiz, também surgiu cedo na arbitragem internacional), teve muito trabalho no jogo que se mostrou nervoso.

Veja o cenário inicial e diga se a atenção não deveria ser máxima:

– 16 segundos e primeira falta em Jorge Henrique. Cobrada aos 47s.

– 01 minuto e 05 segundos, falta de Emerson em Sosa, cobrada aos 01m34s.

– 02 minutos e 50 segundos, nova falta, agora para o Corinthians. Cobrada aos 03m10s.

Com 3 minutos, já tínhamos 3 faltas e pouca bola rolando. E esse seria o panorama do jogo: muita pegada, catimba e cera.

Aos 3m22s, falta de Mouche em Chicão. Chicão revida e Mouche cai. Amarelo para ambos. Perfeito, certou o árbitro.

Chega de contabilizar faltas e bola parada no minuto-a-minuto, já ficou claro que tivemos pouquíssimo jogo efetivo. E Wilmar Roldán não se fez de rogado: segurou o jogo mesmo, sentindo o clima unfair-play da partida. Talvez a melhor opção a ser adotada, pois se não tomasse cuidado, muitas expulsões poderiam acontecer.

E como o jogo era tenso, fatos não-corriqueiros aconteceram: aos 32 minutos, o goleiro Oreon se machuca. Sua saída é lenta, com sorriso amarelo, sem graça… E muita demora. Os 5 minutos de acréscimos ao término da etapa foram poucos, se somado com toda a cera da partida.

Aliás, onde é que estava o quarto árbitro Buitrago, que não viu que as cores do goleiro reserva Sosa Silva eram parecidas com a do Corinthians? Ridícula a demora para o reinício do jogo, trocando o shorts à beira do gramado. Deveria ter visto isso bem antes…

No segundo tempo, o árbitro continuava a apitar tudo; para times que gostam de amarrar o jogo, o Pacaembu é ótimo para tal estratégia. Mais faltas, e mais cera. Vide falta em Riquelme aos 40 segundos, cobrada somente a 1m36s. Ou o primeiro escanteio, que demorou quase 1 minuto para ser cobrado. Cera pura!

Porém, no segundo escanteio: novamente cera e Santiago Silva agride Jorge Henrique sem bola. Errou o árbitro, deveria ter expulsado El tanque, que socou o adversário.

06m: Schiavi atinge Danilo com um pontapé, amarelo bem aplicado.

09m: Caruzzo acerta Emerson, cartão amarelo bem aplicado.

12m: Jorge Henrique atinge Riquelme no contra-ataque, Cartão Amarelo.

Como vale tudo em final (para alguns), após o gol, é a vez do Corinthians fazer cera: expulsão do gandula que retia a bola. Aí é fácil: tomar providência contra cera de gandula, mas não tomar providência contra cera de atleta.

Outro erro do árbitro no segundo tempo: aos 32m, Schiavi atinge Danilo com forte pontapé, deveria receber 2º amarelo e ser expulso. É o segundo não-expulso do Boca Jrs.

Dos 35m aos 38m, Emerson Sheik e Caruzzo se ameaçam de todas as formas, sendo que o corinthiano toma a iniciativa. No auge das provocações (feitas sem a percepção do árbitro no começo, mas à sua vista no final) deveriam receber a advertência. O fim das provocações se deu com Emerson mordendo a mão de Caruzzo! Deveria ser expulso, mas a arbitragem não viu. Será que a Conmebol procederá como a UEFA (que utiliza o recurso eletrônico para tais lances), usará as imagens e punirá severamente Sheik pela selvageria?

Nos acréscimos, não houve jogo. Só foram minutos protocolares.

Enfim, a arbitragem não influenciou no resultado da partida, acertou nos lances técnicos com estratégia de arbitragem conservadora (que não vai de encontro com seu costumeiro estilo), razoável tecnicamente em jogo difícil e fraco disciplinarmente, sendo conivente com a cera. Na várzea, se costuma dizer que “o juizão não quis se complicar”, já que com pouca bola rolando, menor as chances de lances polêmicos surgirem.

Parabéns ao Corinthians. Para nós, brasileiros, é muito mais prazeroso assistir a um possível Corinthians X Chelsea no Mundial Interclubes do que ver o Boca em seu lugar. Desde que não apareça um Mazembe no meio do caminho…

– Pré-Análise da Arbitragem de Palmeiras X Coritiba, Final da Copa do Brasil

 Wilton Pereira Sampaio será o árbitro do primeiro jogo da final da Copa do Brasil. O árbitro que hoje é aspirante da FIFA por Goiás (mas que chegou a tal status pelo Distrito Federal) tem sido um dos mais regulares na competição. Porém, na última partida na competição, trabalhou na semifinal no jogo Coritiba 2 X 0 São Paulo, com atuação ruim.

Discreto, Sampaio não costuma deixar o jogo correr. Seu estilo é de marcar muitas infrações e opta por “preservar o atleta”, marcando demasiadas faltas de contato físico. Normalmente, seu estilo de arbitragem é conservador, sendo que não temos muito tempo de bola rolando em suas partidas.

Por tal critério, muitas vezes ele é contestado, embora, lances polêmicos não têm acontecido em seus jogos.

Seus assistentes serão: Alessandro Rocha de Mattos (FIFA-BA), considerado o “bandeira olho biônico”, por errar muito pouco os lances de impedimentos, e Fabrício Vilarinho (FIFA-GO), que foi escalado seguidamente nas duas semifinais e hoje volta a atuar.

A escala tem uma curiosidade: o árbitro reserva (4º árb) será também goiano, Elmo Resende, que apitou São Paulo X Atlético Mineiro e expulsou Luís Fabiano (denunciado para 12 jogos de suspensão e que levou apenas 2).

O bandeira reserva do jogo (5º árb) será de SP, João Boungauber. Apesar de ser competente, já que o restante da equipe de arbitragem é não-paulista, poderia ter seguido o mesmo critério e escalar alguém de outro estado.

Aqui vai uma crítica à CBF. A entidade escalou para complementar a equipe de arbitragem 2 DELEGADOS PARA OBSERVAREM OS ÁRBITROS E 1 PSICÓLOGA!

Por quê 2 avaliadores? Aristeu Tavares e Márcio Verri serão os delegados/observadores da partida (ou “assessores de arbitragem”, como costumam ser chamados). Excesso de zelo? É a primeira vez que isso acontece em jogos no Brasil (nem na final da Libertadores ou do Mundial de Clubes vemos isso). Além deles, temos a Dra Marta Sousa para auxiliar com os serviços de psicologia. Nada contra, mas ao invés de ser escalada para o estádio, tal profissional não deveria fazer um trabalho contínuo fora do gramado? Não vejo necessidade de se colocar uma psicóloga dentro do vestiário; mas sim, num treinamento planejado, a longo prazo, intermitente.

E você, o que pensa sobre isso? Deixe seu comentário:

Obs: Wilton Sampaio não é a cara do ex-jogador Denilson? Veja a foto:

– Pré-Análise da Arbitragem de Wilmar Roldán para a final da Libertadores

Para o jogo final da Libertadores entre Corinthians X Boca Jrs teremos um quarteto colombiano, comandado por Wilmar Roldán. Este árbitro é considerado o novo “Oscar Ruiz” da Conmebol, já que tem atuado em grandes jogos pelas competições da América do Sul, como rotineiramente fazia seu compatriota. Trabalhou em 10 partidas pela Libertadores, é o árbitro com o 4º maior número de cartões aplicados por jogo, e se destaca pelo rigor disciplinar e grande capacidade técnica. No começo da carreira, foi chamado de “Castrilli da Colômbia”, pela semelhança física. Na última semana, Roldán declarou ao diário esportivo Olé (Argentina) que seu grande ídolo da arbitragem, de fato, foi Javier Castrilli (árbitro FIFA da Argentina que se envolveu em polêmica partida no Campeonato Paulista – Portuguesa X Corinthians).

Roldán, assim como Osses (o árbitro chileno da semana passada) deixa o jogo fluir e não apita faltas bobas. Rigoroso disciplinarmente e bem fisicamente. Bom nome para a final. Mas vale o recado aos clubes: cuidado com a indisciplina, pois senão o árbitro não deixará os times acabarem com 11 em campo.

Curiosidades:

1) Armando Marques será o representante da Conmebol para conduzir os trabalhos no Pacaembu (será o “assessor da arbitragem”). Figura polêmica, será homenageado pela Sulamericana  em breve, pelos bons serviços prestados ao futebol, juntamente com o uruguaio Recoba e o argentino Burrochaga.

2) Roldán foi o polêmico árbitro da partida Libertad X São Paulo, pela Copa Sulamericana, partida na qual Richarlysson tentou agredir o árbitro e onde o lateral esquerdo Juan o acusou de racismo.

3) O quarto-árbitro da finalíssima será José Buitrago, o mesmo que apitou Emelec X Corinthians e Boca X Fluminense, ambas arbitragens criticadas pelos brasileiros que o taxaram de “caseiro”. A propósito, foi na partida Emelec X Corinthians em que o presidente Mário Gobbi, revoltado, chegou a dizer destemperadamente que a Libertadores era uma várzea, e que o Paulistão valia mais. Já no Boca X Fluminense, o prejuízo foi grande para os brasileiros, com péssima atuação do árbitro.

Se o 4º árbitro, como árbitro principal é caseiro, como será nesta outra função?

Mero palpite: a partida será decidida na cobrança de tiros penais. A propósito, quando há esse tipo de decisão por pênaltis, as cobranças não fazem parte oficialmente do jogo, mas sim do meio de decidir uma disputa eliminatória. Isso quer dizer que se o Boca Jrs vencer uma hipotética disputa nos penais, o Corinthians, oficialmente será vice-campeão invicto (perder nos pênaltis não é derrota no jogo pela regra).

– Uma Mão na Bola por Reflexo é Falta? E a Punição?

Ontem, na partida Palmeiras X Figueirense, dois lances comparativos para estudo.

Um atacante do time catarinense se joga na grande área, tentando cavar pênalti. O árbitro corretamente marca infração por simulação, tiro livre indireto ao time paulista e cartão amarelo. Correto. Tentou enganar o árbitro.

Na sequência, atacante palmeirense recebe a bola, e quando tenta dominá-la, usa a mão. O árbitro marca falta e tiro livre direto para o time catarinense. E aí: Cartão Amarelo ou não?

Curiosidade: tentar enganar o árbitro é infração em que deve ser aplicado o cartão amarelo.  Porém, o uso indevido das mãos na bola nem sempre é punível com cartão amarelo. Ontem, o atleta do Palmeiras, com a bola chegando a ele, por reflexo usou as mãos para o domínio. E O “REFLEXO É UMA INTENÇÃO”, pois devemos lembrar que só se pode marcar a mão na bola por intenção, nunca por imprudência. Como o atleta saiu sem reclamar, mostrou que aceitou a marcação e demonstrou não tentar enganar o árbitro, apesar de usar as mãos, não deve receber o cartão.

Se o uso das mãos fosse nítido para ludibriar o árbitro, aí sim deve aplicar a advertência com cartão amarelo.

Portanto, acertou o árbitro!

– Juvenal Juvêncio na Preleção e Punição ao Luís Fabiano?

Sou contra certas interferências de trabalho, desde que os profissionais estejam agindo com correção. Mas, nesta semana, surgiu uma brincadeira sugerindo o presidente tricolor Juvenal Juvêncio para treinador do São Paulo Futebol Clube, devido a uma folclórica entrevista.

No primeiro jogo após a demissão de Leão, o time comandado pelo treinador interino, Milton Cruz, venceu o Cruzeiro em Belo Horizonte. Nada a questionar sobre a competência e mérito do ótimo Milton Cruz, mas algo a pontuar sobre uma situação inusitada: Juvenal Juvêncio esteve dando preleção antes do jogo, visitou os atletas no intervalo e se juntou a todos no final da partida.

Algum problema?

Talvez não. O presidente de qualquer empresa quer (e deve) estar a par de tudo que acontece com seus subordinados. Como comandante, é bom estar próximo. Gosto muito do ditado de que “os bois engordam aos olhos do fazendeiro”.

Sendo assim, Juvenal está cumprindo a parte dele. Mas recordo que ele não agiu da mesma forma quando o SPFC estava sob o comando de Emerson Leão. Comportamentos distintos?

Um detalhe: Luís Fabiano foi punido pela altíssima média de cartões amarelos no Brasileirão. Ontem, reincidiu. Será novamente advertido?

Sobre o cartão: ontem, o atacante sãopaulino acabou recebendo outro bobo cartão amarelo. Merecido, bem aplicado por Marcelo de Lima Henrique, que apitou tranquilamente a partida.

Qual será a desculpa de Luís Fabiano? Que desforrou no gramado por perder um pênalti (após involuntariamente arrancar um tapete de grama, o mesmo o arremessou para fora de campo depois do cruzeirense Tinga tentar arrumá-lo)?

O que ele “tem de craque”, tem na mesma proporção de impaciência…

– Emenda às Regras do Jogo. Você Gostou das Mudanças?

Amantes do Futebol, atenção! A partir de domingo, dia 01 de Julho, o esporte mais popular do mundo terá Regras Novas.

A propósito: alguém viu divulgação maciça das mudanças das regras do futebol? Claro que não, pois elas costumam ser sutis e só são percebidas quando surgem as dúvidas.

Vamos lá: para os campeonatos que se iniciarem no domingo, algumas novidades:

1)- No banco de reservas, poderemos ter entre 3 a 12 substitutos (a critério das Confederações Nacionais). Nos jogos da FIFA, serão 12. No Brasileirão, continuarão a ser 7 até o final do ano, e em 2013, passarão a ser 12 (aqui, sou favorável a uma 4ª substituição de atleta, e retorno de substituído ao jogo, mas acho que seria voto vencido…)

2)- Esparadrapos nas meias: deverão ser da cor predominante das meias. Será proibido jogar com fita que tenha cor diferente ao equipamento. Por exemplo: se a meia é azul, deverá se usar esparadrapo azul (essa foi radical, não?).

3)- Um gol direto de bola ao chão não será mais consignado. Se um jogador chutar uma bola para o gol direto de um bola ao chão, será marcado tiro de meta. Se ele fizer um gol-contra direto de bola ao chão, deverá se marcar escanteio (quantas vezes você viu tais lances em jogos profissionais?).

4)- A mais polêmica: a relação dos atletas que entrarão em campo poderá ser modificada antes do início da partida SEM PRÉVIO AVISO AO ÁRBITRO. Hoje, a escalação deve ser entregue aos árbitros 45 minutos antes do início; caso ocorra alguma lesão nesse ínterim, o árbitro deverá ser comunicado e a lista retificada. Com a nova decisão, o clube poderá apresentar 11 titulares na lista, e na hora do jogo, alterá-los sem prévio aviso.

O que isso significa? Que treinadores que adoram esconder a escalação reinarão nos pré-jogos. Uma medida sem lógica… Não dá para entender o motivo/ justificativa de tal alteração! Imaginaram nos grandes clássicos, que bagunça será? Jornalistas e árbitros com uma lista, e na hora de começar a partida, um desespero total em atualizá-la… Vai dar problema!

Lembrando: tudo isso (e mais alguns detalhes menores) valerão a partir de 1º de julho nas competições que se iniciarão. Para os campeonatos vigentes, valem as regras atuais (na Copa Sulamericana, por exemplo, regras novas; no Brasileirão, regra atual).

E você: gosta das modificações?

– Análise da Arbitragem de Boca Jrs X Corinthians, La Bombonera.

O árbitro chileno Enrique Osses não decepcionou e mostrou as características esperadas para Boca X Corinthians. Se posicionou bem, não entrou na malandragem de brasileiros e argentinos, aplicou corretamente o cartão amarelo para Riquelme por reclamação, impondo-se e demonstrando extrema segurança na condução do jogo.

Os dois lances mais polêmicos / difíceis para a arbitragem:

1) a falta aos 41m do Roncaglia sobre o Emerson. Se não fosse sobre o Emerson e se o Roncaglia não tivesse amarelo, seria apenas mais uma falta de jogo. Emerson foi o mais argentino dos brasileiros, jogou com a dose exata de catimba, evitando exceder na malícia e se complicar com uma expulsão. Parabéns a ele. E nesse lance, fez como Neymar costuma fazer: cortou para cima do adversário, ao invés de sair da falta. Ele tentou ser obstruído para cavar o segundo cartão do adversário, e Osses não entrou. Ali, era faltinha normal de jogo, ou, dependendo do árbitro, nem falta. Se fosse árbitro fraco, expulsava Roncaglia. Acertou o árbitro ao não dar o segundo amarelo, embora houvesse muita reclamação corinthiana.

2) O gol do Boca. A Regra funciona assim-

2.1- se o zagueiro coloca a mão na bola e evita o gol, vermelho e pênalti.

2.2- se o zagueiro tenta colocar a mão na bola e não consegue, e a bola não entra mesmo assim, não é nada (pois, afinal, “mão na bola” não existe a tentativa, só o fato consumado).

2.3- se o zagueiro coloca a mão na bola, mas ela acaba entrando no gol por ter sido chutada forte e a mão não for suficiente para desviá-la para fora, confirma-se o gol e dá-se cartão amarelo por uso indevido das mãos na bola.

2.4- se o zagueiro coloca a mão na bola, evita o gol, mas a bola sobra em vantagem ao adversário numa situação clara e manifesta de gol, ESPERA-SE A CONCRETIZAÇÃO DA JOGADA e:

a) se no rebote for gol, confirma o gol e dá amarelo;

b) se o jogador perder o rebote (acertou a trave, bateu em um adversário); volta atrás, dá pênalti e cartão vermelho pois não se concretizou uma vantagem;

c) se o jogador ficar com o gol escancarado, sozinho e chutar para a lateral (por ruindade), dá o amarelo e não volta atrás na marcação, pois ele desperdiçou a vantagem.

O lance do Chicão foi marcado corretamente pela arbitragem: deu vantagem e posteriormente cartão amarelo (situação “a”).

Importante: existe sim vantagem em pênalti, pois ele surge de uma infração como outra qualquer, diferenciando-se por ser dentro da área. Porém, como está muito próximo do gol, a real vantagem, na maioria das vezes, é marcar o pênalti do que deixar a jogada seguir, já que a chance maior de gol poderá ocorrer na penalidade máxima (dizer que não existe vantagem em pênalti é mito).

– O Drama de Marcelo Duarte

Leio que o árbitro da FPF, Marcelo Duarte, passa por difícil situação de saúde: está com câncer no globo ocular!

Trabalhei muito tempo com Marcelo. Ele é natural de Flórida Paulista, morou em São Paulo e estava residindo aqui em Jundiaí (onde está internado).

Tomei ciência do fato através do site especializado em arbitragem “Voz do Apito” (em: http://www.vozdoapito.com.br/arbitro_marcelo_duarte_e_internado_em_sao_paulo.php).

Como nessas horas o contato deve ser evitado para não desgastar o paciente (segundo o site, Marcelo já passou por cirurgia), ficam as orações, que serão mais frutíferas do que uma visita.

Boa recuperação, Marcelo!

– O Novo Rodrigo Cintra. Boa Sorte!

Vi nas Redes Sociais que Rodrigo Martins Cintra abdicou na última sexta-feira da carreira de árbitro de futebol. Ele, que está trabalhando num cargo diretivo do Comitê Local das Obras da Copa 2014 em Natal/RN, e que também arbitrava pela Federação Bahiana de Futebol, agora é comentarista da TV Bahia, no lugar de Manuel Serapião (membro da Comissão de Árbitros da CBF, que está exercendo interinamente o cargo de presidente em virtude da enfermidade de Sérgio Correa da Silva).

Cintra surgiu como uma grande sensação, anos atrás, após um lance polêmico o qual acertou entre Palmeiras X União Barbarense (uma jogada em que a bola parada é levemente tocada, colocando-a em jogo, enganando o adversário que fica esperando a cobrança em um lance só).

No ano anterior, Cintra bandeirou para mim na extinta série B1B (5ª divisão). De lá foi para o apito, e rapidamente chegou à CBF. Sempre bem condicionado fisicamente, sendo jovem, era costumeiramente cotado como possível FIFA. Com Armando Marques na gestão, Rodrigo Cintra apitou clássicos pelo Brasil inteiro.

Porém, muitas vezes o árbitro foi criticado por uma certa “arrogância” creditada a ele pelos clubes de futebol: um misto de autosuficiência e prepotência.

Trabalhei vários jogos com Cintra (além de conviver com ele em 3 pré-temporadas), e posso dizer que tal impressão é ilusória. Rodrigo Martins Cintra é uma pessoa inteligente, soube usar bem a mídia e suas qualidades no apito para mostrar a figura de ousado, extremamente seguro e confiante. Tais atributos, às vezes em excesso, poderiam aflorar um excesso de vaidade, o que trazia a confusão entre o árbitro Cintra e o homem Cintra.

O certo é que na gestão do Cel Marinho a carreira do árbitro começou a ser questionada. A Comissão de Árbitros Estadual pedia muita discrição, o que não combinava com o comportamento dele. Qualquer árbitro novato via em Cintra o ídolo a ser seguido, seja pelas folclóricas histórias de situações diversas de jogo, ou até enfrentamentos em vestiário (são públicas as confusões acontecidas com agressão sofrida em vestiário no Brinco de Ouro e expulsão coletiva de gandulas em Araras).

Por fim, Rodrigo Martins Cintra é do bem; sujeito honesto e trabalhador. Desejo a ele boa sorte nas searas que assumiu e aguardo o tão prometido livro que escreverá, dito a mim num encontro casual num restaurante, ano passado.

Vá em frente! Torço por você.

– O que Esperar das Arbitragens das Finais da Libertadores?

Para o primeiro jogo da final da Libertadores da América (Boca Jrs/ARG X Corinthians/BRA), em Buenos Aires, teremos uma equipe de arbitragem chilena, comandada por Enrique Osses.

Osses é um dos árbitros FIFA mais regulares da competição. Consegue ser discreto; bom tecnicamente; deixa o jogo correr e não vulgariza os cartões; regular no desempenho físico.

Para os otimistas: Osses apitou (e muito bem) a partida Corinthians X Nacional/PAR, com vitória brasileira na primeira fase.

Para os pessimistas: Osses apitou (e também muito bem) a partida pela pré-Libertadores, Corinthians 0 X 0 Tolima, ano passado.

Já para a próxima semana, em São Paulo, teremos quarteto colombiano, comandado por Wilmar Roldán. Este árbitro é considerado o novo “Oscar Ruiz” da Conmebol, já que tem atuado em grandes jogos pelas competições da América do Sul, como rotineiramente fazia seu compatriota. Trabalhou em 10 partidas pela Libertadores, e se destaca pelo rigor disciplinar e grande capacidade técnica. No começo da carreira, foi chamado de “Castrilli da Colômbia

Os dois árbitros têm o estilo parecido: deixam jogar e não apitam faltas bobas. Bons nomes para as finais, embora, os dois melhores árbitros da América do Sul tenham ficado de fora da decisão: o paraguaio Carlos Amarilla e o brasileiro Wilson Luís Seneme (este, por motivos óbvios).

Três Curiosidades:

1) Armando Marques será o representante da Conmebol para conduzir os trabalhos no Pacaembu (será o “assessor da arbitragem”). Figura polêmica, será homenageado pela Sulamericana  em breve, pelos bons serviços prestados ao futebol, juntamente com o uruguaio Recoba e o argentino Burrochaga.

2) Roldán foi o polêmico árbitro da partida Libertad X São Paulo, pela Copa Sulamericana, partida na qual Richarlysson tentou agredir o árbitro e onde o lateral esquerdo Juan o acusou de racismo.

3) O quarto-árbitro da finalíssima será José Buitrago, o mesmo que apitou Emelec X Corinthians e Boca X Fluminense, ambas arbitragens criticadas pelos brasileiros que o taxaram de “caseiro”. A propósito, foi na partida Emelec X Corinthians em que o presidente Mário Gobbi, revoltado, chegou a dizer destemperadamente que a Libertadores era uma várzea, e que o Paulistão valia mais. Já no Boca X Fluminense, o prejuízo foi grande para os brasileiros, com péssima atuação do árbitro.

Se o 4º árbitro, como árbitro principal é caseiro, como será nesta outra função?

Boa sorte ao Corinthians.

– Palmeiras X Grêmio: Constatações…

O jogo de ontem, disputado na Arena Barueri, nos leva a uma série de constatações:

Felipão, critique-o ou não, de fato é técnico copeiro.

Luxemburgo, goste ou não, está em péssima fase faz tempo.

Jogo decisivo, queira ou não, a torcida vai.

Arbitragem de Ricardo Marques, FIFA ou não, foi muito ruim. Henrique foi expulso injustamente.

Por fim: até César Sampaio brigou nos vestiários, segundo os jornais, com André Lima!

O futebol, de fato, transforma as pessoas…

– De Rossi: Permitido Bater no Adversário?

Me espanto ao ver a tatuagem do jogador da Seleção Italiana (e da Roma), De Rossi. Na Eurocopa, desenhou uma placa de trânsito sinalizando: “PERMITIDO CARRINHO”. Loucura, veja só:

 

Cá entre nós: a gravura mostra o adversário sendo atingido, não a bola. Não é tolice um atleta estampar orgulhosamente tal desenho?

Depois não quer ter fama de violento…

– Análise da Arbitragem de Corinthians X Santos, Pacaembu, 20/06/2012

Ontem a noite, no Pacaembu, Leandro Pedro Vuaden fugiu das suas principais características e fez uma arbitragem extremamente conservadora, com estilo diferente do que o marcou por toda a sua carreira; porém, segura e eficaz.

Ao contrário do que se esperava, o árbitro não deixou o jogo correr. Segundo o Lancenet!, cerca de 50 faltas foram apitadas na partida (mais de uma falta a cada 2 minutos). O número é alto se levarmos em conta as características da equipe, e mais impressionante ainda se o analisarmos com o tempo de bola rolando. Em 90 minutos, costuma-se ter jogo efetivo, quando muito, entre 60 e 70 minutos. Assim, com tal número de faltas, vimos que o jogo truncado foi a característica principal do jogo.

Antes a partida, o diário gaúcho Zero Hora, reproduziu uma entrevista pré-jogo com Vuaden, que disse:

Revi o jogo anterior na Vila Belmiro, assisti várias partidas entre as duas equipes e estudei todos os jogadores”.

Assim, sabedor das malícias dos atletas, Vuaden abriu mão da sua principal virtude: permitir a disputa de bola até o limite da falta; soltar a partida e não se intimidar com quedas de atletas. Nitidamente, não quis correr o risco de ser criticado por deixar de marcar faltas e optou pela estratégia do “caiu, marcou”. Poucas jogadas foram aquelas em que o árbitro permitiu que o jogo fluísse, sendo que por duas oportunidades aplicou a vantagem e voltou atrás na marcação marcando a falta vencida (correto, mas que ele não costuma praticar).

Vários fatores podem ter sido determinantes para que Vuaden adotasse tal critério: o conhecimento da rivalidade entre as equipes, o estudo feito sobre os atletas confessado por ele e o campo molhado, escorregadio, que leva à maior dificuldade de condução da partida.

Em suma, o árbitro deixou de lado as melhores virtudes da “escola gaúcha” de arbitragem e aplicou o “estilo precavido” das arbitragens mais dignas do interior paulista.

Dentro do critério estabelecido e escolhido, foi coerente. A partida ajudou pela não existência de lances polêmicos. E com jogo travado por faltas, naturalmente as jogadas dentro da área deixam de existir, inibindo complicações ao árbitro em situações duvidosas. Com menos tempo de bola rolando por tudo isso, maior fôlego para suportar a partida. Vide que o árbitro esteve próximo das jogadas durante os 94 minutos disputados.

Assim, o árbitro foi bem; não comprometeu; teve absoluto controle da partida (embora o estilo de arbitragem possa ser discutido eu, particularmente não gosto!) e pecou apenas em dois momentos:

1) No início do segundo tempo, Neymar cavou duas faltas (não foram) e o árbitro marcou. Eram próximas da área, o que poderia trazer confusão caso fosse marcado o gol. Talvez por ser início da etapa, houve uma certa desatenção naquele instante por parte da arbitragem.

2) No final de jogo: depois dos 40 minutos do segundo tempo, não tivemos mais futebol! A demora nas reposições de bola foi constante. Em especial, durante os acréscimos, numa cobrança de tiro de meta, a bola ficou parada entre o minuto 46 e 47. Isso significa que dos 3 minutos acrescentados, 1 não foi jogado. E quando foi, tivemos mais 30 segundos para a cobrança de uma falta. Acréscimos desprezados e que deveriam ser novamente acrescentados…

Destaque para os assistentes: O bandeira 2 Alessandro Matos esteve bem; discreto e preciso. Já o assistente 1, Altermir Haufman, abusou na marcação das faltas. Até aquelas que são de responsabilidade maior do árbitro foram assinaladas por ele, sem necessidade. De 8 lances, 3 ele colaborou corretamente, pois estava melhor posicionado e ajudou o árbitro. Outras 3 foram concomitantes ao árbitro (lances que não precisava levantar o instrumento). Outras 2 foram erradas, pois os lances foram normais, de disputa de bola, e o árbitro confirmou a falta talvez para prestigiar seu bandeira. Sem contar a cômica utilização do “spray em parábola”! Inédito.

Entretanto, algo importante: todos os impedimentos marcados por Altemir foram corretíssimos: muitos, e de altíssimo grau de dificuldade. Neste ponto, o assistente deve levar a nota máxima, com total louvou. Preciso, não errou um lance sequer, parabéns!

– A Conmebol Endoideceu! Armandinho é o cara?

A Conmebol, de fato, é uma piada. Ela fará uma festa para lançar a Copa Sulamericana, e homenageará um jogador ou treinador de cada país-membro pelos bons serviços prestados. A exceção será o Brasil, onde nem técnico, nem jogador forma escolhidos, mas sim… Armando Marques!

É pra rir ou pra chorar? Como árbitro, fraco. Como dirigente, péssimo. Como pessoa, antissocial.

Dessa vez, Nicolas Leoz caprichou…

– O que Esperar da Arbitragem de Vuaden na noite desta 4ª feira?

Leandro Pedro Vuaden apitará o tão aguardado Corinthians X Santos. O que veremos em campo, do ponto de vista da arbitragem?

O árbitro gaúcho tem como principal característica a não-marcação das chamadas “faltinhas bobas”, que podem ser definidas como “aquelas que são fruto de divididas, usando virilidade e que levam à queda do adversário”.

Nem sempre esses lances são faltas. Aqui no Brasil, infelizmente, muitos árbitros marcam infração quando há trancos mais fortes em roubadas de bola. Porém o tranco é legal (está na Regra 12), bem como o contato físico. O que difere se um tranco foi ilegal ou não é: a quantidade de força usada para disputar a bola! Foi desproporcional, ilegal ou desnecessária? Aí é infração. Muitos marcam falta com a mínima força exercida, entendendo como tranco ilegal. Vuaden, bem como árbitros argentinos e europeus, não. Calma: não é regra diferente, mas estilo/cultura de arbitragem diverso.

Também não esperemos nessa noite os lances cavados de falta. Jogadores como Neymar e Jorge Henrique, que costumam exagerar nas caras e bocas de dor em lances de falta, a fim de obterem cartões amarelos aos adversários, não poderão usar desse expediente, já que o árbitro não costuma se deixar levar por esse tipo de malícia.

Outra característica positiva: a permissão da disputa de bola até o último instante permite que o jogo seja mais corrido e ao mesmo tempo mais pegado, trazendo mais emoções. Nos lances em que um jogador é agarrado, mesmo ainda tendo condições de disputar a bola, e abdica de continuar a jogada, não tem a falta marcada ao seu favor. Para ser falta, não adianta abrir mão da disputa, deve tentá-la até o fim, e aí sim, concretizando a impossibilidade de continuar a jogada, marca-se a falta. É o conceito de “foul”, aplicado ao pé da letra pelo gaúcho.

O ponto negativo: como os jogos arbitrados nesse estilo costumam ser mais corridos, o árbitro cansa mais. Fisicamente, nas últimas partidas, Vuaden tem se mostrado um pouco mais lento de costume. Tomara que não tenhamos contra-ataques com lances duvidosos nos últimos minutos.

Boa arbitragem e bom jogo nessa quarta-feira!

– O Erro de Flamengo X Santos

Ontem, o árbitro Francisco Carlos do Nascimento (o “Chicão de Alagoas”) cometeu um grave erro na partida Flamengo X Santos, no Engenhão, ao anotar um pênalti inexistente e decisivo ao time da Gávea.

Repare que nesse link do Globoesporte.com (http://globoesporte.globo.com/futebol/times/santos/)  aos 08m27s do vídeo, Gerson Magrão vem por trás e toca com o pé direito a bola, quando Ibson tinha a posse. O santista não atinge o pé direito do flamenguista. Portanto lance limpo, não-faltoso.

Na disputa de bola, não foi pênalti. Uma hipótese é que o árbitro poderia crer que o pé esquerdo do jogador do Santos tenha tocado no pé esquerdo do adversário (lance envolvendo o contrapé). Ledo engano, pois a imagem mostra claramente que o jogador havia, na disputa da jogada, aberto a perna mais do que podia e é justamente a perna esquerda do flamenguista quem toca a perna esquerda do santista!

De quem foi o erro maior: do árbitro, que marcou incontinente a penalidade (nem titubeou, sendo o lance em seu lado cego) ou do árbitro adicional, que estava em frente a jogada e não o avisou do equívoco (crendo que esse se omitiu)?

Deixe seu comentário:

– 3 Grandes Provocadores dos Árbitros na Rodada do Final de Semana

De tanto chiarem contra a arbitragem, São Paulo, Palmeiras e Santos podem estar dando tiros no próprio pé. Valem algumas observações e o questionamento: Quem é o mais prejudicado (se é que ele existe)?

1) O cabeça-quente tricolor

Dias atrás, escrevemos no blog do Portal Bom Dia / Diário de SP sobre os cartões amarelos recebidos por Luís Fabiano, atacante do SPFC (releia em: http://www.redebomdia.com.br/blog/detalhe/8630/Os+Cartoes+de+Luis+Fabiano+e+a+Faixa+de+Capitao).

Ontem, após o término da 5ª rodada, o artilheiro sãopaulino atingiu uma marca impressionante: em 5 rodadas do Brasileirão, jogou 4 partidas e recebeu 5 cartões (4 Amarelos e 1 Vermelho, média de 1,25 cartão/jogo). Todos evitáveis.

Luís Fabiano sempre foi marcado por cartões bobos quando jogava no Brasil. Porém, seus gols sempre compensaram o destempero emocional. Além de desfalcar o time na próxima rodada, o “Fabuloso” criou um clima ruim para os próximos jogos. Ontem, infantilmente quase pediu para o árbitro Elmo Resende expulsá-lo.

2) O velho-chato palmeirense

Felipão preferiu culpar a arbitragem ao invés de assumir os erros de sua equipe. Perceberam que Luís Felipe Scolari, ao se emudecer perante os microfones dos jornalistas em protesto ao árbitro, acaba usando o mesmo e velho expediente de outros tantos rodados treineiros: o de desviar o foco das falhas e pressionar pré-jogo o árbitro da partida seguinte? (e olha que o árbitro foi Leandro Pedro Vuaden, que apitará o jogo de volta da Libertadores entre Corinthians X Santos).

Dessa vez, criou-se a modalidade de reclamar sem nada falar…

3) O novo-chorão santista

Se a moda é chororô dos dirigentes, o que dizer do Santos FC? Depois do até então irrepreensível presidente Luiz Álvaro ter pisado na bola ao culpar a CBF pela derrota na Vila Belmiro pela Libertadores, o site oficial do clube “desceu a lenha” contra o árbitro Francisco Carlos do Nascimento.

Quer dizer que o clube vai ao jogo até com técnico reserva (Muricy não se sentou no banco), poupa atletas e a culpa é do juiz?

Sabem o que o jogador do São Paulo, o treinador do Palmeiras e o webmaster do Santos têm em comum?

Ambos estão dando aval para os árbitros punirem rigorosamente suas equipes, num evidente efeito colateral das pressões pré-jogos.

1)Em qualquer partida que Luís Fabiano se exceder, sua fama prevalecerá e ficará fácil para um árbitro novamente aplicar-lhe cartão, pagando o preço da má-fama e prejudicando o São Paulo.

2)Nos próximos jogos em que Felipão pela enésima vez chiar contra a arbitragem, ninguém irá estranhar sua expulsão, fato que se tornou corriqueiro.

3)E se por ventura o Santos for eliminado da Libertadores, não dá para falar que Neymar apanha muito e ninguém pune, que o time é desprestigiado, entre tantas outras coisas, pelo excesso de chiadeira.

Por fim: de tanto reclamarem e agirem antidesportivamente, o discurso de “prejudicado” já não cola mais. E insistem ainda em utilizá-lo!

E você, o que pensa sobre tudo isso? Deixe seu comentário:

Aliás, perceberam quantos times se autointitulam como “o mais prejudicado”? E o gozado é que nenhum dirigente se rotula como beneficiado…

Análise da Arbitragem de Santos X Corinthians, Urbano Caldeira, 13/06/2012. Como foi o árbitro de ontem?

O árbitro Marcelo de Lima Henrique apitou um jogo de dificuldade mediana/grande, por culpa do comportamento dos atletas, tensão do jogo e características da partida. Vamos para a análise dos 4 fatores de rendimento do árbitro (físico, disciplinar, emocional e técnico):

1- FÍSICO: o árbitro esteve muito bem durante o jogo. Correu bastante e se posicionou bem na maior parte dos lances. Prova disso foi aos 9 minutos de jogo, após Jorge Henrique perder uma bola no ataque e armar o contra-ataque santista: em jogada rápida, o árbitro acompanhou os jogadores do Santos na mesma velocidade, podendo estar do lado da jogada na conclusão da mesma.

Apenas dois lances em que o posicionamento do árbitro não ajudou, prejudicando sua decisão: aos 44 minutos, em lance faltoso sobre Emerson na linha de fundo (se possuísse um árbitro assistente adicional da linha de meta – o AAA – poderia ter lhe ajudado) e a agressão de Durval em Jorge Henrique aos 63 minutos (na frente do assistente no. 1, que não o ajudou). Eram lances de ponto cego para a visão do árbitro, frutos do local da jogada ou de congestionamento de atletas à sua frente.

2- DISCIPLINAR: procurando evitar a vulgarização dos cartões, o árbitro utilizou muito bem as advertências verbais aos atletas, não desperdiçando (ou queimando) cartões. Nas infrações, policiou-se para não exagerar em aplicar cartões amarelos em lances normais por ilusão, como a infração de Danilo sobre Neymar aos 29 minutos, onde o santista fantasiou a queda e fez ‘caras-e-bocas’ de dor no lance. Falta comum, onde há exagero da “representação da queda”. Ou ainda o lance em que Emerson Sheik, aos 56 minutos, abandona a bola e vai no corpo de Adriano, onde acertou em aplicar o Cartão Amarelo.

Outros acertos? Aos 70m: Alessandro calça Neymar, recebendo o amarelo, bem aplicado. E aos 75m, quando Neymar calça Castán, corretamente, recebe amarelo.

Aos 76m, novamente Emerson, que dá um carrinho certeiro em Neymar. Como recebeu o 2º amarelo, foi expulso com correção.

O pecado disciplinar foi a não coibição das atitudes inconvenientes. Foram duas situações pontuais e duas constantes ao longo do jogo:

-a primeira pontual: 12 minutos, quando Paulinho simula pênalti, dobrando os joelhos ao entrar na área santista. Não é queda de casualidade de uma disputa de bola, é tentar sacanear o árbitro (atitude antidesportiva). Marcelo acertou em mandar seguir, mas poderia ter dado o cartão amarelo. Jogadores do Santos provavelmente não tiveram tempo de reclamar pelo bom histórico do adversário, pelo ritmo frenético do jogo naquele momento e por um contra-ataque armado.

-a segunda pontual: 57 minutos, quando Emerson se joga descaradamente para cavar pênalti, após disputa de bola com Durval. Deveria ser marcado o tiro livre indireto por simulação e aplicar o cartão amarelo ao Sheik. Seria o 2º no jogo, e consequentemente sua expulsão. Nada de alegar que Durval cometeu infração, pois não há braço que desequilibra o corinthiano, tampouco toque nas pernas. Tentou cavar, abdicou do jogo.

-os dois lances constantes do jogo: as inúmeras condutas antidesportistas de Emerson, seguidas por inúmeras faltas em rodízio. É a lei da ação-reação: o atacante do Corinthians disputa o jogo sempre com virilidade excessiva, deixando braço/mão para atingir seu adversário, fazendo faltinhas desnecessárias e irritando os adversários santistas. Estes, reagem com faltas durante o jogo, sempre usando um pouco mais de “vontade” para acertar o Sheik, como nítido revide. Tal fato poderia ser advertido com mais vigor pelo árbitro, que tão bem fez isso na partida mas se omitiu nesse particular.

3- EMOCIONAL: Em partida nervosa, o árbitro manteve o equilíbrio emocional para que os fatores de pressão não o influenciasse nas decisões. Os apitos distribuídos para a torcida, com efeito ensurdecedor, irritam o árbitro. O volume do som, quando em desaprovação à uma ação, poderiam influenciar o apitador em decisão futura. Isso não aconteceu. Também nas perturbações do jogo: muita calma no episódio de copo de água arremessado contra o goleiro corinthiano aos 15m, laser contra os atletas aos 16m, e, por mais incrível que possa parecer, um capacete da Polícia Militar aos 80 minutos arremessado contra o mesmo goleiro (que pessoal mal educado… lamentável). Procedeu corretamente quando da falta de energia elétrica aos 81 minutos e em situações de desentendimento dos atletas. Muito bem nesse aspecto.

4- TÉCNICO: alguma dificuldade no jogo, devido à proporcional malícia dos atletas. Quer demonstração mais clara do que os segundos iniciais de ontem? Aos 8 segundos, os ‘comportados’ Neymar e Jorge Henrique vão disputar uma bola e se jogam um contra o outro, resultando numa trombada. Repare que ambos não buscam a bola, mas sim o corpo, nitidamente para cavar uma infração! Emblemático… E aí o árbitro deve ter cuidados para acertar a marcação. Emerson, por exemplo, sofre falta aos 59s, aos 3 minutos e cai sozinho aos 4 m. Difícil acertar tudo, não?

Outro lance que foi constante: Jogadores que se jogam no adversário, buscando cavar a falta: aos 10 minutos, Juan dribla e vai pra cima de Jorge Henrique, querendo ser trombado e iludindo a todos que sofreu falta. Idem a Neymar, que aos 52 minutos, após ganhar de Alessandro na corrida, busca trombar em Chicão. Vale lembrar: o adversário parar na frente do atleta para obstruí-lo é falta; mas quem ataca pular no corpo do jogador para cavar, não é.

Claro, somemos o lance de Emerson aos 44 minutos, fora da área, citado anteriormente, como erro técnico, junto a uma cama-de-gato cavada por Neymar: aos 34 minutos, A bola vem alta, Castan e Neymar na disputa dela, Neymar abdica de pular e pratica uma cama-de-gato. O árbitro entende que Castan comete carga em Neymar ao pular e dá a falta. Por reclamação da falta inexistente, Castán leva amarelo. Errou tecnicamente ao interpretar dessa forma, pois Castán pulou e foi desequilibrado por Neymar que abaixa, não existindo a carga.

Um lance reclamado por Ganso, ao final do primeiro tempo, foi um suposto pênalti de Castán, numa bola que teria sido desviada. Acertou o árbitro ao não marcar, pois ali Neymar cruza que bate no cotovelo do Castán. Não é pênalti, pois não existiu intenção alguma de colocar a mão na bola.

Uma polêmica mal resolvida aconteceu aos 68 minutos, com erro técnico e interpretativo: Jorge Henrique faz falta em Juan e o árbitro não dá; na sequência, Durval se enrosca com Jorge Henrique, que cai. Durval pisa em Jorge Henrique, ao meu ver, intencionalmente. O árbitro entende que não. Eu expulsaria, pois penso que poderia ter evitado o pisão.

Vale ressaltar o ótimo desempenho técnico do assistente Roberto Braatz. Acertou tudo, em especial, os impedimentos difíceis. No gol corinthiano, aos 26m, acertou em dar condição de jogo ao Emerson. Quando recebe a bola, ele está atrás do zagueiro, mas no lançamento se encontrava exatamente na mesma linha, num lance rápido. Parabéns!

POR FIM, jogadores maliciosos como Jorge Henrique, Emerson e Neymar sempre trazem dificuldade ao árbitro. Dentro das dificuldades apresentadas, o árbitro foi bem, sem influenciar no resultado. Neymar, que costuma dar trabalho ao cavar / simular / sofrer muitas faltas na partida, não conseguiu fazer isso, nem entrar com frequência na área, minimizando o trabalho do árbitro naquela área.

E eu que achava que o Tite montaria um ferrolho… ledo engano! Esquema ofensivo, inteligente e com time coeso…

– Os Rojões na Praia; Arbitragem da Libertadores para Santos X Corinthians

Hoje teremos uma partida que promete muita emoção: Santos X Corinthians, válida pela semifinal da Libertadores da América.

Talvez as duas partidas que disputarão sejam as maiores da história desse clássico, devido a importância do torneio. E, para isso, vale tudo (até coisas que não concordo): chororôs, acusações, provocações e… rojões!

As notícias dão conta que inúmeros rojões foram soltos nessa noite no lado de fora do hotel em que a delegação corinthiana se hospeda. Pura bobagem… O jogo se ganha, acima de tudo, no campo.

Sobre a arbitragem: reproduzo minha pré-análise publicada no Portal do Diário de São Paulo / Rede Bom Dia, falando sobre o que esperar de Marcelo de Lima Henrique hoje e de Leandro Pedro Vuaden na semana que vem. Abaixo, extraído de 06/06/2012, em: http://www.redebomdia.com.br/blog/detalhe/8544/Analisando+as+escalas+para+a+Libertadores

Ops: meu palpite? Vitória minguada do Santos, por culpa do “ferrolho” a la Once Caldas que Tite deve montar. Penso que o Corinthians jogará todas as suas fichas no jogo de volta, no Pacaembu.

ANALISANDO AS ESCALAS DA LIBERTADORES

A Conmebol divulgou que para o jogo Santos X Corinthians, na Vila Belmiro (13/06), teremos arbitragem do carioca Marcelo de Lima Henrique. Para Corinthians X Santos, no Pacaembu (20/06), teremos o gaúcho Leandro Pedro Vuaden (neste jogo, teremos a repetição da escala de Corinthians X Vasco).

Claro que torcedores das duas equipes perguntarão: boa ou má indicação?

Sem dúvida, boa para os dois nos seus respectivos mandos!

Nos bastidores, é sabido que tanto Corinthians e Santos não queriam arbitragem estrangeira.

Para o time do Parque São Jorge, um árbitro local é bom por “respeitar a grandeza do time”. Sabe aquele discurso intramuros de que um árbitro brasileiro poderia sentir a pressão do Corinthians? A uns, esse pensamento funciona; a outros, pura bobagem…

Para o time praiano, um árbitro local é bom por ser “mais técnico nas marcações de faltas cometidas sobre Neymar”. Aqui, o discurso intramuros é de que um árbitro brasileiro preservaria mais o craque.

Na verdade, os dois times estão satisfeitos. Vamos a cada jogo:

1)No jogo de ida, em Santos, teremos Marcelo de Lima Henrique que está em boa fase, mas que se equivocou em lance de pênalti na partida Grêmio/RS X Palmeiras/SP, dias atrás. Hoje ele apita Atlético-MG X Bahia/BA. O FIFA-RJ costuma não tolerar muito o contato físico; seus jogos costumam ter muitas faltas marcadas por não aceitar o rodízio de infrações e jogadas mais ríspidas. Bom para o Santos FC, se considerarmos que Neymar sofre muitas faltas e procura receber outras tantas (aqui o velho dilema: interpretar quando o garoto recebe, busca ou simula faltas).

2)No jogo de volta, em São Paulo, teremos Leandro Pedro Vuaden. O FIFA-RS está numa eloquente sequência de escalas, sendo que apitará no próximo domingo Uruguai X Peru. Apitou Corinthians/SP X Vasco/RJ pela Libertadores e apita hoje Sport/PE X Palmeiras/SP. O árbitro com estilo mais argentino do futebol brasileiro costuma deixar o jogo correr, não marca muitas faltas e nem tolera artimanhas. Tem pecado no aspecto disciplinar: às vezes, vulgariza o cartão amarelo; em outras, vira algo sagrado! Bom para o Corinthians, pelos mesmos inversos motivos do jogo de ida. Embora, Jorge Henrique, que é extremamente polêmico para o apito, possa ser inibido com o estilo Vuaden.

Apesar de serem bons nomes para os jogos, fico surpreso pela ausência de Wilson Seneme para um dos confrontos. Junto com Carlos Amarilla, são os dois melhores árbitros sulamericanos da temporada. Seneme apitará Equador X Colômbia no próximo domingo.

Vuaden vem sendo nome constante nas escalas, sempre com os bandeiras Altemir Hausmann e Alessandro Matos (entrosamento não faltará para o trio). Já Marcelo de Lima Henrique tem sido deixado de lado pela Sulamericana (vide baixíssimo número de escalas como árbitro principal em torneios da Conmebol). Foram preferidos deixando de lado nomes como Heber, Roman, Ricci, PC e o próprio Seneme. Além do que, mostra o desprestígio de outros nomes como Péricles, Chicão de Alagoas e Ricardo Marques Ribeiro (estes últimos, nunca utilizados como árbitros centrais – e nunca ao pé-da-letra mesmo).

Se o árbitro é FIFA, teoricamente, pode apitar em qualquer lugar do mundo. Então, porque não escalá-los?

Infelizmente, banalizaram o escudo…

Tudo isso ainda mostra algo problemático: a universalização de critérios, sempre defendida, é algo utópico.