– Uma experiência na Arquibancada na volta do futebol pós-pandemia.

Meu espaço num campo de futebol sempre se resumiu basicamente em dois ambientes: dentro do campo de jogo (no gramado ou à beira dele, enquanto árbitro) e nas cabines ou em frente ao “tubo” (enquanto comentarista). Na torcida, muito nas cativas do Estádio Jayme Cintra enquanto criança e, quando adulto, assistindo algumas poucas partidas pelo Interior e na Capital.

Confesso: nos últimos anos, estar em uma arquibancada foi um fato raríssimo (gosto de futebol, independente dos times, mas estar in loco não é uma praxe usual), e ontem revivi esse momento na experiência de expectador. Com meu pai, fui assistir Red Bull Bragantino x São Paulo no Estádio Nabi Abi Cheddid, junto a 3 queridos amigos.

Horário do apito inicial: 18h15. Compramos os ingressos pela Internet: uma facilidade o uso dos aplicativos voltados a isso; porém, em cada compra tem que se usar 1 CPF e 1 usuário diferente. Ou seja: você tem que fazer várias contas (portanto: vários logoffs e loggins) se quiser ir com a família e comprar de um único celular (isso é desagradável). Chegamos por volta das 16h15, e fomos direcionados ao ponto de aferição da documentação: se estávamos com os e-tickets de entrada, comprovantes de vacinação em ordem e aferição de temperatura. Feito isso, é fornecido uma pulseirinha do jogo, a fim de que na entrada do estádio possa se ter certeza de que a pessoa não esteja furando o protocolo sanitário.

Um adendo: os preços não são absurdos, olhe aí a tabela:

Passo seguinte: a fila para entrar. Não vi ninguém com “ingresso de papel” (nem sei se houve a oferta). Mas em todas as catracas, somente leitura de QR Code dos celulares (lembrando: se você for com a família, tem que estar cada um com um celular logado em sua conta, ou fazer os inúmeros logins e logoffs do mesmo aparelho). Ali, nova aferição de temperatura e um pouco de cansaço (pela demora; afinal, nem todos conseguem que a leitura do ingresso eletrônico seja perfeita – depende da luminosidade da tela, do modo em que o fiscal da catraca passa seu aparelho, etc).

Às 17h estávamos sentados na arquibancada branca, atrás de um dos gols. Imagino que quem chegou em cima da hora, sofreu e perdeu o começo da partida. Vimos as equipes chegarem com seus belíssimos ônibus e, naturalmente, os aplausos e vaias da descida dos atletas.

Apesar da garoa e do vento frio, penso que todos os ingressos foram vendidos. As arquibancadas vermelhas abarrotadas, muita gente nas cativas cobertas e nos ingressos populares, também muito público. A todo instante o pedido para uso de máscaras pelas “Stuarts(sim, somente moças como seguranças em nossa arquibancada, que na verdade também eram orientadoras), além dos avisos pelo sistema de som. Tudo bem organizado, ressalte-se isso. Na torcida, grupos de conhecidos / familiares se aglomerando, tentando se distanciar de grupos vizinhos (algo natural nessa retomada). Nas organizadas, naturalmente isso não aconteceu – mas todos estavam usando máscaras.

A minha dúvida: próximo do começo do jogo, as Torcidas Organizadas do São Paulo entraram em bloco e lotaram o espaço destinado a elas. Me custa crer que eles fizeram os mesmos procedimentos necessários que nós, simples mortais, que levamos 45 minutos para fazer devido ao movimento.

Vi um número elevado de famílias em campo (talvez pela cultura da cidade), e muita, muita gente jovem mesmo (meninos e meninas). Alguns torcedores com camisas antigas do Bragantino, mas a maior parte com as camisas da nova roupagem: as pretas, vermelhas, brancas e até azul marinho – incluindo não só as com a logo do Red Bull Bragantino, mas as de fórmula 1 da equipe Red Bull Racing. As faixas de torcedores organizados com os escudos antigos modificados (com suas agremiações de torcedores), algo que não muda pela lógica do futebol: não se coloca o clube em destaque, mas a logo da torcida organizada – essas, sabidamente, não mudam de nome).

O desconforto: nas arquibancadas mais baratas, as pessoas se acostumaram a assistir o jogo em pé. Faz parte do hábito de um local. Assim, mesmo podendo sentar, se você quiser assistir a partida a contento, deve ficar em pé os dois tempos de 45 minutos, sentando apenas no intervalo. Não faz muito sentido isso pra mim… você pode assistir sentado sem problemas. Talvez, insisto, pelo costume, esse desconforto seja aceito normalmente.

Não vi nenhuma briga entre torcedores; vi torcedores do São Paulo junto com outros do Red Bull Bragantino próximos a mim. Isso foi extremamente positivo – até porquê existia bastante harmonia nas arquibancadas. Nos bares da redondeza, por exemplo, testemunhei muita gente com camisa dos dois times se confraternizando.

Sobre o jogo: é impressionante como o São Paulo FC não demonstrou interesse na partida! O Red Bull Bragantino se impôs, fez valer o mando e tomava as iniciativas. O Tricolor não se lançava ao gol adversário, esperava o contra-ataque, e nos momentos em que o Massa Bruta ampliava o domínio, com muita malícia o time esfriava o jogo, caindo, pedindo atendimento médico ou fazendo cera. Mas não houve lance violento ou algo parecido – aliás, uma partida fácil para se apitar, onde o árbitro Felipe Fernandes de Lima (falamos sobre ele na análise pré-jogo desse blog e do “Pergunte ao Árbitro”) irritou bastante. Explico: 

  • Um excesso de conversa desnecessário. Ele apita “narrando o jogo”, e parece ter uma necessidade de justificar os lances aos atletas. Não é a situação do jogador procurar o árbitro, mas do árbitro querer aparecer buscando o jogador. Assim como fizemos críticas construtivas quando ele esnobou a série B no lamentável episódio do jogo do Vasco (citado anteriormente em outra postagem), alguém precisa dar um toque a ele sobre isso. Aliás, não posso deixar de fazer a observação dele teatralizar demais a aplicação dos cartões com trejeitos excessivos (em alguns momentos, deixou de ser discreto e começou a agir espalhafatosamente, quase imitando o árbitro Ricardo Marques Ribeiro, seu companheiro de Federação Mineira).
  • Felipe tem potencial, mas não pode deixar os jogadores fazerem tanta cera sem punição, ou a cada falta chamar atendimento médico dentro de campo. Retardou demais o jogo com isso, além da espera absurda de 2’01” para verificar o gol anulado do Red Bull Bragantino num simples lance de impedimento.

Como experiência, valeu a tarde/noite. Foi um lazer que não custou caro (embora com alguns desconfortos naturais e esperados de quem se propõe a ir a um jogo de futebol). Mas o ambiente amistoso, o número de mulheres e jovens no estádio, o ótimo policiamento nas redondezas, foram pontos positivos.

Ops: e o gol perdido pelo Pablo? Esse amigo que fizemos no bate-papo da arquibancada é são-paulino, e ele veio da cidade de Monte Sião para assistir a partida. Naquele momento de incredulidade pelo gol perdido, foi impossível não registrar essa foto:

Por fim, a imagem do campo lotado:

Um comentário sobre “– Uma experiência na Arquibancada na volta do futebol pós-pandemia.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.