– Evergrande Guangzhou: do futebol milionário ao rombo imobiliário bilionário.

Parece a história do grupo OGX, de EIke Baptista: através de dinheiro futuro, muita grana no presente, sem garantias do que haveria de vir – foi isso que a construtora Evergrande fez na China. Diversificando os negócios, desde o ramo imobiliário à montadora de veículos (que nunca foram montados), a empresa enganou muita gente e agora pode trazer um prejuízo enorme para a China e, consequentemente, para o mundo.

Lembre-se que o Guangzhou, time que foi dirigido por Luiz Felipe Scolari, é de propriedade da Evergrande. Aliás, ele foi o grande campeão chinês por várias temporadas e a melhor equipe local, pagando altos salários até para os padrões europeus. Atualmente, estava construindo um novo estádio, orçado em US$ 1,7 bilhão (R$ 9 bilhões), com formato de “flor de lótus”, para 100 mil torcedores.

Por fim, não nos esqueçamos, o mesmo time contratou Conca, em 2011, com o 3o maior salário do mundo, na época atrás apenas de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

Hoje, somente no ramo imobiliário, a dívida do grupo é de 350 bilhões de dólares, segundo o UOL.

Considerando que o Suning Group, outro gigante da China e dono da Internazionale de Milão, também fechou o Jiangsu por problemas financeiros (time que o zagueiro são-paulino Miranda estava jogando), podemos crer que o futebol na China se reinventará forçosamente?

Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/amp/mercado/2021/09/como-a-evergrande-criou-a-montadora-mais-valiosa-da-china-sem-vender-um-unico-carro.shtml

COMO A EVERGRANDE CRIOU A MONTADORA MAIS VALIOSA DA CHINA SEM VENDER UM ÚNICO CARRO.

CAIXIN -O Evergrande Group da China, incorporadora hoje à beira da falência, fez muitos esforços ao longo dos anos para ramificar seus negócios além dos imóveis, mas o mais impressionante é como ela conseguiu manipular os mercados de capital com as histórias que criou.
Uma dessas histórias é a Evergrande como fabricante de carros de novas energias. O valor de mercado do China Evergrande New Energy Vehicle Group (Evergrande Auto), que ainda não vendeu um único carro, chegou a 674,1 bilhões de dólares de Hong Kong (US$ 86,6 bilhões, cerca de R$ 462 bilhões), tornando-a não apenas a mais valiosa empresa listada em Bolsa na China, como também duas vezes mais valiosa que sua matriz, a Evergrande —apesar de a Evergrande ter vendido trilhões de iuanes em imóveis residenciais nos últimos 20 anos.
Mas os tempos mudaram. A Evergrande Auto está avaliada hoje em 30 bilhões de dólares de Hong Kong (HK$), cerca de 4% de seu pico. Na terça-feira (21), a companhia concedeu 323,72 milhões de opções de ações no valor de HK$ 1,26 bilhão (R$ 870 milhões) para três diretores e cerca de 3.180 funcionários da companhia, segundo um documento enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong.

As pessoas que mais lucraram com as histórias da Evergrande são seu fundador, Hui Ka Yan, e seus amigos. Por exemplo, uma pessoa do círculo de Hui comprou 80 milhões de ações do Evergrande Health Industry Group —antecessor da Evergrande Auto antes que ela fosse rebatizada para servir a seu novo propósito— por HK$ 0,3 cada, antes de vendê-las todas por HK$ 50 a ação, segundo a agência de notícias Caixin. O negócio rendeu para o investidor mais de HK$ 4 bilhões.

Encorajado por esse sucesso disparado, o amigo de Hui também participou de colocação privada da Evergrande Auto, mas descobriu que sua sorte tinha mudado, segundo a Caixin. Ele continuou comprando ações enquanto o preço caía, mas acabou sendo forçado a vendê-las com prejuízo.
O objetivo principal da Evergrande Auto era levantar capital para o grupo Evergrande. A matriz alegou que tinha investido 47,4 bilhões de iuanes (R$ 39,34 bilhões) em seu negócio de automóveis, mas alguns analistas acreditam que o grosso desse investimento veio do mercado, e não da própria Evergrande.
“A Evergrande Auto tinha levantado 30 bilhões de iuanes em duas rodadas. O que significa que a companhia usou principalmente dinheiro de investidores —em vez de seu próprio capital— para investir, e conseguiu ganhar um alto valor de mercado (para a companhia de carros). Consequentemente, com suas ações (da companhia de carros) a um preço elevado, ela poderia usá-las como garantia para levantar ainda mais dinheiro”, disse um analista.
Conforme a história da Evergrande Auto se desdobrou, a trama focou em fusões e aquisições, não na fabricação de carros. Em setembro de 2018, a Evergrande comprou uma grande participação no Xinjiang Guanghui Industry Investment Group por 14,5 bilhões de iuanes (R$ 12 bilhões), tornando-se a segunda maior acionista da empresa. Esse negócio trouxe as vendas de carros para o noticiário porque o Guanghui Industry Investment é um acionista do China Grand Automotive Services Group, uma das maiores revendedoras de automóveis do país. Essa narrativa nunca chegou a lugar nenhum, entretanto. Em 2019, a Evergrande, sem caixa, vendeu sua participação no Guanghui Industry Investment para a gigante de energia estatal Shenergy Group por 14,85 bilhões de iuanes (R$ 12,267).
Em janeiro de 2019, a antecessora da Evergrande Auto, Evergrande Health, do setor de saúde, adquiriu 51% da National Electric Vehicle Sweden (Nevs) por US$ 930 milhões (R$ 4,969 bilhões). Hui, cujo nome em Mandarim é Xu Jiayin, fechou o negócio rapidamente, talvez porque precisasse reforçar as credenciais de montadora da Evergrande depois que sua decisão de colaborar com o empresário cercado de polêmicas Jia Yueting no projeto de carro elétrico Faraday Future (FF) deu errado. Sem o FF, Xu precisava de algo para dar alguma substância à identidade da Evergrande como fabricante de carros, e a Nevs era bem apropriada. Deu certo. Depois que comprou uma parte da Nevs, o preço da Evergrande Health disparou.
O aumento dessas ações se deve em parte ao fato de elas estarem concentradas nas mãos de relativamente poucos acionistas. Em 9 de agosto de 2020, a companhia recebeu uma advertência da Comissão de Securities e Futuros de Hong Kong sobre alta concentração em sua propriedade. A conclusão da comissão sugeria que em 5 de agosto de 2020 um grupo de 18 acionistas detinha 19,83% das ações emitidas pela companhia. Junto com as 74,99% de ações emitidas em posse da companhia, essa participação representava 94,82% do total de ações da empresa. Só 5,18% das ações emitidas pela Evergrande estavam em posse de outros acionistas da companhia.
O acordo para assumir uma participação majoritária no Fangchebao Group oferece mais evidências das técnicas financeiras da Evergrande. Ela adquiriu uma participação de 51% nas mais de 40 mil lojas físicas da Fangchebao por meio de uma troca de ações. Dessa maneira, a Evergrande não teve de pagar dinheiro pelo negócio, para o qual atraiu a Fangchebao prometendo uma oportunidade de abrir o capital. Em consequência, a Evergrande adquiriu ativos valiosos com um investimento aproximado de 1 bilhão de iuanes (R$ 826,1 milhões) para cobrir a reforma das lojas e custos de integração do sistema. No final de 2020, os ativos totais e líquidos da Fangchebao chegavam a 4,7 bilhões e 3,1 bilhões de iuanes, respectivamente (R$ 3,9 bilhões e R$ 2,57 bilhões).
Em 29 de março de 2021, a Fangchebao trouxe 17 investidores estratégicos e levantou um total de HK$ 16,35 bilhões (R$ 11,28 bilhões). Esses investidores teriam uma participação de 10% na companhia ao concluir o negócio, elevando a avaliação pré-financiamento da Fangchebao para HK$ 163,5 bilhões. Esse negócio teria uma parte dos fundos levantada por meio da venda de ações existentes, com o restante levantado pela emissão de novas ações. A Fangchebao emitiu 651 milhões de novas ações para investidores, enquanto a Evergrande pretendia vender 651 milhões de ações existentes aos investidores.
Dessa maneira, a Evergrande conseguiu aumentar o valor de mercado da Fangchebao para HK$ 163,5 bilhões (R$ 112,21 bilhões) em um ano e embolsar HK$ 8,175 bilhões (R$ 5,610 bilhões) com a venda de suas ações da companhia.
Uma pergunta agora é como a Evergrande conseguiu fazer os investidores entrarem no negócio da Fangchebao?
Um investidor institucional que participou do negócio disse que o segredo foi a promessa de recompra pela Evergrande. “O que nós valorizamos foi seu mecanismo de ajuste da avaliação”, disse o investidor. “Se a Fangchebao não abrisse o capital em um ano, a Evergrande compraria de volta nossas ações com um prêmio de 15% em relação ao preço de mercado predominante. Pelo menos, através desse mecanismo, nós poderíamos recuperar nosso dinheiro.”
O investidor também indicou que outra companhia sob o guarda-chuva da Evergrande, a Evergrande Property Services Group, conseguiu entrar na Bolsa muito rapidamente, o que deu aos investidores confiança de que tinham uma saída potencial do negócio que não era muito distante. (Cont no link acima)

Felipão se despede dos torcedores do Guangzhou Evergrande

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