Salvo engano, um dia o treinador da Argentina, Carlos Billardo, resolveu escolher o irreverente e irresponsável Don Diego Maradona para ser o capitão dos Hermanos, a fim de amadurecê-lo mais. E deu certo! Por ser craque e ter espírito de liderança, a ideia funcionou e em 1986 culminou no Bicampeonato Mundial. Logicamente, os problemas extra-campo perduraram – e em especial, o vício pelas drogas desde o final da carreira.
Já Tite promoveu tanto no Corinthians quanto na Seleção Brasileira que disputou a Copa da Rússia o discutível “rodízio de capitães” – que eu não gosto!
Agora, após as críticas a Neymar, Tite resolveu dar a braçadeira de capitão permanentemente a ele, talvez com a mesma ideia de Billardo.
Dará certo?
Não vejo Neymar com o perfil de liderança, embora seja inegável seu talento em campo, além da vocação de protagonista. São coisas, aliás, bem distintas.
Rogério Ceni no São Paulo; Sócrates no Corinthians, Zito no Santos ou Carlos Alberto Torres na Seleção Brasileira (até mesmo o contestável Dunga em 94): independente da condição de craque ou não, eram líderes! E Neymar?
Aqui no Brasil, a figura do capitão é pouco explorada. Na Regra do Jogo, ele serve para o árbitro comunicar o time de alguma decisão; é um representante, sem poder a mais do que os outros durante o confronto, mas lembrado jocosamente por ser aquele que tirará o “cara-e-coroa” no início da partida.
Na Europa, a situação é outra: ele é o símbolo do clube, a figura representativa em eventos, entrevistas e quaisquer outros compromissos. O capitão, por lá, é o “presidente em campo” (boleiramente falando).
Será que a estratégia de Tite resultará em benefícios ao Escrete Canarinho?
Aguardemos. Penso que com tantos assessores, profissionais e “parças” que possui, deveria cuidar melhor da imagem de profissional responsável, pois a marca de celebridade descolada já está batida (talvez até pelos seus parceiros publicitários).
Aliás, olha só esse trio de capitães da Seleção Brasileira: Neymar (não em qualidade de jogo, mas em respeitabilidade), estaria ao nível deles?
Ops: para quem os não reconheceu: Bellini, Mauro Ramos e Carlos Aberto Torres.

