– Faculdade com clima de Escolinha Infantil? Funciona!

Olha que bacana: na Folha de São Paulo do último sábado (29/11/14, pg 8, Cotidiano), Fábio Takahashi entrevistou o renomado Professor Richard Miller, que atesta: sala de aula deve ter clima de pré-escola!

Abaixo:

ALUNOS PRECISAM INTERAGIR SEMPRE

Para que os estudantes consigam aproveitar da melhor forma suas aulas, o clima da classe deve ser de pré-escola. Mesmo num curso de engenharia, afirma o professor Richard Miller, 55.

É o que ele tenta aplicar como presidente do Olin College, considerada uma das faculdades mais inovadoras dos Estados Unidos.

Aberta em 2002, a escola já é considerada a terceira melhor de engenharia nos EUA entre as que não possuem pós-graduação, segundo o US News (o principal ranking americano).

A experiência fez com que o Insper, uma das melhores faculdades de administração no Brasil, contratasse o Olin para ajudar a desenhar sua escola de engenharia, que será aberta em fevereiro.

A base do Olin, localizado próximo a Boston, é formar seus 350 estudantes a partir do trabalho em projetos.

A comparação com a pré-escola feita por Miller se dá porque nas aulas os estudantes interagem o tempo todo, trabalhando em equipe -e com muito falatório.

Miller esteve na semana passada no Brasil em seminário da Confederação Nacional das Indústrias, que discutiu mudanças nos currículos das engenharias.

A seguir, trechos da entrevista dada à Folha por Miller, que é pós-graduado no MIT e na Caltech, duas das melhores faculdades do mundo.

Folha – Quais as principais características do Olin College?

Richard Miller – Há insatisfação na forma como os engenheiros têm sido preparados.

O currículo comum no mundo tem muito de ciências naturais e matemática.

Entretanto, quando você vê o que o mercado precisa, é mais do que ciências naturais. O que se precisa é de um engenheiro com habilidades em relacionamento pessoal, que saiba formar equipes com pessoas de diferentes origens. E que também pense de forma empreendedora, pense sobre custos, retornos.

Para termos certeza que não seríamos como as outras escolas, para que não caíssemos nas mesmas armadilhas, o Olin tem uma estrutura diferente. Não há departamentos, como de matemática, de história, de filosofia. Somos organizados de forma totalmente interdisciplinar.

Quais são os resultados?

90% dos nossos alunos se formam em quatro anos. Dos que se graduam, 40% seguem para a pós-graduação; 25% destes vão para Harvard, Stanford ou MIT.

Para os que não vão para a pós-graduação, os empregadores dizem que é como se tivessem muitos anos de experiência logo que chegam. Isso é por causa do tipo de educação que damos. Em Olin, cada estudante formado completou de 10 a 20 projetos durante o curso.

O sr. acha que o modelo pode ser replicado em larga escala?

Sim. Estudantes querem ser criativos, trabalhar em grupo. Nossa forma de estruturar a educação é que tem sido muito confinada, limitando a criatividade, forçando uma baixa cooperação.

Por exemplo, a ênfase em testes faz com que os alunos fiquem desestimulados a cooperar. [Numa prova] isso é considerado trapaça [cola].

Em nosso ambiente, as classes são muito diferentes.

Elas se parecem mais com uma pré-escola, com muitas cores, e não é quieto, as pessoas estão falando o tempo todo.

O que estamos fazendo é tentar fazer as pessoas terem ideias originais.

Qual sua impressão sobre as universidades brasileiras?

Acabei de chegar de uma visita ao ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica], a qualidade dos alunos é de nível mundial. Eles teriam sucesso em Stanford, MIT ou Caltech.

O ITA faz excelente trabalho em ensinar ciências básicas para engenharia, mas agora está com interesse em inovação, empreendedorismo. Tenho contato também com pessoas da Unicamp, da UFMG. Estou impressionado com a seriedade dos cursos.

O que me preocupa é que os cursos são oferecidos apenas em português. É muito limitante.

Se eu tivesse um varinha mágica, abriria o país para recrutar gente das melhores universidades do mundo. Estamos falando em ter a melhor educação possível.

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– Percebeu a Manifestação Divina?

Extraído de William P. Young, escritor do best seller “A Cabana”: Texto ecumênico que independe se você é judeu, cristão, muçulmano…

Acho que todos nós já tivemos uma experiência sobrenatural, que está escondido no dia-a-dia. Um pôr-do-sol, um arco-íris ou o choro de um recém-nascido podem ser experiências sobrenaturais. (…) Deus fala comigo por meio da minha família, dos meus amigos ou até mesmo de inimigos. Não há motivo pra separar as experiências sobrenaturais dos pequenos encontros com Deus que ocorrem em nossa vida cotidiana. Deus está presente em todos os momentos. Acreditar no sobrenatural é fácil demais. O mais difícil é encontrar a espiritualidade é na vida real. É preciso trabalhar duro.”

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– Marcelo de Lima Henrique zarpando para novos desafios.

E o árbitro carioca Marcelo de Lima Henrique, que perdeu injustamente o escudo FIFA, está de partida: apitará no Campeonato Pernambuco, onde será mais um dos árbitros que trocam o estado natal contratados como atração.

E ele está certo! Sou do tempo que o bom árbitro encerrava a carreira com 45 anos (a idade limite) apitando uma das decisões nacionais, despedindo-se do escudo FIFA. Sempre foi uma questão de respeito! Hoje, isso mudou. Se o árbitro não tem idade para duas Copas do Mundo, fica de escanteio, desprezado…

E é justamente incoerente! Quando o árbitro está experiente, respeitado pelos jogadores e com o nome consagrado, é alijado da FIFA e algum jovem assume sua vaga, sem ter feito por merecer.

Para ser FIFA, tem que ter apitado Majestoso, Fla-Flu, Grenal ou algo que o valha. Hoje, o cara vai para a FIFA sem ter pisado no Maracanã ou no Morumbi!

Boa sorte, Marcelo! Sucesso no novo desafio.

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– Richarlyson vai encerrar a carreira por causa do juiz?

Pensei que era simples reclamação pós-jogo… mas não. Eis que Richarlyson declara que encerrará a carreira por culpa dos árbitros!

Intempestividade de Ricky ou perseguição verdadeira?

Veja a declaração do jogador à Sportv logo após a derrota contra o Flamengo:

Eu particularmente encerro minha carreira aqui. A gente veio para brigar e ver o que o senhor Elmo fez hoje… Não venho representar uma equipe como o Vitória para ver o que o Elmo fez hoje. A convicção que marcou o gol do Flamengo valeu. Foi um ponto positivo, ok. Mas convicção para não marcar o pênalti a nosso favor foi impressionante. Não vim a passeio, não vim brincar de passear. Não tenho culpa de eles não serem profissionais. Não estou generalizando, tem árbitros bons. Mas o que eles fizeram aqui… Era o jogo da nossa vida, o que esse cara fez hoje aqui, que Deus abençoe a vida dele. Que o Vitória siga seus passos. O que o Sr. Elmo fez aqui não vale nada.  A torcida não merece isso. Somos homens, mas o que ele fez… (…) Estávamos jogando a partida da nossa vida. Mas não passo mais por isso. O futebol foi muito grato por onde passei. Não vou deixar que árbitros como esse façam isso com minha carreira. Não vou mais passar por isso. Encerro contra o Santos. Passar a vergonha que passei hoje, sem poder fazer nada porque o poder está nas mãos dele. Minha última partida vai ser no Barradão.

Eu acho que Richarlyson não está encerrando a carreira por culpa do seu relacionamento com os árbitros. E você?

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– Boleiros e comportamentos distintos no final de semana

É lamentável que os jogadores de futebol tenham comportamentos tão distintos e até de certa forma, condenáveis em alguns casos e louváveis em outros.

No sábado, Lúcio arranjou confusão dentro de campo e após o apito final “quase foi para cima” do jornalista da Sportv. No Internacional/RS ele era um bom zagueiro, mas nada de taxá-lo como craque. No Bayern, se destacou pela força física ao dar suas disparadas da defesa ao ataque, chegando assim à Seleção Brasileira. Na Itália, “fez água”… No São Paulo, ficou marcado pelo péssimo comportamento extra-campo e no difícil trato. No último final de semana, pelo Palmeiras, deu mostra de temperamento exacerbado.

Me parece contraditório o atleta ser um dos líderes do pacífico movimento de Atletas de Cristo (e nada contra a prática religiosa) e ter um comportamento incoerente. “Cristão” é ser um “novo Cristo” e imitar os gestos de Jesus. Lúcio parece não o fazê-lo tão dignamente… e dessas atitudes surge a inevitável comparação com Marcelinho Carioca, que pregava algo e praticava coisa diferente.

Na outra ponta, vemos Rogério Ceni em uma brilhante entrevista fazendo um mea culpa do episódio em que se envolveu em uma relação extraconjugal e dela nasceu um filho. O goleiro falou abertamente que se arrepende e condena o ato em si (a traição ao seu casamento), assumindo toda a responsabilidade da paternidade da criança – e, principalmente, em exercê-la como já o faz com suas outras duas filhas (já havíamos falado da coragem do são-paulino em: http://wp.me/p4RTuC-c2Q).

Comportamentos distintos e que nos trazem à reflexão: jogadores de futebol têm um bom suporte psicológico, assistencial ou orientação adequada para as dificuldades extra-campo?

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– Multipartidarismo sem pluralismo ideológico

Gostei do que ouvi sobre o sem-número de partidos políticos no Brasil:

Temos 28 partidos políticos na Câmara dos deputados e não temos 28 correntes de opinião no Brasil”.

Frase do senador Aloysio Nunes, em entrevista a Danilo Gentile no SBT. Não dá para discordar.

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– Análise da Arbitragem de Fluminense 5 x 2 Corinthians

Quem ouviu a entrevista pós-jogo do treinador Mano Menezes dizendo que a arbitragem “estava com vontade de marcar algumas coisas” e deixando nas entrelinhas que o árbitro Wilton Pereira Sampaio prejudicou de caso pensado o Corinthians, pode achar que a atuação do juiz foi do mesmo naipe que a de Carlos Amarilla no inesquecível Corinthians x Boca Juniors. Calma lá! Não foi bem assim…

“A lá” Felipão, insinuando que o Campeonato Brasileiro era de “cartas marcadas”, me parece que o treinador corinthiano quis desviar os erros de finalização da sua equipe escondendo-se atrás da arbitragem. Vamos falar sobre os lances polêmicos?

LANCE 1 (1o tp) – aos 10 minutos, Fred e Gil vão disputar a bola e Fred descaradamente se joga simulando pênalti. Wilton Sampaio não dá uma de Nishimura e manda o jogo seguir (o lance foi idêntico ao da Copa do Mundo). Acertou tecnicamente. O erro do árbitro foi não aplicar o cartão amarelo ao atacante.

LANCE 2 (1o tp) – aos 35 minutos, Fred marca de cabeça após o cruzamento de Conca e a arbitragem marca impedimento. Correto.

LANCE 3 (1o tp) – aos 46 minutos, Malcom cobra o escanteio, a bola chega à grande área e volta para ele sozinho, no canto do campo. Impedimento mal marcado, já que a bola voltou de uma cabeçada do jogador do Fluminense e, portanto, não há impedimento. Errou o árbitro em um lance não tão relevante.

LANCE 4 (2o tp) – aos 17 minutos, Conca entra na área e Gil vai tentar roubar a bola. Na disputa, Conca cai e o árbitro muito bem posicionado marca pênalti. A priori, o lance parecia ter sido de disputa de bola leal, onde Gil não atinge o pé de Conca. Observando atentamente, se verifica que a infração não foi ali, mas sim no momento em que o corinthiano obstrui o adversário com a perna esquerda travando a sua passagem. Faltinha boba, infantil. Sendo dentro da área, pênalti. Acertou o árbitro.

LANCE 5 (2O tp) – Fábio Santos comete infração em Kennedy. Falta ou pênalti? Entenda: a falta aconteceu fora da área e o jogador caiu dentro. Portanto é tiro livre direto fora da área, pois as infrações devem ser marcadas onde elas “terminam de acontecer”, e não onde o jogador cai. Só para ilustrar: se Fábio Santos hipoteticamente tivesse começado a agarrar Kennedy fora da área e continuasse o segurando até ele entrar na grande área e ali se desequilibrasse, pênalti pois ali se consumiu o lance. Não foi o caso do ocorrido. Errou o árbitro.

LANCE 6 (2o tp) – aos 37 minutos, após a cobrança de escanteio para o Corinthians, a bola vem pelo alto, Petros não sobe e firma o corpo no chão. O jogador Edson do Fluminense está em disputa de bola e tromba com ele, numa quase “cama-de-gato”. Falta para o Fluminense e o árbitro inverte, marcando pênalti para o Corinthians. Errou o árbitro.

Dos 6 lances polêmicos, 5 eram capitais (o lance 3 do escanteio de Malcom foi de pouca importância); destes, a arbitragem acertou 3, errou um pênalti contra o Corinthians e errou outro contra o Fluminense.

Segundo Mano Menezes, esses erros determinaram a derrota por 5 x 2. Foram mesmo?

Nos minutos 1, 3, 4 e 5 do 2o tempo, tivemos 4 importantes lances de ataque do Corinthians em erros de finalização que poderiam ter matado o jogo. Como não soube matar…

Me preocupa muito que os dois ex-treinadores da Seleção Brasileira imputam sobre as costas da CBF a responsabilidade das suas falhas, insinuando que seus jogos são decididos por má intenção premeditada do mesmo ex-empregador deles.

É muita choradeira nessa reta final de Brasileirão.

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