– O pênalti em São Paulo 3×0 Flamengo. Correto ou não?

A pressão do Mengão na CBF pela troca do árbitro, relatada dias atrás, quase surtiu efeito e atrapalhou o poder de decisão da arbitragem no jogo entre São Paulo 3×0 Flamengo pela Copa do Brasil? Relembre-a aqui: https://wp.me/p4RTuC-sd1.

Não sei. Mas a bola que bate na mão de Brenner e que virou pênalti pelo VAR é exemplo de movimento NATURAL e não deveria ter sido marcado. Não é o caso de intenção disfarçada, correr risco ou braço movimentado antinaturalmente. Considere, ainda, a rapidez da jogada que impossibilita que o atleta recolha o braço.

Para entender melhor a regra atual, clique aqui: https://wp.me/p4RTuC-nGJ.

Por fim: lamentáveis as imagens de aglomeração e imprudência em meio à pandemia vistas no Morumbi. Compartilho uma opinião no link em: https://professorrafaelporcari.com/2020/11/19/a-irresponsavel-aglomeracao-no-mundo-do-futebol-e-ai-torcedor-do-tricolor/

– Os pênaltis não marcados em Corinthians 1×2 Atlético Mineiro e Botafogo 1×2 Red Bull Bragantino.

O pênalti cometido “por atropelamento” do goleiro Cleiton (RBB) em Kalou (BOT), no finalzinho do jogo (além de outros lances polêmicos) e o pênalti de Gil (SCCP) em Vargas (CAM), respectivamente na segunda e no sábado, não marcados pelos árbitros Rodolpho Toski Marques (PR – FIFA) e Rodrigo Dalonso Ferreira (SC), são lances que te deixam impressionados por serem indiscutíveis!

Eles têm algo em comum: são fáceis de se marcar. Provavelmente, os juízes desses jogos tiveram o chamado “branco”. Sabe aquela vacilada, desatenção ou traição da competência? Sempre digo: má fé, em jogo como esses e de meio de tabela, não existe. É falta de qualidade mesmo, e quando o árbitro chega em casa e vê a “cáca” que fez…

O duro é: são sempre os mesmos árbitros questionados, vacilantes e que têm eternas chances na carreira, chegando até mesmo à FIFA.

DETALHE IMPORTANTÍSSIMO: E o VAR, já que são lances de erros crassos, permitidos de interferência pelo protocolo?

– Mais uma visita de clube à CA-CBF. Aceitou pressão uma vez, permitiu o precedente!

Depois de ter aceito uma primeira vez a pressão dos clubes sobre os árbitros, a Comissão de Árbitros da CBF abriu um precedente perigoso: a qualquer dúvida ou erro real, os cartolas farão suas queixas visando compensações.

Você já viu a mesma volúpia dos dirigentes para reclamar de erros que levaram favorecimento para suas equipes?

A verdade é: os clubes pensam apenas no seu umbigo, não na melhora em geral da arbitragem.

Em: https://globoesporte.globo.com/google/amp/futebol/times/sao-paulo/noticia/noticias-spfc-sao-paulo-aciona-cbf-var-imagens-gol-fortaleza.ghtml

DIRETORIA DO SPFC ACIONA CBF E PEDE IMAGENS DO VAR EM PRIMEIRO GOL DO FORTALEZA

Tricolor vence jogo, mas reclama de lance que abriu o placar na Arena Castelão, neste sábado

Por Marcelo Hazan

A vitória por 3 a 2 sobre o Fortaleza na noite deste sábado, na Arena Castelão, não impediu a direção do São Paulo de protestar contra a arbitragem por causa da validação do primeiro gol do time cearense, marcado por David, que abriu o placar no primeiro tempo.

A diretoria do São Paulo pediu à CBF a apresentação das imagens utilizadas pelo VAR, que detectaram posição legal de David após um lançamento. Em campo, a marcação foi de impedimento. Depois da consulta ao vídeo, o gol acabou validado.

Depois da partida, dirigentes do São Paulo entraram em contato com a Comissão de Arbitragem da CBF para solicitar as imagens e tentar retirar qualquer desconfiança ou dúvida.

O jogo teve outras decisões tomadas com a ajuda do VAR: um gol anulado do Fortaleza, também de David, por falta no zagueiro Diego Costa, e a confirmação do segundo gol do São Paulo, de Luciano, após análise sobre um toque de mão.

O São Paulo já reclamou de lance semelhante em jogo contra o Atlético-MG, no primeiro turno do Brasileirão, no Mineirão, quando um gol de Luciano foi anulado por impedimento. O Tricolor chegou a pedir a anulação do jogo por um suposto erro de direito, mas não obteve sucesso.

Sportbuzz · Federação Paraibana afirma que fórmula do Brasileirão poderá sofrer mudanças; entenda!

– A punição para Gatito Fernandes, do Botafogo: terá que defender o VAR que o criticou?

O STJD puniu o goleiro botafoguense Gatito Fernandes por ter chutado o equipamento do VAR dias atrás. Mas a punição surgiu de um acordo com a defesa, resumindo-se basicamente em 3 jogos de suspensão, multa e… gravação de um vídeo defendendo o uso do VAR!

E aí, o que você acha desse vídeo? Sincero não será; mas servirá como algo educativo ou somente punitivo?

Extraído de: https://www.fogaonet.com/noticia-em-destaque/stjd-suspende-gatito-botafogo-tres-jogos-chute-var/

STJD SUSPENDE GATITO

A Procuradoria da Justiça Desportiva ofereceu Transação Disciplinar ao goleiro Gatito Fernandez, do Botafogo. Denunciado por chutar e danificar o equipamento do VAR em partida da Série A do Campeonato Brasileiro, o goleiro do Botafogo acolheu a oferta de Transação da Procuradoria e terá que cumprir três partidas de suspensão no Brasileirão, além de arcar com pouco mais de R$ 26 mil pelo ressarcimento à CBF pelos danos causados ao equipamento. A proposta de Transação Disciplinar foi homologada nesta sexta, dia 13 de novembro, pelo vice-presidente administrativo e auditor do Pleno, Felipe Bevilacqua.

Gatito foi denunciado pela Procuradoria por infração cometida na partida entre Botafogo e Internacional. Na partida o clube carioca teve dois gols anulados pelo árbitro de vídeo e, após o apito final, enquanto deixava o campo de jogo em direção ao vestiário, o goleiro Gatito Fernandez chutou e derrubou a cabine do VAR.

Além do fato ter sido narrado na súmula da partida, o relatório do jogo enviado ao STJD do Futebol relata que o equipamento foi danificado, além de apresentar fotos e informar o custo aproximado de USD 9.500 para importação de uma nova aparelhagem.

Pelos fatos narrados a Procuradoria denunciou o goleiro do Botafogo por infração ao artigo 219 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

Art. 219. Danificar praça de desportos, sede ou dependência de entidade de prática desportiva. PENA: suspensão de 30 a 180 dias, podendo ser cumulada com multa de R$ 100 a R$ 100 mil, além de indenização pelos danos causados, a ser fixada pelo órgão judicante competente.

O processo entrou em pauta para julgamento na Quarta Comissão Disciplinar no dia 10 de setembro, porém foi adiado após deferimento do pedido do clube para a realização de prova pericial. Antes da realização da perícia, a Procuradoria apresentou proposta de Transação nos seguintes termos:

– O atleta Gatito Fernandez deverá cumprir suspensão de três partidas consecutivas no Campeonato Brasileiro Série A/2020, como infração ao artigo 258 do CBJD.

– A partir da homologação, o atleta fará um vídeo se retratando.

– Gatito Fernandez pagará à CBF a quantia de R$ 26,6 mil para ressarcimento dos prejuízos causados ao equipamento do VAR, de forma que o Botafogo concorda em responder de forma solidária para pagamento da referida quantia. O pagamento será realizado em duas parcelas com vencimentos em 18/11 e 18/12.

Após a oferta da Procuradoria a transação foi aceita pelo Botafogo. Vice-presidente administrativo do STJD, o auditor Felipe Bevilacqua foi sorteado relator do processo e homologou a transação nesta sexta.

Fonte: Site do STJD

– O pênalti de Atletico-GO 1×1 Corinthians

Lembram-se que falamos de reclamação preventiva de Andrés Sanches (vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-s5w)? Parece que funcionou… explico:

Neste sábado, Gilvan (AGO), aos 9 minutos do 2o tempo, consegue evitar a jogada de ataque do adversário Fagner (SCCP) tocando na bola. Como consequência, há uma trombada que derruba o corintiano. O árbitro Jean Pierre “Vin Diesel” se equivoca e entende como pênalti, interpretando que foi primeiro no corpo e depois atinge a bola. Foi o contrário. Errou.

Você tocar na bola e simultaneamente o adversário é infração. O toque posterior no corpo depois da bola é causalidade da jogada, não ato infracional. Árbitro experiente como o gaúcho Jean Pierre, tendo o VAR para lhe auxiliar, não pode errar bisonhamente assim.

– Andrés Sanches repetirá o que fez há 15 anos?

Já falamos sobre os lances polêmicos de América 1×1 Corinthians (vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-s4O), e também abordamos que os cartolas dos clubes só pensam no próprio umbigo, nunca em melhorar a arbitragem e a estrutura do futebol em geral (vide aqui também em: https://wp.me/p4RTuC-rZA).

Agora, leio que o presidente corintiano Andrés Sanches reclamará à CBF com Leonardo Gaciba, chefe dos Árbitros da entidade. E infelizmente, vimos que quando pressionado, Gaciba aceitou veto (relembre o caso da visita de Raí levando as queixas do São Paulo, em: https://wp.me/p4RTuC-rQS).

Há 15 anos, assisti o mesmo filme: Andrés era Diretor de Futebol na gestão de Alberto Dualib, e o Timão quase foi eliminado da Copa do Brasil de maneira vexatória naquela oportunidade pelo Cianorte-PR. Houve polêmica com a arbitragem naquele jogo (que não errou nenhum lance crasso), e Sanches foi pedir a cabeça de um dos árbitros assistentes ao Armando Marques.

O “Armandinho” (respeito quem gostava do seu Armando, mas vi ele mandando o PC de Oliveira “comer alfafa” e isso me deixou uma péssima impressão) deixou o bandeira 3 meses na geladeira! E o cartola justificou que “mesmo estando certo, uma reclamação de um time do porte do Corinthians tinha grande peso e o Dr Ricardo [Teixeira] queria que desse uma satisfação”.

Como a vida dá muitas voltas, Armando Marques caiu da CA-CBF, o jovem bandeira voltou às escalas e culminou sua carreira com uma Copa do Mundo.

Será que Gaciba procederá da mesma forma com os árbitros de 4a feira, ou o peso de Andrés Sanches é menor hoje?

Sobre a visita que fará, em: https://globoesporte.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/noticias-corinthians-presidente-andres-sanchez-pressao-arbitragem-cbf.ghtml

– Os pênaltis de América 1×1 Corinthians: marcações corretas ou não?

Assistir aos lances de futebol é sempre melhor do que ler relatos sobre eles, ok? Digo isso pois a impressão de que eu tinha, ao ler as críticas sobre o pênalti a favor do América Mineiro contra o Corinthians pela Copa do Brasil, eram de que o lance seria incrivelmente absurdo. E seria mesmo, se formos para o ano de 2014 para trás.

A regra da mão na bola mudou, se tornou injusta e complicada. Some-se a isso os erros de orientação dos dirigentes do apito brasileiro, que chegaram a criar quase que uma “regra de queimada”, onde “bateu, marcou”. A famosa Regra 12-B, de Brasil – uma jabuticaba nossa!

Vamos aos dois tiros penais:

1- Wagner Magalhães marcou convictamente e sustentou um tiro de meta ao América, após Davó ter sido tocado num carrinho. Pênalti claro onde o juiz foi traído pelo seu posicionamento dentro de campo. Acertou o VAR em chamar a atenção do árbitro e corrigir o erro.

2- O lance de Lucas Piton, quando a bola bate na sua mão: só é infração quando uma mão propositalmente é colocada na bola (intenção). Não existe imprudência neste tipo de infração, como nas demais infrações do jogo (é uma excepcionalidade do uso indevido dos braços e mãos na bola). Entretanto, há 6 anos, passou a valer a mão com intencionalidade disfarçada, o chamado “movimento anti-natural dos braços”. Ou seja: você não queria tocar diretamente a mão na bola, mas permite que ela toque em você deixando o membro exposto para que isso aconteça.

Trocando em miúdos: abre os braços e não o fecha a tempo de evitar um contato; pula na barreira com eles levantados numa forma não usual; age fisiologicamente de maneira não natural.

No caso reclamado ontem, repare que Piton está correndo com seu adversário e o braço esquerdo está em um movimento natural, mas o braço direito está solto, desengonçado, “pedindo” para que a bola bata nele. Perceba por uma das câmeras que a TV Globo mostrou que ele corre “torto”, com uma “asa direita” aberta, procurando a bola! É a chamada “intenção disfarçada”.

O fato dele estar de costas (nesta jogada especificamente) é irrelevante, pois foi uma bola longa, onde ele tinha noção de que ela ali chegaria. Seria absurdo se fosse um bate-rebate, no qual ele não tivesse noção da posição da bola (aí sim teria relevância o “estar de costas”). Portanto, apesar de ser uma marcação polêmica, não comum e impopular, acertou o árbitro.

Sobre a mudança da Regra, o histórico e a explicação didática, clique aqui: https://professorrafaelporcari.com/2019/08/09/o-que-mudou-ou-nao-na-regra-da-mao-na-bola/

– Que não se aceite como “normal” a cultura da simulação.

A famosa “Lei de Gerson”, do “jeitinho brasileiro em querer levar vantagem acima de tudo”, é um dos grandes problemas da nossa sociedade. Deturpa ideários de cidadania e cria a falsa impressão que “ser o esperto” é saber transgredir.

No futebol, simular pênaltis é uma das coisas mais simbólicas de tudo o que foi escrito acima. Na Inglaterra, tal ato é vaiado pelos torcedores da própria equipe do simulador.

Neste meio de semana, no Atlético-GO 1×2 Internacional-RS, Janderson tentou cavar um pênalti e lamentou que o VAR descobriu que ele estava fazendo algo errado.

É um “Sincerão”?

Não. É um cara-de-pau.

Compartilho este texto, abaixo, de Rodrigo Mattos, que diz com perfeição o que eu penso sobre esses unfair-play.

Extraído de: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/rodrigo-mattos/2020/11/01/por-que-aceitamos-as-simulacoes-para-enganar-e-pressionar-arbitragem.htm

POR QUE ACEITAMOS COMO NORMAIS SIMULAÇOES PARA ENGANAR A ARBITRAGEM.

Em um lance de ataque do Atlético-GO, pela Copa do Brasil, o atacante Janderson entra na área, toca a bola para se livrar do goleiro do Internacional, Marcelo Lomba, e cai na área. O árbitro Marcelo de Lima Henrique marca pênalti para o time goiano. A revisão do lance no VAR mostra o que o telespectador já sabia: tratava-se de um teatro e não de uma falta. O pênalti é cancelado.

Ao final do jogo, Janderson deu uma entrevista ao “SporTV” em que admitia a simulação na área. “Ali, na hora, eu cavei. Infelizmente, ele olhou no VAR e não deu o pênalti”, disse o jogador. Foi classificado como sincero por alguns jornalistas, boa parte das pessoas riu do episódio.

Bom, no jogo, que é o que interessa, Janderson não foi sincero. Sem meias palavras, tentou enganar o árbitro Marcelo de Lima Henrique que foi salvo da sua incompetência pelo árbitro de vídeo. Sua simulação tinha, portanto, o objetivo de obter uma vantagem indevida no jogo, uma burla às regras.

No futebol inglês, esse tipo de conduta costuma ser criticado de forma dura como antiesportiva. É verdade que, na Copa de 2018, uma parte da mídia inglesa foi hipócrita ao criticar atletas de outras nacionalidades por simulação, especialmente Neymar, enquanto ignoravam as cometidas por seus atletas como Maguire. Mas há pelo menos uma cultura de se valorizar as condutas corretas.

No Brasil, essa discussão do que é certo fica perdida em meio a um vale tudo. Janderson está longe de ser um caso isolado. Jogadores, técnicos e dirigentes estão sempre forçando interpretações e protestando o máximo possível para tentar levar vantagem no campo de jogo.

Basta lembrar a mais recente gritaria contra a CBF por conta de lances do VAR que se espalhou por todos os times que disputam a ponta da tabela. Árbitros foram ofendidos por técnicos aos gritos em campo ou por dirigentes em corredores do vestiário. A confederação esteve reunida com dirigentes de boa parte dos clubes da Série A para dar explicações ou recebeu ofícios de protesto. (Não vou aqui citar clubes porque quase todos fazem e isso se transformaria em uma discussão clubista)

É claro que a arbitragem brasileira está longe da perfeição e comete muitos erros mesmo com VAR. Há, sim, protestos legítimos. Mas boa parte das reclamações é por lances no máximo discutíveis, algumas reações ocorrem quando o árbitro acerta com o uso da tecnologia. Nada que justifique os escândalos habituais. O protesto de hoje tem como objetivo, na realidade, obter uma arbitragem favorável amanhã.

Assim como no caso de Janderson, são cenas, simulações de indignação, para obter uma vantagem. É assim que o futebol brasileiro, dentro e fora de campo, transforma-se em uma grande peça teatral de comédia e o público faz o papel de bobo.

Janderson tenta cavar pênalti durante a partida entre Atlético-GO e Inter - Heber Gomes/AGIF

Imagem: Heber Gomes/AGIF

– Quem disse que para ser comentarista precisa ter sido excelente jogador ou árbitro?

Grandes craques ou insossos perebas determinam o sucesso ou fracasso no pós-carreira em decorrência do que já fizeram?

Digo isso pois vejo haters dizendo aos comentaristas:

  • “Jogou onde” para criticar esse atleta?
  • O cara nunca chutou uma bola, é jornalista, e quer criticar treinador? 
  • Apitava mal pra caramba e agora se mete a falar dos outros?

Fácil responder isso, é só perceber quem é melhor comentarista na TV: Caio Ribeiro ou Pelé? E quem foi melhor jogador?

Ou, se preferir, questione-se: Luxemburgo, Felipão, Telê Santana, Oswaldo Brandão… quais seus títulos como atletas e depois que encerraram a carreira quais são as conquistas como treinadores?

Sobre isso, acho interessante compartilhar esse texto, de 28/03/2014, publicado nesse mesmo blog, mas que permanece atual:

DE JOGADORES / ÁRBITROS A TREINADORES / INSTRUTORES

Mudar o ciclo de uma atividade é difícil. Nem todos conseguem se desapegar da rotina passada e tentam se adaptar às novas realidades da melhor maneira possível.

No futebol, essas mudanças de funções são, em alguns casos, traumáticas e frustrantes. Em outros, de maior glória do que na vida profissional inteira até então!

Veja o caso de ex-jogadores e ex-árbitros. Onde se inserirão no pós-carreira?

Seedorf anunciou há dias a aposentadoria como jogador e virou treinador no Milan. Ótima chance para um iniciante, que, sejamos justos, já esperava a oportunidade e se capacitava paralelamente a isso. Porém, dificilmente vemos ex-atletas começando por cima, e ele é mais uma das exceções, como Falcão e Dunga, que sem nunca terem trabalhado em clubes menores, foram para a Seleção Brasileira.

Grande é o número de atletas que não conseguem nem chegar às categorias de base como treinadores, tendo dificuldade de vingar no profissional. E isso independe da sua categoria como jogador. Será que Muller, Bebeto, Romário, Raí e até mesmo Pelé seriam grandes “professores” na área técnica a beira do gramado? Qualquer resposta seria mero “chute”. Beckenbauer e Cruyff foram magníficos dentro e fora de campo. Mas outros do mesmo nível não. Luxemburgo era reserva de Júnior, mas o primeiro foi muito mais vitorioso como treinador.

Portanto, ter sido craque ou cabeça de bagre com a bola no pé parece não ser tão decisivo para ser “o homem da prancheta”. Muitos conseguirão ensinar apenas os conceitos, outros farão o time jogar de fato. É por isso que existem os comentaristas esportivos, que podem ver o futebol à sua forma, conseguem passar tudo claramente aos torcedores mas que necessariamente não seriam grandes treinadores. E grandes treinadores que teriam uma dificuldade enorme em se fazer entender ao ouvinte.

Me recordo de 4 bons nomes que sugiram graças a uma filosofia (arriscada, mas que foi correta) de lançar treinadores por um clube: o Paulista de Jundiaí, que deu grande oportunidade ao Giba (que nasceu como treinador no Lousano Valinhos, parceiro do Galo Tricolor na época); depois vimos Zetti se sagrando vice-campeão estadual (perdendo do São Caetano de Muricy Ramalho); aí veio Vagner Mancini (que já dirigiu grandes equipes) e Wagner Lopes (sempre na ativa na série A1, atualmente no Botafogo-SP).

Por assumirem a responsabilidade em um clube que não era um dos grandes (de massa, como Corinthians e Flamengo), conseguiram trabalhar com pressão menor. Mas já imaginaram Marcos como treinador do Palmeiras ou Rogério Ceni do São Paulo? Aceitariam o risco de arranhar a imagem construída até hoje? Seriam treinadores de um clube só, como foram enquanto jogadores? E as vaias, para onde iriam? E, claro: a competência estará no mesmo nível?

Para mim, Seedorf é uma grande incógnita como treinador. Mas desejo sucesso, pois com o carisma e competência que tem, pode triunfar.

Entretanto, “ser sem carisma” é a rotina dos árbitros de futebol. No pós-carreira, farão o quê? Serão observadores de jogos das suas federações recebendo ajuda de custo a R$ 50,00, só pelo prazer de lá estarem? Ou conseguirão entrar no seleto clube de membros de comissões de arbitragem e instrutores? Poucas são as vagas como comentarista de arbitragem na mídia, e praticamente nulas as pretensões como “professores de regras” aos jogadores, contratados pelos clubes para melhor capacitar seus atletas.

Aqui, a comparação com os jogadores é idêntica: Dulcídio Wanderley Boschilla e Oscar Roberto Godoi foram excepcionais árbitros, mas seriam bons instrutores, com boa didática e jogo de cintura no trabalho junto aos cartolas das federações? Creio que não. Godói, entretanto, é ótimo no jornalismo esportivo, sendo claro, incisivo e objetivo. Encontrou-se! Enquanto isso, ex-árbitros como Roberto Perassi e Sílvia Regina (o primeiro comum em campo e a segunda competentíssima na categoria “feminino” – talvez a melhor árbitra da história do Brasil, mas razoável tecnicamente em jogos masculinos) são excelentes como instrutores. Sérgio Correa da Silva e Arthur Alves Júnior, também não-excepcionais como árbitros, enveredaram um caminho de sucesso como dirigentes sindicais (ao menos, figuram em vários cargos). Gaciba, Simon e Arnaldo são irrepreensíveis na TV, conseguindo essa transferência de competência agregando a didática.

Portanto, a relação de competência em uma função não necessariamente significa sucesso em outra. Um jogador mediano / árbitro comum pode ou não ser grande treinador / instrutor. E um jogador craque / árbitro excepcional pode ou não ter sucesso, mas com uma diferença: o comparativo com o que fazia antes de mudar a carreira será algo cruel. Será cobrado por tal! Sem contar com aqueles que não vieram necessariamente de dentro das 4 linhas: Carlos Alberto Parreira jogou onde? E é um dos treinadores mais respeitados do mundo. Mais: o Professor Gustavo Caetano Rogério, diretor da Escola de Árbitros da FPF por muitos anos, apitou onde? E foi talvez o maior nome da entidade.

Há os esforçados, como o Cel Marcos Marinho, atual presidente da CEAF-FPF, que assumiu o cargo sendo Major encarregado da luta contra as torcidas organizadas, e que apesar de muito estudar as regras, ainda leva a desconfiança do domínio das mesmas. Teria ele experiência para ensinar posicionamento ou dinâmica de arbitragem aos árbitros?

E pensar que, Armando Marques, velho de guerra, que um dia errou a contagem de pênaltis na decisão entre Santos x Portuguesa numa decisão de título paulista, por anos a fio presidiu a Comissão de Árbitros da CBF e conduziu a arbitragem brasileira ao desrespeito de muitos…

Por fim: o treinador de futebol ou o instrutor de arbitragem deve, independente do seu histórico como ex-jogador ou ex-árbitro, ter uma tríade de virtudes:

  1. – o conhecimento técnico (ter estudado),
  2. – a prática (ter vivenciado as dificuldades) e
  3. – a vocação (o dom entusiasta para exercer a atividade).

Claro, com uma boa oportunidade de sorte para mostrar o seu talento.

E você, o que pensa sobre isso? Grandes craques ou insossos perebas determinam o sucesso no pós-carreira (ou não) em decorrência do que já fizeram?

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arbitro gordo

Imagem extraída da Internet, autoria desconhecida.

– Por quê Gustavo Scarpa não foi expulso em Atlético-GO 0x3 Palmeiras?

Que “pipocada” do árbitro Sávio Pereira Sampaio em Goiás, não?

Aos 42 minutos do 2o tempo, Gustavo Scarpa (SEP) pisa na perna de Natanael (ATL). Em lances assim, não tem muito o que fazer, é jogo brusco grave, força excessiva para disputar a bola e deve ser punido com Cartão Vermelho.

Porém, mesmo chamado pelo VAR Wagner Reway para rever a jogada, o juizão manteve o Cartão Amarelo. Aí você imagina duas situações: incompetência ou medo de expulsar jogador de time grande (já que Leonardo Gaciba, chefe da arbitragem na CBF, andou aceitando vetos por reclamações dias atrás).

Triste futebol brasileiro, que não é competente nem independente.

– A discussão inteligente do ineditismo de um Erro de Direito por conta do VAR: sobre os pedidos de anulações de partidas do Grêmio e do São Paulo:

Quando surgiu a escala para o jogo São Paulo x Grêmio pelo Brasileirão, após a declaração do chefe dos árbitros Leonardo Gaciba (dizendo que o Tricolor do Morumbi foi prejudicado) e a visita da diretoria do São Paulo à sede da CBF, ficou bem claro: a cedida de pressão do cartola do apito traria problemas futuros. Abordamos a escolha equivocada do árbitro e o veto do jogo em questão no link em: https://wp.me/p4RTuC-rQS

Depois da partida, infelizmente houve a concretização da previsão: erros e reclamações, também abordadas oportunamente no link em: https://wp.me/p4RTuC-rRU.

Agora, repercute a informação de dois pedidos de anulação de jogos: o Grêmio quer anular o jogo contra o São Paulo e o São Paulo quer anular a partida contra o Atlético Mineiro. E fica no ar a dúvida: eles têm chances de sucesso em seus pedidos?

Vamos lá:

  1. O Grêmio não tem nenhum Erro de Direito (o erro de desconhecimento da Regra do Jogo onde há cumprimento errado de uma decisão – que pode anular uma partida) para pedir o cancelamento do confronto. Ocorreram Erros de Fato (de interpretação equivocada da arbitragem – que não permitem anulação do jogo). O que o Tricolor Gaúcho pode alegar é que houve assédio moral sobre os árbitros para que ocorresse um “erro compensatório” (é o que um advogado experiente faria).
  2. O São Paulo quer anular o jogo contra o Atlético Mineiro (mesmo com o prazo estourado para reclamar um Erro de Direito) devido à confissão de Gaciba, de que houve erro na Linha Eletrônica delimitada pelo árbitro de vídeo. Mas caberia uma inédita anulação (afinal, até hoje ninguém abordou Erro de Direito sobre VAR!)?

Entendamos: 

1- Se eu marco um escanteio e, como estou nos acréscimos, resolvo encerrar uma partida sem que ocorra a cobrança, eu posso pois a Regra me permite. Mas se isso acontecer num pênalti e tomo a mesma decisão, não posso pois existe um detalhe da Regra que não permite encerramento antes do tiro penal ser cobrado. Ou seja: eu desconhecia essa nuance da Regra e cometi um Erro de Direito. O jogo poderá ser anulado se o prejudicado reclamar (salvo engano, existe um prazo de 48 horas).

2- Se eu marco um impedimento, eu sei que devo ver a posição da bola na hora do lançamento e do atleta que irá recebê-la, e se há dois jogadores adversários entre ela e a linha de fundo (pelo menos, em mesma linha). Sei que não posso considerar a mão do atacante, pois não é uma parte jogável. Sei que se ela esbarrar num defensor em disputa o impedimento deixa de existir. Sei, enfim, de vários detalhes! Se eu for o bandeira e errar a marcação, será por “erro de fato”, já que posso estar em velocidade e não no melhor posicionamento para visualizar isso. PORÉM, se eu for o VAR e tracejar errado a linha de impedimento pelo recurso eletrônico, o meu Erro é de Direito (pois operei com falha o equipamento e desconhecia como fazê-lo com correção) ou é Erro de Fato (pela paralisação da imagem, eu fui traído pelo “Frame”)?

Uma ótima discussão para a International Board responder! O São Paulo poderia alegar Erro de Direito ou não?

Algo indiscutível: há de se melhorar a qualidade do árbitro de vídeo… memes, como o abaixo, proliferam cada vez mais:

– Os erros e o acerto da arbitragem em São Paulo 0x0 Grêmio:

Jogo ruim no confronto entre os tricolores paulista vs gaúcho e com má arbitragem. Vamos aos lances?

  • Aos 6m do 1o tempo, Pepê (GRE) é lançado e fora da área é empurrado por Reinaldo (SPFC). Não havia motivo para o gremista se jogar, pois entraria na grande área e teria boas condições para vencer o goleiro Tiago Volpi e fazer o gol. O árbitro Rafael Traci nada marcou e nem pediu ajuda ao VAR. Errou.
  • Aos 5m do 2o tempo, uma bola é lançada para a área do São Paulo e Geromel (GRE) vai correndo para disputá-la. Reinaldo (SPFC) tenta empurrá-lo / agarrá-lo mas repare que, de costas e em velocidade, o gremista já está desequilibrando antes de que o são-paulino consiga cometer a infração. Não foi pênalti, acertou o juiz – mas as reclamações do Grêmio se acumularam pela dúvida deste lance e pela provável informação do erro anterior (lembrando que novamente não se socorreu ao VAR Elmo Resende Cunha).
  • Aos 18m do 2o tempo, Daniel Alves (SPFC) apela e dá uma “pegada” em Luiz Fernando (GRE). Ali foi sem desejar disputar a bola, era para cartão vermelho e não para amarelo. Errou o árbitro. O atingido não conseguiu permanecer em campo.

Atualizando: vi o lance de Tchê-tchê em Kanemann somente após o texto estar encerrado e acrescento: é o chamado “jogo brusco grave”. Em Copa do Mundo, é Cartão Vermelho. Errou de novo o árbitro.

Lembrando que Rafael Traci era o VAR que estava no jogo das “linhas mal feitas no impedimento” que anulou o gol de Luciano contra o Atlético Mineiro. Leonardo Gaciba, chefe dos árbitros, na 5a feira admitiu o erro daquela partida e o escalou equivocadamente neste jogo do Morumbi (Raí e Alexandre Pássaro foram à CBF e vetaram Rodolfo Toski, que seria o árbitro de vídeo para este confronto, relembre aqui: https://wp.me/p4RTuC-rQS).

A pressão nos bastidores surtiu efeito?

– A interferência indevida e o aceite da pressão na escala de São Paulo x Grêmio.

Na derrota por 3×0 para o Atlético Mineiro, o São Paulo reclamou do VAR por ter anulado um gol legal de Luciano por impedimento. O presidente da Comissão de Árbitros da CBF, Leonardo Gaciba, declarou nesta semana que o erro aconteceu pela falha humana dos árbitros no uso do equipamento.

Neste tipo de situação, quem mais deve ajudar é o AVAR, ou seja, o “bandeira de vídeo”. Mas quem leva a fama para maioria das pessoas é o responsável maior, que foi o árbitro de vídeo Rafael Traci.

Paralelamente a isso, nesta última 5ª feira, o São Paulo FC foi à CBF reclamar de Rodolfo Toski, árbitro do empate com o Fortaleza por 3×3. Eis que Gaciba o havia escalado para VAR do jogo de sábado: São Paulo x Grêmio. Pela insatisfação tricolor, houve a substituição dele por Elmo Alves Resende Cunha.

E quem apitará o jogo como árbitro principal? Rafael Traci, o VAR “culpado do jogo do Mineirão”!

Se a pressão contra Toski surtiu efeito (trocado da escala depois de ter sido até divulgada no site da CBF), qualquer erro de Traci a favor do São Paulo será interpretado como “devolução do gol retirado em MG”!

Acho que Leonardo Gaciba perdeu a mão: aceitou a influência de um clube na escala e deixou um árbitro questionado para apitar um jogo na casa do reclamante…

– Antes tarde do que nunca: o mea culpa do gol de Luciano em Atlético Mineiro x São Paulo:

Leonardo Gaciba, chefe dos árbitros da CBF, admitiu erro no polêmico lance discutido da partida entre Atlético Mineiro x São Paulo, dias atrás, no qual Luciano fez um gol legal, mas o VAR determinou impedimento.

Na oportunidade, claramente as linhas que servem de referência à bola e às partes jogáveis dos atletas estavam equivocadas. E ele disse o que todos nós batemos na tecla diariamente: a culpa não é do VAR (ferramenta), mas de quem o opera!

Abaixo, extraído de: https://globoesporte.globo.com/sportv/programas/selecao-sportv/noticia/gaciba-admite-erro-na-utilizacao-do-var-ao-anular-gol-de-luciano-em-atletico-mg-x-sao-paulo.ghtml

Luciano comenta sobre VAR: 'O que eles fazem com a gente é complicado' | LANCE!

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– Treinadores e Jogadores aos olhos do Árbitro: quem é o “boa gente da bola”?

Repost de 7 anos:

O Futebol é um universo miscigenado, com atores das mais diversas condutas, transmitindo amor e ódio aos torcedores.

Tive o prazer de conviver com muitos deles. E, vez ou outra, me perguntam: “E Fulano, como é dentro de campo? E Beltrano, joga muito?”.

Pois bem: um árbitro de futebol repara mais no comportamento dos atletas do que na categoria. E sobre isso, vale meia-dúzia de observações:

1- Craque quase nunca reclama. Romário é o exemplo. Pouquíssimas vezes vi o Baixinho reclamar com o juiz. Sabe como era um bate-papo com ele antes de sortear o Toz (a moedinha da ‘Bola ou campo’)? Simplesmente cumprimentava, perguntava se fez boa viagem, falava sobre a temperatura, e se o jogo fosse em São Januário, aconselhava alguns “points pós-jogo”. Nunca vi o Romário simular ou pedir cartão para o adversário. Assim também se comportava Raí, Ronaldo Nazário, Bebeto…

2- “Botinudo” sempre será botinudo. Lembram-se do “Cocito”? Batia na própria sombra. E era marcado justamente pela violência. Se era falta simples, virava amarelo pelo seu histórico. Hoje, Felipe Mello leva essa fama. Mas atenção: é diferente do Domingos, o zagueiro que começou no Santos FC e rodou inúmeros clubes, que para muitos é sinônimo de pancada. Tive a chance de apitá-lo desde a base até o profissional, em diversas equipes: seus lances nunca são de falta violenta proposital, mas normalmente por imprudência. Dentro de campo, por mais incrível que possa parecer, é muitíssimo educado com a arbitragem, sendo que poderá ser expulso por violência involuntária, mas nunca por ofensas.

3- O mal comportado é figurinha carimbada na história do futebol brasileiro. Da década de 90, Djalminha e Edmundo são os mais recomendados para se discutir. Me recordo que certa feita, estava no Morumbi assistindo como aluno da Escola de Árbitros o jogo São Paulo x Vasco da Gama. O árbitro era Francisco Dacildo Mourão (hoje, fazendo sucesso como competente comentarista de arbitragem). Depois do jogo, perguntei a ele se o Edmundo (que já era Bad Boy naquele timaço vascaíno da década de 90) dava muito trabalho em campo. E ele respondeu serenamente: “Claro que não. Quando o Edmundo apronta, ele faz a besteira na frente de todo mundo. O duro é o Djalminha, que põe as mãos para trás, vem sorrindo como se pedisse desculpas para o árbitro mas na verdade vem xingando sua mãe”. Nunca me esqueci disso. No final da carreira do Edmundo, num domingo a tarde, eu estava como quarto-árbitro no Parque Antártica na partida entre Palmeiras x Guaratinguetá; neste jogo, um jogador do time de Guará falou algo no ouvido do “Animal” que não pensou duas vezes: meteu o cotovelo sem se preocupar em estar sendo flagrado ou não. Mas o mais curioso é: fora de campo, no vestiário, o Edmundo se transformava! Educado e cortês…

4- Há também os chatos, aqueles que antes da bola rolar já enchem a paciência: Fábio Costa é um deles! Não quer assinar a súmula pois está concentrado no jogo, não quer trocar a camisa pois é supersticioso (mesmo ela sendo da mesma cor do time adversário), não quer tirar aliança para entrar em campo (e isso é obrigatório), além da grosseria. São os jogadores que encaram o árbitro como um inimigo: inclua-se na lista Marcelinho Carioca, Emerson Sheik, Kleber Gladiador… Aliás, são esses mesmos atletas que os adversários reclamam de lances desonestos e tentativas de agressão. E o pior é que todos esses citados deram várias provas disso.

5 – E os “Boas Praças”? O goleiro Marcos, Vampeta, Denilson… esses caras não desacatavam ninguém, eram queridos e/ou folclóricos. Vi os 3 em campo em jogos oficiais: tinham a bola como amiga, jogavam com gosto. Traziam alegria ao futebol.

6- Não pensem que árbitro fica reparando só em jogador dentro de campo. Ele também se preocupa (e muito) com os treinadores. E nessa área, ou melhor, na área técnica, trabalhei com os principais da atualidade: dos rabugentos aos educados.

Muricy é ranziza, mas a boleirada gosta dele; Scolari é chato ao extremo, se preocupa em tumultuar a vida dos árbitros e fazer seu time de vítima, jogando os atletas contra tudo e contra todos; Tite é educado, fala difícil, é intenso na beira do campo e tenta se impor, sem perder o respeito com o árbitro. Luxemburgo é ardiloso, reclama de tudo, cria situações e desvia o foco dos acontecimentos em cima dos árbitros. Mas o pior deles é Emerson Leão! Seu único sorriso é de ironia; é grosso e arrogante. Tenho certeza que, todo e qualquer árbitro quando o expulsava, o fazia com gosto! Na mesma linha vai o atual treinador do Criciúma: Argel Fucks! Apitei ele como treinador de times do Interior, e garanto que ele é tão violento no trato como nos pontapés que dava quando era jogador.

Gente educada (e competente) é: Nelsinho Baptista, Vagner Mancini, Caio Jr, Dorival Jr, Marcelo Oliveira, Levir Culpi…

Diante de tudo isso, vale ressaltar: o comportamento de um profissional de futebol é decisivo em muitos jogos. Imagine um hipotético jogo onde o Gamarra disputa uma bola com o Emerson Sheik na grande área. Se o zagueiro paraguaio (que foi famoso por raramente fazer faltas) fizer um pênalti duvidoso em Emerson (famoso por polemizar), na indecisão do árbitro, a decisão vai ser a marcação de simulação (mesmo que seja tiro penal).

O importante é: que todo profissional de futebol, independente se jogador ou treinador, não fique rotulado negativamente no começo da carreira, pois a fama criada é carregada por muito tempo.

– O segundo pênalti de Santos x Grêmio poderia ter sido marcado por um detalhe pouco conhecido da Regra do Jogo.

No Santos x Grêmio, um detalhe interessante da Regra do Jogo. Vamos lá:

Marinho (SFC) vai disputar uma bola com David Braz (GFPA), que ergue a perna no momento em que o santista perde o domínio dela. Entretanto, o atacante pula para não ser atingido e exagera na encenação, parecendo que tinha sido atropelado.

Num primeiro momento, achei que ele se jogou. No segundo momento, percebe-se que ele foi tocado e o árbitro Bráulio da Silva Machado, após consultar o VAR, marca pênalti corretamente.

Qual o detalhe interessante da jogada?

Mesmo se ele não tivesse sido tocado, ele TEM O DIREITO de pular para não ser atingido – e o árbitro deve considerar infração. O jogador que vai se lesionar não precisa deixar o corpo ser machucado, pois a Regra do Jogo permite a punição ao adversário pelo “dar ou tentar atingir”.

– Análise Tática da Partida e da Arbitragem de Velo Clube 1×0 Paulista

Infelizmente, o Paulista caiu para a 4ª divisão novamente. Num jogo em que dominou a partida até cansar (e depois que cansou, foi envolvido pelo Velo), perdeu com um gol de pênalti aos 43m do 2º tempo.

Foram 13 tiros de meta cobrados pelo Velo somente no 1º tempo (ou seja: houve volume de jogo por parte do Paulista). O Paulista chutou 16 bolas para o gol, contra 7 do Velo. Rodolfo pela direita e Jean pela esquerda, mudando de lado no começo do 2º tempo e voltando às origens minutos depois.

Sem meio de campo, Leandro sentiu o gol perdido aos 16m. Ele, a bola, o gol e…. FORA. Índice 10 na escala “David de Gol Perdido”. Na sequência, caiu o rendimento e tomou cartão amarelo. O treinador Oliveira optou por deixar ele em campo.

Das quedas do Paulista, eu acho que essa foi mais doída. Quando você está no calvário, faz de tudo para sair dele. O lugar do Galo nunca foi na 4ª divisão, e ser rebaixado duas vezes para a última divisão estadual é dose.

Sobre a arbitragem, foi muito bem durante a partida. Entretanto, tenho dúvidas sobre o pênalti marcado por conta do ângulo: foi cometido dentro da área? Eu fiquei na dúvida se o toque se dá antes da linha da grande área e a queda tenha sido dentro. Mas é situação de VAR. E, de novo, nenhum atleta reclamou! Nem do pênalti, tampouco para falar ao árbitro que poderia ter sido fora da área. Atitude passiva demais.

VELO 1×0 PAULISTA
Faltas: 16×18
Cartões Amarelos: 4×4
Cartões Vermelhos: 0x0

– Análise Pré-Jogo para a Arbitragem de Velo Clube x Paulista

Para a última rodada da Série A3, a FPF escalou o quarteto de arbitragem mais experiente dos 8 jogos na partida em Rio Claro. Serão eles, além do observador:

Árbitro: Rafael Gomes Felix da Silva
Árbitro Assistente 1: Eduardo Vequi Marciano
Árbitro Assistente 2: Robson Ferreira Oliveira
Quarto Árbitro: Rodrigo Santos
Avaliador de Campo: Ednilson Corona

Rafael já apitou final da Copa São Paulo e no começo de sua carreira fez bons jogos quando atuou em Jundiaí. Levado para a Série A1, teve altos e baixos, mas mostrou boas qualidades. Em 2020, por opção da Comissão de Arbitragem em abrir espaço para outros nomes, foi preterido da Primeira Divisão (particularmente, achei que de forma injusta).

É um árbitro que deixa o jogo correr, não permite cera tampouco marca faltas forçadas. Deverá, se tudo correr bem, fazer uma boa arbitragem neste fechamento de 1a fase da Terceirona.

– Corinthians 1×1 Santos: a reclamação do Peixe no gol de Avelar é justa?

Não assisti ao jogo, mas vi o lance reclamado do gol de empate do Corinthians. Gol LEGAL!

Isso acontece muito no futebol: arqueiro e adversário disputando a bola e normalmente sai uma falta para a defesa. Vez ou outra, o goleiro sai errado e demora para socá-la, e pede falta para disfarçar sua falha. Muitos árbitros inventam o “perigo de gol” e anulam o lance.

O árbitro Marcelo de Lima Henrique, ajudado pelo VAR, percebeu que a falha de João Paulo aconteceu e validou o gol de Avelar. Parabéns! Uma pena ao goleiro do Peixe que tem feito um ótimo campeonato.

– Me desculpe, Peixe.

Eu estava propenso a ver os lances polêmicos de Goiás x Santos, a fim de escrever sobre eles e fazer a costumeira análise da arbitragem pontualmente para os casos citados. Mas dando uma olhada no twitter, e ao perceber a quantidade de erros e queixas contra a arbitragemcansado das minhas atividades deste domingo, e desejoso de terminar bem o dianão tive coragem.

Um post com ar “sincerão”: como o blog é meu e tenho a opção de escrever o que quiser, não desejo me desagradar com outras lambanças de arbitragem hoje (que tem sido tão cambaleantes neste Brasileirão). Está doendo até o “fígado” ultimamente…

Mas um comentário solitário: a qualidade dos nossos juízes está despencando na mesma qualidade que o futebol dos clubes.

Goiás x Santos: saiba onde assistir à partida do Brasileirão Série A -  Gazeta Esportiva

– Os lances polêmicos de Coritiba 1×1 São Paulo.

Três lances polêmicos envolvendo gols do São Paulo em Curitiba, no empate contra o Coritiba. São eles:

Aos 18m, em lance muito difícil, o bandeira Thiago Farinha acertou no impedimento ajustado que anulou o gol de Luciano, comprovado pelo recurso do VAR.

Aos 59m, o bandeira Rodrigo Correia anulou o gol de Brenner. Na verdade, seu companheiro Luciano estava à frente, recebendo em impedimento mesmo depois de um toque do jogador de Curitiba, e chutou na sequência para a meta. É neste momento que não vale mais nada, sendo que o rebote que Brenner pegou não tinha validade. Acerto do assistente principalmente por perceber que o toque do adversário ocorreu involuntariamente e não tirou o impedimento. Tiraria, se ele tivesse acontecido em disputa de bola.

Aos 67m, Daniel Alves cobra uma falta e uma mão atinge a bola na barreira. Em um primeiro momento, deu a entender que ela desviou na costa de um atleta coxa-branca e na sequência na mão do companheiro. Mesmo se tivesse batido direto, não entendo que o jogador Hugo tentou deliberadamente abrir os espaços para, no movimento antinatural, interceptar a bola. Entendo ser movimento natural e toque involuntário não-infracional. Errou Wagner Magalhães em marcar o pênalti.

Repare que a forma cautelosa da marcação do tiro penal, como visto, deu uma impressão que o juizão estava não-convicto?

Coritiba x São Paulo: saiba onde assistir à partida do Brasileirão Série A - Gazeta Esportiva

– Análise da Arbitragem de Paulista 1×1 Linense

Boa arbitragem no Jayme Cintra nesta ensolarada 6ª feira. Com os jogadores fazendo um jogo limpo sob forte calor, sem lances temerários, correu bastante o árbitro Paulo Sérgio dos Santos. Bom trabalho dos assistentes e quarto árbitro também.

O único porém do árbitro foi aos 45m, quando Jean (PFC) fez uma falta temerária e ele não deu cartão amarelo. Na sequência (47m), numa infração comum cometida por Rodolfo, injustamente deu a advertência a ele. “Compensou” a não aplicação anterior, e portanto, errou.

O acerto foi no bizarro erro do goleiro Tiago (aos 5m do segundo tempo), quando ele bobeou e soltou a bola na cabeça do atacante jundiaiense – e teve que cometer um pênalti. O juizão estava atento e não vacilou. Bem como o correto tiro livre indireto dentro da área em favor do Linense, marcado com correção (Agenor pôs em jogo e depois agarrou de novo!).

Me chamou a atenção que o Paulista correu demais no 1o tempo, enquanto que o Linense cadenciou bem a posse de bola. No 2o tempo, o Galo “pregou em campo” e o Elefante sobrou fisicamente, dando um sufoco muito grande.

Paulista x Linense:
Gols: 1×1
Faltas 20×12
Cartões Amarelos 1×1
Cartões Vermelhos 0x0

Confira o gol de pênalti de Léo Mineiro com a narração de Edison Roberto, o Didi – Gargantinha de Ouro:

– Estamos contigo, Bibiana!

Bibiana Steinhaus é hoje a principal árbitra de futebol da Alemanha (e talvez seja do mundo também). Tem trabalhado com competência e regularidade nos diversos campeonatos que apita. Sua última atuação foi a decisão da Supercopa da Alemanha, no jogo entre Bayern Munich 3×2 Borussia Dortmund.

Porém, um fato curioso: a TV estatal do Irã, que transmitiria a partida, cancelou o evento pois, de acordo, com as leis islâmicas (o Irã é uma teocracia) não se pode mostrar partes do corpo das mulheres publicamente (e não é a primeira vez, em fevereiro isso já aconteceu também).

Lembrei-me de Fernanda Lima apresentando o sorteio da Copa de 2014 e a polêmica criada pelas modificações estéticas na imagem da moça, feitas pelas autoridades iranianas nas imagens que chegaram por lá. É mole?

Mais detalhes sobre o jogo anteriormente citado em: https://www.dw.com/pt-br/tv-iraniana-censura-jogo-da-bundesliga-por-árbitra-ser-mulher/a-47556534

– É para desconfiar?

Assistiram a vitória do ABC/RN por 7×0 contra o Jacyobá/AL pela série D?

Por favor, vejam o 2o gol e analisem com frieza: é tamanha a incompetência, que dá para desconfiar de manipulação de resultado (devido aos casos acontecidos em SP)?

Vide sobre essas denúncias paulistas em: https://is.gd/CILMLx, caso você não tenha ciência.

Sobre o lance citado, vamos lá:

Do minuto 54’55 ao 55’55” no link abaixo, o goleiro cobra o tiro de meta e os zagueiros ficam tocando a bola na pequena área, até perdê-la e quase sofrer o gol (a bola sai para a linha de fundo). Aí o goleiro cobra outro tiro de meta e os zagueiros trocam passe até que a bola caia por erro nos pés do atacante, e antes que “ele possa perder o gol”, o defensor comete o pênalti.

Tudo isso em… 60 segundos!

Desculpe-me, mas é “querer tomar o gol” ou puramente ruindade? Em época de desconfiança na lisura do esporte, tais erros permitem a dúvida.

Assista no tempo descrito em: https://youtu.be/0nhqDRivQtU

– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Paulista x Linense, Série A3.

Divulgada a escala dos árbitros para o confronto tão importante envolvendo o Galo da Japi vs Elefante da Noroeste. Abaixo:

Árbitro: Paulo Sérgio dos Santos, 41 anos, agente de segurança, há 15 temporadas na FPF.
Árbitro Assistente 1: Fernando Afonso Gonçalves de Melo, 39 anos, professor de educação física, 11 temporadas.
Árbitro Assistente 2: Italo Magno de Paula Andrade, 32 anos, professor de educação física, 11 temporadas.
Quarto Árbitro: Jefferson Dutra Giroto,
Avaliador de Campo: Newton dos Reis Barreira.

É um árbitro acostumado com a Série A3 e A2, todo ano trabalhando nestas divisões e fazendo a atividade de 4o árbitro na A1. Talvez não esteja na Primeirona por conta da idade, já que o propósito da Comissão de Arbitragem é escalar os árbitros “de nome” na divisão principal, somados a jovens com potencial.

Seu estilo é calmo (às vezes, peca em não vibrar no ritmo da partida). Ele é cauteloso em deixar o jogo correr, marcando muitas faltas (evitando que o jogo saia do seu controle). Para quem tem um bom batedor de faltas, é uma arbitragem favorável aos cobradores.

Me recordo de ter comentado duas partidas de Paulo Sérgio envolvendo o Galo: a estréia na A2 em 2015, contra o Independente de Limeira (numa partida remanejada para a Rua Javari e razoavelmente apitada). Vide aqui sobre a derrota por 1×0: https://wp.me/p55Mu0-m2. O outro jogo em 2018, na Bzinha, com vitória de 3×1 sobre o Joseense onde atuou bem. Vide aqui: https://wp.me/p55Mu0-1YD.

Acompanhe a transmissão de Paulista x Linense pela Rádio Difusora Jundiaiense AM 810, com o comando de Adilson Freddo. Narração de Edson Roberto (Didi); comentários de Robinson Berró Machado e Heitor Freddo; análise da arbitragem com Rafael Porcari; reportagens de Luiz Antonio “Cobrinha” de Oliveira. Na técnica externa Alexandre Bardi. Sexta-feira (02/10), às 15h00 – mas a jornada esportiva começa a partir das 14h00 para você ter a melhor informação com o Time Forte do Esporte!

– Jairzinho e a ofensa à bandeirinha

O carismático Jairzinho, o Furacão da Copa, pisou feio na bola. Durante a transmissão de Vasco x Botafogo, ao criticar um impedindo da árbitra assistente Neuza Back (que é da FIFA), mandou ela “lavar roupa”!

Que desagradável…

Ao menos, pediu desculpas.

Aqui: https://globoesporte.globo.com/google/amp/futebol/times/botafogo/noticia/jairzinho-se-diz-arrependido-apos-comentario-machista-em-transmissao-da-botafogo-tv.ghtml

– Análise Pré-Jogo para a Arbitragem de Desportivo Brasil x Paulista, além da suspeita da Polícia (oficial) sobre o Olímpia!

Para o decisivo jogo do Paulista em Porto Feliz contra o Desportivo Brasil, apitará Danilo da Silva – árbitro de 36 anos, hà 13 temporadas na FPF, e que subiu da Série B / A3 em 2019 para escalas na A2 em 2020.

No ano passado, falamos do potencial deste árbitro. Firme, seguro e rigorosonão tendo “fama de caseiro”, sempre atuando muito bem. Porém, no Jayme Cintra no ano passado, relaxou durante a partida contra o Independente de Limeira e se “embananou”, perdendo o ritmo e critério da partida. Como sua característica principal é não dar qualquer falta, deixou de marcar faltas reais e não expulsou um atleta de Limeira.

Relembre o jogo citado em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2019/09/07/analise-da-arbitragem-de-paulista-1×1-independente/

Torço para que tudo ocorra bem, e que tenhamos uma boa arbitragem.

ACRÉSCIMO: hoje, durante o Programa Esporte em Discussão da Rádio Jovem Pan, o Delegado de Polícia César Saad disse ao vivo que “foi recebida uma denúncia de suspeita de manipulação do jogo envolvendo o Olímpia”. Lembrando que a única partida do Olímpia na volta da pandemia foi sábado, em Jundiaí. Aos que acompanharam a transmissão da Rádio Difusora, vão se recordar que falamos dos erros bisonhos do zagueiro que redundou no pênalti do 1o gol, a furada do 2o gol e ficou plantado no contra-ataque equivocadamente marcado que poderia ser o 3o gol do Galo.

Sobre a partida entre Paulista 2×3 Olímpia (logo no 1o parágrafo), aqui: https://professorrafaelporcari.com/2020/09/19/analise-da-arbitragem-para-paulista-2×3-olimpia/

Se você tiver interesse sobre assuntos de manipulação e dicas para percepção, em: https://professorrafaelporcari.com/2020/09/20/manipulacao-de-resultados-no-futebol-do-paulistao-a3-de-novo-o-ambiente-da-vulnerabilidade-e-notorio/

A respeito da fala do delegado, acompanhe a partir de 1:00:29, em: https://www.youtube.com/watch?v=ztwgu2dq12k&t=4257s

– Manipulação de resultados no futebol do Paulistão A3 (de novo)? O ambiente da vulnerabilidade é notório.

Antes de falarmos de mais um caso envolvendo fabricação de resultados no futebol do Interior de São Paulo,  considere o seguinte cenário:

Há 10 meses, a Globo mostrava como funcionava o esquema de manipulação de resultados na Série C do Cariocão (a 3a divisão do Rio de Janeiro). Vide no Globo Esporte, em: https://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/esporte-espetacular-revela-esquema-de-manipulacao-de-resultados-no-futebol-do-rio.ghtml

Há 1 ano, o TJD-SP punia o Batatais por manipulação de resultados na série A3 paulista (a Terceira Divisão), suspendendo o clube por 240 dias e multando-o por R$ 70.000,00. Na apelação, o clube conseguiu redução de pena para 120 dias e em 2020 a decisão mudou para absolvição (acesse o site do TJD da FPF com os dados, em: https://futebolpaulista.com.br/TJD/Tribunal.aspx.

Há 2 anos, deflagrou-se a Operação Cartola no Futebol da Paraíba, envolvendo cartolas, clubes, jogadores, técnicos e árbitros, objetivando ver a combinação de resultados em sites de apostas. Tudo sobre isso no G1, em: https://globoesporte.globo.com/pb/noticia/stjd-denuncia-17-envolvidos-no-esquema-de-manipulacao-de-resultados-no-futebol-da-paraiba.ghtml

Há 30 meses, o União Barbarense era investigado por manipulação de resultados, envolvendo a A3, com o treinador sendo denunciado. Relembre no UOL, em: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2018/03/26/suposto-esquema-de-apostas-e-goleiro-improvisado-ditam-rebaixamento-em-sp.htm

Há 4 anos, a Operação Game Over prendia pessoas envolvidas em manipulação de resultados no futebol paulista, envolvendo A2 e A3. Faziam parte de um esquema que vinha da… Indonésia! A matéria, da Revista Veja, aqui: https://veja.abril.com.br/esporte/envolvidos-em-mafia-de-apostas-serao-denunciados-por-formacao-de-quadrilha/

Há 15 anos, tivemos a Máfia do Apito, impactando diretamente no Campeonato Brasileiro de 2005 (relembre como foi e o que aconteceu com os envolvidos em: https://professorrafaelporcari.com/2015/09/27/serie-mafia-do-apito-espn-brasil/)

De todos os casos, é óbvio que o único que ganhou repercussão nacional foi o de 2005, envolvendo os principais clubes da Série A do Brasileirão. E aí vem a observação: os vigaristas se utilizam das divisões menores, dos clubes regionais e dos atletas em situação de vulnerabilidade financeira para promoverem suas ações criminosas. Se descobertos, repercute muito menos.

Tudo isso foi lembrado para pontuar: MAIS UM CASO envolvendo denúncia de manipulação de resultados no futebol brasileiro, de novo na série A3, agora na partida entre Barretos 0x4 Linense, partida na qual o “Touro” perdeu em casa para o “Elefante” com 2 gols de pênalti, além de um gol contra nos acréscimos, surgido de um lance posterior a uma incrível lambança do jogador que marcou seu auto-gol.

Sobre o que a Polícia disse sobre essa partida, denunciada pela SportRadar, que monitora fraudes em jogos de futebol, no link em: https://globoesporte.globo.com/sp/ribeirao-preto-e-regiao/futebol/campeonato-paulista/noticia/policia-de-sao-paulo-analisa-suspeita-de-manipulacao-em-barretos-x-linense-pela-serie-a3.ghtml

Cá entre nós: se avaliarmos as condições dos clubes da A3 paulista (e de tantos outros lugares do Brasil), não é um local permissível para os bandidos, especialmente no período pós-pandemia? Muitos clubes em situação delicadíssima (se fossem empresas já estariam falidos), treinadores agindo como “empresários de atletas” aos montes, jogadores com meses de salários atrasados, dirigentes com histórico duvidoso de conduta e outros envolvidos em situação precária, como árbitros, fiscais e demais personagens no futebol.

Por fim, sem julgar ninguém, nenhuma instituição ou partida específica, sejamos racionais:

– quando vemos um zagueiro “saindo errado para o jogo” e entregando a bola para o adversário;
– quando um recuo para a própria meta é tão descabido que vira um gol-contra;
– quando a escalação muda repentinamente e atletas sem condições de mostrar um futebol condizente com a divisão são levados a campo;
– quando cartões são facilmente recebidos por atletas sem nenhuma contestação;
– quando a mão na bola é vulgarizada e você fica se questionando como pode o erro ser tão infantil;
– quando um árbitro “caseiro / novato / fraco tecnicamente” é escalado justamente quando o time da casa precisa ganhar;
– quando o melhor atleta dos time é substituído sem justificativa estando em bom momento da partida;
– quando todo mundo se machuca numa partida e as cãibras surgem mesmo com o resultado adverso;
– quando os pênaltis são acontecidos de maneira tão bisonha; e,
– quando qualquer situação sai da normalidade e você se questiona se “é só ruindade ou existe má fé”…

Não existe, em todos esses casos, ao menos um “benefício da dúvida”? Insisto: sem especificar alguma partida, condenar alguém ou levantar algum questionamento particular, mas trazendo ao debate a grande preocupação: as autoridades não precisam estar mais atentas a tudo isso?

Um futebol mais forte, com equipes financeiramente mais preparadas, jogadores com melhores condições e dirigentes mais responsáveis, seria importante para todo mundo e evitariam situações como essas. E encerro com uma reflexão do jornalista Cláudio Carsughi, que nunca me esquecerei, dizendo mais ou menos com essas palavras a respeito sobre “honestidade dos juízes e manipulação das partidas de futebol”:

“Se Deus, na sua imensa sabedoria, não poupou nem a sua Igreja do mal da corrupção, por quê acreditar que no futebol são todos honestos? E por quê ele blindaria uma única categoria, a dos árbitros de futebol”?

Em 2006, o GAECO se reuniu com os árbitros da FPF que estavam na Pré-temporada do ano anterior e que tiveram algum contato com Edilson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon, os protagonistas da Máfia do Apito. Eu era um dos 40 ali presentes, e na fala dos promotores José Reinaldo Carneiro Bastos e Roberto Porto, os criminosos sempre vão para cima de quem eles estudam o perfil e crêem que participariam de esquemas, tomando cuidado em não abordar pessoas que denunciariam tudo. Foi o caso de Paulo César de Oliveira, que, quando levantado o nome de um convite a ele por parte dos bandidos, de pronto foi dito: “NÃO! Esse é honesto!”.

  • Um prazer ser deixado de lado por ser inviolável na sua integridade, não?

Que as autoridades apurem com Justiça o caso de “entrega” (ou não) do jogo citado, bem a investigação de outros jogos.

– Análise da Arbitragem para Paulista 2×3 Olímpia

Coisas estranhas no futebol: chute no ar em furada bisonha (cometida pelo zagueiro), não substituições de atletas podendo realizar 5 (mesmo com o time cansado, lesionado e recebendo atendimento médico – e havia suplentes para isso, ocorrendo somente em último caso) e zaga plantada esperando o ataque. Este foi o time do Olímpia, que venceu o Paulista! Some-se a erros de arbitragem e falhas cruciais do Galo na zaga (que originou o 1o gol do Galo Azul), além da falta de capricho nas finalizações.

Dito isso, sobre a atuação do juizão e seus assistentes:

Uma arbitragem novamente polêmica de Alysson Matias, segurando a partida com uma arbitragem mais rigorosa no começo do jogo e soltando-a no decorrer da disputa. Correu bem (apesar de parecer um pouco acima do peso, não comprometendo), se posicionou corretamente, deixou de marcar uma ou outra falta que poderia.

O seu maior acerto foi aos 17m, quando o zagueiro Fernando vai dividir uma bola e se joga com os braços abertos e a busca com a mão esquerda durante a queda. Pênalti bem marcado. Seu maior erro foi a marcação do pênalti aos 62m, convertido por Doriva: uma bola bate no pé do atleta e explode involuntariamente no braço. Impossível dizer movimento antinatural, foi natural e no susto. Erro grotesco.

O bandeira 1 Edson dos Santos inverteu dois laterais nos primeiros minutos, mas depois se comportou bem. O bandeira 2 Patrick André tentou ajudar o árbitro mas atrapalhou: marcou uma falta inexistente de Rodolfo e, aos 39 minutos, um erro absurdo de desatenção, marcando impedimento de Rodolfo que veio de trás. Literalmente “matou o contra-ataque”.

Enfim: arbitragem ruim pelos detalhes citados (pois foram relevantes) para um jogo razoável.

EM TEMPO: Série A3 tem suspeita de manipulação, segundo Polícia. Aqui: https://www.esportejundiai.com/2020/09/serie-a3-do-paulistao-tem-suspeita-de.html

– E se sai um gol após um pênalti não marcado, mas “avisado”?

Veja só que pergunta interessante do amigo Marcelo Morandini, e que respondo abaixo (com adaptação da situação para melhor ilustração):

“Se um jogador comete pênalti mas o juiz não marca; o jogo prossegue e a bola não sai. Depois de algum tempo, com vários lances ocorridos, a equipe prejudicada marca o gol. O árbitro é informado pelo VAR de que existiu a penalidade. Anula-se o gol e marca-se o pênalti?”

De acordo com a Regra do Jogo, até é possível. Mas o “Espírito da Regra” mostra que o bom senso é mais inteligente do que a própria regra crua e fria: deve-se entender como “uma vantagem bem atrasada concretizada” (não houve nenhum reinício entre o pênalti não marcado e o gol assinalado, por isso a permissão dessa interpretação) e de que nunca se deve beneficiar o infrator (a anulação do gol para a marcação do pênalti promoveria isso).

Entretanto, fica o alerta: dependendo da natureza da infração do pênalti, pode-se punir com Cartão Amarelo ou Vermelho neste caso. Ou seja: você permite o gol mas não deixa de advertir ou expulsar.

– Análise Pré-Jogo para a Arbitragem de Paulista x Olímpia (Rodada 12 da A3).

Na volta da Terceirona, no confronto do Galo da Japi contra o Galo Azul, teremos a arbitragem de Alysson Fernandes Matias.

Alysson é professor de Educação Física, tem 44 anos de idade e está há 19 temporadas no quadro da FPF. Tem se notabilizado em jogos da A3 como árbitro central e na A2 como 4o árbitro. É alto, tem “presença” em campo, tecnicamente razoável, possui boa experiência mas disciplinarmente, nas partidas em que atuou do Paulista, não foi bem. Não dá “química” em Jundiaí.

Relembre, por exemplo, a última atuação em Jayme Cintra (2009) no Paulista 1×0 Rio Branco pela Copa Paulista, em: https://wp.me/p55Mu0-ha. De lá para cá, não consigo me recordar de nenhuma arbitragem excepcional nas divisões que trabalhou.

Curiosidade: Alysson foi árbitro da polêmica final do Campeonato Amador de Jundiaí em 2009, numa confusa decisão. Aqui: https://www.esportejundiai.com/2011/11/arbitro-da-final-confusa-do-amador-de.html.

Estranho a FPF não se atentar a esse detalhe. Normalmente, existem praças esportivas que alguns árbitros são evitados para trabalhar, justamente por algum entrevero. Mas torço para que ele tenha uma grande atuação, afinal, não estaria há tanto tempo no quadro se não tivesse qualidades. É honesto e boa gente. Quem sabem, sem torcida, possa trabalhar sem nervosismo.

Acompanhe a transmissão de Paulista x Olímpia pela Rádio Difusora Jundiaiense AM 810, com o comando de Adilson Freddo. Narração de Edson Roberto (Didi); comentários de Robinson Berró Machado e Heitor Freddo; análise da arbitragem com Rafael Porcari; reportagens de Luiz Antonio “Cobrinha” de Oliveira. Na técnica externa Alexandre Bardi. Sábado, às 15h00 – mas a jornada esportiva começa a partir das 14h00 para você ter a melhor informação com o Time Forte do Esporte!

– Santos 2×2 São Paulo com VAR na “dose certa”.

Na Vila Belmiro, houve com o árbitro de vídeo o que a FIFA pede: “Mínima interferência do VAR e Máximo acerto”.

Cá entre nós: quando o jogo não para demasiada e desnecessariamente, a partida fica bem mais agradável, não?

Viva o protagonismo dos atletas, não da arbitragem! O futebol agradece.

– E morreu o Ferreirão…

E faleceu Luiz Carlos Ferreira, carismático treinador de futebol que se notabilizou no Interior Paulista como “O Rei do Acesso” (depois dele, outros técnicos ganharam esse título, mas o “Ferreirão” foi intitulado primeiro).

Sempre ele pegava as equipes na A2 e as levava para a A1, e se especializou nisso. Me recordo que em determinado momento na sua carreira, o São Paulo FC procurava um “nome novo” no cenário dos técnicos – alguém que tinha feito trabalhos importantes nos clubes menores e que pudesse oxigenar o rol de nomes já conhecidos. Porém, a experiência negativa de alguns anos atrás com Afrânio Riul (que foi contratado pelo Corinthians após uma trajetória parecida na Ponte Preta) desmotivou o Tricolor do Morumbi a ousar com ele.

Em Jundiaí, Ferreira foi muito querido e trabalhou por várias vezes (aliás, pelos clubes que passou sempre deixou amigos). Eu tinha um carinho especial por ele pois sempre que o Paulista FC fazia amistosos, eu apitava e ele me chamava antes e dizia: “eu gosto de você pois você apita igual ao jogo do campeonato, esquece que é treino e manda ver”. E quando eu apitava pela A2 e A3 e o encontrava em alguma outra equipe, sempre comportava-se extremamente cortês comigo na área técnica.

A propósito disso, na história recente do Galo da Japi (últimos 40 anos), temos (na minha humilde opinião) Vagner Mancini, Giba e Luiz Carlos Ferreira como os 3 principais nomes que dirigiram o time, lembrando ainda do Zetti pelo vice-campeonato de 2004 e do Nicanor de Carvalho pelo acesso de 1984.

Descanse em paz, Ferreirão!

Imagem extraída da Web, autoria desconhecida.

– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Red Bull Bragantino x Grêmio.

Para o importante jogo entre o Massa Bruta e o Tricolor Gaúcho, apitará:

Árbitro: André Luiz Skettino Policarpo Bento – MG
Bandeira 1: Guilherme Dias Camilo – MG (FIFA)
Bandeira 2: Antonio Adriano de Oliveira – MA
4º Árbitro: Thiago Luís Scarascati – SP
Assessor de Arbitragem: Antonio Pereira da Silva – GO
VAR: Rodrigo D’Alonso – SC
AVAR: Eder Alexandre – SC
AVAR 2: Lucas Paulo Torezin – PR
Observadora de VAR: Giuliano Bozzano – SC

André tem 29 anos, é de Sabará/MG, e no ano passado apitou Série D e Série C. Nesse ano, pulou para a Série B e Série A. Apitou seus primeiros jogos mostrando um grande defeito: se tornou refém do VAR. E essa insegurança faz parte da “nova geração”: os jovens árbitros mudam a opinião conforme a sugestão o árbitro de vídeo, fazendo até mesmo com que decisões corretas se tornem equivocadas.

Recentemente, André apitou Fortaleza 0x3 Red Bull Bragantino, e foi bem (apesar do começo vacilante). Nossa análise está em: https://wp.me/p55Mu0-3jj. Porém, dias depois fez uma tremenda lambança em Santos x Athletico Paranaense… vide aqui: https://wp.me/p55Mu0-3jP.

É torcer para que o árbitro esteja numa boa noite.

Acompanhe conosco o jogo do Red Bull Bragantino x Grêmio pela Rádio Futebol Total, acessando:
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ou ainda pelo site: http://radiofuteboltotal.com.
Narração de Sérgio Loredo, reportagens de Pietro Loredo e comentários de Lucas Salema. Quinta, 14/09, 21h30. Mas desde as 20h30 estaremos no ar para levar a melhor transmissão para você!

– Não confunda a orientação da Regra de “Não expulsar um atleta que evita o gol em disputa de bola” com “Evitar o gol usando indevidamente as mãos”.

Até anos atrás, quando um jogador fazia uma falta contra um adversário dentro da área que estava prestes a marcar um gol, você marcava o pênalti e o expulsava. E isso mudou!

A FIFA achava que a punição era muito rigorosa, e passou a distinguir a aplicação do Vermelho: se a falta for em disputa de bola, quando um jogador praticar uma infração tentando roubar a mesma, deve-se aplicar o Cartão Amarelo (mesmo se for para evitar o gol). Porém, se a infração não for em disputa da posse de bola (usar a mão para evitar o gol ou agredir o adversário), continua valendo o Vermelho.

Ontem, na Neo Química Arena, Fagner usou as mãos na jogada de ataque do Palmeiras. Se você entendeu que ele realmente evitou o gol, foi correto o Cartão Vermelho. Mas se você entendeu que a bola não iria para o gol e considerou que havia um zagueiro atrás que poderia disputá-la, era para Amarelo (pois não seria mais considerada uma situação clara e manifesta de gol).

Sobre a consideração deste lance, ontem, escrevi aqui: https://professorrafaelporcari.com/2020/09/10/a-expulsao-de-fagner-foi-justa/