– As escalas dos árbitros para o Brasileirão depois da Inter-temporada.

Durante a semana, falamos da Inter-temporada dos árbitros, bandeiras e VARs na Barra da Tijuca (95 pessoas). E após a realização da semana de treinamento intensivo, a CBF divulgou sua escala de árbitros. Sem Daronco (provavelmente está fora para descansar sua imagem da maratona de jogos e de críticas) e sem Luiz Flávio de Oliveira (no PADA), predominou a escalação de FIFAs (incluindo a estreia de Edina Alves Batista, que não tinha apitado nenhum jogo da Série A do Brasileirão). Destaque para o catarinense Ramon Abatti, que tem feito bons jogos, é cotado para ser FIFA em 2023 e estará em São Paulo x Flamengo.

Há exatamente 1 ano, os problemas eram os mesmos, e recordo esse texto (abaixo) onde se vê: passado tanto tempo, nada mudou.

Com o treinamento feito, mudará? Tomara que sim!

As escalas, em: https://www.cbf.com.br/a-cbf/arbitragem/escala-campeonato-brasileiro-serie-a

Rememorando:

VAR: ESTÁ VALENDO A PENA?

VAR: Valeu A pena Rearranjar a arbitragem com essa ferramenta?

VAR: Veio Atrapalhar a Regra do jogo?

VAR: Viramos Atentos Reféns da decisão da cabine?

VAR: Vou Atentamente Repensar minha opinião sobre ele…

VAR: Vulnerabilidade Altíssima do Referee!

Esse jogral com as iniciais do Video Assistent Referee serve apenas para quebrar o clima sisudo desse texto. Mas dentro da brincadeira, coisas bem sérias:

1- O Árbitro Assistente de Vídeo não é mais um auxiliar da arbitragem, reportado ao Árbitro de Campo. Em nosso país virou Juiz de Cabine, determinando mudança nos procedimentos daquele que um dia (no Brasil) foi a autoridade máxima do jogo.

2- Diferente do resto do mundo (onde se fica preso aos protocolos e à ajuda ao árbitro aos lances capitais que podem prejudicar uma decisão, por culpa de erros grotescos), aqui se procura os equívocos e se faz uma varredura em detalhes que levam à equipe do árbitro de vídeo a re-apitarem jogos. Coisa única daqui, tupiniquim, jabuticaba pura.

3- A “farra das escalas” é algo que precisa ser rediscutido. Os custos do nosso VAR são onerosos, e o número de cartolas escalados para supervisionar o quarteto de arbitragem assustam. Na final da Copa do Brasil 2018, por exemplo, foi escalado um octodeceto de pessoas (sim, 18, um recorde), ao invés do quarteto.

4- Sérgio Correa da Silva, ex-presidente do Sindicato dos Árbitros de São Paulo, que também foi membro integrante da Comissão de Árbitros da FPF, e de lá para a CBF, passando pelas gestões de Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Cel Nunes (em diversos cargos de arbitragem), está há décadas com funções relativas aos árbitros. Na gestão Rogério Caboclo, ele é o responsável pelo Desenvolvimento do Árbitro de Vídeo. Não só ele, mas tantos outros nomes que estão na entidade por tanto tempo, não deveriam entregar melhores resultados? Aliás, a Confederação Brasileira de Futebol, se uma empresa mais séria fosse, deveria rever todo o seu quadro, pois paga muito bem e cobra muito pouco aos funcionários (nenhuma ilação à honestidade ou não do cartola – pessoa honrada e correta – mas à questão do seu trabalho que não se frutifica aos olhos públicos, somente em narrativas e estatísticas divulgadas pela própria CBF).

5- O octeto de arbitragem (por conta do VAR) está caro (e em alguns jogos mais importantes, são mais numerosos). E está valendo a pena? Um árbitro da FIFA ganha R$ 5.250,00 (como Luiz Flávio de Oliveira no SPFC x SEP). Vuaden, que é Master, idem no SCCP x CRF). Um bandeira da FIFA ganha R$ 3.150,00 (temos dois em campo). Um quarto-árbitro: R$ 1.320,00. O VAR e o AVAR, R$ 3.150,00 e R$ 1.900,00 (alguns jogos temos 2 AVARs). Os analistas de campo da arbitragem custam R$ 740,00; e os inspetores de arbitragem R$ 1.050,00. Já os “gerentes de qualidade da arbitragem” (ou Quality Manager, como a CBF nomeia), R$ 630,00. Os observadores de VAR (Ednilson Corona no Morumbi e o próprio Sérgio Correa acima citado em Itaquera) custam R$ 1.420,00. SOME-SE, ainda, as estadias / diárias, que variam de onde o árbitro e seus dirigentes residem (claro, valores altos para os padrões do brasileiro comum, mas lembrando que alguns deles não tem carteira de trabalho assinada pela CBF). Não é curioso que o quarteto de arbitragem, com o VAR brasileiro, passou a ser inflado por tantos elementos “administrativos”?

6- A CBF anunciou que haverá VAR em todo o 2º turno da Série B e nas fases finais da C e da D (230 partidas), custeando a iniciativa a fim de que os clubes não tenham “mais um” gasto alto. A Associação Nacional dos Clubes comemorou, e a dos Árbitros… chiou! Segundo Marcel Rizzo no UOL (vide aqui: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/marcel-rizzo/2021/07/26/arbitros-criticam-cbf-e-temem-erros-do-var-nas-divisoes-inferiores.htm), a ANAF (que deveria festejar maior oportunidade de emprego) não gostou da ideia pois, segundo ela: “Não está em discussão a importância do VAR, mas o seu uso eficiente. O anúncio da expansão do ‘árbitro de vídeo’ para o returno da Série B e para as retas finais das Séries C e D nos trouxe preocupação e nos fez refletir e questionar: por que aplicar o VAR sem a devida preparação dos árbitros e assistentes que atuam nestas divisões? Podemos chamar isso de ‘planejamento’?”. Aqui, há uma discussão de bastidores pois existem mais árbitros habilitados na Região Sul e Sudeste do que nas demais, e a ANAF defende mais escalas de árbitros das outras regiões (não tem tantos VARs treinados no Nordeste e no Norte – de onde é a maioria dos filiados da ANAF. Ou seja: um “pingo de ciúme” entre árbitros)…

7- Na FPF, houve a discussão se, para a Copa Paulista (o torneio realizado para deixar em atividade as equipes profissionais que estão sem calendário), dever-se-ia usar um “VAR light”: ou seja, um membro da arbitragem que se utilizaria das imagens de TVs locais do Interior do Estado (que ajudam a transmitir os jogos com uma única câmera para o aplicativo da FPF e seus parceiros) para ser uma ferramenta mais econômica. Não creio que essa ideia vingará… e torço para que não vingue, pois muito árbitro de vídeo, dependendo da decisão e da qualidade da imagem, ficará retido na sua cabine…

Diante de tudo isso, insisto: está valendo a pena o VAR no Brasil?

Na paralisação dos campeonatos por conta da pandemia, onde se treinou, de nada adiantou? Ou os treinadores de árbitros é que precisam ser treinados?

A ferramenta, insisto, é ótima. Mas (digo com pesar, pois defendo o uso moderado e pontual da tecnologia) não está dando certo no nosso país.

memes copa russia 2018 var - Suricato Digital

Imagem extraída da Web, autoria desconhecida.

2 comentários sobre “– As escalas dos árbitros para o Brasileirão depois da Inter-temporada.

  1. Acompanhando o que a CBF está fazendo em termos de treinamento notei que, na verdade, não é uma semana, mas dois dias de treinamento para os árbitros. Uma turma chegou na segunda a tarde, trabalhou na quarta e foi embora na quinta, quando outra chegou.
    Mas parece uma resposta do que realmente treinamento realizado.
    Na última gestão levaram os árbitros para a Granja e lá ficaram de 19 de novembro até dezembro:
    https://ge.globo.com/futebol/noticia/arbitros-tem-rotina-de-jogador-da-selecao-na-granja-comary.ghtml
    São os mesmos que estão realizando treinamento agora. Precisa saber quais os instrutores na época e quem esta nesta agora.
    No site da CBF tem este resumo:
    “A primeira turma de árbitros e árbitros assistentes participantes da Intertemporada da Arbitragem Brasileira concluiu sua etapa no programa de aprimoramento nesta quarta-feira (3). O grupo formado por árbitros de elite, que atuam nas séries A e B do Brasileirão, encerrou o período de trabalhos práticos e teóricos e recebeu, oficialmente, suas insígnias FIFA pelas mãos do presidente da Comissão de Arbitragem, Wilson Seneme.A cerimônia foi realizada no Hotel Promenade Link Stay, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, local onde os 95 árbitros do programa estão hospedados.”
    Por outro lado é importante que façam treinamentos e isto deve-se aplaudir, mas falar sempre a verdade para o público. Cada hora uma estorinha..

    Curtido por 1 pessoa

  2. Fui pesquisar agora e observei dados importantes do trabalho da comissão.

    https://www.cbf.com.br/a-cbf/informes/arbitragem/em-numeros-confira-5-curiosidades-da-intertemporada-da-arbitragem

    Chegou ao fim, nesta sexta-feira (5), a primeira intertemporada da arbitragem brasileira.

    95 árbitros envolvidos
    26 horas em sala de aula
    50 clipes analisados
    1.800 minutos no VAR
    Mais de 260 pessoas envolvidas

    Entre juízes, assistentes e VARs, a intertemporada contou com 95 árbitros ao longo de cinco dias. Divididos em duas turmas, eles participaram de atividades em campo, simulados na cabine do VAR e também aulas teóricas no Centro de Excelência da Arbitragem Brasileira.

    Destaquei: “Do total, 30 deles (que atuam como VAR) estiveram nos dois grupos.” que ficaram todos os dias programados, os outros 65 foram divididos em dois grupos e cada uma participou de 2 dias de treinamentos.

    A reclamação é que não havia treinamento com jogadores, mas como estão atuando a maioria com o escudo FIFA, eles treinaram na Conmebol nestes anos todos, portanto alguma metodologia não está funcionando adequadamente.

    Com o treinamento, a partida da próxima rodada é só observar os resultados numa competição que já está abalada com a fundação da liga dos clubes em andamento. Como ficará a arbitragem nesta transição?

    Com a Anaf, com a CBF, com a Liga, com uma empresa? serão eleitos como em alguns países?

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